[Resumo da Rodada] De tabela também vale

Não quero parecer repetitivo, mas se um time repete seus erros, eu insisto nos comentários: até quando o Atlanta Hawks vai errar os ótimos arremessos que cria ao longo dos jogos? Depois de 9 jogos disputados nesta pós-temporada, estou achando que o problema não é mais só uma fase. Usando o linguajar de nossos comentaristas ludopédicos, o Hawks SENTIU O JOGO.

Como dissemos em nosso último Podcast, o sistema de um time se garante até certo momento. Depois disso é o talento individual que vai resolver: o cara acerto o arremesso criado? Ganha o duelo individual onde foi colocado? Acerta os benditos lances-livres? Nestes Playoffs o Hawks tem tido altos e baixos, nos baixos eles perdem nessa parte individual. Jeff Teague não cria jogadas, Kyle Korver é um arremessador “normal”, Paul Millsap e Pero Antic viram casos estranhos de arremessadores que não arremessam. Dez minutos depois tudo pode mudar e eles podem atropelar, é uma montanha-russa com muito vômito.

O problema é que nessa série de Playoff eles estão enfrentando um time que até ontem tinha sido destaque justamente pela regularidade. Paul Pierce é o símbolo do Wizards: não é genial o tempo todo, mas raramente compromete e faz os arremessos grandes. Jogando basquete de time experiente, o Wizards tem cozinhado o Hawks-Hulk e pisoteado o Hawks-Banner.

A partida de ontem seria um bom teste se isso iria acontecer de novo porque o Wizards jogaria sem John Wall –e não só como desfalque temporário, dessa vez sabendo que podem ter que ir longe sem ele. Não sentiram em nada. Nenê finalmente chegou para os Playoffs, fez os primeiros pontos do time, animou a torcida, distribuiu passes e ajudou Ramon Sessions a organizar o jogo. Quando o Hawks começou a errar, deram o bote e abriram uma vantagem enorme.

No segundo tempo começou aquele momento constrangedor onde o time da casa atropela o adversário, a torcida se diverte e o visitante só quer que tudo aquilo acabe pra ele poder tomar lente quente e dormir. Assistir Jeff Teague, que outrora foi chamado de Playoff-Teague por só jogar bem nos Playoffs, se desmontar em quadra foi triste, uma ironia mórbida para alguém que finalmente conseguiu render bem na temporada regular. Quando a diferença chegou a 20 pontos a 9 minutos do fim do último quarto, era hora de curtir o garbage time e relaxar.

Mike Budenholzer desistiu mesmo de seus titulares e botou o fundo do fundo do banco pra jogar. Fundo mesmo. Estamos falando de um quinteto de Dennis Schröder, Shelvin Mack, Kent Bazemore, Mike Scott e Mike Muscala. Mas por essas coisas CÓSMICAS dos Playoffs, foi esse quinteto mesmo que jogou como o Hawks da temporada regular: cortes firmes, passes confiantes e arremessos que, vejam só, entram na cesta. Em 9 minutos foram 4 bolas de 3 pontos, 58% de acerto de arremessos e o Wizards, primeiro relaxados e depois em choque, acertando só 4 de 13 chutes. A aberração chegou ao ponto de vermos uma bandeja de Bazemore e um roubo-bandeja de Shelvin Mack cortarem a diferença do Wizards. Cereja do bolo, Schröder, com a BUNDA NO CHÃO, achou MIKE MUSCALA para uma bola de 3 pontos que empatou o jogo a poucos segundos do fim. Se você achou que Austin Rivers decidindo jogos era pouco, que tal um pivô branquelo que é a décima opção do banco resolver uma partida fora de casa?

Méritos do Coach Bud que mostrou que aprendeu com Gregg Popovich e deixou os reservas em quadra até o fim. Falta só aprender a mandar um “I want some NASTY” na orelha da molecada pra eles acordarem.

https://vine.co/v/emntmDjpWg6

Mas não. Tudo isso foi só para criar o cenário que consagraria um nome muito mais conhecido que Muscala, que rapidamente viu o grande momento da vida virar nota de rodapé. A poucos segundos do fim Bradley Beal achou Paul Pierce, que fez o que faz todas as noites: procurou a cabeça do garrafão, foi um pouquinho para o lado e venceu uma partida de basquetebol. Usou a tabela só porque este é o ano do TABELAÇO, assim como o do ano passado foi o da jogada de 4 pontos. Ao fim do jogo, em êxtase, foi o oposto de Derrick Rose e mostrou emoção até demais.

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E você avisou que ia de tabela, Pierce?

https://vine.co/v/emnU9pzM3mZ

A melhor conta de Twitter da ~microblogosfera~, a do Atlanta Hawks, só pode brincar com a situação. Chamou o Cleveland Cavaliers para uma petição que propõe o anulamento dos game-winners usando a tabela na NBA. Se não dá na quadra com Mike Muscala, vamos para o tapetão!

