Thunder vence feio; Novaksanity

Em uma noite em que vários jogos pareciam interessantes, decidi dar a maior parte da minha atenção para o Oklahoma City Thunder enfrentando o Philadelphia 76ers. Primeiro porque adoro ver o Sixers jogar (Evan Turner muito gatinho!), depois para ver como o Thunder iria se virar contra uma das melhores defesas da NBA. Muitas vezes eles ganham jogo na marra, mesmo sem jogar bem, mas contra uma defesa boa fica mais difícil. E difícil foi mesmo, mas, de alguma maneira, venceram.

Alguns momentos definem bem essa partida. O Sixers vencia o segundo quarto com precisão impressionante, quase todas as bolas que o Thunder tentava acabavam com um quase roubo, um passe desviado, um jogador indeciso, era uma defesa esmagadora. Mas mesmo assim volta e meia o Thunder conseguia cavar uma falta ou acertar um arremesso muito difícil. O Sixers dominou com seus já conhecidos contra-ataques fulminantes, todos comandados por um inspirado Andre Iguodala, porém no minuto final do quarto, um balde de água fria: duas bolas de 3 de Kevin Durant, com a marcação na cara, e uma bandeja Derrickrroseana de Russell Westbrook. Pronto, 8-0 para o Thunder em questão de segundos e a vantagem no placar.

A mesma coisa aconteceu depois. O Sixers forçou o Thunder a míseros 10 pontos no 3º período, mas tomou 29 no último simplesmente porque não dá pra parar Durant e Westbrook por muito tempo. É muito talento individual e ainda tem a ajuda de James Harden. Não ajudou também que o Sixers não conseguiu controlar os rebotes, o Thunder pegou 19 rebotes de ataque (a média deles é de 10), sendo que 7 foram de Westbrook (o máximo de um armador em toda a temporada). O último deles foi em um lance-livre errado de Durant nos segundos finais, se o Sixers pegasse o rebote ainda teria uma chance de empatar o jogo, mas simbolicamente perderam o jogo no quesito que mais lhes machucou durante toda a partida. Se o Sixers é o time que peca nos detalhes, ainda falta melhorar garrafão defensivo, rebotes e jogadas de final de partida (depender do Lou Williams é demais para um time que quer ser levado a sério), o Thunder é o time que aprendeu a superar esses detalhes. Pode jogar mal, pode ter seus melhores jogadores anulados por algum tempo, mas sabe levar o jogo e decidir quando precisa. É uma sensação que eu tinha muitas vezes com o San Antonio Spurs de vários anos atrás, era um time fantástico, claro, mas a diferença era que conseguia ganhar mesmo quando o outro time parecia ter jogado melhor o tempo inteiro.

E falando em Spurs, ontem eles enfrentaram o Chicago Bulls e sofreram apenas sua segunda derrota em casa na temporada. Foi divertido demais ver Tim Duncan dominar um período no ataque e na defesa como ele fez no terceiro quarto, mas assim como o Sixers não pode depender apenas de Lou Williams no fim do jogo, ontem o Spurs exagerou na confiança com Gary Neal. O armador fez chover no último quarto, marcou 15 pontos na parcial, mas o time começou a parar para assisti-lo jogar, acabou com ele errando um arremesso muito forçado no minuto decisivo do jogo. Se compensa, esse nem foi o maior problema. Como já dissemos outras vezes, o Spurs tem atacado bem, é a defesa que ainda peca. E tomaram 31 pontos no último período.

O Bulls dominou de duas maneiras no quarto final: Primeiro com seu time reserva, que para muitos adversários é o equivalente a um dos círculos do inferno. Sugiro ao capeta lá de baixo criar um lugar onde todos os jogadores preguiçosos de basquete sejam condenados a passar a eternidade sofrendo uma defesa pressionada desse time reserva do Bulls. Eles forçaram o Spurs a muitos erros e aproveitaram os contra-ataques. Depois foi a vez de Derrick Rose acertar as bandejas mais improváveis da NBA e no final Luol Deng acertar bolas decisivas. O Spurs usou a técnica do Heat de dobrar a marcação loucamente em cima do Rose e forçar ele a soltar a bola, mas ontem Joakim Noah estava nos seus bons dias de passador e Deng foi preciso quando mais importava. Spurs errou um bocadinho, mas mesmo quando acertaram o Bulls respondeu com perfeição. Falta muito pra final do Leste?

As jogadas de ontem merecem um vídeo. Se cestas difíceis valessem mais, no maior estilo handebol de areia, o Derrick Rose alcançaria 100 pontos brincando.

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No Madison Square Garden as coisas pareciam meio complicadas para o New York Lins. Jeremy Lin chegou a sair do jogo com o nariz sangrando, Daniel Gibson estava fazendo bolas de 3 para o Cavs como se fosse treino de lance-livre e o time foi perdendo para o intervalo. Mas foi só um susto, na volta do intervalo tudo funcionou. Começando, claro, por Jeremy Lin. Ele fez uma partida corretíssima e aproveitando que o time está completo foi mais armador do que finalizador, terminou com 19 pontos, 13 assistências e apenas 1 turnover. Sem precisar forçar arremessos o tempo todo ele tem números bem melhores. Quem agradece os passes são Carmelo Anthony (22 pontos), Amar’e Stoudemire (14 pontos) e Steve Novak, que foi ovacionado pela torcida local. Isso porque foi ele quem matou o Cavs na partida com 5 bolas de 3 pontos, todas no segundo tempo. Legal que Novak arremessou 9 bolas e outros 4 jogadores arremessaram entre 10 e 14 (Melo, Amar’e, Lin e Shumpert). Muito diferente daquele Knicks individualista e perdido do começo da temporada.

Isso é diferente do começo da temporada também: ter Baron Davis e JR Smith sentadinhos no banco esperando para entrar não é nada mal.

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Um jogo brigado, feio e de placar relativamente baixo. Definitivamente não é o tipo de jogo que o Warriors costuma ganhar, especialmente fora de casa, onde eles fedem, mas deu certo. Claro que foi contra o Atlanta Hawks, um time de lua que adora um jogo pouco convencional. Foi um daqueles jogos chatos que só o Hawks pode te oferecer, mas com algumas bonitas jogadas de Monta Ellis no final para agradar a nossa vista e decidir a parada. Curioso que Steph Curry, machucado, não poderia jogar, mas acabou entrando e jogou durante 3 segundos! Sim, 3 segundos. No último quarto, apenas para arremessar ou talvez sofrer falta e ir para o lance-livre. O Don Nelson sai do seu time, mas o seu time não sai do Don Nelson. Ou algo assim. Vocês entenderam.

Noite longa e alguns jogos não merecem tanto nossa atenção. O Detroit Pistons é ruim, mas não a ponto de perder para o Charlotte Bobcats, venceu por 15 de diferença com 29 pontos do inconstante Rodney Stuckey. Em Salt Lake City o Jazz se recuperou da vergonhosa derrota da rodada anterior para o Kings com boa vitória sobre o Houston Rockets. Não importa o quanto o Rockets melhore, são fregueses do Jazz faz alguns anos já. Destaque para CJ Miles com 27 pontos. O jogo-que-ninguém-assistiu da noite poderia ir para o duelo entre Toronto Raptors e New Orleans Hornets, mas Samuel L. Jackson, por algum motivo, estava na torcida. Eu não posso chamar ele de ninguém. Dentro da quadra o Raptors contou com bom último quarto de Linas Kleiza para vencer a partida.

