Spurs líder, Sixers ladeira abaixo

Acho que boa parte das pessoas passaram o feriado longe de casa, certo? Praia, campo, 14 horas de trânsito, não importa. Para salvar essas almas que passearam para merecido descanso, um resumo de tudo o que aconteceu desde a rodada de sexta-feira até esse domingo à noite. Foram 27 jogos e, claro, não falaremos de todos. Mas o que aconteceu de importante está aqui.

Sexta-Feira Santa no Trânsito indo para a Praia Grande

Como sobreviver a um dia sem comer carne? O Danilo está sobrevivendo há 3 semanas, então perguntem pra ele, eu não tenho ideia ainda. Carne, NBA e bacon (que não é carne, é algo especial e divino) são essenciais para minha vida. Na sexta-feira um dos jogos mais importantes foi logo o primeiro da rodada, a vitória do Indiana Pacers sobre o Oklahoma City Thunder. O Pacers impressionava no começo da temporada por vencer os jogos mais feios da liga, atuavam mal, forçavam o outro time a serem ainda piores e venciam por desgosto. Mas aos poucos melhoraram, Danny Granger está sendo espetacular desde o All-Star Break e eles bateram o líder do Oeste. Digo, o ex-líder do Oeste. Depois de liderar a conferência por toda a temporada, essa derrota, somada a mais uma vitória do Spurs, mudou a cara da conferência mais forte da NBA.

Não foi por falta de esforço de Kevin Durant. Com seu time perdendo por 20 ele resolveu fazer o que faz de melhor: arremessar sem parar não importa de onde. Assim fez 24 de seus 44 pontos nos últimos 15 minutos de jogo, fazendo a diferença de 20 do Pacers cair para apenas 5 no minuto final de partida. Só que foi tarde demais, o time de Frank Vogel soube manter os nervos no lugar e segurar a vantagem nos últimos segundos. O Pacers é um dos times mais fortes da NBA quando seu ataque funciona, ainda mais quando Danny Granger (26 pontos) e Roy Hibbert (21 pontos) estão em dias bons ao mesmo tempo, pena que não é sempre. O Thunder parecia imparável até pouco tempo, mas ultimamente parecem um tiquinho mais humanos, podem se ferrar se pegarem um time que sabe explorar seus defeitos nos playoffs.

A liderança do Spurs foi garantida na mesma noite quando eles bateram em casa o Hornets. Foi a 10ª vitória seguida do time de Popovich, que não deixou nenhum jogador seu atuando por mais de 22 minutos em quadra. O Spurs sempre vai bem, isso não é surpresa, mas ao contrário do ano passado, está dando medo de verdade. Chegaram naquele ponto em que fazem tudo direitinho, tudo certo e parecem uma máquina de basquete que já está no automático. O pobre Hornets apanhou de 128 a 103! E sem Eric Gordon (31 pontos) era capaz de ter tomado de ainda mais. Após o jogo o técnico Monty Williams disse que seu time “não seria capaz de defender uma bicicleta mesmo se tivesse montado nela”. É… vou torcer para ser uma expressão idiomática que eu não conheço.

O dia ainda teve outros jogos importantes para os playoffs do Oeste: O Mavs, atual campeão, por incrível que pareça, ainda corre muito risco de ficar fora da pós-temporada. Estão 1.5 jogos na frente do Suns, 9º colocado. Entre eles o Denver Nuggets na última vaga. O Mavs pegou o Blazers em casa e acabou derrotado. Estavam indo bem até Raymond Felton, provavelmente o cara mais odiado pela torcida de Portland desde Zach Randolph, fazer 16 de seus 30 pontos (!!!) no terceiro período. No último quarto Jason Terry foi Jason Terry e mostrou porque tem pós-graduação, mestrado, doutorado e curso online em 4º período e levou o jogo para a prorrogação. Mas lá, com o jogo empatado no segundo final, o nativo de Dallas LaMarcus Aldridge selou o jogo em um arremesso sobre o lento Brendan Haywood.

