[Resumo da Rodada] Hawks se assusta; Warriors passeia

Quatro jogos série adentro, já deixamos pra trás o favoritismo irrestrito dos mandantes de quadra e aprendemos que o Wizards sabe torturar o Hawks quando as bolas de três da equipe de Atlanta não caem, assim como o Grizzlies sabe passar o Warriors no moedor de carne com Tony Allen bebendo sangue de crianças no crânio aberto e macio do David Lee (que aliás tem um crânio bem espaçoso mesmo quando o diminuto cérebro está dentro).

Mas o Jogo 5 das duas séries foi contra todas as nossas expectativas, simplesmente por ter retornado às nossas expectativas iniciais de antes da série começar. Com John Wall de volta ao quinteto titular do Wizards, tivemos um Hawks que cometeu os mesmos erros de sempre – com os arremessos de três pontos mais instáveis desde a programação de tarde do SBT – mas que mostrou ser tão completo e versátil quanto o primeiro lugar do Leste deveria ser. E no Oeste tivemos o Warriors fazendo tudo aquilo que passou a temporada regular inteira fazendo, sem nenhuma dificuldade já que Tony Allen não jogou, lesionado.

Comecemos com o jogo em Atlanta. Sendo o armador que mais vezes toca na bola por jogo na NBA, não é nem um pouco surpreendente que John Wall faça uma diferença absurda no rendimento do Wizards. Todas as vezes em que o Hawks se atrapalhou, as bolas de três não entraram e o ataque titubeou, lá estava John Wall correndo como um doido, forçando contra-ataques, punindo o advesário por erros bobos e fazendo a equipe adversária pensar mil vezes antes de tentar um passe mais complicado. A gente está cansado de saber que o Hawks investe demais nas bolas de fora e que a movimentação de bola é sempre impecavelmente a mesma, sem muito espaço para improviso ou desespero, então eventualmente as bolas simplesmente param de cair e o Hawks não tira do bolso um plano reserva. Nessas horas é preciso que o adversário saiba aproveitar e John Wall está em outro nível na hora de correr a quadra para punir seu adversário. Some a isso sua velocidade e força física na defesa de transição e dá pra perceber como ele é essencial para fazer o Hawks se atrapalhar.

Mas a verdade é que a equipe de Atlanta mostrou a partida inteira que estava no comando, mesmo quando ficou 10 pontos atrás no placar. Depois de tomar uma mini-surra do John Wall no segundo quarto e começar a errar muitos passes, o Hawks simplesmente respirou fundo e retomou o ritmo de jogo, assumindo a liderança sem muito esforço. Nesses momentos o Wizards não encontra muitas brechas pra contra-atacar e cada posse de bola passa a ser um parto, porque o Hawks está marcando o pick-and-roll muito bem. Não tem jeito, mesmo com John Wall em quadra, mesmo acertando os arremessos de três pontos que não acertou ao longo de toda a temporada, o Wizards é um time que precisa que o Hawks erre, e que apenas está à espreita para se aproveitar de cada deslize.

Por sorte o Hawks desliza bastante com sua inconsistência no aproveitamento dos arremessos. No quarto período, chegou a passar quase 8 minutos SEGUIDOS sem pontuar, conseguindo até que boas condições de arremesso que não entravam. A situação foi tão merda que o Hawks começou a cometer aquele pecado dos times sem estrela: todo mundo queria passar o rojão para o lado e as rotações de bola passaram a ter um passe A MAIS do que o adequado, dando tempo do Wizards chegar nos arremessos. Até que o Dennis Schroder resolveu finalizar as bolas porque ele é reserva e não sabe de nada, e Al Horford começou a arremessar de fora sem parar contra o garrafão do Wizards que se refugia embaixo do aro. Os dois juntos comandaram uma sequência de 12 pontos seguidos sem resposta no último período e a torcida conseguiu enfim respirar aliviada.

O Hawks é pior do que a gente imaginava? É, claro. Sua oscilação no aproveitamento dos arremessos de longe é pra matar qualquer fã do coração? Sem dúvidas. Mas jogo após jogo o Hawks mostra que consegue dar um jeito, que o esquema tático uma hora funciona se você tiver paciência, e que qualquer um que resolver finalizar vai estar em boas condições de salvar o jogo, até mesmo o Schroder.