Em Memphis o Grizzlies estava perdendo para o Dallas Mavericks até o fim do 3º quarto, mas aí embalou com bolas de 3 de Mike Conley e ótima partida de Marc Gasol (22 pontos, 11 rebotes) e venceu. Quando o Grizzlies começa a passar bem a bola são muito difíceis de parar e tornam a defesa por zona que o Mavs tenta uma confusão. Mas o que atrapalhou mesmo o Dallas é que Lamar Odom ainda está fora com problemas pessoais e Dirk Nowitzki saiu durante a partida com problemas nas costas e não voltou. O ex-time de Odom, o Lakers, venceu com facilidade seu primeiro jogo pós-All-Star. Eles enfrentaram o Wolves sem Kevin Love, que se machucou no dia anterior contra o Clippers. Dessa vez Derrick Williams e Michael Beasley fizeram 10 pontos cada um, não 27, e Ricky Rubio repetiu a dose de dar 9 assistências mas acertar apenas um arremesso o jogo todo. Rubio até pode se dar ao luxo de não ser grande pontuador quando o resto do time joga bem, mas tem horas que faz falta. O melhor momento da partida, porém, foi ver Kobe Bryant jogando de máscara por causa do nariz quebrado no All-Star Game. Bizarro e feio.

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Outra porrada boa na noite de ontem aconteceu no jogo entre Portland Trail Blazers e Denver Nuggets. O Kenneth Faried, novato do Nuggets, acertou sem querer um chute na cara do senhor Kurt Thomas, que com seus 84 anos de idade sentiu a pancada. Caiu como merda no chão e depois ficou cambaleando na hora de levantar, coisa de boxe amador. Coisa feia. No jogo o Nuggets venceu o Blazers no duelo de times que há um mês eram ótimos e hoje fedem e brigam pela 8ª vaga do Oeste.

Só porque ontem elogiei a defesa do Celtics e critiquei o ataque, eles mudaram o script. Passaram dos 100 pontos contra o Bucks, mas em compensação tomaram uns mil pontos do Drew Gooden só no primeiro tempo. Foi bem esquisito. Pelo menos eles acertaram a defesa mais pra frente no jogo e venceram com autoridade. Destaque para o Rajon Rondo com mais um triple-double na temporada, 15 pontos, 11 rebotes e 10 assistências. Para eu ter pelo menos um tiquinho de razão no que comento, Paul Pierce enalteceu que eles foram bem nos rebotes, “que tem sido nosso maior defeito na temporada” nas palavras de PP. Para fechar a noite outro duelo do Leste, o Orlando Magic precisou de seu melhor jogador para bater o Washington Wizards. E quem nos conhece sabe que não estamos falando de Dwight Howard, foi Ryan Anderson que fez 11 pontos no último quarto, 8 nos últimos 6 minutos de jogo para desenroscar um jogo complicado. Pelo Wizards, punições: JaValle McGee e Nick Young foram para o banco de reservas depois de nem jogar no segundo tempo do jogo da rodada anterior. Sobre as razões para a punição, McGee disse: “Ainda não entendi, mas tenho certeza que vai ficar mais claro com o tempo”. Talvez tenha a ver com o técnico Randy Wittman dizendo que “só ia colocar em quadra jogadores que querem jogar na defesa” e que “temos caras desenvolvendo manias péssimas dentro de quadra, que não estão jogando do jeito certo”. Talvez seja isso, só talvez.

 

Fotos da Rodada

Eu pensava que o Perkins não tinha medo de nada

 

Mãe, agora sem olhar!

 

AAAH! COMO EU AMO JOGAR BASQUETE

 

Duncan leva o corpo de Tony Parker para o porta-malas do carro

 

Paul Silas com o conhecido “Facepalm of the Night”

 

K.O.

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O Tyson Chandler tem uma mão esquerda que flutua sozinha

Assim que o Tyson Chandler foi para o Knicks por um contrato de 14 milhões por ano, coisa de estrela, comparei seu caso com o de Kendrick Perkins no Celtics: o valor pago não é tanto para aquilo que o jogador pode fazer de verdade, mas por aquilo que ele representa, para a importância que pode ter na transformação de uma equipe. A saída de Perkins de Boston simbolizou o fim de uma família, de uma mentalidade, e a equipe perdeu uma âncora defensiva que antes de sua saída nem sequer tínhamos certeza de que existia. A chegada de Perkins no Thunder (e do Tony Allen no Grizzlies) foi como a chegada simbólica de uma nova atitude. Ambos instituíram em suas equipes um regime de reuniões de vestiário, de implicação de responsabilidades, e de ajuda mútua constante. Quando o Knicks suou as pitangas para conseguir Chandler, era isso que julgava estar adquirindo.

O lado do Knicks foi amplamente analisado por aqui. Eu só não imaginava que, assim como o Celtics sentiu a saída do Perkins, o Mavs sentiria a saída do Chandler. Então é hora de analisar o lado dos atuais campeões, até agora incapazes de conseguir uma vitória na temporada sem o seu antigo pivô no elenco.

Antes de mais nada, é importante lembrar que o Mavs não foi uma dessas super-equipes montadas de repente para disputar o título e que se sagrou campeã só porque conseguiu gastar mais grana do que as outras. A grana a ser gasta sempre esteve aí, desde que o bilionário nerd Mark Cuban assumiu a franquia, mas o elenco tem sido montado há uma década com resultados diversos. Às vezes, o excesso de grana até atrapalha um pouco: houveram tempos em que qualquer jogador bom dando sopa recebia um contrato do Mavs, que acabava adicionando peças bastante aleatórias e tinha que se virar para dar minutos para todo mundo. Adições de uma temporada para a outra nunca faltaram, aparecem às dúzias, mas não é sempre que elas aparecem com algum critério, tentando assumidamente arrumar algum buraco da equipe. Antes da temporada passada começar o Mavs tinha a consciência de que precisava de um pivô defensivo para segurar as pontas, e aí – porque o dinheiro não falta – acabou adicionando tanto o Brandon Haywood quanto o Tyson Chandler. O Haywood se mostrou um quebra-galho, mas o Chandler acabou por tornar real algo que a franquia sabia possível mas não sabia como executar: uma defesa matadora.

O DNA do Mavs está ligado ao pai bizarro Don Nelson, então é uma equipe em que o primeiro instinto é de jogar na  velocidade, no contra-ataque e abusar dos arremessos do perímetro. Só com a defesa instituída pelo técnico Avery Johnson, no entanto, o jogo ofensivo de velocidade adquiriu consistência. Times como os do Don Nelson ou do Mike D’Antoni abusam da velocidade em todas as situações, repondo a bola o mais rápido possível, correndo para o ataque e tentando pegar os adversários com a defesa desprevenida ou desorganizada. É comum que, impondo esse ritmo de jogo, eventualmente um armador esteja sendo marcado por um pivô, e com decisões rápidas no ataque é possível se aproveitar desses deslizes. O problema é que trabalhar em tanta velocidade aumenta o número de erros, de desperdícios de bola, de arremessos forçados, e ainda cansa os jogadores fisicamente. É complicado manter esse ritmo no ataque e ainda ter disposição física para defender, e quando forçados a jogar em meia-quadra por equipes que conseguem diminuir a velocidade do jogo, essas equipes não sabem como pontuar e acabam se baseando apenas em jogadas forçadas do perímetro. Os times do Don Nelson sempre foram pragueados por decisões ruins tomadas especialmente nos momentos cruciais das partidas, quando é importante saber diminuir o ritmo e ter uma bola de segurança. Já as equipes do Mike D’Antoni, que tomavam boas decisões porque contavam com o Steve Nash, sempre tiveram problemas contra as equipes como o Spurs, que impõe um ritmo mais lento de jogo e forçam os adversários a ter que trabalhar uma jogada.

O Mavs, então, nunca foi um desses times que rouba a bola na defesa e se aproveita do contra-ataque. A correria independia da defesa, era constante, e no caso do Mavs sempre terminou em bolas rápidas de 3 pontos. Quando Avery Johnson melhorou a defesa da equipe, começou uma tímida cultura de contra-ataques, mas ainda assim sempre houve muita dificuldade em jogar sem ser na velocidade. Em geral, quando forçado a jogar na meia-quadra, o Mavs sempre usou jogadas simples de isolação, quase sempre com o Nowitzki. É por isso que o Jason Kidd teve tanta dificuldade em se encaixar no Mavs: sem uma defesa capaz de gerar contra-ataques constantes, como aqueles em que estava acostumado nos tempos de Nets, grande parte da sua função era apenas passar a bola para o lado até que alguém fosse isolado. Definitivamente não era a melhor maneira de usar suas habilidades.

