?Filtro Bola Presa #9

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Chegamos ao último Filtro Bola Presa de 2015! Hora de desejar Feliz Natal e um ótimo ano novo para todos da família de assinantes do blog. Mas saiba que esse fim de ano não foi bom pra todo mundo, por exemplo para Tony Wroten, ex-armador do Philadelphia 76ers que foi dispensado pela equipe para abrir espaço para a troca que trouxe Ish Smith.

Os que ficaram

Os que ficaram

Quando LeBron James resolveu voltar para Cleveland e abandonar a equipe com a qual jogou quatro finais em quatro anos, ganhando dois anéis de campeão no processo, seus parceiros de time precisaram decidir também seus futuros na franquia. Dwyane Wade mostrou o desejo de se aposentar no mesmo Miami Heat que o draftou em 2003, e no qual ele ganhou três campeonatos. Por mais triste que fosse ver seu último par de bons anos numa quadra de basquete sendo gastos em um time em reconstrução, depois de construir esse legado em Miami já não lhe fazia sentido ir embora e tentar se manter relevante em outro lugar. Mas para Chris Bosh, decidir seu futuro era muito mais difícil, especialmente porque o meu Houston Rockets colocou na mesa um contrato máximo de quatro anos para que ele se juntasse a James Harden e Dwight Howard rumo a uma chance real de título. Bosh ter recusado a oferta do Rockets e decidido continuar em Miami é algo que mostra muito de sua personalidade, mas também o modo como a NBA lidou com seu talento desde que foi draftado pelo Toronto Raptors.

Quando chegou à Liga, Bosh já era um protótipo do que viriam a ser os “novos alas de força“, com arremessos de média distância, bom controle de bola e a capacidade de driblar seus marcadores em direção à cesta. Lembrava o Kevin Garnett do começo de carreira, com potencial para armar o jogo e arremessar de fora. Mas por conta do seu tamanho e das limitações do elenco daquele Raptors, Chris Bosh foi improvisado como pivô e apesar de todas as dificuldades físicas pelas quais passou no processo, foi incrivelmente bem sucedido. Estando no Canadá, Bosh aprendeu rapidamente os pontos positivos e negativos de não se localizar no centro da atenção da mídia.

Sem receita

Os últimos dias, recheados de grandes contratações, tem sido combustível para uma série de análises sobre quem venceu e quem perdeu na briga que toda offseason oferece aos times na hora de melhorar seus elencos. Os resultados são bem óbvios: os vencedores são Cleveland Cavaliers com LeBron James, Washington Wizards com Paul Pierce e Dallas Mavericks com Chandler Parsons e o desconto na renovação de contrato de Dirk Nowitzki. Os perdedores são Houston Rockets, que perdeu Parsons e não conseguiu Chris Bosh; o Heat, que manteve o time vice-campeão mas sem o melhor jogador da galáxia; e Brooklyn Nets e Los Angeles Lakers, que perderam bons veteranos, Pierce e Gasol, e não conseguem atrair ou manter bons nomes mesmo estando em grandes centros.

Tendo dito tudo isso, surge uma questão: o quanto cada time é culpado ou merecedor de críticas por esses resultados? O quanto de sorte, talento e planejamento envolve a construção de uma equipe vencedora?

Melo

Comecemos por um time que não venceu o offseason, mas se safou de uma grande derrota. O New York Knicks ficou bem próximo de perder Carmelo Anthony para outra equipe, mas conseguiu, no fim das contas, renovar com o ala. O cenário para Anthony em NY não é dos mais animadores, depois de vários anos de resultado mediano, o time piorou muito no ano passado e não vai muito mudado para a próxima temporada. Amar’e Stoudemire e Andrea Bargnani comem boa parte da folha salarial para jogar pouco e continuam lá, Tyson Chandler foi trocado por José Calderón e o time será treinado por um novato na função, Derek Fisher.