Mas ainda assim o final foi mais tenso do que deveria. Num dos raros arremessos errados do Al Horford no quarto período, Paul Pierce teve a chance de virar o jogo a um minuto do fim e simplesmente perdeu a bola num erro grosseiro. Mancha no legado? Coisa nenhuma. Depois de tomar a cesta, Paul Pierce simplesmente meteu uma bola de três fantástica na zona morta para virar o jogo, deixando o Hawks com a última posse de bola mas atrás no placar. Jeff Teague sequer QUIS entrar no jogo, incentivando o Mike Budenholzer a deixar Schroder em quadra. E foi Schroder mesmo quem tentou decidir, levou um toco épico do John Wall, e coube a Al Horford lutar contra o Nenê, oito búfalos, jacarés, tubarões e a dívida grega para pegar o rebote ofensivo mais importante da sua carreira e fazer em seguida a cesta da vitória.

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O Hawks se mete nas piores enrascadas, é o melhor time do Leste e ainda consegue passar 8 minutos de um jogo decisivo de playoff sem pontuar, o “All-Star” Kyle Korver consegue sair de quadra com míseros 3 pontos e apenas uma bola convertida, e mesmo jogando bem melhor do que o adversário no quarto período o Hawks ainda precisa de uma bola final bizarra para vencer o jogo em cima do cronômetro. E o pior é que o Hawks mesmo assim vence o jogo que deveria e embora mais assustado do que novatos frente ao Tony Allen, parece que nem suou. Não sei bem o que pensar desse time, mas aos trancos e barrancos é óbvio que vão dando certo. Só não boto mais fé nesse time por motivos de: é o Hawks, né.


Grizzlies e Warriors foi bem, bem, bem mais sem graça. Sem Tony Allen, com uma lesão na coxa, o Grizzlies tentou apostar menos na pressão defensiva e mais em arremessos rápidos em contra-ataques. Ofensivamente começou o primeiro quarto muito bem, usando as armas do garrafão, acertando arremessos de longe e pontuando como em nenhum outro momento de toda a série até agora. Parecia que não ter Tony Allen em quadra permitia que o Grizzlies fosse um ataque de respeito, e que a vitória era possível. Mas quando o primeiro quarto acabou, ter feito 25 pontos não parecia ter qualquer importância frente aos 26 pontos do Warriors. Mesmo num começo um pouco lento, o Warriors teve mais liberdade para movimentar a bola, Stephen Curry encaixou três bolas de 3 pontos, e aí viraram o placar. A mensagem é óbvia: se num dos maiores momentos ofensivos de sua história o Grizzlies não é páreo para Curry, então esse é um caminho em que não se pode seguir. Pode desencanar.

Daí pra frente era óbvio que o Grizzlies não conseguiria manter o aproveitamento nos arremessos. A defesa do Warriors mostrou que é uma das mais fortes da NBA, o Grizzlies começou a se desesperar, cometeu muitos erros em passes exagerados para conseguir espaços que não existiam, Stephen Curry roubou 6 bolas e rapidinho o jogo não tinha mais graça. Com Klay Thompson acertando seus arremessos, então, o Grizzlies não sabia quem defender e nunca tinha aprendido de verdade como atacar.

Se o jogo deixou uma lição é que o Grizzlies não pode brincar daquilo que não sabe: se quer ter chances de vitória precisa ser em seus termos, num jogo lento, empacado, feio, de preferência com alguns dentes perdidos e vísceras no chão. E também aprendemos algo mais: a culpa do ataque cocô do Grizzlies não é do Tony Allen, já que sem ele a movimentação ofensiva só funcionou por 12 minutos no máximo e ao custo de permitir que Curry entrasse no jogo, algo que NUNCA deve ser permitido ao melhor arremessador da NBA.

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Não dá pra dizer que Tony Allen é toda a defesa do Grizzlies, mas ele é parte fundamental tanto na área tática quanto na atitude da equipe como um todo, algo essencial para deixar o Warriors desconfortável com os próprios arremessos. Caso contrário, o jogo vira um passeio ainda no primeiro tempo e a partir daí até os jogadores com menos confiança acertam arremessos longos com facilidade – ontem foram 14 bolas de três pontos. Sempre que isso acontecer, o Grizzlies não vai dar nem pro cheiro. Boa notícia pra que quer Jogo 7 (e pra mim, que previ um Jogo 7 lá no meu preview): Tony Allen já avisou que, mesmo lesionado, vai estar em quadra no próximo jogo. Eu farejo sangue.

Torcedor do Rockets e apreciador de basquete videogamístico.

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