Os patinhos feitos do Oeste: Los Angeles Lakers

Mais cedo publicamos a primeira parte deste texto. Para falar sobre os dois piores times do Oeste, ou melhor, os dois únicos times que não estão agradando na conferência mais forte da NBA, começamos tentando explicar porque o Denver Nuggets fede. Agora chega a parte de falar de glamour e decadência, por que diabos o LA Lakers está passando um vexame atrás do outro?

O Los Angeles Lakers, que tanta gente me pediu para comentar, é uma história diferente e bem mais simples. Não sei direito o que falar sobre a razão de todos estarem assustados, achei que a maioria estava esperando isso ou pior. Talvez a surpresa seja porque muitos pensavam que a defesa ruim do time era culpa de Mike D’Antoni, quando na verdade não havia técnico que salvasse o elenco do ano passado. Sem bons defensores em quase NENHUMA posição fica quase impossível! Talvez algum cara especialista na área e muito acima da média, como um Tom Thibodeau da vida, pudesse até transformar o time em algo decente, mas é trabalho para poucos. Byron Scott, o novo técnico, também não tem um histórico de grandes defesas montadas. Ele começou muito bem a carreira, seu New Jersey Nets bi-campeão do Leste em 2001 e 2002 era, estatisticamente, a melhor defesa de toda a NBA! Mas depois disso foram fracassos atrás de fracassos, com a exceção de um dos seus anos em New Orleans, onde Chris Paul, David West e Tyson Chandler, três excepcionais defensores, levaram o time à 7ª melhor marca da liga na categoria.

O que a mídia americana que acompanha Byron Scott de perto nos treinos diz é que ele é um técnico antiquado. Isso ficou claro quando ele disse que queria ver o Lakers arremessando bem menos da linha dos 3 pontos, indo na contra-mão de tudo o que a liga descobriu nos últimos anos. Veja bem, ele não disse que quer que o Lakers arremesse MELHOR da linha dos 3, nem que arremesse em melhores situações, mas que chute menos e busque outros lances. Na pré-temporada o Lakers praticamente não arremessou da zona morta, o arremesso de 3 mais valioso de todo o jogo! Nos últimos anos, o único time que teve sucesso sem ter um bom número de arremessos feitos (e, logo, tentados) de longa distância foi o Memphis Grizzlies, mas eles só o fizeram com uma das melhores defesas da NBA e uma das melhores duplas de garrafão do planeta, Zach Randolph e Marc Gasol. O Lakers não tem nada disso, assim como não tem jogadores para fazer o que Scott prega, atacar a cesta. Tirando Jeremy Lin e Kobe Bryant, ambos com muitíssima limitação, quem pode atacar o garrafão adversário?

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Na defesa, aliás, não é diferente, ainda é antiquado. Se seu esquema defensivo funcionava em 2002, não funciona em 2014. Desde o Cavs dos últimos anos (onde ele, vale lembrar em sua defesa, também não tinha elenco bom nas mãos) até o Lakers de hoje, há muita dificuldade em marcar a transição em velocidade e as bolas de 3 da zona morta, justamente estilos de jogada que cresceram nos últimos anos. O foco de Scott é em fechar o garrafão, mas sem um especialista em tocos ninguém se intimida.

O time do ano passado, portanto, comandado por D’Antoni, era uma porcaria na defesa, mas sabia atacar, rodar a bola e criar cestas fáceis. Era um time montado mais de acordo com o que queria fazer, caras como Nick Young, Jordan Farmar, Kendall Marshall e Jodie Meeks nasceram para jogar com D’Antoni e seu Run-and-Gun. Com isso eles eram ruins, perdiam toneladas de jogos, mas não eram demolidos toda santa noite como tem acontecido até agora. Mas não são só esses os problemas, tem mais. Tem o azar. Das 3 maiores armas ofensivas do time, 2 se machucaram: Steve Nash e Nick Young. A outra, Kobe Bryant, está voltando após mais de um ano parado com lesões sérias. Para piorar, a quarta aposta ofensiva poderia ser Julius Randle, uma incógnita como todos os novatos, mas sua lesão no primeiro jogo da temporada foi mais um balde de água fria. Uma coisa é um time limitado, outra é um time limitado com seus melhores jogadores machucados.

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Assim como Derrick Rose está demorando para embalar, Kobe passa pela mesma má fase. Às vezes é capaz de jogadas de tirar o fôlego, mas depois vêm uma sequência de turnovers e arremessos sem ritmo. Kobe ainda tem o lado da idade, fazendo que seja basicamente inviável que ele comande um ataque de alto nível nesse momento. Sua mente, porém, não aceita isso e, vendo os companheiros jogando mal, ele resolve tentar dominar o mundo. É assim que a cabeça de Kobe sempre funcionou e não seria diferente agora. É tentando tomar conta do jogo que ele quer mostrar que se importa, que está levando a sério, que não aceita perder e que espera a mesma dedicação dos outros. É uma mentalidade antiga e que só funciona com outros caras doentes de competitivo como ele (talvez desse certo com, sei lá, Rajon Rondo), mas que não se encaixa em nada com o resto do grupo.

Mas entre essa falha de comunicação, a volta da lesão, e colocar Kobe Bryant como culpado da má fase existe um oceano. Ele sempre foi assim e isso nunca o impediu de estar em tantos e tantos times vencedores. A conta, aliás, é bem simples: quando Kobe teve um time bom ao seu lado, foi longe; quando teve companheiros ruins, não foi. E se você pensar bem, é assim com TODOS OS JOGADORES do planeta. A gente tenta personificar as coisas, mas no basquete da NBA não dá pra levar um time nas costas. Mesmo aquele Cleveland Cavaliers de 2007 que LeBron James aparentemente carregou nas costas até a final era muito bem entrosado e qualificado defensivamente. Era no ataque, a coisa que mais chama a atenção dos torcedores, que LeBron tinha que se virar sozinho, e mesmo assim contava com um grupo de especialistas em bolas de longa distância.

