O novo dinheiro da NBA

O novo dinheiro da NBA

Você é assinante do League Pass, a ferramenta que possibilita assistir todos os jogos da NBA? Comprou alguma camiseta de times da liga nos últimos anos? Teve a sorte de conseguir ir a alguns jogos em uma viagem aos EUA? Então parabéns, você está ajudando a bancar os 80 milhões de dólares que Reggie Jackson irá receber do Detroit Pistons nos próximos anos. Ou, para ser mais justo, você está ajudando o Pistons a sequer ter a opção de pagar tanto dinheiro pelo seu jovem armador.

Durante os últimos meses, mais especificamente nos primeiros 10 loucos dias de julho, times da NBA chocaram os fãs da liga oferecendo alguns dos contratos mais generosos dos últimos anos. Caras como Al Farouq Aminu, Cory Joseph (30 milhões por 4 anos; Blazers, Raptors), Danny Green (44 milhões por 4 anos, Spurs) e DeMarre Carroll (60 milhões por 4 anos, Raptos) receberam grana que há pouquíssimo tempo era reservada só para caras já consagrados e no auge de suas carreiras. Não demorou, claro, para muita gente descer o pau nas franquias e General Managers, dizendo que o mercado ficou louco e que vai ter muita gente arrependida daqui pouco tempo.

Times arrependidos vão ter, não tenho dúvida. É uma regra! Caras parecem bons, não se encaixam no time e novo e bum!, seu jogador mais caro está esquentando o banco, brigando com o técnico e você não consegue trocá-lo porque nenhum outro time quer pagar tão caro no rapaz. Mas o arrependimento vai ser por ter escolhido o jogador errado, nem tanto pelo dinheiro envolvido. O fato é que vivemos uma época de vacas gordas da grana da NBA e os próximos dois anos devem mudar a cara da liga de uma maneira jamais vista antes.

Eficiência divertida

Como faz anos que não escrevemos aqui, talvez vocês tenham esquecido, mas te lembramos: não damos a mínima para os prêmios de fim de temporada. Até acharia estranho se não tivesse nenhum tipo de premiação, aceito e acho divertido que exista, mas a seriedade com que o assunto é tratado acaba incomodando. O resultado sempre acaba sendo que as pessoas gastam tempo demais discutindo algo que é vago e subjetivo.

Mas algo tem me chamado a atenção na briga pelo troféu de MVP desta temporada. Os principais candidatos ao prêmio, no caso Steph Curry, James Harden, LeBron James, Russell Westbrook e Anthony Davis, poderiam também, facilmente, entrar para a lista dos jogadores que mais fazem jogadas de efeito na NBA atual. Se fossemos dar um prêmio pensando somente em entretenimento, nos caras que mais fazem a gente ligar a TV e procurar tal jogo para assistir, possivelmente boa parte desses candidatos também estariam na mesma posição. Pode parecer óbvio (e certamente também é subjetivo), mas não só não é tão lógico assim como, por um tempo, a NBA parecia que estava tomando um rumo diferente.

A chance de Scott Brooks

A chance de Scott Brooks

O sonho acabou, amigos. Se havia um único lado bom na contusão de Kevin Durant, era que ela nos daria a experiência de assistir um Russell Westbrook completamente livre durante um mês. Imagina, galera: o cara mais agressivo, impulsivo e intenso da NBA tomando conta de todo um ataque durante um mês. Ele nem teria que se preocupar no longo prazo, de se adaptar à liderança do time, era só atacar, atacar, atacar e esperar Durant voltar. Seria um mês de recordes, atuações históricas e um bocado de cansaço. Vimos isso na estreia do OKC Thunder na temporada: Westbrook marcou 38 pontos, mas depois de simplesmente tomar conta da partida no primeiro tempo, perdeu fôlego na etapa final, quando foi melhor marcado e não conseguiu contornar a marcação na marra. A Westbrook Xperience, porém, durou apenas essa partida. Logo depois, contra o Los Angeles Clippers, ele fraturou a mão e teve de ser operado. Provavelmente fica pouco mais de um mês fora e deve voltar mais ou menos junto de Kevin Durant, até lá o Thunder fica órfão de pai e mãe. Se essa foi a derrota do entretenimento, o que pode significar para a franquia? Pensei muito sobre isso e minha conclusão é que não há meio termo: ou o time está ferrado e passará por um período difícil de mudanças, ou pode ter sido uma bênção que irá os fazer evoluir em pontos onde estão estagnados há algumas temporadas.