O time de Dirk Nowitzki respirou aliviado porque na mesma noite o Suns também perdeu, mas foi para o Nuggets. Melhor ter o 8º colando na sua bunda se for para o 9º ficar para trás? Acho que sim, mas esse fim de temporada no Oeste vai ser uma confusão só. Arron Afflalo fez 30 pontos, Andre Miller fez 13 de seus 15 no último quarto para o Nuggets na vitória apertada sobre o Suns. Detalhe: JaVale McGee já virou reserva lá, é difícil ter paciência com ele.

O Miami Heat recebeu o Memphis Grizzlies e cometeu apenas 4 desperdícios de bola nos últimos 3 quartos de jogo. Impressionante! Uma pena que nos primeiros 12 minutos de partida tenham tido 10 turnovers e perdido a parcial por 13 pontos de diferença. Os dois times tiveram altos e baixos desde então, mas em geral a diferença ficou nisso e o Heat nunca se recuperou. LeBron James é excelente defensor, mas por algum motivo ele é péssimo contra Rudy Gay, vai entender. Não ajudou o time de Miami que Gilbert Arenas fez seu melhor jogo na temporada e acertou 4 das 5 bolas de 3 que tentou, acabando o jogo

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com 12 pontos. Fechando o dia, Bola Presa Bowl: Lakers x Rockets! Infelizmente, meu Lakers perdeu de novo. O jogo estava disputado até o começo do último quarto, mas aí Andrew Bynum (19 pontos) foi expulso (de novo, já tinha acontecido no último duelo entre os dois) e logo depois Marcus Camby acertou uma bola de 3 pontos, vi que não era dia. Ainda dava no final, mas depois de uma bola de 3 de Chandler Parsons com Kobe (28 pontos) na cara dele e duas daquelas bandejas mezzo Manu Ginóbili mezzo Derrick Rose de Goran Dragic (26 pontos, 11 assistências), o jogo já era: 112-107 Rockets.

Top 10 da Rodada (Destaque para a ausência da ponte aérea do Jason Terry para o Brandan Wright, coisa de Vince Carter!)

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Sábado de Aleluia torrando no sol e comendo camarão no espeto

Sabe os elogios do texto acima? Esqueçam tudo. Ativar memória de torcedor. Depois de vencer o Thunder, o Pacers foi massacrado pelo Boston Celtics: 86 a 72. Lembra como o Pacers foi bem no ataque antes? Foi péssimo nesse dia, acertando horríveis 35% de seus arremessos e não lembrou em nada o time que antes soube variar ataque de garrafão e de perímetro. O Celtics é assim, traz o pior de cada ataque, cada vício e defeito. Estão não só sobrevivendo como crescendo na hora certa com essa defesa. Em um momento do 3º período o Pacers chegou a encostar, mas aí o Celtics decidiu que era 2008 de novo, anulou o adversário na defesa e o trio de Garnett (15 pontos), Ray Allen (19) e Paul Pierce (24) fez os 20 pontos seguintes para os verdes, fim de jogo.

Sábado marcou uma das maiores decepções da temporada para mim. O divertido, defensivo e obediente Philadelphia 76ers está caindo pelas tabelas. Pegaram, em casa, o Magic (que está no meio de uma crise) e conseguiram perder mais uma. Depois de chegar a ser 3º colocado no Leste, agora nem mais lideram a divisão do Atlântico e com a derrota do sábado para Dwight Howard (20 pontos, 22 rebotes) estão em 8º no Leste, sendo caçados pelo Bucks, que derrotou o exausto Blazers no mesmo dia com um 4º período de 30 a 11. O Sixers começou bem, forçando erros e sendo impecáveis no contra-ataque, mas não deslancharam. No 2º tempo o Magic melhorou na defesa e no ataque contaram com grande atuação de Glen Davis (23 pontos). O Big Baby está numa sequência ótima de partidas, lembrando mais o grande jogador do Celtics do que o pedaço de carne desforme e imprestável do começo da temporada. Uma das melhores frases do dia foi de Doug Collins, técnico do Sixers, sobre o drama de estar perto de perder a vaga nos playoffs: “Todo time da liga vive dramas, menos o San Antonio Spurs”.

