Show de Westbrook, vingança do Heat

O Los Angeles Lakers chegou a dar show no 1º tempo do jogo de ontem contra o Oklahoma City Thunder, mas mesmo chegando a abrir 19 pontos de vantagem, não deu conta da forte defesa do adversário no 2º tempo e da potência ofensiva de Russell Westbrook, que levou o Thunder a vitória de 102 a 93 em LA. Derek Fisher já saiu, voltou ontem como adversário e o Lakers continua sem ter ideia de como parar armadores velozes e agressivos. Westrbook marcou 17 de seus 36 pontos no 3º quarto, o Laker inteiro só marcou 2 pontos a mais que no mesmo período.

Para quem não viu o jogo, eu poderia ficar aqui descrevendo como se passaram muitas das jogadas, mas acho que a partida de ontem pode ser explicada com desenhos. Não, nada dos infográficos feitos em Paint, isso é coisa do Danilo. Eu sou chato, nerd e gosto de estatísticazzzzz… foi mal, um dia eu paro.

O que vemos abaixo são os locais de onde Lakers arremessou e seu aproveitamento.

O primeiro desenho é o 1º quarto do Lakers, quando o time conseguiu chegar 16 vezes com oportunidade de arremessar embaixo da cesta e acertou 10 vezes. Isso são 20 pontos fáceis logo de cara, usando e abusando da dupla Andrew Bynum (25 pontos, 13 rebotes) e Pau Gasol (13 pontos). Fora dessa área, 4/9 acertos de meia distância e 0/1 de 3 pontos. Nada fora de série, mas uma boa média para complementar a aula que foi dada dentro do garrafão. No segundo desenho, porém, vemos como foi o 3º quarto do Lakers, quando tudo se perdeu. O time conseguiu apenas 5 arremessos lá perto da cesta, acertando só 2. Foi obrigado a arremessar de meia e longa distância, onde errou

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muito. Isso sem contar que chutou 10 bolas a menos, resultado do maior número de turnovers e da defesa do Thunder, que não deixou Ramon Sessions aumentar o ritmo do time, como tem feito desde que chegou.

Foi o que eu disse outro dia no post sobre Kobe Bryant (23 pontos, 7/25 arremessos), não é que ele e os outros jogadores não querem forçar o jogo em Gasol e Bynum, é que os outros times às vezes tem sucesso em impedir que a bola chegue até a dupla. Bolas de 3 pontos, mais jogadores com capacidade de infiltração e melhores passes de entrada no garrafão são uma arma contra isso. Mas talvez mais importante seja defender bem. Com boa marcação é mais fácil pegar o outro time desprotegido, é fácil observar que em ataques rápidos o Bynum já se enfia embaixo da cesta adversária e pede pela bola, quando vão contestá-lo ele já se estabeleceu onde é mais perigoso.

Entra então o desenho, esse à esquerda. É do 3º quarto do Thunder. Os 6/9 arremessos de meia distância mataram o Lakers! Eles foram bem atacando a cesta também, é verdade, mas quando se joga contra Kevin Durant, James Harden e Russell Westbrook é difícil evitar que se cheguem lá perto. O Lakers até que segurou eles durante um bom pedaço do jogo, mas foi preciso esticar a marcação quando as bolas longas de 2 (a de menor aproveitamento entre todos os times da NBA) começam a cair como se fossem lances-livres. O Mavs forçou o Thunder a esse jogo de meia distância nos playoffs do ano passado e foi o segredo para a vitória, mas contra o Lakers não rolou, fizeram a festa.

O Lakers ainda tentou voltar para o jogo no último quarto e estranhamente conseguiu após bolas de 3 consecutivas da Paz Mundial, mas Westbrook tratou de matar a partida com, claro, um arremesso forçado e contestado de 2 pontos. Vitória expressiva do Thunder, em dia pouco inspirado de Durant e Harden venceram um dos times mais difíceis da NBA, resultados assim assustam o resto da liga. Para o Lakers faltou arsenal ofensivo para quando a bola não conseguiu mais entrar no garrafão. E um número impressionante: A combinação de Steve Blake, Matt Barnes, Metta World Peace, Josh McRoberts e Pau Gasol atuou junta por longos 7 minutos. A eficiência ofensiva desse time (pontos a cada 100 posses de bola) foi de 36 pontos, a eficiência defensiva (pontos SOFRIDOS a cada 100 posses de bola) foi de 145. Por sorte não se jogam 100 posses de bola por 7 minutos.

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No outro jogo importante da rodada, o Miami Heat recebeu o Dallas Mavericks para uma reedição da final do ano passado. Foi triste ver o Mavs em ação porque parecia bem óbvio que eles sabiam o que fazer, simplesmente não conseguiram. Talvez porque Brandan Wright não faça a mesma cobertura defensiva de Tyson Chandler, porque nem Vince Carter ou Roddy Beaubois conseguiram costurar a defesa do Heat como Barea fazia e porque Kidd (2/8 arremessos, 6 pontos) e Jason Terry (1/10 arremessos, 3 pontos) não estavam acertando seus arremessos de longa distância. Mas só talvez, quem sou eu pra saber tudo, né?

