Os olheiros

Nas últimas semanas praticamente todos os times da NBA tem feito treinos com os mais diversos jogadores que estarão nesse Draft 2012 que acontece na quinta-feira. Os chamados workouts envolvem não só os jogadores que os times estão mais interessados, mas outros que eles estão curiosos para ver de perto e que estão cotados para estarem disponíveis nos locais de escolha de cada equipe. Ou seja, se você tem a Escolha 10 e a 40, precisa treinar caras cotados para estarem entre os 10 primeiros e outros piores que vão sobrar lá no meio da 2ª rodada. É um processo de muito treino e especulação.

Mas essa fase de treinos não é tão decisiva quanto parece. Vou usar um exemplo feminino, porque sou meio afetada, mas acho que vocês vão entender. Você fez alguma merda e sua punição é sair com sua namorada para comprar roupas pra ela, uma atividade que dura um dia que parece uma semana. A sua digníssima namorada vê uma blusinha L-I-N-D-A e entra na loja, aí ela vai direto na blusa, experimenta e gosta. Vai comprar? Ainda não. Primeiro ela precisa ver outras 6 blusas, 4 saias, uma calça jeans (que ela passa horas olhando no espelho pra ver se o caimento ficou bom) e ainda fica na dúvida se prova ou não aquele casaquinho. Quando sua barba já começa a crescer ela vai lá e compra uma única peça: A primeira blusa, claro.

Os times da NBA são mais ou menos como essas namoradas. Eles querem ter o máximo de informação possível, querem ver tudo de perto, mas já chegam na semana do Draft conhecendo todo mundo dos pés a cabeça, o workout é apenas uma prova real, algo para confirmar o que todo mundo já sabe. Os treinos finais são para dar a chance de alguém impressionar muito ou, no máximo, para tirar uma dúvida entre um ou dois caras bem cotados. O grosso do trabalho é feito quando a mídia está preocupada em cobrir outras coisas, por gente que a nem sabemos o nome.

Cada time da NBA tem uma equipe de olheiros muito bem treinada que dedica sua vida a ver qualquer nível de basquete nos EUA e Europa. Eles se dividem entre os olheiros avançados, que trabalham dentro da NBA avaliando os outros times, e os olheiros que analisam os futuros jogadores da NBA. Estes se dividem em avaliar as promessas mais jovens (basquete colegial), as ligas menores (D-League), o basquete universitário (a parte mais importante) e o basquete internacional. Há cerca de 10 anos virou algo comum os times contratarem olheiros para os deixarem inteirados do que acontece no mundo das promessas do basquete europeu. O trabalho desses caras é o que dá material para que o General Manager possa, no fim das contas, fazer sua decisão no dia do Draft.

Mas como esses olheiros trabalham? O que eles tanto olham? O que fazem? O que comem? Como se reproduzem? Esse post é um Globo Repórter sobre como trabalham esses scouts que dão todas as informações que os times tem em mãos na hora de decidir quem escolher no Draft. Para fazer o texto consultei muitos textos sobre o assunto, mas em especial uma entrevista com Brian Hagen, ex-assistente de General Manager do Hornets, o cara que era o responsável por conversar com os olheiros. E essa matéria da FIBA com Adam Filippi, que trabalhava na época com olheiro internacional do Los Angeles Lakers.

 

Atenção Total

Os principais jogadores universitários estão sendo observados continuamente. Os olheiros não vão assistir só aquele jogo mais importante ou o March Madness, embora a atuação e a postura dos atletas nesses momentos mais tensos contem bastante. E pior, os olheiros são treinados para acompanhar não só o jogo. Segundo Brian Hagan tudo o que um atleta faz em quadra é analisado e incluído em seu relatório: Como ele se aquece antes do jogo, é preguiçoso, quer só impressionar com enterradas ou pratica situações de jogo? Ele é educado com o técnico? Sai bufando e reclamando quando vai para o banco de reservas? Parece próximo aos companheiros de grupo ou mal presta atenção na partida quando vai para a reserva? Até o fato dele falar muito durante o jogo, o famoso trash talk, é digno de anotações. Alguns times valorizam, outros desprezam.