A disputa louca pelo fim do Oeste ficou um tiquinho mais interessante no sábado porque o Nuggets, 8º colocado, não aguentou o back-to-back e perdeu para o Golden State Warriors de Brandon Rush (20 pontos). O Nuggets, líder da NBA em pontos de contra-ataque por jogo (19) fez só 10 e tomou 25 do Warriors! “Tem sido assim a temporada inteira. Ganhamos do Chicago e aí perdemos para o Toronto. Vencemos Orlando e perdemos de New Orleans, isso já está ficando ridículo”, disse o sábio Ty Lawson sobre a inconstância de seu Nuggets.

E a coisa piorou para eles quando o Suns, que está na cola do Denver, bateu o Los Angeles Lakers, que jogou sem Kobe Bryant pela primeira vez desde abril de 2010. Com dores na tibia da perna esquerda, Kobe decidiu descansar por um jogo. Curiosamente o time não teve problema nenhum para marcar pontos: Devin Ebanks, seu substituto, fez 12 pontos, 10 só no primeiro quarto. Pau Gasol fez 30, Andrew Bynum 23 e o Lakers como um todo 105. Mas de que adianta tudo isso se é pra tomar 38 pontos no 2º quarto, 37 no 3º e 125 pontos no jogo todo? Péssima defesa de transição, da linha dos 3 pontos, de tudo, foi um nojo. Pelo Suns, 23 pontos do zumbi Michael Redd! Espero que o Suns primeiro dê um aumento pra toda área médica do time, depois que contratem Steph Curry e Andrew Bogut do Warriors.

Ainda no sábado, dois jogos interessantes: Primeiro o Grizzlies se manteve na 5ª posição do Oeste ao derrotar o Dallas Mavericks. Foi a mesma receita da vitória deles sobre o Heat na noite anterior: Venceram o 1º quarto com gosto (29 a 10 dessa vez) e só seguraram a peteca o resto do jogo. Mas não graças à grande inteligência de OJ Mayo e sua homenagem a JaVale McGee:

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Pelo Mavs, Lamar Odom jogou só 4 minutos e não voltou mais à quadra. Nessa segunda anunciaram que ele estará fora do grupo e não joga mais até o fim da temporada. Clássica troca que foi ruim pra todos os lados: Mavs, Lakers, Odom e Kardashian.

O outro jogo interessante foi a revanche entre DeMarcus Cousins e Blake Griffin, depois do primeiro ter chamado o segundo de ator fingidor, que finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente. Bom, não sei se Griffin provou que não é um ator, mas mostrou que seu time é bem melhor. Clippers bateu o Kings por 109 a 94 com 27 pontos e 14 rebotes de Griffin contra 15 pontos e 20 rebotes de Cousins. Vamos torcer para o Kings ser relevante um dia e isso virar um duelo de verdade! Vocês tem noção que o Clippers deu 13 enterradas no jogo inteiro?! Juro que nunca vi isso em um jogo que não fosse o das estrelas. Abaixo 3 dessas enterradas nas 3 primeiras posições do Top 10.

Top 10 da Rodada

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Domingo de Páscoa comendo chocolate mole na estrada

Se não fosse a queda de produção do Sixers, que perdeu de novo no domingo, dessa vez para o Celtics por 103 a 79, o confronto entre Knicks e Bulls de ontem à tarde poderia ser um preview da 1ª rodada dos playoffs. Mas o time de Mike Woodson agora é 7º do Leste e ganhou muita moral ao derrotar o líder da conferência no dia da volta de Derrick Rose. Não que tenham feito uma apresentação impecável, foi um misto de sorte e heroísmo, mas é o tipo de coisa que enche um time de confiança.

Eles começaram arrasando com o Bulls no primeiro período, em que Rose (29 pontos) parecia estar tropeçando nas próprias pernas depois de tanto tempo sem jogar. Mas aos poucos ele e o resto do time voltaram para o jogo. Sem se desesperar com os quase 20 pontos abertos pelo time da casa, se recuperaram. No finalzinho da partida ainda chegaram a abrir 9 pontos de vantagem depois de uma cesta de 3 pontos seguida de falta de Rose, mas aí o jogo virou uma loucura. No minuto final Carmelo Anthony (43 pontos, seu máximo com a camisa do Knicks) cortou a vantagem, Steve Novak quase empatou em uma bola de 3 que girou dentro da cesta, chegou a tocar a redinha e depois pulou fora, o Bulls pode matar o jogo mas perdeu 4 lances-livres seguidos com Derrick Rose e Luol Deng, só então Melo acertou uma bola forçada e maluca de 3 pontos na cara de Taj Gibson para levar o jogo para o tempo extra. Ufa. Só vendo pra entender tudo.

