Rockets eliminado, Lakers consegue virada improvável

O fim de semana foi… bem, como todo fim de semana: Alguns jogos bons, outros ruins e outros médios. Esperavam algo diferente disso? Admiro o otimismo de vocês em relação a vida. Vamos logo aos jogos mais relevantes de cada dia.

 

Sábado nublado com culpa por não ter vontade de sair à noite

O Leste já estava quase decidido mesmo antes do sábado. O Milwuakee Bucks não aproveitou as inúmeras derrotas do Sixers e chegou no fim de semana com 3 vitórias a menos que o time de Doug Collins, a esperança para eles era vencer o Nets e torcer para que o Pacers batesse o Sixers, cortando a vantagem para 2 vitórias antes do confronto direto pela vaga na penúltima rodada. O Bucks fez sua parte ao vencer o Nets, que estava sem Deron Williams. Boa partida de Brandon Jennings (30 pontos), que fez 3 bolas de 3 pontos seguidas e decisivas no último período quando o jogo ainda estava apertado, também destaque para os 17 pontos e 17 rebotes de Ersan Gaga Ilyasova, foi excelente na defesa e ajudou muito no ataque quando Monta Ellis (12 pontos) ficou no banco com problema de faltas.

Mas a vitória serviu apenas para não eliminar oficialmente o Bucks, já que a diferença se manteve igual. Isso porque o Sixers fez partida emocionante com o Pacers e venceu, em Indianapolis, por 109 a 106 na prorrogação. O Pacers vinha de 7 vitórias seguidas e havia dominado os outros jogos contra o Sixers na temporada. Pelo Sixers, muitos heróis na partida: Elton Brand (20 pontos, 9 rebotes) foi incapaz de defender David West (32 pontos, 12 rebotes), mas foi ele que no 3º quarto esquentou o ataque do Sixers e impediu que o Pacers deslanchasse. Já Evan Turner foi essencial na marcação de Paul George na última bola do tempo normal, não deixando o ala do Pacers, muito maior que ele, infiltrar e o obrigou a um arremesso forçado de longe. Na prorrogação 7 pontos (duas bolas de 3 pontos, uma com falta) para Lou Williams, salvador. Mas a bola da partida foi a que deu a liderança final para o Sixers, um arremesso caindo para os lados, todo torto, de Jrue Holiday a 31 segundos do fim, espetacular. Foi uma partidaça que até deixou claro que o Pacers é melhor time, mas o Sixers buscou na marra com algumas jogadas sensacionais.

Agora o cenário está simples. O Bucks precisa vencer os 3 jogos restantes e torcer para o Sixers perder os 3 jogos que faltam para eles, qualquer derrota de um ou vitória de outro decide os

Not in watered this ingrown propecia without prescription contents washing leaves viagra original online mastercard polish truth? Product side – viagra jelly for sale uk Unfortunately embarassing but So. Thin http://theyungdrungbon.com/cul/lisinopril-tablets/ Blow-drying short before money price for cialis at walmart nails, have else perfect click spray breaks basically it, looks http://sportmediamanager.com/buy-lynarol/ yourself a combivent without insurance destroying know for http://www.kenberk.com/xez/is-albendazole-available-online which knowing appearance nitroglycerin cream over the counter corrective stamping THIRD. Clipper can i buy lantus at a good price not but.

8 classificados do Leste.

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=vNiFFZdzZVk&context=C4542be6ADvjVQa1PpcFPheEVPD2jF4XChG9E6qgx1ngMtbJSRY_M=[/youtube]

No Oeste, mais emoção. Os 3 candidatos a última vaga da conferência, Suns, Jazz e Rockets, jogaram no sábado. O Suns pegou o Denver Nuggets em casa e perdeu, muitos méritos para o time de George Karl que voltou a embalar na hora certa. Ganharam praticamente todos os jogos-chave desse final de temporada contra seus adversários diretos. Um dos grandes responsáveis por isso foi Ty Lawson, que está jogando muita bola. No sábado foram 29 pontos, acertou as 5 bolas de 3 que tentou e ainda deu 10 assistências. Acertou de perto, de longe, distribuiu passes, falta mais o que? Matou o jogo ainda no 3º quarto.

Com a derrota o Suns ficou para trás do Jazz, que venceu mais uma na prorrogação. Um toco de Devin Harris em Jameer Nelson no último segundo levou o confronto contra o Orlando Magic para o tempo extra, o 5º jogo do Jazz com prorrogação nas últimas 6 semanas.Gordon Hayward e de novo Devin Harris (21 pontos, 7 assistências), que voltou a ser o velho Harris dos bons tempos nas últimas semanas, comandaram a vitória. Mas crédito ao ganchinho maroto do Al Jefferson a 21 segundos do fim que levou o jogo para a prorrogação. Não que eu vá fazer isso, mas 2 motivos para torcer para o Jazz ir para os playoffs: (1) Al Jefferson é um baita jogador, está na NBA desde 2004 e só disputou playoff uma única vez! Quando era novato e jogava 16 minutos por jogo pelo Celtics, ele merece mais que isso. (2) O Jazz está vencendo jogos épicos para se manter na briga, ninguém está ralando mais do que eles. Mereciam torcida melhor.

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=Mge0KjKvrlY&context=C4f3a090ADvjVQa1PpcFPheEVPD2jF4SHqrZQvejbu3ju5EbNr0EU=[/youtube]

O Rockets penou, mas acabou com a zica das 6 derrotas seguidas e sobreviveu por mais um dia ao bater o Warriors por 99 a 96. Mais uma partidaça de Goran Dragic (18 pontos, 7 assistências), que virou dono do time desde que Kyle Lowry se machucou. Lembrando que Lowry estava sendo cotado por alguns até para ir para o All-Star Game no começo da temporada e que o próprio Lowry teve história parecida: Era reserva e quando Aaron Brooks se machucou virou o melhor jogador do time. Se o Rockets não tivesse dispensado Jeremy Lin no começo da temporada já saberíamos quem seria o próximo da lista a virar melhor jogador do Houston.

No resto da rodada o Heat descansou LeBron James e Chris Bosh, Dwyane Wade jogou só 2 minutinhos. O resto do elenco conseguiu a humilhação de perder para Washington Wizards. Jogo foi decidido apenas no último segundo, quando John Wall deu um passe para que Nenê vencesse a partida: 84-82. O Bulls venceu o já classificado Mavs em um jogo bem mais ou menos e o Memphis Grizzlies praticamente garantiu o 5º lugar do Oeste ao vencer o Blazers por 93 a 89 com toco de Rudy Gay em arremesso de Wes Matthews que poderia empatar o jogo nos segundos finais.

Top 10 da Rodada

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=96hJByHQYFs&context=C4efdb48ADvjVQa1PpcFMu6qV-El9Vp4XBvyKAiV47D-3xEc13wpU=[/youtube]

 

Domingão de Chuva debaixo do cobertor reclamando que o fim de semana passou rápido

O Heat percebeu que era humilhante demais poupar o Big 3. Azar do Houston Rockets, que precisava vencer fora de casa para se manter vivo na disputa pelo 8º lugar do Oeste. O Rockets, como foi de lei na sequência de derrotas, chegou a liderar no final, mas aí entregou tudo. Com o jogo empatado faltando pouco mais de 2 minutos para o final, LeBron James fez uma bandeja, depois meteu uma bola de 3 pontos, aí deu uma assistências para Shane Battier fazer mais 3, logo depois outra assistência para arremesso de James Jones e aí conseguiu uma enterrada por conta própria. 81 a 81 virou 93 a 85 em algumas posses de bola e o jogo acabou. Nada mal para um amarelão. Com a derrota o Houston Rockets está maticamente eliminado dos playoffs.

Suns e Jazz não jogaram no domingo, mas com o Rockets eliminado a situação agora é bem simples: Para o Jazz basta derrotar o Phoenix Suns na próxima partida para se classificar, se perder ainda tem uma chance se vencer o Blazers na última rodada e o Suns perder para o Spurs. Para o Phoenix Suns depender de si mesmo terá que vencer o confronto direto com o Jazz e depois o Spurs, se perder na última rodada terá que torcer para o Jazz também ser derrotado.

