Adeus, Serge Ibaka: o Thunder não tem medo

Se você é como a gente e sempre gosta de um pouquinho de bagunça para chacoalhar a NBA, deveria estar empolgado antes do início do Draft 2016, que rolou na quinta-feira. Eram poucas as escolhas entre as dez primeiras que não fossem alvo de sérias especulações. O Philadelphia 76ers, claro, iria manter sua primeira e assegurar Ben Simmons, mas eles mesmos pareciam tarados pelo armador Kris Dunn e pareciam dispostos a oferecer bastante coisa para Boston Celtics, Phoenix Suns ou Minnesota Timberwolves para entrar na jogada.

https://twitter.com/WojVerticalNBA/status/746076858370899968

https://twitter.com/ESPNSteinLine/status/746123416097423361

Preview 2012/13 – Milwaukee Bucks

Continuamos aqui o melhor preview da temporada já escrito por um blogueiro preguiçoso que deixa tudo pra última hora. Veja o que já foi feito até agora:

Leste: Boston Celtics, Cleveland Cavaliers, Brooklyn Nets, Indiana Pacers, Atlanta Hawks, Washington Wizards, Chicago Bulls, Orlando Magic, Toronto Raptors, Philadelphia 76ers, Charlotte Bobcats e Detroit Pistons

Oeste: Memphis Grizzlies, Sacramento Kings, Denver Nuggets, Golden State Warriors, San Antonio Spurs, Los Angeles Clippers, Phoenix Suns, OKC Thunder, Minnesota Timberwolves, Utah Jazz e Dallas Mavericks e New Orleans Hornets

Até o esperado dia 30 de Outubro, quando teremos a rodada inicial da Temporada 12/13 da NBA, todos os times terão sido analisados profundamente aqui no Bola Presa.

Nesse ano vamos repetir uma ideia de uns vários anos atrás. Ao invés de só comentar as contratações e fazer previsões, vamos brincar de extremos: O que acontecerá se der tudo certo para tal time, qual é seu teto? E o que acontecerá se der tudo errado, onde é o fundo do poço? Em outras palavras, como seria um ano de filme pornô, onde qualquer entrega de pizza vira a trepa do século? E como seria um ano de novela mexicana, onde tudo dá errado e qualquer pessoa pode ser o seu irmão perdido em busca de vingança?

Hoje é dia de falar do Milwaukee Bucks, que representa a cidade com o apelido mais estranho que eu já vi, a Atenas Alemã. Sim, isso mesmo. No fim do século XIX existiam mais pessoas falantes de alemão do que de inglês em Milwaukee e até hoje, segundo a Wikipedia, a lista telefônica local tem mais de 40 páginas de pessoas com o sobrenome Schimitt ou Schimidt. A parte do “Atenas” é pela sofisticação cultural da cidade na época. A presença de alemães no local também serviu para a cidade virar a “Cidade da Cerveja”, um apelido de mais apelo popular.

 

Milwaukee Bucks

 

 

 

 

 

No meio da temporada passada o Bucks trocou Andrew Bogut por Monta Ellis. Era o fato simbólico que confirmava uma das transições mais estranhas da história recente da NBA: em 2009-10 o Bucks foi para os Playoffs com a 2ª melhor defesa da NBA. No ano seguinte, conseguiram ficar em na mesma categoria. E em 2011-12? Apenas a 16ª defesa da NBA! Mais que isso, enquanto em 2010-11 o Bucks era o 5º time mais lento (contando posses de bola/jogo) da liga, no ano passado foi o 3º mais veloz. O ataque, o que menos produziu pontos na temporada retrasada, foi o 13º melhor do ano passado.

Para quem se perdeu nos números, eu explico. Nas temporadas 2009-10 e 2010-11, o Bucks se firmou como uma das defesas mais sólidas e bem treinadas da NBA. No ataque o time era lento, trabalhava a bola durante todos os 24 segundos de posse de bola e mesmo assim tinha aproveitamento ruim. De repente, de um ano para o outro, o time passou a jogar sem jogadores altos, a correr no ataque e deixou a defesa completamente em segundo plano. E pior, isso tudo foi antes da troca de Bogut por Ellis, a chegada do veloz armador do Warriors só intensificou a mudança.

O que eu acho ainda mais perturbador nisso tudo é que o técnico que proporcionou essa mudança não foi um doido como Don Nelson, nem um cara versátil com Rick Carlisle ou George Karl, mas o coxinha-mor Scott Skiles. O cara que implicava com qualquer jogador que bate a bola por um segundo a mais que ele queria tava liberando geral para Brandon Jennings correr à vontade enquanto Drew Gooden era o pivô titular de sua equipe. Sério, ainda não entendi o que aconteceu.

Meu palpite é que algo aconteceu na vida do Scott Skiles e ninguém me avisou. Ele se curou de um câncer, viu a morte diante dos olhos e sobreviveu, fez as pazes com o pai que abusava dele ou qualquer merda do tipo. Ele está tão mais de bem com a vida que decidiu mandar a merda todo aquele mal humor, mandou todos os meninos correrem, jogarem basquete e, antes que tudo, serem felizes. Será que assim faz sentido? Talvez faça apenas acreditar que foi um teste feito por ele em uma temporada perdida e que para esse ano ele tentará achar um equilíbrio entre aquele time defensivo de dois anos atrás e o ofensivo do ano passado.

Para a parte ofensiva ele tem uma dupla que dá conta do recado. Brandon Jennings e Monta Ellis nunca vão reclamar que estão sendo sobrecarregados no ataque e que tem que arremessar demais, farão com prazer. E na temporada passada, para ser justo, Ellis até tentou envolver bastante os companheiros no ataque. Ele manteve as 6 assistências de média que tinha no Warriors, mas tentou 3 arremessos a menos por partida. Problema ofensivo para esse time apenas no garrafão, onde o único pontuador é a Lady Gaga da NBA, o bizarríssimo Ersan Ilyasova.