Russell Westbrook, Kevin Durant

A primeira hipóteses é possível porque o OKC Thunder, como todos sabemos, joga na impossível Conferência Oeste. É no Oeste onde você precisa alcançar a sempre simbólica marca de 50 vitórias para, com sorte, se classificar em oitavo e encarar o San Antonio Spurs na primeira rodada. Até agora o Thunder tem 1 vitória em 4 jogos, e é possível que Durant e/ou Westbrook fiquem fora de pelo menos mais 20 partidas. O aproveitamento desse grupo nesses jogos pode transformar a temporada da equipe em um eterno Playoff de jogos decisivos. Se eles vencem 7 jogos e perdem 13, por exemplo, teriam 8 vitórias e 19 derrotas com 55 jogos restantes na temporada. Para alcançar os 50 jogos que garantem vaga no Oeste, teriam que vencer 42 desses 55 jogos, 76% de aproveitamento. Ano passado eles tiveram 72% para conseguir a 2ª melhor marca do Oeste. Ou seja, com Westbrook e Durant pegando o time no meio da temporada, eles teriam que ter um desempenho de primeiro colocado para chegar em uma marca que pode garantir apenas a última vaga nos Playoffs! Para isso eles jogam do meio de Dezembro até o meio de Abril sem poder relaxar, descansar ou pensar em poupar jogadores. E vamos ser sinceros, se o Thunder não se classificar para os Playoffs as coisas vão mudar por lá. Provavelmente Durant vai resmungar, Kendrick Perkins vai ser criticado por não saber jogar basquete, Sam Presti vai ter que responder de novo e de novo, pelo terceiro ano seguido, a razão de ter trocado James Harden e, o ponto em que eu queria chegar, provavelmente o técnico Scott Brooks vai rodar. Sem Brooks, o Thunder teria que contratar um técnico novo para mudar o time justamente no possível último ano de Durant no time, em 2015-16. Dá pra sentir as coisas desmoronando ou estou sendo muito fatalista? OKC2 Estou mesmo vendo tudo do pior jeito possível, mas não estou inventando nada. Todas essas questões já foram levantadas no passado e apenas vão se intensificar se o time fracassar nessa temporada, mesmo que as lesões não tenham sido culpa de ninguém. Existe uma versão otimista para o futuro próximo do OKC Thunder, porém. Nele, o Thunder consegue vencer um número bem maior de jogos no próximo mês e, no caminho, descobre uma porrada de jogadores que podem ajudá-los a longo prazo. Isso já aconteceu quando Reggie Jackson apareceu nos Playoffs de 2013 quando Westbrook machucou o joelho, e agora é a chance do mesmo Jackson se consagrar como titular e outros jogadores ganharem espaço, especialmente no ataque. Serge Ibaka tem arriscado ainda mais arremessos de longa distância do que no ano passado, o promissor Perry Jones está com média de quase 20 pontos por jogo nessa primeira semana de temporada e Steven Adams, que ganhou a vaga de titular de Perkins, terá espaço para realmente mostrar que pode ser uma preocupação para os outros times. E é aí que aparece a chance de ouro da carreira de Scott Brooks. Nos últimos anos se convencionou dizer que o Thunder é bom APESAR do seu técnico. Acho que a internet, para variar, exagera nas críticas, mas elas certamente tem algum fundamento. Enquanto víamos Miami Heat e o San Antonio Spurs dominarem a NBA com um jogo coletivo e baseado em passes, o Thunder ainda se via com um time parado e individualista mesmo (ou ainda mais) nos momentos mais críticos dos jogos difíceis. Se até o Heat aprendeu que não dava pra ganhar só com mano a mano, por que o Thunder não conseguia arrumar esse problema? Eram poucos passes e, o realmente preocupante, pouca movimentação sem a bola. As críticas ao ataque do Thunder escondem um pouco do