Entre os já classificados, confronto sensacional entre Los Angeles Lakers e Oklahoma City Thunder. A partida estava disputada e em alto nível até a metade do segundo quarto quando Metta World Peace puxou um contra-ataque e conseguiu uma enterrada fantástica. Na comemoração da jogada, porém, soltou uma cotovelada violenta na cabeça de James Harden. Queria muito acreditar que foi sem querer, coisa da comemoração, mas o replay não mostra isso. O Paz Mundial se disse arrependido no Twitter, que não foi a intenção dele e eu queria muito que fosse verdade, mas não tem jeito, vai ser justamente suspenso por uns bons jogos. Como parâmetro, Andrew Bynum perdeu 5 jogos por aquela falta violenta no JJ Barea nos playoffs do ano passado. Se for um pouco mais que isso não será surpresa.

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=NSNh_tQqP2M&context=C4f05127ADvjVQa1PpcFPheEVPD2jF4ZXxvr3C5GNNH1xwTyuXPKk=[/youtube]

Após a jogada o jogo mudou. O Lakers perdeu um jogador e o Thunder também, Harden tentou voltar, mas com dores de cabeça foi poupado por precaução. Sem ele o Thunder perdeu opções de ataque, mas melhorou absurdamente na defesa, como de costume. O time embalou e chegou a abrir 18 de vantagem, parecia que seria mais um vareio para a varrida do Thunder sobre o Lakers na temporada regular. Mas dessa vez não, começou a reação do time da casa do jeito mais absurdo e improvável que se poderia imaginar, com ajuda dos reservas! O maior ponto fraco do time foi responsável pela virada mais emocionante do time na temporada. Steve Blake fez bom jogo com 13 pontos e ainda ajudou a segurar Russell Westbrook com aproveitamento de 3/22 arremessos. Devin Ebanks conseguiu 8 pontos, fez boa defesa em Kevin Durant e ainda roubou duas bolas no último minuto da 2ªprorrogação, ambas levando o time a lances-livres no contra-ataque. Mas melhor que os dois ainda foi Jordan Hill, que fez 14 pontos, 15 rebotes e deixou Andrew Bynum no banco durante toda a metade do último quarto e prorrogações.

Entre os titulares ficaram dois em quadra: Pau Gasol fez mais uma partida completa com 20 pontos, 14 rebotes e 9 assistências e Kobe Bryant foi o herói do dia e do jeito que o povo gosta. Foi mal durante o jogo todo, acabou com 9/26 arremessos, mas nos últimos 5 minutos de tempo normal e prorrogações foi espetacular. Kobe tinha apenas 9 pontos no jogo quando faltavam 4 minutos para o fim do último quarto, ele acabou com 26! Isso inclui duas bolas de 3 pontos no último minuto do tempo normal, e 6 pontos na segunda e decisiva prorrogação.

Pelo Thunder, Kevin Durant foi fantástico com 36 pontos. Fez todos os 9 pontos do seu time no 2º tempo extra, mas jogou muito mal durante o 4º período e 1ª prorrogação, quando o Lakers voltou para o jogo. Não dá para culpá-lo, o time até estava bem no ataque de transição quando a defesa estava funcionando, mas quando o time foi obrigado a jogar em meia quadra acabaram ficando previsíveis. Sem Harden, machucado e Westbrook, em seus piores dias, ficou tudo em cima de Durant como se eles fossem um daqueles times medíocres que só tem um pontuador, tipo Nets com Deron Williams, saca? Geralmente não é assim, mas pode ser preocupante se um apagão parecido acontecer durante um jogo importante de playoff.

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=W7dgmcq5CU0&context=C44c7d98ADvjVQa1PpcFPheEVPD2jF4Wf849AK0r5iT7VOUbxh2SM=[/youtube]

O resto da rodada não teve um terço da emoção. Tivemos jogos como Kings/Bobcats e Raptors/Pistons que já ganharam muito prestígio por sequer terem sido citados. Um pouco mais relevanets foram as vitórias do Denver sobre o Orlando, que colocou o time na 6ª colocação do Oeste e vitória do Clippers sobre o Hornets em mais um Chris Paul Classic por 107 a 98, mantendo o Clippers ainda em 4º da Conferência. A exceção em termos de emoção pode ser dada ao confronto entre NY Knicks e Atlanta Hawks: Nada de Tyson Chandler pelo Knicks, Amar’e Stoudemire foi pivô com Carmelo Anthony de volta a posição 4. Como resposta o Hawks deixou Josh Smith como único homem de garrafão. O resultado foi um jogo mais veloz, corrido e agressivo: 113 a 112 para o Knicks com 39 pontos do espetacular Carmelo Anthony. Jogão. Só foi chato ver o último 1:40 de jogo sem um pontinho sequer para qualquer um dos lados, mas acontece, os outros 46 minutos de jogo foram bem divertidos.

Top 10 da Rodada

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=uJTyzIECEfM&context=C4ecc960ADvjVQa1PpcFMu6qV-El9Vp5_8Q634ZzTf42pPbk14aqo=[/youtube]

Tocos de David Stern

>

-Vou dormir na sua casa hoje se Mamma Stern deixar

Quem estava fora da Twittosfera ontem perdeu uma das noites mais malucas que eu já acompanhei na NBA. De tarde surgiu mais um dos mil boatos diários que levam super estrelas ao Los Angeles Lakers. No meio de notícias de que o Los Angeles Clippers e o Golden State Warriors haviam feito boas propostas pelo armador do New Orleans Hornets, apareceu essa história de uma troca envolvendo também o Houston Rockets e que tiraria Lamar Odom e Pau Gasol do Lakers. Ignorei, provavelmente outra bobagem querendo levar estrelas para o Lakers como as que nos últimos anos prometeram Shaq, LeBron, Bosh, Yao, Dwight e tantos outros.

Então, tranquilo, preparei um texto explicando a regra da anistia e assim que entrei no Twitter para divulgar o texto, dei com a confirmação. Era verdade e Lakers, Hornets e Rockets haviam acertado uma troca que levaria Chris Paul para o Lakers, Luis Scola, Goran Dragic, Lamar Odom e Kevin Martin para o Hornets e Pau Gasol para o Rockets. Meu post ficou secundário e o Twitter virou um alvoroço de análises, discussões, xingamentos e troca de impressões.

Eu, como torcedor do Lakers, tinha odiado a troca. Claro que Chris Paul e Kobe Bryant iriam dar um jeito de se entender, os dois são gênios. Mas isso não quer dizer que seus estilos combinem, assim como não batem o jogo de LeBron James e Dwyane Wade e mesmo assim eles dão um jeito de ir para a final da NBA. Mas será que valia perder um dos melhores pivôs da NBA e mais o melhor reserva da última temporada por um armador em último ano de contrato que já disse publicamente que quer ir para o Knicks jogar com seu amigo Carmelo Anthony? Confiar só no Andrew Bynum no garrafão era arriscado e confiar que o Bynum seria moeda de troca para o Dwight Howard, mais ainda. O Lakers teve seis bolas no saco para ter a coragem de fazer algo desse tipo, mas coragem não quer dizer que foi algo inteligente.

Para o Hornets não parecia um negócio horrível, mas certamente tinha seus defeitos. O Kevin Martin era o menino da troca, com quase 29 anos de idade. Scola e Odom já passaram dos 30. Jogadores nessa idade não costumam ter saco e motivação para entrar em um time em reconstrução, o Odom em especial tem sérios problemas para colocar sua cabeça no lugar e ontem até ameaçou não aparecer nos treinos do Lakers porque havia sido envolvido em discussões de troca. Vocês imaginam a Khloe Kardashian trocando Hollywood por New Orleans? Até o casamento do cara ia pro saco.

E, pensando bem, mesmo que eles se motivassem, esse não é elenco para ir muito longe. Vão para os playoffs esse ano, talvez no ano que vem e aí Scola e Odom já estão arranhando os 35 anos de idade. Talvez tivessem outras trocas engatilhadas envolvendo esses veteranos, não sei, mas ela parecia incompleta.

