O legado de um ano

Outro dia comentaram no Twitter que Allen Iverson não foi só um jogador, mas um movimento cultural dentro da NBA. A frase não se explica sozinha, afinal o que é um “movimento cultural” dentro de uma liga de basquete? Mas ela, sim, resume bem porque tanta gente está comentando e conversando sobre o jogador tanto tempo depois do seu auge, e porque tanta gente ficou emocionada com o anúncio de sua aposentadoria que, no fim das contas, todo mundo já sabia que estava concretizada faz tempo.

AI thug life II

Ao contrário do que costumamos dizer e lembrar sobre Allen Iverson, não foi ele que levou a cultura negra das ruas e o hip hop para dentro da NBA. Mas fica na história não quem inventou, não o primeiro, mas quem fez todo mundo olhar para o que antes ficava embaixo do tapete. Iverson era puro gueto, era o ‘thug‘ por excelência, falava o que queria, quando queria e, ao contrário da maioria dos que vieram antes dele, era bom o bastante para todo mundo parar e ouvi-lo. Ou melhor, ele era tão bom que era ouvido mesmo quando ninguém queria. Ele forçava a barra, ele exagerava nas roupas largas, nas joias, nas correntes, nos palavrões e quando a NBA queria ignora-lo, exagerava nos pontos, no show, nos dribles. Allen Iverson era problema e solução. Era carismático e talentoso o bastante para carregar nas costas dele uma liga inteira que precisava de novos rostos para sobreviver e lucrar após a aposentadoria de Michael Jordan, mas ao mesmo tempo era justamente a cara que a NBA não queria para ela. Por que o público não poderia simplesmente ser tão apaixonado por Tim Duncan?

Embora não exista uma fórmula para se criar ídolos, é possível entender alguns depois que eles estão prontos. Iverson representava o que muita gente era e, ainda mais, o que muita gente queria ser. Quando ele se mostrava um cara qualquer de uma periferia americana, falando como eles, do jeito deles, ele era o que muitos moleques tarados por basquete eram nos Estados Unidos e muitos outros cantos do mundo. Quando ele driblava Michael Jordan, era o que todos aqueles queriam ser. Quando ele aparecia para os jogos com bermudão largo, camisa GGG e seus clássicos cornrows na cabeça, era igual qualquer moleque pobre, jogador de streetball. Mas logo depois disso entrava em quadra com duzentas lesões e se entregava por completo ao jogo, com uma paixão que não nos entregamos nem quando fazemos coisas que precisamos, devemos e amamos. Iverson era hipnotizante porque era um baixinho de 1,80m como qualquer um de nós, meros fãs, mas ao mesmo não era. Era um de nós mostrando que dava pra ser mais do que só um de nós.

O máximo de comparação que eu consigo fazer para o nosso atual momento é com o Neymar. Quando formos contar para nossos filhos da época do cai-cai no Santos, falaremos do tri-campeonato Paulista e da Libertadores, mas quem viveu o dia a dia como nós saberá que foi mais do que isso. O imaginário do país inteiro, sedento por um ídolo, passava por ele, mesmo que fosse para vaiar, criticar e cobrar. Seu rosto em todas as propagandas, as crianças imitando o cabelo, qualquer ação sua virar notícia, a mídia parando para divulgar suas possíveis mudanças de clube: ele foi a cara do esporte no Brasil por um período. Allen Iverson fez o mesmo para o basquete, mas seu cabelo não era só feio ou diferente para a maioria, era ofensivo, representava uma parcela da população que sempre se sentiu não representada. Imaginem Neymar sendo grosseiro nas entrevistas, sem media training, vestindo o que aqui chamamos, com todo o preconceito e racismo embutido, de “roupa de mano”. Imaginem se Neymar fosse tudo o que a Globo não quisesse mostrar com piadinhas ao lado do Tiago Leifert, mas que ao mesmo tempo não conseguisse evitar mostrar todo dia.

A carreira de Allen Iverson é ainda mais fascinante porque ela passou longe de dar certo, pelo menos coletivamente. Foram 14 anos de NBA, uma única aparição em Final, três derrotas na segunda rodada dos Playoffs, algumas derrotas na primeira rodada e em outros anos nem viu pós-temporada. De maneira individual ele brilhou um pouco mais, claro, com média de 26,7 pontos por jogo na carreira, um dos melhores de todos os tempos no quesito. Mas é um título que vêm acompanhado de comentários sobre os 22 arremessos tentados por jogo, sobre ser fominha, individualista, matador de grupos, infartador de técnicos e tantas coisas mais.