mérito de Scott Brooks, que pegou esse time quando eram apenas um bando de pivetes e conseguiu transformá-los em equipe. Ajudou no desenvolvimento individual de cada um, incluindo o de Serge Ibaka, que chegou na NBA bastante cru, criou um dos ambientes que, dizem, é dos mais saudáveis da liga e, mais importante, formou uma baita de uma defesa. Todo santo ano eles estão lá entre os 5 melhores times em pontos sofridos por posse de bola. Oklahoma City Thunder v Los Angeles Clippers Mas dito isso, não dá pra ignorar aqueles momentos cruciais de jogos decisivos onde o time fica parado, perdido e apavorado até Westbrook driblar, driblar e forçar um arremesso idiota. Ou quando Kevin Durant só vive nos extremos: arremessa tudo de muito longe e sem preparação, ou fica longe da bola e some do jogo. A minha maior decepção na vida adulta foram os próprios adultos. Eu os via, quando criança ou adolescente, como pessoas sérias, competentes, responsáveis e maduras. Não precisei de muito para descobrir que o mais sério dos ambientes de trabalho é um grande colegial de pessoas infantis fazendo o mínimo possível e só torcendo para não serem desmascaradas. Mas tenho ainda esperança de que em alguns lugares não é assim, e a NBA é um deles. Não é possível que um técnico da NBA seja realmente ruim no que faz! Ele pode não ser bom o bastante para durar muito tempo na liga, pode não dar certo nesse nível da carreira, mas é simplesmente impensável que a gente, a galerinha corneteira do Twitter, enxergue problemas no time e que Scott Brooks não veja. Não dá pra imaginar Scott Brooks vendo o vídeo da partida e aprovando aquele ataque estagnado. Ele não é burro ou cego, apenas não conseguiu achar a fórmula certa para fazer as coisas funcionarem. Em entrevista ao Grantland, o Nick Collison disse que não é fácil simplesmente começar a rodar mais a bola, passar e se mexer sem parar. Fazer isso exige muito treino, tempo e fôlego. Ele também lembra que o time tem dois jogadores jovens que podem ganhar de qualquer adversário no mano a mano, é aquele velho veneno-remédio: todo time precisa de jogadores talentosos que possam fazer tudo, mas a tentação de só assisti-los jogar pode ser a morte da equipe. O desafio de todo super time é esse, arranjar uma maneira natural de encaixar os talentos individuais na identidade coletiva da equipe. É onde Scott Brooks e o Thunder ainda falham, talvez pelo fato dos astros serem muito novos, talvez por eles terem surgido antes do time já ter uma identidade de ataque. A situação no próximo mês, porém, é diferente. Sem os dois pilares do ataque, a ÚNICA escolha do Thunder é dividir a bola, se mexer bastante e usar muitas jogadas ensaiadas, trabalhadas e treinadas. Por melhor que seja Perry Jones, não dá só pra largar ele no mano a mano com todo mundo. No desespero, por falta de super estrelas, o time está finalmente 100% nas mãos de Scott Brooks, sem nenhuma tentação de largar na mão de um cara para decidir. Se o técnico quer ~calar os críticos~ e mostrar que tem bala na agulha para montar um grande ataque, será agora, com pouco tempo de preparação e com elenco limitado, que ele tem que mostrar o seu valor. Difícil demais, claro. Um possível sucesso nesse mês pode até influenciar a chegada de Kevin Durant e Russell Westbrook (mais provável que só o Durant) quando voltarem, talvez eles precisem ver o time funcionando com menos individualidade para que abram mão de algumas coisas, assim como os coadjuvantes podem precisar ver que eles mesmos podem resolver de vez em quando para ganhar essa confiança e cobrar mais espaço no time.

