Sem receita

Os últimos dias, recheados de grandes contratações, tem sido combustível para uma série de análises sobre quem venceu e quem perdeu na briga que toda offseason oferece aos times na hora de melhorar seus elencos. Os resultados são bem óbvios: os vencedores são Cleveland Cavaliers com LeBron James, Washington Wizards com Paul Pierce e Dallas Mavericks com Chandler Parsons e o desconto na renovação de contrato de Dirk Nowitzki. Os perdedores são Houston Rockets, que perdeu Parsons e não conseguiu Chris Bosh; o Heat, que manteve o time vice-campeão mas sem o melhor jogador da galáxia; e Brooklyn Nets e Los Angeles Lakers, que perderam bons veteranos, Pierce e Gasol, e não conseguem atrair ou manter bons nomes mesmo estando em grandes centros.

Tendo dito tudo isso, surge uma questão: o quanto cada time é culpado ou merecedor de críticas por esses resultados? O quanto de sorte, talento e planejamento envolve a construção de uma equipe vencedora?

Melo

Comecemos por um time que não venceu o offseason, mas se safou de uma grande derrota. O New York Knicks ficou bem próximo de perder Carmelo Anthony para outra equipe, mas conseguiu, no fim das contas, renovar com o ala. O cenário para Anthony em NY não é dos mais animadores, depois de vários anos de resultado mediano, o time piorou muito no ano passado e não vai muito mudado para a próxima temporada. Amar’e Stoudemire e Andrea Bargnani comem boa parte da folha salarial para jogar pouco e continuam lá, Tyson Chandler foi trocado por José Calderón e o time será treinado por um novato na função, Derek Fisher.

Eu, no lugar de Anthony, já teria dado o fora de NY faz tempo! O Chicago Bulls estava lá prontinho para oferecer um bom contrato pra ele. Um time que já é bom sem Derrick Rose, que tem um dos melhores técnicos da NBA, um sistema de jogo definido e que só precisa de mais poder de fogo para dar o último passo rumo a disputa por títulos. Ele era a mudança! O que o Knicks tinha para oferecer e ofereceu era só esperança: daqui um ano acabam os contratos de Stoudemire e Bargnani, daqui 2 anos surge uma nova safra de Free Agents espetacular e pessoas irão vir jogar conosco.

Acho que é a hora de lembrar que dos grandes nomes do Draft de 2003, LeBron James e Chris Bosh têm 2 títulos cada, Dwyane Wade tem 3. Carmelo Anthony só passou da primeira rodada dos Playoffs duas vezes! Nunca vou colocar culpa individual num resultado coletivo, certamente Melo teria melhores resultados se tivesse mais sorte no Denver Nuggets, se tivesse jogado mais tempo no Leste ou se chegasse em um Knicks mais bem organizado. Nada disso é culpa dele. Porém passa a ser um pouco quando ele tem finalmente a chance de definir seus rumos na carreira e foge dos melhores lugares para se jogar.

Bosh

E é aí que temos que dar todos os parabéns para Phil Jackson, novo General Manger e faz-tudo do New York Knicks. Após seu novo contrato, Melo disse que foi difícil recusar um trabalho para o técnico mais vencedor da NBA nas últimas décadas, e que acreditou em seu plano. Ao ler isso, cheguei a conclusão de que para montar um bom time você não precisa de um bom General Manager apenas, mas de alguém com boa lábia e uma imagem muito boa dentro da liga. A ideia de uma troca ou contratação ou argumentação pode vir de qualquer um na diretoria, mas ela deve ser apresentada por alguém que cause uma boa impressão. Vender uma contratação é vender o imprevisível futuro, mas com um tempero romantizado do passado. Ninguém faz isso melhor do que os caras rodados, vencedores e idolatrados da liga: eu venci no passado e, logo, vencerei no futuro. Como se fosse tão fácil, né Felipão?

Dá pra interpretar que o argumento de Phil Jackson para Carmelo Anthony foi mais ou menos o seguinte: cheguei agora e preciso de tempo para arrumar as coisas, espera mais um ano aí, ganhando muito dinheiro, e você fará parte de tudo. Simples assim, e aí um dos melhores jogadores do planeta abraçou e colocou seus últimos anos no auge do basquete nas mãos dele.

Lembra um pouco o que Pat Riley fez com LeBron James em 2010. Foi lá, fez a proposta, mostrou sua coleção de anéis de campeão e disse que sabia o caminho das pedras. Se era pra se juntar com Wade e Bosh, que fosse no time comandando por um vencedor como Riley. Dá pra dizer que o presidente do Heat usou esse artifício mais uma vez em 2014, mas dessa vez não em LeBron, mas de Chris Bosh. Ele tinha a proposta dos sonhos em Houston: seria muito bem pago para ser o veterano que lidera um time jovem, talentosíssimo e que só pediria de Bosh aquilo que ele pode oferecer. Nada de exigir que ele jogue de costas para a cesta ou coisas que já o irritaram no passado. Mas Riley ofereceu o que podia, além do quinto ano de contrato que o Houston não era autorizado, a chance de ser o cara de um time que não quer se reconstruir perdendo, mas se mantendo entre os melhores. Riley garantiu manter o alto nível para os próximos 2 anos e, depois, uma nova reestruturação. Contratou Luol Deng e renovou com Mario Chalmers e Chris Andersen apenas até 2016. Só Bosh e Wade ficam nos planos a longo prazo, claro.

Riley

Não dá pra ignorar que tanto Pat Riley quanto Phil Jackson, além de encantar com suas histórias de sucesso, falam muito em confiança. Pode deixar com eles que tudo será resolvido, há um plano de médio a longo prazo e tudo dará certo. E, importante, será feito em volta desses super jogadores. Isso explica um pouco do fracasso do Houston Rockets nesta offseason.

Eu já tinha achado estranho na temporada passada quando Dwight Howard havia hesitado tanto antes de ir para o Rockets, time que era obviamente a melhor opção para ele em todos os aspectos. Precisou de muita lábia e até de dezenas de mensagens diárias de, vejam só, Chandler Parsons, que se aproximou do pivô para falar das maravilhas de se trabalhar e viver em Houston. Um ano depois Parsons vai embora do time se dizendo decepcionado e frustrado com a maneira que as coisas aconteceram. Abaixo suas palavras em entrevista ao Yahoo!Sports:

“Honestamente, me senti ofendido pela maneira com que o processo foi conduzido. Eles disseram publicamente que queriam uma terceira estrela para o time e eu acho que tinham uma bem na frente deles. É a maneira com que eles me veem como jogador, mas eu acho que ainda nem cheguei perto de todo o meu potencial”.

Depois, ao longo da entrevista, Parsons até diz que entende o que  Daryl Morey, “um manager muito agressivo”, estava tentando fazer, mas claramente há um ressentimento. E não sabemos como James Harden e principalmente Dwight Howard, atraído ao time por Parsons, vão reagir a saída de um dos principais jogadores do time. Mesmo com a chegada do veterano Trevor Ariza para o seu lugar, é uma baita mudança e que claramente não melhora o time a ponto de ambicionar muito mais coisas. Morey não é do meio do basquete, nunca jogou, nunca foi campeão e tenta ser pioneiro no uso de tecnologias e estatísticas na NBA. Ele pode estar se tornando aquele pioneiro que se fere por ser o primeiro a pisar no território, mas pode não sobrevive para aproveitar tudo o que descobriu.

