[Resumo da Rodada] RIP Hawks

Teve um time nessa temporada da NBA que não sabia o que fazia dentro de quadra, era uma confusão onde os jogadores não sabiam para onde ir, para quem entregar a bola, quem deveria armar, arremessar e fazer bloqueios. Foi um desastre. Teve um outro time que conseguiu recordes e mais recordes de eficiência ofensiva, os caras corriam como loucos e tinham poder de fogo e praticamente todas as posições. Um outro time, nos Playoffs, era uma máquina de defender. Com jogadores atléticos em todas as posições, faziam da vida do adversário um inferno, impedindo toda e qualquer movimentação de bola e forçando seus rivais a infinitas e infrutíferas jogadas de mano a mano. TODOS os times eram o Cleveland Cavaliers de 2014-15.

4 jogos, 4 classificados

Essa foi uma rodada que mereceu ser assistida, não resumida. Foram 4 jogos, 4 séries encerradas e 4 partidas cheias de altos e baixos, emoções, faltas duras, jogadores nervosos e grandes jogadores fazendo grandes jogadas.

Jeff Green

A noite começou com Boston Celtics e New York Knicks se enfrentando ao mesmo tempo que o Indiana Pacers visitava o Atlanta Hawks. O roteiro para assistir esses jogos já estava feito, quem não fez assim bobeou. Explico: quem quer assistir o Pacers jogando basquete de meia quadra para cozinhar jogo? Ninguém, então bora assistir o começo da outra partida. Foi o bastante para ver o NY Knicks esmagar o Celtics com 21 a 5 logo nos primeiros minutos e então segurar os verdes a apenas 27 pontos em todo o primeiro tempo.

Enquanto o Celtics tomava um vareio histórico em casa, era hora de ir conferir como andava a partida lá em Atlanta, que normalmente só esquenta mesmo na segunda etapa. Chegar só no segundo tempo serviu também para se escapar do período mais feio dos Playoffs 2013: o segundo quarto foi vencido pelo Pacers por patéticos 16 a 9. Na série entre Nuggets e Warriors, 16 a 9 era só o primeiro minuto do jogo.  Na segunda etapa a coisa melhorou e pudermos ver o Pacers insistindo com a equipe alta que eles usaram, com sucesso, no Jogo 5. David West foi novamente bem com 21 pontos e até o errático Roy Hibbert fez grande jogo com 17 pontos e 11 rebotes. Os dois também seguraram Al Horford (15 pontos) e Josh Smith (14 pontos) a suas piores atuações ofensivas na série.

No final da partida a coisa até esquentou, o Hawks ameaçou uma reação para honrar a torcida, que, ao contrário da temporada regular, realmente compareceu ao ginásio. O time cortou a vantagem para 5 a 40 segundos do fim, o técnico Larry Drew pediu um tempo, chamou a jogada e… Josh Smith forçou um arremesso marcado de 3 pontos e tomou toco. Fim de qualquer chance de virada. Poderia ter fim mais simbólico para Josh Smith no Hawks? Realmente duvido que renovem com o ala.

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Mas a maioria das pessoas nem viu esse fim de jogo do Hawks ao vivo, isso porque o script manda você não abandonar os jogos do Celtics quando eles estão tomando surra. Você só dá uma olhada nos outros jogos e volta correndo para o último quarto, quando o time-zumbi da NBA vai levantar dos mortos e tentar voltar à vida. O Celtics estava perdendo por VINTE E SEIS pontos no começo do último quarto e, de repente, naquele esquema defesa-bolas-que-inflam-a-torcida, eles fizeram 20 pontos seguidos e cortaram a diferença para 6 pontos a alguns minutos do fim da partida. O barulho da torcida fazia o ginásio do Warriors parecer uma tarde de bingo.

Mas embora essa reação tenha sido uma das coisas mais legais da temporada, um grande motivo de orgulho para os torcedores do Celtics e seus jogadores, ela não foi o bastante. Carmelo Anthony (21 pontos, 7 rebotes) respondeu com pontos de lance-livre, depois uma bola de 3 e depois com ótima defesa sobre Paul Pierce (14 pontos), que resultou em contra-ataque com a cesta mortal de JR Smith (13 pontos). Não tenho ideia de como vai ser o futuro do Celtics, mas se eles conseguirem que Rajon Rondo, Jeff Green e Avery Bradley herdem essa raça e entrega de Paul Pierce e Kevin Garnett, já está mais do que bom.

Muito dessa reação tardia do Celtics tem a ver com questões táticas. Times que não conseguem atacar o aro e vivem de arremesso sempre tem altos e baixos dentro dos jogos, mas muito também vêm da concentração da equipe. É bonito e digno de estudo a maneira com que tantas vezes esse Boston Celtics age como se fosse um corpo único, com todos os jogadores na mesma página em termos de confiança e energia, seja para bem ou para o mal. Tenho certeza que se o Knicks for longe nesses Playoffs, irão dar crédito ao aprendizado dessa série.

Destaques do jogo: Jeff Green foi o jogador mais regular do Celtics na série e ontem foi ótimo com 21 pontos e 5 rebotes. Avery Bradley finalmente reencontrou sua defesa ontem e saiu de quadra com 10 pontos e 3 roubos de bola. Pelo Knicks, partidaça de Iman Shumpert, que fez 17 pontos e pegou 6 rebotes. Shumpert já é ótimo defensor, se conseguir marcar pontos com regularidade se torna automaticamente um dos jogadores mais importantes do Knicks ao lado de Carmelo Anthony e Tyson Chandler.

