Por amor

Vinde a mim as criancinhas

Kevin Love, o jogador que fez 18 double-doubles em suas última 19 partidas, que venceu o Clippers num arremesso de último segundo, que marca 25 pontos por jogo (quarto melhor da NBA) e que pega 14 rebotes por partida (segundo melhor da NBA), acaba de aceitar uma extensão de contrato de 60 milhões de doletas por 4 anos com o Wolves. Com o Wolves, crianças, aquele time que fica em Minessota, lugar em que nem os ursos querem viver. Aquele time que era motivo de piada e vergonha desde que Garnett saiu de lá. Aquele time de que os jogadores deveriam fugir desesperados assim que seus contratos acabassem.

A extensão de contrato de Kevin Love é muito mais do que um jogador bom aceitando continuar em sua franquia, ela é também a vitória do General Manager David Kahn e de todos os mercados pequenos da NBA. Hoje em dia, basta um jogador se destacar numa franquia porcaria para começar a aguardar com ansiedade o fim do seu contrato e assinar com, adivinha, Lakers, Knicks, Mavs, Heat. Todo mundo quer jogar nos grandes mercados, nas grandes equipes, ter chance de título. É normal, todos nós vimos como jogadores fantásticos são tratados como cocô caso não ganhem títulos (LeBron, alguém?) ou como são completamente esquecidos quando jogam em pequenos mercados (Bosh em Toronto, Elton Brand no Clippers). Muito se falou, durante as negociações entre donos e jogadores no locaute, de novas regras que favorecessem as equipes pequenas, que incentivassem os jogadores a não ir parar todos em Los Angeles ou  em New York. Mas insistimos aqui: os jogadores querem ir jogar nas cidades mais legais, algo que independe das regras do basquete, e querem também equipes com chances de título, algo que varia muito de tempos em tempos. Já houve uma época em que todo mundo queria ir jogar em Sacramento só porque o Kings da década passada chutava traseiros, e agora todas as estrelas já estão colocando o Clippers como eventual possibilidade de destino.
Minessota nunca vai convencer ninguém a ir lá curtir o turismo, e também não pode oferecer chances de título a curto prazo. Equipes assim acabam perdendo suas jovens estrelas, draftadas com tanto esforço, para equipes melhor estabelecidas. Mas aí é que entra David Kahn e sua política com o Wolves. Desde que assumiu a brincadeira, instituiu uma comunicação clara tanto com a imprensa quanto com seus jogadores. Explica porque está contratando cada jogador, o que espera deles, deixa que façam cagadas em quadra para aprender, e insiste em ter um time rápido e veloz. Trocou jogadores insatisfeitos ou que mereciam mais espaço em quadra como Al Jefferson e Jonny Flynn para deixar o elenco contente e ficar com fama de que trata bem seus jogadores, nem que seja liberando eles para ir jogar em outros lugares. Ao invés de fazer como o Clippers, que era uma prisão de jovens estrelas que só queriam dar o fora dali assim que pudessem, Kahn apostou em criar um lugar legal para se jogar, chamou o Rick Adelman para ser o técnico e colocar em prática seu esquema ofensivo livre e criativo, e segurou com unhas e dentes o novato Ricky Rubio. O armador choramingou quando foi draftado pelo Wolves, quis ficar na Espanha, dizem que pediu para ser trocado para o Knicks, mas Kahn insistiu em mantê-lo mesmo tendo que esperar anos para que o armador voltasse da Europa, e durante esse tempo manteve contato constante com o pirralho, acompanhou treinos e jogos, cuidou da papelada e tranquilizou o menino com definições claras de qual seria seu papel em quadra, quantos minutos teria e qual seria o estilo de jogo da equipe. Agora temos o fenômeno Ricky Rubio, que o Denis explicou tão bem em um post recente, o Wolves se tornou um time obrigatório de se assistir mesmo que não ganhe bulhufas, e o Kevin Love está feliz por lá: dando espaço aos trocadilhos panacas, Love agora ama sua equipe e vai ficar justamente por isso, por amor. Poderia ir para outra equipe melhor, mas está satisfeito lá, num mercado pequeno e sem chances de título, ao menos por enquanto.
Os mercados pequenos precisam ser bem gerenciados, precisam criar estruturas funcionais e que respeitem seus jogadores. Com o Wolves tem funcionado, e até o Clippers agora é um time respeitado. Kevin Love continuará na sua equipe, enchendo as orelhas de grana, e o Wolves pode voltar aos playoffs em breve com um elenco divertidíssimo de acompanhar, lembrando os tempos em que Garnett (nesse mesmo mercado pequeno) levava o Wolves às finais do Oeste. E olha que ele nem tinha Ricky Rubio. Os mercados grandes possuem vantagens naturais, é claro, mas as outras equipes estão dando um jeito e o Wolves deu, hoje, seu maior passo rumo aos grandes.

Torcedor do Rockets e apreciador de basquete videogamístico.

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