Mas nem sempre esse acompanhamento tão próximo pode ser uma boa. Adam Filippi, que trabalha na Europa, alerta para os perigos de se acompanhar de perto um jogador por tanto tempo: “Você precisa ver pelo menos 5 vezes um jogador novo, para ter alguma ideia dele. Já assistir um único jogo só é muito perigoso. Mas também existe o risco de você ver demais um cara. que foi o que aconteceu comigo e Tiago Splitter. Depois de 5 temporadas eu o assisti tantas vezes que reparava só nas suas falhas, acabava não apreciando seu lado positivo”.

 

Fora de quadra

Existe também uma pesquisa fora de quadra, onde o olheiro é uma mistura de detetive, psicólogo e repórter investigativo. Ele deve ser simpático e ir conversar com pessoas próximas do jogador que ele está interessado, sejam eles companheiros de time, técnico e familiares. Todas essas pessoas conhecem os defeitos e qualidades do jogador, mas qual deles vai ser doido de dizer “Esse cara é mimado e não gosta de treinar”? Ninguém. Segundo Hagen, depois de um tempo os olheiros aprendem a ler o entusiasmo na declaração das pessoas, para perceber quando um técnico tece elogios apenas para ver mais um jogador de seu programa indo para a NBA ou quando realmente o cara está sendo sincero. Entrevistar caras menos ligados ao jogador, como um assistente técnico ou algum responsável pela parte disciplinar da universidade, fazem parte do processo fora da quadra também.

Ele também diz que o trabalho é tão extenso que fica difícil esconder algumas coisas, não dá pra fingir por muito tempo. Uma das coisas que eles levam muito em consideração é a chamada “força mental”. Ou seja, como o jogador lida com uma situação fora da sua zona de conforto: Pode ser uma má fase, um jogo importante em que ele está com dores, uma partida importante fora de casa, uma semana onde ouviu críticas da imprensa ou uma briga dentro do grupo. Segundo Hagan, tudo na NBA é maior e mais difícil que no basquete universitário, se ele não conseguiu no estágio anterior não há porque conseguir depois. Filippi diz que “eu posso mudar de opinião de um jogador com o passar dos anos, posso ter gostado de alguém e depois achar que o cara não é bom. Mas nunca mudo de ruim para bom”. Ele cita alguns casos de jogadores que evoluíram muito em pouco tempo, como Deron Williams, Marc Gasol e Carlos Boozer, mas que são casos muito raros.

Potencial

A palavra que a gente mais escuta em semana de Draft é também a mais perigosa: Potencial. Segundo Filippi, scout internacional do Lakers na Europa, é muito fácil ver um jovem atleta e descobrir no que ele é bom ou ruim. Qualquer um pode fazer. O desafio dele e de outros olheiros é cavar mais fundo e descobrir algumas questões fundamentais que para nós podem até soar ridículas. Tipo, o cara realmente gosta de jogar basquete? Às vezes ele está lá porque é bom, grande, mas irá dedicar suas férias a melhorar o arremesso de meia distância? Para isso precisa amar o trabalho.

Já Hagen destaca a inteligência do jogador. Ele diz que na NFL o pessoal chega a passar uns testes para conseguir mensurar a inteligência do jogador, já que é um jogo com muita estratégia e baseado em jogadas muito bem desenhadas que os jogadores precisam entender a fundo. Para ele os tipos de inteligência medidos pela NFL não valem tanto para o basquete, mas que eles se preocupam em medir o tal “Basketball IQ”, o “Q.I. de basquete”. Quanto mais inteligência de jogo e entendimento do basquete o cara mostra, mais chances ele tem de melhorar durante a carreira e assim cobrir suas falhas. O conceito é óbvio, mas eles precisam achar esse tal Basketball IQ em caras menos óbvios que Shane Battier e Kevin Love.