Explico o apelido. Ilyasova corre de um jeito estranho, arremessa de um jeito estranho, tem uma cara esquisita e parece pouco com seus colegas humanos. Exatamente como a Lady Gaga! Mas, assim como a minha grande musa pop, tudo o que ele faz de esquisito, faz bem. Acabou a temporada passada com 13 pontos e 9 rebotes de média. Em 5 jogos passou dos 17 rebotes, em um deles pegou 25! No mesmo dia marcou 29 pontos. O turco é muito bom e deve se firmar na NBA nesse ano.

Mas é só ele, o resto do garrafão é formado apenas de coadjuvante ou especialista em defesa. Samuel Dalembert chega depois de boa temporada no Houston Rockets para conseguir dar uns tocos e fazer o time voltar

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a ter um pivô, Drew Gooden é bom reboteiro, mas limitado. Aposto mesmo no novato John Henson, que é excelente nos tocos e nos rebotes.Fará a festa pegando rebotes ofensivos nos arremessos errados de Ellis e Jennings.

A chegada de Henson e Dalembert buscam manter o time ágil, mas sem abrir tanto a mão da defesa. Monta Ellis e Brandon Jennings tentam fazer o time produzir bastante no ataque apesar das

opções limitadas e movimentação de bola fraca da equipe. Será que é muito cobertor curto para apostar em Playoff? Quem vai pesar nessa balança são alguns dos coadjuvantes, como o bom Marquis Daniels, a eterna promessa Ekpe Udoh e Mike Dunleavy, o cara que está na NBA há mil anos e ninguém ainda sabe se ele é bom ou ruim.

 

Temporada Filme Pornô

Na temporada passada Jennings e Ellis pareceram se entender, no fim das contas os dois jogavam nas posições 1 e 2 ao mesmo tempo e era bem empolgante de assistir. Os dois entrosados são impossíveis de serem marcados, como era Ellis com Stephen Curry no Warriors.

O problema é que no Golden State o resto do time não dava conta, faziam 120 pontos e tomavam 130. A temporada ideal, pornográfica e tesuda do Bucks, portanto, envolve não só as duas estrelas se entendendo, mas o resto do time aceitando o fato de que estão lá para fazer o trabalho sujo. Se Samuel Dalembert, John Henson, Ersan Ilyasova e Luc Mbah a Moute aceitarem que vão mais fazer bloqueios e pegar rebotes do que arremessar, o time pode lutar pelas últimas vagas do Leste nos Playoffs. Não vai ser um equilíbrio fácil para o Scott Skiles paz-e-amor alcançar.

 

Temporada Drama Mexicano

Embora eu queira acreditar, embora eu tenha vontade de gritar “Fear the Deer” de novo, esse time tem tudo para dar errado. Jennings e Ellis eventualmente vão deixar tudo de lado e começar a tentar arremessos idiotas, forçados e a deixar o resto do time frustrado. Isso sem contar que nenhum dos dois é lá grande coisa na defesa e são baixos para defender qualquer armadorzinho um pouco mais alto por aí. Se tivessem aparecido na NBA em 1999, Ellis e Jennings seriam deuses. São do tipo de jogador que eram idolatrados naquela época, mas hoje em dia não são tão eficientes assim.

 

Top 10 – Melhores jogadas do Bucks em 2012

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=d2Xgdudotq4[/youtube]

O espaço na NBA

Um dos nossos últimos posts foi sobre as posições no basquete, estão lembrados? Nele falamos de um novo programa de computador que definiu novas posições para o basquete de acordo com características dos jogadores e o que eles acrescentam às equipes. Foi um modo novo de abordar um assunto que geralmente foi definido por questões físicas: o armador baixinho, o pivô gigante. Mas essa é apenas uma das dezenas de inovações tecnológicas que estão tentando mudar o basquete.

Intensidade eterna de Kevin Love finalmente comprovada

Há algumas temporadas que surgiu, por exemplo, o SynergySports uma empresa que faz análise do jogo em vídeo e transforma as imagens em estatísticas. O produto primeiro foi desenvolvido para equipes, depois imprensa e hoje qualquer um pode acessar (pagando, claro!) dados complexos de como jogadores e equipes atuam. Você pode assistir, por exemplo, todas as jogadas de pick-and-roll que o Steve Nash comandou na temporada passada. A sequência de vídeos vai demorar uma eternidade para acabar, é claro, mas dá pra aprender muito. E você ainda pode filtrar essas jogadas por erros e acertos. Dá pra compilar todos os turnovers do Kobe Bryant em jogadas de isolação só para você usar na sua próxima discussão de Twitter.

O legal do Synergy é a combinação de números com vídeo. Primeiro você pode ver os dados gerais, como porcentagem das vezes que certo jogador ou time executa determinada jogada, depois pode ver o aproveitamento (em pontos por posse de bola) dessa jogada. Com isso feito é possível analisar os detalhes por vídeo. Uma coisa é saber que o San Antonio Spurs não defende bem o pick-and-roll, outra é ver em vídeo todas as vezes que isso deu errado para poder explicar os números ruins. Ou uma coisa é ver o alto aproveitamento do Ray Allen em spot-up shots, aqueles arremessos onde o cara só recebe a bola e chuta, mas só o nível de acerto não explica como as jogadas para isso acontecer são criadas.

É difícil exportar vídeos do Synergy para serem vistos aqui no blog. Mas vocês podem acessar o site deles e usar um pouco da versão gratuita. Também achei no YouTube algo parecido, é uma compilação de spot-up shots do Steve Novak na temporada passada pelo Knicks. É basicamente isso que você vê quando clica para ver os acertos de um jogador, uma sequência padronizada de jogadas:

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=bu1w6LVoGMA[/youtube]

Essa combinação de vídeo com números surgiu para cobrir um buraco na análise do basquete que a estatística não cobria, o espaço da quadra. Por exemplo: O Rebound Rate é um ótimo número para substituir a velha média de rebotes por jogo na análise desse fundamento. Ele calcula, baseado no número de posses de bola do time e dos minutos que cada jogador fica em quadra, quantos porcento dos rebotes disponíveis esse jogador consegue agarrar. O cara pode ser ruim e passar poucos minutos em quadra, mas quando joga pode ser responsável por assegurar 60% dos rebotes que surgiram enquanto ele estava lá dentro. É um ótimo número para ranquear bons reboteiros e que pode ajudar um técnico a saber quem deixar em quadra dependendo do que ele quer. Mas é possível transformar outros jogadores em reboteiros melhores só com isso? Não. Você só aponta para o Amar’e Stoudemire e diz “Você é ruim”.

