[Resumo da Rodada] A temporada perfeita

A tentação agora é começar a falar de tudo o que o Golden State Warriors fez de perfeito nessa temporada: recordes, melhor defesa, segundo melhor ataque, MVP, jogadores entre os líderes nas votações de melhor defensor, reserva e tudo mais. Foi a temporada dos sonhos! E falaremos disso tudo, mas antes um pouco sobre o jogo que eles precisaram ganhar para garantir a consagração da temporada perfeita.

No começo parecia que seria um daqueles jogos-lavada que encerram séries, tipo o Chicago Bulls massacrando o Milwaukee Bucks na primeira rodada deste ano ou a final de 2012 entre Miami Heat e OKC Thunder, talvez ainda o Jogo 6 entre Boston Celtics e LA Lakers em 2008. O Warriors começou o jogo confiante, metendo bolas de 3 pontos e se divertindo com as dúzias de turnovers que o Cavs insistia em cometer. Tentando jogar lento como sempre, o Cavs se embananou no ataque, sofreu com as dobras esporádicas de marcação do Warriors e cometeu 3 violações de 24 segundos só no primeiro quarto. Por muito pouco já não sofreram o PLACAR DA MORTE do Warriors, ficaram atrás só por 13 pontos, não 15.

O começo da partida também foi uma resposta para aqueles que tanto ficaram putos com os poucos minutos dados a Timofey Mozgov na última partida. Ótima válvula de escape ofensiva, o pivô russo virou o maior alvo do ataque nanico do Warriors, que novamente nem colocou Andrew Bogut em quadra. Mozgov continuou tendo sucesso quando ficava embaixo da cesta dando toco em infiltrações, mas justamente pensando nisso que o jogador que era marcado por Mozgov era sempre o encarregado de sair do garrafão para fazer bloqueios: ou o russo sai de baixo da cesta e vira presa fácil naquele mar de dribles e passes, ou fica por lá e deixa alguém livre para arremessar. Quando ele deixou Andre Iguodala livre, ele fez arremessos (25 pontos, 3 bolas de 3), quando ele recuou, deixou Draymond Green bancar o Blake Griffin e ser o segundo armador da equipe, recebendo a bola de Steph Curry no meio do garrafão e escolhendo para quem passar. Foram tantas dobras em Curry, tantos passes para Green, que logo ele somou passes o bastante para fechar seu triple-double: 16 pontos, 11 rebotes e 10 assistências.

A presença de Mozgov em quadra também era um pouco enganosa no ataque. Por um lado ele era o jogador mais talentoso e eficiente no ataque depois de LeBron James, mas por outro era justamente ele que ajudava a entupir o garrafão de pessoas e impedir as infiltrações de LeBron. Se a opção para um time mais aberto fosse a saída de Tristan Thompson, aí eram os rebotes de ataque, uma das grandes (ou únicas) armas da equipe que ficava comprometida. Em resumo, essa série acabou quando o Golden State Warriors repeliu seu medo de ser engolido nos rebotes, aceitou apanhar um pouco na área pintada e esmagou seu adversário com um jogo veloz e indefensável. O toque final foi descobrir que de todos os super defensores do seu elenco, Andre Iguodala era o mais preparado e capaz de defender LeBron James.

O Cleveland Cavaliers, de alguma forma, ainda conseguiu voltar para o jogo em alguns momentos. No segundo quarto aproveitou muitas bobagens do Warriors, de turnovers infantis a arremessos errados sem marcação, para colocar LeBron em situações de semi-transição, com mais espaço para ele infiltrar. Alguns inesperados ganchos do grosso Tristan Thompson até fizeram a torcida local acreditar que dava para forçar o Jogo 7.  Convenhamos que o fato do LeBron ser foda sempre faz todo mundo achar que ainda existe esperança.

O problema, porém, é que nesse jogo, como no anterior, era o Warriors que dava as cartas. Ao contrário do início da série, dessa vez era o Cavs que estava atrás de uma maneira diferente de jogar, de um quinteto mais eficiente. E chega uma hora que só raça não resolve. Como bem disse LeBron James após a partida, “nós demos tudo que tínhamos, mas faltou talento”. Faltou talento e elenco. Mesmo sem usar Bogut, o Warriors usou 9 jogadores diferentes na partida, David Blatt confiou em apenas 7. E posso garantir, qualquer jogador que estava nesse elenco do Cavs e não jogou nas finais não deve ter emprego no ano que vem, se nem assim jogam, vão entrar quando?!

E pensar nos jogadores medianos faz a gente ver como ter um elenco profundo pode fazer a diferença. Shaun Livigston foi um dos melhores jogadores do Warriors nos Jogos 5 e 6, partidas em que o brazuca Leandrinho também entrou muito bem. Festus Ezeli foi importante ontem no terceiro quarto, garantindo rebotes de ataque e lutando com Tristan Thompson. E, claro, lembramos do bizarro momento em que David Lee foi relevante! Do lado do Cavs, quem apareceu depois que acabou a poção mágica de Matthew Dellavedova? Não tinha ninguém.

