Rose se vinga do mundo, Griffin serve chá de novo

>Depois de errar dois lances livres decisivos contra o Heat (e o arremesso final, forçado porque o Boozer não seguiu a jogada devida), Derrick Rose avisou que iria se redimir com o planeta Terra na partida contra o Wizards. O armador foi o mais agressivo que conseguiu, chutou o traseiro do John Wall, chegou até a levar falta técnica apesar da cara-de-Duncan e acabou o jogo com 35 pontos, 8 assistências e 3 tocos. Lembra quando o Rose era fantástico, maravilhoso, tudo-de-bom?  Pois bem, temos que criar outros adjetivos desde que ele despertou seu Sétimo Sentido e passou a acertar floaters que fariam Tony Parker morrer de inveja. Sem uma defesa coletiva como a do Heat, é impossível parar o Rose com um arsenal tão completo no ataque. O Wizards ainda manteve o jogo respeitável no começo porque John Wall e JaVale McGee seguraram as pontas no ataque, mas não deu pra segurar a represa por muito tempo.

Outro time que manteve o jogo respeitável foi o Magic contra o Sixers, mas quando a represa começa a rachar (e eventualmente racha, em todos os jogos), a equipe de Orlando perde a cabeça e taca o jogo na privada. O jogo estava bem disputado até que o Magic perdesse o 3o período por 21 a 9. Nove! E esse ataque medonho que só faz nove pontos dessa vez esteve nas costas de Dwight Howard.

Nas últimas derrotas, achei que o Magic estivesse passando mais a bola para ele horas em que o time está na merda para ver se  resolve, se ele salva o time de ter que continuar com um ataque em que as bolas não caem. Mas agora estou começando a achar que não é desespero, que é algo deliberado. O Magic parece estar insistindo no Dwight como se fosse alguma espécie de lição para o pivô que insiste em cobrar seus companheiros publicamente, se acha a última bolacha no pacote e não para de pedir para ser trocado. Ontem, contra o Sixers, Howard foi muito acionado e – pasmem! – recebeu a bola em uma infinidade de jogadas de pick-and-roll, coisa que sempre cobramos que acontecesse nessa equipe. Mas eis que o Dwight se mostrou bastante ruim para finalizar essas bolas em movimento, perdeu muitos pontos fáceis e seus companheiros continuaram insistindo. Quer dizer, menos o Turkoglu, que achou mais divertido tentar arremessos impossíveis de longa distância, teve hora em que eu achei que ele ia tentar de costas só pela diversão descompromissada.  O Dwight acertou 6 dos 17 arremessos que tentou, o experimento pick-and-roll é um fracasso, e já não sei mais o que sugerir para essa equipe. O pior de tudo é que o Sixers teve um jogo completamente meia-boca, sem sal, não fizeram nada demais e erraram quinhentos arremessos fáceis também. Imagina se tivessem jogado bem.

Mas a atuação ofensiva do Dwight não foi a pior da noite: na partida entre Grizzlies e Spurs, Rudy Gay conseguiu sair de quadra com um mísero pontinho, errando todos os 7 arremessos que tentou. A equipe de Memphis estava cansada, frustrada e o ataque não tem muitas válvulas de escape sem Zach Randolph para arrumar pontos na marra ou Rudy Gay nas jogadas de isolação. O Spurs, por outro lado, mostrou que tem quinhentas armas e impôs o estilo de jogo que bem quis. O senso comum diria que, com o garrafão do Grizzlies desfalcado do Randolph, o ideal seria abusar do jogo de garrafão do Spurs para vencê-los. Mas o Popovich fez exatamente o contrário: limitou os minutos do Splitter, colocou o pessoal para correr e deixou gente mais baixa em quadra. A ideia foi essa: já que não temos que defender ninguém no garrafão, vamos aproveitar. Deu muito certo, e ao mesmo tempo deu muita raiva do Spurs: tem equipe que se saia melhor no draft do que eles? Chega a ser ridículo. Podendo jogar mais na velocidade e com jogadores mais baixos, o Spurs usou Danny Green (11 pontos, 2 bolas de três pontos, 4 roubos de bola) e Kawhi Leonard (12 pontos, 10 rebotes, 2 roubos) para atropelar o Grizzlies. Os dois juntos somaram 6 roubos de bola, mas como o Denis tão bem mostrou em seu post de ontem sobre como identificar bons defensores (leitura obrigatória, corre lá!), isso não é nem a ponta do iceberg do que foi a defesa impecável dos dois durante a noite. O único jogador do Grizzlies que conseguiu fazer alguma coisa no ataque foi o OJ Mayo, de novo cestinha da equipe com 17 pontos. Se alguém por lá queria mesmo trocar o garoto, com certeza já respirou fundo e tacou a ideia pela janela.