Eu, no lugar de Anthony, já teria dado o fora de NY faz tempo! O Chicago Bulls estava lá prontinho para oferecer um bom contrato pra ele. Um time que já é bom sem Derrick Rose, que tem um dos melhores técnicos da NBA, um sistema de jogo definido e que só precisa de mais poder de fogo para dar o último passo rumo a disputa por títulos. Ele era a mudança! O que o Knicks tinha para oferecer e ofereceu era só esperança: daqui um ano acabam os contratos de Stoudemire e Bargnani, daqui 2 anos surge uma nova safra de Free Agents espetacular e pessoas irão vir jogar conosco.

Acho que é a hora de lembrar que dos grandes nomes do Draft de 2003, LeBron James e Chris Bosh têm 2 títulos cada, Dwyane Wade tem 3. Carmelo Anthony só passou da primeira rodada dos Playoffs duas vezes! Nunca vou colocar culpa individual num resultado coletivo, certamente Melo teria melhores resultados se tivesse mais sorte no Denver Nuggets, se tivesse jogado mais tempo no Leste ou se chegasse em um Knicks mais bem organizado. Nada disso é culpa dele. Porém passa a ser um pouco quando ele tem finalmente a chance de definir seus rumos na carreira e foge dos melhores lugares para se jogar.

Bosh

E é aí que temos que dar todos os parabéns para Phil Jackson, novo General Manger e faz-tudo do New York Knicks. Após seu novo contrato, Melo disse que foi difícil recusar um trabalho para o técnico mais vencedor da NBA nas últimas décadas, e que acreditou em seu plano. Ao ler isso, cheguei a conclusão de que para montar um bom time você não precisa de um bom General Manager apenas, mas de alguém com boa lábia e uma imagem muito boa dentro da liga. A ideia de uma troca ou contratação ou argumentação pode vir de qualquer um na diretoria, mas ela deve ser apresentada por alguém que cause uma boa impressão. Vender uma contratação é vender o imprevisível futuro, mas com um tempero romantizado do passado. Ninguém faz isso melhor do que os caras rodados, vencedores e idolatrados da liga: eu venci no passado e, logo, vencerei no futuro. Como se fosse tão fácil, né Felipão?

Dá pra interpretar que o argumento de Phil Jackson para Carmelo Anthony foi mais ou menos o seguinte: cheguei agora e preciso de tempo para arrumar as coisas, espera mais um ano aí, ganhando muito dinheiro, e você fará parte de tudo. Simples assim, e aí um dos melhores jogadores do planeta abraçou e colocou seus últimos anos no auge do basquete nas mãos dele.

Lembra um pouco o que Pat Riley fez com LeBron James em 2010. Foi lá, fez a proposta, mostrou sua coleção de anéis de campeão e disse que sabia o caminho das pedras. Se era pra se juntar com Wade e Bosh, que fosse no time comandando por um vencedor como Riley. Dá pra dizer que o presidente do Heat usou esse artifício mais uma vez em 2014, mas dessa vez não em LeBron, mas de Chris Bosh. Ele tinha a proposta dos sonhos em Houston: seria muito bem pago para ser o veterano que lidera um time jovem, talentosíssimo e que só pediria de Bosh aquilo que ele pode oferecer. Nada de exigir que ele jogue de costas para a cesta ou coisas que já o irritaram no passado. Mas Riley ofereceu o que podia, além do quinto ano de contrato que o Houston não era autorizado, a chance de ser o cara de um time que não quer se reconstruir perdendo, mas se mantendo entre os melhores. Riley garantiu manter o alto nível para os próximos 2 anos e, depois, uma nova reestruturação. Contratou Luol Deng e renovou com Mario Chalmers e Chris Andersen apenas até 2016. Só Bosh e Wade ficam nos planos a longo prazo, claro.

Riley

Não dá pra ignorar que tanto Pat Riley quanto Phil Jackson, além de encantar com suas histórias de sucesso, falam muito em confiança. Pode deixar com eles que tudo será resolvido, há um plano de médio a longo prazo e tudo dará certo. E, importante, será feito em volta desses super jogadores. Isso explica um pouco do fracasso do Houston Rockets nesta offseason.