No tempo extra, mais Bulls na frente com infiltrações que só Derrick Rose (e Dragic!!!) poderiam fazer. Mas mesmo assim, deu Knicks. Faltando 9 segundos para o fim da partida, Carmelo Anthony mandou outra bala de 3 pontos do mesmo lugar do tempo normal, dessa vez sobre Deng, para virar o jogo. Defesa forte e Carmelo herói no ataque é um bom roteiro para um time que perdeu seu melhor armador, Jeremy Lin, e seu pontuador no garrafão, Amar’e Stoudemire, mas ainda não sei o limite disso, parece algo bem limitado.

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O resto do domingo não chegou aos pés desse jogo. Teve um jogo com prorrogação e emoção, mas a essa altura da temporada alguém ainda dedica tempo da sua vida pra ver Nets e Cavs?! Mas vale lembrar que com 32 pontos de Gerald Green podemos dizer que ele é, oficialmente, o grande achado da D-League na temporada. Outros jogos fáceis incluem a 11ª vitória seguida do Spurs, dessa vez sobre o Utah Jazz, e uma pausa na boa fase de Raptors e Pistons. Não há momento bom que resista a confrontos contra Thunder e Heat. Kevin Durant meteu 23 pontos para cima do time canadense e LeBron James fez 26 para derrotar seu ex-inimigo Pistons.

Top 10 da Rodada (MEUDEUS como o Gerald Green pula e meus pêsames, Tiago Splitter!)