Não que a torcida do Cavs se importe com isso a essa altura do campeonato, mas podem se orgulhar pelo menos da entrega do time. Mesmo com o jogo praticamente perdido, forçaram marcação de quadra inteira para tentar uma última reação nos minutos finais. Contaram com 3 bolas de 3 seguidas de JR Smith, que chegou para a série com 5 jogos de atraso, para até sonhar com uma reação. A diferença ficou em apenas 5 a 30 segundos do fim. Não deu porque Steph Curry acertou os lances-livres decisivos e porque precisavam de mais uns 2 ou 3 milagres seguidos para empatar. Nada de Ray Allen dessa vez, amigos! Fim de papo, Warriors campeão, Andre Iguodala MVP e Adam Silver bem nervoso e gaguejando na hora de entregar o troféu. Volta, David Stern!

No preview desse ano da ESPN, apenas um analista, o torcedor do Warriors Ethan Sherwood Strauss, apostou suas fichas no time de Steve Kerr para ganhar o título. Ele fez questão de dizer que não era porque era torcedor, mas que por acompanhar de perto via um crescimento que ainda não era perceptível para todos. Segundo ele, se Kerr realmente melhorasse o ataque e ninguém se machucasse, o título poderia ser deles. Enquanto isso todo o resto dos analistas se dividiram entre San Antonio Spurs, Cleveland Cavaliers, OKC Thunder e LA Clippers. Nada mal, hein?

Por aqui, no nosso preview da temporada, eu coloquei o Warriors em um grupo chamado “Os times que querem lutar pelo título (mesmo sabendo que não devem vencer)”, onde estavam as equipes que lutariam para chegar na final de conferência e lá seriam zebra contra um grande favorito. E especificamente sobre o time de Kerr, entre o grupo de 6 franquias que coloquei na categoria, disse:

De todos esses, vejo o Golden State Warriors como o time mais preparado. Quando com o grupo inteiro, sem lesões, juntam uma das melhores defesas da NBA com um ataque perigosíssimo, que deve melhorar ainda mais agora que Steve Kerr chegou e não deve mais insistir naquelas bizarrices táticas que Mark Jackson criava, tentando deixar um time de arremessadores parecer uma equipe sua de 20 anos atrás.

Não fomos ousados como Sherwood Strauss, mas todos sabíamos que o time era muito bom. O que eu jamais ia esperar era que tudo, absolutamente TUDO daria certo nos meses seguintes. A defesa deles, que já era ótima sob Mark Jackson, melhorou ainda mais, a ponto de conseguirem se manter no topo da liga mesmo quando jogavam com um grupo mais baixo. O ataque não ficou só mais bonito e moderno, eles se tornaram o time mais rápido da NBA em número de posses de bola por jogo e tiveram o segundo ataque mais eficiente do campeonato.

E não só não tiveram lesões nos Playoffs, passaram o ano todo sem nenhum tipo de problema físico. Problemas de relacionamento? Zero! O time é uma novela das 7 onde todos os ~perrengues~ viram situações cômicas. Foi reportado ao longo do ano que eles eram um caso raro de time onde todos os jogadores eram amigos a ponto de organizarem jantares regulares em grupo durante as viagens. O grupo era tão perfeito que Andre Iguodala e David Lee, dois dos maiores salários do time, aceitaram o banco de reservas e não reclamaram. Steph Curry é a estrela máxima do time e não liga de não ganhar mais que os outros, Draymond Green não deu uma declaração polêmica sobre seu próximo contrato. Os donos da equipe não exageraram quando viraram favoritos, não se meteram e nem falaram nada racista (abs, Clippers). Falem sério, só falta os jogadores falarem cantando e aparecer um príncipe encantado.

Até individualmente tudo certo. Draymond Green conseguiu melhorar seu passe e arremesso, coisas fundamentais para o ataque do Warriors fluir com a velocidade desejada por Steve Kerr. O próprio Kerr, aliás, era uma incógnita: novato na função e com um time jovem nas mãos, ninguém se surpreenderia se no primeiro ano ele apenas mantivesse tudo no mesmo nível. Klay Thompson conseguiu melhorar o bastante para parecer que a sua não-troca por Kevin Love na offseason soe hoje como o melhor negócio da temporada, com mais infiltrações e defesa, virou um jogador completo. E, claro, Steph Curry não só jogou bem, mas foi MVP da temporada, jogador mais votado para o All-Star Game, acabou a temporada com aproveitamento de 52% nos arremessos de quadra, 91% nos lances-livres e surreais 44% de 3 pontos, tudo isso tentando os chutes mais insanos que este planeta já presenciou.

A soma de tudo isso dando certo rendeu um recorde da franquia de 67 vitórias na temporada, com um saldo de pontos entre os melhores da história. Entre os campeões da NBA, somando dados da temporada regular e Playoffs, apenas os times do Bulls de 96 e 97 tiveram saldo melhor que esse Warriors. Eles ganham muito e ganham por muito. Nenhum dado resume melhor essa temporada do que a marca de 58 vitórias e NENHUMA derrota nas partidas em que conseguiram abrir 15 pontos ou mais de vantagem sobre o adversário. O que é mais fantástico, ser incapaz de tomar viradas ou o fato de que em 58 das 103 partidas que jogaram na temporada eles abriram tanta vantagem sobre o oponente? Curvem-se ao campeão da NBA, nesse ano ninguém chegou nem perto do Golden State Warriors.


As coisas estavam tão boas durante a temporada que Leandrinho previu o título. Leandrinho cumpriu sua palavra. NÓIS VAI SER CAMPEONATO, MANO!

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Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

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