Nowitzki é o jogador perfeito para um basquete lento, cadenciado, mas incapaz de defender de maneira sólida; Jason Kidd  é perfeito para um basquete de velocidade, focado nos contra-ataques, e que depende de uma defesa feroz que cause erros do adversário. O Mavs nunca foi um time que se encaixa muito bem, como podemos ver, as peças sempre chegaram aleatoriamente e o Kidd não foi exceção, mas jogadores talentosos sempre dão um jeito de funcionar juntos.

Tyson Chandler foi mais uma peça aleatória, mas sua capacidade atlética no garrafão e sua mentalidade defensiva permitiu que o Mavs se concentrasse na defesa do perímetro, afunilando os adversários para o miolo do garrafão, onde o Chandler cuidava do resto. De repente o Mavs tinha um plano defensivo eficiente contra todas as equipes, os jogadores adversários passaram a ter medo de infiltrar no garrafão, e até o Kobe fez xixi nas calças e passou uma série inteira dos playoffs arremessando do meio da quadra pra não ter que se aproximar do aro. O Mavs se tornou um time orgulhoso defensivamente, solícito, forte, e que viu seu ataque em velocidade ser finalmente eficiente de verdade. Com mais rebotes, mais tocos, mais erros forçados, o Mavs conseguia impor mais correria, encaixar mais bolas de 3 pontos e não ter que depender tanto das jogadas de isolação. Aquilo que a equipe procurou desde o primeiro segundo em que o Don Nelson foi mandado embora só se consolidou com a chegada do Chandler, e aí o time foi campeão. Grana pra burro, dá pra contratar todo mundo do planeta, mas a coisa só funciona de verdade quando um plano de quase uma década ganha de repente as peças certas, e quando aquela semente do Don Nelson pode ser usada em toda sua potência com uma defesa que a permitiu florescer.

É uma história linda, pode virar filme com o Selton Mello ou novela do SBT, mas pelo jeito o Mark Cuban não entendeu muito bem a situação. Parece ter considerado que suas adições aleatórias à equipe podem continuar, que quem for embora pode ser substituído por outros jogadores aleatórios que estiverem disponíveis. Não percebe como a caminhada do Mavs ao título não foi por causa da grana, mas sim um longo processo até que os jogadores certos tornassem possível o plano tático certo. Deixando Tyson Chandler sair e trazendo outros caras nada a ver, como o Vince Carter, todo aquele longo processo foi para o saco.

Eu nem tenho nada contra o Vince Carter, pelo contrário. Acho o Carter um exemplo de jogador que foi capaz de se reinventar quando tantos outros, supostamente mais talentosos, não conseguiram. Todo mundo deve se lembrar daquela anedota do Carter nos tempos de Raptors, enfrentando o Celtics. Puto da vida querendo ser trocado, insatisfeito com seu time, Carter perdia o jogo por apenas um ponto com um par de segundos sobrando no cronômetro e pediu um tempo técnico para que sua equipe montasse uma jogada. Ao voltar do tempo técnico, o Carter passou na frente do banco do Celtics e falou algumas palavras. Diz a lenda que aquelas palavras eram exatamente qual jogada o Raptors iria fazer naquele arremesso final, o Celtics então defendeu aquela jogada como se soubesse o que iria acontecer e o Raptors perdeu o jogo. A anedota queimou o Carter feio, ficou conhecido como jogador vendido, marrento, estrelinha e causador da fome na África. Quando foi para o Nets jogar com Jason Kidd, deu uma caralhada de arremessos imbecis no final dos jogos, querendo ganhar tudo sozinho. Mas os poucos foi se acalmando, entendendo seu papel na equipe, e quando o Nets resolveu mandar todo mundo embora para se reconstruir, o Carter acabou sobrando por lá. Nem por um segundo reclamou de nada, não pediu para ser liberado ou trocado, não reclamou de passar longos períodos no banco de reservas para que os novatos da equipe jogassem, e o mais importante: não dedou mais nenhuma jogada nos segundos finais. Pelo contrário, todas as notícias vindas de New Jersey dizem que Carter tornou-se um líder no vestiário, ajudava os novatos, passou a obedecer o polêmico esquema tático (que era medonho, admito) e liderava pelo exemplo. Vince Carter ainda está na NBA, mesmo velho e muito longe do potencial que um dia teve, quando era uma das grandes estrelas da liga. Enquanto isso, companheiros da sua época como Marbury, Steve Francis e Allen Iverson, todos tão bons ou melhores do que ele, viraram farofa porque foram incapazes de mudar suas imagens perante a liga. O Carter é bom moço, maduro, focado e tem um emprego. Como isso aconteceu eu não sei, mas é mérito total dele numa época que expurgou como câncer todos os jogadores que ousavam querer brilhar mais do que os outros.

Mas esse Carter, por mais bacana que tenha se tornado, não traz nada de que o Mavs precise. No máximo o Mark Cuban deveria sair com o Carter para tomar um suco e comer um sanduíche, não precisa contratar o sujeito. Muitos dizem que o Carter é tão amaldiçoado quanto o Clippers, e que nenhum time em que ele pise jamais conseguirá ser campeão. Mesmo se não for o caso e o Carter não tiver sido amaldiçoado pelo Valdemort, ainda assim não é uma aquisição que supra os buracos que o Mavs enfrenta. Falta à equipe um pivô à altura do Chandler, capaz de intimidar a infiltração dos adversários, e falta também um jogador capaz de segurar a bola e costurar a defesa agora que JJ Barea escafedeu-se. O JJ Barea não é nenhum gênio, aliás sempre desconfiei que ele jogava melhor justamente nas vezes em que esquecia o cérebro na geladeira de casa, então é fácil substituí-lo – o próprio Roddy Beaubois, que volta de lesão, tem tudo para cumprir bem esse papel descerebrado. Mas sabe quem não tem condições de ficar costurando defesas e atacando a cesta? Vince Carter e seus joelhos de farinha. No máximo será um arremessador de luxo na equipe, algo que o Mavs já tem aos montes.

Mesmo a aquisição do Lamar Odom, que foi praticamente de graça depois que a troca do Lakers com o Hornets foi anulada, simplesmente não funciona – e por vários motivos. Primeiro, o Lamar Odom tem sérias dificuldades em se focar em quadra. Quando está concentrado e motivado, ele é um dos jogadores mais completos da NBA e um perigo constante no ataque porque seu tamanho e sua velocidade não casam com nenhum marcador adversário – ou os jogadores são muito menores do que ele, ou são lentos demais para acompanhar suas infiltrações rumo à cesta. O problema é que os torcedores do Lakers sabem muito bem quão difícil é o Odom estar com a cabeça no jogo, ele facilmente parece desinteressado, toma decisões estúpidas e se torna quase invisível em quadra. Trocado da equipe em que passou os últimos anos, sentindo-se indesejado, mandado para a equipe rival, e além de tudo para longe da cidade em que vive sua nova esposa, a Khloe Kardashian. Como diabos alguém esperava comprometimento do Odom frente a tudo isso? Não é de se espantar que ele tenha chegado tão fora de forma que foi obrigado pelo Mavs a treinar por duas horas, sozinho, no único dia que o time teve de descanso desde que a temporada começou. E não foi só isso: também foi obrigado a chegar algumas horas antes de seus companheiros no jogo contra o Thunder para continuar seus treinamentos físicos. O Odom está uma bolinha desmotivada, não serve pra nada.