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Mandar jovens talentos como o Eric Maynor em troca de
nada dá bastante certo, basta perguntar para o Knicks
O Hornets é o pior time do mundo pra fazer trocas. Não é que eles façam trocas idiotas, é que as trocas que eles fazem sequer chegam a se concretizar. Na temporada passada, o time resolveu mandar o Tyson Chandler para o Thunder, mas na hora dos exames médicos o pivô foi diagnosticado com uma lesão grave no pé e não foi liberado para ser trocado. Ou seja, voltou para o Hornets com aquela cara de bunda de quem tomou pé na bunda da namorada mas a namorada voltou porque não arranjou ninguém melhor. Nessa temporada, eles conseguiram mais uma troca que não aconteceu: Devin Brown iria para o Wolves em troca de Jason Hart, o magrelo que quase não entrou em quadra na sua carreira, mas no último segundo, depois da troca já ter sido amplamente anunciada e os jogadores já estarem de malas feitas, o Wolves deu pra trás e preferiu aceitar uma outra troca, dessa vez do Suns.
A troca do Suns mandou Alando Tucker pelo Jason Hart, mas garantiu também que o Suns vai continuar pagando o salário do Tucker nessa temporada. Então, já que o Jason Hart ficou tão concorrido pela primeira vez desde o baile de formatura, lá foi o Devin Brown voltar para o Hornets com cara de bunda, sabendo agora que ele é meio indesejado. O motivo da troca frustrada do Brown é o mesmo que a troca frustrada do Tyson Chandler: economizar umas verdinhas. O Hornets está bastante acima do limite salarial, tendo que pagar multas por isso, e o time fede um bocado. Depois de uma campanha forte nos playoffs e a ideia de que “com apenas mais um grande jogador de banco a gente chega lá”, o Hornets percebeu que era apenas um time mequetrefe que, no momento certo, com o ritmo certo e a mentalidade certa, chegou bem mais longe do que devia. Nem em um bilhão de anos aquele time, com aquelas mesmas peças, conseguiria chegar de novo onde chegou. Bastou o Chris Paul estar sentindo mais o físico para o time despencar e perceber que James Posey, nada além de um bom carregador de piano para vir do banco, não iria fazer milagre. Não tem absolutamente ninguém no elenco capaz de pontuar, já que o Stojakovic é do tempo da tevê Manchete e o David West está longe de ser uma máquina de fazer pontos.
O Devin Brown, por isso, quebra um belo de um galho. Sempre foi subestimado, já chutou traseiros com o Spurs quando foi campeão, já ajudou o Cavs chutando traseiro nos playoffs, e portanto tem mais experiência em pós-temporada do que todo mundo no elenco do Hornets. O rapaz é forte, sabe atacar a cesta, é muito bom nos arremessos de três pontos e aprendeu a ser um bom defensor. Não é muito consistente ofensivamente, mas sempre dá um jeito de contribuir e eu fico aqui pensando o porquê dele ter partidas tão boas e ficar migrando de time para time sem uma casa fixa, parece até o Quentin Richardson. Com média de 10 pontos por jogo já dá pra ser escolhido o macho-alfa do Hornets quando o Chris Paul está de férias, mas com a crise econômica acabou sobrando pra ele.
O ridículo é que o Hornets está nessa situação de não ter pontuadores e estar acima do limite salarial porque o Stojakovic ancião ganha 14 milhões esse ano (e 15 milhões no ano que vem), o lixo do Morris Peterson ganha 6 milhões (ele foi contratado como a grande esperança do time nos arremessos de fora, mesmo que na época qualquer um que assistisse aos seus jogos soubesse que ele era o pior titular da NBA), e o James Posey ganha outros 6 milhões (um tanto salgado para um reserva de luxo). Essa receita todo mundo conhece: umas trocas imbecis e uma caralhada de contratos inflados e você tem um delicioso Knicks para viagem, com refrigerante e batatas médias. Pelo menos como o Chris Paul é um jogador espetacular que faz até os piores companheiros de equipe renderem razoavelmente, o Hornets consegue se safar de ser o Knicks e ao menos luta por uma vaga nos playoffs. Há esperança para esse time voltar a fazer barulho nos playoffs, aliás, mas é só quando esses contratos idiotas terminarem e é necessário assinar com moderação os contratos novos. A equipe está longe de um título, não dá pra ir dando bilhões para jogadores que são tratados como “a peça faltante”. Quando o Magic exagerou no contrato do Rashard Lewis, não dava pra criticar muito porque eles acreditavam que um grande arremessador de três era o que faltava para que o time fosse campeão. E, bem, eles acertaram em cheio e agora não dá pra criticar o contrato inflado. O Hornets não pode pagar Stojakovic, Posey e Peterson como se eles fossem apenas o arremessador que falta para um título, o time está completamente pelado. Chris Paul e David West são a alma da equipe, um par de jogadores inteligentes e que jogam com habilidade e finesse, mas todo o resto dá pra jogar fora e começar de novo. Em plena crise econômica, com os times desesperados quando ultrapassam o limite salarial, é preciso se livrar dos contratos ruins e ter moderação nos novos. Mas se livrar do contrato de 1 milhão do Devin Brown é exagero, o rapaz não merecia essa humilhação enquanto o Stojakovic enche as orelhas com 14 vezes mais grana. Pra provar o ridículo, Devin Brown voltou a jogar pelo Hornets, fingiu que o namoro não tinha terminado e enfiou 30 pontos no Jazz só pra provar que pode. Ou seja, voltou pra casa corno mas deu um trato na patroa.