A teoria eles ainda dominam, mas na prática o elenco não é o mesmo e os que ficaram não estão na mesma fase estupenda que tiveram na pós-temporada passada. O Heat, em compensação, pareceu uma equipe mais paciente. Quando a defesa do Mavs os frustravam, não se desesperaram tentando roubos de bola a qualquer custo, souberam manter a marcação que estava dando certo e aos poucos o ataque foi fluindo. Eles tiveram muito sucesso no pick-and-roll (foi o diferencial no último quarto) e uma surpresa no ataque: 6 jogadores (LeBron, Wade, Bosh, Chalmers, Haslem e Cole) com 10 pontos ou mais.

No resto da rodada, apenas dois jogos. Ambos estrategicamente pensados para não roubar a audiência dos grandes jogos da noite: No Leste o Indiana Pacers pegou o Washington Wizards no duelo brazuca entre Nenê (16 pontos, 13 rebotes) e Leandrinho (4 pontos, 5 rebotes). Jogo muito parecido com o que os dois times protagonizaram na semana passada: Feio, cheio de erros, decidido no final e com vitória do Pacers. O Wizards, como já havia feito antes, acionou Nenê seguidas vezes com o jogo para ser decidido. No geral o brasileiro foi muito bem, embora seus companheiros sejam um desastre se mexendo sem a bola. Mas na defesa Sr.Hilário foi uma piada tentando parar o enorme Roy Hibbert. Soma-se isso a alguns erros de John Wall, bolas forçadas (surpresa!) de Jordan Crawford e o Pacers conseguiu mais uma vitória feia para seu cartel.

Fechando a noite, um jogo legal em Portland. Confesso que me diverti com Hornets e Blazers antes de começar o jogo do Lakers. O Hornets só tinha 8 jogadores disponíveis e pelo Blazers tive a chance de ver pela primeira vez em milênios tanto JJ Hickson (12 pontos, 6 rebotes) quanto Luke Babbitt (16 pontos, 4 bolas de 3 pontos) receberem mais do que 10 segundos de tempo de quadra. Pelo Hornets Marco Belinelli acertou 7 bolas de 3 (nível Jordan Crawford/JR Smith de consciência) e fez 27 pontos, mas no final eles ficaram perdidos e não souberam resolver o jogo quando ele poderia ser ganho. Amo o Greivis Vásquez (14 pontos, 6 assistências), mas o time ainda sente falta do Jarrett Jack. E sentir falta do Jack explica a última colocação deles no Oeste.

Top 10 da Rodada

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Fotos da Rodada

Lembra quando a Christina Aguilera era bonita e fazia comercial da NBA? Bons tempos…

 

-Manhê… não cabe nimim.

 

Tiiiira Célio Silva!

 

Frank Vogel como Dilbert

 

Nowitzki: Desde 1998 deixando os arremessos mais difíceis do que precisavam ser

 

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Aproveitamento de arremesso dessa foto: 8/57

Dois dos times com mais torcida, mais fãs e mais “haters” estão com um começo cambaleante de temporada. São o New York Knicks e o Los Angeles Lakers. Os dois tem diversas coisas em comum: estão rendendo menos do que o esperado, são formados por um trio de grandes jogadores, o ataque não flui em nenhum caso e os dois times tem um All-Star que quer resolver os problemas sozinho arremessando por jogo o que o Ben Wallace arremessa em uma temporada. Ultimamente eles também tem tido em comum o fato de toda culpa cair nas costas de seus técnicos.

Vamos começar com o Lakers. O novo técnico Mike Brown prometeu duas coisas para essa temporada. Uma era um esquema tático que iria misturar algumas jogadas do triângulo ofensivo que levou o time aos dois últimos títulos (não como se usassem em toda jogada também, que fique claro) e algumas jogadas que o próprio Mike Brown viu em execução quando era assistente técnico de Greg Popovich no Spurs. Ele usaria Pau Gasol e Andrew Bynum como Pop usou Tim Duncan e David Robinson. A outra promessa era de melhorar o time defensivamente.

Uma delas ele conseguiu, a segunda. O Lakers, assim como no ano passado, tem a 6ª defesa mais eficiente da NBA. Mas em números gerais melhorou no aproveitamento dos arremessos do adversário (43% para 41%) e em bolas de 3 pontos (33% para 31%). Também permite 6 pontos a menos e força mais turnovers. Mas a melhora não tem dado tanto resultado porque o ataque piorou demais. Sim, às vezes usam os triângulos, mas pouco e sem muita eficiência. Assim como têm dificuldade em usar os dois pivôs o número de vezes que gostariam.