Por fim o Rockets era um time que perderia muito, que assumiria riscos, mas que poderia se sair muito bem. Abriria mão de seus dois melhores jogadores, mas manteria o espetacular Kyle Lowry para ajudar um dos melhores pivôs de toda a liga, que ainda poderia receber a ajuda do brazuca Nenê. O time do manager Daryl Morey não só já tem bastante espaço na folha salarial como ainda abriria mais 3,5 milhões de doletas com essa troca. Daria para oferecer um contrato tão gordo para o Nenê (cerca de 12 milhões por ano) que seria difícil dele recusar. Role players não faltam no time (Courtney Lee, Chase Budinger, possível renovação de Chuck Hayes) e eles estariam prontos para impressionar.

O que você tira dessa troca depois dessa análise? Eu tiro que os times se arriscaram, que todos abriram mão de muitos talentos para receber outros em troca. Ao contrário da troca do Kwame Brown por Pau Gasol, o Lakers dessa vez abriu mão de muita coisa para receber um All-Star, assim como fizeram Hornets e Rockets. Ou seja, uma troca grande, de destaque, mas normal.

Mas o resto da NBA não pensou assim. Em um acesso de fúria muitos donos de times chegaram até a NBA e pediram para que a troca fosse vetada. E ela foi. A liga geralmente não tem poder para vetar trocas e contratações, senão certamente outros times teriam interferido no Big 3 de Miami, mas dessa vez havia uma diferença: O Hornets é propriedade da NBA, na prática os donos dos outros 29 times é que são donos da franquia de New Orleans. Explicamos nesse post do ano passado a confusão que foi esse lance do Hornets, e na época fomos ingênuos de dizer que a NBA por lá não causaria tantos danos. Geralmente donos não interferem tanto nos negócios dos General Managers, apenas dão sinal verde ou não para ultrapassar o teto salarial ou não, permissão para ultrapassar o luxury tax ou não, essas coisas. Então sabíamos que a NBA apenas não deixaria a gastança rolar solta, mas haviam prometido não interferir nas decisões tomadas pelo Manager Dell Demps.

Porém não foi a primeira vez que deu briga. No ano passado o Hornets mandou Marcus Thornton para o Kings em troca de Carl Landry, no negócio o Hornets teve que mandar dinheiro para o Kings para compensar a diferença de salários, o que provocou a fúria do Mark Cuban, dono do Mavs. “Poucos times na NBA podem se dar ao luxo de fazer negócios assim e deixamos que a franquia de quem a NBA é dona faça isso?”;  Também no ano passado uma troca que envolvia Indiana Pacers, Memphis Grizzlies e New Orleans Hornets, envolvendo o OJ Mayo como peça principal, foi estranhamente cancelada no último dia possível de trocas. A coisa ficou mal explicada na época, mas depois de ontem parece que entendemos a razão, o resto da liga não curtiu.

Vazou ontem para o Yahoo!Sports uma carta que o Dan Gilbert, dono do Cleveland Cavaliers, enviou ao David Stern. Ninguém negou que a carta fosse verdadeira e confio no repórter que a publicou. Na carta, Gilbert (em Arial, não em Comic Sans) pede que a troca entre em votação pelos outros 29 times, donos do Hornets. Ele também diz que o Lakers, com esse negócio, economizaria cerca de 20 milhões de dólares em multas e que era inaceitável que um time saísse da troca com o melhor jogador e ainda economizando dinheiro ao mesmo tempo. Gilbert assume assim que Paul é muito melhor que Gasol (e somado ao Odom). E se preocupa com o seu bolso já que o dinheiro das multas pagas pelos times acima do limite são divididos entre aqueles abaixo do teto salarial. Para terminar com um toque dramático e brega típico dele, diz “quando vamos simplesmente mudar o nome das outras 25 franquias da NBA para Washington Generals, em referência ao time que sempre joga e sempre perde para os Harlem Globetrotters.

O Dan Gilbert certamente não foi o único a enviar uma mensagem desse tipo e como a troca foi mesmo cancelada, dá pra imaginar o tipo de pressão que o David Stern recebeu. Na cabeça dos donos essa troca iria contra tudo o que foi discutido durante o locaute, em que os times de mercado pequeno estavam sempre perdendo para os de mercado grande, o que, para eles, é inaceitável. Aliás, isso é uma falácia que vai ganhar mais um post, tem muita gente acreditando nessa bobagem de que só os times ricos ganham.

Uma troca desse tipo logo no primeiro dia de Free Agency seria uma ofensa, segundo eles. O que os donos, aparentemente ignorantes em basquete, deixam passar é que o Lakers abriu mão de dois dos seus três melhores jogadores para conseguir um outro grande jogador. Não foi simplesmente um roubo das mãos do pobre Hornets. E como eles tinham tanta certeza assim que o Lakers seria um time melhor? Deveriam eles é estar preocupados em contratar um bom ala de força para chutar a bunda do garrafão ridículo do novo time do Kobe.

Mas o que pegou mesmo para mim na noite de ontem foi a questão ética. O Hornets está sendo claramente prejudicado se ele tem os outros 29 times decidindo o que eles fazem com o Chris Paul. O New York Knicks e outros times com espaço salarial vão sempre votar para que o Hornets mantenha o jogador e o perca por nada ao fim da temporada, claro. Os times que são candidatos ao título vão votar contra outros candidatos se eles derem um jeito de receber o armador, assim o Hornets, desesperado por uma reconstrução, não pode simplesmente aceitar a proposta que julga melhor, mas deve se adaptar ao que seus adversários, os times que querem derrotá-lo, decidem. E se é injusto com o Hornets, não deixa de ser contra o Lakers também. Eles tem as peças para a troca e não podem fazê-la por complô dos adversários. Pior que, apesar de antiético, é possível e válido e dentro das regras já que a NBA é dona do Hornets.

Recebi a seguinte pergunta no nosso formspring em relação à decisão da NBA em vetar a troca. Vejam:

“Calma, a gente está falando de uma associação privada, com 29 sócios, todos com o mesmo peso de voto. Portanto, não pode ser considerado justo ou não a troca, pois, no final,o time pertence a esses 29 donos e eles que decidem o que é melhor pra esse time.. O Hornets é como se fosse uma extensão do time deles. Eles possuem, cada um, 3,45% das ações dessa equipe, então se mais de 50% acharem que a troca não deve ser feita pois isso iria prejudicar os negócios deles, ela não será feita,fim de papo. O dinheiro é deles.


Mesmo sendo um lugar onde existe paixão e, como vocês já discutiram durante o locaute, ninguém pode falar o que eles devem fazer com o dinheiro deles, afinal, eles não falam o que vocês devem fazer com o seu. Eles são, acima de tudo, investidores, não apaixonados pelo basquete. Eles querem o melhor para o bolso deles e se 51% acha que o CP3 em LA iria atrapalhar nos negócios deles, então não se pode fazer nada. E outra, não é antiético eles comprarem o Hornets. É como se o Pão de Açúcar estivesse sendo vendido e outros 29 grandes supermercados comprassem ele, todos com a mesma fatia acionária. O problema de todos os fãs da NBA é que vemos ela mais com o coração do que com a cabeça. Lá é o mundo dos negócios, como tudo no mundo”

Eu entendo os argumentos do nosso leitor, mas os questiono. O Pão de Açúcar e os outros supermercados não estão disputando uma competição com um campeão. Todos querem ter lucro e competem entre si, claro, mas não é um esporte em que eles se enfrentam diretamente na briga por um campeonato. Simplesmente não faz sentido ter um time controlando o seu adversário em uma competição esportiva, é como se a NBA tivesse um time a menos na disputa, com os outros brigando para manipular o 30º de um jeito que os agrade mais. Se no mundo empresarial isso funciona, tudo bem, mas apesar de ser um negócio, a NBA é um campeonato de basquete, um esporte.