O caso me lembra um pouco o do Minnesota Timberwolves com Kevin Love e o antigo GM, David Kahn. Entre muitos erros e alguns acertos, o agressivo e criativo Kahn chegou a montar bons elencos no Wolves, mas na temporada seguinte tudo era alterado na eterna busca por melhora. Uma vez Love se disse simplesmente cansado de sempre ter que começar do zero todo santo ano. Em geral, jogadores gostam de estabilidade para eles e para seus colegas favoritos. Mudança, só quando está dando tudo errado e com data marcada (como as de Knicks e Heat), não a qualquer momento, como acontecesse com o Rockets. Será que isso não pesou na escolha de Bosh? Os jogadores confiam no que Morey está fazendo? Descartar Jeremy Lin e Omer Asik dois anos depois de lutar tanto por eles não ajuda a reputação.

Parsons

Mas há um mérito nisso tudo. Se o Rockets muda demais, é porque eles não se contentam com o meio da tabela. Daryl Morey sabe que o mesmo time do ano passado teria que evoluir em muita coisa para lutar por um título, e que o caminho mais rápido para essa evolução era a adição de um outro jogador fora de série. A ideia era manter Bosh e Chandler e eles criaram um bom cenário para os dois ficarem, houve planejamento. Apenas não contavam com a decisão de Bosh de ser o capitão que afunda com o navio em Miami; nem com o Dallas Mavericks oferecendo um dinheiro surreal para Chandler. Chegou ao ponto em que reassinar o ala seria garantir pelo menos 3 anos onde o Rockets não teria flexibilidade econômica para novas negociações, dá pra imaginar a agonia de Morey com um mundo onde ele não pudesse trocar ninguém?

O cenário lembra, um pouco, de longe, o do Los Angeles Lakers. O time sai como um grande derrotado dessa offseason, é claro: entrou no Draft e nas negociações por Free Agents sem nem ter um técnico, sem ter um armador e com pouquíssimos jogadores garantidos no elenco. Só depois de perder na briga por LeBron James, Carmelo Anthony, Chris Bosh e até Dirk Nowitzi que se contentaram em reassinar alguns jogadores do ano passado (Jordan Hill e Nick Young) e trocar por Jeremy Lin. Mas talvez a maior humilhação tenha sido quando Pau Gasol recusou uma proposta mais lucrativa do Lakers pela chance de ir para o Bulls.

A proposta de GM Mitch Kupchak é parecida com a de Morey, simplesmente não vale a pena lutar pelo meio da tabela. Se o Lakers não conseguiu quem queria, deixou os nomes medianos para trás e pelo jeito só fará o básico necessário para ter um elenco completo no próximo ano. O problema é que o Houston faz isso já estando no meio da tabela, com tudo para ir para os Playoffs e tudo mais, enquanto o Lakers está no fundo da conferência e prestes a ser ultrapassado por Utah Jazz e Sacramento Kings. O dilema em Los Angeles é conseguir ter espaço salarial para a próxima super estrela, mas ao mesmo tempo criar um time bom o bastante para atrair esse jogador. Quem quer ir jogar num time sem técnico e cujas maiores estrelas, Kobe Bryant e Steve Nash, não dão nenhuma garantia de que estarão saudáveis no próximo ano? O tal “grande mercado”, as cidades interessantes dos EUA, até tem seus atrativos, mas não fazem milagre.

Kupchak

O ponto disso tudo é que para conseguir jogadores bom, além do Draft e de trocas, você precisa ser interessante. Pois é, com toda a subjetividade que a palavra tem nela. Para LeBron James em especial, e só ele, ser um time no noroeste de Ohio é ser interessante. E tanto faz que o Cleveland Cavaliers é uma franquia fracassada, mal dirigida e que tomou decisões péssimas nos últimos mil anos, ele quer ir pra lá para ajudar a resolver. Para o Knicks, quando deixou de bastar estar na maior cidade dos EUA, eles chamaram Phil Jackson para se tornarem mais atrativos, como fez Miami, que juntou os baixos impostos da Flórida e as praias com Pat Riley e um histórico recente de vitórias.

O Lakers, por outro lado, vive um momento de indecisão. Alguns acham que Mitch Kupchak daria o fora depois que o antigo dono do time, Jerry Buss, morreu no ano passado. Ele ficou, mas está na corda bamba e dependendo de boas contratações para se segurar no cargo, uma dessas escolhas é do técnico. Que jogador de alto nível escolha ir para um time sem treinador? Não faz sentido. E se jogar ao lado de Kobe não é das coisas mais fáceis, o que dirá de um Kobe que volta de duas lesões sérias aos 30 e muitos anos de idade?

No momento, o Lakers apela para sua história e para as raízes de alguns jogadores. Será que ano que vem Kevin Love quer voltar para sua amada Califórnia, onde jogou pela UCLA? Será que Kevin Durant que sair de Oklahoma City e viver ‘onde tudo acontece’? É pouco para um time se apoiar nisso, espero que o planejamento seja maior do que isso. Mas o pior é que pode dar certo.

Dominó

Dominó

Todo ano as coisas são mais ou menos parecidas, mas neste ano em especial, a época de contratações de Free Agents foi uma grande fileira de dominós. Muitas coisas foram conversadas, mais ou menos acertadas, mas uma ou duas ações precisavam ser tomadas para os eventos se desenrolarem. E vai aí um pequeno relato de como as coisas aconteceram nos últimos dias.

Parsons

Tudo começou com o Dallas Mavericks fazendo um joguinho com seu rival de divisão e estado, o Houston Rockets. O time de Mark Cuban surpreendeu a todos quando ofereceu um contrato de 45 milhões de dólares por 3 anos para Chandler Parsons, um Free Agent Restrito do Rockets. A atitude pegou todos de calça curta por dois motivos: (1) apesar de ser necessário, às vezes, exagerar no contrato de um Free Agent Restrito, já que o outro time pode igualar a oferta, 15 milhões por ano para Parsons é muita coisa; (2) todos ainda colocavam Trevor Ariza, Luol Deng e, com mínimas chances, até Carmelo Anthony no radar do Mavs para a posição, era esperado que só após a decisão dos 3 que alguma contratação seria feita.

A atitude, de repente, parecia arruinar todos os planos do sempre metódico Daryl Morey, manager do Houston Rockets. Chandler Parsons tinha uma cláusula em seu contrato que deixava que ele fosse estendido por mais um ano, a próxima temporada, por uma valor ínfimo, menos de 1 milhão de dólares, mais ou menos o que ele já ganha hoje por ter sido uma humilde escolha de 2ª rodada no Draft de 2011. Morey, porém, decidiu não usar essa cláusula e deixar seu contrato expirar.

Parecia uma decisão não só estranha, mas absurda. Tinha explicação, porém: ao encerrar o contrato agora, Parsons se tornaria um Free Agent Restrito que, como dissemos, pode ter sua oferta igualada e assim ser mantido em Houston. Com a cláusula, Parsons ficaria mais um ano no Rockets, mas no ano que vem se tornaria um Free Agent Irrestrito, podendo ir para qualquer lugar. Morey queria ficar no controle da situação, ter a opção de igualar e, mais do que isso, intimidar outros times. Ao saber que Parsons é restrito, eles pensariam duas vezes antes de correr atrás do jogador, sabendo que o Rockets tinha totais condições e desejo de igualar a oferta.

Parsons Dirk

Tudo muito bem pensado na teoria, especialmente para alguém que quer estar sempre no controle das operações. Mas no mercado de jogadores você nunca está totalmente no comando, não dá pra saber o que jogadores e outros times estão fazendo e decidindo. O Dallas Mavericks e o Houston Rockets têm uma relação complicada desde o ano passado, quando o Mavs ficou ofendido ao ser perguntado sobre uma possível troca por Dirk Nowitki logo depois do Rockets ter vencido o Mavs na disputa por Dwight Howard. E nesse ano, pouco depois de Dirk ter dito que aceitaria uma salário menor em Dallas, “vazou” uma informação que o Rockets aceitaria pagar muito mais por ele, o que o Mavs leu como uma provocação, uma maneira de Dirk se deslumbrar e, ou sair do time, ou desistir do desconto.