Alguns não colocam a culpa em Kobe por seus 40 arremessos por partida, mas dizem que ele é justamente o culpado por ter companheiros ruins. Culpam Kobe por ter o maior salário da NBA e assim privar o Lakers de espaço salarial para contratar novos jogadores. Mas isso é uma grande e bela lenda. Também é um jeito bem estranho de lidar com o salário de outra pessoa, alguém aqui abriria mão de uns 15 milhões de dólares para que sua empresa contratasse um novo gerente mais qualificado? Sabemos de jogadores que fizeram isso, como Dirk Nowitzki em Dallas, mas não dá pra cobrar isso de uma pessoa. O Lakers é o time mais lucrativo da NBA, o que tem o maior contrato local de televisão (aquele que cada time faz individualmente) e a razão disso é que todos querem ver Kobe. O próprio Dirk disse que as situações, pela situação financeira de cada franquia, eram bem diferentes. Ele estava fazendo o último contrato da carreira, o Lakers quis o valorizar e ele topou. Seria mais correto gerar o dinheiro e deixar ficar lá com os donos? De novo?

Mesmo com o contrato de Kobe Bryant, que recebe 23 milhões nessa temporada, o Lakers teve (ou poderia ter caso fizesse toda a burocracia de salary cap) mais de 20 milhões de dólares de espaço no teto salarial, mais do que o necessário para reforçar o time com basicamente qualquer Free Agent disponível na última offseason! Muito difícil conseguir LeBron James ou Carmelo Anthony? Pouco provável tirar Chris Bosh já que nem o Houston Rockets conseguiu? O Lakers ainda poderia ter oferecido uma boa grana em Lance Stephenson, Isaiah Thomas, Luol Deng, Kyle Lowry, Gordon Hayward, Eric Bledsoe ou Chandler Parsons. Todos estavam sob o alcance financeiro do time. Com um pouco de sorte, xaveco e timing, havia espaço para conseguir até dois desses caras. E tudo isso sem Kobe Bryant precisar cortar o seu salário! O Lakers não o fez porque é uma franquia ambiciosa, orgulhosa e, justamente por essas qualidades, às vezes bastante burra. Querendo só os melhores dos melhores, apenas caras já consagrados, experientes e prontos para títulos, se viram sem ninguém. Aí quando não conseguiram nem Pau Gasol, que topou receber menos grana no Chicago Bulls, tiveram que buscar os poucos veteranos que ainda estavam no mercado, Jeremy Lin e Carlos Boozer. E um importante lembrete: o Lakers estava sem nenhum técnico contratado durante boa parte das férias!!! Que plano eles estavam vendendo aos Free Agents?!

Denver Nuggets v Los Angeles Lakers

Com minutos controlados e estilo certo de jogo, Lin e Boozer podem ser importantes em muitos times da NBA. Mas Boozer está envelhecendo e sua força, uma de suas maiores qualidades na última década, já não faz tanto estrago como antigamente. Apenas com o arremesso de meia distância e alguns rebotes ele não faz o necessário para revolucionar um time. Lin é bom no pick-and-roll, mas não funciona toda noite e ele precisa de espaço para jogar, de velocidade e liberdade. Byron Scott não oferece NADA disso ao armador, que teria se dado muito melhor caso Mike D’Antoni, o técnico da época da Linsanity, tivesse ficado por lá. Assim como eles, as chegadas de Ed Davis e a volta de Xavier Henry e Nick Young foram até que bons negócios, mas nenhum que realmente tenha mudado o status do time.

O que vale a pena pensar é por que esses jogadores não quiseram ir para o Los Angeles Lakers! Cadê o glamour que todos diziam? Cadê aquele grande atrativo que diziam favorecer os “grandes mercados”? Lembram desse papo durante o locaute? Rs. Outro dia Isaiah Thomas disse que gostaria de ter ido, mas que não o ofereceram nada. Comentaristas nos EUA, porém, dizem que é Kobe Bryant que ao invés de atrair, afasta outros Free Agents com o seu comportamento feroz, de cobrança e estilo de jogo individualista. A geração Kevin Durant/LeBron James realmente prefere se juntar com amigos e formar ambientes felizes, difícil imaginar um Lakers de Kobe/Shaq funcionando e vencendo nos dias de hoje.

Então não tentem achar uma razão para o Lakers estar tão mal nesse começo de temporada, o melhor é somar todas as diversas coisas que deram errado até agora e tentar imaginar se um dia eles vão vencer uma partida. Contra o Philadelphia 76ers, talvez?

Um técnico que, apesar de alguns bons trabalhos no passado, parece ultrapassado; lesão de alguns dos jogadores mais importantes do time; elenco limitado mesmo se todos estivessem inteiros; Kobe Bryant ainda bem longe de jogar seu melhor basquete e uma offseason onde a diretoria da equipe mirou o home run e saiu com um strikeout. Mas ei, existe um lado bom nisso tudo! A escolha do Draft do ano que vem!! Trocada com o Phoenix Suns por Steve Nash, a escolha do Draft 2015 tem uma proteção, se ficar entre as 5 primeiras é do Lakers, a partir da 6ª posição já do Suns. Então se o Lakers continuar como o pior time do Oeste, crescem as chances do time conseguir um bom novato no próximo ano. Se ficar numa posição mediana, perde a escolha. Segurem o choro e aproveitem as derrotas, pessoal.

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

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