Quem é melhor? (de novo)

Hoje a ESPN Brasil divulgou em seu site um ranking com os 30 maiores jogadores de todos os tempos na NBA. Ao contrário da maioria das publicações sobre o tema, não reuniram um grupo de palpiteiros para usar memória afetiva e números arbitrários para definir os melhores, ao invés disso criaram um sistema de pontos que contabiliza média de pontos, rebotes, assistências, número de títulos, MVPs (temporada e finais) e eficiência para ranquear os atletas.

O resultado deve ter agradado a maioria, já que Michael Jordan dominou a contagem de pontos e terminou em primeiríssimo lugar. Atrás dele pivôs com coleções de recordes: Bill Russell, Kareen Abdul-Jabbar e Wilt Chamberlain. Depois aparecem LeBron James, Magic Johnson, Shaquille O’Neal, seu rival Kobe Bryant, Larry Bird e, fechando o Top 10, Tim Duncan. Tirando a ordem, onde cada um tem suas preferências, imagino que boa parte das listas ao redor do mundo trariam basicamente os mesmos nomes, mas isso quer dizer que a lista foi um sucesso? Hora de fazer o que a ESPN não fez, discutir o assunto.

Ranking ESPN

Gosto da ideia de tentar transformar algo subjetivo em objetivo, por mais difícil que isso seja e por mais insatisfatório que o resultado possa ser. Tenho pensado muito nesse assunto ultimamente ao ler e pesquisar sobre estatísticas aplicadas ao futebol, a modalidade que parece ser a fronteira final na entrada dos números e da análise avançada no mundo esportivo. Muitos acreditam que um jeito de transformar o jogo de futebol em algo mais “contável” passe por separar a partida em mais categorias, mas isso sempre esbarra em alguns conceitos como o clássico “chances de gol”, que incomodam por serem muito subjetivos. Na ausência de algo melhor até o momento, vale. Assim, gosto da abordagem de pegar a famosa discussão de quem é melhor e transformá-la em algo mensurável, a decisão final é decidida por números e não porque o Jordan é mais macho que o LeBron.

Porém tenho muitas dúvidas sobre a metodologia e a própria necessidade de se gastar tempo discutindo o assunto. Antes sobre a metodologia. Não gosto dos pontos extras dados aos títulos, é algo completamente coletivo e que envolve a sorte de ter bons companheiros de time e exige a competência destes e de uma comissão técnica para que dê certo. É claro que quanto melhor o jogador é individualmente, mais chances ele tem de título, mas mesmo assim vejo isso atrapalhando o julgamento individual dos atletas. Se Chris Bosh tivesse ficado em Toronto ao invés de se juntar a LeBron James e Dwyane Wade no Heat ele seria um jogador pior individualmente?

A questão do MVP poderia até ser uma boa ideia, mas não é um prêmio tão individual assim. Como sabemos muito bem, só recebem o troféu jogadores que estão entre as equipes com as melhores campanhas da temporada. E isso acontece justamente porque os votos são feitos por pessoas, cada uma com sua subjetividade, e a maioria acha que não é uma boa ideia dar o prêmio para um jogador que não leva seu time ao topo. Novamente, portanto, a contagem de pontos favorecem grandes times ao invés de grandes jogadores. E a contagem, que visava ser objetiva, fica mais subjetiva ao levar em conta um troféu entregue baseado em votos pessoais.

Depois aparecem as estatísticas de cada jogador, pontos, rebotes e assistências. Não gostei que os pontos ganham valor dobrado. Por mais que sejam os pontos que definam um jogo, essa vantagem já existiria na contagem porque cada cesta vale 2 ou 3 pontos contra as assistências e rebotes, que vão de 1 em 1. Em outras palavras, ter 13 pontos de média vale mais do que 10 assistências ou 10 rebotes, o que é absurdo. Por fim eles ainda acrescentam a eficiência que, se for como a NBA.com computa, envolve, novamente, pontos, rebotes e assistências. Por mais que seja um cálculo mais complexo e também envolva turnovers e outras variáveis, não é prejudicial contar duas vezes o mesmo número?