O Jazz, aliás, também está nessa onda de economizar dinheiro. O armador draftado nessa temporada, Eric Maynor, que se saiu tão absurdamente bem na ausência do Deron Williams, foi trocado para o Thunder. O Jazz recebe um maluco draftado há muito tempo atrás que nunca vai aparecer pra jogar porque está na Europa comendo umas italianas, enquanto o Thunder consegue finalmente um excelente reserva para Russell Westbrook, ampliando ainda mais o núcleo jovem desse time que vai chutar traseiros num futuro bem próximo. Para completar a troca, o toque mágico, o pó de pirlimpimpim: o Jazz manda Matt Harpring para o Thunder. O vovô tem uma infecção no pé, não deve jogar basquete nunca mais (para nosso azar, porque ele é um dos piores comentaristas de basquete do planeta e vai ficar torrando nosso saco), mas seu salário continuava valendo para o Jazz. Agora, o time paga menos taxas por ultrapassar o limite, embora não esteja nem perto de gastar pouco. Tudo porque nessa temporada resolveram ficar com Paul Millsap e Carlos Boozer, sem no entanto procurar ativamente uma troca pelo Boozer quando ele decidiu não ir embora. Com isso, Millsap tem salário de titular mas minutos de reserva, o time tem uma folha salarial de campeão mas campanha digna de Clippers, e a crise econômica acaba obrigando o time a se livrar de bons jogadores a preço de banana. Essa é uma boa maneira de estragar um time bem rápido: se livrar dos jogadores bons e jovens porque você assinou contratos gigantes para uns jogadores velhinhos. O Suns ficou se livrando das escolhas de draft para não gastar o dinheiro que usava nos veteranos e quase acabou se lascando por isso. Acabou dando sorte com carregadores de piano como o Jared Dudley, mas aprenderam a lição e devem começar a colecionar uns novatos antes que esse time morra e eles tenham que reconstruir tudo do zero.
O Eric Maynor foi uma grande sacada do Thunder, que já estava de olho nele desde a época do draft. O time está uma vitória atrás do Jazz, mas tem também um jogo a menos, então vai ser divertido se o Jazz tiver ajudado justamente o time que grudar em sua cola. Os dois brigam pelas vagas finais para os playoffs do Oeste, com a diferença de que o time de Utah é um time com sérios problemas, como o Denis tão bem relatou, enquanto o Thunder é um time jovem, animado, veloz, que está nessa só para adquirir experiência. Por lá não existe pressa, o Kevin Durant já teve anos de carta branca para arremessar como quisesse não importavam quais fossem os resultados, e agora o time testa seu entrosamento sem muitos compromissos com a vitória. O fato de que as vitórias estão vindo é simples fruto do talento e amadurecimento dessa garotada, já que a equipe teve os bagos para se livrar dos jogadores mais velhos e experientes, mesmo que talentosos, para dar minutos integrais e irrestritos para os pirralhos. O amadurecimento veio rápido, mas o que mais intriga com relação à essa equipe é o ânimo dos jogadores. Desde a temporada passada, quando eles estavam flertando também com uma das piores campanhas de todos os tempos, a animação dos jogadores teve uma crescida assustadora e incendiou o time inteiro. O Thunder decidiu trocentas partidas nos segundos finais na temporada passada inteira, aprendeu a ganhar no quarto período com intensidade e vontade, conseguiram começar a segunda metade da temporada ganhando mais do que perdendo e salvaram o recorde patético se tornando um time a ser levado a sério. Não imagino o que tenha acontecido, mas muito provavelmente foi aquela água secreta do Jordan que o Pernalonga dá pro seu time no Space Jam (pra evitar a pior campanha de todos os tempos, o Nets não precisa apenas seguir o exemplo do Thunder, precisa também dessa água do Jordan urgentemente). Desde o começo dessa temporada esse ânimo ainda está lá, e quando jogadores tão talentosos, que evoluem com velocidade de pokémon, querem o seu sangue com tanta intensidade, fica bem claro que eles vão te dar dor de cabeça. E agora com um armador reserva jovem e talentoso, para manter o mote do resto da equipe. Contratos idiotas e má administração dos salários não apenas estraga equipes, mas também favorece muito quem sabe o que está fazendo. O Thunder agradece, e num par de anos vai colher os resultados enquanto Hornets e Jazz vão estar começando do zero. Pra ver se aprendem.