Oklahoma City Thunder v Memphis Grizzlies - Game Six Um bom mês sem Durant e Westbrook pode consolidar Scott Brooks como uma grande treinador, fazer ele ganhar a confiança da torcida e de seus jogadores em um novo sistema ofensivo. O fracasso pode significar que a temporada toda, mesmo quando os dois All-Star chegarem, pode ir para o ralo mais cedo que o planejado, e se alguém vai rodar nessa brincadeira é o próprio Brooks. É um momento importante demais para um técnico, e ele terá que fazer Andre Roberson e Sebastian Telfair jogarem bem para ver o melhor lado dessa moeda. Boa sorte, Brooks! [author title=”Defenestrado por” author_id=Denis””]

Os novos números – Parte 2

Se você caiu de paraquedas neste texto, talvez seja melhor tirar um tempinho e ler a parte 1 deste especial. Lá falo dos números de distância e velocidade, toques na bola, passes e assistências e defesa.

No começo desta temporada eu fiz um post contando que a NBA havia fechado um contrato para instalar as câmeras do SportVU em todos os ginásios da liga. Para quem não lembra, o SportVU é um programa que se originou de um sistema rastreador de mísseis do exército israelense, mas que hoje funciona lendo todos os movimentos dos jogadores da NBA. O SportVU tem nos oferecido estatísticas antes inimagináveis, que agora nos ajudam a entender como jogam e como funcionam diferentes times e jogadores. Este texto serve apenas para discutir alguns destes números. Para a discussão das novas tecnologias na NBA vocês podem ler alguns textos antigos sobre o próprio SportVU, sobre o espaço na NBA e sobre a revolução estatística do basquete.

Todos os números citados aqui podem ser vistos na página de estatísticas da NBA, o NBA.com/Stats, dentro da sessão Player Tracking, que concentra os dados do SportVU.

 

DeAndre Jordan Rebound

Rebotes

Os rebotes eram uma área bem coberta pelas estatísticas antigas. Além dos números tradicionais de rebotes por jogo, já existiam também os rebotes por minuto e, com a ajuda de números de posses de bola, Rebounds Percentage, que era uma estimativa da porcentagem de rebotes pegos por um jogador quando ele estava em quadra. Por fim, meu número favorito, o que calcula a eficiência em rebotes de todo o time quando determinado jogador está em quadra.

O SportVU chegou para refinar esses números e oferecer alguns detalhes a mais. Um número interessante que eles mostram é o número de chances de rebote que um jogador tem por jogo, calculado por distância. Se no momento do rebote o jogador está a 3.5 pés (1.05 metros) da bola, é considerada uma chance de rebote. Com base nisso, eles também calculam, com mais exatidão do que o número tradicional, a porcentagem de conquista do rebote dentro dessas chances.

O líder em chances de rebote é (surpresa!) Kevin Love. Seu posicionamento fantástico o dá 19.7 chances de rebote por jogo, pouco mais que DeAndre Jordan, Dwight Howard, Zach Randolph e o promissor Andre Drummond. Sendo este um número que premia o bom posicionamento, nenhuma surpresa pra gente, certo? Curioso que o único jogador no Top 50 que não é um ala de força ou pivô é Carmelo Anthony. No Top 100 o único jogador de backcourt é Lance Stephenson, do Indiana Pacers. Mas se isso só mostra a proximidade, é claro que até o pior dos grandões vai ter um número razoável, o interessante é saber quem consegue tirar bom proveito dessa proximidade.

Se colocarmos um filtro de jogadores que vêem pelo menos 7 chances de rebote por jogo (para eliminar os armadores que tem 100% porque tem uma chance e a agarram), temos os dois principais candidatos a MVP da temporada nas primeiras posições. Kevin Durant tem absurdos 74% de acerto nos rebotes em 10.5 chances por jogo; LeBron James tem 72% em 9.3 chances de rebote. Eles aparecem antes do citado Carmelo Anthony, Gordon Hayward, Russell Westbrook e DeAndre Jordan. Se vocês juntarem as duas listinhas que fiz neste assunto verá apenas um nome se repetir entre os melhores: Jordan. De todos os pivôs que veem inúmeras oportunidades de rebote por jogo, apenas o grandalhão do Clippers continua no topo em aproveitamento, com 70%. Kevin Love, lá atrás na lista, tem 65%. Andre Drummond também está bem colocado, com 69%.