Eu já tinha achado estranho na temporada passada quando Dwight Howard havia hesitado tanto antes de ir para o Rockets, time que era obviamente a melhor opção para ele em todos os aspectos. Precisou de muita lábia e até de dezenas de mensagens diárias de, vejam só, Chandler Parsons, que se aproximou do pivô para falar das maravilhas de se trabalhar e viver em Houston. Um ano depois Parsons vai embora do time se dizendo decepcionado e frustrado com a maneira que as coisas aconteceram. Abaixo suas palavras em entrevista ao Yahoo!Sports:

“Honestamente, me senti ofendido pela maneira com que o processo foi conduzido. Eles disseram publicamente que queriam uma terceira estrela para o time e eu acho que tinham uma bem na frente deles. É a maneira com que eles me veem como jogador, mas eu acho que ainda nem cheguei perto de todo o meu potencial”.

Depois, ao longo da entrevista, Parsons até diz que entende o que  Daryl Morey, “um manager muito agressivo”, estava tentando fazer, mas claramente há um ressentimento. E não sabemos como James Harden e principalmente Dwight Howard, atraído ao time por Parsons, vão reagir a saída de um dos principais jogadores do time. Mesmo com a chegada do veterano Trevor Ariza para o seu lugar, é uma baita mudança e que claramente não melhora o time a ponto de ambicionar muito mais coisas. Morey não é do meio do basquete, nunca jogou, nunca foi campeão e tenta ser pioneiro no uso de tecnologias e estatísticas na NBA. Ele pode estar se tornando aquele pioneiro que se fere por ser o primeiro a pisar no território, mas pode não sobrevive para aproveitar tudo o que descobriu.

O caso me lembra um pouco o do Minnesota Timberwolves com Kevin Love e o antigo GM, David Kahn. Entre muitos erros e alguns acertos, o agressivo e criativo Kahn chegou a montar bons elencos no Wolves, mas na temporada seguinte tudo era alterado na eterna busca por melhora. Uma vez Love se disse simplesmente cansado de sempre ter que começar do zero todo santo ano. Em geral, jogadores gostam de estabilidade para eles e para seus colegas favoritos. Mudança, só quando está dando tudo errado e com data marcada (como as de Knicks e Heat), não a qualquer momento, como acontecesse com o Rockets. Será que isso não pesou na escolha de Bosh? Os jogadores confiam no que Morey está fazendo? Descartar Jeremy Lin e Omer Asik dois anos depois de lutar tanto por eles não ajuda a reputação.

Parsons

Mas há um mérito nisso tudo. Se o Rockets muda demais, é porque eles não se contentam com o meio da tabela. Daryl Morey sabe que o mesmo time do ano passado teria que evoluir em muita coisa para lutar por um título, e que o caminho mais rápido para essa evolução era a adição de um outro jogador fora de série. A ideia era manter Bosh e Chandler e eles criaram um bom cenário para os dois ficarem, houve planejamento. Apenas não contavam com a decisão de Bosh de ser o capitão que afunda com o navio em Miami; nem com o Dallas Mavericks oferecendo um dinheiro surreal para Chandler. Chegou ao ponto em que reassinar o ala seria garantir pelo menos 3 anos onde o Rockets não teria flexibilidade econômica para novas negociações, dá pra imaginar a agonia de Morey com um mundo onde ele não pudesse trocar ninguém?

O cenário lembra, um pouco, de longe, o do Los Angeles Lakers. O time sai como um grande derrotado dessa offseason, é claro: entrou no Draft e nas negociações por Free Agents sem nem ter um técnico, sem ter um armador e com pouquíssimos jogadores garantidos no elenco. Só depois de perder na briga por LeBron James, Carmelo Anthony, Chris Bosh e até Dirk Nowitzi que se contentaram em reassinar alguns jogadores do ano passado (Jordan Hill e Nick Young) e trocar por Jeremy Lin. Mas talvez a maior humilhação tenha sido quando Pau Gasol recusou uma proposta mais lucrativa do Lakers pela chance de ir para o Bulls.