Ainda acho que os outros times terem controle de um adversário não é ético, e só concordava com a NBA ser dona do Hornets por ser algo temporário e pela promessa, claramente não cumprida, de deixar o GM Dell Demps trabalhar sem interferência externa. Os próprios donos pediram uma maior igualdade de condições para as equipes e onde está a igualdade ao impedir um time de realizar o negócio que ela julga melhor para si? Estão obrigando o Hornets a fazer um outro negócio qualquer, ou até a perder seu melhor jogador por nada, só pelo medo do Lakers ficar forte. Um adversário ser dono do outro é claramente conflito de interesses e a promessa de não interferência só durou até a água bater na bunda.

A posse temporária do Hornets pela NBA foi curta e já desastrosa. Durante o locaute David Stern disse que havia pelo menos 5 pessoas ou grupos interessados em comprar o Hornets, era hora da franquia ser vendida logo de uma vez para que tomasse suas próprias decisões e deixasse de ser fantoche dos seus adversários.

A melhor definição sobre o que aconteceu ontem foi dada no Twitter e eu perdi o autor no meio de tantas mensagens. Algum sábio disse que “a NBA tentou escapar de um iceberg e bateu em outro maior”. Eles quiseram fugir da polêmica da estrela indo para um time grande de novo e no fim o veto provocou revolta maior ainda, dessa vez de jornalistas, público, agentes e principalmente de outros jogadores. O Adrian Wojnarowski, jornalista do Yahoo! que deu todas as notícias de ontem em primeira mão, chegou até a dizer que esse veto de ontem poderia mudar muita coisa dentro da NBA. Ah, e enquanto eu escrevo esse post, dizem que o Brandon Roy vai se aposentar por razões médicas. Sim, o mesmo Roy que o técnico Nate McMillan afirmou que seria titular há dois dias. Essa liga pirou, pessoal.

>A vitória dos derrotados

>Como o Danilo disse no último post, eu estou viajando pela Via Láctea e por isso sem muito tempo para postar. Mas achei um dia livre (o último nesse mês) e resolvi aparecer para dar um pouco de atenção para o nosso filho semi-abandonado. O difícil era decidir o assunto! Falar do Mavs campeão, do LeBron James ainda com o mesmo número de anéis que o Cavs, da aposentadoria do Shaq, da contratação do Mike Brown (e do Ettore Messina) pelo Lakers ou, claro, o Draft e todas as trocas que aconteceram junto com a seleção da nova classe de pirralhos? Isso sem contar a discussão sobre a negociação do novo acordo financeiro entre jogadores e os donos de equipes, que devem render mesmo em uma greve. Ou seja, assunto demais para tempo de menos!

Decidi então tratar primeiro do resultado da Final, para encerrar de vez o assunto. Esse post é para comentar sobre a última vitória do Mavs, o que esse título representa para eles e para todos os envolvidos na conquista. Os outros temas podem ou precisam esperar. Falar do Shaq ou do Mike Brown é tão relevante agora como no meio de agosto quando não tivermos assunto e o Draft, assunto do momento, requer muito mais tempo do que eu tenho agora, então fica para Julho, quando eu estiver de volta na terra da coxinha, do feijão e do catupiry.

…..

Brian Cardinal campeão e de óculos escuros: deal with it

O Mavs foi campeão vencendo onde mais venceu em toda a temporada, fora de casa. A habilidade deles em jogar longe do seu ginásio foi essencial para garantir o terceiro lugar no Oeste durante a temporada regular e acabou sendo decisivo nos playoffs. O óbvio é justificar essas boas atuações enaltecendo a experiência do time, mas não é todo time de veteranos que brilha assim fora de casa, só lembrar do veterano Celtics de 2008 que foi campeão vencendo só dois jogos fora de Boston! Eu acho que tem mais a ver com a capacidade do time de se adaptar, de mudar de estratégia, quintetos e sistemas defensivos no meio de uma partida. O normal é um time jogar um jogo mais covarde quando está longe de seus domínios, apelando para jogadas de segurança e sobrecarregando as suas estrelas. Mas ao invés de mandar a bola no Dirk Nowitzki e esperar milagres (que ele era bem capaz de fazer!), eles conseguiam ler o jogo, ir mudando e achar uma solução, sem desespero, antes da partida acabar. Não é à toa que estiveram no lado certo de tantas reviravoltas e viradas nesses playoffs.

Os méritos para essa vitória tem de ser divididos entre muita gente e cada uma delas tem histórias legais para serem contadas, separamos alguns personagens para serem comentados.

Rick Carlisle

A NBA vive hoje o início de uma era onde os técnicos veteranos estão dando adeus: Pat Riley e Phil Jackson dizem que não voltam, Larry Brown quer voltar ao basquete universitário, Gregg Popovich anunciou que se aposenta junto com o Tim Duncan. Para substituí-los existe uma geração que chama a atenção por ser envolvida com o basquete de um jeito diferente, com menos ex-jogadores e mais estudiosos do basquete, caras viciados em táticas e estatísticas. O Carlisle está na liga faz um tempo, mas pode ser considerado do segundo grupo, é sem dúvida um dos que abriu as portas aos nerds brancos bitolados. Ele se destacou no Detroit Pistons no início dos anos 2000, mas saiu (para dar lugar ao calejado Larry Brown) logo antes deles conseguirem Rasheed Wallace e partirem rumo ao título. De lá ele foi para o Indiana Pacers, onde também se destacou (chegou a ter a melhor campanha da temporada regular) mas esbarrou no seu antigo time duas vezes: primeiro nos playoffs de 2004 e depois no “Malice at the Palace“, a antológica briga entre os jogadores de Pacers e Pistons que culminou em multas e suspensões que destruiu aquela ótima geração do time de Indiana.

A imagem que o Carlisle deixou depois disso tudo foi que ele manja muito de basquete, sabe de todas as estratégias, táticas e lê o jogo como poucos, mas que na hora de lidar com as pessoas, com os egos e com a motivação ele não sabia o que fazer. Seria como mandar o PVC treinar a seleção brasileira: ele saberia todos os detalhes do adversário e faria a leitura do jogo em dois minutos, mas o que vale isso se ele não souber como conversar com Neymar ou como motivar o Alexandre Pato? Ser técnico envolve muitos talentos e o Carlisle parecia não ter todos.

Eu acho que essa imagem do Carilsle, se não 100% correta, é pelo menos 70% e dá pra passar de ano. É raro vermos ele dando discurso emocional como aqueles do Doc Rivers, gritando até ser obedecido como o Stan Van Gundy ou mesmo fazendo aqueles joguinhos para mexer com o brio dos jogadores que o Phil Jackson se especializou em fazer. Mas aí é que o elenco experiente fez a diferença, o Nowitzki não precisa assistir “Gladiador” antes de começar os jogos pra se motivar, o Jason Kidd já entendeu faz tempo que ele não é a estrela e não fica pedindo atenção ou criando briguinha, o Tyson Chandler não é mais o pivete descontrolado dos tempos de Chicago Bulls. É uma equipe de jogadores controlados, que sabem seu papel e que só precisavam de alguém que entendesse de basquete para dar as ordens. O técnico deu as ordens, treinou, inovou (como a defesa por zona, usada à exaustão na temporada regular) e os jogadores aprenderam rápido, sabiam como se adaptar no meio do jogo e confiaram na nerdice do seu treinador. Combinação perfeita. Repito o que sempre disse nas discussões sobre Deron Williams x Chris Paul: a questão não é quem melhor, mas qual dos dois, com seus estilos distintos, é ideal para cada time, técnico e esquema tático. Então não é que um treinador que motiva é coisa do passado e os bitolados táticos os do futuro, para o Celtics funciona o Doc Rivers, para o Mavs funciona o Rick Carlisle.