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No Oeste estava difícil saber o que assistir. Eu não me decidi e fiquei com Memphis Grizzlies x LA Clippers na TV enquanto Houston Rockets x OKC Thunder rodava no computador. Foram dois ótimos jogos, que pareceram decididos umas mil vezes antes de realmente estar.

Comecemos pelo jogo do Thunder, que finalmente conseguiu fechar a série contra o time do nosso querido Danilo. O primeiro tempo foi dominado por Kevin Martin e Reggie Jackson, a nova versão diet de James Harden e Russell Westbrook para Kevin Durant. Sabendo que Durant não tem pernas para ser gênio por 48 minutos, os dois resolveram ter confiança pela primeira vez na série e partiram para cima. Martin fez 19 de seus 25 pontos no primeiro tempo, Jackson marcou 10 de seus 17 antes do intervalo.

E não foram só os dois que pareciam mais confiantes. Serge Ibaka, Nick Collison e Thabo Sefolosha estavam jogando pra valer, não só procurando Durant. Claro que os arremessos dele não caem sempre, claro que fazem várias cagadas quando são obrigados a ir além de seus talentos, mas algumas vezes dá certo também. E isso que faltou nos últimos jogos, quando só hesitavam e tocavam de lado nem davam a chance de algo bom acontecer. Foi nesse jogo confiante e capenga que o Thunder levou uma liderança magra para a segunda etapa.

E o terceiro quarto foi uma aberração da natureza. O Houston Rockets começou fazendo 18 a 4 a abrindo vantagem de mais de 10 pontos, Chandler Parsons (25 pontos, 6 bolas de 3) estava acertando qualquer arremesso que tentava. Ele estava tão quente que o pessoal tava caindo em suas fintas até quando ameaçava arremessar a 2 metros da linha de 3 pontos. Junto de Parsons, estavam também Omer Asik (13 pontos, 13 rebotes) e James Harden (26 pontos, 7 assistências) pegando fogo.

Quando o Houston Rockets parecia que ia deslanchar e forçar um Jogo 7, o OKC Thunder surgiu das cinzas e simplesmente destruiu com a partida. Sim, Kevin Durant (27 pontos) fez parte da reação, mas deem crédito especial para o banco de reservas deles e, em especial, o imortal Derek Fisher. Sim, aquele. Depois de ameaçar aposentadoria mil vezes e enganar o Dallas Mavericks, cá está ele de novo, pelo milésimo ano seguido, acertando bolas decisivas em jogos enormes de Playoff. Foram 11 pontos, 3 bolas de 3 pontos e a melhor defesa sobre James Harden de toda a série. Sem brincadeira, deixou Sefolosha no chinelo. Forçou muitos turnovers, roubou bolas e saiu de quadra com um saldo de pontos de +32! TRINTA E DOIS! Tipo, metade da idade dele.

O Houston Rockets chegou perto da zebra, poderia ter até vencido outros jogos antes desse, mas o OKC Thunder conseguiu achar um pouco da sua identidade na hora certa. Ótimo banco de reservas e boa defesa no último quarto, vencido por 25 a 17. Isso lembra o bom Thunder do ano passado e da temporada regular deste ano.

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Por fim, o que foi essa vitória do Memphis Grizzlies sobre o Los Angeles Clippers? Foram 33 faltas do Clippers, 26 para o Grizzlies, 47 lances-livres cobrados pelo Grizzlies, 7 faltas técnicas, 2 jogadores expulsos! Putaquemepariu, foi uma guerra.

Este foi um daqueles jogos que mostram como Playoff é algo delicado, pequeno, cheio de coisas imprevisíveis que fazem a temporada regular parecer uma bobagem maior do que já é. O Memphis Grizzlies, um dos times que menos arremessa de 3 na NBA, garantiu a vitória com os arremessos de longa distância. O Los Angeles Clippers não conseguia impôr seu ritmo no garrafão e jogou com um small ball que não tentou ao longo de todo o ano. O grande nome do ataque do Clippers foi o defensor Matt Barnes (30 pontos!), enquanto do outro lado quem comandou o time no ataque, especialmente no primeiro tempo, foi o Tony Allen (19 pontos, 7 rebotes, 5 assistências, 4 roubos), que mal sabe acertar bandejas! Isso sem contar o Blake Griffin jogando com o tornozelo destruído, Grant Hill recebendo minutos pela primeira vez na série, o Grizzlies obrigado a usar quintetos estranhos porque Gasol, Randolph e Conley tinham todos 5 faltas no meio do último quarto. Deus pai, foi um jogo daqueles.

Em entrevista após o jogo, o técnico do Clippers Vinny Del Negro explicou a estratégia do Clippers para a partida. Eles queriam tirar o jogo das mãos de Marc Gasol (10 pontos, 7 rebotes) e Zach Randolph (23 pontos, 5 rebotes). Nada deles receberem a bola, nada de rebotes ofensivos e, se recebessen, sofreriam com marcação dupla o jogo todo. Que o resto do time se matasse para batê-los, que fizessem os arremessos.

O problema é que o Grizzlies é um time com ótimos passadores e, mais importante, com caras que entendem o jogo de basquete. Percebendo as dobras nos pivôs, Tayshaun Prince e Tony Allen fizeram a festa no primeiro tempo com cortes em direção à cesta. Vinham pelo lado livre do garrafão e tinham ângulo perfeito para finalizar. Quando não existia o corte, tinha o arremesso. E aí precisamos dar crédito para jogadores que não são considerados grandes chutadores e que hoje fizeram quando mais importava: Quincy Pondexter, Jerryd Bayless e até Darrell Arthur fizeram arremessos importantíssimos sempre que o Clippers ameaçava reagir. E, claro, Mike Conley foi fantástico com 23 pontos, 7 assistências e 3 bolas de 3 pontos.