O segundo motivo pro Odom não dar certo nesse Mavs é que não existe posição em que ele possa jogar. Em sua posição natural joga o Nowitzki, que deve sentar o mínimo possível. Como reserva do Nowitzki, o Odom teria como função ser isolado e arremessar, justamente o ponto fraco do seu jogo. Caso jogue como ala de força e o Nowitzki seja rebaixado para pivô, o Mavs passa a ser uma equipe ainda mais medonha em parar e intimidar infiltrações adversárias, comprometendo na defesa. Se jogar apenas como ala, Odom terá que defender grande parte das estrelas da NBA, algo que não conseguiria fazer e que atualmente é função de Shawn Marion. Vindo do banco, o papel de pontuador e de armador vai para o Jason Terry, e o Odom seria apenas um reserva secundário. Cabe a ele, então, uma função ainda menor do que tinha no Lakers ou então uma função enorme que vai comprometer o garrafão e o funcionamento da equipe que foi campeã da temporada passada.

O Lamar Odom veio de graça e é um belo jogador, Playboy dada não se olha os dentes, mas às vezes você dá de frente com a Playboy da Mara Maravilha e percebe que é melhor ter cautela se não quiser ter sua infância traumatizada por toda a vida (experiência própria). Odom só terá espaço nesse Mavs se houver um chato trabalho de reconstrução do funcionamento tático, algo que não aconteceu sequer quando o Jason Kidd chegou. Será que Odom é talentoso e focado o bastante para se adequar à equipe, ao que precisam que ele faça, e conquistar seus minutos? A resposta veio rápido: em seu primeiro jogo com o Mavs, completamente fora de forma, Odom reclamou do juíz e foi expulso rapidinho. No segundo jogo, errou as 5 bolas de três pontos que tentou (acertando só um de dez arremessos de quadra). No terceiro jogo, errou as 4 bolas de três que tentou (acertando 2 dos seus 11 arremessos de quadra). Temos então um Odom fora de forma que só arremessa uns tijolos do perímetro sem parar.

Mas também não é como se o resto da equipe estivesse fazendo muito diferente. Com uma defesa que não força erros, não tapa o aro e não consegue rebotes, o Mavs acaba dependendo de novo de jogadas de isolação e de arremessos de três pontos forçados. Contra o Heat, o Mavs tomou 44 pontos no garrafão, pegou 20 rebotes a menos do que o adversário, e tentou 28 bolas de três pontos (acertando 9). No segundo jogo, pequena melhora: foram “apenas” 40 pontos tomados no garrafão contra o Nuggets, acertando 8 das 27 bolas de três pontos que tentou.

O terceiro jogo, comentado pelo Denis no resumo da rodada de ontem, foi mais promissor: o Mavs conseguiu apertar mais a defesa e forçou muitos erros do Thunder. O problema é que o Thunder já mostrou que basta forçar o Westbrook a jogar em velocidade para que ele cometa 8 bilhões de erros por jogo, colocando tudo a perder, então há pouco mérito do Mavs. No resto, tudo igual: levou 36 pontos no garrafão e acertou 9 das 26 bolas de três pontos que tentou.

O ataque tenta se arrumar como pode, Delonte West entrou bem no time titular e foi capaz de girar mais a bola e criar algum espaço para os arremessos. Nowitzki continua sendo isolado, criando seus pontos, e encontrando companheiros livres no perímetro. Mas não se fala em outra coisa nos vestiários a não ser na defesa do Mavs que foi embora: teve o Nowitzki recentemente dizendo que é difícil jogar em velocidade quando não se consegue rebotes ou erros adversários, teve o técnico Rick Carlisle dizendo que terá que ensinar defesa tudo de novo para sua equipe, melhorar seu próprio trabalho, começar de novo.

Um time campeão capaz de começar a temporada com 3 derrotas seguidas, parecendo perdido em quadra e regredindo quase uma década em seu estilo de jogo? É pra já. Ficamos então com uma lição valiosa: Tyson Chandler não é gênio, não vai descobrir a cura da AIDS, não é o melhor defensor da NBA; mas se você finalmente monta um elenco capaz de colocar em prática um estilo de jogo que foi campeão da NBA, agarre esse elenco com unhas e dentes e dinheiros. Porque acreditar que dinheiro é capaz de trazer outras peças, reposições quaisquer, e que ninguém vai sentir falta dos jogadores que forem embora, isso é furada. Vimos com o Clippers que dá pra formar um bom time mesmo sem depender da grana. Agora vimos com o Mavs como dá pra jogar um time no lixo apesar de ter grana saindo pelas orelhas. Se não houver um reforço nesse garrafão, se o Mavs não encontrar um modo de retomar a defesa que lhe levou ao título, essa será uma temporada perdida para Nowitzki e seus amigos.

>Tocos de David Stern

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-Vou dormir na sua casa hoje se Mamma Stern deixar

Quem estava fora da Twittosfera ontem perdeu uma das noites mais malucas que eu já acompanhei na NBA. De tarde surgiu mais um dos mil boatos diários que levam super estrelas ao Los Angeles Lakers. No meio de notícias de que o Los Angeles Clippers e o Golden State Warriors haviam feito boas propostas pelo armador do New Orleans Hornets, apareceu essa história de uma troca envolvendo também o Houston Rockets e que tiraria Lamar Odom e Pau Gasol do Lakers. Ignorei, provavelmente outra bobagem querendo levar estrelas para o Lakers como as que nos últimos anos prometeram Shaq, LeBron, Bosh, Yao, Dwight e tantos outros.

Então, tranquilo, preparei um texto explicando a regra da anistia e assim que entrei no Twitter para divulgar o texto, dei com a confirmação. Era verdade e Lakers, Hornets e Rockets haviam acertado uma troca que levaria Chris Paul para o Lakers, Luis Scola, Goran Dragic, Lamar Odom e Kevin Martin para o Hornets e Pau Gasol para o Rockets. Meu post ficou secundário e o Twitter virou um alvoroço de análises, discussões, xingamentos e troca de impressões.

Eu, como torcedor do Lakers, tinha odiado a troca. Claro que Chris Paul e Kobe Bryant iriam dar um jeito de se entender, os dois são gênios. Mas isso não quer dizer que seus estilos combinem, assim como não batem o jogo de LeBron James e Dwyane Wade e mesmo assim eles dão um jeito de ir para a final da NBA. Mas será que valia perder um dos melhores pivôs da NBA e mais o melhor reserva da última temporada por um armador em último ano de contrato que já disse publicamente que quer ir para o Knicks jogar com seu amigo Carmelo Anthony? Confiar só no Andrew Bynum no garrafão era arriscado e confiar que o Bynum seria moeda de troca para o Dwight Howard, mais ainda. O Lakers teve seis bolas no saco para ter a coragem de fazer algo desse tipo, mas coragem não quer dizer que foi algo inteligente.

Para o Hornets não parecia um negócio horrível, mas certamente tinha seus defeitos. O Kevin Martin era o menino da troca, com quase 29 anos de idade. Scola e Odom já passaram dos 30. Jogadores nessa idade não costumam ter saco e motivação para entrar em um time em reconstrução, o Odom em especial tem sérios problemas para colocar sua cabeça no lugar e ontem até ameaçou não aparecer nos treinos do Lakers porque havia sido envolvido em discussões de troca. Vocês imaginam a Khloe Kardashian trocando Hollywood por New Orleans? Até o casamento do cara ia pro saco.

E, pensando bem, mesmo que eles se motivassem, esse não é elenco para ir muito longe. Vão para os playoffs esse ano, talvez no ano que vem e aí Scola e Odom já estão arranhando os 35 anos de idade. Talvez tivessem outras trocas engatilhadas envolvendo esses veteranos, não sei, mas ela parecia incompleta.