Este número talvez ajude a explicar porque Doc Rivers coloca muita fé no seu pivô. No ano passado Vinny Del Negro costumava usar um quinteto mais baixo no Clippers para últimos períodos, com Jamal Crawford em quadra e Jordan no banco. O motivo principal era o pavoroso aproveitamento de lances-livres do pivô, que impedia que ele sequer recebesse a bola, com a certeza que seria acertado por uma falta. Nesta temporada seu aproveitamento subiu apenas de 38% para 40%, ainda ridículo, mas mesmo assim fica muito mais em quadra nos minutos decisivos. Rivers acredita que ele não precisa receber a bola no ataque, onde Chris Paul e Blake Griffin tomam conta do negócio, e que na defesa ele é essencial para bloquear arremessos e garantir os rebotes. O cara não é perfeito, mas conseguiu ser um dos melhores da NBA em uma categoria e seu novo técnico soube reconhecer a importância disso. Acho que apanhar feio de Marc Gasol e Zach Randolph nos Playoffs do ano passado serviu pra alguma coisa.

Outro número legal dos rebotes do SportVU é o de rebotes contestados por jogo. Esta categoria calcula o número de rebotes pegos por um jogador quando este tem um adversário a um metro ou menos de distância dele. Nesta categoria a parte física conta bastante e o gigantrosco Andre Drummond é o líder com 5.5 por jogo, seguido de DeAndre Jordan, claro, com 5.4. Kevin Love, Anthony Davis e Joakim Noah completam o Top 5. Em rebotes não contestados, quando o jogador pega a bola sem concorrência, o campeão é LaMarcus Aldridge, com 8.3. Ah, mas ele está sozinho, mas empatado com… DeAndre Jordan.

 

Lin

Infiltrações

A parte das estatísticas chamadas de Drives foi a primeira que me chamou a atenção no SportVU. A categoria é descrita assim: Qualquer toque na bola que comece a pelo menos 6 metros do aro e seja levado até 3 pés do aro e exclui situações de contra-ataque.

Eu me apaixonei por esse número quando vi, no começo da temporada, que Jeremy Lin estava entre os líderes em vários dos números mostrados. Hoje, com ele na reserva de Patrick Beverley, seu ranking caiu um pouco, mas ainda está lá em cima: ele é o melhor em aproveitamento de arremesso em infiltrações (54% de acerto, atrás só de caras como LeBron, Ginóbili e Durant), 10º em pontos do time por infiltração (9.7 pontos marcados pelo time em uma posse de bola que tem sua infiltração) e 18º em pontos de infiltração por jogo, 5; e em infiltrações por partida, 8.2.

O meu encantamento com esses números aconteceram porque eles eram exatamente tudo o que Jeremy Lin precisava para convencer os outros de que ele é realmente um bom jogador. Depois da fantástica e cativante história da Linsanity, as pessoas seguiram sua rotina de matar os ídolos que elas mesmas criaram: “não tem como manter isso”, “não tem físico”, “defende mal”, “jogador normal que recebe atenção demais da mídia”. Os argumentos vinham junto de médias de pontos, arremessos e turnovers que até não eram ruins, mas também não eram chamativos como o seu jogo.

Acontece que os números que valorizam Lin simplesmente não existiam! Ele é um especialista e deve ser tratado como tal. Menosprezar Lin antes, era como se menosprezássemos Kyle Korver em um mundo onde não existissem estatísticas de bolas de 3 pontos, ou falar mal de Tony Allen porque não há números defensivos o bastante para valorizar sua marcação individual. Lin é um especialista em infiltrações e como qualquer outro cara focado em uma só função do jogo, pode se dar ao luxo de não ser espetacular no resto e mesmo assim fazer a diferença numa partida. Como dito no número acima, Lin é o 10º melhor da NBA em criar pontos para o time com infiltrações. Seu ataque rende pontos, assistências para arremessadores, confusão na defesa e faltas. Se isso não é um talento valioso, não sei o que é.