ATL


 

No Grande Moedor de Carne, era dia do Grindfather mostrar que seu Memphis Grizzlies pode dar conta do Golden State Warriors, time mais dominante da temporada regular. E não só Tony Allen estava inspirado, mas toda a franquia: a equipe distribuiu máscaras protetoras parecidas com a que Mike Conley está usando para os torcedores se enfeitarem durante o jogo; o mascote do Grizzlies, também vivendo ótima fase, foi o piadista da noite colocando uma fita de proteção entre o banco do Warriors e a apresentação das criancinhas dançarinas de Memphis, tudo para evitar uma retaliação ao que Tony Allen fez em Oakland. Entretenimento barato, crianças, é isso que queremos.

Em quadra, mais show do Memphis Grizzlies. O primeiro tempo foi, para o Warriors, como conhecer o inferno e voltar para contar. Nenhuma chance de infiltração, múltiplos turnovers, passes sendo desviados a cada posse de bola. A defesa entrou de tamanha forma na cabeça dos jogadores do Warriors que mesmo quando eles ficavam livres, hesitavam e olhavam para o lado antes de arremessar –e errar. O time de Steve Kerr acabou a primeira etapa com apenas 2 acertos em 13 arremessos de 3 pontos e 9 turnovers

https://vine.co/v/emvximJ1LV2

Do outro lado, mais moeção de carne. Apenas 2 turnovers, muitas bolas no garrafão e a dupla Zach Randolph e Marc Gasol engolindo qualquer defensor do Warriors, sejam os gigantes Andrew Bogut e Festus Ezeli até os pequenos Draymond Green e Andre Iguodala. Se eu jogasse pelo Warriors, teria chorado no intervalo para aliviar a tensão.

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Eles não devem ter chorado, mas alguma coisa aliviou um pouco para o Golden State Warriors, que voltou fazendo o que devia. Paciência para achar os passes mais seguros no ataque e um pouco mais de intensidade defensiva para forçar turnovers do Memphis Grizzlies, a única maneira de fugir da defesa feroz e conseguir algumas cestas fáceis. Foi assim que cortaram a diferença para 6 pontos logo no começo da segunda etapa.

Mas quando parecia que o time de Steph Curry ia deslanchar, deram para trás de novo. Não chegaram a pegar fogo no ataque, apenas alcançaram um aproveitamento decente, mas na defesa insistiram em não dobrar a marcação nas ações de Zach Randolph. Erro mortal. Z-Bo engoliu a defesa deles nos minutos finais do quarto e a diferença voltou ao mesmo patamar de antes. Bastava cozinhar o jogo, trocar cestas e o Memphis abriria 2-1 na série.

Isso não aconteceu porque o Grizzlies é um time tão brigador, tão Libertadores, que não sabe golear. Tudo tem que ser em um escanteio cheio de empurrões aos 40 do segundo tempo num estádio sem iluminação de Bogotá. Inexplicavelmente o Grizzlies perdeu a mão defensiva e passou a cometer falta atrás de falta, muitas delas de afobação, ainda no campo de ataque, tentando roubar bolas ou pegar rebotes ofensivos. Com uma dúzia de lances-livres, o Warriors voltou para o jogo de novo. Não creio que seja coincidência, porém, que de novo o Warriors tenha melhorado quando Kerr apostou no quinteto-da-morte só com jogadores baixos em quadra.

Voltou mas não virou. Primeiro porque o golpe fantasma do Grizzlies já tinha corroído a mente deles. Klay Thompson e Steph Curry erraram lances-livres, Draymond Green INVADIU O GARRAFÃO antes de um lance-livre de Curry entrar. E, claro, no Playoff do Tabelaço…

https://vine.co/v/emruVxUg2rm

Claro que a cesta foi de Marc Gasol. Que era o pior jogador da equipe no segundo tempo, que não conseguia fazer um ganchinho sequer na etapa final e que logo depois seria eliminado com faltas (bobas). Depois até deram que a bola foi de 2 pontos, mas não importava mais, o estrago estava feito.

Quem torce para o Grizzlies sabe que pode ficar animado, mas não demais. O time já viveu a mesma situação outras vezes e o resultado nem sempre foi grande coisa. Quem lembra do jogo de 3 prorrogações contra o OKC Thunder em 2012? Ou do repeteco contra Durant e cia no ano passado? Grizzlies pega um favorito, abre 2-1 e depois perde de maneira traumática o Jogo 4 em seu território.

De qualquer forma, o cenário preparado. Próxima rodada teremos jogos daqueles que gostamos de ver, partidas em que os grandes jogadores precisam jogar bem para não manchar o legado. Teremos LeBron James, Steph Curry, James Harden (e um dos 24 All-Stars do Hawks a sua escolha) jogando fora de casa e precisando ganhar para não ficar num quase irreversível 1-3. Haja tabelaço!

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

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