A proposta de GM Mitch Kupchak é parecida com a de Morey, simplesmente não vale a pena lutar pelo meio da tabela. Se o Lakers não conseguiu quem queria, deixou os nomes medianos para trás e pelo jeito só fará o básico necessário para ter um elenco completo no próximo ano. O problema é que o Houston faz isso já estando no meio da tabela, com tudo para ir para os Playoffs e tudo mais, enquanto o Lakers está no fundo da conferência e prestes a ser ultrapassado por Utah Jazz e Sacramento Kings. O dilema em Los Angeles é conseguir ter espaço salarial para a próxima super estrela, mas ao mesmo tempo criar um time bom o bastante para atrair esse jogador. Quem quer ir jogar num time sem técnico e cujas maiores estrelas, Kobe Bryant e Steve Nash, não dão nenhuma garantia de que estarão saudáveis no próximo ano? O tal “grande mercado”, as cidades interessantes dos EUA, até tem seus atrativos, mas não fazem milagre.

Kupchak

O ponto disso tudo é que para conseguir jogadores bom, além do Draft e de trocas, você precisa ser interessante. Pois é, com toda a subjetividade que a palavra tem nela. Para LeBron James em especial, e só ele, ser um time no noroeste de Ohio é ser interessante. E tanto faz que o Cleveland Cavaliers é uma franquia fracassada, mal dirigida e que tomou decisões péssimas nos últimos mil anos, ele quer ir pra lá para ajudar a resolver. Para o Knicks, quando deixou de bastar estar na maior cidade dos EUA, eles chamaram Phil Jackson para se tornarem mais atrativos, como fez Miami, que juntou os baixos impostos da Flórida e as praias com Pat Riley e um histórico recente de vitórias.

O Lakers, por outro lado, vive um momento de indecisão. Alguns acham que Mitch Kupchak daria o fora depois que o antigo dono do time, Jerry Buss, morreu no ano passado. Ele ficou, mas está na corda bamba e dependendo de boas contratações para se segurar no cargo, uma dessas escolhas é do técnico. Que jogador de alto nível escolha ir para um time sem treinador? Não faz sentido. E se jogar ao lado de Kobe não é das coisas mais fáceis, o que dirá de um Kobe que volta de duas lesões sérias aos 30 e muitos anos de idade?

No momento, o Lakers apela para sua história e para as raízes de alguns jogadores. Será que ano que vem Kevin Love quer voltar para sua amada Califórnia, onde jogou pela UCLA? Será que Kevin Durant que sair de Oklahoma City e viver ‘onde tudo acontece’? É pouco para um time se apoiar nisso, espero que o planejamento seja maior do que isso. Mas o pior é que pode dar certo.

Podcast Bola Presa – Edição 28

Nesta mais nova edição de nosso Podcast, quase que fizemos um especial temático. Mas foi sem querer.

Falamos com algum atraso da contração de Andrew Bynum pelo Indiana Pacers de Roy Hibbert, também comentamos uma declaração de Patrick Ewing, assistente do Charlotte Bobcats, sobre um preconceito em se contratar pivôs para a posição de treinador na NBA.

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Comentamos também de Chris Bosh, Anthony Davis, Yao Ming (coisa do Danilo, claro) e, por fim, da troca de técnico do Detroit Pistons, que mandou embora Mo Cheeks e agora cogita trazer Lionel Hollins. No resumo da ópera, passamos uns 40 minutos falando de pivôs.

Depois fizemos a coisa menos importante que já fizemos num Podcast. Comentamos o incomentável, falamos dos participantes de todos os eventos do All-Star Weekend. De que valem previsões e comentários sobre uma grande brincadeira sem importância? Nós tentamos.

No Both Teams Played Hard, semanas e semanas de perguntas acumuladas: teve comentários sobre o final de ‘Amor à Vida’, um update no caso do ladrão de escritório, Carmelo Anthony no Chicago Bulls, Grant Hill tomando iogurte, prazer anal, a volta do Poeta das Ruas, Houston Rockets e um estagiário incomodado com seu superior machista.