A estratégia do Los Angeles Clippers foi válida, mas mal executada. A ideia das dobras no garrafão foi boa, mas muitas vezes foi afobada e deixou linhas de passe fáceis para o Grizzlies rodar a bola. Na briga pelos rebotes o Clippers até se deu melhor, mas foram muitas faltas marcadas em bolas soltas, quando eles tentavam vencer a posse na base do atropelamento. O mesmo vale para tentativa de roubos de bola, foi muita vontade para pouca cabeça e os lances-livres acabaram matando o jogo deles.

O plano de Del Negro de usar escalações mais baixas foi motivado, em parte, pela lesão de Blake Griffin, mas também porque eles apanharam lá dentro nos últimos jogos. Já tinha sido assim no ano passado, mas na ocasião eles puderam responder com Kenyon Martin e Reggie Evans, mas e agora? Ronny Turiaf e Ryan Hollins não tiveram o mesmo impacto. O resultado foi Lamar Odom marcando Marc Gasol, Matt Barnes em Zach Randolph e todo o problema de entrosamento desse grupo novo que citamos acima. E as experiências não pararam por aí. O melhor reserva da temporada, Jamal Crawford, nem pisou em quadra no segundo tempo, enquanto Grant Hill, que nem vinha jogando, atuou por 20 minutos. O bom Eric Bledsoe, que foi bem marcando Conley ao longo da série, ficou só 9 minutos em quadra.

Eu não sou um dos que odeiam o Del Negro, e entendo o que ele quis fazer. Grant Hill é experiente e realmente entrou bem no jogo, assim como Willie Green. Também é verdade que Crawford estava muito mal, mas com o seu time perdendo por 10 no último quarto você TEM QUE colocar na quadra um cara como ele, que é capaz de marcar pontos na velocidade da luz. Mesmo que tenha ido mal no começo do jogo ou na última partida, é nessa hora que você deve confiar no que fez o resto do ano. Vinny Del Negro é inteligente e evoluiu muito neste ano, dando mais personalidade, defesa e jogadas para esse Clippers. Mas quando chegou na hora da água bater na bunda, ele mesmo não confiou no que fez o resto do ano e tentou uma solução inovadora até demais. Não acho que veremos ele no banco do Clippers no próximo ano.

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Carmelo joga sozinho, Lakers vence na prorrogação