A primeira alternativa para cobrir esse assunto do espaço na quadra foram os shot charts. Aqueles já antigos e tradicionais desenhos que mostram o aproveitamento de um jogador ou time de cada lugar da quadra. Atualmente o site que faz melhor trabalho com esses números é o Vorped. Eles tem dados de todos os jogadores nas últimas temporadas e estes podem ser filtrados por jogo, por temporada ou até por quarto. Aliás, vamos usar uns dados deles e ver se vocês conhecem seus ídolos. Tentem descobrir, sem colar, quem são os responsáveis pelos arremessos das imagens 1 e 2. Valendo!

    

Adivinharam? Mas estava tão fácil! A primeira imagem mostra os locais de arremesso de LeBron James em 4º períodos durante toda a temporada regular passada. A segunda imagem tem o mesmo filtro, mas é de Kobe Bryant. A primeira constatação é óbvia: Kobe Bryant é uma metralhadora. Ele arremessa muito mais que LeBron (e qualquer outro jogador) em últimos períodos. Por outro lado, com LeBron podemos ver como ele concentra seus chutes no lado esquerdo da quadra. Que é, como mostra o próprio Vorped, o lado onde ele tem melhor aproveitamento. Isso é muito curioso porque no começo de sua carreira os marcadores de LeBron davam, na cara dura, o lado esquerdo para ele jogar. LeBron chegou na NBA dominando, era assustador, mas tinha defeitos e um deles era atacar a cesta batendo a bola com a mão esquerda. Forçaram tanto ele a jogar desse lado que agora é sua zona de conforto, onde acerta mais chutes e onde um marcador deve impedir ele de ir em um 4º período.

Mas os shot charts exibem uma limitação, eles analisam apenas os arremessos. Não falam como foram criados, em que momento da jogada foram tentados e não vão alem do chute. Não identificam rebotes, não dão conta de assistências ou qualquer outra coisa. São úteis, mas apenas para uma função muito específica.

Pensando em dar um passo a mais nessa análise espacial do basquete, uma empresa americana chamada STATS,LLC criou um sistema chamado SportVU que monitora qualquer quadra ou campo de jogo com 19 câmeras. Depois de capturadas as imagens o sistema deles consegue monitorar, arquivar e transformar em estatísticas as movimentações dos dois times, da bola e até dos árbitros. Identificando quem é cada jogador só pelo número em sua camiseta, coisa do século XXI mesmo. Lembram no Campeonato Paulista (não sei como foi nos outros Estaduais Brasil afora) que a Globo começou a mostrar quantos quilômetros cada jogador correu e um mapa de calor indicando em que parte do campo eles haviam passado mais tempo? A Globo contratou a STATS para fazer esse serviço. No basquete eles fazem a mesma coisa e 10 equipes da NBA no ano passado contrataram a STATS para testar esse programa: Wolves, Knicks, Rockets, Warriors, Thunder, Spurs, Celtics, Bucks, Raptors e Wizards.

Alguns resultados usando o SportVU começam a aparecer. Um deles é de Kirk Goldsberry, pesquisador de Análise Geográfica e professor assistente na Michigan State University. Ele usou a análise espacial em vídeo da SportVU para criar um mapa que mostra onde caíram os rebotes da NBA na temporada passada de acordo com a posição dos arremessos.

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Esse gráfico confirma com precisão gritante o que Dennis Rodman dizia sobre os rebotes caírem sempre no lado oposto de onde foram arremessados. Tá bom que isso é uma coisa que a gente já sabe faz um tempo, mas nunca é demais ter a confirmação estatística e tão detalhada. Sem contar que achávamos que muitas coisas eram verdade e depois descobrimos que eram só lenda, sempre bom ter apoio de outras áreas.

Em um post no fórum APBRMetrics, o próprio Kirk Goldsberry diz que seu estudo não é completo, mas que tem alguns pontos positivos importantes. “Esse estudo faz a gente pensar nos arremessos errados de uma nova maneira. O efeito ‘Kobe-assist’ algo que merece ser aprofundado”. A tal Kobe-Assist que Goldberry se refere é aquela jogada onde um jogador ataca a cesta atraindo os pivôs adversários, que deveriam cuidar do rebote. Aí mesmo quando a bola não cai o rebote fica fácil para o time atacante. Alguns no fórum da APBRMetrics também chamam de “Derrick-Rose-Assist”. Goldsberry diz que esse estudo não analisa a situação onde esses arremessos são tentados e que isso é uma limitação, mas obviamente é algo bem interessante e importante.

Outro gráfico que Goldsberry fez usando o SportVU dá mais detalhes sobre aproveitamento e localização dos arremessos no último ano:

 

 

É muito legal ver os pontos em branco, são basicamente pontos da quadra ignorados pelos jogadores da NBA, considerados ruins e de baixo aproveitamento. Em compensação, além da área próxima à cesta é possível ver como o arremesso de 3 da zona morta é o mais valioso de toda a liga: Seu aproveitamento em porcentagem é quase igual aos arremessos de média distância e valem 50% mais.

Uma outra coisa confirmada aqui é que o aproveitamento dos arremessos é levemente melhor no lado direito (LeBron é exceção), mas, por incrível que pareça, isso não quer dizer que os times tentem mais arremessos do lado direito da quadra. Também não dá pra ignorar que a melhor liga de basquete do mundo beirou os 35% de aproveitamento em todos os arremessos fora aqueles colados à cesta. Esse ano de locaute teve números piores que a média dos últimos anos, mas mesmo assim é algo preocupante. O arremesso de meia distância é, como gostam de dizer os caras da velha guarda, uma arte perdida.