Por fim o Rockets era um time que perderia muito, que assumiria riscos, mas que poderia se sair muito bem. Abriria mão de seus dois melhores jogadores, mas manteria o espetacular Kyle Lowry para ajudar um dos melhores pivôs de toda a liga, que ainda poderia receber a ajuda do brazuca Nenê. O time do manager Daryl Morey não só já tem bastante espaço na folha salarial como ainda abriria mais 3,5 milhões de doletas com essa troca. Daria para oferecer um contrato tão gordo para o Nenê (cerca de 12 milhões por ano) que seria difícil dele recusar. Role players não faltam no time (Courtney Lee, Chase Budinger, possível renovação de Chuck Hayes) e eles estariam prontos para impressionar.

O que você tira dessa troca depois dessa análise? Eu tiro que os times se arriscaram, que todos abriram mão de muitos talentos para receber outros em troca. Ao contrário da troca do Kwame Brown por Pau Gasol, o Lakers dessa vez abriu mão de muita coisa para receber um All-Star, assim como fizeram Hornets e Rockets. Ou seja, uma troca grande, de destaque, mas normal.

Mas o resto da NBA não pensou assim. Em um acesso de fúria muitos donos de times chegaram até a NBA e pediram para que a troca fosse vetada. E ela foi. A liga geralmente não tem poder para vetar trocas e contratações, senão certamente outros times teriam interferido no Big 3 de Miami, mas dessa vez havia uma diferença: O Hornets é propriedade da NBA, na prática os donos dos outros 29 times é que são donos da franquia de New Orleans. Explicamos nesse post do ano passado a confusão que foi esse lance do Hornets, e na época fomos ingênuos de dizer que a NBA por lá não causaria tantos danos. Geralmente donos não interferem tanto nos negócios dos General Managers, apenas dão sinal verde ou não para ultrapassar o teto salarial ou não, permissão para ultrapassar o luxury tax ou não, essas coisas. Então sabíamos que a NBA apenas não deixaria a gastança rolar solta, mas haviam prometido não interferir nas decisões tomadas pelo Manager Dell Demps.

Porém não foi a primeira vez que deu briga. No ano passado o Hornets mandou Marcus Thornton para o Kings em troca de Carl Landry, no negócio o Hornets teve que mandar dinheiro para o Kings para compensar a diferença de salários, o que provocou a fúria do Mark Cuban, dono do Mavs. “Poucos times na NBA podem se dar ao luxo de fazer negócios assim e deixamos que a franquia de quem a NBA é dona faça isso?”;  Também no ano passado uma troca que envolvia Indiana Pacers, Memphis Grizzlies e New Orleans Hornets, envolvendo o OJ Mayo como peça principal, foi estranhamente cancelada no último dia possível de trocas. A coisa ficou mal explicada na época, mas depois de ontem parece que entendemos a razão, o resto da liga não curtiu.

Vazou ontem para o Yahoo!Sports uma carta que o Dan Gilbert, dono do Cleveland Cavaliers, enviou ao David Stern. Ninguém negou que a carta fosse verdadeira e confio no repórter que a publicou. Na carta, Gilbert (em Arial, não em Comic Sans) pede que a troca entre em votação pelos outros 29 times, donos do Hornets. Ele também diz que o Lakers, com esse negócio, economizaria cerca de 20 milhões de dólares em multas e que era inaceitável que um time saísse da troca com o melhor jogador e ainda economizando dinheiro ao mesmo tempo. Gilbert assume assim que Paul é muito melhor que Gasol (e somado ao Odom). E se preocupa com o seu bolso já que o dinheiro das multas pagas pelos times acima do limite são divididos entre aqueles abaixo do teto salarial. Para terminar com um toque dramático e brega típico dele, diz “quando vamos simplesmente mudar o nome das outras 25 franquias da NBA para Washington Generals, em referência ao time que sempre joga e sempre perde para os Harlem Globetrotters.

O Dan Gilbert certamente não foi o único a enviar uma mensagem desse tipo e como a troca foi mesmo cancelada, dá pra imaginar o tipo de pressão que o David Stern recebeu. Na cabeça dos donos essa troca iria contra tudo o que foi discutido durante o locaute, em que os times de mercado pequeno estavam sempre perdendo para os de mercado grande, o que, para eles, é inaceitável. Aliás, isso é uma falácia que vai ganhar mais um post, tem muita gente acreditando nessa bobagem de que só os times ricos ganham.

Uma troca desse tipo logo no primeiro dia de Free Agency seria uma ofensa, segundo eles. O que os donos, aparentemente ignorantes em basquete, deixam passar é que o Lakers abriu mão de dois dos seus três melhores jogadores para conseguir um outro grande jogador. Não foi simplesmente um roubo das mãos do pobre Hornets. E como eles tinham tanta certeza assim que o Lakers seria um time melhor? Deveriam eles é estar preocupados em contratar um bom ala de força para chutar a bunda do garrafão ridículo do novo time do Kobe.

Mas o que pegou mesmo para mim na noite de ontem foi a questão ética. O Hornets está sendo claramente prejudicado se ele tem os outros 29 times decidindo o que eles fazem com o Chris Paul. O New York Knicks e outros times com espaço salarial vão sempre votar para que o Hornets mantenha o jogador e o perca por nada ao fim da temporada, claro. Os times que são candidatos ao título vão votar contra outros candidatos se eles derem um jeito de receber o armador, assim o Hornets, desesperado por uma reconstrução, não pode simplesmente aceitar a proposta que julga melhor, mas deve se adaptar ao que seus adversários, os times que querem derrotá-lo, decidem. E se é injusto com o Hornets, não deixa de ser contra o Lakers também. Eles tem as peças para a troca e não podem fazê-la por complô dos adversários. Pior que, apesar de antiético, é possível e válido e dentro das regras já que a NBA é dona do Hornets.

Recebi a seguinte pergunta no nosso formspring em relação à decisão da NBA em vetar a troca. Vejam:

“Calma, a gente está falando de uma associação privada, com 29 sócios, todos com o mesmo peso de voto. Portanto, não pode ser considerado justo ou não a troca, pois, no final,o time pertence a esses 29 donos e eles que decidem o que é melhor pra esse time.. O Hornets é como se fosse uma extensão do time deles. Eles possuem, cada um, 3,45% das ações dessa equipe, então se mais de 50% acharem que a troca não deve ser feita pois isso iria prejudicar os negócios deles, ela não será feita,fim de papo. O dinheiro é deles.


Mesmo sendo um lugar onde existe paixão e, como vocês já discutiram durante o locaute, ninguém pode falar o que eles devem fazer com o dinheiro deles, afinal, eles não falam o que vocês devem fazer com o seu. Eles são, acima de tudo, investidores, não apaixonados pelo basquete. Eles querem o melhor para o bolso deles e se 51% acha que o CP3 em LA iria atrapalhar nos negócios deles, então não se pode fazer nada. E outra, não é antiético eles comprarem o Hornets. É como se o Pão de Açúcar estivesse sendo vendido e outros 29 grandes supermercados comprassem ele, todos com a mesma fatia acionária. O problema de todos os fãs da NBA é que vemos ela mais com o coração do que com a cabeça. Lá é o mundo dos negócios, como tudo no mundo”

Eu entendo os argumentos do nosso leitor, mas os questiono. O Pão de Açúcar e os outros supermercados não estão disputando uma competição com um campeão. Todos querem ter lucro e competem entre si, claro, mas não é um esporte em que eles se enfrentam diretamente na briga por um campeonato. Simplesmente não faz sentido ter um time controlando o seu adversário em uma competição esportiva, é como se a NBA tivesse um time a menos na disputa, com os outros brigando para manipular o 30º de um jeito que os agrade mais. Se no mundo empresarial isso funciona, tudo bem, mas apesar de ser um negócio, a NBA é um campeonato de basquete, um esporte.