Carmelo Anthony conseguiu o que queria. Com Mike D’Antoni embora ele pode jogar da maneira que está acostumado, agora tem um técnico que ele respeita e está motivado como nunca. É assim que tinha 28.8 pontos por jogo de média nos últimos 5 jogos antes de enfiar 42 (!) na partida de ontem contra o Miami Heat! Mas se está tudo lindo para Melo, não está para os outros no ataque do Knicks. O resto do grupo fez apenas 1 ponto a mais que sua estrela, 43, e com aproveitamento de 17/46 arremessos. Cobertor curto para o Knicks, Melo começou a jogar num nível altíssimo sob o comando de Mike Woodson, mas Landry Fields, Steve Novak e Jared Jeffries devem chorar todo dia a ausência de D’Antoni. Nem tudo é desgraça porque pelo menos a defesa, que já era boa, agora sob o comando de Woodson é exemplar. Mas não foi o bastante para parar o Miami Heat. Quer dizer, foi o bastante para parar boa parte do time. Tirando o trio de ferro, o Heat fez 20 pontos. Uma pena para o Knicks que LeBron (29 pontos, 10 rebotes), Wade (28 pontos, 9 rebotes) e Bosh (16 pontos, 14 rebotes) somaram 73 e ganharam o jogo! Foi uma importante vitória fora de casa para o Heat, que tinha apenas 3 vitórias nos últimos 11 jogos fora de Miami. O jogo ficou disputado até o último período, quando o Knicks chegou até a virar com uma defesa sufocante, especialmente de Iman Shumpert sobre Dwyane Wade. Mas então aconteceu o que transforma o Heat num time imparável: LeBron James e D-Wade começaram a acertar arremessos de média e longa distância. Não há time no mundo que sobreviva ao Heat em dias que os dois tem, ao mesmo tempo, esses arremessos caindo. Fizeram 18 a 6 nos minutos finais para virar e fechar a partida por 93 a 85. Se o LeBron soubesse como ele é o melhor jogador da história do universo quando tem o arremesso de longe caindo ele treinaria um pouquinho a mais. [youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=G0YQR_B5eiw[/youtube] Vale também a pena ver (para quem entende inglês) o Jeff Van Gundy criticando os flopeiros de plantão e o fato da liga não fazer nada para punir quem inventa faltas. É logo após James Jones cavar uma falta fantasma que acabou anulando uma bola de 3 de Steve Novak. [youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=20Y9ACCsUMI[/youtube] Em outro jogo aguardado do dia, o Lakers chegou à sua 4ª vitória em 5 jogos sem Kobe Bryant. Derrotaram o Dallas Mavericks na prorrogação, o que melhorou o recorde do time para 21 vitórias e 3 derrotas em prorrogações nas últimas 4 temporadas. Está bem legal assistir esse Lakers sem o Kobe jogar, mas não pelos motivos que a maioria das pessoas imaginou. Muita gente disse que essa era a chance de colocar um monte de bola no Andrew Bynum e provar que o Kobe deveria tocar mais pra ele. Bom, não é bem assim. Quando Kobe joga, Bynum faz seus 18 pontos por jogo acertando 55% de seus arremessos, sem ele, recebendo mais a bola, faz 22 pontos por jogo, mas despenca para 41% de aproveitamento. Ontem ele acertou 9/24 arremessos para 23 pontos, um número bem Kobesco. Na verdade está sendo legal ver o time jogar pelo renascimento de Metta World Peace jogando como nos tempos de Ron Artest e Matt Barnes jogado como, bem, como ele mesmo, mas nos bons dias. Ontem a Paz Mundial fez 18 pontos, incluindo um arremesso caindo para trás quase no último minuto da prorrogação que deu a vantagem final para o Lakers. MWP tem média de 7.4 pontos por jogo na temporada, nos últimos 5 jogos sem Kobe ele tem marcado 17 em média. Sem contar que ele foi o responsável por marcar Delonte West durante o segundo tempo. O suposto comedor da mãe do LeBron fez 16 ponos no 1º tempo, mas só 4 pontos sendo marcado pelo Ex-Artest. Já Barnes beirou um triple-double com 11 pontos, 11 rebotes e 8 assistências. Outro que tem jogado muito é Pau Gasol, que mesmo não arremessando muito bem durante toda a temporada tem dado um jeito de ajudar de outras maneiras. Acertou só 6/14 arremessos, mas fez 20 pontos, 10 rebotes, 5 assistências e duas bolas de 3 consecutivas na prorrogação. Pois é, ele só tinha 5 bolas de 3 feitas na temporada, mas fez duas mais na hora certa. Lakers vencer sem Kobe é animador, mas contar com bolas de 3 de Gasol, pontos consecutivos de Ramon Sessions (22 pontos) no fim do tempo normal, Artest beirando os 20 pontos e Barnes com triple-double? Não é todo dia. Pelo Mavs, dia ruim de Nowtizki, que acertou só 9/28 arremessos, sobreviveram com ótimo 1º tempo de Delonte West (20 pontos) e bom 2º tempo de Jason Terry (21 pontos), que apenas pecou errando uma bandeja relativamente fácil no fim da prorrogação. Mas o time ainda tem magra vantagem sobre o Nuggets e é 6º no Oeste. [youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=6Zwrn0HQM-I[/youtube] O Nuggets, aliás, entrou em quadra para o primeiro de 2 jogos decisivos contra o Houston Rockets. Os dois times estavam empatados e com jogos consecutivos para a última semana da temporada, dá pra ser mais épico que isso? Dá, claro, poderia não valer só a chance de ser atropelado pelo Oklahoma City Thunder, mas nessa altura do campeonato é bem legal. O 1º round foi com certa facilidade para o Nuggets, que com um 3º quarto arrasador não deu chances para o time da super estrela Goran Dragic. Arron Afflalo e Ty Lawson marcaram 20 pontos cada e tentarão repetir a dose hoje, dessa vez em Houston. Phoenix Suns e Utah Jazz agora torcem efusivamente para mais uma vitória do Nuggets que empurre o Rockets para baixo. Os dois estão colados logo atrás. O resto da rodada foi menos importante. Como disse o cara do InsideHoops no Twitter, o Bobcats fez história ao perder de apenas 12 do Boston Celtics no jogo mais manjado do dia. Já o Hawks foi o Hawks e a macarronada de domingo à tarde pesou, jogaram com uma preguiça monstruosa e foram detonados pelo Toronto Raptors por 102 a 86. Do mesmo jeito o Cavs, time que mais piorou em relação à primeira metade da temporada, tomou uma lavada do Orlando Magic sem Dwight Howard. Surpresa mesmo foi ver o Memphis Grizzlies, um dos melhores times da NBA inteira nas últimas semanas, perdendo para o New Orleans Hornets. Talvez uma prova de que eles não seriam último no Oeste se Eric Gordon (18 pontos) tivesse jogado a temporada inteira? Não sei, o time tem jogado bem. Em Detroit, jogão entre o Bulls e o Pistons. Vitória do time de Derrick Rose (sim, ele jogou!) na prorrogação apenas. “Estamos achando jeitos de vencer os jogos. Não sei como, mas temos achado”, disse Rose após o jogo. Explico: O Bulls estava perdendo por 2 pontos no final do jogo e tinha a posse de bola e um lateral. Mas Luol Deng não viu Derrick Rose livre sob a cesta, enrolou e foi marcado 5 segundos sem cobrar o lateral. Deram sorte então que Rodney Stuckey errou um de seus 2 lances-livres e Rose fez uma bola salvadora de 3 pontos para levar o jogo para o tempo extra. Greg Monroe falhou gravemente na jogada ao não ir pra cima de Rose e ficar protegendo o garrafão quando ao Bulls só interessava os 3 pontos. Na prorrogação, ótima atuação de Joakim Noah (20 pontos, 17 rebotes) para garantir a

vitória. O último jogo da rodada, entre os eliminados Blazers e Kings, você vê como acabou na primeira posição do Top 10. Top 10 da Rodada [youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=vIO5RQzGmrI&feature=g-all-u&context=G232bc3dFAAAAAAAABAA[/youtube]   Fotos da Rodada

Vince Carter: “É por isso que eu não defendo, é um perigo!”

 

Carter falou, Carter avisou

 

Não sabo

 

A caspa atingindo o Mavs

 

Biyombo brinca com uma bola gigante do Playcenter

 

Derrick Rose imita Steve Nash

 

-Qualé juizão? É por que eu sou negro, né?

 

Cavs Moondog, revelação entre os mascotes na temporada

 

Lana Del Rey: roubou a boca da Alinne Moraes assim na cara dura? Aprovado!