Talvez até mais do que Kobe Bryant, Iverson foi o centro das discussões sobre o estrelismo dentro de um time de basquete. Afinal Kobe também sempre ouviu as mesmas críticas, mas foi capaz de jogar ao lado de Shaquille O’Neal, de vencer títulos. A cena mais simbólica da dupla é um passe de Kobe para Shaq no Jogo 7 da final do Oeste de 2000. Um passe. Kobe Bryant na história por um passe, é possível. Já Iverson nunca teve um companheiro a altura. Ou melhor, teve, mas eles nunca duraram. O Philadelphia 76ers tinha Jerry Stackhouse quando Iverson chegou à NBA, ambos tiveram mais de 20 pontos por jogo no primeiro ano de AI na liga, mas no ano seguinte a média de arremessos de Stackhouse caiu, a de pontos também e ele parecia cada vez mais deixado de lado no ataque. Acabou sendo trocado para o Detroit Pistons. Depois o Sixers arriscou Larry Hughes, mas o entrosamento dos dois foi um desastre, com Hughes sem saber o que fazer sem a bola no ataque e arremessando mal quando tinha ela na mão (mais ou menos o que aconteceu com o mesmo Hughes quando ele foi o escudeiro de LeBron James no Cavs). Foi trocado para o Warriors. Por fim eles tentaram até o já veterano Toni Kukoc, que viu suas médias de pontos despencarem para até 8 pontos por jogo no começo da temporada 2000-01, só para depois voltar para 19 quando ele foi, finalmente, trocado para o Atlanta Hawks. Por um lado parecia claro que Iverson só seria capaz de ter resultados coletivos com ajuda, por outro ninguém parecia ser capaz de render ao lado dele. Estava fadado a ser um jogador bom em time ruim?

AI x Sonics

É aí que entra a temporada 2000-01 da NBA, esta mesma que começou mas não terminou com Kukoc no elenco do Philadelphia 76ers. O livro The Undisputed Guide to Basketball History do finado Free Darko é uma obra prima sobre a história do basquete nos EUA. São alguns ótimos textos soltos contando, por pedaços, o caminho do basquete e da NBA desde sua criação até os tempos atuais. Um dos capítulos do livro não é sobre Allen Iverson, mas sobre essa temporada 2000-01 em especial, que eles chamam de “o real legado de Iverson” ao basquete. O termo não poderia ser mais correto. O jogador foi mais do que aquele ano, mais do que os jogos de 50 pontos naqueles Playoffs, mas esse resto não é o que ficou. Às vezes é difícil explicar para quem não acompanhava a NBA na época o que era a presença de Iverson na quadra ou mesmo na liga. Só se falava nele, tudo era ele, todo mundo queria imitá-lo nas peladas, usar seus Reeboks; camisas do Sixers pipocavam em qualquer canto de qualquer lugar. E mesmo se os cornrows e as correntes já fossem usados por muita gente, era como se continuassem a usar por causa de Iverson.

A história é cruel. Mesmo (ou principalmente) nos esportes, ela e contada pelos e para os vencedores. O impacto cultural de Iverson para o basquete estava fadado ao esquecimento ou ao rebaixamento. Alguma coisa tinha que ser feita dentro da quadra para sustentar o que acontecia fora dela. Faltava o legado.

O técnico do Philadelphia 76ers antes da temporada 2000-01 era Larry Brown, especialista em defesa que tinha deixado o time como um dos 5 que menos tomava pontos por posse de bola nos dois anos anteriores. Mas isso não evitava as derrotas na segunda rodada dos Playoffs. A decisão tomada pela direção do time foi, portanto, a mais radical possível: trocar Allen Iverson. Ninguém consegue jogar ao lado dele e o time funcionava perfeitamente sem o armador na defesa, que tal pegar jogadores menos problemáticos, que não se recusassem a treinar, para formar um time vencedor? Foi o que fizeram, acertando uma troca gigantesca, de 4 times,

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que envolvia Iverson indo para o Detroit Pistons ao lado de Matt Geiger, e com Los Angeles Lakers e Charlotte Hornets entrando no negócio com outros tantos atletas, entre eles Glen Rice. Como vocês sabem bem, a troca não aconteceu e o engraçado é o motivo. Matt Geiger, um pivô careca bem mais ou menos, tinha direito a um trade kicker caso fosse negociado. É uma espécie de bônus pago para um jogador quando ele é trocado, baseado em uma porcentagem de seu contrato. Esse dinheiro pode ser pago pelo time que o troca ou pelo o que recebe, é negociável e raramente causa problemas. Mas nesse caso nenhum time quis pagar a quantia para Geiger, que então poderia abrir mão do dinheiro e deixar a troca rolar ou barrá-la. E barrou.