E acho que existe um bom motivo para as duas coisas não estarem dando certo: Tanto o triângulo como o uso da dupla Gasol/Bynum exigem que um dos jogadores do time esteja posicionado no pivô, de costas próximo à cesta. Os outros jogadores devem se movimentar em volta disso ou simplesmente se afastar e dar espaço. É o chamado espaçamento da quadra, posicionamento dos atletas de uma forma que atrapalhe a defesa adversária a fazer seu trabalho. O espaçamento só dá certo se esses jogadores se posicionarem em um local onde são um risco ao adversário, obrigando um marcador a se afastar de quem tem a bola para defender uma possível ameaça. Em outras palavras, se o Metta World Peace continuar com 12% de aproveitamento nas bolas de 3 pontos o seu marcador sempre vai deixá-lo livre para embolar a defesa sobre os pivôs.

E embora o outrora conhecido como Ron Artest seja o pior, o resto do elenco não se salva. O Lakers já não era lá uma maravilha no ano passado, com 35% de acerto nas bolas de 3, mas nesse ano caiu para 25%! O que vemos no ataque do Lakers é um time que não tem velocidade para sair no contra-ataque, que não tem bolas de 3 para espaçar a quadra e nem um armador bom o bastante para ser uma real ameaça no pick-and-roll. E mesmo quando Kobe Bryant tenta ser o homem do pick-and-roll, a defesa tem dobrado nele e ajudado no pivô, deixando alguém livre na linha dos 3 pontos com a certeza do erro. Não jogo a culpa em Pau Gasol ou Andrew Bynum, é simplesmente muito difícil marcar pontos em um ataque devagar e embolado.

O Kobe Bryant tentou fazer o que pode para ajudar. Em alguns jogos tentou ser herói e usou a estratégia Allen Iverson: Vocês defendem tudo e eu ataco sozinho arremessando bolas que se qualquer outro jogador tentar fica no banco pra sempre. Venceu alguns jogos contra times mais fracos, mas contra os fortes não chegou nem perto. Nos últimos dois jogos (contra Heat e Magic) tentou ficar mais sem a bola, se movimentou sem ela e forçou menos o jogo individualmente. Foi mais eficiente, aumentou seu aproveitamento e chutou menos bolas. O Lakers continuou mal da mesma forma, não mudou nada. O buraco é mais embaixo.

Segundo os boatos da imprensa americana o Lakers ainda insiste em querer trocar por Dwight Howard. Certamente não seria ruim ter aquela potência toda ao lado de Kobe, mas não resolveria os problemas que o time tem hoje. A não ser que por um milagre divino o Ryan Anderson viesse junto na troca (um favor improvável do Orlando Magic) o time continuaria sem ameaça de longa distância. Iriam dobrar a marcação no Dwight Howard assim como fazem no Andrew Bynum e a produtividade dele iria cair. Se o Kobe vai mesmo jogar mais tempo sem a bola, deveriam procurar um armador, assim como um ala que chuta de três pontos. O problema? Mandar quem em troca disso tudo? Que time em sã consciência vai querer Steve Blake, Metta World Peace, Troy Murphy ou o assassino Josh McRoberts para mandar alguém de qualidade? Ninguém. Tem outros times por aí precisando das mesmas coisas e com peças de troca mais interessantes.

Restam para o Lakers duas opções: A primeira é trocar Pau Gasol ou Andrew Bynum por alguém numa tática cobertor curto. Resolve-se a armação ou o chute de longa distância piorando o garrafão (era o que a troca Gasol/Odom por Chris Paul pretendia). A segunda é colocar Matt Barnes e outros jogadores para arremessar 900 bolas de 3 pontos por dia e ver se eles aprendem. Com um bom aproveitamento nos tiros de longe o time não vai virar o melhor ataque da liga, mas tudo vai ficar mil vezes mais fácil.

Agora o Knicks. O problema é o mesmo? Pior que é. Vocês devem pensar “Não, imagina. O Knicks tem uma defesa ridícula, Carmelo e Amar’e não marcam ninguém! Como é a mesma coisa que o Lakers?”. Pois veja bem, o Knicks tem atualmente a 11ª melhor defesa de toda a NBA. Pois é, eu também não esperava. Volta e meia o Amar’e deixa uns caras passarem batidosou faz várias faltas bobas, o Carmelo não sai na ajuda de ninguém, mas o time tem se adaptado bem e permite apenas 101 pontos a cada 100 posses de bola, 10 a menos que na última temporada.

Não é uma defesa perfeita ou sufocante, isso é óbvio. Vimos ontem como não tiveram resposta pra o Brandon Jennings, mas estão na parte de cima da tabela nesse quesito, beirando o Top 10 da liga. Seria o bastante para eles se o ataque fosse como todos imaginaram que seria. Ano passado eram o 7º melhor ataque da NBA com 110 pontos a cada 100 posses de bola, nesse ano são apenas o 24º time ofensivo da liga, com 98 pontos a cada 100 posses. A queda é absurda.