Ainda acho que os outros times terem controle de um adversário não é ético, e só concordava com a NBA ser dona do Hornets por ser algo temporário e pela promessa, claramente não cumprida, de deixar o GM Dell Demps trabalhar sem interferência externa. Os próprios donos pediram uma maior igualdade de condições para as equipes e onde está a igualdade ao impedir um time de realizar o negócio que ela julga melhor para si? Estão obrigando o Hornets a fazer um outro negócio qualquer, ou até a perder seu melhor jogador por nada, só pelo medo do Lakers ficar forte. Um adversário ser dono do outro é claramente conflito de interesses e a promessa de não interferência só durou até a água bater na bunda.

A posse temporária do Hornets pela NBA foi curta e já desastrosa. Durante o locaute David Stern disse que havia pelo menos 5 pessoas ou grupos interessados em comprar o Hornets, era hora da franquia ser vendida logo de uma vez para que tomasse suas próprias decisões e deixasse de ser fantoche dos seus adversários.

A melhor definição sobre o que aconteceu ontem foi dada no Twitter e eu perdi o autor no meio de tantas mensagens. Algum sábio disse que “a NBA tentou escapar de um iceberg e bateu em outro maior”. Eles quiseram fugir da polêmica da estrela indo para um time grande de novo e no fim o veto provocou revolta maior ainda, dessa vez de jornalistas, público, agentes e principalmente de outros jogadores. O Adrian Wojnarowski, jornalista do Yahoo! que deu todas as notícias de ontem em primeira mão, chegou até a dizer que esse veto de ontem poderia mudar muita coisa dentro da NBA. Ah, e enquanto eu escrevo esse post, dizem que o Brandon Roy vai se aposentar por razões médicas. Sim, o mesmo Roy que o técnico Nate McMillan afirmou que seria titular há dois dias. Essa liga pirou, pessoal.

>Fim da linha

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Bynum tenta abraçar Barea para dar parabéns pela vitória

Eu sei que o último post foi sobre o Lakers e que algumas pessoas vão se irritar que falamos sobre eles de novo. Mas podem ter certeza que dessa vez é a última pra valer. O atual campeão está eliminado, varrido pelo Dallas Mavericks e só joga na temporada que vem, que nem sabemos quando começa. Mas é que a repercussão da derrota categórica do Lakers na série, 4 a 0, e no jogo 4, 122 a 86, está rendendo mais comentários do que qualquer outra nos últimos anos. São todos os tipo de espécimes achados na fauna torcedorística: os indignados, os que colocam a culpa em tudo, os conselheiros da ONU que só querem saber da paz entre os atletas, os piadistas, os torcedores adversários, os Kobe-haters, os Kobe-lovers, os que sempre vão achar que o Lakers perde só para si mesmo, as viúvas de Phil Jackson, os que querem explodir tudo e começar do zero, os que culpam a arbitragem e por aí vai. Sério, ficar bem do lado de fora e só ver o circo pegar fogo pode ser uma experiência interessante sobre o comportamento humano diante de eventos que não podem controlar.

Vamos ter outras chances de comentar o Dallas Mavericks, no mínimo mais uma série, mas antes de falar do Lakers temos que lembrar que eles jogaram contra outra equipe de basquete e ela jogou bem demais. Eu sempre digo que vitórias muito expressivas em um jogo não são só mérito de um time e nem demérito de outro, diferenças de quase 40 pontos são uma soma das duas coisas, o mesmo vale para varridas em séries inteiras. Se só o Dallas fosse melhor a série poderia ter sido 4 a 2, se só o Lakers tivesse mal e o Dallas não espetacular poderia ter sido 4 a 1, sei lá, mas quando as duas coisas acontecem ao mesmo tempo dá no que deu. O Lakers foi superior mesmo nos três primeiros quartos do jogo 1 e durante pelo menos metade do jogo 3, só.

O interessante é que é muito normal um time começar uma série mais forte e o outro mudar algumas coisas, deixar mais difícil e aí o outro time responde e essas pequenas mudanças táticas ou de atitude que deixam uma série divertida. É o Zach Randolph e o resto do garrafão do Grizzlies dominando o jogo 1, sendo anulado no 2 e vencendo o 3 na série contra o Thunder. Ou o Celtics tomando pau em dois jogos para, em casa, vencer com um armador de um braço só. E isso é que decepcionou nessa série entre Lakers e Mavs, a série começou com uma estratégia tática do Dallas, o Lakers não conseguiu responder e a série acabou. Histórico para a NBA, sensacional para os torcedores do Mavs, mas uma série bem desinteressante de assistir.

A análise tática pode ser vista um pouco no nosso último post e nesse excelente texto do Fábio Balassiano em seu blog. A defesa do Mavs forçou os arremessos de longe, impediu a entrada da bola no garrafão (Kobe só fez uma bandeja e nenhuma enterrada em toda série!!!) e forçou o Lakers a arremessar, mas as bolas nunca caíram e a série acabou. Funhé. Fim de papo. Mas aí começa a parte difícil de aguentar e de responder: De quem foi a culpa e o que mudar para o ano que vem.

Culpa, antes de mais nada, do Rick Carlisle que reconheceu uma deficiência no jogo do Lakers e a explorou. Culpa também de enfrentar um garrafão que tinha defensores bons o bastante para segurar Gasol e Bynum, coisa que boas duplas como Perkins e Garnett, Boozer e Millsap ou K-Mart e Nenê não conseguiram no passado. Mas ok, ok, tem gente aí querendo tacar pedras, então vamos lá.

O Pau Gasol não jogou nada e ele admitiu isso, ao final da série disse: “aprendi a não deixar problemas de fora da quadra interferirem no meu jogo”. Não sabemos exatamente do que ele está falando, mas as Sônia Abrão e os Nelson Rubens dos EUA afirmam que a história é a seguinte: Pau Gasol queria que sua namorada fizesse mais amigos em Los Angeles, ela então começou a sair com Vanessa Bryant, mulher de Kobe. A senhorita Bryant, porém, teria dito coisas sobre os bastidores do Lakers que teriam feito a namorada de Gasol dar um pé na bunda dele. Gasol então culpou Kobe por falar demais para a sua mulher e o clima teria ficado péssimo. Não sabemos se isso é verdade, de confirmado só a frase do Gasol dizendo que algo na vida pessoal dele tirou o foco do basquete. Só que eu preciso realmente me dar ao trabalho de responder todos os torcedores que estão xingando ele? Sério? Como disse um cara gringo no Twitter, “Quem reclamar do Gasol e exigir trocas merece ter Kwame Brown e Smush Parker de volta”. Se o Lakers é um time de elite hoje é porque o espanhol chegou por lá.

O próximo alvo é Kobe Bryant, claro. E aqui mais do mesmo: “Ele deveria ter carregado o time nas costas”, “ele não envolveu os companheiros”, “ele não é capaz de carregar o time nas costas” e todo aquele papo que eu escuto desde que ouvi o nome de Bryant pela primeira na vez na vida. Sinceramente, Kobe teve nessa série os mesmos defeitos e qualidades que teve durante toda a temporada e durante boa parte da carreira, nada de novo. O que acontece é algo que pode surpreender muita gente: não se ganha ou perde jogos sozinho. Mas ei, shhh, não conta esse segredo pra ninguém, poucos sabem. Outro segredo de bônus para os assinantes VIP: Kobe Bryant não é o centro do universo, coisas podem acontecer sem que ele esteja diretamente envolvido.

