Pensando no fim

Nenhum grande atleta dá adeus ao esporte de maneira agradável. Podemos até lembrar de David Robinson ou algum outro caso estranho, mas em geral os grandes dão o fora de maneira sofrida, arrastada, melancólica. Michael Jordan não se contentou em se aposentar da maneira mais hollywoodiana possível: um drible desconcertante em Byron Russell, o arremesso suave, preciso e calmo na quadra mais barulhenta do país e o 6º título em mãos. Não. Ele preferiu voltar para um time medíocre, brigar com o próprio corpo e fazer suas últimas cestas em lances-livres intencionais numa partida que não valia nada de uma temporada regular na Philadelphia. Se fosse Jordan no lugar de David Robinson, iria olhar para Tim Duncan e dizer “vou ficar mais um ano para tentar o bi”. E se arrastaria até não conseguir mais jogar.

E que tal Allen Iverson como reserva do Memphis Grizzlies? Ou Reggie Miller sendo engolido por Rip Hamilton e Tayshaun Prince? Patrick Ewing fazendo meia dúzia de pontos por jogo em um fraco Orlando Magic foi de doer o coração. E teve Larry Bird mal conseguindo andar com as dores nas costas, Magic Johnson apanhando da idade e do preconceito que o tirou de seus últimos anos de carreira. Em outros esportes podemos falar de Michael Schumacher passando vergonha aos 40 anos de idade, Rivaldo sendo rebaixado em times medíocres, Ronaldo pesando mais do que Zach Randolph em dia de churrasco e Mike Tyson em seu melancólico cartel pós-Holyfield. Por que esses caras não cuidam de suas reputações?

Kobe machucado

Na última sexta-feira à noite, Kobe Bryant fazia mais uma partida memorável nesta temporada 12-13 da NBA. Mesmo que seus números não fossem tão espetaculares como no jogo anterior, quando quebrou o recorde de pontos de um não-Blazer no Rose Garden de Portland, 47, ainda era uma partidaça. Mas aí, em uma infiltração complicada, entre três defensores do Golden State Warriors, Kobe sentiu dores no joelho. Pareceu preocupado, mas se levantou e conseguiu continuar na partida. Minutos depois foi uma dor no tornozelo. De novo, voltou a jogar e a acertar bolas impossíveis sobre seus marcadores. O Lakers perdia e duas bolas de 3 de Kobe feitas após as lesões colocavam o time de volta na partida. Como vocês devem saber, o time precisava vencer tudo até a última rodada para não depender de derrotas do Utah Jazz. Então chegou a jogada derradeira, Kobe tentou passar pelo novato Harrison Barnes e simplesmente desabou no chão. Os juízes deram, sem razão, uma falta, mas o replay mostra com clareza que o corpo de Kobe desabou sozinho, nem desequilibrado estava. Com dores e rosto quase apavorado, Kobe pergunta se o novato do Warriors o chutou, com a negativa ele percebe que o pior aconteceu. O tendão de aquiles de Kobe se rompeu e ele só teve forças para bater mais dois lances-livres antes de ir para os vestiários. Por Steve Blake, Dwight Howard e pela sorte da última bola de Steph Curry não cair do outro lado da quadra, o Lakers sobreviveu ao fim de uma das partidas mais impressionantes da temporada.