 

Splash Bros

Arremessos

A parte dos arremessos é uma das mais completas de todo o SportVU. Ele separa os chutes entre Catch and Shoot, que é quando o jogador recebe a bola a pelo menos 3 metros da cesta e arremessa sem driblar; Pull Up, que conta a mesma distância, mas com

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pelo menos um drible; e os já citados Drives, as infiltrações. Depois existe uma página onde a eficiência dos três tipos de arremesso são computadas. Se seu jogador favorito é bom em algum arremesso, em algum lugar ele aparece. Como disse no caso de Lin, a hora dos especialistas é agora.

A estrela do Catch and Shoot (CaS) é um dos Splash Bros. do Golden State Warriors, Klay Thompson. Ele lidera a liga em pontos por CaS com 9.8, mas peca um pouco no aproveitamento. Embora os 44% pareçam e sejam realmente muito bons, até se considerarmos a dificuldade dos chutes que ele tenta, tem gente melhor e que também tenta bastante. Kyle Korver é uma aberração da natureza que consegue manter os 50% de aproveitamento (!) em bolas de 3 no CaS mesmo tentando 5.3 bolas por jogo, número muito superior que qualquer outro jogador que tem boa porcentagem. Quem chega mais perto é Paul George, que acerta 48% de seus 4.3 arremessos de 3 em CaS.

Mas se os nomes no topo não surpreendem muito, os lá de baixo chamam a atenção. Antawn Jamison, contratado para ser um arremessador vindo do banco, tem só 20% de acerto em CaS! Tim Duncan tem apenas 33% e Brandon Jennings tem, irgh, 28% nas bolas de 2 pontos e 25% nas de 3 pontos! E ele ainda tem coragem de dizer que melhorou muito desde que chegou em Detroit.

Nem tudo, porém, parece mérito ou culpa individual nesse caso. Será que o time cria boas situações de arremesso para o jogador? Veja o caso de Patrick Patterson: ele só conseguiu 27% de acerto em CaS nos seus 16 jogos pelo Sacramento Kings, mas já tem 47% de aproveitamento nas 20 partidas que fez pelo Toronto Raptors! A diferença é gritante.

Rudy Gay2

Nos arremessos de Pull Up, que é quando o jogador arremessa após o drible, alguém está surpreso de ver o outro Splash Bros. na liderança de tentativas e pontos? Steph Curry chuta o pau da barraca com 10.5 arremessos por jogo e, veja só, 10.5 pontos por partida. A média de 1 ponto por arremesso é boa e mostra como bolas de 3 pontos compensam qualquer aproveitamento abaixo da média. Mais da metade destes chutes de Curry são de longa distância, onde ele acerta 35% de suas tentativas. O número é regular para um arremessador normal, mas impressionante pela dificuldade das bolas que Curry força, algumas bem irresponsáveis.

O resto da lista está recheado de armadores, desde os mais fominhas e caçadores de pontos até aqueles que simplesmente não tem com quem compartilhar o controle da bola: Chris Paul, John Wall, Russell Westbrook, Kyrie Irving e Brandon Jennings, que tem 10% a mais de aproveitamento em arremessos vindos do drible do que no CaS, bem incomum.

O Top 10 de pontuadores em arremessos de Pull Up tem um exemplo claro de como não existe estilo certo ou errado, tudo depende da qualidade. Os únicos não-armadores do Top 10 são Kevin Durant e Rudy Gay, os dois alas adoram driblar a bola por um tempão antes de disparar seu arremesso de média ou longa distância. A diferença? Gay acerta 40% de seus arremessos, Durant faz 44%, com vantagem de 45% a 41% nas bolas de 3 pontos para KD.

A pegadinha está no time listado ao lado do nome de Gay: estes números são de seus jogos pelo Toronto Raptors! Se considerarmos apenas os jogos pelo Kings, seu aproveitamento total sobe para 47% e os arremessos tentados por jogo em Pull Up caem quase pela metade! Ou seja, desde que foi trocado, seja por instrução técnica, acaso ou maturidade, Rudy Gay passou a deixar seu jogo mais Duranteado. Dribla menos, joga mais sem a bola e só arremessa depois do drible em situações onde tem clara chance de pontuar. Seu aproveitamento melhorou e o Kings se tornou um time decente (o que é diferente de bom). Que force a barra apenas quem tem o talento surreal de Kevin Durant.