 

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Por que separar um casal tão lindo? S2

Podemos até ser piegas e falar sobre a vida como um todo: afinal, quando é hora de mudar? Quando é hora de mudar de casa, emprego, namorada, faculdade ou corte de cabelo? Em todos os esportes, na NBA também, a pergunta sempre vem: quando é hora de mudar? Quando é hora de mandar tudo às favas e recomeçar, ou só trocar de técnico ou mudar metade do time? Para todas essas questões, porém, temo que resposta definitiva só temos depois de tentar. Somos uma sociedade que julga pelos resultados, principalmente quando se trata de esportes.

Faltam 17 dias para o último momento em que os times podem realizar trocas nessa temporada e o assunto das mudanças está bombando. Carmelo Anthony à parte, são inúmeros times pensando se devem ou não dar uma chacoalhada no elenco. O time mais comentado é o Lakers, não só porque o Lakers sempre é um dos times mais comentados não importa o que aconteça no mundo, mas porque o General Manager do time Mitch Kupchak disse com todas as letras que pensa em uma troca para mudar a equipe e ver se eles acordam a tempo de defender o título. Seguido dessa declaração veio a do Ron Artest dizendo, insatisfeito, que queria ser trocado, declaração essa que depois foi negada pelo jogador. Ou seja, disse-me-disse que a imprensa brasileira esportiva chamaria de “crise”.

Não é tudo isso, claro, tem muito exagero, mas o que vale é a questão se o Lakers deveria mesmo mudar o time. Para responder isso eu prefiro lembrar de algumas histórias, semelhantes ou não, antes.

Começo com o Indiana Pacers. Eles começaram a temporada arrasando, vencendo Heat e Lakers fora de casa e com a marca de 11 vitórias e 10 derrotas em seus primeiros 21 jogos. O problema é que depois disso eles venceram apenas 7 jogos nos 28 seguintes, perdendo algumas partidas bem humilhantes e, pior, com um aproveitamento ofensivo (pontos a cada 100 posses de bola) pior que o do Cleveland Cavaliers. Sim, Cavs, aquele time que ganha menos que o Vasco e o Corinthians juntos. Escrevemos um post sobre o time nessa época, tentando explicar porque o Roy Hibbert, por exemplo, que começou a temporada como forte candidato a jogador que mais evoluiu, estava virando o vencedor do prêmio TPM de jogador mais inconstante da temporada.

A resposta que o time arranjou para essa queda de produção foi demitir o técnico Jim O’Brien, que também atende pelo nome de Don Nelson II. Suas 11 escalações diferentes nos primeiros 40 jogos sem nenhuma grande contusão para justificar começaram a irritar muito os jogadores, que não entendiam porque jogavam 40 minutos em um dia e 3 no outro. Os mais prejudicados eram Darren Collison, Paul George e Tyler Hasnbrough. O último chegou a se declarar finalmente livre depois da demissão do antigo chefe, e disse que “agora finalmente vai ser mais divertido”. Não que ele seja titular agora, o assistente técnico e novo treinador Frank Vogel optou por deixar Josh McRoberts como o ala de força titular e Hansbrough como primeira opção do banco. Simplesmente saber com quem joga, quantos minutos e sua função muda tudo para os jogadores.

Mas mesmo com esses acessos de doideira, O’Brien foi o técnico que fez o Pacers um bom e veloz ataque mesmo com poucos bons jogadores nos últimos anos e uma das melhores defesas da liga nesse ano (8º lugar) mesmo sem o melhor elenco do mundo para essas funções. Para a diretoria então chegou a hora de pesar o que o técnico ofereceu nos últimos anos e como seu comportamento estava incomodando os jogadores, decidiram mandá-lo embora. Essa não foi difícil, O’Brien não é ruim como muita gente acredita mas não é indispensável. A mudança tem dado resultado, apesar de poucos jogos para medir tudo, é consenso geral na imprensa americana que os jogadores parecem felizes e motivados de novo, além do clima bem mais leve no vestiário segundo quem esteve lá. Era hora de mudar mesmo.

Uma história bem parecida aconteceu algum tempo antes ainda nessa temporada quando o Charlotte Bobcats mandou o Larry Brown embora. O cara é um gênio, um dos que melhor armou defesas na história da NBA e até hoje o único treinador a ter levado o Bobcats aos playoffs. Mas também é um mala sem alça que não dá a menor liberdade para os seus jogadores dentro de quadra, cobra sem parar, é ranzinza e usava esse tipo de roupa quando era técnico nos anos 70. Isso sempre provoca um ciclo em que os jogadores começam respeitando o Larry Brown, o amam quando o time começa a vencer, e depois o odeiam quando a rotina infernal se torna maior do que as vitórias. Foi assim em várias de suas equipes, até no vencedor Detroit Pistons de 5, 6 anos atrás. Sem contar o sentimento de que “a gente é bom e pode vencer sem ele” que cresce depois de um tempo.  Foi o que aconteceu no Bobcats e um dia depois de uma declarações pública bem agressiva do Stephen Jackson, o técnico foi demitido. Captain Jack disse que “Como um time estamos jogando muito mal. E no fim das contas é o trabalho do técnico nos preparar para o nosso trabalho que é entrar em quadra e jogar.”

Esse caso não é tão óbvio como o do Pacers. Larry Brown faz bem mais diferença que o Jim O’Brien em um time, mas com todo mundo resmungando, o que era mais fácil, trocar Gerald Wallace e Stephen Jackson por pirralhos ou trazer um técnico mais gente fina e sorridente? Diz a lenda que eles até tentaram trocar o Wallace, mas sempre pediram coisas demais em troca e as negociações morriam rápido. Sem conseguir o que queriam para a troca, deram um pé na bunda do Brown e trouxeram Paul Silas, primeiro técnico do LeBron na NBA e que é conhecido por ter bom diálogo com os jogadores e ser bem liberal. O resultado foi um Bobcats mais motivado, com liberdade criativa no ataque e que pelo menos ainda não piorou tanto assim na defesa. Numericamente o time faz um pouco mais de pontos e toma um pouco mais, não é tanta diferença assim, mas ninguém mais reclama e o time voltou a vencer. Dá pra considerar a troca um sucesso, embora o time esteja condenado a não ir para lugar algum com esse elenco limitado.