Próximo tópico: O Lakers não sabe perder. Primeiro foi a falta dura de Ron Artest sobre o JJ Barea no jogo 2 e ontem duas expulsões, Lamar Odom e Andrew Bynum. Ambos, com o jogo já perdido faz tempo, fizeram faltas covardes sabendo que seriam mandados para fora do jogo. Coisa de gente nervosa, frustrada, que não sabe perder e que certamente merece e terá punição. Mas que note-se a diferença: Ron Artest ficou claramente arrependido e decepcionado no mesmo segundo que fez a falta, Odom e Bynum saíram com ares triunfantes de “foda-se o mundo, eu bato mesmo”. Então por favor, xinguem o Artest por jogar mal, por não conseguir ser nessa série o bom defensor que geralmente é, o critiquem por não saber arremessar mesmo depois de uma década como profissional, mas não venham com o papo de que ele nunca mudou e pra sempre será um bad boy. E outra coisa, Kobe e outros jogadores do Lakers foram, depois do jogo, atrás de Barea para pedir desculpas por Bynum e perguntar se ele estava bem. A atitude idiota de uns não quer dizer que o time inteiro não sabe perder.

Alguns estão colocando a culpa dessas agressões no Phil Jackson, já que o comportamento dos jogadores em quadra deveria ser controlado pelo técnico. E isso vale principalmente para o Bynum, já que o Odom tinha sido expulso antes e dado uma razão para Phil chamar todo mundo de canto e dizer para eles se acalmarem. Mas quem diz isso nunca viu o Zen Master em uma partida de basquete. O Phil Jackson é o oposto daquela sua ex-namorada controladora e acha que os jogadores são homens adultos com capacidade de aprender sozinhos, se for pra chutar eu diria que Phil acha que o Bynum aprendeu e amadureceu mais sendo o vilão idiota e imaturo da noite do que se tivesse tomado só um puxão de orelha no banco de reservas. É como quando ele vê o seu time errando sem parar e não pede tempo para que eles aprendam a se virar sozinhos. Para um torcedor em desespero essa atitude pode parecer suicida, mas a longo prazo sempre vemos os times dele como um dos mais autoconfiantes da NBA. Autoconfiança que facilmente vira frustração se os resultados não confirmam sua expectativa, diga-se de passagem.

Se o Phil Jackson errou nessa série foi ao não conseguir mudar o time taticamente para conseguir furar a defesa do Dallas Mavericks, mas quando a coisa chega ao ponto que seus jogadores não acertam um arremesso sem marcação, a coisa complica pra qualquer técnico. Não diria nem que Phil Jackson errou, mas que ele só não conseguiu ser fora de série como sua fama e história sugerem. História essa que acabou na humilhante derrota de ontem, como prometido antes da temporada ele é agora um senhor aposentado. Até cheguei a pensar que talvez Phil Jackson ficasse envergonhado em sair de cena desse jeito e pensasse em continuar, mas logo mudei de idéia. Lembrei de Michael Jordan e Yao Ming: Jordan teve o final de carreira mais cinematográfico que alguém poderia imaginar, um arremesso vencedor depois de um drible desconcertante em um jogo de final da NBA, e mesmo assim não ligou de voltar, velho e sem metade do físico anterior, para jogar em um time horrível e passar dois anos sem ver a cara dos playoffs. Era a vida dele, a vontade dele e o cara foi lá e fez. Se alguém está preocupado com legado, imagem e em endeusar alguém somos nós, não eles. Mesma coisa com o Yao Ming respondendo aos tristes com sua centésima contusão que ele está bem, vivo e feliz. Imagino o Phil pensando da mesma forma, ele queria se despedir com um título (quem não quer?), mas não deu, paciência, hora de ir pra casa, descansar, fazer sexo e fumar charuto.

Ou seja, tentamos dar muita importância para essa derrota do Lakers mas os motivos são meio tolos. São muitos torcedores a favor, muita gente contra, muita expectativa sobre nomes como Kobe Bryant, Pau Gasol e Phil Jackson e aí tudo o que acontece fica muito grande. Mas o Kobe perde como outros jogadores perdem, o Lakers perde por motivos que outros times perdem. E esse pensamento é importante na hora de pensar o futuro da equipe, se fosse outra equipe, com menos pressão e atenção em cima, alguém pensaria que é hora de destruir tudo e começar do zero?

Eu acho que não. O Andrew Bynum e o Pau Gasol tiveram momentos ótimos na temporada e são claramente talentosos, com saúde física para um e mental para o outro podem ser a melhor dupla ofensiva da NBA. Kobe Bryant aos poucos vai perder mais e mais sua potência física, mas ainda faz muito estrago. Lamar Odom foi o melhor reserva da temporada com méritos. Ron Artest não jogou bem na maior parte do ano, mas em determinados momentos também foi ótimo, talvez seja o caso de procurar um titular para que ele fique no banco, mas trocá-lo seria não só tolo como inviável. Quem jogou mal durante quase o ano todo e precisa de mudanças é o banco de reservas, o Steve Blake foi a maior decepção do mundo pra mim, o Matt Barnes não fez grande coisa e chegamos a um ponto triste da nossa vida como torcedor quando ficamos sonhando em ter Vlad Radmanovic ou Sasha Vucjacic no banco só para acertar pelo menos uma bolinha de três num jogo. Só não me venham com esse papinho de torcedor megalomaníaco do Lakers de “Por que não trazemos Deron Williams e Dwight Howard?”. Se fosse tão fácil eles não estariam esperando perder para o Mavs para contratar os caras, acreditem.

Eu sei que tem gente que vai discordar, que vai dizer que os adversários já sabem os defeitos do Lakers e que o time está velho. Para esses eu digo, de novo, olhem para o outro lado da quadra, o Lakers não joga sozinho. Para quem eles perderam? Para um time velho, que perdeu anos seguidos na primeira rodada e que toda temporada decide adicionar peças ao seu bom grupo ao invés de se desesperar e explodir tudo. Me parece um bom exemplo a ser seguido.

Lakers na beira do abismo

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Uma imagem diz mais que um post inteiro do Bola Presa

Torcedor do Lakers é como nós, paulistas: Se acham o centro do mundo. Mas com uma diferença, os torcedores do Lakers não tem razão. Sempre depois de uma derrota, duas derrotas ou algumas partidas mal jogadas eles aparecem malucos, enfurecidos e perdidos exigindo uma explicação, como o Lakers pode estar perdendo? O que estamos fazendo de errado? Afinal o Lakers é o melhor time do planeta e ninguém pode nos vencer a não ser que a gente deixe.

Eu sou torcedor do Lakers, eu sou paulista, eu entendo como é isso. Mas simplesmente não é assim que funciona. Se vocês caçarem o histórico do blog, que acompanhou os três títulos seguidos do Oeste que Kobe e seus fiéis escudeiros venceram, irão encontrar uma enxurrada de críticas à equipe. Já que eu torço pra eles gosto de assistir aos caras jogarem e quanto mais você assiste, mais fácil é achar defeitos e qualidades. Escrevi muito sobre os defeitos deles. Em 2008 era a defesa que não acompanhava a boa produção ofensiva, em 2009 o time que tinha apagões constantes, em 2010 a ineficiência de furar defesas por zona. Nos três anos as inúmeras surras sofridas contra armadores velozes, os dias em que não tínhamos um arremessador confiável de três pontos e a eterna mulher de TPM que é o banco de reservas angelino. Isso sem contar as acusações de time soft, do Kobe forçar demais o jogo, das contusões do Andrew Bynum, da velhice do Derek Fisher, etc, etc, etc.

Não quero dizer que o Lakers é um time ruim, muito longe disso, posso mostrar uns vídeos do Minnesota Timberwolves se vocês querem ver um time ruim de verdade, mas não é porque eles ganharam títulos que isso apaga os erros. Aliás, só deixa o feito mais impressionante, já vimos times muito mais perfeitinhos como o San Antonio Spurs de 2005 ou 2007, o Boston Celtics de 2008 ou o Detroit Pistons de 2004 não conseguir sequer fazer duas finais seguidas, que dirá três e com dois títulos. Esse sucesso do Lakers se dá a uma qualidade essencial: Eles tem altos e baixos, mas jogam o seu melhor quando precisam. Foi assim quando viraram aquele jogo 1 quase perdido para o Spurs na final do Oeste de 2008, quando estavam tomando um pau do Phoenix Suns na final do Oeste do ano passado ou naquela série contra o Denver Nuggets em que parecia que Kenyon Martin, Nenê e Chris Andersen iriam cortar o garrafão do Lakers em pedacinhos e comer com azeite de oliva e pedacinhos de queijo. Foi contra a parede que eles acharam uma maneira de se safar e sair com a vitória. Vencer quatro vezes em sequência uma conferência, como o Lakers está tentando agora, é tão difícil que a última vez que um time fez isso a maioria dos nossos leitores nem tinha nascido! Foi o Celtics que venceu o Leste em 84, 85, 86 e 87.