Por fim, houve o estranhíssimo caso de Gersson Rosas, assistente de Daryl Morey contratado pelo Mavericks no ano passado. Ele passou 3 meses no cargo, pediu demissão na véspera do começo da temporada e logo foi reincorporado ao staff do Rockets. Os dois times deram desculpas esfarrapadas para o que aconteceu, “era um período de testes”, disse Mark Cuban, mas o que dizem é que Rosas deu uma de Jason Kidd e quis aumentar seus poderes logo depois de ser chegado, sendo logo cortado pelo dono do time. É torta de climão após torta de climão entre os dois times.

A oferta do Mavericks por Chandler Parsons causou um bocado de problemas para o Houston Rockets. Eles só tinham 3 dias para decidir se igualariam ou não a oferta, mas ao mesmo tempo estavam esperando uma resposta de Chris Bosh, para quem eles tinham oferecido um contrato de 4 anos e mais de 90 milhões de dólares. Bosh, por sua vez, estava esperando a resposta de LeBron James para seu dilema entre o Miami Heat e o Cleveland Cavaliers. Se LeBron ficasse, Bosh iria continuar em Miami, se ele desse o fora, iria cogitar partir para seu estado natal do Texas e jogar em Houston.

A questão para o Rockets era o teto salarial. Eles poderiam ficar tanto com Chandler quanto com Bosh, mas desde que fizessem tudo na ordem certinha: primeiro trocar Jeremy Lin e Omer Asik, sem receber nada de salário em troca, para abrir espaço na folha salarial; depois assinar com Chris Bosh para preencher este espaço na folha salarial; e, por fim, cobrir a oferta por Parsons usando os “Bird Rights”, que é quando um time pode ultrapassar o teto salarial da liga por estar reassinando um jogador que já era seu. Se LeBron James demorasse demais, sem Bosh se decidir, e eles decidissem ficar com Parsons, o seu contrato comeria o espaço salarial e não haveria como assinar com Bosh. Em resumo: anos de planejamento e eles ficaram reféns de uma pegadinha de Mark Cuban e da indecisão de LeBron James.

Bosh

A pegadinha de Mark Cuban até merecia umas aspas. Ele não ofereceu 45 milhões de dólares para um jogador só para sacanear um rival, é óbvio que ele quer melhorar as suas alas com um bom, jovem e atlético arremessador. Foi uma decisão para melhorar o time. Mas ao mesmo tempo, o timing da oferta e o seu valor foi pensado para ferrar o Houston de uma maneira que eles pensassem mil vezes antes de igualar. Uma jogada de mestre.

Talvez seja a hora de lembrar, porém, que jogadas de mestre nem sempre dão resultado na NBA. Com a decisão por Parsons, Luol Deng e Trevor Ariza estão ainda mais longe do que já estavam de Dallas e, se o Rockets igualar a oferta, o Mavs pode ficar sem ninguém. Isso lembra um pouco uma jogada de mestre do próprio Daryl Morey há dois anos, que também deu merda. Usando um recurso meio esquecido nos contratos da liga, Morey ofereceu contratos do estilo “pílula envenenada” para Jeremy Lin e Omer Asik, ambos Free Agent Restritos. Sem querer me alongar nos detalhes financeiros, eram contratos que pesariam muito mais na conta do salary cap dos times originais dos jogadores do que no dele, forçando os rivais a não igualarem a oferta. Todos pagamos pau para Morey na época, mas desde então tanto Asik quando Lin viraram reservas caros e agora estão sendo embrulhados junto com valiosas escolhas de primeira rodada para abrir espaço para novas contratações.

Deng

Com todo esse cenário montado, LeBron James decidiu dar o tapa na primeira peça do dominó e começar o caos. Como anunciamos aqui com a publicação da sua carta, LeBron James irá voltar ao Cleveland Cavaliers. E lá não havia planejamento, boas contratações ou excelência de franquia que pudesse dar jeito nas coisas. LeBron James se sente responsável por seu estado natal e quis voltar para lá. O Cavs é um time que falhou durante anos em dar a LeBron um time decente, depois falhou ao se reconstruir sem ele e agora ganha o melhor jogador do mundo só porque está bem localizado. Loucura.

O anúncio de LeBron pareceu ser um alívio para os Houston Rockets. O prazo dos 3 dias tinha apenas começado e então eles poderiam se apressar em trocar Lin, confirmar o negócio de Asik para o New Orleans Pelicans e assim anunciar, finalmente Chris Bosh. Mas não. O Miami Heat, que parecia o grande derrotado do dia, resolveu mostrar alguma força.

Quando já apareciam os primeiros rumores do que Dwyane Wade poderia fazer (Bulls?), Pat Riley chegou em Chris Bosh e o pegou de surpresa oferecendo 119 milhões de dólares por 5 anos de contrato! Por ter os tais Bird Rights de Bosh, o Heat tinha o direito de oferecer um ano a mais (e, logo, uns 20 milhões a mais) que o Rockets para Bosh. Disseram que o ala até ficou surpreso com a oferta, mas logo a aceitou. Depois de anos na sombra de Wade e LeBron, como a terceira perna do Big 3, ele assume um time sem James e com Wade em decadência, será a base dessa nova fase do Miami, que logo depois disso já começou uma busca árdua e agressiva para ter Luol Deng.

Alguém consegue imaginar a cabeça de Daryl Morey nesse momento? Como um plano tão bom pode ter dado tão errado? Se não fosse o imponderável, o que ele não controle, ele poderia ter um time com James Harden, Chandler Parsons (em um salário bem razoável!), Chris Bosh e Dwight Howard! Não só é um elenco brilhante no papel, como é jovem, atlético e com todas as características técnicas que o Rockets exige para seu esquema tático de velocidade, bandejas e bolas de 3 pontos. E até a parte que parecia mais difícil, que era LeBron James largar o paraíso de Miami pela melancolia de Cleveland, tinha dado certo! E pior, Deng era uma opção para o Rockets para cobrir Parsons, mas pelo jeito ele está mais próximo de Miami.

Daryl Morey

A decisão surpreendente de Chris Bosh fez muita gente acreditar que o Rockets poderia logo reassinar com Chandler Parsons e cancelar a troca envolvendo Jeremy Lin, mas nada disso. O armador logo foi mandado para o Los Angeles Lakers, junto com uma escolha de Draft, em troca de, basicamente, dinheiro. E ao que tudo indica, eles irão esperar até os 45 do segundo tempo para tomar a decisão sobre Chandler. Até lá vão negociar com Trevor Ariza e, claro, empacar o Dallas Mavericks.

A troca de Lin para o Lakers, não só mostra que o Rockets está no mercado abrindo espaço salarial, mas também mostra que o time de Los Angeles está saindo de algumas batalhas. Com o salário de Lin, o Lakers não pôde ficar com Carmelo Anthony, o que nos fez pensar que o ala, embora não tenha anunciado sua escolha pelo Knicks até agora a tarde, já tivesse avisado algumas pessoas que não iria para LA.

Outro sinal disso foi que, minutos depois, o Lakers anunciou as renovações de contrato de Nick Young e Jordan Hill. O contrato de Hill, em especial, é um dedo duro dos planos de Mitch Kupchak para a equipe de Kobe Bryant: 18 milhões de dólares por 2 anos! Um absurdo, certo? Mas o detalhe é que o segundo ano é um Team Option, ou seja, o Lakers pode escolher, no ano que vem, dispensar o jogador sem pagar nada. A ideia é: vamos manter um bom jogador por esse ano, mas no ano que vem queremos ter a chance de chutá-lo para contratar algo melhor. Para fazer um jogador aceitar um contrato de aluguel assim, compensa-se com o valor exagerado.