Depois que tudo tinha acontecido a resposta natural de todos foi dizer que Kobe Bryant estava se matando. Em um acordo silencioso com Mike D’Antoni, Kobe decidiu nos últimos jogos que só sairia de quadra quando quisesse. Por isso jogou todos os 48 minutos na virada contra o Blazers, 47 contra o Clippers e já estava há 44 contra o Warriors quando foi obrigado a sair. Será que não foi a falta de descanso que causou tudo? Segundo o principal médico do Lakers, Gary Vitti, não necessariamente: “todos querem saber o motivo das lesões acontecerem, mas nem sempre eles existem. E veja nossa temporada, deu tudo errado, foi um pesadelo”. Vitti então lista todas as lesões do time na temporada: Dwight Howard teve uma cirurgia nas costas antes de começar a temporada e chegou em cima da hora, depois sofreu com lesões no ombro. Steve Nash quebrou a perna, Jordan Hill perdeu o ano com uma lesão no quadril, Pau Gasol teve problemas nos dois joelhos. Metta World Peace operou o joelho e Antawn Jamison está jogando com um pulso que precisa ser operado o mais rápido possível. A gente só achava que nada de grave ia acontecer com Kobe, o cara que joga com qualquer lesão.

Realmente Kobe Bryant já jogou de tudo quanto é jeito. Com dores no joelho, com o pé torcido, com um ou mais dedos quebrados. Se ele não joga mais é porque não dava pra andar. O rompimento do tendão de aquiles é grave, pode chegar a exigir 1 ano de recuperação e muitos jogadores já se aposentaram ou não voltaram a ser os mesmos depois de sofrê-lo, casos famosos são os de Isiah Thomas, Charles Barkley, Shaquille O’Neal e, no ano passado, Chauncey Billups. O Mr.Big Shot até voltou a jogar nesse ano pelo LA Clippers, mas não consegue embalar sequência de jogos e nem parecer confortável em quadra quando joga. Caso de sucesso mesmo só o de Dominique Wilkins, que também no fim de sua carreira conseguiu voltar e jogar bem como antes.

O futuro de Kobe Bryant começou a ser discutido logo de imediato. Na sua emocionante entrevista pós-jogo, Kobe pareceu abalado, “mais humano do que normalmente parece” segundo um repórter que estava no local, mas ainda otimista. Disse que agora ele só tinha que operar (o que fez no dia seguinte!) e começar a recuperação. Porém na madrugada o jogador desabou em sua conta do Facebook: “A frustração é insuportável. Por que isso aconteceu? É inaceitável, não faz sentido. Agora como eu devo voltar depois disso, com 35 anos, e jogar no mesmo nível? Não tenho ideia (…) Talvez seja assim que acabe minha história, talvez o tempo tenha me vencido. Mas talvez não”.

A confusão de sentimentos de Kobe é natural, a frustração de se machucar a essa altura da carreira, a 3 jogos dos Playoffs que ele mais ralou para alcançar, em um momento mágico de sua carreira, deve ser gigantesca. Sem contar que ele sabe a gravidade da lesão, de como isso atrapalha sua carreira, seu preparo físico, sua volta para a próxima temporada e tudo mais. Ao mesmo tempo ele quer voltar, jogar mais e dar a volta por cima. Dependendo do seu humor ele provavelmente vai ter dias de motivação e dias de depressão nos próximos meses. Natural.

O lado pessimista que pensa em se aposentar é o lado racional, o lado David Robinson, que pensa em sair por cima. Não que se aposentar por lesão seja glamuroso, mas seria uma maneira de todos se lembrarem que Kobe Bryant nunca ficou por baixo. Se aposentou por cima, dono do time, com números impressionantes, jogo completo e sendo um dos melhores jogadores do planeta mesmo aos 34 anos de idade. Depois do jogo contra o Blazers, um dos melhores que já vi de Kobe em toda sua carreira, comentei no Twitter que os resultados frustrantes do Lakers disfarçavam a temporada fora de série que ele fez. Quem, daqui alguns anos, aceitaria o argumento de que a temporada 12-13 de Bryant foi uma das melhores da sua carreira se ele não conseguiu levar um time com Nash, Dwight e Gasol para a pós-temporada? Parece não fazer sentido, mas quem viu Kobe jogando entende. E se ele parasse agora iríamos entender que ele pode não ter parado no auge, mas que ainda estava bem perto dele.