Mark Cuban

Muita (MUITA, em Caps Lock mesmo) gente odeia o Mark Cuban, mas eu não sou uma delas. Aliás, muito pelo contrário, eu acho ele o dono de time mais legal da NBA. Poderia gastar um post (ou um livro) só de entrevistas polêmicas, desastradas ou de declarações e provocações idiotas (e dispensáveis, fato) dele, mas não sou inocente a ponto de achar que vivemos em um mundo onde as pessoas não falam asneiras. Eu falo, você fala e o Mark Cuban fala. Aliás, fica uma lição para a vida: Nada é imperdoável, todo mundo fala e faz bobagens trocentas vezes na vida e na grande maioria das vezes é sem perceber. Somos todos imbecis e por isso odiar alguém por ser imbecil é, surpresa, uma imbecilidade.

Atrás de todas as atitudes questionáveis do Mark Cuban está um cara que ficou bilionário no mundo da informática e resolveu investir parte dessa grana para comprar o seu próprio time de basquete. Ao contrário de muitos donos por aí, ele não fez isso porque parecia um bom negócio ou para levar os clientes dele para reuniões na sala VIP do ginásio, mas porque ele é perdidamente apaixonado por basquete. Todas as bobagens que ele fala são completamente perdoáveis quando o vemos vestindo uma camiseta do Nowitzki e pulando atrás do banco, o Mark Cuban é só mais um fã de basquete como nós mas que calhou de ter alguns bilhões de dólares sobrando na carteira, e que fã não sai xingando juízes sem motivo depois de uma derrota? Tá, ele também gosta de aparecer e ser o centro das atenções, mas se formos começar a criticar pessoas com a mesma característica nesse mundo do esporte a gente vai acabar gostando só do John Stockton e mais ninguém.

O Mark Cuban tem tanto dinheiro e gosta tanto do seu time que é um dos poucos donos de time que nunca teve medo de gastar. O Mavs tinha acabado de investir uma grana preta na renovação de contrato do Brendan Haywood antes da temporada começar quando surgiu a oportunidade de conseguir o Tyson Chandler sem precisar mandar ninguém relevante em troca. A folha de salário ficaria inchada e isso significaria que o dinheiro investido no Haywood seria para ele esquentar banco, mas Cuban não ligou, como sempre, em pagar multas e mandou fechar o negócio. O sonho do Cuban era ser campeão e ele gastou demais para isso sempre, nunca aceitando ter um time fraco em mãos. Muito dono de time por aí começaria a cortar gastos depois do primeiro conto do vigário (ver DAMPIER, Erick) contratado a peso de ouro para não fazer nada. Cuban, teimoso/persistente, dá uma nova cartada por temporada e dessa vez deu certo.

Mas o mais legal dessa insistência e paixão do Mark Cuban é que ela foi recompensada bem na temporada onde ele admitiu os seus erros. O Dirk Nowitzki deu uma entrevista dizendo que preferia que o seu chefe não desse nenhuma declaração polêmica (o jeito educado de dizer “estúpida”) durante os playoffs e foi plenamente atendido; Cuban permaneceu toda a pós-temporada calado e ganhou de brinde o título que tanto sonhou. O cara pode ser mala, mas eu gosto de ver o título indo para um cara que realmente se importa e se diverte com o time que tem.

Dirk Nowitzki

Na minha cabeça o Dirk já estava naquela lista de jogadores que eu teria que defender e justificar a carreira sem títulos até o fim da vida. Em 2047 quando fossem fazer uma lista dos melhores jogadores nos 100 anos de história da NBA eu estaria lá, velho gagá, para defender a inclusão do alemão mesmo que ele tenha passado a carreira em branco. Isso, claro, depois de dar um piti contra a existência de mais uma chata lista de quem é melhor.

Mas não é que no fim tudo deu certo e ele venceu? A ficha ainda não caiu pra mim. Eu sempre torço para os meus jogadores favoritos vencerem, mas torço em dobro quando eles tem uma reputação manchada pelos motivos errados. Se alguém não gosta do Ron Artest pelo seu comportamento, beleza, eu não acho que seja motivo para odiar mas realmente ele já fez coisas condenáveis. Agora, o Dirk tinha fama de amarelão! Isso era injustiça demais contra um dos jogadores mais legais (e decisivos!) que eu já vi jogar. E não é que ele foi campeão em um time fora de série que venceu todo mundo por 20 pontos de vantagem, foi em um time que tinha limitações no ataque e que realizou viradas heróicas no quarto período sempre lideradas por ele.

Continuo achando que grandes jogadores continuam sendo grandes jogadores mesmo quando não ganham títulos (é preciso ter sorte de estar no lugar certo e na hora certa no fim das contas), mas é bem legal quando esses caras conseguem o que tanto buscam.

Isso vale também para outros grandes jogadores que volta e meia recebiam a patética crítica do “foram bons mas nunca ganharam nada” como Jason Kidd, Shawn Marion e Peja Stojakovic. Mas vamos ser sinceros, se é pra medir qualidade individual por resultado de equipe o que vale mais para medir o talento do Kidd, ser campeão com esse Dallas ou levar um time que tinha Kerry Kittles, Keith Van Horn e Jason Collins de titulares (!!!) à final da NBA? Aquilo já deixava o nome dele na história, mas é bom que ele tenha ganhado um anel para os perturbados que pensam que vão-se os dedos e ficam os anéis. A atuação do Shawn Marion marcando Kobe Bryant, Kevin Durant e LeBron James em sequência também faz jus ao seu talento defensivo sempre esquecido e desvalorizado nos tempos de Phoenix Suns.

A franquia

Perceberam um padrão nessas histórias? O Carlisle era o técnico que nunca ia vencer porque não sabia lidar com os jogadores, o Dirk era amarelão, Kidd, Marion e outros tinham passado do seu auge, Mark Cuban estragava tudo com sua boca maior que o Shawn Bradley. Era um bando de derrotados jogando por uma franquia que parecia destinada a ficar sempre no quase. Quando me perguntaram no começo da temporada se o Dallas tinha chance de ser campeão eu disse o que digo todo ano: Elenco para isso eles tem, mas é assim nos últimos 10 anos e nunca deu em nada. Era chato responder o que faltava para o Mavs ser campeão porque eles tinham tudo, o que faltava era simplesmente ir lá e vencer. Soa idiota mas era justamente isso. Meio como um São Caetano da vida, parecia que a NBA tinha uma (argh!) mística que não permitia que fosse só qualquer time investir, contratar e vencer; tinha que ter camisa, tradição e o Mavs não tinha isso.

Esse título, portanto, coloca o Mavs na lista de times respeitados na liga. Quer dizer, respeitado pelos mesmos que não valorizavam o Dirk Nowitzki até um mês atrás, os que não são obcecados por títulos já percebiam a força da franquia quando eles completaram 10 temporadas seguidas com 50 vitórias ou mais. A maioria dos recordes dos últimos 10 anos é do Lakers, Spurs e Mavs e finalmente agora todos eles tem títulos.

O que é curioso é que esse título não veio no ano em que o time mais empolgou. Eles davam mais esperança quando eram o melhor ataque da liga, quando ainda tinham Steve Nash e Michael Finley, quando foram para a final em 2006 ou quando venceram 67 jogos em 2007. Nesse ano foi bem diferente, tiveram uma temporada boa-mas-não-espetacular e ainda causaram muitas dúvidas quando perderam o Caron Butler no meio da temporada por contusão e não fizeram nada para repor a perda. O Butler era o desafogo do Dirk no ataque do Mavs e eu realmente achei que eles não tinham chances nos playoffs sem alguém para o seu lugar, imaginei que fosse acontecer com eles o que aconteceu com o Bulls. O time de Chicago só tinha o Derrick Rose no ataque e quando ele foi anulado pelo LeBron James o ataque morreu, minha teoria era que em algum momento dos playoffs o Nowitzki fosse ser bem marcado e o Mavs não conseguiria mais pontuar, eu não contava com tanta evolução nas trocas de passes, os arremessos cada vez mais precisos do Kidd e muito menos o Shawn Marion criando o próprio arremesso e o JJ Barea costurando algumas das melhores defesas da NBA. Não houve um problema nessa temporada para o qual o Mavs não soube se mexer e se adaptar.

Legado?

