[Preview] Semi-finais da Conferência Oeste

San Antonio Spurs (2) x OKC Thunder (3)

Acho que podemos dizer que quando times que mantém seu núcleo se enfrentam pela terceira vez nos Playoffs já é rivalidade, né? Spurs e Thunder, sem mudarem seus jogadores mais importantes, se pegaram nas finais do Oeste de 2012 e 2014. No primeiro confronto o Spurs vinha de umas 180 vitórias seguidas (ou eram 20?) e abriram 2-0 na série, mas de repente perderam 4 seguidas e o melhor time da temporada deu adeus.

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Dois anos depois o Thunder ameaçou fazer o mesmo e igualou uma série que perdia por 0-2, mas aí o Spurs colocou Boris Diaw no time titular, reagiu, venceu, foi para a final contra o Miami Heat e se sagrou campeão.

Somando esse histórico a tudo o que aconteceu na temporada regular dos últimos anos, podemos afirmar que o OKC Thunder é um raríssimo time que sabe incomodar o San Antonio Spurs há tempos. Mas será que é o bastante para parar a versão 2016 do time de Gregg Popovich?

O paradoxo dos pivôs

O paradoxo dos pivôs

Por tanto tempo ouvimos Dirk Nowitzki ser acusado de ser um jogador sem porte físico, fracote, “soft”, daqueles que não aguenta nenhum impacto tanto no ataque quanto na defesa. Sua capacidade ofensiva sempre encontrou brechas para isso, com seu arremesso por cima da marcação numa perna só que lhe cria o espaço necessário sem ter que ficar dando ombradas ou correndo de um corta-luz para o outro. Na defesa, alvo maior de críticas, Nowitzki demorou um pouco mais para encontrar soluções. Tornou-se um bom marcador por zona sem ter que trombar com corpos, aprendeu a cobrir seus companheiros e fez parte de uma fantástica defesa coletiva – mesmo sem muitos talentos defensivos individuais – naquele Mavs campeão em 2011. Nowitzki provou que seu talento era maior do que quaisquer limitações físicas que pudessem lhe apontar e subitamente a percepção dele foi completamente alterada, como mostramos num dos nossos clássicos infográficos da época:

Aprendendo com o Sixers

No último sábado quase vimos o Sixers chocar o mundo – embora ter perdido para o Warriors apenas no último segundo já seja choque suficiente para uma noite, claro. O absurdo da situação está no fato de que esse Sixers não apenas tem o pior início de temporada de toda a HISTÓRIA – tendo perdido seus primeiros 18 jogos – como também flertou durante a primeira metade da temporada com a possibilidade de não alcançar sequer 9 vitórias, pior marca numa temporada cheia na NBA. Isso, claro, enquanto o Warriors está de namorico com a ideia de ter o maior número de vitórias numa temporada, recorde atualmente do Bulls de 1995-96 com 72 jogos ganhos.

Assim como nas quatro derrotas que o Warriors tem na temporada, um desfalque no elenco acabou tendo papel no drama (no caso, Andre Iguodala foi poupado e Festus Ezeli ainda está fora com uma lesão no joelho), mas o susto que o Sixers deu no atual campeão foi mais fruto de dois fatores: o primeiro é que esse Sixers já não é mais o saco de pancadas do início da temporada, tendo vencido 3 dos últimos 10 jogos e parecido outra equipe desde a chegada de Ish Smith; o segundo é que o Sixers, por mais estranho que possa parecer, tomou uma série de decisões corretas na hora de enfrentar o Warriors que podem apontar para soluções possíveis para vencê-los.

Só pode haver um

Quando o Cavs perdeu para o Warriors pela vexatória diferença de 34 pontos, comentamos em nosso podcast que “se fosse futebol brasileiro, esse era o tipo de derrota que derrubava técnicos”. Parte mentalidade de futebol brasileiro, parte pressão de LeBron James e agregados, parte Maldição Bola Presa™, eis que David Blatt realmente caiu, mesmo comandando o time líder da Conferência Leste. O abismo entre as duas equipes ficou tão gritante, tão evidente, que era necessário fazer algo drástico – calhou de ser a demissão do técnico, o elo mais fraco.

Na madrugada de ontem chegou a vez do Warriors enfrentar o Spurs – um time sem elos fracos – no que era o jogo mais esperado da temporada até agora. Também flertando com aquele simbólico recorde de vitórias numa temporada que o Warriors está perseguindo, o Spurs parecia ter todas as peças para fazer frente ao time líder da NBA e colocar um pouco de emoção no campeonato. Talvez perdesse; talvez não tivesse ainda a procurada solução mágica para parar o Warriors; talvez faltasse executar com perfeição o plano proposto pelo técnico Gregg Popovich; mas ninguém estava preparado para uma SURRA colossal.

Por trás dos 53

Em 2013, Stephen Curry teve uma das partidas mais espetaculares da história do Madison Square Garden quando estabeleceu seu recorde de pontos num jogo: 54. Com um Warriors amplamente desfalcado, sem seus principais jogadores de garrafão, Curry teve que fazer tudo sozinho: jogou todos os 48 minutos possíveis da partida, sem sentar um segundo sequer para descansar; converteu surreais 11 bolas de três pontos em 13 tentativas; acabou o jogo exausto, dizendo não sentir direito suas pernas. Ainda assim seu esforço não foi suficiente, com o Knicks de Carmelo e então Tyson Chandler conseguindo uma vitória nos minutos finais.

Os 53 pontos que Stephen Curry marcou no último sábado (incluindo 28 pontos apenas no terceiro período), ainda em sua terceira partida na atual temporada, foram amplamente celebrados e assistidos e compartilhados por todos os lugares – de uma maneira tal que, em meio ao espetáculo dos seus arremessos, corremos o risco de perder as pequenas coisas impressionantes que aconteceram por trás dessa atuação. Quão diferente ela foi de seu recorde de 54 pontos? Como se saíram os outros jogadores, ofuscados pela partida incrível do armador?