O paradoxo dos pivôs

O paradoxo dos pivôs

Por tanto tempo ouvimos Dirk Nowitzki ser acusado de ser um jogador sem porte físico, fracote, “soft”, daqueles que não aguenta nenhum impacto tanto no ataque quanto na defesa. Sua capacidade ofensiva sempre encontrou brechas para isso, com seu arremesso por cima da marcação numa perna só que lhe cria o espaço necessário sem ter que ficar dando ombradas ou correndo de um corta-luz para o outro. Na defesa, alvo maior de críticas, Nowitzki demorou um pouco mais para encontrar soluções. Tornou-se um bom marcador por zona sem ter que trombar com corpos, aprendeu a cobrir seus companheiros e fez parte de uma fantástica defesa coletiva – mesmo sem muitos talentos defensivos individuais – naquele Mavs campeão em 2011. Nowitzki provou que seu talento era maior do que quaisquer limitações físicas que pudessem lhe apontar e subitamente a percepção dele foi completamente alterada, como mostramos num dos nossos clássicos infográficos da época:

? O garrafão resiste

? O garrafão resiste

Não é novidade nenhuma que as mudanças de regras pelas quais a NBA passou na última década tornaram a vida dos pivôs mais difícil. Restrições aos toques na defesa de perímetro facilitaram a infiltração dos armadores que atacam constantemente os pivôs em movimento, enquanto o fim das restrições de marcação dupla e defesas por zona fizeram com que pivôs tenham mais dificuldade de jogar de costas para a cesta e até de receber a bola no garrafão. Essa forte ênfase no perímetro levou a uma super geração de armadores e alas, tornou o jogo mais rápido e dinâmico, consagrou a bola de três pontos e a bandeja na transição como as melhores jogadas do basquete, e fez com que uma nova geração de pivôs que jogam fora do garrafão – assunto de um dos nossos posts especiais – se tornassem cada vez mais populares, assim como os times sem alas de força ou os alas de força que arremessam de fora.

Mas é surpreendente que no meio dessa transformação da NBA, surjam ainda jogadores de garrafão que resistem aos novos tempos: pivôs fortes, defensivos, incapazes de arremessar de longa distância e que atacam a cesta.

? Pivôs e os lances livres

? Pivôs e os lances livres

Nessa segunda-feira, DeAndre Jordan alcançou um recorde na NBA capaz de fazer nossos olhos sangrarem: ao errar 22 lances livres ao longo de um jogo, o pivô do Clippers empatou a marca de Will Chamberlain em 1967 de mais lances livres não convertidos em uma única partida. DeAndre Jordan cobrou 34 lances livres, converteu apenas 12, e protagonizou com isso um dos jogos mais medonhos que a NBA já viu. Para ter uma ideia do horror, os mais corajosos podem assistir a uma compilação com todos os lances livres errados pelo pivô durante a partida. Tirem as crianças da sala, por favor:

https://www.youtube.com/watch?v=1ralEhcRPsE

Podcast Bola Presa – Edição 42

Bem amigos do Bola Presa, segundo podcast do dia no ar!

Se você não viu, mais cedo publicamos também o Podcast Especial do Mês, exclusivo para assinantes, quando discutimos o histórico de domínio da conferência Oeste sobre o Leste nos últimos 15 anos. Assine e ouça!

No nosso podcast semanal e gratuito (viva!) as discussões foram outras. Tiramos do caminho a inevitável conversa sobre a aposentadoria de Kobe Bryant e falamos de uma penca de pivôs: DeAndre Jordan e seu capenga LA Clippers; Rudy Gobert, agora machucado, e o Utah Jazz; e Jahill Okafor, suspenso depois de todos seus incidentes fora de quadra.

? Filtro Bola Presa #3

Bem-vindos ao segundo Filtro Bola Presa aberto apenas para nossos assinantes no Apoia.se. Vocês, queridos assinantes, poderão acompanhar o Filtro todo sábado com exclusividade!

Para quem ainda não conhece, o conceito do Filtro Bola Presa é simples: uma espécie de resumo semanal em que fazemos um apanhado de pequenas histórias que nunca iriam virar textos grandes, mas que merecem alguma atenção. Pode ser um vídeo, uma notícia, uma estatística, um passe de bunda do Kevin Durant.

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