….

Coloquei nestes posts alguns casos especiais que me chamaram a atenção, mas o alcance dos novos números vão muito além disso. Mais que a busca dos melhores e piores em cada categoria, dá pra achar muita coisa interessante. Imaginem que legal seria comparar os números de arremesso de Andre Iguodala, um dos líderes em aproveitamento de Catch and Shoot deste ano, em que joga ao lado de Steph Curry e Klay Thompson, com o ano passado, onde ele era um dos criadores de jogada em Denver. Será que ele arremessava igual? O quanto o time influencia nestas coisas? As comparações entre anos e situações diferentes é o próximo passo dos novos números.

Thunder na balança

Thunder na balança

A temporada do OKC Thunder acabou de maneira bastante melancólica. Com Russell Westbrook assistindo das arquibancadas, a equipe perdeu em casa para o Memphis Grizzlies após Kevin Durant errar um arremesso simples de meia distância que poderia ter levado o jogo para a prorrogação. O erro de KD fechou com chave de merda uma noite para se esquecer: 5/21 arremessos e 7 turnovers no pior jogo do ala nesta pós-temporada.

Ser eliminado em casa, numa série onde se entrou como mandante, é sempre decepcionante, mas para o Thunder vai além disso. Há pouco menos de 1 ano o mesmo time estava na Final da NBA, liderando o Miami Heat por 1 a 0. Mesmo tendo perdido o título, ficou aquela sensação de que era questão de tempo até o Thunder ser campeão. Era difícil imaginar, na verdade, qualquer time aparecer para evitar uma sequência de muitas finais entre Thunder e Heat.

Kevin Durant

Mas enquanto o Miami Heat conseguiu se reforçar, com a contratação de Ray Allen e até com a chegada surpreendente de Chris Andersen, que todos davam como carta fora da NBA, o Thunder perdeu um de seus principais jogadores. Antes da temporada começar, o General Manager Sam Presti decidiu trocar James Harden por Kevin Martin e o novato Jeremy Lamb. Para quem não lembra da situação, explico: Harden entrava em seu último ano de contrato e queria, para renovar, cifras zilionárias. Ele merece, claro, mas o Thunder já tinha oferecido os tais “contratos máximos” para suas outras estrelas, Durant e Westbrook, além de um salário gordo para Serge Ibaka. Sem acordo financeiro, Presti decidiu trocar Harden enquanto ainda poderia receber algo em troca ao invés de perdê-lo por nada. Conseguiu em Martin um pontuador eficiente, que exige pouco a bola e que estava desesperado por jogar pelo menos uma vez em um time vencedor.

Muitos criticaram Harden na época, dizendo que ele abriu mão da chance de ser campeão pelo dinheiro. Não é bem assim. Harden já abria mão de ser titular, abria mão de inúmeros arremessos, aceitava ser a terceira opção ofensiva e nunca reclamou de não ter a bola na sua mão nos momentos decisivos. Para um cara do talento dele, além de abrir mão de tudo isso, aceitar ganhar menos também era demais. Ficou nas mãos de Sam Presti decidir se assumiriam as pesadas multas e estagnação do elenco causadas por gastar tanto dinheiro só com 4 jogadores, ou se liberariam Harden.

A princípio a troca não foi trágica. Kevin Martin não demorou a se adaptar no elenco e o saldo de pontos do trio Martin, Durant e Westbrook foi fenomenal ao longo da temporada, entrosamento imediato. O problema de não ter mais um cara pra criar jogadas e dar força ao banco de reservas foi, ao longo da temporada, compensado com nova disposição de minutos entre Durant e Westbrook e com o crescimento veloz de Reggie Jackson. Kevin Durant mostrou que pode jogar armando o jogo eventualmente e o Thunder sobrou, acabando o Oeste em primeiro lugar.