Esses foram dois casos em que a mudança veio pelo elo mais fraco, o treinador, e que deu resultado mais porque os jogadores voltaram a jogar com vontade do que por questões técnicas e táticas. Vamos lembrar de outro time que mudou, mas que o fez radicalmente e via trocas. O Orlando Magic trocou peças importantes do time, incluindo titulares e os melhores reservas para refazer meio time. Em pouco tempo a defesa se manteve no (bom) mesmo nível e o ataque floresceu de maneira impressionante. Como citamos no último Filtro, todos os principais jogadores (tirando Arenas) tem aproveitamento de arremessos muito acima da média da NBA. O número de vitórias também cresceu e o risco gigantesco de trocar tanta gente no meio da temporada pode ser considerado um sucesso. Mas como nada é perfeito, com a contusão do Brandon Bass e sem Marcin Gortat no banco eles sentem falta de mais alguém forte no garrafão para ajudar Dwight Howard. E sem o carrapato do Mickael Pietrus para marcar o LeBron, King James meteu 51 pontos na fuça do Orlando. Sempre precisamos de tempo para ver todos os lados de mudanças tão drásticas.

Quem tentou mudar nessa temporada, portanto, vem tendo sucesso. Mas isso não quer dizer que o Lakers deve fazer o mesmo. O time não tem jogado tão mal quanto as pessoas tentam empurrar, o problema é quando tem jogado mal, o Lakers perdeu jogos importantes contra Celtics, Heat, Bulls e Spurs, por exemplo. Mas até contra o Heat e Celtics eles não jogaram mal durante toda a partida e na última contra o Spurs jogaram até muito bem, perdendo apenas por um pequeno vacilo ao deixar o Antonio McDyess dar um tapinha no rebote ofensivo no segundo final do jogo. O time não é perfeito, tem defeitos, mas teve também nos últimos três anos e venceu o Oeste mesmo assim. Além disso, se for trocar, vai trocar quem? Odom, Gasol e Bynum não estão jogando mal e Artest ninguém vai querer. Mandar o Phil Jackson embora acho que nem o torcedor mais louco cogita!

Com um elenco tão bom e que ganhou tantas coisas nos últimos anos eu acho muito precipitado tentar qualquer mudança abrupta no elenco, a não ser que alguém proponha uma troca do tipo Derek Fisher e uma foto autografada da Juju Panicat pelo Deron Williams e um abraço apertado. E depois da troca do Pau Gasol ninguém está muito a fim de dar coisas de graça para o Lakers. Se o time precisa jogar melhor contra os seus principais adversários, e precisa mesmo, os ajustes devem ser mínimos, táticos, não extraordinários. Para isso o Gasol precisa descansar mais, o Joe Smith precisa de mais minutos em quadra para os jogadores de garrafão terem um descanso, o Andrew Bynum precisa ser mais acionado no ataque e deixar de ser às vezes a quarta opção ofensiva e até algumas mudanças na rotação do time devam ser consideradas. Sabia que entre todos os quintetos usados pelo Lakers na temporada, os que envolvem o Luke Walton sempre tem bom aproveitamento ofensivo? Ele poderia ganhar mais tempo de quadra. O Matt Barnes também tem bons números, está fazendo falta e deve ser considerado já um bom reforço para os playoffs.

Eu vejo a maioria dos jogos do Lakers por ser torcedor e já vi muitos jogos horríveis deles nessa temporada, mas se tivesse que achar um meio termo entre todos esses jogos irregulares da equipe eu diria que se o banco de reservas jogar bem como jogou no primeiro mês da temporada o time está muito bem na fita. E quando o banco toma muitos pontos e o Lakers fica atrás no placar os titulares mudam o jeito de jogar e tudo vai por água abaixo. Quando o time está ganhando o Kobe está frio, calmo e joga o seu estilo de costurar a defesa, achar oponentes bem posicionados, envolver todo mundo e de repente o Lakers parece imparável. Mas se o Gasol está em um de seus dias de Cisne Negro (como diz o True Hoop) e nada cai pra ele, Kobe para de passar a bola, aí Artest erra meia dúzia de arremessos e o Kobe sente que ninguém está em um dia bom e ele que deve vencer sozinho. É a pior coisa para a equipe, não que ele não consiga marcar os seus pontos assim, ele marca e é lindo de assistir, mas não é coincidência que nessa temporada ele passou dos 35 pontos em 4 ocasiões e o time perdeu 3 desses jogos. E nos jogos em que tentou mais de 25 arremessos o Lakers perdeu 6 e venceu 4 (duas das vitórias sobre o poderoso Wolves).

Por favor não comecem com mais um ataque de loucura achando que a gente odeia o Kobe e quer menosprezá-lo. Busquem por tudo o que já falamos dele nesses três anos e vejam o quanto admiramos o seu talento e como sabemos que ele é espetacular e fora de série. Mas nesse caso, nessa temporada e nessas situações, ele não tem feito bem para o time. Simples assim. E vocês até podem interpretar isso de um jeito bonito, mostrando como ele é competitivo e tem vontade de vencer a qualquer custo (se é que isso é mesmo bonito).