 

Complicações do tri

Complicações do tri

O normal para um time campeão é entrar no ano seguinte como o grande favorito para mais um título. Algumas exceções são os times que se desmontam, como o Chicago Bulls após a aposentadoria de Michael Jordan ou o caso do desmanche recente do Dallas Mavericks, mas em geral é meio que uma lei que enquanto alguém tem a coroa, é o time a ser batido, o modelo a ser seguido, a escolha segura na bolsa de apostas.

Não vou questionar isso, o motivo para o favoritismo é claro e compreensível. É bastante comum um time campeão conseguir repetir o título no ano seguinte, ou pelo menos chegar bem perto disso. A NBA não é Brasileirão e é, até certa profundidade, previsível. Mas para analisar o caso do Miami Heat, o atual campeão, a análise deve ir um pouco mais longe. Se a gente olhar bem, o Heat tem muitos indicadores que mostram que vai ser complicadíssimo repetir o sucesso do último ano.

Heat 2013

Primeiro temos que lembrar o quanto é raro um time conseguir chegar a 4 finais consecutivas. O Heat não é só o atual campeão, mas tem dois títulos em sequência e antes disso o time de LeBron James foi derrotado pelo citado Mavs em 2011. O último time a alcançar 4 finais consecutivas foi o Boston Celtics, que conseguiu chegar na decisão em 1983, 84, 85 e 86, mesma época que o LA Lakers o fez em 1982, 83, 84 e 85. Antes disso, só o mesmo Boston Celtics naquela maluca sequência de 9 títulos em 10 finais entre 1957 e 1966. Ou seja, é raro, é difícil e só aconteceu em épocas pré-salary cap onde era muito mais fácil reunir super estrelas no mesmo time.

Já o último time a conseguir a marca de 3 finais seguidas que o Heat ostenta foi o recente Lakers, que fez o mesmo caminho dos atuais campeões: um vice-campeonato, em 2008, seguido de um bi. A fórmula do Lakers foi montar um time experiente, entrosado e mexer o mínimo possível no grupo de um ano para o outro. Deu certo até que, de repente, todo mundo parecia muito lento, velho e desmotivado. Se o gênio Phil Jackson e o cyborg Kobe Bryant não conseguiram a tal quarta final nenhuma vez na carreira (e os dois são pródigos em tri-campeonatos) é porque a coisa é complicada mesmo.

O mesmo aconteceu com outras equipes, mesmo as que não chegaram em tantas finais seguidas. O Detroit Pistons da década passada, o Boston Celtics dos últimos anos e, com altos e baixos, até o San Antonio Spurs. Todos eles sofreram com o envelhecimento do elenco e com o sistema de jogo, vencedor mas gasto, que de pouco em pouco vai sendo desvendado pelos seus adversários. Na história da NBA é comum que grupos só cheguem próximos do título quando tem mais experiência, mais ou menos quando a média de idade fica lá pelos 28 ou 29 anos, mas isso quer dizer que poucos anos depois o grupo já está naquele perigoso momento dos 30 onde aparecem dores que nunca tinham aparecido antes na vida.

Resumido toda essa enrolação: é raríssimo equipes chegarem a 4 finais seguidas, times experientes vão longe, mas logo eles passam de experientes para velhos e, finalmente, eventualmente as pessoas descobrem como bater os imbatíveis. Vamos situar o Miami Heat em todas essas categorias?