Portanto, antes de mais nada, se o Lakers realmente perder para o Dallas esse é um dos motivos: É muito difícil para qualquer time manter o alto nível por tantos anos, sem encontrar pelo caminho nenhuma contusão, má fase, azar ou simplesmente um adversário que tenha assistido tanto ao Lakers vencer que tenha sacado uma nova estratégia para vencê-lo. No caso dessa série, eu apostaria muito nesse último caso.

O Dallas Mavericks tem um técnico da linha nerd-bitolado que tem dominado a NBA ultimamente. Rick Carlisle é conhecido por ter um livro do tamanho da envergadura do Lamar Odom de diferentes jogadas, ele estuda basquete e aos poucos transformou esse Dallas Mavericks de um time de jogadas de isolação (mais ou menos como é o Hawks hoje) em uma equipe cheia de variações que pode se adaptar a qualquer adversário. E que, isso é assustador de pensar, está sem Caron Butler, um cara que sabia atacar muito bem a cesta e dava ainda mais opções ofensivas para o time.

Mas sabe que apesar do massacre que o JJ Barea causou na defesa do Lakers no quarto período do último jogo (lembram do problema em marcar armadores velozes?), não é ali que a derrota está acontecendo. Tá, nem Pau Gasol e nem Lamar Odom são Gamarras defendendo o Dirk Nowitzki, o alemão acertou 9-16 arremessos contra Gasol e 8-16 contra Odom, mas é só ele que está deitando e rolando. Nenhum outro jogador tem média superior a 12 pontos por jogo nas duas primeiras partidas e a média de aproveitamento dos arremessos do Dallas está em 45%, não longe dos 44% a que o Lakers manteve seus adversários para ter a 5ª melhor marca da temporada regular.

É no ataque que o Lakers tem se complicado. E o motivo, por mais impressionante que isso pareça, é que o Mark Cuban, dono do Mavs, é um bilionário que não liga de gastar dezenas de milhares de dólares com pivôs. Na última offseason ele ofereceu uma extensão de contrato enorme para o Brendan Haywood, mas quando viu o Bobcats trocando o Tyson Chandler foi lá e conseguiu o cara quase de graça. Não importa que ele deixasse o milionário Haywood no banco e jogando só uns minutinhos por jogo. Agora são Chandler e Haywood que revezam minutos junto com Dirk Nowitzki para segurar Lamar Odom, Pau Gasol e Andrew Bynum. O Lakers quase sempre joga com uma escalação mais alta que a do adversário e toma vantagem disso, mas nessa série não é sempre que isso é possível. Quando Odom e Gasol formam o garrafão angelino contra o Nowitzki e Haywood, por exemplo, são mais baixos. Nos minutos em que o Lakers não é o time mais alto em quadra eles tomaram 43 pontos e marcaram 25 nesses primeiros jogos.

A combinação alta e de talento defensivo do Mavs tem feito o Lakers penar para marcar pontos dentro do garrafão. Kobe Bryant, por exemplo, tentou em média 7 arremessos perto do aro contra o New Orleans Hornets, contra o Mavs tem sido metade disso. E pior, de 58% de aproveitamento caiu para 28% nessas ocasiões. Outro número que mostra como o Mavs tem defendido bem o Lakers é o que mostra o número de vezes que o Andrew Bynum participou do jogo; ele esteve em quadra durante 78 posses de bola e apenas recebeu a bola em 15! Arremessou em 11 delas e acertou 8, um ótimo aproveitamento. Pau Gasol recebeu mais a bola, mas onde não devia. Nas posses de bola em que Pau Gasol recebeu a bola fora do garrafão, o Lakers como um todo acertou 6 de 16 arremessos, quando recebeu dentro da área pintada o aproveitamento foi de 7 em 10.

Para compensar a falta de jogo dentro garrafão, o Lakers tentou arremessar de longe e aí o bicho pegou. Tentaram 20 bolas de três pontos e acertaram duas, ambas quando o jogo já estava perdido nos minutos finais. O aproveitamento de 10% é o pior da história dos playoffs entre os times que tentaram pelo menos 20 bolas de três em um jogo. É pouca zoeira? Com dificuldades em marcar pontos perto e longe da cesta é de se surpreender que o Lakers não tenha tomado uma surra maior ainda.

Para a próxima partida, hoje, o Dallas tem uma estratégia simples: Mais do mesmo. Congestionar o garrafão, marcar por zona de vez em quando e continuar vendo por quanto tempo eles conseguem assistir ao Lakers errar arremessos de longe. Mas isso não impede o Rick Carlisle de dar um puxão de orelha em alguns jogadores, o Jason Terry precisa acordar. Contar que o JJ Barea vai fazer uma boa série em geral tudo bem, mas ele não é cara para decidir no quarto período sempre.

Já o Lakers precisa de uma pequena revolução. Primeiro de confiança e motivação, na última partida dava pra sentir no ar o desespero de não saber o que fazer, eles precisam da frieza que tiveram nos jogos importantes dos últimos anos. Só com essa frieza é que eles vão poder executar o seu ataque com a precisão necessária para chegar mais perto da cesta e conseguir vencer o duelo contra Haywood e Chandler. E se tiver dando errado não podem se contentar com arremessinhos forçados de meia distância, tem que forçar, tentar de novo, de outro jeito. É perto da cesta, com enterradas, bandejas e rebotes ofensivos que o Lakers ganha seus jogos. Admitir a derrota nesse duelo e tentar mudar o estilo de jogo é admitir a derrota em toda a série. Também é importante que Kobe pense assim, todos sabemos que ele pode acertar arremessos de qualquer lugar da quadra, o que não quer dizer que ele deve tentar arremessos impossíveis o tempo inteiro. O jeito mais fácil de abrir espaços no garrafão adversário é ter um jogador driblador que costure a defesa, Kobe precisa ser esse cara. Temos que ver se ele vai ser o Kobe frio que vai fazer tudo certo ou se vai ser o cara com cara de maluco que quer arremessar todas as bolas como se ele fosse o herói do universo.

Uma última notícia muito interessante que acabei de ler é que o Phil Jackson resolveu substituir o Ron Artest, que foi suspenso por essa falta no JJ Barea, pelo Lamar Odom no time titular! É muito, mas muito raro o Lakers jogar com Odom, Gasol e Bynum ao mesmo tempo. Phil Jackson percebeu que precisa do time mais alto e provavelmente vai usar os três para atacar a cesta e tentar pegar todos os rebotes ofensivos do mundo. Mas como fica a rotação? Odom joga mais minutos que o normal? E o entrosamento? Faz tempo que o Lamar Odom não joga na posição três. Medidas extremas para situações extremas, vai ser divertido de assistir.

E sobre o Artest: Foi uma falta dura, desnecessária e a punição até que é compreensível. Mas pegar todo o passado distante do cara e jogar na cara dele dizendo que “ele nunca mudou” é uma injustiça enorme. Faz anos que ele só aparta briga e não se envolve em nenhuma contusão, dessa vez fez uma falta dura e obviamente se arrependeu no mesmo segundo, dá pra ver na cara de bunda dele. Está suspenso, beleza, mas não cometeu nenhum crime e não merece a hostilidade que tem recebido da maioria dos torcedores e da imprensa.

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