(FOTO)

Mas o uso do SportVU vai muito além desses mapas. Muito mesmo. Em alguns dados divulgados no site da empresa para demonstrar o produto eles dão detalhes muito reveladores sobre o Kevin Durant. Sabiam que ele tem aproveitamento de 40% nos seus arremessos quando bate a bola mais de 5 vezes antes do chute? E que esse número sobre para para 55% quando ele só pega a bola e arremessa? Será que devemos reclamar tanto assim de ter o Russell Westbrook comandando o ataque enquanto Kevin Durant fica longe da bola só tentando ficar livre?

Dos 10 times que usaram esse produto, poucos divulgaram resultados. Um dos que mais falou sobre a experiência foi o Wolves, que até fez um especial dizendo detalhes sobre a instalação das câmeras especiais no topo do Target Center e falando sobre o sistema. Reproduzo aqui o que Brian Kopp, vice presidente da STATS,LLC disse ao site do Wolves.

“A primeira coisa analisada são as que podemos fazer só vendo o jogo. Quantas vezes tal jogador toca na bola em determinada área da quadra? Qual sua eficiência na cabeça do garrafão ou perto da cesta? Você poderia contar essas coisas manualmente, mas seria um saco. Depois tem a questão dos rebotes, com nosso sistema podemos contar quantos rebotes são pegos por um jogador sozinho, quantos são com outros jogadores em volta, além de medir a movimentação dos jogadores em bloqueios que evitam que o adversário pegue o rebote. Por fim temos a análise física, podemos medir a velocidade e espaço coberto por um jogador, podendo até afirmar quando ele cansou”. (Aqui estão a Parte 2 e Parte 3 do especial do Wolves)

Uma das conclusões mais interessantes da análise do time de Minnesota foi que Kevin Love está nos níveis “max” ou “sprint” (algo como “arranque” em português) de velocidade com mais frequência que qualquer outro jogador analisado pelo sistema em qualquer time. Ou seja, Love pode não ser o cara mais atlético da NBA, mas ninguém se esforça mais do que ele em quadra. Isso deixou orgulhoso o técnico do time, Rick Adelman, mas também preocupado. Correr mais e jogar no limite aumenta o risco de contusões. A análise pode ser um jeito de dedar preguiçosos, mas também pode servir para avisar um jogador quando ele pode maneirar.

 

O grande desafio para quem tem esse sistema é descobrir o que é útil e o que não é, porque o que não falta é material novo. Sabia que agora eles conseguem medir a altura de cada arremesso e descobrir quais são os mais precisos? E que dá pra ver a variação de altura entre os arremessos certos e errados de cada jogador? Caras como Ray Allen, Kevin Martin e Chase Budinger arremessam exatamente na mesma altura seja em erros ou acertos, já Jamal Crawford arremessa cada hora de um jeito. E o prêmio Derek Fisher de arremesso mais alto não vai para Derek Fisher, mas para Ersan Ilyasova, que deixa a bola a 4,7 metros do chão no ponto máximo do arco de seu chute. Coisa de doido saber de tudo isso!

Mas dá pra conseguir coisas mais relevantes do que isso. Por exemplo, analisaram resultados de infiltração rumo à cesta. Pegaram todos os jogadores que tiveram pelo menos 40 infiltrações começadas a pelo menos 6 metros da cesta computadas pelas câmeras (vale lembrar que não foram filmados todos os jogos da última temporada, só os dentro dos ginásios dos times que compraram o serviço) e foram ver os melhores aproveitamentos. O líder foi Carmelo Anthony, o Knicks conseguiu 1.66 pontos por posse de bola (número fantástico!) em toda posse que teve uma penetração de Melo. Seu aproveitamento de arremesso nessa jogada foi um comum 57%, mas ele conseguiu sofrer faltas em 1/4 das tentativas. Em outras palavras, mesmo que Melo seja apenas comum no aproveitamento direto de suas infiltrações, o Knicks rende melhor quando ele faz isso. Seja pelo rebote de ataque, seja pelo passe que ele dá depois da infiltração ou pela defesa quebrada pelo ataque.

Lindo isso, não? Mas se eras assim tão bom, Carmelo Anthony, por que o ataque do Knicks não foi bem na temporada passada? Simples, ele infiltrou dessa maneira apenas 3.1 vezes por partida. Embora Anthony seja famoso por seu arremesso de meia distância, o Knicks foi um time melhor quando ele atacou a cesta. Outra coisa, a análise pelas câmeras mostra que Anthony foi muito mais eficiente do que Amar’e Stoudemire nas posses de bola onde eles recebiam a bola na cabeça do garrafão, posição característica dos alas de força, a posição 4. Mais do que nunca fica óbvio que o Knicks funciona melhor que Melo nessa posição fazendo uma dupla falsa de garrafão com Tyson Chandler. O lugar de Amar’e nesse time? Deveria ser reserva.

Claro que a interpretação é sempre nossa no fim das contas. Lendo esses mesmos dados o Mike Woodson pode ter uma ideia completamente diferente sobre o seu Knicks. Assim como o Rick Adelman que vai decidir como lidar com a energia eterna do Kevin Love. Mas isso pode definir uma época diferente para os técnicos, se antes eles eram considerados especiais por enxergarem coisas que os outros não viam, hoje os melhores vão ser os que tomarem as melhores decisões em relação ao que todo mundo vê, contabiliza, filma, analisa, coloca em planilha e transforma em estatística.

Corrida sem futuro

Ellis sente na pele a forte defesa do seu antigo Warriors (até levantaram os braços!)