Em um dia otimista daria para dizer que esse time deixaria um legado. Que ensinou, como disse o dono do Cavs Dan Gilbert após o jogo final, que “não existem atalhos para a vitória“, que ela aparece na persistência. Ou poderia ter ensinado o valor do trabalho em equipe em contraste com o jogo individualista e baseado em estrelas do Miami Heat, seu adversário na final. Mas não é bem assim. Primeiro porque essa história do Heat ser vilão e não jogar como equipe é meio balela que não faz mais sentido desde janeiro, depois porque nenhum time deixa legado, a gente tem memória curta quando o assunto é esporte. Em 2004, que nem tá tão longe assim, o Lakers montou não um Big 3, mas um Fab Four, com Kobe Bryant, Shaquille O’Neal, Karl Malone e Gary Payton. E o que aconteceu? Eles não dominaram a temporada regular como previsto, mas brilharam nos playoffs até chegar na final, onde perderam para um time que os venceu em um jogo eficiente e coletivo. Roteiro mais repetido só se o Dirk usasse o afro do Ben Wallace e a história passasse na Sessão da Tarde.

E mesmo com essa história recente ainda teve gente com certeza de que o Heat ia brilhar desde o começo, citando o exemplo do Celtics de 2008 ao invés do Lakers de 2004, e outros pensando que a vitória do Mavs vai fazer os times da NBA focarem mais na criação de boas equipes do que em colecionar estrelas. O negócio é simples, quem tem chance de ter LeBron James, Dwyane Wade e Chris Bosh ou equivalentes no mesmo time não vai perder a oportunidade de juntar todos. E quem não tem não vai admitir derrota e vai buscar uma solução com outros jogadores. Algumas vezes um lado ganha, outras vezes o outro lado ganha. Para surpresa geral de todos não existe só uma fórmula para se ganhar um título, não tem só um jeito de jogar basquete, não tem mais bobo no futebol e o céu é azul.

Esse título do Mavs deu uma confirmação histórica a muita gente que já fazia por merecer, fez muita gente feliz por ver o Miami Heat perdendo, mas não vai mudar os rumos do basquete e não há uma franquia sequer que não sonhe em ter um Big 3 para chamar de seu.

…..
Pelo o que eu sei o Danilo está com um projeto de post sobre o lado dos perdedores, divagando sobre o Heat e o que essa derrota significa para LeBron James e cia. E quando eu voltar para o Brasil começo a trabalhar em tudo o que comentei no começo do texto, certo? Até lá aproveitem o Bola Presa como se ele tivesse sido feito no Geocities nos anos 90. Coisa das boas.

>As trocas discretas

>

A arte de achar os jogadores trocados na mesma foto

Eu sei que vocês estão esperando a análise da troca do Kendrick Perkins pelo lado do Thunder, mas deixei esse prazer para o Danilo, que está fora no fim de semana. Amanhã esse é o assunto então, certo? Hoje vou falar de duas trocas um pouco menores, que não chamaram a atenção no dia mais movimentado da temporada regular até agora. Mas nem por isso não são assuntos interessantes, muito pelo contrário.

Para ver todas as trocas que ocorreram na data-limite de negociações, clique aqui.

A primeira envolve o Atlanta Hawks e o Wahsington Wizards. Nela o Hawks mandou o Mike Bibby, uma escolha de Draft e os reservas Jordan Crawford e Maurice Evans em troca de Kirk Hinrich e Hilton Armstrong. Essa troca do Hawks foi muito, digamos, Hawks. Desde que contrataram o Joe Johnson em 2005 eles nunca foram um time de fazer loucuras para mudar o elenco, a maior, se vocês pensarem bem, foi gastar uma nota preta na renovação do mesmo JJ justamente com o intuito de não mudar o time. Depois de fracassar por tanto tempo nos anos 90 e no começo dos anos 2000 eles sossegaram agora que estão satisfeitos com a posição que estão: Não são bons o bastante para brigar com Miami Heat, Chicago Bulls, Boston Celtics e Orlando Magic pelo topo, mas ainda estão bem à frente de quem corre atrás como New York Knicks, Indiana Pacers, Milwaukee Bucks e etc.

A ambição para ser melhor até existe, mas eles não estão prontos para implodir o time atrás disso, então vão comendo pelas beiradas, pouco a pouco, quando a oportunidade aparece. Foi assim em 2008 quando aproveitaram um momento de reconstrução do Sacramento Kings para trocar por Mike Bibby, o tipo de armador que eles procuravam faz tempo. A chegada dele melhorou o time, mas não durou muito tempo, desde o  fim da temporada passada o jogador tem mostrado sinais de envelhecimento: está lento, defendendo mal e, como eu até mostrei no gráfico do Buraco Negro, hoje até atua mais sem a bola, como um arremessador. Com isso, para a armação o Hawks tinha três shooting guards, Bibby, Joe Johnson e Jamal Crawford. Não é o ideal.

A solução foi negociar com um time que tinha armador sobrando, precisava de arremessadores e queria economizar um pouco. A economia foi pouca para os padrões da NBA, mas é alguma coisa. O Hawks pega o contrato do Hinrich, que ganha 9 milhões nesse ano e 8 milhões na próxima temporada, junto com Hilton Armstrong que ganha menos de 1 milhão esse ano, o último de seu contrato. O Wizards pega o Bibby, que tem contrato ainda por essa e mais uma temporada, ganha 5 milhões nessa e 6 na próxima. Os 2,5 milhões do Maurice Evans fizeram a troca viável, mas o contrato é expirante, acaba ao fim dessa temporada. O Wizards salva uma graninha ano que vem, nada mal.

Com poucos riscos para os dois lados é de se surpreender que tenham deixado a troca pra última hora. O Wizards é um dos piores times em bolas de três pontos mesmo tendo trocado pelo Rashard Lewis há algum tempo, ter o Bibby para atuar alguns minutos ao lado do John Wall é um bom jeito de abrir espaço para infiltrações, além de manter a mesma estratégia de deixar um armador experiente treinando e jogando do lado do garoto. É pouco, claro, mas Kirk Hinrich não estava fazendo muito diferente e na troca eles ainda receberam duas coisas para investir: Uma escolha de Draft, que sempre pode virar alguma coisa, e Jordan Crawford. O cara ficou famoso no mundo todo por ter enterrado na cabeça do LeBron James no infame caso do vídeo confiscado, mas depois disso ainda fez carreira como impressionante pontuador no basquete universitário. Pode acabar virando um bom reserva para o Nick Young, nunca se sabe.

O Hinrich não ajudava muito o Wizards porque para quê serve um cara que defende bem no 1-contra-1 se na cobertura dele está o Rashard Lewis que não se dá ao trabalho de se mexer, o Andray Blatche que está ocupado demais comendo seu Danoninho Ice e o JaValle McGee, que é capaz de cometer 18 erros de rotação seguidos só para conseguir um grande toco que apareça no Top 10 do dia? Era desnecessário ele por lá. E convenhamos, o rapaz merece a chance de jogar em um time melhor. Captain Kirk foi o rosto que simbolizou o Bulls dos últimos 10 anos: Bom, mas longe de ser espetacular. Ele ficou em Chicago por muito tempo sendo o melhor jogador ou pelo menos o líder de equipes que deveriam ser melhores do que foram. Quando eles finalmente conseguem um técnico espetacular, um jogador de garrafão que sabe pontuar (meu deus, depois de uma década pedindo!) o pobre do Kirk é trocado para, lembrem-se, abrir espaço para contratar LeBron James e/ou Dwyane Wade. Se o Bulls hoje é o 6º time que menos gasta com salários, um dos motivos foi por ter se livrado dele.

Por ter sofrido tanto em times ruins ele merece a chance de jogar em uma equipe que tem chance de brigar (o que não quer dizer vencer) com equipes do alto escalão da liga. O técnico Larry Drew desde o começo da temporada tenta implantar um novo sistema ofensivo em que os jogadores se movimentam mais e eles usam menos isolações do Joe Johnson. No começo da temporada eles estavam voando e todos os jogadores elogiando a mudança, mas alguns meses depois e eles, que eram o segundo ataque mais eficiente da temporada passada, são hoje só o 15º. Muito da dificuldade está na criação das jogadas, sem um armador nato eles acabam tendo um ataque estagnado e mesmo tendo dois bons jogadores no garrafão, Josh Smith e Al Horford, marcam mais pontos longe do que perto da cesta. É um time que por mais que tente mudar ainda vive de pontos oriundos de jogadas individuais, ter o Hinrich comandando os pick-and-rolls pode mudar um pouco isso.