A teoria ainda é a mesma do ano passado. O Mike D’Antoni manda seu time ser veloz e eles ainda são o 3º com mais posses de bola por jogo, mas a execução está péssima. O culpado é o excesso de jogadas de isolação, ou seja, com os jogadores indo no mano a mano. D’Antoni pede que Carmelo Anthony comande boa parte do ataque, sendo o jogador com a bola em pick-and-rolls. Mas ele faz isso com Tyson Chandler, não com Amar’e Stoudemire, que se posiciona do outro lado da quadra para o arremesso de meia distância. O resultado é que Melo não é um grande passador e dificilmente faz boas jogadas com Chandler (uma ou outra ponte aérea que vai pro Top 10 mas não resolve nada) e Amar’e é pouco usado. Sem confiança para passar, Melo tenta resolver sozinho. Quando passa para Stoudemire, este faz sua jogada mano a mano com quem o marca. É simplesmente o pior jeito de usar essas duas estrelas.

Vejam esses números: O Knicks é o time que mais faz jogadas de isolação na NBA, fazendo em 16% de todas as suas posses de bola. Porém faz apenas 0.67 pontos a cada uma dessas posses, a 3ª pior marca entre todos os times. O aproveitamento dos arremessos nessas situação é de apenas 29.3%, o pior entre as 30 equipes da NBA. Não faz sentido insistir naquilo em que você é o pior.

Outra tentativa foi de deixar a bola na mão dos armadores do time para eles tentarem construir jogadas. Primeiro Toney Douglas e agora o novato Iman Shumpert. Douglas tem tomado decisões horríveis e logo perdeu a vaga para Shumpert, que também não sabe o que faz no ataque, mas compensa com forte defesa e roubos de bola. A dupla Shumpert e Landry Fields tem sido responsável pela melhora defensiva, mas no ataque só atrapalham. O novato não é armador nato e muitas vezes, sem saber para quem passar, tenta resolver sozinho e arremessa demais.

É bem fácil jogar a culpa no técnico Mike D’Antoni, mas a culpa não é só dele, não é como se ele pedisse para forçarem jogadas de isolação, isso é o oposto do que ele gosta, aliás. Pense em um técnico de futebol ofensivo, que gosta de montar times com 3 atacantes e meias que sabem passar a bola e avançar. Aí a diretoria vai lá e contrata o Williams do Flamengo que não sabe dar um passe de 3 metros e chama Souza e Aloísio Chulapa pra fazer a dupla de ataque. Como o cara vai montar o time dele? Das duas uma, ou vai tentar fazer os jogadores se adaptarem ao jeito dele, o que provavelmente não dará certo por falta de talento, ou vai fazer o que não sabe. E como disse o Larry Brown na clínica que deu aqui no Brasil“nunca ensine para seus jogadores algo que você não sabe“. Mike D’Antoni não é o Rick Carlisle, ele não é uma enciclopédia de basquete pronto para fazer jogadas de todo o tipo, ele tem um estilo de jogo, uma filosofia e o Knicks sabia disso quando o contratou.

E insisto nessa questão do estilo porque já estão colocando a culpa nele em coisas que não tem nada a ver. Quando eles perderam para o Suns cornetaram o D’Antoni porque ele pediu para o pivô e o armador sempre trocarem no pick-and-roll do Steve Nash com o Marcin Gortat, ou seja, ficou Tyson Chandler marcando Nash e Shumpert ou Fields acompanhavam o pivô polonês. “Um absurdo” que foi justamente a tática usada pelo Spurs em diversos momentos de todas as vezes em que eles eliminaram o Suns nos anos áureos do armador canadense. Com Duncan marcando Nash eles fechavam ângulos para passe e o forçavam a jogar sozinho. Muitas vezes ele arremessava na cara de Duncan e fazia, mas a longo prazo valia a pena. Dava certo também porque Tony Parker não ficava isolado contra Stoudemire, a ajuda vinha de todos os lados. Ou seja, é uma estratégia perfeitamente normal se bem executada. E, como já afirmamos antes, a defesa do Knicks tem melhorado nesse ano desde que o assistente técnico Mike Woodson chegou com essa responsabilidade.

O ponto é que os olhinhos do time brilharam com a chance de contratar Carmelo Anthony e depois com a possibilidade de ter um pivô que já levou um time ao título em Tyson Chandler. São bons jogadores, claro, mas não tem nada a ver com o estilo de jogo de D’Antoni e ainda não se entrosaram entre si. Para o Knicks sair desse marasmo as soluções podem ser duas: Uma é demitir o D’Antoni e achar um técnico que saiba o que fazer com o elenco (Phil Jackson e Larry Brown já são nomes sonhados), a outra é uma troca que traga um armador que saiba conduzir o time. Baron Davis pode ser ele, mas ainda demora para voltar da contusão, e outro ponto é o mesmo do Lakers, trocar quem? Eles não vão trocar seus queridos Melo ou Chandler, e Stoudemire tem uma cláusula de contrato em que pode vetar qualquer troca com o seu nome. O mais provável é que D’Antoni tenha vida curta no banco de Nova York.