Isaiah Thomas

Para fechar os dominós de ontem, o Phoenix Suns, que tinha alguma esperança com LeBron James e um pouco mais com Luol Deng, acertou um contrato de 27 milhões por 4 anos com o armador Isaiah Thomas. Sim, o time que já tem Goran Dragic, que AINDA AFIRMA que quer manter Eric Bledsoe e que draftou o armador Tyler Ennis, contratou mais um jogador da mesma posição. É o novo Wolves? O que alguns jornalistas de Phoenix disseram ontem no Twitter é que a ideia é manter o time titular com Dragic e Bledsoe e ter Isaiah Thomas como um reserva dos dois, com Ennis sendo usado, ao menos nesse primeiro ano, na D-League.

A continuação da novela se deu neste sábado, com a próxima grande peça a cair, Carmelo Anthony. Ele escolheu o New York Knicks. Já sabíamos disso ontem, ao ver o Lakers ir para outros lados e sua outra opção, o Chicago Bulls, estava ativamente buscando a contratação de Pau Gasol. O ala espanhol recusou uma proposta de 2 anos do Los Angeles Lakers e decidiu jogar com Tom Thibodeau no Bulls. O Houston Rockets corria bem por fora, com o Spurs, mas nçao o seduziram. A vantagem do Bulls era financeira, podendo oferecer mais grana, seja anistiando Carlos Boozer ou, o que eles querem, fazendo um sign-and-trade com o Lakers, enviando Boozer e alguma escolha de Draft em troca do espanhol.

Sem dúvida que o grande vencedor dessa sequência de dominó foi o Cleveland Cavaliers. Quantas vezes você contrata mal, planeja mal, vai mal no Draft e acaba com o melhor jogador do planeta? Aquele mesmo que você irritou anos atrás! Ganharam na loteria. O grande perdedor é, ironicamente, um dos times mais preocupados com planejamento, o Houston Rockets. Perderam Chris Bosh, que era a peça perfeita para montar um timaço e, no meio do caminho, podem acabar pagando muito mais do que planejavam só para manter o time do ano passado.

Não dá pra falar que o Miami Heat ganhou, afinal perderam LeBron, mas a derrota poderia ser maior. Ao manter Dwyane Wade e Chris Bosh, eles tentam se estabelecer como uma franquia forte do Leste. Querem mostrar para outros Free Agents, para sua torcida e para a liga que não foram só a “faculdade” de LeBron James, mas que se desenvolveram para continuar na briga do Leste. Até porque, pensem bem, quem será o dono da conferência? O Pacers derreteu no fim da temporada, o Heat perdeu seu melhor jogador e nenhuma outra franquia convenceu no último ano. Bulls, Wizards e até o Hawks correm por fora. Não é à toa que Gasol, Ariza e Deng acabem recebendo contratos gordos, tem time babando por uma chance de Final.

ps. Só depois que eu publiquei o texto que o Trevor Ariza assinou com o Houston Rockets. E só depois que anunciaram que o Gasol para o Bulls não seria via sign-and-trade

Último capítulo?

Desde que levou um mediano time do Orlando Magic para a Final da NBA em 2009, a carreira de Dwight Howard tem chamado mais a atenção pelo que acontece nos bastidores do que pela sua atuação dentro de quadra. Ontem aconteceu de novo. O mundo da NBA passou o dia no Twitter esperando Howard anunciar, na própria rede social como ele havia prometido, a sua decisão. Só no fim da noite ele mudou seu avatar para uma foto sua com a camisa 12 do Rockets e mudou sua cidade atual para Houston, Texas. Não demorou muito para o General Manager do Los Angeles Lakers, Mitch Kupchak, lançar uma nota desejando o melhor para o pivô em sua nova empreitada.

Dwight Howard

Não faz muito tempo e o mesmo Kupchak estava feliz da vida anunciando a chegada de Dwight Howard para o Lakers em uma troca que surpreendeu o mundo inteiro. Como o Lakers tinha conseguido esse cara? Conseguiu, mas foi o único sucesso que tiveram com Howard. E a troca inteira deu errado para todos os participantes. O Sixers, que recebeu Andrew Bynum, não viu um minuto do pivô em quadra, que agora deve sair do time como Free Agent. Howard deixou o Lakers e Andre Iguodala ontem mesmo anunciou sua saída do Nuggets para o Golden State Warriors. Vencedor mesmo só o próprio Orlando Magic, que viu boas temporadas de Moe Harkless e especialmente de Nikola Vucevic e que a custo de uma temporada esquecível, ganhou também Victor Oladipo na 2ª escolha de quadra.

Apesar do Lakers ter até se humilhado bastante para tentar manter Dwight Howard, colocando outdoors enormes em Los Angeles suplicando para que o pivô ficasse por lá, muitos torcedores estão felizes com a saída dele. Até eu, torcedor do Lakers e com total consciência de que ele poderia ser o futuro da franquia, estou levemente aliviado com sua saída. Mas para entender esse alívio nosso e até a tristeza do Danilo, o outro lado do Bola Presa que torce para o Rockets e não é lá muito fã do Superman, precisamos lembrar de toda a história de Howard desde aquela final de 2009.

A insatisfação do pivô começa já na offseason antes da temporada 2009-10, quando o Magic não foi capaz de segurar o ala Hedo Turkoglu, o grande destaque do time nos Playoffs durante as eliminações de Boston Celtics e Cleveland Cavaliers. Sem o turco, ao invés de uma melhora em busca do pouco que faltou para o sucesso na final, o time ficou menos qualificado e, pior, sem os recursos financeiros para contratar novos jogadores. O que se viu nos próximos anos foram remendos e mais remendos, como a troca por Vince Carter, a de Rashard Lewis pelo aleijado Gilbert Arenas e até a volta de Turkoglu, já longe da boa forma depois de ter fracassado em Toronto e Phoenix. O efeito dominó chegou até a relação entre Howard e o técnico Stan Van Gundy.

O treinador do bigodinho mais firmeza do basquete queria manter o esquema tático semelhante ao da campanha do título, com defesa pressionada no perímetro que forçava os times a encontrarem Dwight Howard no garrafão, e com ataque de muitos passes e o pick-and-roll, antes comandado por Turkoglu e depois por Jameer Nelson. O pivô, porém, não estava satisfeito, ele queria que o ataque passasse inicialmente por suas mãos, queria ser o macho-alfa não só na defesa e confiava que suas jogadas de costas para a cesta deveriam ser o ponto inicial do ataque do Magic. A partir daí as coisas ficam nebulosas, com muitos boatos e histórias que ninguém tem certeza. O que dizem é que Howard conversou com o General Manager Otis Smith e com o dono da equipe, Richard DeVos, exigindo a saída de Van Gundy. O clima devia estar gostoso como aquele jantar de família onde tem mais palavrões do que talheres na mesa. Mas, por incrível que pareça, Dwight Howard abdicou da sua opção de ser Free Agent e ficou por mais um ano em um Magic que ele odiava.

É claro que nada se resolveu nesse ano extra, o do locaute, e ficaram tão feias que no fim da temporada Dwight Howard resolveu mandar tudo a merda e antecipou uma cirurgia que deveria fazer nas costas. O Magic foi eliminado nos Playoffs, Stan Van Gundy mandado embora e o General Manager Otis Smith foi substituído por Rob Hennigan, o responsável pela troca do pivô para o Lakers. A novela de mais de ano, que teve o New Jersey/Brooklyn Nets como personagem principal durante muito tempo, parecia ter acabado com mais um jogador top de linha indo para Los Angeles.