Não foi todo mundo que já fez sua estreia pelos times novos. As exceções foram Ramon Sessions pelo Lakers, Stephen Jackson, que jogou um punhado de minutos pelo Spurs e nosso assunto no post de hoje: Monta Ellis pelo Milwaukee Bucks. Eu já vinha ensaiando um texto sobre o Bucks há algum tempo, mas com outras prioridades fui deixando para depois e fiz bem, tudo fica mais interessante após a troca de Andrew Bogut pelo veloz e pontuador armador que veio do Warriors. O Bucks me chamou a atenção antes mesmo do locaute quando trocaram por Stephen Jackson na noite do Draft. Eles abriram mão da 10ª escolha no Draft (onde Jimmer Fredette foi escolhido) para contar com um dos caras mais problemáticos da NBA. Talentoso, sem dúvida alguma, mas já veterano e que tem problemas de autoridade. E pior, para ser treinado pelo mala sem alça do Scott Skiles. Era óbvio que não iria dar certo e não deu mesmo. Jackson jogou pouco, não contribuiu com grande coisa e agora, poucos meses depois do começo da temporada, foi trocado. Mas apesar do fracasso da troca, ela nos dizia alguma coisa sobre as intenções do time: Não queremos mais pirralhos, temos um time formado e queremos ir longe. Queriam vencer logo. Outra prova da falta de paciência do Bucks foi dada no tratamento do novato Jon Leuer. Mesmo que a concorrência não seja das maiores (Josh Harrellson, Andrew Goudelock, Lavoy Allen, etc.) ele era o melhor nome da 2ª rodada do Draft 2011 até Chandler Parsons, do Rockets, começar a voar nas últimas semanas. E mesmo com esse talento em mãos, Scott Skiles preferiu dar mais tempo de quadra a seus veteranos do que usar o moleque. Apesar de alguns erros típicos de rookie, muitas vezes ele era o melhor homem de garrafão do time. Outras equipes estariam babando para ter um novato assim, o Bucks o deixou de lado. O que acabou ferrando ainda mais o jovem Leuer foi o que em teoria deveria tê-lo ajudado, a contusão de Andrew Bogut. Nas últimas 4 temporadas o pivô australiano perdeu 106 jogos (bem mais que uma temporada inteira) por lesões. Cansados de esperar ele voltar outra vez, Scott Skiles resolveu revolucionar o time. Ao invés de colocar seu reserva imediato em quadra, Leuer, Skiles passou a improvisar Drew Gooden como pivô e mandou seu time correr. Quer dizer, mandou pela milésima vez, com a diferença que dessa vez obedeceram. Quem cobre o Bucks de perto afirma que o treinador, fugindo um pouco da sua postura em outros times onde trabalhou, sempre tentou fazer com que o time jogasse em mais velocidade que o normal. O problema é que seu foco na defesa assustava os jogadores, eles preferiam correr menos e não serem crucificados quando tomassem um contra-ataque do que ir para o tudo ou nada. Mas com o time baixo, sem a referência defensiva que era Bogut, sem precisar esperar o pivô chegar no ataque para rodar o ataque através dele, acabaram abraçando a ideia. Depois de ser o 6º time mais lento da última temporada, é o 7º mais rápido dessa. Lembrando que a velocidade do time é sempre contada pelo número de posses de bola por jogo. A hesitação em mudar de estilo é compreensível. Há dois anos o Bucks tinha um time que se tornou a grande sensação da segunda metade da temporada 2009-10. Eles terminaram o ano com a 2ª melhor defesa da temporada, embalaram sequências inacreditáveis de vitórias, viraram o xodó da torcida com o slogan “Fear the Dear“, viram Andrew Bogut quase liderar a liga em tocos e ser eleito para o 3º time da NBA ao fim da temporada. Mas uma contusão de Bogut (surpresa!) tirou boa parte da força do time e eles acabaram sendo eliminados pelo Atlanta Hawks por 4 a 3 na 1ª rodada dos playoffs. Desde então, ou pelo menos até o começo dessa temporada, eles tentavam repetir aquele time, a mesma estratégia, mas sem sucesso. Mesmo com Bogut ainda no elenco, antes da troca, era difícil imaginar como seria o time quando ele voltasse. Simplesmente porque o diferencial deles nesse ano era jogar sem pivô. O time titular sofreu inúmeras alterações ao longo da temporada (foram 12 combinações diferentes), mas o básico sempre foi Brandon Jennings na armação, ao lado dele Shaun Livingston (agora a posição é de Monta Ellis), depois Carlos Delfino e Luc Mbah a Moute nas alas e Drew Gooden como pivô. Os três últimos são baixos para suas posições, assim como Ellis sempre foi para a posição 2. Ou seja, é um time ágil, veloz e com dificuldades de altura para segurar o adversário defensivamente. Para minimizar essa falha, o Bucks costuma se fechar dentro do garrafão, se não podem com altura vão na quantidade, dobrando
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a marcação e deixando a vida dos pivôs um inferno. Isso faz que que eles fiquem no meio da tabela em pontos sofridos no garrafão, mas em compensação são o 5º que mais sofrem pontos em bolas de 3 pontos. Não tem jeito, time baixo é cobertor curto, o negócio é compensar no ataque, onde o Bucks tem se dado bem. Atualmente são o 11º melhor time da NBA no ataque, mas devemos levar em conta que eles demoraram para embalar. Se levarmos em consideração apenas os últimos 8 jogos, ninguém faz mais pontos por posse de bola do que o time de Scott Skiles. É um ataque em ascensão. A base desse sistema ofensivo são os 4 jogadores abertos, inúmeros bloqueios e os cortes em direção à cesta. Geralmente times que jogam sem pivô e com jogadores espaçando a quadra são conhecidos pelos arremessos de longe, caso clássico do Phoenix Suns e Golden State Warriors. Mas o Bucks é diferente, são apenas o 12º time que mais chuta de 3 pontos, nada muito acima da média. Seu jogo se baseia mais na movimentação desses jogadores abertos. Geralmente as jogadas do time começam com dois