Os novos elencos

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Big Ben nem ouve LeBron, apenas pensa num plano para matar Pavlovic e poder jogar de novo com a camisa número 3

Mal deu tempo de decorar todas as trocas que aconteceram, foram trocentas e as mais importantes se concretizaram de repente, no último minuto, sem sequer terem sido cogitadas na mídia antes. Isso torna nossa vida lendo sites de boatos um bocado inútil, mas agora é tarde, o vício já está feito. A brincadeira da moda, agora, além de namorar pelado e lembrar direitinho de todas as trocas, é assistir os times com suas novas caras.

Dei uma olhada no Mavs de Jason Kidd para ver como estão as coisas. Foram 15 assistências contra o Grizzlies e 17 assistências contra o Wolves, resultando numa média de 11 assistências por jogo e incrívels 4 roubos de bola por partida vestindo a camiseta do Dallas. Assisti a partida contra o Wolves e nos minutos iniciais, fiquei me perguntando se aquele careca perdendo a bola e se confundindo inteiro no ataque era mesmo Jason Kidd ou se era seu filho cabeçudo que resolveu ir trabalhar no lugar do papai que estava doente. Mas aí bastaram quatro assistências em quatro posses de bola seguidas, ainda no primeiro quarto, para que a suspeita desaparecesse. Jason Kidd ainda é o mesmo, só demora um pouco para esquentar e às vezes fica um bocado de escanteio. O Dallas está acostumado a não ter um armador principal, chama muitas jogadas em que Kidd sequer participa, mas durante todo o jogo o talento fala mais alto, os passes vão surgindo com naturalidade, ensaiados ou não, e a vida de todo mundo fica mais fácil. Nowitzki e Jason Terry estão fazendo a festa, tendo arremessos livres que antes nem imaginavam, mas curiosamente é o pivô destrambelhado Erick Dampier quem mais se favoreceu com a chegada do armador. Aquela cara de bocó e a falta de talento são famosas na NBA e ele é constantemente deixado sem marcação. Com a presença de Kidd, falhas de marcação viram enterradas fáceis. Eis aí como Kenyon Martin e Mikki Moore pareciam ser grandes merdas no Nets.

Minha única preocupação com o experimento Kidd, que por enquanto é um sucesso absoluto, é o que diabos o Dallas vai fazer contra os armadores adversários. Kidd foi engolido vivo por Chris Paul em seu primeiro jogo pelo Dallas, mas contra o Wolves também passou bastante vergonha sendo incapaz de parar Sebastian Telfair, o primo menos desmiolado do Marbury. Na hora dos playoffs, Kidd enfrentará Chris Paul, Deron Williams, Tony Parker, Baron Davis. E aí, vão colocar quem para marcar esses caras? Dá para imaginar que tipo de atrocidade Tony Parker e Manu Ginobili fariam sendo defendidos por Kidd e Jason Terry? Fica aí algo no que se pensar. Talvez mandar Trenton Hassel para o Nets não tenha sido uma idéia tão boa assim.

Outro time que estreiou elenco novo foi o Cavs. LeBron está cercado de amiguinhos novos para brincar e eu, pelo menos, gostei muito do resultado. Assisti Cavs e Grizzlies e fiquei muito impressionado com a inteligência e entrosamento imediato do time de Cleveland. Mas pode ter sido só uma ilusão de ótica porque o Grizzlies é tão ruim que até queimou minhas retinas. Ainda assim, Delonte West se saiu bem apesar de não ser um armador tradicional, Wally Szczczczcz(…) fez bem o seu papel apesar de não acertar os malditos arremessos e o Joe Smith mostrou porque era um dos melhores jogadores do Bulls, matando bolas fáceis e sendo consistente. Mas o negócio foi bom mesmo é pro Ben Wallance. Algo a se pensar: o Cavs foi campeão do Leste na temporada passada por ser uma das melhores defesas da NBA, certo? Por ser o time líder em rebotes ofensivos, certo? E o que acontece quando você coloca Big Ben num time voltado para a defesa e para os rebotes ofensivos? Se fosse o Show do Milhão e você respondesse “casamento perfeito”, ganharia os parabéns do Seu Sílvio.

Ben Wallace parece que nasceu para esse esquema, jogou sentindo que pertencia, empolgado, feliz de ter sido trocado. Não forçou um arremesso sequer, passou a bola (ele é melhor passador do que se dá crédito, mesmo nos tempos de Chicago Bulls) e até acertou os lances livres. Depois do jogo, soltou:

“A torcida foi ótima! Não me vaiaram. Isso é novo para mim.”

Pelo contrário, a torcida vibrou loucamente. Ele e Ilgauskas são um par perfeito e vão ter lindos filhinhos brancos com cara de sono e cabelo black power. Eu considero o Ilgauskas o melhor reboteiro ofensivo de toda a NBA. Ele pode não agarrar os rebotes, mas ele está sempre no lugar certo para dar um tapa, atrapalhar, manter a bola viva. É inteligente, salva bolas dando tapinhas para companheiros e isso não está nas estatísticas. Com Big Ben agarrando os rebotes com sua força costumeira, aí está um time assustador com umas quinhentas posses de bola a mais por jogo. Que tal?