Mas como disse no começo do texto, os grandes atletas não param no auge e às vezes nem perto dele. Os grandes jogadores são, antes de tudo, competidores. Aquelas pessoas que nos irritam no dia-a-dia, mas que viram seres admiráveis em locais onde a competição é a essência do atividade, como o esporte. Michael Jordan voltou pelo Washington Wizards não para se divertir, mas para provar para si mesmo e para os outros que poderia ainda ser grande. A grande razão pela qual os grandes não cuidam de sua reputação é porque para a maioria deles o passado não importa tanto assim. Vencer é o máximo, mas no dia seguinte só conseguem pensar em quando vai ser a próxima competição. Pode ser só uma impressão pessoal, mas sempre vejo os olhos dos jogadores brilhando mais durante as competições do que após a vitória. Aquela excitação e quase transcendentalidade no olhar dos fora de série durante os minutos finais de um jogo, onde parece que eles estão desligados de tudo mais no mundo e funcionando só em função do jogo. O olhar da vitória é a alegria pura, simples e passageira que todos nós sentimos, a tensão e a importância das decisões é o que fica. Em uma analogia teatral, o que importa é o palco, não os aplausos.

Não tenho condições de afirmar que Kobe Bryant vai voltar bem, mas não tenho nenhuma sombra de dúvida de que ele estará de volta e menos dúvida ainda sobre a dedicação que ele vai ter para isso. Na mesma conta do Facebook onde desabafou e flertou com a aposentadoria, Kobe já postou imagens de um jornal que continha uma matéria que questionava seu futuro como jogador. O texto não tinha nada de mais, não estava duvidando dele, apenas fazendo o que fizemos aqui, relembrando casos complicados de rompimento de tendão de aquiles. Não importa, Kobe precisa competir e já elegeu seus adversários, os haters. Na sua cabeça todos estão duvidando dele e a fisioterapia, treinos e qualquer coisa que invente será como motivação para batê-los. Assim que Kobe enxergar a sua volta como um desafio, uma competição, não medirá esforços para fazer qualquer coisa.

Kobe drive

O caso de Kobe Bryant pode ser diferente de outros jogadores que apanharam dessas lesões porque ele é, como gostamos de dizer aqui, o maior nerd do basquete mundial. Ele não tem outros hobbies, não tem outras paixões e não é de ficar badalando ou qualquer coisa do tipo. Parar de jogar para fazer o quê? Uma das coisas mais legais que já ouvi sobre ele é que era difícil ele fazer amizades com jogadores do Lakers porque só sabia falar de basquete. Isso é, na NBA, o equivalente ao seu colega que só sabe falar do trabalho. Alguém aqui papeia sobre planilhas de excel no happy hour? Pelo jeito Kobe é especialista em explicar a Princeton Offense usando os descansos de copo do bar.

O caso de Chauncey Billups é diferente porque ele já havia contemplado a aposentadoria antes, justamente quando foi obrigado a deixar o New York Knicks pelo LA Clippers. Isiah Thomas já tinha marcado data para parar de jogar e a lesão apenas adiantou isso em alguns meses. Com Shaquille O’Neal não foi muito diferente, ele já estava flertando com o fim de sua carreira desde os tempos de Phoenix Suns. Kobe Bryant, por outro lado, ainda tinha o objetivo de vencer mais um título e por isso cuida de seu corpo como nenhum outro jogador na NBA, passando por qualquer variedade de dietas e exercícios. Ele já falou em se aposentar após o próximo ano, quando acaba seu contrato, mas também já disse que não decidiu. De qualquer forma, se ele quer mesmo parar de jogar ao fim da temporada 13-14, isso já seria um baita incentivo para que ele rale como nunca para voltar à boa forma.