Não sei se Iverson falou abertamente sobre essa troca, não me lembro, mas sua atuação no ano seguinte deu a entender que aquilo o incomodou. Talvez fosse o momento de maneirar, na medida do possível, com as reclamações e atitudes extra quadra e mostrar serviço dentro dela. O “na medida do possível” na frase anterior foi adicionado de propósito, porque Iverson não era o tipo de cara que fazia as coisas para ser do contra, de birra, ele agia do jeito que agia porque era assim. Pouco antes da temporada começar ele se arriscou no mundo do rap, lançando, sob o nome de Jewelz, uma música chamada40 barscom referências a crime, tiros, assassinato e homofobia. David Stern e o Sixers, agradecendo a era pré-banda larga, conseguiram fazer com que a música não fosse lançada ou que pelo menos não tivesse toda a divulgação necessária. Iverson aceitou, como finalmente aceitou o técnico Larry Brown como um líder na equipe. Do mesmo jeito Brown aceitou Iverson como um jogador especial, que precisava de um time especial, diferente do padrão da NBA e do basquete em geral.

Ao lado de Iverson, apesar da contratação de Toni Kukoc, nenhuma estrela, ninguém para dividir o ataque. O ataque era ele. Jogadas de mano a mano, contra-ataques, bloqueios e posicionamento focados em aproveitar o máximo o talento da estrela. Sem precisar se desgastar no ataque, o time ralava nos rebotes, na defesa e tinha entrosamento impecável. O resultado foi a 5ª melhor defesa daquela temporada e Top 5 também em outras categorias como rebote, rebote ofensivo, roubos e lances-livres (tentados e certos). Do outro lado, Iverson fazia 40% dos pontos do time, quando a média de um cestinha de um time naquela temporada foi de 30%. O segundo cestinha do time, Aaron McKie, marcava 15% dos pontos, quando a média da NBA naquele ano era de 21% para um segundo pontuador.

Certamente não foi fácil para Larry Brown convencer um grupo de adultos, de atletas profissionais, que eles deveriam sacrificar tudo, desde a quantidade de seus arremessos até sua relevância ofensiva, em nome de um companheiro de time que era famoso por faltar em treinos e não passar a bola. Mas deu certo, não sei como, e todos os méritos do mundo para o treinador para isso. E méritos para Iverson, que se entregava tanto em quadra, apanhando, correndo, que ganhou a confiança dos companheiros. A desgastante relação entre os dois mexeu tanto com ambos que, anos atrás, quando fui numa palestra de Larry Brown aqui no Brasil, ele só queria falar (e se empolgava loucamente) do seu jogador mais problemático. Falei dessa palestra em um post antigo e repito aqui: apesar de ter tido mais sucesso depois no Detroit Pistons, o quase militar Larry Brown parece se orgulhar mais do seu vice-campeonato com o Sixers, principalmente pelo jeito que lidou com, como ele diz, o jogador mais talentoso com quem já trabalhou.

Os carregadores de piano para Iverson naquele time eram Eric Snow, Aaron McKie (eleito o melhor reserva da temporada), George Lynch, Toni Kukoc e Theo Ratliff. Os dois últimos, porém, foram trocados no meio da temporada por Dikembe Mutombo. Mesmo com Kukoc mal fazendo pontos, o Sixers tinha a melhor campanha do Leste e sabia das chances de chegar na final e enfrentar Shaquille O’Neal e o Lakers. Também sabiam que pivô defensivo por pivô defensivo, Mutombo era mais que Ratliff, apesar da grande forma deste naquela época. E se tem um tipo de jogador que pode fazer a diferença em um jogo sem nem precisar tocar na bola no ataque é um pivô como Mutombo, que só com tocos, defesa e rebotes faz a sua parte num jogo.

Aquele ano teve Allen Iverson como cestinha, com 31.1 pontos por jogo, o Philadelphia 76ers com melhor campanha do Leste e dois troféus para AI: MVP da temporada e MVP do All-Star Game. Era o ano dele, faltavam os Playoffs. Foi então que o legado, quase pronto, se concretizou. O Sixers bateu primeiro o Indiana Pacers, então campeão da conferência, depois derrotou o Toronto Raptors em épicos (sem a banalização da palavra) em 7 dificílimos jogos, depois venceu o ótimo Milwuakee Bucks e, por fim, enfrentou o Los Angeles Lakers na final. Ao todo, nessa pós-temporada, Iverson teve 6 jogos com 40 ou mais pontos, em dois deles passou dos 50. No Jogo 7 contra o Raptors, quando foi absurdamente bem marcado, distribuiu 16 assistências. E tudo isso jogando com tantas, mas tantas lesões que era inacreditável que ele estava sequer vivo e respirando, quanto mais jogando uma média de 46 minutos por partida! A imagem abaixo está numa resolução péssima, mas é uma que me marcou demais. Estava assistindo um jogo naquela época quando apareceu essa foto com a lista de todas as lesões sofridas por AI pouco antes ou durante os Playoffs de 2001.