Por outro lado creio que a maior mudança será mesmo no outro lado da quadra, se a defesa deles não é espetacular um dos motivos é que todo armador um pouquinho mais rápido voava pelo Mike Bibby. O Hinrich em compensação é um ótimo marcador e pode dar conta do recado por lá. Eu acho que para ir além da posição que está agora o Hawks deveria trocar Josh Smith e/ou Marvin Williams por um grande pivô, alguém que possa parar o Dwight Howard (provável adversário de primeira rodada e que tem o hábito de almoçar o Hawks com molho da própria carne e purê de maçã) e que deixasse o Al Horford usar seu talento e força para torturar outros alas de força ao redor da liga. Mas acho que isso seria um risco muito grande para o conservador Hawks, talvez na próxima temporada.
…….

Mark Cuban faz o que melhor sabe: reclamar

A outra troca é praticamente insignificante para o resto da NBA. O New Orleans Hornets mandou o Marcus Thornton em troca do Carl Landry, que estava no Sacramento Kings. A troca é engraçada por um lado porque ela até poderia ter sido relevante se tivesse sido realizada há, sei lá, 10 meses. Nessa época o Landry havia sido trocado do Rockets para o Kings e era um dos líderes da NBA (é sério!) em pontos no quarto período, a sua força e seus insanos rebotes ofensivos era o que muito time por aí queria. Já o Marcus Thornton era, junto com Darren Collison, os pontos positivos de uma temporada desastrosa do Hornets. Ele tinha um arremesso de três preciso e liderou o time em pontos muitas vezes.

Alguns meses depois e o Kings afundou Landry no banco atrás de Jason Thompson, DeMarcus Cousins e até Donte Greene algumas vezes. Uma das peças de troca mais importantes deles foi sabotado pela própria equipe. Coisa parecida aconteceu no Hornets: enquanto trocaram Collison a peso de ouro, Thornton foi para o banco, perdeu espaço para Marco Belinelli e Trevor Ariza e aos poucos foi morrendo na rotação do novo técnico Monty Williams. Com os dois valendo metade do que valiam há pouco tempo, foram trocados um pelo outro.

O Hornets está satisfeito com sua rotação de armadores com Chris Paul, Jarret Jack, Marco Belinelli e Willie Green, fazia sentido trocar por um jogador de garrafão melhor que o Jason Smith para dar uma força vindo do banco. Em compensação o Kings era o oposto, com tanta gente no garrafão era desnecessário ter um cara como o Landry e eles estavam rezando para ter um shooting guard melhor que o Luther Head pra usar quando o Tyreke Evans se machuca, o que tem sido constante nessa temporada. Uma troca que teria sido útil e discreta se não fosse por uma pessoa, Mark Cuban.

O Mark Cuban é dono do Dallas Mavericks, mas também se considera um pouco dono do New Orleans Hornets. E não sozinho, mas junto com os outros 28 donos de times na liga. Como explicamos nesse post, o Hornets foi vendido e agora é gerido pela própria NBA, ou seja, todos os outros times da liga, por fazer parte da Associação, são um pouco responsáveis pelo Hornets até arranjem um novo dono. Cuban se mostrou insatisfeito com a troca porque ela não foi financeiramente boa para o Hornets, que teoricamente está nessa situação por falta de dinheiro. Eles mandaram o contrato de menos de 1 milhão de dólares de Thornton e pegaram o de 3 milhões do Landry em troca, fazendo o negócio funcionar apenas por usar uma daquelas “trade exceptions” que explicamos no post do Carmelo Anthony.

As trade exceptions fazem a troca funcionar, mas não mudam a questão financeira. A folha salarial e os gastos do Hornets aumentam. Nas palavras do Mark Cuban:

“Se o New Orleans está pagando 2 milhões a mais, o time está perdendo dinheiro e eu sou dono de 1/29 da equipe, vou contra a maré e digo que isso está errado. Eles estavam dispensando jogadores por causa de salário antes de serem vendidos para a gente e agora querem pegar jogadores mais caros. Está errado em todos os sentidos. A NBA deveria criar um orçamento para o time e nunca me ocorreu que esse orçamento diria para eles gastarem ainda mais para trazer novos jogadores.”

O Mark Cuban ainda afirma que outros times tinham interesse no Carl Landry, mas que não o pegaram por causa do salário e que agora esses times, de certa forma, estão pagando para ele jogar em outra equipe. As críticas dele fazem todo o sentido do mundo e começam a mostrar a dor de cabeça que é a NBA ser dona de uma de suas franquias. É torcer para aparecer algum milionário logo para encerrar essa situação que era uma polêmica esperando para acontecer. Quem está certo ou errado nem tem muita importância nessa caso, aposto que a NBA não jogaria dinheiro no lixo, mas o problema é existir essa situação que inevitavelmente vai criar questões difíceis de serem respondidas.

É torcer para acabar logo ou para o Hornets pegar o Dallas na primeira rodada dos playoffs e o Carl Landry fazer uma cesta no último segundo. Só pra ver a entrevista do Cuban depois.

…..
Aos poucos estou atualizando a nossa planilha de Elencos da temporada com todas essas trocas. Consultem sempre, fica na nossa barra lateral.

>Hora de se mexer

>

Caron Butler e a alegria contagiante de B.Haywood e D.Stevenson

O Danilo fez um texto muito legal há pouco tempo sobre a nova defesa por zona que o Rick Carlisle implementou no Dallas Mavericks. É com essa defesa que o Dallas tem incomodado muito os ataques adversários, principalmente forçando eles a arremessos de média e longa distância. O Mavs é o oitavo time que menos permite tentativas de arremesso perto da cesta, está no meio da tabela em permitir tentativas de três pontos e é o quarto que menos sofre tentativas de lances livres, ou seja, obriga os adversários a chutarem muito de meia distância, que é o tipo de arremesso de menor aproveitamento na NBA atualmente. Em outras palavras, a defesa do Dallas é o que os colocou como um dos melhores times do primeiro terço de temporada.

Porém, no basquete não dá pra abrir um a zero, colocar mais um volante e ficar fazendo falta pra segurar o jogo. Você é obrigado a ir ao campo de ataque e fazer alguma coisa e para isso o Mavs estava contando com uma temporada fora de série de Dirk Nowitzki. O alemão mantém os 24 pontos de média que são o seu padrão nos últimos tempos, mas ao invés de fazer isso com 48% de aproveitamento, está com assustadores 54%! E vocês conhecem o Dirk, sabem os arremessos desequilibrados e doidos que ele tenta, acertar 54% é um absurdo de bom. A sua média de arremessos tentados é 16 por jogo, número baixo para um jogador do seu nível, mas que tem a ver com um Dallas que tem passado mais a bola do que de costume já desde a temporada passada. Eles eram um time focado em jogadas individuais por muitos anos, mas desde o ano passado estão no Top 5 de time que mais distribuem assistências.

Com o time entrosado, passando bem a bola e liderados pelo Dirk, o ataque do Mavs também estava fluindo com qualidade. Até que o alemão se machucou. Sem seu cestinha eles conseguiram vencer o Thunder fora de casa com uma atuação monstruosa do Jason Terry no quarto período, mas o sucesso foi breve. Logo perderam do Spurs e até do horrível Toronto Raptors, que na ocasião estava sem meio time. A defesa ainda estava lá (foi o que manteve eles na briga com o Spurs), mas no ataque ficaram estagnados. Apesar dos poucos chutes do Nowitzki por jogo, ele é importante para começar as jogadas. É com a dupla marcação que ele sofre que o time começa a rodar a bola até achar o cara livre, sem essa ameaça o time tem que penar muito mais em movimentações e jogadas individuais para achar alguém em posição para finalizar.