Mas foi nos Playoffs que a coisa começou a desandar. Primeiro foi a inédita lesão de Russell Westbrook, sem o armador ficou muito claro como o Thunder precisava de um segundo jogador, além de Durant, atacando a cesta. O ataque ao garrafão é a base de todo o ataque da equipe, abrindo espaços para arremessos, cavando infinitos lances-livres, causando situações de rebote ofensivo, complicando o outro times em faltas coletivas, etc, etc. De repente fazia tanto sentido ter James Harden assumindo o lugar de Westbrook que não deu como não bater aquele remorso. Para piorar, Kevin Martin teve uma pós-temporada muito irregular. Seus 14 pontos por jogo pareceram bons na temporada regular, mas repeti-los nos Playoffs, quando o time precisava compensar Westbrook, foi pouco, sem contar que tinha dia que eram 25 pontos e em outros ele nem parecia estar em quadra. Embora ele deva reassinar ano que vem por uma quantia pequena, já se questionam o quanto ele pode ser confiável vindo do banco com principal reserva.

Além de Westbrook se mostrar humano e Martin não parecer tão bom assim, os Playoffs acabaram com outro mito do OKC Thunder. Kevin Durant, no fim das contas, pode ser tão ineficiente quanto outras estrelas como Carmelo Anthony e Kobe Bryant. Durant sempre foi conhecido por fazer muitos pontos mesmo arremessando pouco, ele pode parecer até discreto em alguns jogos e mesmo assim fazer seus 30 pontos. Mas nos Playoffs, precisando carregar o time nas costas, cometeu muitos erros, forçou arremessos impossíveis, não conseguiu ditar um ritmo para o jogo e pareceu uma daquelas estrelas perdidas em times fracos. O time não era fraco, mas estava sem caminho e obrigou Durant a exagerar.

Thunder Big 3

Isso não tira mérito, moral ou qualidade de Durant. Vendo seu time falhando e nervoso, ele tentou colocar a equipe nas costas, é o que qualquer líder faria, mas foi até estranho vê-lo tentar arremessos difíceis em situações onde normalmente passa a bola e recomeça o ataque. Também foi estranho vê-lo nervoso e principalmente frustrado com os companheiros. Mesmo nas finais do ano passado, quando as coisas não terminaram do jeito que eles queriam, o time parecia confiante, com aquele ar de “ano que vem é a gente”. Não foi. Aliás gosto de lembrar de um momento que o Bill Simmons da ESPN retomou no dia da troca de James Harden: fim do Jogo 5 da Final, Heat destruindo, Scott Brooks tira suas estrelas e lá, no banco, Harden, Durant e Westbrook assistem ao final do jogo abraçados. Eles estavam focados em ganhar aquilo juntos, era um grupo fechado, unido que foi separado por questões financeiras. Não tem como não ser pelo menos um pouco traumático.

O que está feito está feito, não tem porque ficar remoendo a troca pra sempre, mas dá pra gente questionar algumas coisas. Apesar da primeira temporada pós-troca ter dado errado no resultado final, eles ainda tinham muitas chances de serem campeões caso Westbrook continuasse inteiro. O elenco ficou mais magro, com menos opções, mas ainda era bom o bastante para brigar pelo título. E não podemos esquecer que Sam Presti foi criado dentro do San Antonio Spurs, franquia que sempre prezou por não gastar quantias estratosféricas com salários de jogadores e que manteve o seu próprio trio de estrelas sempre se baseando em convencê-los a não receber contratos máximos. Certamente ele pensou nos times que se enchem de contratos enormes e depois tem problemas para fazer as contratações mais simples, sem contar as multas que machucam os chamados “mercados pequenos” como San Antonio e Oklahoma City. Dar um contrato para o Harden seria falar “foda-se, vamos com tudo pra ganhar essa merda”, trocá-lo foi a decisão sustentável.

Deve-se arriscar tudo por um título quando a rara chance aparece, ou o ideal é montar uma franquia sustentável e organizada que possa figurar entre as melhores, e com chance de mudanças caso necessário, o máximo de tempo possível? Não acho que exista só uma resposta certa, mas veremos qual a que serve para o Thunder nos próximos anos. Enquanto lembrarmos da troca de Harden é porque ela ainda não deu o resultado imaginado.

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