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Eis que chega mais um capítulo do que os gringos estão chamando de Dwightmare Saga, o pesadelo de Dwight Howard. O pivô chegou em Los Angeles com status de o novo grande pivô da franquia que mais teve gigantes dominantes na NBA. Os cartazes mostravam George Mikan, Kareen Abdul-Jabbar, Wilt Chamberlain, Shaquille O’Neal e Dwight Howard. Muita pressão? Muita expectativa? O resultado a gente lembra, acabou de acontecer. Lesões, relação conflituosa com Kobe Bryant, críticas ao esquema de Mike D’Antoni tal qual ele fazia a Van Gundy e muita, muita fofoca. Talvez pior do que a postura de Howard frente a suas insatisfações seja a das pessoas em sua volta, sempre tem um agente, amigo ou o diabo a quatro soltando informações de que pensa isso ou aquilo, seguido da incapacidade do próprio Howard de desmentir as coisas. Como se não bastasse, seus insistentes sorrisos e brincadeiras mesmo nos piores momentos, que muitos podem ver como qualidade, simplesmente não bateram com a cultura do Lakers e especialmente de Kobe Bryant. Segundo o astro-mor do Lakers, faltava à Howard a capacidade de separar a hora das risadas e brincadeiras como conseguiram outros brincalhões da história do Lakers como Shaq e Magic Johnson. Dwight via isso como mais uma encheção de saco, quando ele poderia, finalmente, estar à vontade em um time dele, onde suas opiniões e desejos ditassem as regras?

Não me surpreendeu que Dwight Howard tenha deixado o Los Angeles Lakers, onde ele nunca se sentiu bem. Se ele ficasse, certamente seria pelos motivos errados. A tradição da franquia, Kobe Bryant, os 30 milhões extras que o Lakers poderia oferecer por um 5º ano de contrato e o desejo de continuar sob os holofotes da cidade com mais holofotes no mundo. Até um reality show havia sido prometido à ele caso ficasse em LA. Faria mais sentido o apelo dos outros times, mesmo os piores deles. O Dallas Mavericks não tem chance de título logo de cara, provavelmente, mas estava disposto a ser o time de Howard, o lugar onde ele ditaria as regras e teria pitaco para tudo. O Golden State Warriors oferece um ambiente mais leve, com jogadores mais jovens e de uma geração mais próxima à de Howard, além de um técnico cristão fervoroso para um jogador cristão fervoroso, na hora da comunicação isso pode ajudar.

O Houston Rockets era a equipe com menos apelos fora da quadra, e por isso admiro a decisão do pivô. Chances de mimimi à parte, ele foi para a equipe mais pronta, que mais precisava dele e onde ele tem mais chances de ser campeão da NBA. Será que finalmente Dwight Howard deixou de se importar em ser o centro do mundo, em ser a estrela, em chamar a atenção e só quer ganhar um título de NBA? Seu passado diz que não, mas a decisão indica um passo no caminho certo.

Só não vamos ter certeza de tudo isso antes da hora. Até que provem o contrário, Dwight Howard é o mesmo molecão de sempre, para o bem e para o mal. Dizem que uma das razões para o pivô escolher o Rockets foi a amizade que ele criou com Chandler Parsons, um dos palhaços do Rockets, durante as últimas semanas. O ala falou com Howard todos os dias, mandou mensagens, respondeu qualquer dúvida sobre o time, jogadores e cidade e fez de tudo para convencê-lo. Do outro lado Kobe Bryant dizia que ele não queria convencer ninguém a jogar com ele, que não queria ninguém que depois que as coisas dessem errado falasse “eu não queria, vocês que me convenceram”. Não tem certo e errado, só tem o fato de Howard se sentir melhor ao lado de Parsons do que com Kobe.

Mas embora o Houston Rockets tenha conseguido lidar bem com o recrutamento de Dwight Howard, que começou já no ano passado, antes da troca com o Lakers, como lidar com ele dentro de quadra? Porque algumas coisas se mostram conflituosas aqui, o estilo, proposta e conceito de basquete do Rockets e a maneira como Howard se enxerga.

Asik x Howard

Vamos começar da primeira parte. Como sabemos, Daryl Morey, manager do Rockets, é o mais geek dos gerentes da NBA e investe pesado em estatísticas, novas tecnologias e novas leituras do jogo. O consenso entre os nerds do esporte é que dentro do basquete duas jogadas são valiosas e imprescindíveis: a primeira é a at-the-rim, jogadas no aro como bandejas e enterradas; a outra são as bolas de 3 pontos. As bandejas e enterradas valem bastante porque tem maior aproveitamento do que qualquer outro arremesso no jogo, as bolas de 3 compensam porque apesar do aproveitamento menor, valem 50% a mais. Sabendo disso o próximo passo é saber como conseguir executar bem essas duas jogadas, em outras palavras, bandejas com pouca marcação e feita pelos jogadores certos e arremessos de 3 sem marcação a executados por especialistas no chute. A solução do Houston Rockets é um time com 4 jogadores de perímetro, abertos, todos com capacidade de arremesso e um pivô, Omer Asik, que serve para os bloqueios que liberam espaço para as infiltrações. O resto é basicamente leitura da defesa, quem está mais quente e as decisões pessoais de James Harden (estas nem sempre muito espertas).

Dito isso, onde se encaixa Dwight Howard? No ataque ele pode ser usado de duas maneiras. A primeira no pick-and-roll, fazendo os bloqueios e recebendo passes, mais ou menos como Asik, mas com mais opções de passes e pontes aéreas. A segunda, se aproveitando de mismatches. Times são forçados a enfrentar o Rockets com quintetos baixos e no meio das trocas de marcação na defesa às vezes um cara baixo acaba marcando o pivô. Asik era muito limitado para tirar proveito, fazia menos de 1 ponto por jogo em jogadas de post-up, mas Howard, embora limitado, é melhor. Mas mais do que isso, Howard ajuda na defesa. Sabendo que o que valem são bandejas e bolas de 3, é isso que o Rockets tenta, sem sucesso, defender. A presença de uma potência física como Howard libera o Rockets para colocar sua defesa mais longe do garrafão, fechando os 3 pontos e confiando no pivô para proteger o aro. Mais ou menos o que ele fazia até 2009 no Orlando Magic.

Perfeito, não? Para mim soa como um time pronto para ir lá em cima brigar com San Antonio Spurs, OKC Thunder, LA Clippers e toda a trupe de favoritos ao Oeste. Mas, ei, o que acontece quando Dwight Howard descobrir que ele é um Asik de luxo? Será Kevin McHale será o terceiro técnico seguido ao ouvir críticas do pivô, dizendo que ele não recebe a bola o bastante, que o ataque não começa com ele, que ele quer decidir no último período, que sente que não faz parte e etc, etc, etc? Claro que eventualmente ele vai receber a bola, bem mais que Omer Asik, mas será o bastante para ele? O histórico recente diz que não, mas será que prometeram algo diferente durante o xaveco das últimas semanas? Ou ele entendeu que talvez precise ser mais secundário, especialmente quando as bolas de 3 pontos estiverem caindo? Não respondo tudo isso porque realmente não sei o que esperar da cabeça meio divertida, meio mimada de Dwight Howard. De qualquer forma, a aposta do Rockets foi válida. Há alguns anos problemas de saúde tiraram da franquia a chance de ver o que a dupla Tracy McGrady e Yao Ming poderia ter rendido, veremos o que fazem com James Harden e Dwight Howard.

Dwight Kobe

Para o Lakers a perda é bem simbólica. A franquia de Los Angeles se orgulhava de ser um imã de grandes jogadores, as estrelas eram atraídas para lá quando Free Agents e só saiam se o time quisesse fazer alguma troca. Sair assim, sem deixar nada, é novidade completa. E pior, não é como se sem o salário do Howard o Lakers pudesse sair por aí contratando gente. Para essa próxima temporada, que nem sabemos quando ou se ela verá Kobe Bryant, o Lakers só tem uma ou outra exceção (tipos de contrato pequenos, abertos mesmo para times acima do teto salarial) e os salários mínimos reservados para fechar um elenco.