E o problema do Kobe diz tudo sobre os problemas do Lakers. Não é porque existem defeitos a serem corrigidos que uma troca é a solução. O Kobe precisa mudar sua atitude em alguns jogos ou momentos de jogos, mas de jeito nenhum que vão trocar o homem. O mesmo serve para Pau Gasol, Lamar Odom e até o Ron Artest, quem viu o jogo ontem contra o Hornets percebeu como o Ron Ron ainda é um defensor fora de série. Para mim essa não é a hora de Mitch Kupchak tentar mostrar que é um grande General Manager e mudar tudo, mas é a hora do Phil Jackson se mexer e mostrar os talentos que já mostrou tantas vezes para motivar seus atletas e buscar alternativas táticas.

E só para não dizer que só demos exemplos de times que melhoraram mudando, como citei aqui Pacers, Magic e Bobcats, posso lembrar também do Boston Celtics, que decidiu não mudar. No ano passado o time parecia velho, cansado e penou para se classificar em quarto lugar no Leste, a mesma história do Lakers desse ano. Mas aí nos playoffs eles jogaram demais e só por uma inspiração divina do Ron Artest não ganharam o título. Eles poderiam ter trocado o contrato expirante do Ray Allen no meio da temporada passada ou até mesmo não ter renovado depois que ele esteve gelado como uma atuação da Vera Fisher nos últimos jogos das finais. Mas não, decidiram não só manter a base que tinha sucesso como também adicionaram, sem perder nada além de Tony Allen, e o time velho, com mais um ano nas costas e mais os quase 40 do Shaq, é ainda melhor do que antes.

Como eu disse no começo do texto, só dá pra saber o resultado da mudança quando se tenta ela. E é o tipo de coisa que temos a tendência de julgar pelo resultado porque o outro lado da história a gente só pode imaginar, mas mesmo assim considero esse caso do Lakers mais fácil que os outros. Pacers e Bobcats praticamente não tem nada a perder, o Magic era um time que precisava de mudança porque o time vencedor de 2009 já havia sofrido uma grande transformação (saída de Turkoglu por Vince Carter) e uma queda de produção nos playoffs do ano passado. O Lakers, ao contrário, vem de um título! O quanto seria precipitado (e inédito) um time bi-campeão ser desmontado ou remodelado só porque perdeu meia dúzia de jogos simbólicos na temporada regular? Sossega, Kupchak.

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Mike Dunleavy sempre foi conhecido pelas belas fotos

Quando comentei aqui sobre a idéia do LeBron James de diminuir o número de times na NBA (ele depois negou ter dito isso), dei o exemplo de como seria a liga sem seis times, um deles o Indiana Pacers. Nos comentários isso provocou a revolta de pelo menos um torcedor que disse que Indianápolis e todo o estado de Indiana eram muito importantes para o basquete e que isso não deveria nem ser cogitado.

Ele tem razão ao dizer que Indiana é um estado importante no basquete. O Pacers e principalmente o Indiana University Hoosiers têm história e tradição no basquete americano, mas isso não é o bastante. O Seattle Sonics tinha 40 anos de NBA e uma base de torcida enorme antes de acabar de vez. Os torcedores então não deveriam se focar tanto na tradição, a cultura americana não é tão apegada a isso, e se preocupar em melhorar sua situação econômica e basquetebolística. Sem saber dos detalhes econômicos do time, nos limitamos a comentar do elenco. E convenhamos, ter um bom time e atrair mais público, TV e jogos de playoff é um bom começo pra arrecadar bufunfa.

No preview da temporada eu disse que considerava o trio do Indiana Pacers com Darren Collison, Danny Granger e Roy Hibbert mais promissor que outros trios de times medíocres e jovens, no caso Wolves (Jonny Flynn, Kevin Love e Wesley Johnson) e Nets (Devin Harris, Derrick Favors e Brook Lopez). As coisas mudaram um pouco de figura quando, depois disso, o Wolves trocou pelo Michael Beasley e ele começou a jogar muito. Hoje prefiro o trio do Wolves, com Beasley e não Flynn, embora nessa temporada o Pacers seja um time melhor.

Não que esteja tudo como planejado, o Darren Collison, por exemplo, não está jogando no mesmo nível da temporada passada pelo Hornets, quando substituiu Chris Paul e foi um dos melhores novatos do ano. Número por número o jogador tem hoje 13 pontos por jogo e acabou a temporada passada com 12, mas o meu critério de comparação é com quando foi titular no Hornets, não reserva. Isso aconteceu nos últimos três meses de 2009-10 e suas médias foram: 21.6 pontos em fevereiro, 17 pontos em março e 19 pontos em abril. Nas assistências foram 8.3, 9.1 e 7.7. Nessa temporada ele tem apenas 4.3 assistências por jogo.

Mas por que diacho o Collison caiu tanto de produção? O Indiana Pacers é um dos times que joga em ritmo mais veloz na NBA, bem mais do que o Hornets, o que eu achei que fosse fazer o Collison se adaptar rápido, mas acabou sendo o contrário. Pode ser só impressão, mas eu acho que ele não funciona muito bem só chegando no ataque e distribuindo um passe preciso para a finalização, como faz o Steve Nash no Suns, por exemplo. Ele funcionava melhor em um ataque de meia quadra que explorava vários pick-and-rolls como no Hornets. O Pacers é um time mais de arremessadores e que deixa o garrafão só para o Roy Hibbert trabalhar, limitando o Darren Collison a arremessos mais distantes ao invés de ter espaço para infiltrações.