 

Como medir talento?

O que me irrita em sites como o NBADraft.net e o DraftExpress é que todo ano pareço estar lendo as mesmas coisas. Parece que eles tem um banco de dados com uns 30 frases positivas, 30 negativas e vão distribuindo as mesmas para descrever o estilo de jogo de cada atleta. Depois de um tempo a coisa fica tão repetitiva que você passa a duvidar de tudo aquilo. Mas tem uma explicação. Adam Filippi disse que adora fazer trabalhos enormes sobre os jogadores que observa, com muitas páginas e observações sobre questões técnicas, físicas e mentais, “mas aí estou falando com meu chefe sobre um jogador e em menos de 30 segundos ele me interrompe e diz ‘tá, mas ele pode jogar pra gente ou não?’.

São tantos jogadores sendo observados que no fim das contas, além da análise extensiva dos principais nomes, os olheiros tem que simplificar as coisas. O básico que os times pedem de todos os jogadores, em respostas curtas e grossas é:

– Informações físicas (altura, atleticismo, corpo)
– Qualidades e defeitos no ataque e na defesa
– Pode criar o próprio arremesso?
– É jogador de nível NBA? Estrela, role player, reserva?
– Ele pode jogar no nosso time, precisamos de um cara como ele?
– Ele pode melhorar suas falhas?
– O jogador possui alguma especialidade?

 

Como prever a mudança da NCAA para a NBA

Essa parte é muito complicada e uma das mais importantes. Tyler Hansbrough foi o melhor jogador universitário em seu último ano de faculdade, mas seu jogo físico iria o levar até onde sendo um ala de força baixo para os padrões da NBA? Adam Morrison e JJ Redick foram cestinhas universitários, mas nenhum deles foi grande coisa nos profissionais. Um scout que não se identificou, entrevistado pela Sports Illustrated, falou um pouco sobre isso.

Segundo ele o arremesso é parte importante da conta. Alguns caras se destacam tanto na parte física que acabam destruindo com tudo quando enfrentam uns magricelos na NCAA, mas na hora de jogar na NBA todo mundo é grande e o cara perde seu diferencial. Então se um armador ou ala se impõe muito pelo físico, precisam observar sua mecânica de arremesso para saber se existe futuro para aquele cara. Uma perspectiva de chute de média ou longa distância pode ser a diferença entre um cara com bom físico ser Top 10 ou começo de 2º round em um ano de bom Draft na NBA.

Outro fator observado é a defesa. “Se um cara não defende com vontade na universidade, não vai começar a fazer isso na NBA”, afirma o olheiro. E a palavra-chave aí é vontade. Às vezes o sistema defensivo do time é fraco ou ele não tem mesmo alguma parte técnica de defesa, mas se toda noite ele se dedica a isso, é um bom sinal. A NBA tem jogadores talentosos em todas as posições, o cara mais fim de banco sabe como fazer pontos. Basta ter um preguiçoso na defesa que o adversário vai montar em cima daquilo. Volto a um nome citado acima, Adam Morrison. Bom arremessador, sabe se mexer sem a bola, mas não podia ficar em quadra por ser uma negação defensiva.

Por fim o olheiro diz que eles tem que observar e deduzir o quanto um jogador está aberto a mudar seu estilo de jogo. Mesmo dominando o jogo fisicamente na universidade, o cara se preocupa em treinar ganchos antes das partidas? Um dia ele vai precisar daquilo. A vontade do cara de mudar é algo difícil para um olheiro descobrir, mas nesse meio qualquer informação e interpretação é valiosa e faz a diferença. Vai chegar uma hora que você vai ter LaMarcus Aldridge e Tyrus Thomas na sua frente e vai ter que ficar com apenas um. É bom escolher o certo ou ficará pensando nisso antes de

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Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

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