Não quero com esse post defender D’Antoni e Mike Brown, que já critiquei durante anos por serem limitados. Têm o defeito de justamente não saber se adaptar ao elenco e precisar das coisas muito certinhas para darem certo. Mas pense bem, se eu que sou um blogueiro idiota sei disso, vai dizer que Knicks e Lakers não sabiam? Apostaram e não deram as peças necessárias. No caso do Lakers é ainda pior, já que tiraram Lamar Odom dizendo que era a primeira parte de uma troca maior que nunca aconteceu, o elenco é pior do que aquele que já ralou um bocado sob o comando de Phil Jackson no último ano, cobrar um time pronto para o título e ainda sem tempo de treino é pedir demais.

Lakers e Knicks, dois times grandes que, ao lado do Boston Celtics, eram exemplos de como equipes de mercado grande conseguiam se fortalecer mais do que os de cidade pequena, mas estão na sombra de Indiana Pacers, Philadelphia 76ers e Denver Nuggets até agora nesse começo de temporada e as perspectivas de melhora não são das mais animadoras.

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Quem sabe defender, dá uma risadinha

Quando Kendrick Perkins foi trocado no meio da temporada passada, tudo levava a crer que o Celtics se sairia normalmente sem ele. Perkins era um bom jogador, pivô titular da equipe, mas não era nenhum gênio – até porque paredes sólidas de tijolos não costumam ser geniais. Havia passado todo o começo da temporada fora, contundido, e o Celtics nem por um segundo pareceu sentir sua ausência. Até, claro, ele ser trocado e a equipe inteira desandar como um bolo tirado do forno antes da hora.

Fizemos trocentos posts analisando aquela troca, as mudanças táticas que a saída do Perkins causou, os remendos que o Celtics fez para tentar tapar o buraco, mas a verdade é que o real estrago não aconteceu no campo tático, mas naquele campo intangível do emocional, do simbólico, do motivacional. A “família Celtics” foi desfeita e tudo aquilo que o Perkins representava, como âncora defensiva de uma equipe que se gabava justamente de sua defesa, virou farofa. Não foi a morte do Celtics, aos poucos a equipe até encontrou outros caminhos para refazer sua identidade, mas até hoje tem torcedor da franquia querendo voltar no tempo e matar  o Danny Ainge antes dele efetuar essa troca.

O Perkins permitia um estilo de jogo, representava um estilo de jogo, que ia muito além do seu simples talento individual. Mesmo no Thunder, equipe para o qual foi trocado, nunca teve grandes atuações e não passou de um jogador discreto em quadra – mas levou uma mentalidade defensiva, uma cara de quem iria proteger seus companheiros frente a qualquer contato mais agressivo do adversário, uma postura de quem vinha de time grande e podia chamar seus companheiros para dar bronca caso perdessem um jogo por bobagem. Repito: ele não é um grande jogador, teve uma temporada bem meia-boca, mas representa bem mais do que o seu talento em quadra deda à primeira vista.

Retomei o “caso Perkins” porque ele explica muito do que está acontecendo com outro jogador: Tyson Chandler escolheu sair do Mavs, onde acabou de ser campeão, para ir jogar com Amar’e e Carmelo em New York, com um contrato de 56 milhões por 4 anos. É tanta grana, mas tanta grana, que a contratação acabou virando uma bagunça só para conseguir fazer com o que valor funcionasse. Como o Knicks não tinha espaço na folha salarial, o Chandler teve que assinar com o Mavs, que podia oferecer esse contrato gigante porque estava reassinando o jogador. Aí o Knicks usou a anistia no Billups (que, até um dia antes, seria o armador titular da equipe) e teve que se livrar do pivô Ronny Turiaf. Mas o Mavs não queria o Turiaf, então entrou em cena um daqueles times oportunistas que estão abaixo do teto salarial – no caso, o Wizards – e aceitou o Turiaf só pra troca poder acontecer, levando como brinde 3 milhões de verdinhas do Knicks além de duas escolhas de segunda rodada do draft. O Mavs, por sua vez, levou de presente uma “trade exception”, que é uma espécie de vale-compra que pode ser usado em trocas por jogadores que custam mais caro do que aqueles que você está mandando – e que na prática o Mavs usou para conseguir o Lamar Odom do Lakers, mas dessa troca a gente fala outra hora. Ou seja, Wizards e Mavs se beneficiaram nessa bagunça apenas porque o Knicks fez questão de levar pra casa o Tyson Chandler por uma quantia surreal de verdinhas. Ele deve ser genial, não é mesmo?