A falta de entendimento tático tem influenciado também a confiança do Collison, que muitas vezes aceita ser só um carregador de bola da defesa para o ataque, onde entrega para Danny Granger e Roy Hibbert jogarem como bem entenderem. A passividade do Collison fez ele perder espaço na rotação e não é incomum ver o TJ Ford e até o AJ Price jogando quartos períodos no lugar dele, o técnico Jim O’Brien disse que muitas vezes o Ford joga os finais de jogo por sua agressividade na defesa e experiência no ataque. Quando você perde vaga por causa da defesa furada do TJ Ford e sua “experiência” que faz com que ele tente os arremessos mais imbecis da história do basquete (JR Smith à parte) é porque a coisa tá feia. Às vezes acho que é uma mensagem do tipo “Seja agressivo como o TJ Ford, mas do jeito certo”.

Mas é difícil culpar só o TJ Ford por tentar arremessos burros porque esse é um dos times que mais força bolas estúpidas na NBA e eu nem esqueci do Warriors! O Danny Granger arremessa bolas longuíssimas de três com muito tempo no relógio, o Roy Hibbert insiste nos arremessos de Ilgauskas ao invés de jogar perto da cesta e o Brandon Rush só tem um pouco do meu perdão porque ele tem aquela liberdade concedida a todos os grandes arremessadores para arremessar sempre que receber a bola. É o tipo de jogador que se não chutar quando tiver a chance sai do time (embora tenha saído melhor do que a encomenda na defesa individual). O novato Paul George é outro que tenta umas coisas inexplicáveis, mas com a desculpa de ser só um novato, ser um time veloz não justifica tantas bobagens.

O Hibbert e o Granger, aliás, são um caso estranho nessa temporada. Nos primeiros 16 jogos da temporada Granger teve média de 22.6 jogos e Hibbert 16.1. Nos 16 jogos seguintes eles caíram para 19.1 e 11.1 respectivamente, em rebotes o Hibbert ainda caiu de 9 para 7 por jogo. Quer um número pior? Hibbert tem acertado apenas 41% dos seus arremessos! Irgh! Para um ala isso já é ruim, para um pivô é péssimo e para quem começou a temporada tão bem é um colapso inexplicável. E embora eu reclame que ele chuta muito de longe, os números dizem que nos últimos jogos, quando seus números caíram, ele está até arremessando um pouquinho mais de perto. Apenas tem errado, simples assim. O blog especializado no Pacers “Eight Points, Nine Seconds” comenta melhor esses dados.

Com Granger e Hibbert atuando bem, o Pacers tem lugar na briga (medíocre) pelas últimas posições no playoff no Leste, mas com eles jogando como estão, já era. Até porque como alertamos no nosso preview, eles tem dois buracos nas posições 2 e 4 que ainda não foram preenchidos. O Brandon Rush foi o escolhido para algumas ocasiões, mas como ele é muito limitado, costuma vir do banco, deixando lugar para o Mike Dunleavy, o que seria uma boa se ele tivesse só dias inspirados, mas é irregular como uma TPM. Na posição 4 já tivemos o mesmo versátil Mike Dunleavy deixando o time baixo e cheio de arremessadores, o agressivo Josh McRoberts, que é empolgante mas pouco eficiente, e finalmente Tyler Hansbrough nos últimos dois jogos. De todos, o Psycho-T é o que eu acho que vai ficar no time titular porque combina as qualidades dos outros: é agressivo nos rebotes como McRoberts, e tem velocidade e um arremesso decente de meia distância para abrir a quadra como Dunleavy.

Um outro jogador que eu sempre comentei que poderia ganhar espaço é o novato Lance Stephenson, ídolo absoluto nos seus tempos de colegial e que acabou só saindo na segunda rodada do Draft desse ano (uma posição depois do Landry Fields). Mas ele não entra em quadra nem a pau, na sua volta para sua terra natal, Nova York, o NY Daily News entrevistou o garoto e parece que vai demorar para ele entrar em quadra mesmo. O time está tendo paciência com ele, mas ele é ainda, pra falar a verdade, um jogador de streetball. Ainda precisa aprender a se portar como armador, a participar coletivamente da defesa e tantas outras coisas. “Ele precisa trabalhar em todo o seu jogo. Em tudo”, disse o técnico Jim O’Brien. Se um dia Stephenson estourar na NBA ele deve muito a essa comissão técnica cheia de paciência.

Ou seja, é um time com bons jogadores, mas todos com muitos defeitos que o fariam reservas na maioria dos bons times por aí. Mas como essa é a realidade do Pacers por muitos anos, alguma coisa tinha que ser feita e o Jim O’Brien, nunca conhecido por sua defesa, fez milagre. Hoje o Pacers é a sétima melhor defesa de toda a NBA! O segredo para essa mudança está na dupla pressão de perímetro e Roy Hibbert . O time rápido pressiona os adversários na linha dos três com defensores atléticos e rápidos (George, Granger e principalmente Posey), evitando penetrações, e o Hibbert, 6º da NBA em tocos, protege bem o garrafão. Os adversários do Pacers acertam em média 43% dos seus arremessos, é a terceira melhor marca da NBA, atrás apenas de Bulls e Heat. Na defesa do garrafão também estão em terceiro, atrás de Celtics e Magic.

A conclusão dessa análise do Pacers é que caímos no mundo bizarro. O Spurs é o time veloz que precisa arrumar sua defesa e tem um dos ataques mais velozes e envolventes da NBA e o Pacers do Jim O’Brien (meu deus!) se mantém na briga pelos playoffs por sua defesa e precisa acertar o ataque para ir longe. Se um dia eu largar o blog é porque estou achando tudo tão estranho que enlouqueci e estou no hospício.

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