Mas de qualquer forma, falando como torcedor do Lakers de novo, senti um certo alívio ao ver que o time não estava gastando mais de 100 milhões de dólares na aposta que Dwight Howard levaria o time nas costas até após a aposentadoria de Kobe Bryant. Simplesmente não acredito que ele seja bom o bastante para isso, acho, ao contrário, que a maior chance dele entrar para a história é aceitando ser um Asik de luxo. Não assinar Howard faz o Lakers se livrar de uma “fria”, mas não resolve nada. Pau Gasol foi excelente no final da temporada passada, mas não é mais o grande pivô que levou o Lakers a três finais seguidas. Não sabemos como Kobe Bryant volta de lesão e Steve Nash ainda não conseguiu uma sequência de jogos.

Falando em Steve Nash, sua troca com o Suns tirou do Lakers as escolhas de Draft de 2013 e 2015, mas não do novo fetiche da galera, o Draft 2014. Uma temporada sem Kobe pode significar uma boa posição numa classe cheia de talentos extraordinários. Está próxima temporada é também o último de contrato de TODOS os jogadores do elenco, exceto Steve Nash. Em 2014, além do Draft, teremos LeBron James, Chris Bosh, Dwyane Wade, Luol Deng, Andrew Bogut, Paul George, Marcin Gortat, DeMarcus Cousins e possivelmente Carmelo Anthony como Free Agents. Perder Howard significa ser ruim, mas talvez só por uma temporada. O verdadeiro teste para o ego do Lakers e sua capacidade de atrair grandes nomes acontecerá daqui um ano.

Aprendendo com o Houston Rockets

Aprendendo com o Houston Rockets

Quem nos acompanha há algum tempo deve saber que eu adoro o Daryl Morey, General Manager do Houston Rockets. Para quem não lembra, eu explico os motivos: Morey é um dos primeiros caras importantes da NBA a não ter um passado dentro do basquete. Não era ex-jogador, técnico ou garoto da água, ao invés disso se formou em ciências da computação e aos poucos foi se metendo no mundo do basquete. Começou no Boston Celtics como Vice Presidente de Operações e Informações, onde introduziu na franquia mais tradicional da NBA novas maneiras de analisar, medir e interpretar um jogo de basquete. Sua maneira nerd de ver o basquete faz parte dessa revolução que vimos na liga nos últimos anos. Não pense que em 2002 as pessoas discutiam basquete falando de número de posses de bola por jogo, eficiência ofensiva ou que existia análise em vídeo que media o aproveitamento de arremesso de um jogador em jogadas de pick-and-roll do lado esquerdo da quadra. Esse processo de mudança começou com Billy Beane, o General Manager do time de beisebol Oakland Athletics. Como na história contada no livro e no filme Moneyball, o time usou da tecnologia, estatísticas avançadas e qualquer tipo de porcentagem que possa ser medida em um jogo para ser competitivo em uma liga onde não existe teto salarial. Em 2002, temporada retratada na história, o time foi campeão da sua divisão mesmo tendo a 3ª menor folha salarial da liga. Para se ter uma ideia, nesse ano eles gastaram 39 milhões de dólares em salários contra 125 milhões dos NY Yankees ou 103 milhões do Boston Red Sox. Claro que não demorou para essa revolução estatística chegar em outros esportes e Daryl Morey foi um dos primeiros a adotar as chamadas “estatísticas avançadas” na NBA. Com seus próprios modelos de análise de atletas o Houston Rockets tem achado muitos jogadores bons, montado times divertidos e competitivos, mas estão empacados no meio da tabela. Não são bons o bastante para lutar pelo título e nem ruins o bastante para ganhar boas escolhas no Draft. Afinal, o que estava dando errado no plano de Morey?   O ponto é que na NBA existem muitos times bons, acabam sendo campeões os times que são bons e ao mesmo tempo tem pelo menos um jogador muito acima da média para fazer a balança pesar. Os últimos 20 anos da NBA podem se resumir a múltiplos títulos de Michael Jordan, Hakeem Olajuwon, Shaquille O’Neal, Tim Duncan e Kobe Bryant. Entre os intrometidos com “apenas” uma conquista ainda estão jogadores bastante razoáveis como LeBron James, Dirk Nowitzki e Kevin Garnett. Exceção mesmo só aquele Detroit Pistons sem estrelas de 2004, um exemplo tão raro que nunca conseguiu ser repetido. Ou seja, Morey estava tendo muito sucesso em achar bons jogadores espalhados pela liga ou até no exterior. Que atenção a NBA dava a Luis Scola antes dele ir para o Rockets? E quem eram Chase Budinger, Chandler Parsons, Kyle Lowry ou Aaron Brooks? Ninguém. Eles sabem analisar jogadores e tirar o melhor deles, mas faltava uma estrela que pudesse fazer a diferença. Foi percebendo isso que Morey resolveu que faria tudo o que fosse possível e imaginável para conseguir o grande Free Agent da próxima temporada, Dwight Howard.   Mas existe mais coisas legais em Daryl Morey além de sua tara por números. Ele, como bom nerd que é, tratou de estudar todo o novo contrato entre times e jogadores (o bendito CBA) que foi assinado para encerrar o último locaute. E é com ajuda de Morey e do Rockets que vamos entender algumas dessas regras. Anistia A regra da anistia já existiu uma vez, era chamada de Allan Houston Rule porque parecia ter sido feita sob medida para que o New York Knicks pudesse se livrar do contrato gigantesco do seu eterno machucado ala. Segundo essa regra, um jogador anistiado continuaria recebendo todo seu salário como combinado, mas seria dispensado e o time poderia limpar aquele dinheiro todo da conta do teto salarial. Ou seja, o jogador não perde grana mas o time ganha flexibilidade para novas contratações. Ironicamente o Knicks não usou a Regra do Allan Houston com o Allan Houston, mas a ideia ficou. Ela foi recuperada na última temporada e continua valendo agora, mas com algumas diferenças. A mais importante é que o jogador dispensado não fica livre para assinar com qualquer time, ao invés disso ele fica disponível para um leilão entre todos os times que estão abaixo do teto salarial. Cada um dos times comportados economicamente oferece uma quantia para o jogador e quem deu o maior lance leva. A única obrigação de quem dá o lance é que a duração do contrato deverá ter a mesma duração do contrato antigo. Ah, a anistia também só vale para contratos feitos antes do locaute. Darei um exemplo real. Ontem o Rockets anunciou a anistia de Luis Scola, então times que estão abaixo do teto salarial (como Mavericks ou Bobcats, por exemplo) poderão oferecer algo pelo argentino, mas terão que dar um contrato de 3 anos, que era o que restava de tempo no seu contrato em Houston. Entendida a regra (que já foi usada também em Elton Brand pelo Sixers), vem a pergunta: Pra que dispensar um baita jogador como Scola?! O bom senso faz a gente pensar que um cara como Scola deveria valer alguma coisa numa troca, mas um veterano com 21 milhões sobrando em 3 anos de contrato nem sempre apetecem muitos times. Coisas dos negócios da NBA. Aí o Rockets achou que o melhor caminho para abrir espaço salarial era dispensar um de seus melhores jogadores nos últimos anos. Com o contrato de Scola fora do caminho, o Rockets ganha duas coisas na batalha por Dwight Howard: Mais espaço para adquirir contratos ruins do Orlando Magic (se quiserem mandar Jason Richardson ou Hedo Turkoglu o Rockets pode aceitar) e assim ficam com espaço para assinar dois contratos máximos da NBA (os mais caros) na próxima temporada. Além de Dwight Howard, Chris Paul, que recusou uma extensão com o LA Clippers, poderá mudar de time também. Isso nos leva ao próximo assunto.   Contratação de Free Agents Times podem contratar Free Agents de duas maneiras: Ou estão abaixo do teto salarial e oferecem um contrato com esse espaço livre ou usam as chamadas “exceções”. As exceções são contratos baixos criados para times gastões continuarem com chance de se mexerem, mas não costumam ter valor quando se trata dos grandes nomes da NBA. Para esses caras o que interessam são contratos grandes, caros e longos. Ou seja, na briga por Dwight Howard e Chris Paul no ano que vem só vão estar os times que estão comprometidos com poucos e baratos contratos. Importa que Dwight Howard queira jogar em Brooklyn com o Nets? Não mais, com os contratos novos de Deron Williams, Joe Johnson e Brook Lopez não há mais como eles contratarem o pivô, passaram do teto. Só poderia ser por troca, uma possibilidade que o Magic já descartou.   Peças valiosas É bem simples o motivo que leva o Nets a não conseguir fechar o negócio: eles não tem peças de troca interessantes. Pra que o Orlando Magic iria querer o limitado Brook Lopez com um contrato longo e caro? Eles querem jogadores jovens, baratos e o máximo de escolhas de Draft possíveis, é assim que se faz uma reformulação. Contratos baratos, curtos e muitos pirralhos. Sabem qual a mais nova proposta do Rockets por Dwight Howard? Respirem fundo porque demora: Kevin Martin (está no último ano de contrato), Patrick Patterson, Marcus Morris, Chandler Parsons e todos os três jogadores escolhidos por eles no Draft desse ano: Jeremy Lamb, Royce White e Terrence Jones. Claro que ainda adoçaram a proposta com pelo menos mais duas escolhas de 1ª rodada, incluindo a valiosa escolha do Toronto Raptors que receberam na troca de Kyle Lowry na semana passada. Tudo isso ainda aceitando receber os contratos que não interessam mais ao Magic: Glen Davis, Chris Duhon e Jason Richardson. Sinceramente eu não pensaria duas vezes na hora de aceitar o pacote.  