Antes de mais nada, o Miami Heat é um time experiente. Com 30.1 anos de média, é o time mais velho desta temporada, até mais do que o tão criticado asilo do Brooklyn Nets. O time também é o mais rodado da liga, seus jogadores tem, em média, 8.3 temporadas de NBA nas costas, 1 a mais do que o Nets, segundo colocado. A espinha dorsal do time é o trio LeBron James, Dwyane Wade e Chris Bosh, que surgiu par a NBA ao mesmo tempo, no Draft 2003, uma década atrás. O elenco de apoio tem em seus principais nomes jogadores que surgiram ainda antes deles, caras como Ray Allen, Shane Battier, Rashard Lewis, Udonis Haslem, Joel Anthony e Chris Andersen. Mais novos só coadjuvantes como Mario Chalmers e Norris Cole. Não custa lembrar que Wade e Bosh ainda fizeram faculdade antes de LeBron, são mais velhos, e as constantes lesões no joelho de Wade são um sinal amarelo gigante sobre a franquia. Enquanto ele estiver rápido e cortando defesas, eles são quase imbatíveis, com ele devagar a equipe fica previsível, estagnada e sem opções de arremessos de longa distância. Nos Playoffs da última temporada Wade teve momentos irreconhecíveis, mas nos jogos mais importantes ele se superou e fez bonito. Até quando a superação vai vencer o joelho?

A questão física, ligada diretamente a idade dos jogadores, é fundamental para o Miami Heat. Eles podem se dar ao luxo de jogar sem pivô e com um time baixo porque o time é atlético, veloz, com especialistas em defesa e assim conseguem cobrir a quadra inteira, dobrar a marcação quando preciso e raramente deixar alguém livre para arremessar. É um time entrosado e bem treinado por Erik Spoelstra, mas a base de tudo está na capacidade física da equipe, que talvez precise usar quintetos não tão atléticos para compensar algumas velas a mais no bolo da galera. Pode parecer exagero meu (e talvez seja no fim das contas), mas é comum ver bons jogadores sumirem de um ano para o outro quando já estão com 30 e vários anos. Um dia parece que envelheceram bem, no outro estão esquentando banco. Até o sensacional, espetacular e salve-salve Tim Duncan teve um par de temporadas fracas (para seu nível) quando ele não estava bem com seu corpo. E estamos falando de um cara que não depende da força física para render bem numa quadra de basquete.

Wade

A outra questão do Heat é o esquema tático, será que os adversários já sabem como batê-los? Este é um caso interessante. Foram três finais e vimos três Heats diferentes em cada ano. O primeiro era um time bem mais lento, individualista e que ralou para aprender a jogar em equipe. No ano seguinte já era um time mais enturmado, que sabia usar mais e melhor os contra-ataques e que já aceitava melhor LeBron James como o principal armador de jogadas, sem bater cabeça com Wade. O time do bi-campeonato foi uma evolução do anterior, mas uma evolução que resultou numa cara totalmente nova. Adeus pivôs, adeus tradicionalismo e Erik Spoelstra resolveu adotar o basquete sem posições fixas, com todo mundo fazendo tudo. Eram muitos arremessadores, time baixo, aberto e agressivo. Então qual será o Miami Heat da próxima temporada? Mais lento como o do primeiro ano? Um repeteco do time vencedor do ano passado? Ou voltarão a usar pivôs e formações mais tradicionais para compensar alguns problemas físicos? Ou, por fim, será que Erik Spoelstra tem mais uma carta na manga? Difícil saber antes sequer da pré-temporada.

No ano passado vimos Chicago Bulls, Indiana Pacers e San Antonio Spurs apresentando diversas alternativas bastante efetivas para parar o Heat. O Spurs mostrou como a movimentação de bola rápida pode matar até a defesa veloz deles, o Pacers torturou os caras com rebotes ofensivos e uma quinteto alto, eficiente no jogo de costas para a cesta. O Bulls obrigou o Heat a jogar na meia quadra e adotou uma defesa tão física quanto a que o Heat impõe sobre seus adversários. São caminhos que esses e outros times podem seguir e tentar executar um com um pouco mais de eficiência. Mas, novamente, depende do caminho que o Heat escolher seguir. O comum são times campeões repetirem o que dá certo, mas o Heat tem mudado bastante de ano para a ano.