Não, não é. Mas o que ele tornou possível em Dallas lembra o que o Perkins simbolizava em Boston. O Mavs da última década foi um time muito focado na parte ofensiva e que sempre teve problemas na defesa, especialmente no garrafão. Quando Avery Johnson assumiu a equipe em 2006 e levou o Mavs a uma Final de NBA, o foco na defesa transformou a equipe e mostrou que, embora faltassem os talentos individuais para formar uma defesa realmente competente, sobrava vontade e dedicação tática ao elenco inteiro. Tyson Chandler foi o talento individual defensivo que tanto faltou à equipe durante anos, mas acima disso ele mostrou que o esforço defensivo coletivo da equipe seria recompensado, que esse esforço teria um motivo para existir com a presença de Chandler embaixo do aro. Aquele esforço que sabíamos que o Mavs poderia efetuar, mas que não deu em nada, parecia mais justificável quando a pressão defensiva acabava afunilando o ataque adversário em direção à envergadura imponente do Chandler no garrafão. O Mavs continuou a ser aquele time de sempre, sem grandes estrelas defensivas no perímetro, com o Jason Kidd ancião quase de cadeira de rodas não conseguindo acompanhar os armadores adversários, mas o esforço e o comprometimento que mostraram culminou em título. Vale lembrar que nos playoffs contra o Mavs, Kobe conseguiu apenas um par de bandejas durante toda a série – o Mavs sabia que a dedicação na defesa resultaria no Tyson Chandler tendo a possibilidade de parar e intimidar qualquer infiltração no garrafão.

Tyson Chandler jogou por outras equipes e mesmo deixando claro suas capacidades, nunca teve um impacto tão grande nas partidas ou no funcionamento de uma equipe. Calhou de cair numa equipe que precisava dele, exatamente daquilo que ele era capaz de entregar, de representar tudo aquilo de que o Mavs precisava, e de mudar a mentalidade defensiva de uma equipe inteira – assim como o Perkins fez no Thunder. Mesmo na parte ofensiva o Mavs era a situação perfeita para o Chandler, que fez a festa nos passes de Jason Kidd assim como fazia nos passes de Chris Paul, só tendo que pular e enterrar sem movimentações complexas de costas para a cesta que ele nunca soube executar.

Quando o Knicks monta o circo para poder oferecer 14 milhões por ano para o Tyson Chandler, não está querendo um jogador cujo talento corresponda a esse valor. Está querendo comprar a mudança de postura, a presença, a justificativa para um esforço defensivo coletivo. O técnico Mike D’Antoni sempre focou exclusivamente no ataque, Amar’e Stoudemire sequer finge tentar defender, e o Carmelo Anthony até se esforçou em alguns momentos no Knicks, mas não consegue esconder que é um defensor medíocre. A esperança é de que Chandler mude tudo isso, que ele seja a presença defensiva que tire o Knicks das 10 piores defesas da liga sem, no entanto, comprometer no ataque porque pode acompanhar o resto do elenco na correria e finalizar em transição.

O único problema é que o Knicks não é o Thunder e nem o Mavs. Tyson Chandler não foi contratado pelo seu talento individual, ele não pode ser uma força defensiva solitária na defesa e com isso ter algum impacto no time. Seria necessário comprometimento de todo o elenco, esforço, obediência tática na defesa – coisas que o Knicks, mesmo se quisesse, não conseguiria ter. Pelo menos não sem comprometer o esquema ofensivo desenhado por D’Antoni. A intenção do Knicks é compreensível, eles precisam defender melhor especialmente no garrafão, mas a situação é muito diversa daquela em que Chandler fez a diferença e em que mereceria, forçando a barra, os 14 milhões por ano. Dificilmente sua presença será tão marcante quanto foi para o Dallas, o investimento foi muito maior do que ele pode oferecer realmente à equipe, mas é uma atitude desesperada de um time consciente de que só vai chegar em algum lugar com um sistema defensivo mais elaborado.

Com a mesma intenção, o Knicks contratou o ex-técnico do Hawks, Mike Woodson, para ser o responsável pelo sistema defensivo. O Hawks de Woodson tinha uma defesa forte e gostava de partir em velocidade para o ataque, então deve casar bem com aquilo que o Knicks pretende fazer. Jared Jeffries também assinou novamente com a equipe para manter seu papel de único defensor consistente do elenco – em muitos momentos, cabia ao Jeffries defender quem fosse, armador ou pivô, e o pior é que ele nem é tão bom defensor assim. O salário é pequeno, num contrato de apenas um ano (ao invés do contrato gigante ridículo que havia assinado com o Knicks na época do Isiah Thomas cuidando das finanças), então o Knicks faz bem de mantê-lo. Woodson e Jeffries são, ao menos, a garantia de que Tyson Chandler não será o único responsável por tornar o Knicks uma equipe defensivamente respeitável.