A carinha de nerd denuncia. Já fechou todos os pokemons 17 vezes

Bird Rights Muitas pessoas estão criticando esse plano do Daryl Morey de dar até a mãe, esposa, filho e passarinho para ter Dwight Howard. Afinal ele é Free Agent e ano que vem e pode decidir ir embora mesmo assim, certo? Sim, mas é pouco provável. Pense bem, quem poderia dar um contrato grande para Howard no ano que vem? Entre os times bons praticamente ninguém, talvez só o Dallas Mavericks. Mas o Mavs com Nowitzki em fim de carreira é tão atraente assim? Deron Williams já não quis ir jogar por lá. E com o Brooklyn Nets fora da briga não sobram muitas opções vencedoras para o Dwight Howard, que diz querer sair do Magic para brigar por títulos. Se não tem opções em times prontos, o Houston Rockets passa automaticamente a ser a melhor opção em termos financeiros e basquetebolísticos. O
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primeiro caso por causa dos Bird Rights, que é uma regra que dá uma vantagem aos times que estão prestes a perder um Free Agent. É assim, enquanto todos os outros times podem oferecer 4 anos de contrato para um jogador, o time que tem seus Bird Rights (o time onde ele acabou seu contrato) pode oferecer 5 anos. Em contratos grandes isso pode significar uma diferença de mais de 20 milhões entre uma oferta e outra. Deron Williams recusou 4 anos/78 milhões com o Mavs para receber 5 anos/98 milhões no Nets. Mesmo que Dwight Howard faça birra, será que ele recusaria esses 20 milhões? Eu duvido. E tem a questão do time também. Com a anistia de Luis Scola o Rockets poderá oferecer essa fortuna toda a Dwight Howard e mesmo assim ter espaço para assinar mais uma super estrela. Aí Howard pode usar todo seu carisma para xavecar Chris Paul, Josh Smith, James Harden ou qualquer outro cara que estará livre na próxima temporada e assim tentar montar seu esquadrão da morte em Houston.   Mas e o resto do time? Outra crítica ao plano maligno de Morey diz “Os dois times só vão trocar de elenco então? Qual a diferença?”. É aí que Morey volta a acreditar em sua análise estatística. Ele já achou dezenas de ótimos role players antes, é só fazer de novo. Existe um novo Chase Budinger, Chandler Parsons ou Kyle Lowry espalhado pela NBA ou até fora da liga. Ele está tentando conseguir a raridade primeiro, o super pivô, para depois rodear o cara com o mais simples. Free Agents Restritos e a Regra Gilbert Arenas O trabalho para montar o elenco em volta de Dwight Howard já começou. E é claro que Daryl Morey está tentando fazer tudo de um jeito pouco tradicional. É assim, ele foi atrás de dois Free Agents Restritos, Jeremy Lin e Omer Asik, e fez ofertas muito sacanas. Acho que antes é necessária uma rápida explicação para os novatos: Free Agents Irrestritos podem ir para qualquer time. Free Agents Restritos (como Lin, Asik, Eric Gordon, Nicolas Batum) podem assinar com qualquer time, mas a equipe anterior deles tem o direito de igualar a oferta e segurar o jogador. O Houston Rockets queria dois dos caras restritos, mas precisava de um jeito que seus antigos times pensassem duas vezes antes de igualar a oferta. Foi quando Morey folheou o CBA e viu a Regra Gilbert Arenas. Em 2006 o Washington Wizards ofereceu um contrato de 60 milhões por 6 anos (antigamente o máximo era de 6 anos) pelo jogador que estava no outro lado do RPG, o Warriors. Só que havia um problema, como Arenas tinha sido uma escolha de 2ª rodada, ele não era um Free Agent Restrito, mas irrestrito e o Warriors nem tinha nenhum Bird Right sobre o jogador. Sem espaço salarial, perderam um grande jogador em sua melhor forma. Então mudaram a regra, fazendo com que jogadores escolhidos na 2ª rodada ou mesmo não draftados (casos de Asik e Lin) pudessem ter esses direitos para favorecer os times que apostaram neles. Até aí parece que a regra está ajudando o Chicago Bulls, time de Omer Asik, e o Knicks, equipe de Jeremy Lin. Mas não, tem mais: Nos dois anos seguintes do contrato esses jogadores podem receber no máximo cerca de 5 milhões de dólares, mas para o resto do contrato o limite é muito maior. Ou seja, a proposta do Rockets por Omer Asik de 24 milhões por 3 anos daria ao pivô turco 5 milhões no 1º ano, 5 milhões no 2º ano e assustadores 14 milhões no último. E é aí que entra a pegadinha de Morey. Essa regra dos 5 milhões de limite serve apenas para o time que já tinha o jogador, no caso Bulls e Knicks, não para o Rockets. Então na conta do teto salarial o Rockets pagaria 8 milhões nos 3 anos de contrato, algo justo para um bom pivô defensivo. Mas se ele ficar no Bulls, eles não tem essa vantagem da divisão igual e daqui 3 anos terão que gastar 14 milhões do seu espaço salarial para um pivô reserva. Assim na temporada 2014/15 o Bulls teria salários de 14 milhões ou mais para Carlos Boozer, Derrick Rose, Joakim Noah e Omer Asik. Simplesmente muito caro e sem chance de manter Luol Deng. Se o Bulls quer ter alguma chance de manter Asik pode só torcer para o Rockets se arrepender. Afinal eles não estavam próximos de Dwight Howard quando acertaram essa oferta com Asik, que mesmo podendo jogar de ala é bem menos necessário se o Howard for contratado. Como a proposta não foi assinada ainda, o Rockets pode dar pra trás, mas não é de bom tom. Causaria uma impressão ruim na NBA com jogadores e agentes. Mas a proposta de Jeremy Lin, de 25 milhões por 4 anos, com o mesmo crescimento súbito nos anos finais, já foi assinada hoje. O Knicks tem 3 dias para decidir se fica ou não com o jogador que mais vendeu camisetas na última temporada. Só um pitaco sobre isso. Apesar de caro, acho que o Knicks deveria igualar a oferta. Jeremy Lin foi muito bem na última temporada, seu único problema foi o excesso de desperdícios de bola. É um problema grave para um armador, mas é o que acontece quando você coloca todo o ataque de um time nas costas de um pirralho. Novatos cometem erros e na prática Lin era um novato. Com o tempo ele deve melhorar, é natural. Sem contar que gostei da entrevista de Jason Kidd, contratado pelo Knicks, dizendo que terá muito prazer em ensinar coisas para Lin. Nas palavras do vovô com nome de criança, “Lin joga muito bem, mas em só uma velocidade. Espero ensinar ele a jogar em outro ritmo também”. Será que não vale a aposta? O Rockets não vai se incomodar, Daryl Morey encontra mais gente parecida por aí.