Por falar em troca, os dois times que trocaram de treinador um com o outro, Houston e Wolves, se enfrentaram de novo ontem. No primeiro confronto o Rockets ganhou em Minessota, agora foi a vez do  Wolves ganhar em Houston. E tudo porque o Wolves teve um dos períodos mais sensacionais da história da humanidade conhecida! O Houston estava jogando bem e se saiu melhor durante todo o jogo, mas no terceiro período tomou 42 pontos (!!!) e fez “apenas” 25. Foi um quarto impecável para o Wolves, forrado de cestas de 3 pontos, passes perfeitos do Ricky Rubio, bolas absurdas do Kevin Love e movimentação inteligente de bola. Aliás, quem foi o gênio que resolveu unir Ricky Rubio e o técnico Rick Adelman? Prêmio de melhor ser humano para o cara que uniu os dois. Rubio faz com perfeição as infiltrações seguidas de passe para a linha de 3 e agora o Wolves inteiro pegou o jeito da jogada, sabendo dar um passe a mais em busca de uma bola de 3 melhor ou então cortando o defensor para um arremesso de 2 pontos. Essa jogada simples rendeu boa parte dos 34 pontos do Beasley ontem (acertou 10 de 14 arremessos e todos os seus 12 lances-livres), que está conseguindo render sem ter que arremessar todas as bolas – até porque ele não recebe todas quando existem armadores inteligentes e um esquema de jogo consistente. O Rubio, por sua vez, acabou com 18 pontos, 8 rebotes e 11 assistências – uma pena que esses 8 rebotes possam ter sido responsáveis por evitar um double-double do Kevin Love, que dessa vez só pegou 7 rebotes (mas marcou 29 pontos). Nem é questão de quão orgasmático é ver o Rubio jogar, simplesmente não tem equipe na NBA que passe tão bem a bola coletivamente quanto o Wolves. Como diabos isso aconteceu? Por experiência própria, acompanhando de perto meu Houston, sei como as equipes demoram para entender o ataque do Rick Adelman e como costumam fazer muita merda até pegar o jeito. Não é o caso em Minessota.

A parte triste da rodada vem agora, na partida entre Jazz e Blazers. E nem é porque o time-do-qual-não-falamos ganhou, isso está ficando comum e pela milésima vez foi porque o Millsap ficou doido no fim do jogo. O Jazz conseguiu outra vez sua primeira liderança do jogo no quarto período, e dessa vez nem tinha o Al Jefferson lá, contundido, para pegar os rebotes ofensivos do Millsap ou abrir espaço para os rebotes ofensivos do Millsap. O Derrick Favors quebrou o galho com 8 pontos e 6 rebotes (4 ofensivos) e o Blazers não resistiu ao garrafão do Jazz no final. Quer dizer, quase resistiu, e essa é a parte triste. O Batum meteu 3 bolas de três pontos seguidas no quarto período e aí roubou uma bola faltando 35 segundos pra o fim do jogo, com chance de empatar a partida. E aí o que ele fez? Estava com a mão quente, liderando a equipe, e partiu para dentro para tentar uma bandeja. Errou o arremesso? Tentou um passe e falhou? Cometeu falta de ataque? Não. O joelho dele simplesmente torceu quando ele tocou uma perna na outra, ele caiu como cocô e a bola ficou lá no chão para o Jazz recuperar. Esse é o Blazers amaldiçoado que conhecemos, em que as lesões nunca vão deixar o time em paz.

No resto da rodada, o Mavs foi liderado por Vince Carter e Delonte West e venceu um Suns sem Steve Nash (fuja, Nash, corra enquanto é tempo), sinal de que as novas contratações do Mavs podem estar pegando o jeito da coisa. Em Milwaukee, o Buchs venceu o saco-de-pancada Pistons usando o que é agora, de repente, um baita ataque de respeito com Brandon Jennings e Mike Dunleavy, que estão se entendendo desde que o armador começou a ser mais agressivo como queria seu técnico. Em Miami, o LeBron James também se vingou dos lances-livres que errou contra o Bulls ajudando a vencer fácil o Hornets, mas como é o Hornets simplesmente não vale.

Para acabar, mas com chave de ouro, o Clippers venceu o Thunder após 4 bolas de três pontos seguidas para encerrar o segundo quarto, num 12 a 0 que simplesmente acabou com o jogo ali. Mas o melhor de tudo foi a enterrada espetacular do Blake Griffin em cima do muro-de-tijolos Kendrick Perkins. Lembra daquela enterrada do Griffin em cima do Mozgov em que ele, hã, despejou seu “saquinho de chá” na “xícara” que era a cara do pivô? Pois bem, digamos que o Griffin serviu chá de novo, agora numa xícara de tijolos. Absurdo.


Fotos da rodada

 Stuckey dá uma bitoca em Delfino
 – Supimpa!
 Dança contemporânea
 LeBron James senta na torcida após ser atingido por Gyoday
 Foto de fim de festa
 Blake Griffin é a primeira vítima de um vírus zumbi
 Brandan Wright dá o toco e ainda puxa a orelha do Frye pra ensinar uma lição
Sam Young dá um abraço em sem amigo imaginário

Torcedor do Rockets e apreciador de basquete videogamístico.

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