bloqueios. Um no armador, geralmente Brandon Jennings, feito por Gooden. Jennings faz o movimento de atacar a cesta, para forçar a defesa a não deixá-lo escapar. Isso deixa Drew Gooden pouco na frente da linha dos três pontos, onde recebe a bola. Ao mesmo tempo outros jogadores fazem bloqueios uns para os outros, pode ser Mbah a Moute para Ellis ou Delfino, por exemplo. É esse jogador que passou pelo segundo bloqueio que recebe o passe de Gooden, uma espécie de Boris Diaw, um point-forward (armador-ala) do Bucks. Não é à toa que outro dia até triple-double Gooden fez, todas as jogadas passam por sua mão e os adversários tem pagado para ver. Sobre os passes de Gooden, Mike Dunleavy disse semana passada que “às vezes é mágico, às vezes é trágico”. A qualidade dos bloqueios e dos cortes em direção à cesta ajudam Gooden a usar essa sua veia passadora, mas alguns turnovers de quem não é do meio ainda acontecem. Acho ainda que o time é até melhor quando os reservas entram em quadra. A estratégia não muda, mas o estilo dos jogadores sim. Beno Udrih faz o mesmo que Jennings, mas com uma mentalidade mais de armador, o leque de jogadas aumenta após o primeiro bloqueio simplesmente porque ele tem mais visão de jogo. Já Mike Dunleavy Jr. é o grande coringa do time. Ele pode fazer o bloqueio, pode ser o cara que controla a bola, pode ser o que espera o arremesso de longa distância ou o que corta em direção à cesta. Não é gênio em nada disso, sabe fazer de tudo um pouco. Fechando o banco, o Ersan Ilyasova, aquela aberração da natureza, é outro que sabe se virar de tudo quanto é jeito. Tem dia que acerta arremesso de longe, tem dia que ataca a cesta para virar uma mistura de Dwight Howard e Carl Landry nos rebotes ofensivos. O time é versátil, vários mudam de posição durante o jogo, ninguém para quieto e não ligam de passar a bola, é difícil de marcar. São o Barcelona mas com o lado negativo de não ter os melhores jogadores do mundo no time para sonhar mais longe. Outro dia o Mike Dunleavy até soltou o clichê de que “passar a bola é contagioso”, foi quando eles deram 38 assistências em um jogo. Não é tão simples, não é só um ou dois caras passarem a bola que o resto do time se anima a fazer o mesmo. Na verdade o que mais anima um passador é ver todos os jogadores ativos e presentes, não só assistindo aos outros jogarem. Mas entendemos a mensagem, Mike, o time está ativo e procurando os passes, sem individualismo. A maior exceção ainda é Brandon Jennings, que volta e meia resolve decidir umas jogadas sozinho. Quando a bola cai parece que é necessário ter alguém assim no time, quando não cai dá a impressão de “por que não fez o que estava dando certo?”. Coisas do basquete de resultado. No primeiro jogo de Monta Ellis, um dos medos dos críticos foi superado. Ellis conseguiu jogar boa parte do tempo sem a bola na mão, usando apenas bloqueios dos outros para ficar livre e aí iniciar seu ataque. Se ele continuar assim o time pode dar certo, mas foi só um jogo, o blog Hardwood Paroxysm nos lembra de alguns números perturbadores: Brandon Jennings e Monta Ellis estão em um seleto grupo de 32 jogadores com porcentagem altíssima (mais de 25%) de usage rate, uma estatística que mede a quantidade de posses de bola em que um jogador é usado durante os minutos que ele está em quadra. De todos esses 32, Jennings e Ellis são 2 dos 4 que tem mais de 35 minutos por jogo e 2 dos 14 com baixo aproveitamento de True Shooting, estatística que soma o aproveitamento de arremessos de 2 pontos, 3 pontos e lances-livres. Em outras palavras, os dois monopolizam o jogo e não necessariamente resolvem as partidas. O Bucks sobrevivia a um deles, mas e agora com uma dupla? A nova filosofia de dividir a bola vai dar certo? Eu não me animei muito no dia da troca e talvez tenha pegado pesado demais com o Bucks, mas depois de ver o primeiro jogo de Ellis fiquei mais otimista. Ele conseguiu fazer sua parte sem precisar empacar o jogo alheio e eles venceram a partida contra o Warriors marcando 120 pontos, talvez isso sirva de lição para todo mundo. Com a troca o time perde uma peça que não usava mais e ganha outra que pode melhorar a estratégia atual. Mas e aí? Até onde esse time vai? Isso que ainda me perturba nessa troca. O Bucks tinha um grande time em 2001 com Sam Cassell, Ray Allen e Glen Robinson. Quando o time se desmontou, ficaram ruins e acabaram conseguindo a 1ª escolha no Draft de 2005, Andrew Bogut. Agora, com a saída do australiano, eles querem o quê? Trocar Bogut simbolizou o fim de uma era, mas eles não parecem estar na direção de uma reconstrução. Nada de jogadores jovens, novatos e escolhas de Draft, partiram para pegar Monta Ellis no auge da carreira. E por melhor que Ellis seja, o que ele pode fazer além de levar esse time até, sei lá, a 7ª posição do Leste? Eles estão com um ataque afinado e com sucesso na temporada regular, mas nada indica que é um elenco que possa lutar de igual para igual com equipes grandes da conferência. Quando digo que é mais do mesmo para Ellis, quero dizer que ele ainda está em um time veloz, ofensivo e sem nenhuma perspectiva de futuro. Com o único bônus de que no Leste esse time ainda tem espaço para lutar por uma vaguinha nos playoffs para ser varrido na 1ª rodada. A curto prazo esse novo Bucks é uma beleza. Poderemos assistir mais um mês de boas apresentações, basquete coletivo (se Jennings e Ellis deixarem) e eventuais placares altos. Mas é só. Se John Hammond, General Manager do Bucks, quis montar um time divertido que estará brigando pelas últimas vagas do Leste nos próximos anos, fez um ótimo negócio. Se está visando algo mais grandioso, ainda precisa explicar como vai ser isso.