Vocês lembram deste texto que eu fiz sobre um estudo que sugeria que o basquete deveria ser dividido em 13 posições ao invés das tradicionais 5? Em resumo, o cara usou o software de sua empresa, o turbinou com as estatísticas de todos os jogadores da NBA e gerou um mapa que separava os jogadores baseados em suas semelhanças e diferenças. Neste mapa ele encontrou 13 tipos diferentes de jogadores, as 13 novas posições. Só depois de terminar e publicar o texto que eu consegui conversar com o Muthu Alagappan, o rapaz responsável pelo premiado projeto. Perguntei se ele, que tinha usado estatísticas básicas como pontos, rebotes e assistências para seu mapa de semelhanças, já tinha considerado agrupar os jogadores também usando estatísticas avançadas como porcentagem de rebotes ou eficiência no programa. Ele me disse que já tinha usado, sim, mas que os resultados foram péssimos. O programa juntou atletas que pouco tinham a ver em categorias parecidas porque, segundo ele, as mesmas estatísticas estavam sendo computadas múltiplas vezes. Os mesmos rebotes eram usados dentro da eficiência, dentro da porcentagem de rebotes, por exemplo. O uso múltiplo dos mesmos números tirou a precisão dos dados simples.

Aqui acredito que acontece algo parecido, mesmo que a conta seja bem mais simples que as utilizadas no programa de Muthu Alagappan. Um jogador que se destaca em pontos é beneficiado quando suas cestas valem mais que rebotes e assistências, depois ajudado quando os pontos são multiplicados por 2 e depois quando os pontos são a parte mais influenciável dentro da conta de eficiência. Não à toa que a lista favorece especialistas em pontos (Iverson e Chamberlain, por exemplo) sobre especialistas em assistências (como Nash, que ficou de fora mesmo com 2 títulos de MVP). Entre os armadores, se destacam os que tem títulos e que eram excelentes pontuadores, não os que brilharam “somente” nas assistências.

Allen Iverson

 

Mas não quero ficar só falando do método, até porque eu não faria melhor. Acho que o relevante aqui é a gente se perguntar se essa discussão realmente vale a pena. Vocês sabem bem que aqui no Bola Presa a gente evita e odeia todas essas discussões de quem foi melhor, inclusive já tiramos muito sarro das enfadonhas “Kobe ou LeBron?” que assombram a internet dia após dia. Acreditamos que existem jogadores melhores do que outros, mas quando isso é muito óbvio, não vale a discussão. Por exemplo, Kobe Bryant é melhor que Ronnie Brewer. É uma diferença tão colossal que não vale a pena se aprofundar. E quando a diferença não é grande, mas mínima, como entre Kobe e LeBron, também não vale a discussão porque nenhum dos argumentos que surgem numa conversa vão ser definitivos. É conversa de botequim e, sejamos sinceros, conversa de botequim só é legal pra quem tá bêbado. Que discutam no botequim.

Existe só um momento em que discussões sobre quem é melhor vale a pena. Acontece quando ela é um mero pretexto para discorrer sobre a história, estilo, características e personalidade de certo jogador. Acho que existem maneiras menos apelativas de fazer isso, mas uma discussão Kobe/LeBron pode ser interessante para traçar paralelos na carreira dos dois, deixar mais claro pontos sobre as suas personalidades, como abordam o basquete e principalmente a relação com os companheiros de time. Ou seja, uma desculpa para análises individuais, sem nenhuma necessidade de um veredito final. E é nisso que a ESPN Brasil mais deixa a desejar com a lista de hoje, na discussão. A lista é jogada no site como uma galeria de fotos completamente sem comentários ou análise. E eles não tem só o Eduardo Agra e o Zé Boquinha para falar de NBA por lá. O Gustavo Hoffman manja demais de NBA e sempre participa do podcast sobre basquete deles, além de outras pessoas que trabalham na redação e também podem palpitar com autoridade sobre o assunto. Conheci alguns deles e sei que eles podem fazer uma análise mais trabalhada disso, seja em texto, vídeo, áudio, como bem entenderem porque dominam também a forma além do conteúdo. Mas só jogar a lista ficou apelativo, apenas motivando comentários indignados de ver LeBron James na frente de jogadores que tem mais carisma e fãs do que ele. E não deixa de ser mais broxante que isso venha de um canal que é o especialista em fugir das discussões banais quando o assunto é futebol. Por que com o basquete não podem ir mais a fundo também?