Entenda que estamos falando de um jogador que, quando se viu com problemas no joelho, deu o fora dos Estados Unidos e foi para a Alemanha onde estava em fase ainda de testes um processo único que usava o próprio sangue do atleta para ajudar na regeneração de partes do corpo que haviam sofrido cirurgia. O resultado a gente viu nas dezenas de enterradas que Kobe deu nessa temporada, coisa que não fazia há alguns anos. Não sei se ajudaria nesse caso, mas se não ajudar certamente ele já está pesquisando algum procedimento inovador que alguém nos confins da Dinamarca está testando. De novo, nenhuma garantia de sucesso, mas estamos falando de alguém que vive em função do basquete. Ele vai tentar qualquer coisa porque o que importa é competir, é o basquete, muito mais do que sair por cima. Se uma longa recuperação é o único caminho, que seja.

Los Angeles Lakers v New Orleans Hornets

Uma possível volta de Kobe Bryant ao alto nível seria um jeito interessante e talvez simbólico de consagrar a velha imagem do herói solitário no basquete, a estrela. O chamado hero ball, consagrado por Michael Jordan, vem sofrendo baixas nos últimos anos, seja pela avalanche de estatísticas avançadas bitoladas em achar tudo o que é mais eficiente, seja por novos jogadores que tem uma mentalidade mais discreta e coletiva, caras como Kevin Durant e LeBron James. Hoje os jogadores de hero ball, que antigamente seriam no mínimo estrelas de números extraordinários em times médios, hoje são condenados a reservas de luxo em times bons, como JR Smith e Jamal Crawford. Há 10 anos pensar que caras com o talento deles seriam reservas de Iman Shumpert ou Willie Green soaria como piada de mau gosto. Hoje o grande novo nome que mantém características do hero ball com a eficiência contemporânea é James Harden, que centraliza o jogo todo na mão dele ao mesmo tempo que só tenta os arremessos mais eficientes do basquete.

No hero ball, tudo sai das mãos e da cabeça do herói, da estrela. Michael Jordan pode passar a bola para Steve Kerr dar o arremesso do título, mas é Jordan que vai ter a bola na mão, ele que vai tomar a decisão e ninguém verá problema se ele decidir chutar por conta própria. E o passe só vai sair se uma marcação tripla montar em cima de Jordan, claro. Não sei qual o futuro desse estilo de jogo

Irons were ve had products strand that – viagra nvr experience who the never very.

na NBA, mas uma coisa que é certa é que o público não deixou de admirá-lo. Xingamos quando o hero ball não dá certo, mas o êxtase de quando alguém tenta tomar o jogo sozinho e consegue é difícil de superar. Não à toa o San Antonio Spurs se tornou um dos poucos times dominantes a ser taxado de chato ou antipático. Certamente seriam mais atraentes se Tim Duncan chamasse o jogo e destruísse seus oponentes todos os dias com mais de 30 pontos por jogo ao invés de passar a bola quando fosse a coisa certa a fazer. Seria mais eficiente? Quem se importa? Não sou torcedor deles.

A presença de Kobe Bryant na NBA, seu sucesso e sua legião de fãs é o que polarizou a discussão do herói contra a eficiência. De um lado os fãs de Kobe dizendo que ele era mortal, o Black Mamba, se gabando dos 5 títulos. De outro pessoas rebatendo com porcentagem de acerto de arremessos, números de eficiência e questionando se Kobe fazia seus companheiros melhores ou piores. Eu sou fã de Kobe Bryant a ponto de, como jornalista, desejar nunca entrevistá-lo para não perder a magia. Ao mesmo tempo, sou um entusiasta das análises avançadas que buscam a maneira de ser mais eficiente no basquete. Vivo confortavelmente na contradição de admirar o trabalho de Daryl Morey no Houston Rockets e pular da cadeira com um fade away de Kobe sobre 3 defensores enquanto Jodie Meeks olha tudo sem marcação.