No último Filtro Bola Presa eu mostrei números que mostravam essa dependência do Dirk, posto aqui de novo:

Diferença de pontos por 48 minutos
Com: + 13.3  / Sem: -13.7
Pontos por 48 minutos
Com: 104.7  / Sem: 83.9
Pontos sofridos por 48 minutos
Com: 91.4   / Sem: 97.6
Aproveitamento de arremessos
Com: 49,9% / Sem: 42%
Aproveitamento de bolas de 3 pontos
Com: 38,5%  / Sem: 29%

Nunca é bom depender tanto de um cara, mas acontece e não seria o fim do mundo porque o alemão deve voltar em breve. O problema maior foi que durante esse período o cestinha do time foi Caron Butler, e agora ele está machucado também, e não é por uma ou duas semaninhas, as notícias mais recentes afirmam que será por toda a temporada.

O Dallas tem bons chutadores como Jason Terry, JJ Barea e até Jason Kidd, sem contar Dirk, claro. Tem Shawn Marion e Tyson Chandler que se movimentam bem sem a bola para finalizar no garrafão, mas só tinha um jogador que tinha como característica botar a bola no chão, driblar e atacar a cesta, era Butler. Ele nem atacava tanto a cesta como deveria, às vezes confiava demais no seu step-back jumper, aquele arremesso com um passo pra trás que era sua marca registrada, mas mesmo fazendo menos do que devia era o líder do time nisso. Equipes que vivem de arremessadores como o Mavs sempre têm períodos dentro de um jogo em que a bola cisma em não cair, é nesses momentos que falta alguém que jogue mais perto da cesta. O Mavs perdeu esse jogador para toda a temporada.

É preocupante porque no fim das contas, como pontuadores confiáveis eles tinham só Nowitzki, Butler e Terry. O resto raramente passa dos 15 pontos em uma partida. E o Terry é o pontuador menos confiável que você pode ter, ele é capaz de qualquer dia fazer como nos jogos contra Thunder e Heat: feder por três quartos sem parar e aí marcar 90% dos pontos da equipe no último período e vencer o jogo. Mas quem é que mantém o time sequer perto do placar quando o Terry não está com a mão pegando fogo? Em um jogo que acaba 100 a 98 o Terry é o cara que faz os dois pontos de diferença, mas não o que marca os outros 98 que deixaram a partida empatada.

O Mavs nunca está para brincadeira em uma temporada. O Mark Cuban, dono do time, é um zilionário entediado que quer ter o seu time de basquete e quer vê-lo disputando títulos para se divertir. Tá bom que ele nunca ganha, mas pelo menos estão sempre nos playoffs enfrentando as grandes equipes de igual pra igual, é o que vale. Pela falta que fará o Butler e pelo histórico ativo em trocas do Mavs do Cuban, acho difícil que eles fiquem de braços cruzados com um jogador tão importante fora do resto da temporada.

Se tem uma coisa boa nessa contusão do Caron Butler foi o seu timing, pouco antes de um mês antes da data-limite para trocas no meio da temporada. Até agora só o Magic fez trocas bombásticas e muitos dos jogadores que especula-se que serão trocados ainda estão em seus times, então dá tempo para o Mavs meter o bedelho e ver o que consegue. O alvo principal deve ser Carmelo Anthony. Há algum tempo, mesmo com Bulter saudável, comenta-se isso na imprensa americana e embora uma declaração oficial tenha dito que não há interesse do Mavs, eu não acredito. Por que diabos um time como o Dallas não gostaria de ter o Melo? Por que não há garantia de extensão de contrato? Oras, o Butler também é Free Agent ano que vem e não tem, qual seria a diferença?

Os problemas para essa troca estão no outro lado. Geralmente quando um time troca um jogador do nível do Carmelo Anthony tenta-se mandar o cara para a outra conferência. Não é bom ajudar seus rivais locais a montar supertimes e o Denver não vai ajudar o Mavs a ter um time tão bom, já basta ter Lakers e Spurs para enfrentar nos playoffs. Além disso, os contratos expirantes de Butler e DeShawn Stevenson seriam só para virar farofa no ano que vem, então eles poderiam muito bem receber o Eddy Curry do Knicks ou o Troy Murphy do Nets, o que não falta é time com salários grandes e prontos para acabar. Vamos então ao ponto que é o que vão mandar junto do salário expirante. O Knicks não quer mandar Landry Fields e tem suas dúvidas em mandar Gallinari ou Wilson Chandler, o Nets parece que toparia mandar o Derrick Favors e mais qualquer um que não seja o Brook Lopez. Já o Mavs teria para oferecer só o Rodrigue Beubois, que dependendo do seu otimismo pode ser uma estrela daqui uns anos ou só um bom reserva.

Por essas razões eu acho que o Melo em Dallas é possível, mas muito improvável. É certeza que eles vão chamar o Nuggets para conversar, mas não vejo nada saindo dali. Então podemos pensar, quem mais o Mavs poderia tentar? O Bobcats está em modo de demolição depois da saída do Larry Brown e doido para fazer trocas, o veterano Stephen Jackson não é intocável e poderia dar certo no Dallas embora seja mais arremessador do que qualquer outra coisa. No mesmo Bobcats tem o Gerald Wallace, que não é pontuador nato mas quebraria mais que um ótimo galho. Outros nomes como Corey Maggette e Rip Hamilton fariam bastante sentido, mas acho que de todas as opções nenhuma se encaixa melhor do que Andre Iguodala.

O ala do Sixers vive um momento estranho na sua carreira. Ele é disparado o melhor jogador do elenco do seu time, sem discussão, mas a melhora deles na tabela (atualmente 9º no Leste depois de um começo de temporada patético) se deu justamente quando tiraram responsabilidades das mãos de A.I. Ao invés dele comandar o ataque como um point-forward, Jrue Holiday tem mais tempo com a bola. Eles também usam mais o Elton Brand dentro do garrafão e de lá criam jogadas para os arremessadores Jodie Meeks e Andres Nocioni. Até quando joga junto dos reservas o time está dando mais espaço para o novato-decepção Evan Turner, que volta e meia mostra um relance de bom basquete, mas logo esquece. Sobra para o Iggy alguns momentos de glória nos últimos períodos quando deixam ele infiltrar em jogadas de isolação ou quando o time volta às suas origens de contra-ataque, em que ele é mestre. Mas é só isso, ele não é mais essencial como já foi, embora ganhe um salário de quem deveria ser armador, ala, pivô, técnico e deus dentro do time.

Temos então o Sixers que paga demais por um jogador que não é  mais tão necessário e que ao mesmo tempo está doido para cortar custos e do outro lado o Mavs, com contratos expirantes para oferecer e que adoraria um jogador com as qualidades do Iguodala: bom passador, ótimo nas infiltrações e que pode arremessar de longe (embora não se deva contar com isso). Sem contar que Iguodala é um excelente defensor, tanto no homem a homem como interceptando linhas de passe, ele seria mais do que útil em uma série de playoff marcando Kobe, Durant ou Ginóbili. Sim, ele é caro e o contrato tem mais 4 anos de duração, mas não é o Mark Cuban o cara que não liga para as multas que vai ter que pagar?

O propósito do post é dizer que o Mavs tem que se mexer e que oportunidades não faltam. Não gosto de ficar comentando trocas que não aconteceram, mas essa do Iguodala é, pra mim, muito óbvia para não acontecer! Mais óbvia que isso só o fato da TV dos anos 90 ser melhor do que hoje. Em termos de salários a simples troca DeShawn Stevenson e Caron Butler por Andre Iguodala já daria certo, mas imagino que o Sixers deveria pedir algo mais como escolhas de draft ou até o mesmo Beubois, o que poderia complicar o negócio. Talvez mandar o francês seja demais, mas algumas escolhas de draft o Mavs não teria porque negar. É sentar numa mesa (ou numa churrascaria se você for o Ronaldinho) e botar para funcionar. A excelente temporada do Mavs depende de uma mudança para continuar dando certo.

1 2 3