Além disso, acho que vale a pena mencionar o Devin Brown. Ele não veio nesse mar de trocas, está no elenco desde o começo da temporada, mas sempre gostei dele desde que foi campeão com o Spurs. E olha que para eu gostar de alguém do Spurs o negócio tem que ser sério. Mas é que Devin Brown ataca a cesta, defende, acerta arremessos importantes e é tipo o avião invisível da Mulher-Maravilha, parece tão idiota que todo mundo esquece que está lá, mas pode salvar a pele da galera na hora do aperto. Pra mim, deveria se manter como titular do Cavs. Até porque a concorrência é mamata: Damon Jones (o auto-entitulado “melhor arremessador do mundo”) está acertando seus arremessos, pode ser mortal às vezes, mas não defende, não arma, não come, não respira – só arremessa.

Como não sou de ferro, resolvi assistir e comentar a nova cara do Houston Rockets. Não porque ele foi transformado por trocas, mas por contusões. Com Yao Ming fora, meu Houston entrou em quadra com Mutombo titular. O resultado? São agora 13 vitórias seguidas, dessa vez em cima do Wizards que, mesmo muito desfalcado, acabara de vencer o Hornets. Tudo isso com plaquinhas na torcida do tipo “Ainda acreditamos” e “13-0, façam pelo Yao!”. Tocante.

Muita gente por aí disse que o Houston deveria assinar o Jamaal Magloire para substituir o Yao Ming. Deixa eu dizer uma coisa: ninguém no mundo precisa do Magloire a não ser que seja para trocar uma lâmpada muito alta ou levar um rodízio de carnes à falência. Acreditem ou não, o Rockets tem banco de reservas para ter uma rotação grande, versátil e sólida. Os pontos no garrafão, meu maior medo sem Yao, não viriam com Magloire, de qualquer jeito. Então, para o bem da geladeira do meu time, é melhor deixar ele para lá.

Para continuar a sequência de vitórias, o Houston teve que encontrar espaços que sumiram sem Yao em quadra. O chinês recebe marcação dupla o tempo todo, gerando muitos arremessos livres de trás da linha de três pontos. Sem ele, a movimentação de bola foi fator fundamental e o Houston passou a bola de forma veloz e inteligente. Os piores momentos do time foram justamente quando T-Mac resolveu forçar o jogo e os passes, até então impecáveis, pararam. Mas o Rockets ganhou o jogo foi mesmo na defesa. Sem poder afunilar o garrafão na direção de Yao, cada um apertou mais seu homem no perímetro e Mutombo mostrou para o que veio.

Lembrem bem disso: nunca desconsiderem Dikembe Mutombo Mpolondo Mukamba Jean-Jacques Wamutombo só porque ele tem 4.000 anos de idade. Ele jogou pouco, foi bastante poupado, mas enquanto esteve em quadra (pouco mais de 20 minutos) deu quatro tocos, um para fora da quadra, e por três vezes fez o clássico sinal de “não” com o dedinho, ganhando uma falta técnica numa dessas vezes porque a NBA é um troço chato e o David Stern come meleca de nariz.

Mutombo deu seus tocos, o novato Carl Landry pegou uma chuva de rebotes ofensivos e acertou arremessos de fora do garrafão que deixaram Yao orgulhoso (o chinês não parou de dar conselhos para o novato no banco de reservas), Chuck Hayes defendeu muito bem cavando faltas e Scola acertou todos os seus arremessos. Aí está o garrafão do Houston. Não é um sonho mas não pode ser desconsiderado. Jogando entrosado como está, com velocidade, se mostrando de repente um dos melhores times da Liga em contra-ataques, talvez a ida aos playoffs aconteça de modo mais fácil do que eu imaginava. Para então sermos comidos vivos por Duncan, Boozer, Gasol, esses caras grandinhos por aí que, como o mundo é injusto, não quebraram o pé esses dias.

Mas nesses tempos em que até o Heat conseguiu uma vitória, tudo é possível.