Iverson injuries

Para chamar de conto de fadas faltava derrotar o todo poderoso Los Angeles Lakers na Final da NBA. Isso não deu. Aquela equipe tinha Shaquille O’Neal na melhor forma da sua vida, Kobe Bryant num nível absurdo e um grupo de coadjuvantes que sabia perfeitamente o que estava fazendo. Era uma equipe que tinha acabado de passar pelo Oeste sem NENHUMA derrota! Varrida atrás de varrida. A expectativa era que o Sixers iria ser atropelados também. Como Mutombo, mesmo sendo o grande Mutombo, pararia Shaq? Quem poderia ser capaz de defender Kobe Bryant? Quem, além de Iverson, marcaria sequer meia dúzia de pontos? Os times pareciam de outras categorias. E isso mais por mérito do Lakers do que por demérito do Sixers, que fique claro.

Mas por uma noite foi um conto de fadas. O Jogo 1, em Los Angeles, foi a única derrota do Lakers em toda a pós-temporada, já que iriam fechar a série por 4 a 1 contra o Sixers. Naquela partida, decidida na prorrogação, Mutombo tomou 44 pontos de Shaq na cabeça, mas o defendeu do melhor jeito que poderia; um pirralho chamado Raja Bell fez o primeiro de tantos bons confrontos contra Kobe e Iverson, bom, Iverson marcou 48 pontos. E isso porque ele passou um período grande da partida, no segundo tempo, sem acertar um arremesso sequer devido a furiosa marcação do desconhecido Tyronn Lue, um armador baixinho, que pouco jogava pelo Lakers, mas que havia interpretado o Iverson durante os treinos de Phil Jackson em Los Angeles, até sendo obrigado a adotar o cabelo do astro do Sixers.

O arremesso mais famoso de Iverson naquela série foi, claro, sobre Tyronn Lue.

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É uma bola que resume Iverson. O arremesso cheio de arco de meia distância, o corte seco, indefensável, o passo sobre Lue, caído no chão, com raiva e marra. A olhada mortal para o banco do Lakers que gritava em sua orelha. O apelido “The Answer” se explica nesse chute. Como não entrar em êxtase ao ver o baixinho marrento, sozinho, bater o melhor time da temporada com um arremesso desse? Sobre um cara que era uma imitação barata sua, que havia entrado no jogo para desestabilizá-lo? E, pior, que estava tendo sucesso nisso! Ao mesmo tempo, é um arremesso que explica porque Iverson sumiu, de repente, da NBA. Individualidade excessiva, arremesso longo de dois pontos, caindo para trás, apenas para provar um ponto. Iverson vai contra qualquer nova ideia de um basquete eficiente. Mas por uma temporada, por um jogo de Final, o seu estilo prevaleceu na NBA. O resto é resto.

Não vale a pena lembrar aqui as passagens dele por Denver Nuggets (embora tenha sido relativamente boa), Pistons, Grizzlies e seu retorno, curto mais simbólico, para o Sixers, onde fez seus últimos jogos na NBA. Falar disso seria tocar no assunto de como ele e jogadores do seu estilo ficaram irrelevantes na liga. Também teríamos que nos aprofundar em sua personalidade, como ele nunca aceitou o fato de envelhecer, de ficar mais lento, de mudar seu estilo de jogo, de não ser o centro do mundo. Estes são seus problemas, sua individualidade, sua personalidade. Não são, felizmente, o seu legado para o basquete.

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=UIzAg-MCtMs[/youtube]

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Para os interessados, existe um documentário da série 30 for 30 sobre o Iverson. Se chama “No Crossover: the trial of Allen Iverson” e trata do julgamento e condenação do jogador, quando ainda era um colegial, em uma briga generalizada dentro de um boliche na cidade de Hampton, na Virginia. Foi um conflito de motivações raciais que resultou na condenação de Iverson, que passou 4 meses preso até receber o perdão do governador local após muita pressão de toda comunidade negra da região.

O diretor do documentário é Steve James, o mesmo do antológico Hoop Dreams, o melhor filme sobre basquete já feito. E o cara é bom mesmo, fez uma obra complexa e que não tenta dar respostas prontas sobre como o Iverson virou o Iverson, mas é legal para ver e tirar suas próprias conclusões. Ele é um dos caras mais complexos, interessantes e inexplicáveis da história da NBA e o filme só deixa isso mais claro. Para os interessados nos complexos problemas raciais dos EUA é uma boa pedida também.

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

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