Sabemos que estamos há um tempão sem posts aqui no blog e que isso é chato para vocês, leitores. Mas é férias da NBA e aproveitamos para tirar umas férias desse mundo também. Mas, mais do que isso, queremos escrever sobre coisas relevantes, sobre assuntos que encantem e divirtam. Na falta de uma inspiração para isso, ficamos sem nada. E, sinceramente, é melhor não postar do que só fazer uma lista. Outro dia um leitor nos mandou um tweet empolgado com o texto sobre a análise espacial que fizemos no ano passado. O texto foi baseado em uns estudos de um cara chamado Kirk Goldsberry, que trabalha com a empresa STATS e uma ferramenta chamada SportsVU de análise de vídeo, e que é especialista no estudo do espaço usado nas quadras da NBA. Neste ano o mesmo Goldsberry apresentou um estudo sobre a defesa de garrafão, um trabalho chamadoThe Dwight Effect, que usou as análises via vídeo para descobrir quais eram os melhores jogadores da NBA em defender a área próxima à cesta. Indo além dos tocos, o estudo mostrou que jogador (Dwight Howard) mais evitava que arremessos sequer fossem tentados próximos à cesta. Assim como mostrou os jogadores que mais forçavavam um baixo aproveitamento dos arremessos adversários nos metros próximos da tabela, mesmo que estes não resultassem em toco. Nesse quesito destaque para Roy Hibbert, Larry Sanders e, surpresa, Elton Brand.

Por que lembrei deste estudo justamente agora? Porque ele foi apresentado na última Sloan Sports Conference, uma conferência sobre análise esportiva que acontece todos os anos no MIT em Boston. Basicamente é um fim de semana onde os maiores estudiosos do esporte se juntam para discutir análise de esporte, estatística e apresentar novas teorias (inovação é regra por lá) sobre qualquer atividade esportiva. Todos os anos aparecem dezenas de histórias novas, de gente querendo enxergar o esporte de um jeito diferente. E o que nós, imprensa, blogueiros e torcedores, fazemos com isso? Nada. Ainda vivemos 50 anos atrás fazendo listinha de quem é melhor. Basquete é mais do que isso, não é?

O foco pode não ser na análise espacial e na defesa do garrafão. Isso pode

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ser técnico demais para o grande público, mas que tal começar a introduzir o grande público para estes temas mais profundos de um jogo de basquete? No futebol a ESPN sabe fazer muito bem esse meio campo entre a análise mais avançada, tática, agora até com estatísticas e mapas de calor, e o papo descontraído que o público está acostumado no meio esportivo. Precisamos disso em outros esportes também ao invés destas tontas listas.

A cada ano que passa eu conheço mais gente envolvida no basquete, que escreve sobre o assunto, que tem blog, que trabalha em jornal, revista ou TV cobrindo o assunto. A maioria deles manja demais do esporte (mais do que eu, fácil) e, principal, todos são apaixonados (mil vezes mais do que eu, mais fácil ainda). Se tem uma vantagem que o basquete tem sobre os outros esportes é que quem acompanha vira bitolado, doido e fiel à modalidade. Com tanta gente que tem conhecimento e paixão no assunto, por que produzimos tão pouco e tão superficialmente? Porque essa massa apaixonada não é capaz de criar algo mais relevante? Na crítica incluo nós aqui também, óbvio, escrevemos publicamente sobre basquete. Mas e vocês, basqueteiros-leitores, estão satisfeitos? Ainda engolem esse papo de “quem é melhor?” todo santo ano? Eu estou de saco cheio.

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

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