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Aproveitamento de arremesso dessa foto: 8/57

Dois dos times com mais torcida, mais fãs e mais “haters” estão com um começo cambaleante de temporada. São o New York Knicks e o Los Angeles Lakers. Os dois tem diversas coisas em comum: estão rendendo menos do que o esperado, são formados por um trio de grandes jogadores, o ataque não flui em nenhum caso e os dois times tem um All-Star que quer resolver os problemas sozinho arremessando por jogo o que o Ben Wallace arremessa em uma temporada. Ultimamente eles também tem tido em comum o fato de toda culpa cair nas costas de seus técnicos.

Vamos começar com o Lakers. O novo técnico Mike Brown prometeu duas coisas para essa temporada. Uma era um esquema tático que iria misturar algumas jogadas do triângulo ofensivo que levou o time aos dois últimos títulos (não como se usassem em toda jogada também, que fique claro) e algumas jogadas que o próprio Mike Brown viu em execução quando era assistente técnico de Greg Popovich no Spurs. Ele usaria Pau Gasol e Andrew Bynum como Pop usou Tim Duncan e David Robinson. A outra promessa era de melhorar o time defensivamente.

Uma delas ele conseguiu, a segunda. O Lakers, assim como no ano passado, tem a 6ª defesa mais eficiente da NBA. Mas em números gerais melhorou no aproveitamento dos arremessos do adversário (43% para 41%) e em bolas de 3 pontos (33% para 31%). Também permite 6 pontos a menos e força mais turnovers. Mas a melhora não tem dado tanto resultado porque o ataque piorou demais. Sim, às vezes usam os triângulos, mas pouco e sem muita eficiência. Assim como têm dificuldade em usar os dois pivôs o número de vezes que gostariam.

E acho que existe um bom motivo para as duas coisas não estarem dando certo: Tanto o triângulo como o uso da dupla Gasol/Bynum exigem que um dos jogadores do time esteja posicionado no pivô, de costas próximo à cesta. Os outros jogadores devem se movimentar em volta disso ou simplesmente se afastar e dar espaço. É o chamado espaçamento da quadra, posicionamento dos atletas de uma forma que atrapalhe a defesa adversária a fazer seu trabalho. O espaçamento só dá certo se esses jogadores se posicionarem em um local onde são um risco ao adversário, obrigando um marcador a se afastar de quem tem a bola para defender uma possível ameaça. Em outras palavras, se o Metta World Peace continuar com 12% de aproveitamento nas bolas de 3 pontos o seu marcador sempre vai deixá-lo livre para embolar a defesa sobre os pivôs.

E embora o outrora conhecido como Ron Artest seja o pior, o resto do elenco não se salva. O Lakers já não era lá uma maravilha no ano passado, com 35% de acerto nas bolas de 3, mas nesse ano caiu para 25%! O que vemos no ataque do Lakers é um time que não tem velocidade para sair no contra-ataque, que não tem bolas de 3 para espaçar a quadra e nem um armador bom o bastante para ser uma real ameaça no pick-and-roll. E mesmo quando Kobe Bryant tenta ser o homem do pick-and-roll, a defesa tem dobrado nele e ajudado no pivô, deixando alguém livre na linha dos 3 pontos com a certeza do erro. Não jogo a culpa em Pau Gasol ou Andrew Bynum, é simplesmente muito difícil marcar pontos em um ataque devagar e embolado.

O Kobe Bryant tentou fazer o que pode para ajudar. Em alguns jogos tentou ser herói e usou a estratégia Allen Iverson: Vocês defendem tudo e eu ataco sozinho arremessando bolas que se qualquer outro jogador tentar fica no banco pra sempre. Venceu alguns jogos contra times mais fracos, mas contra os fortes não chegou nem perto. Nos últimos dois jogos (contra Heat e Magic) tentou ficar mais sem a bola, se movimentou sem ela e forçou menos o jogo individualmente. Foi mais eficiente, aumentou seu aproveitamento e chutou menos bolas. O Lakers continuou mal da mesma forma, não mudou nada. O buraco é mais embaixo.

Segundo os boatos da imprensa americana o Lakers ainda insiste em querer trocar por Dwight Howard. Certamente não seria ruim ter aquela potência toda ao lado de Kobe, mas não resolveria os problemas que o time tem hoje. A não ser que por um milagre divino o Ryan Anderson viesse junto na troca (um favor improvável do Orlando Magic) o time continuaria sem ameaça de longa distância. Iriam dobrar a marcação no Dwight Howard assim como fazem no Andrew Bynum e a produtividade dele iria cair. Se o Kobe vai mesmo jogar mais tempo sem a bola, deveriam procurar um armador, assim como um ala que chuta de três pontos. O problema? Mandar quem em troca disso tudo? Que time em sã consciência vai querer Steve Blake, Metta World Peace, Troy Murphy ou o assassino Josh McRoberts para mandar alguém de qualidade? Ninguém. Tem outros times por aí precisando das mesmas coisas e com peças de troca mais interessantes.

Restam para o Lakers duas opções: A primeira é trocar Pau Gasol ou Andrew Bynum por alguém numa tática cobertor curto. Resolve-se a armação ou o chute de longa distância piorando o garrafão (era o que a troca Gasol/Odom por Chris Paul pretendia). A segunda é colocar Matt Barnes e outros jogadores para arremessar 900 bolas de 3 pontos por dia e ver se eles aprendem. Com um bom aproveitamento nos tiros de longe o time não vai virar o melhor ataque da liga, mas tudo vai ficar mil vezes mais fácil.

Agora o Knicks. O problema é o mesmo? Pior que é. Vocês devem pensar “Não, imagina. O Knicks tem uma defesa ridícula, Carmelo e Amar’e não marcam ninguém! Como é a mesma coisa que o Lakers?”. Pois veja bem, o Knicks tem atualmente a 11ª melhor defesa de toda a NBA. Pois é, eu também não esperava. Volta e meia o Amar’e deixa uns caras passarem batidosou faz várias faltas bobas, o Carmelo não sai na ajuda de ninguém, mas o time tem se adaptado bem e permite apenas 101 pontos a cada 100 posses de bola, 10 a menos que na última temporada.

Não é uma defesa perfeita ou sufocante, isso é óbvio. Vimos ontem como não tiveram resposta pra o Brandon Jennings, mas estão na parte de cima da tabela nesse quesito, beirando o Top 10 da liga. Seria o bastante para eles se o ataque fosse como todos imaginaram que seria. Ano passado eram o 7º melhor ataque da NBA com 110 pontos a cada 100 posses de bola, nesse ano são apenas o 24º time ofensivo da liga, com 98 pontos a cada 100 posses. A queda é absurda.