Dia de mudança

Nessa quinta-feira tem Draft da NBA. Sim, coladinho com a temporada por culpa do locaute, mas dá tempo de se preparar. Se você sabe inglês, vale a pena conferir sites como o NBADraft.net ou o DraftExpress, que vivem de analisar os pirralhos que serão escolhidos para jogar na NBA no ano que vem. Se você não quiser ler as análises chatas e cheias de clichês dos caras, pode aguardar nossa já tradicional análise pós-Draft que dá nota e pitacos em todas as escolhas de todo santo time. É só depois do Draft, mas vai valer a pena.

 

Andre Drummond: No meio do caminho tinha um Draft, tinha um Draft no meio do caminho

O que podemos dizer antes do Draft acontecer é que esse é um dia muito importante para muita gente. Para os jogadores nem se fala, irão descobrir onde irão começar a carreira profissional deles, mas para os times também pode ser o dia onde o futuro deles se decide. Imagina se o pessoal do Blazers pudesse prever o futuro e escolhesse Kevin Durant ao invés de Greg Oden no Draft de 2007, a NBA seria outra coisa hoje. Em Draft pode acontecer tudo, mas todo ano ele acaba sendo mais decisivo para alguns times que vivem momentos de mudança. Lembram do Bulls de 2001 que trocou Elton Brand para ter 2 das 4 primeiras escolhas do Draft? Eles mandaram o melhor jogador deles para reconstruir a equipe baseados naquele bendito/maldito dia, dá pra ser mais decisivo que isso? O fato de terem escolhido Tyson Chandler e Eddy Curry explica boa parte do fracasso do time na última década (Ironia cruel que Chandler foi campeão ano passado e Curry nesse ano).

Não sei se os times desse ano estão em situação tão dramática quanto aquele Bulls, mas é bom ficar atento, por exemplo, ao New Orleans Hornets. O time recém-comprado por Tom Benson está em modo de reestruturação: Trocaram Emeka Okafor e Trevor Ariza, conseguiram a 1ª e a 10ª escolhsa do Draft e  querem/precisam reassinar com Eric Gordon.  A primeira posição deve ficar mesmo com Anthony Davis, o Monocelha, considerado um defensor fora de série. Ele ser tudo isso ou não implica boa parte do futuro do time. Mas não é só ele: Com espaço salarial (que pode aumentar com a dispensa de Rashard Lewis) o Hornets ainda é um bom mercado para times que queiram fazer trocas e movimentar seu elenco, com essa reestruturação toda é capaz que Jarrett Jack, Gustavo Ayón ou até Greivis Vásquez sejam envolvidos em trocas a qualquer momento. A decisão da 10ª escolha também pode ter reflexos na velocidade em que o time se desenvolve. O Cavs, por exemplo, acertou em cheio com Kyrie Irving no ano passado, mas estaria bem melhor se Tristan Thompson tivesse mostrado jogo também.

O Hornets pode escolher o promissor Austin Rivers, filho do técnico do Celtics Doc Rivers, que é excelente pontuador, mas seu estilo de jogo até lembra o de Eric Gordon. E que tal arriscar Tyler Zeller? Muita gente tem elogiado o pivô e o Hornets poderia começar a criar seu time do garrafão pra fora. Se nada lá interessar, certeza que teremos troca à vista.

 

Austin Rivers: Orgulho do papai

Outro time que deve se movimentar é o Portland Trail Blazers. Primeiro porque faz anos que o Blazers adora ser a estrelinha do Draft e impressionar todo mundo com suas movimentações, depois porque será o primeiro grande dia do novo General Manager Neil Olshey no cargo. Muito do que ele prometeu na sua entrevista de emprego terá que começar a mostrar no dia do Draft. O Blazers tem muito espaço salarial (Brandon Roy anistiado, Gerald Wallace trocado, Jamal Crawford e Raymond Felton não continuam) e duas escolhas importantes: A 6, ganha do Nets, e a sua própria, a 11. Tudo indica que o Blazers será um novo time na quinta-feira. Neil Olshey disse que confia na base do elenco com LaMarcus Aldridge e Nicolas Batum e que agora busca o elenco para montar o time em volta deles. Tenham isso em mente na hora de fazer suas apostas, bem provável que o time vá atrás de um armador (Damian Lilliard?) ou até de um pontuador mais baixo (de novo Austin Rivers é uma possibilidade) para deixar Batum em sua posição natural de Small Forward (3).

Mas talvez o time que devemos dar mais atenção no dia do Draft é o Houston Rockets. Eles estão babando por mudanças desde o ano passado, quando por muito pouco não conseguiram Pau Gasol na fatídica troca cancelada de Chris Paul. O time claramente não é bom o bastante para ir longe, mas tem um General Manager criativo, Daryl Morey, e muito material para usar em trocas. O boato do momento é que eles usarão suas duas escolhas de 1ª rodada (14 e 16) para conseguir uma escolha no Top 10, e essa, por sua vez, seria a principal isca para tirar Dwight Howard do Orlando Magic. Uma dessas trocas também pode envolver Kyle Lowry, que é um baita armador mas que insatisfeito com o técnico e em ter virado reserva do Goran Dragic, e Luis Scola, que há anos está em todo boato que envolve o Rockets. Talvez Howard seja um sonho muito distante (embora o time seja um dos poucos que topa receber o pivô mesmo sem garantia de extensão de contrato) mas a verdade é que é pouquíssimo provável que o Rockets simplesmente escolha 2 jogadores e vá embora para casa.  O boato dessa noite de segunda-feira era Kevin Martin para o Wolves em troca da escolha 18. Será? Não sei, mas alguma coisa vai rolar.

Um dos alvos pode até ser o Charlotte Bobcats, que parece bem interessado em trocar sua 2ª escolha. Parece estranho um time tão ruim perder uma oportunidade como essa, mas o elenco deles é tão fraco que segundo o novo técnico do time, Michael Dunlap, faz sentido para eles trocar uma escolha lá em cima por duas ou mais um pouco piores. A teoria faz ainda mais sentido quando você analisa o que os especialistas gringos dizem e ninguém chega a um consenso de quem é o melhor jogador disponível depois de Anthony Davis. Difícil esperar genialidade do Bobcats, nunca vi acontecer, mas também devem ser um dos times que vai para o tudo ou nada.

Lembrem-se que estaremos acompanhando o Draft pelo Twitter na quinta-feira, começaremos a cobrir tudo desde o começo da noite, comentando os boatos mais furados da bagaça. E também na quinta, mais cedo, esperamos contar com a ajuda de nosso amigo Sbub para entregar o já tradicional Draft de Força Nominal do Bola Presa. Será que alguém desbanca Michael Kidd-Gilchrist?