Se Kobe Bryant voltar na próxima temporada, se estiver jogando bem (mesmo que não tanto quanto agora), e se não perder seu estilo. Se Kobe mantiver o crescente entrosamento com Dwight Howard, que melhorou horrores nas últimas semanas, será uma maneira não só do Los Angeles Lakers ter mais uma chance de título antes da aposentadoria de sua grande estrela, mas também um jeito de Kobe deixar mais uma pulga atrás na orelha de todo mundo, incomodar mais um pouquinho antes de ir embora.

Assim como Kobe já incomodou e contribuiu com a discussão dos jogadores que pularam o basquete universitário, como quando alimentou a conversa sobre se poderia vencer sem Shaquille O’Neal, se conseguiria ser eficiente mesmo após os 30 e vários anos. Agora poderá fazer todo mundo se perguntar se o hero ball está mesmo morrendo. O velho estilo só precisa agora de uma ajuda da moderna medicina para sobreviver por mais alguns anos, e Kobe não vai se incomodar de arriscar seu legado para isso.

Kobe Howard

Enquanto isso o Los Angeles Lakers ainda se mata para is aos Playoffs. Sem Kobe, o time bateu o San Antonio Spurs com partidas memoráveis de Steve “Blake Mamba” e Dwight Howard, que se impôs até no jogo de costas para a cesta contra Tim Duncan. Pau Gasol, que não jogou bem, virou parte importante da criação das jogadas em um time claramente mais lento e mais focado na defesa. Enquanto estiverem dependendo de infiltrações de Jodie Meeks é improvável que o Lakers vá longe, mas a união e foco do time em um momento tão difícil, assim como a bela defesa que fizeram sobre um dos melhores times da liga, foram impressionantes. Na quarta-feira podem garantir o 7º lugar do Oeste com uma vitória contra o Houston Rockets, o 8º lugar caso percam e o Jazz também, e ficam de fora se forem derrotados enquanto o Jazz vence o Memphis Grizzlies.

Após o jogo contra o Spurs, nada de sorrisos de Dwight Howard, que deu uma entrevista seca do jeito que Kobe gosta. Aliás, Dwight já visitou Kobe três vezes desde a lesão, nada mal para quem nem se falava há alguns meses. Será que o time está se unindo? Será que no ano que vem Gasol, Nash e Kobe tem mais chances de jogarem sem lesões? Fazer esse time funcionar seria, essa sim, uma boa história para a despedida para Kobe. Ou, mais provável, para convencê-lo a ficar por aqui até não aguentar mais.

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

Como funcionam as assinaturas do Bola Presa?

Como são os planos?

São dois tipos de planos MENSAIS para você assinar o Bola Presa:

R$ 14

Acesso ao nosso conteúdo exclusivo: Textos, Filtro Bola Presa, Podcast BTPH, Podcast Especial, Podcast Clube do Livro e texto do FilmRoom.

R$ 20

Acesso ao nosso conteúdo exclusivo + Grupo no Facebook + Pelada mensal em SP + Sorteios e Bolões + Vídeo ao vivo para discutir Clube do Livro e FilmRoom.

Acesso ao nosso conteúdo exclusivo: Textos, Filtro Bola Presa, Podcast BTPH, Podcast Especial, Podcast Clube do Livro e texto do FilmRoom.

Acesso ao nosso conteúdo exclusivo + Grupo no Facebook + Pelada mensal em SP + Sorteios e Bolões + Vídeo ao vivo para discutir Clube do Livro e FilmRoom.

Como funciona o pagamento?

As assinaturas podem ser feitas pelo Aplicativo PicPay. Baixe, cadastre-se, busque o Bola Presa e escolha seu plano de assinaturas. Você pode pagar com cartão de crédito ou carregar sua Carteira PicPay com boleto ou depósito bancário. Depois de assinar, escreva para bolapresa@gmail.com para mais detalhes de como ter acesso ao conteúdo exclusivo.

DÚVIDAS SOBRE AS ASSINATURAS? Nos escreva: bolapresa@gmail.com

Assine já!