[Resumo da Rodada – 01/05] Adeus, Nets, não esqueça de escrever

Times baseados majoritariamente em bolas de três pontos estão fadados a ter altos e baixos dentro do mesmo jogo: é natural que mesmo criando arremessos livres, algumas bolas de longa distância simplesmente não caiam e o placar complique até que as bolas voltem a cair e o time recupere a vantagem. É o que a gente esperava do Hawks desde o preview: um confronto parelho com o Nets até que as bolas de três caíssem numa sequência arrasadora e o Hawks vencesse por 20 um jogo com falsa aparência de sofrido.

Mas o que vimos foi uma dificuldade em converter as bolas de três pontos com qualquer constância nessa série, e quando isso acontece o Hawks depende muito de sua defesa para não deixar o time adversário escapar no placar. Mérito do Nets que conseguiu dar trabalho para os defensores do Hawks, machucando bastante com o pick-and-roll, criando espaços para Brook Lopez abusar de seu tamanho, e conseguindo bolas de três pontos em momentos importantes. Mas também um pouquinho de demérito para o Hawks por não ter conseguido aplicar, especialmente fora de casa, aquela defesa sufocante que vimos em muitos momentos da temporada regular. A equipe de Atlanta não pode se dar ao luxo de defender com menos do que a intensidade máxima especialmente nos dias em que o ataque não está funcionando perfeitamente – não pode haver espaço para a frustração, tem que ser como o Warriors que mantém a mesma defesa e os mesmos arremessos no ataque não importa se o planeta esteja implodindo e o forninho esteja caindo.

Esse Jogo 6 foi bem melhor para o Hawks nesse sentido: os arremessos começaram entrando, a defesa apertou bem com um DeMarre Carroll que tinha enfiado o dedo na tomada e o placar esticou bem rápido. Mas no segundo quarto o pick-and-roll do Nets teve muito mais sucesso quando o Carroll foi para o banco, o Hawks teve mais problemas de execução e parecia que teríamos outro jogo parelho – quer dizer, parelho até aquele momento em que as bolas do Hawks CHOVESSEM aro adentro, né. E foi isso que aconteceu no terceiro quarto, com Kyle Korver finalmente engrenando na série e Millsap e Carroll também convertendo arremessos de longe.

Mas foi na defesa que o Hawks enfiou o jogo no bolso: uma defesa de pick-and-roll impecável, que eu não tinha visto o Hawks acertar durante toda a temporada, simplesmente trucidou a única jogada de confiança do Nets. O Hawks decidiu que ao invés de pressionar o arremessador ou o Brook Lopez no corta-luz, iria bloquear a rota de passe entre os dois, forçando o Nets aos chutes de fora. Quando a equipe de Brooklyn insistiu em forçar os passes, gerou um quadrilhão de roubos de bola seguidos de contra-ataques; quando um par desses contra-ataques terminou em bolas de três pontos fáceis, o jogo já estava encerrado. As 5 melhores jogadas de ontem tem vários dos roubos no pick-and-roll frustrado do Nets.

Foi nesse esquema que o Hawks fez uma sequência de 23 pontos tomando apenas 3 durante parte do terceiro período. O quarto final começou com o Hawks 26 pontos na frente e o Nets assustado com sua principal arma ofensiva bloqueada. Nessas horas o ginásio deveria fazer chover confete e balões coloridos em cima da quadra e pronto, bora seguir com a vida que ela é curta, galera.

Parte fundamental da sequência de 23 a 3 no terceiro período foi Jeff Teague, que não estava convertendo seus arremessos e decidiu simplesmente apertar na defesa e puxar o ritmo dos contra-ataques, soltando a bola para companheiros na linha de três. O momento em que ele abriu mão de um arremesso óbvio na zona morta para dar um passe para bandeja mamão-com-açúcar para o Millsap foi a consagração de um armador que NÃO VAI FORÇAR se não estiver num bom dia. Acabou com ZERO pontinhos, mas com 13 assistências. Lindo de ver.

Outro responsável pelo período fulminante? Kyle Korver NA DEFESA. Não, eu não escrevi errado. Já está na hora da gente largar o esteriótipo e começar a ver quão fundamental é o Korver no setor defensivo com o seu tamanho e sua velocidade para cobrir o garrafão. Ele meteu as bolinhas de três lá, mas isso a gente já espera. Foi na defesa que ele fez a diferença pra abrir o placar.

O Nets sagrou seu lugar na NBA como o novo-Hawks-versão-antiga-da-qual-eu-não-falava, com um elenco caro porém médio, limitado ofensivamente, destinado pra sempre a pegar a oitava vaga no Leste e perder nos playoffs para equipes mais baratas e mais completas, a não ser que alguém aperte o BOTÃO DA DESTRUIÇÃO ou então se livre das pseudo-estrelas em busca de um elenco jovem, equilibrado e obediente taticamente.

Já o Hawks mostrou que seu estilo foi capaz de sobreviver às primeiras adversidades: tanto perder um par de jogos inesperados quanto ter que lidar com alguma jogada insistente e mais difícil de defender. Ver a defesa do Hawks aprendendo a fazer melhor no meio da série, e os arremessadores voltando a ter grandes atuações ao invés de se perder em frustração, era o que eu precisava pra voltar a confiar nessa equipe. Talvez tenha sido bom acontecer agora, com o fraco Nets, antes de ter que encarar o pick-and-roll do Wizards, que vai ser pauleira. A mesma tática usada nesse Jogo 6 pode dar resultado, porque vai forçar John Wall a arremessar de longe ou então insistir em passes para o Gortat que gerarão roubos e contra-ataques. Embora o Wizards tenha tentado provar o contrário nos últimos jogos contra o Raptors, ainda é melhor ideia deixar essa equipe arremessando no perímetro do que infiltrando na base do corta-luz.

Por isso não vejo o Hawks sofrendo na segunda rodada tanto quanto sofreu nessa, ainda que o Wizards tenha mais altura e seja mais atlético do que o Nets. Mas tem sempre um porém, né: é o Hawks. Podemos ser surpreendidos novamente, pra gente deixar de ser otário.

Torcedor do Rockets e apreciador de basquete videogamístico.

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