A teoria ainda é a mesma do ano passado. O Mike D’Antoni manda seu time ser veloz e eles ainda são o 3º com mais posses de bola por jogo, mas a execução está péssima. O culpado é o excesso de jogadas de isolação, ou seja, com os jogadores indo no mano a mano. D’Antoni pede que Carmelo Anthony comande boa parte do ataque, sendo o jogador com a bola em pick-and-rolls. Mas ele faz isso com Tyson Chandler, não com Amar’e Stoudemire, que se posiciona do outro lado da quadra para o arremesso de meia distância. O resultado é que Melo não é um grande passador e dificilmente faz boas jogadas com Chandler (uma ou outra ponte aérea que vai pro Top 10 mas não resolve nada) e Amar’e é pouco usado. Sem confiança para passar, Melo tenta resolver sozinho. Quando passa para Stoudemire, este faz sua jogada mano a mano com quem o marca. É simplesmente o pior jeito de usar essas duas estrelas.

Vejam esses números: O Knicks é o time que mais faz jogadas de isolação na NBA, fazendo em 16% de todas as suas posses de bola. Porém faz apenas 0.67 pontos a cada uma dessas posses, a 3ª pior marca entre todos os times. O aproveitamento dos arremessos nessas situação é de apenas 29.3%, o pior entre as 30 equipes da NBA. Não faz sentido insistir naquilo em que você é o pior.

Outra tentativa foi de deixar a bola na mão dos armadores do time para eles tentarem construir jogadas. Primeiro Toney Douglas e agora o novato Iman Shumpert. Douglas tem tomado decisões horríveis e logo perdeu a vaga para Shumpert, que também não sabe o que faz no ataque, mas compensa com forte defesa e roubos de bola. A dupla Shumpert e Landry Fields tem sido responsável pela melhora defensiva, mas no ataque só atrapalham. O novato não é armador nato e muitas vezes, sem saber para quem passar, tenta resolver sozinho e arremessa demais.

É bem fácil jogar a culpa no técnico Mike D’Antoni, mas a culpa não é só dele, não é como se ele pedisse para forçarem jogadas de isolação, isso é o oposto do que ele gosta, aliás. Pense em um técnico de futebol ofensivo, que gosta de montar times com 3 atacantes e meias que sabem passar a bola e avançar. Aí a diretoria vai lá e contrata o Williams do Flamengo que não sabe dar um passe de 3 metros e chama Souza e Aloísio Chulapa pra fazer a dupla de ataque. Como o cara vai montar o time dele? Das duas uma, ou vai tentar fazer os jogadores se adaptarem ao jeito dele, o que provavelmente não dará certo por falta de talento, ou vai fazer o que não sabe. E como disse o Larry Brown na clínica que deu aqui no Brasil“nunca ensine para seus jogadores algo que você não sabe“. Mike D’Antoni não é o Rick Carlisle, ele não é uma enciclopédia de basquete pronto para fazer jogadas de todo o tipo, ele tem um estilo de jogo, uma filosofia e o Knicks sabia disso quando o contratou.

E insisto nessa questão do estilo porque já estão colocando a culpa nele em coisas que não tem nada a ver. Quando eles perderam para o Suns cornetaram o D’Antoni porque ele pediu para o pivô e o armador sempre trocarem no pick-and-roll do Steve Nash com o Marcin Gortat, ou seja, ficou Tyson Chandler marcando Nash e Shumpert ou Fields acompanhavam o pivô polonês. “Um absurdo” que foi justamente a tática usada pelo Spurs em diversos momentos de todas as vezes em que eles eliminaram o Suns nos anos áureos do armador canadense. Com Duncan marcando Nash eles fechavam ângulos para passe e o forçavam a jogar sozinho. Muitas vezes ele arremessava na cara de Duncan e fazia, mas a longo prazo valia a pena. Dava certo também porque Tony Parker não ficava isolado contra Stoudemire, a ajuda vinha de todos os lados. Ou seja, é uma estratégia perfeitamente normal se bem executada. E, como já afirmamos antes, a defesa do Knicks tem melhorado nesse ano desde que o assistente técnico Mike Woodson chegou com essa responsabilidade.

O ponto é que os olhinhos do time brilharam com a chance de contratar Carmelo Anthony e depois com a possibilidade de ter um pivô que já levou um time ao título em Tyson Chandler. São bons jogadores, claro, mas não tem nada a ver com o estilo de jogo de D’Antoni e ainda não se entrosaram entre si. Para o Knicks sair desse marasmo as soluções podem ser duas: Uma é demitir o D’Antoni e achar um técnico que saiba o que fazer com o elenco (Phil Jackson e Larry Brown já são nomes sonhados), a outra é uma troca que traga um armador que saiba conduzir o time. Baron Davis pode ser ele, mas ainda demora para voltar da contusão, e outro ponto é o mesmo do Lakers, trocar quem? Eles não vão trocar seus queridos Melo ou Chandler, e Stoudemire tem uma cláusula de contrato em que pode vetar qualquer troca com o seu nome. O mais provável é que D’Antoni tenha vida curta no banco de Nova York.

Não quero com esse post defender D’Antoni e Mike Brown, que já critiquei durante anos por serem limitados. Têm o defeito de justamente não saber se adaptar ao elenco e precisar das coisas muito certinhas para darem certo. Mas pense bem, se eu que sou um blogueiro idiota sei disso, vai dizer que Knicks e Lakers não sabiam? Apostaram e não deram as peças necessárias. No caso do Lakers é ainda pior, já que tiraram Lamar Odom dizendo que era a primeira parte de uma troca maior que nunca aconteceu, o elenco é pior do que aquele que já ralou um bocado sob o comando de Phil Jackson no último ano, cobrar um time pronto para o título e ainda sem tempo de treino é pedir demais.

Lakers e Knicks, dois times grandes que, ao lado do Boston Celtics, eram exemplos de como equipes de mercado grande conseguiam se fortalecer mais do que os de cidade pequena, mas estão na sombra de Indiana Pacers, Philadelphia 76ers e Denver Nuggets até agora nesse começo de temporada e as perspectivas de melhora não são das mais animadoras.

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