Não podemos também esquecer da questão mental. O Miami Heat está motivado e preparado para mais um ano longo, difícil e trabalhoso? Se aqui temos ressaca pós-Libertadores, lá eles também tem aquele relaxamento após uma grande conquista. Dirk Nowitzki pode comprovar isso pra vocês, é comum. Claro que o LeBron James já se disse motivado, ele afirmou que quer ser o melhor da história, assim como não quer voltar a ouvir que é pipoqueiro, mas e o resto do grupo? Cansa ser campeão. E precisa de humildade pra aceitar que o nível de esforço tem que ser até maior que a do ano anterior. Vai ser um desafio para o lado motivador do técnico Spoelstra, conhecido mais pelo seu conhecimento técnico e tático do jogo.

Como disse no começo do texto, acho que qualquer campeão entra como favorito no ano seguinte. Se esse time tem o melhor jogador da galáxia, ganha ainda um bônus. O melhor jogador em questão, LeBron James, vai na contramão do grupo e está veloz, forte e mais em forma do que nunca. Mas quero deixar claro que os desafios são gigantes e que as chances de tudo dar errado são maiores do que na temporada passada. O curioso é que um par de contratações pode resolver uma parte desses problemas, contratações que foram vistas mais como curiosidades do que como algo relevante dentro da quadra: Michael Beasley e Greg Oden.

Beasley

O passado recente não nos faz acreditar no basquete de um e nem no joelho do outro, mas na teoria eles podem trazer o que o Miami Heat busca. Nos seus melhores dias, Michael Beasley é um bom arremessador que é perfeitamente capaz de jogar num esquema tático rápido e agressivo. Vai precisar aprender a segurar menos a bola, mas só de ter a sombra de James e Wade do seu lado deve ajudar. Na temporada passada o Heat foi espetacular quando Wade estava no banco e James jogava cercado de grandes arremessadores como Ray Allen, Shane Battier e Chris Bosh. É nesse formato que Beasley pode entrar, é só acertar os arremessos. Fazer aquela cabeça oca se dedicar na defesa (não estamos nem pedindo para defender bem, só esforço) não vai ser fácil, mas talvez ajude o fato da água estar no seu pescoço. Seu contrato não é garantido e talvez ele nem comece a temporada em Miami. É ralar ou ir procurar emprego na liga chinesa.

Greg Oden, apesar das fotos que vemos dele, não tem 70 anos de idade. Ele é jovem ainda e se seu joelho funcionar, pode ser um bom pivô defensivo na NBA. Não vamos nem pedir para ser o cara dominante, o Bill Russell moderno que ele prometia ser no Draft 2007. É só para se movimentar sem desmontar, proteger o garrafão, dar tocos e pegar um punhado de rebotes. Em outras palavras, um Joel Anthony que saiba jogar basquete. Como disse acima, o Indiana Pacers mostrou que um par de jogadores de garrafão pode fazer estragos no Miami Heat, Roy Hibbert e David West os engoliram nos Playoffs do ano passado. Aí ficou aquele cobertor curto de deixar um time baixo, melhor no ataque mas que apanhava na defesa, ou alto, com jogadores incapazes de segurar uma bola lá na frente, mas que podiam pelo menos contestar Hibbert no garrafão. Oden, se num nível decente, pode ser um ótimo defensor e ainda ser um pivô útil, capaz de receber passes, no ataque. Aproveitando que está em Miami, acho que Greg Oden poderia se focar no exemplo do final de carreira de Alonzo Mourning. Sem o físico da juventude, após muitas cirurgias, Zo virou um especialista em defesa, que aprendeu a usar o timing e seu tamanho para compensar a perda da explosão física. No ataque bastava ser boa opção no pick-and-roll.

Não acho que o Miami Heat dependa do sucesso dos dois para dar certo. Ainda bem, aliás, é tudo bem pouco provável. Mas se por algum motivo as coisas derem certo, poderá ser um pequeno gás de renovação, mudança e alternativas que o Miami Heat precisa para aguentar mais um ano no topo. É o último ano de contrato do time inteiro, vale o esforço para entrar na história.

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