Para balancear e impedir o Universo de entrar em colapso, o Knicks também contratou um jogador puramente ofensivo, Mike Bibby, que está velho e pedindo arrego e mesmo assim teve uma temporada respeitável no Heat no papel de arremessador ocasional – armava pouco, defendia bulhufas, não forçava nenhum arremesso, mas manteve um aproveitamento bem alto quando acionado. O próprio Bibby disse que sempre sonhou em jogar para o D’Antoni, que seu estilo é perfeito para o treinador, e realmente acho que a união dos dois seria perfeita – uns 5 anos atrás, claro. No estado em que está, Bibby ainda será útil, especialmente agora que o Billups teve que ser jogado fora como modess usado, mas deve render mesmo apenas como arremessador eventual que vem do banco. Deve armar mais o jogo do que armava no Heat, mas nada  digno de nota, até porque o D’Antoni anda comentando que vai tentar usar o Carmelo mais tempo na armação nessa temporada, e Toney Douglas deve ser o armador titular.

Mas um time com Bibby vovô, Carmelo armando e Amar’e no garrafão não tem como ser transformado simplesmente com a chegada de Tyson Chandler. Será preciso um longo trabalho com Woodson e um comprometimento de gente que, em toda carreira, nunca pareceu capaz disso. Defesa não é só vontade, é compreensão, é costume, cacoete. Chandler e Perkins encabeçam uma lista de pivôs que recebem contratos gigantescos porque se imagina que possam mudar toda a mentalidade de suas equipes, transformar todo mundo em um defensor exemplar. Mas há tanta responsabilidade dos outros jogadores, da comissão técnica, da situação, que nem sempre essas apostas bilionárias podem dar certo. Se der, o Knicks dá o passo definitivo rumo à relevância nos playoffs, enfim, após décadas gastando mais do que qualquer outro time e não ganhando necas. Mas se der errado, é só mais um pivô de contrato milionário que ganha uma quantia que não tem nada a ver com os próprios talentos – e vai estar mais relacionada com a esperança de que Carmelo e Amar’e se empenhem em defender como fizeram Jason Kidd e Nowitzki. Não é esperança demais em cima de um simples pivô enquanto o D’Antoni e sua defesa pífia continuam intocáveis? Aos poucos o Knicks tenta mudar velhos hábitos, mas precisa encontrar um modo de conciliar essa vontade de ser defensivamente imponente e a presença de D’Antoni – que, no fundo, é o responsável por Carmelo e Amar’e (e agora Bibby) quererem jogar no Knicks.

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JR Smith não entende esse troço de “coletividade” que comentam agora no vestiário

Muita atenção está sendo dada para o fato do Denver Nuggets estar com uma campanha muito melhor do que a do New York Knicks depois da troca do Carmelo Anthony. Mas eu só não sei se as pessoas estão dizendo isso para zoar com o Knicks, já que todo mundo ultimamente parece ter criado um gostinho especial em odiar equipes que fazem tudo por superestrelas, ou se é porque realmente achavam que o Knicks seria melhor que o Nuggets. Eles não eram antes, não são agora e não dá pra saber se serão no futuro.

O Knicks deixou bem claro nessa troca que o que eles queriam era juntar Carmelo Anthony com Amar’e Stoudemire, o resto do time eles dariam um jeito de conseguir depois. O único jogador além de Amar’e que eles não estavam dispostos a mandar era o Landry Fields, de resto topariam mandar tudo e foi o que fizeram. Danilo Gallinari, Wilson Chandler, Raymond Felton e Timofey Mozgov todos foram titulares no time durante toda ou algum período da temporada em Nova York, não dá pra perder todo um time assim de uma vez no meio do campeonato e esperar que tudo vai ficar bem. O plano deles era para o futuro e só no futuro vamos poder julgar com mais convicção se a decisão foi boa ou ruim, tudo vai depender de novas contratações no próximo ano e de treino, muito treino.

Um dos problemas do Knicks nos últimos jogos tem sido o desempenho no quarto período, e não é por acaso e nem porque seus jogadores são amarelões, muito pelo contrário; Chauncey Billups, Carmelo e Amar’e tem milhares de cestas importantes e decisivas nas suas carreiras para provar que sabem resolver no final. O que acontece é que com poucos treinos nesse primeiro mês de parceria eles só tem as jogadas individuais para apelar e assim fica mais fácil do adversário defender. Temos que lembrar que é no último período em que as defesas costumam ser mais fortes e é quando os times usam as suas jogadas de segurança. Que jogada de segurança tem um time que pouco treinou? Sem contar que existe o problema bem comum de equipes que tem muitos jogadores bons, todos acham que podem resolver no 1-contra-1 e se restringem a isso. Jogadores mais ou menos podem não ter treinado junto com ninguém, mas não acham que vão vencer jogos sozinhos como pensam Billups, Carmelo e Amar’e no Knicks ou LeBron e Wade no Heat, por exemplo.

Por outro lado, o Nuggets tinha tudo para melhorar. Perdeu dois jogadores bons mas ganhou outros quatro bons para as mesmas posições, sem contar que deu mais espaço para outros que já estavam lá só esperando atenção. O Ty Lawson agora pode brilhar com mais minutos e as loucuras individualistas do JR Smith parecem machucar menos o time quando ele é o único maluco individualista no elenco. Na parte tática o técnico George Karl disse que a adaptação dos novos jogadores foi fácil porque eles já conheciam muitas das jogadas e porque ele manda todo mundo sempre correr muito e jogar fácil no contra-ataque, ou seja, sem bíblias de jogadas complexas para eles aprenderem, a transição de equipe é mais tranquila. Alguém poderia argumentar que o Nuggets também deveria ter problema nos finais de partida por ter treinado pouco, mas duas coisas explicam porque isso acontece com o Knicks e não com eles:

1- O Nuggets está vencendo fácil, com diferenças gigantescas de pontos. Alguns quartos períodos eles só tiveram que administrar uma boa vantagem. Poucas vezes tiveram que lidar com jogos duros de meia quadra com adversários fortes.

2- Quando tiveram, como ontem contra o Spurs, realmente tiveram dificuldade no ataque e acabaram chutando bolas forçadas de longe. Mas compensaram defendendo muito bem! Nesse último mês o Nuggets tem números defensivos, como o de pontos sofridos a cada 100 posses de bola, muito parecidos com o Chicago Bulls, que é o Once Caldas da NBA. O Knicks, em compensação, tem uma defesa pior desde que Melo e Billups chegaram.

Números e tática à parte (só por um parágrafo), o fator psicológico tem sido importante nessa embalada que o time de Denver deu. Enquanto muita gente esperava um desmanche, ocorreu o oposto. Nenê afirmou que quer fazer carreira em Denver e negocia uma extensão de contrato, eles não trocaram imediatamente Gallinari e Chandler como especulado na época e disseram aos dois que fazem parte do futuro da equipe, mesma coisa que aconteceu com JR Smith. A saída do Carmelo criou uma sensação de alívio e união. A perda de uma estrela por várias vezes já uniu equipes, isso acontece o tempo todo. Aconteceu ano passado com a contusão do Andrew Bogut no Bucks, acontece agora com o Grizzlies sem Rudy Gay até o fim da temporada, aconteceu quase 10 anos atrás quando Antonio Davis liderou uma sequência impressionante de vitórias que levou o Raptors sem Vince Carter aos playoffs. E, por que não, foi esse sentimento que fez o Cavs sem LeBron James começar a temporada jogando tão bem. Se o elenco não fosse tão ruim e minado por contusões e se aquele jogo contra o Heat tivesse tido um resultado diferente, certamente não seriam a piada que são hoje. Em esportes competitivos e com tantos times com jogadores bons, coisas como motivação podem fazer toda a diferença.

O Dean Oliver, autor do livro Basketball on Paper, importantíssimo para o mundo das estatísticas de basquete, trabalhava com o Denver Nuggets no começo da temporada até sair do emprego semanas antes da troca do Melo para trabalhar na ESPN. Ele lembra em um artigo para o TrueHoop de uma declaração do dono do Nets, Mikhail Prokhorov, dizendo que só tentar trocar pelo Melo já havia custado muitas derrotas a seu time. A insegurança causada por ver tantos nomes diferentes envolvidos em trocas fazia o time não se concentrar e não render. Assim o Nets venceu apenas 10 jogos nas primeiras 12 semanas de temporada, então o russo disse que iria desistir de Carmelo e o time respondeu vencendo 7 das próximas 13 partidas, isso antes de conseguir o Deron Williams.

Já o Nuggets, na análise de Oliver, rendeu bem até o dia 15 de dezembro, como se nada tivesse acontecido. Essa data marcava o dia em que muitos Free Agents do último verão americano, como Raymond Felton, poderiam ser envolvidos em trocas. O Nuggets venceu 15 de 24 jogos até então. Aí os rumores começaram a ficar mais reais e o bicho pegou. Como funcionário do time, Oliver viu tudo de perto e disse que o clima no vestiário era diferente depois que os rumores ficavam mais reais e principalmente quando passaram a envolver o Chauncey Billups, herói da torcida. Nesse período o Nuggets teve 12 vitórias e 10 derrotas, com números defensivos que beiravam os piores da liga. Como já mostramos ontem, eles embalaram de novo depois da troca com 11 vitórias e 4 derrotas desde que Melo saiu.

Sem Carmelo Anthony para controlar a bola, a mídia, as atenções e os holofotes, os outros jogadores viram isso como a chance deles de brilhar e montar um time vencedor e coletivo. George Karl passou a fazer discursos enfatizando o jogo em equipe e a dedicação que cada um dava dentro de quadra, e o resultado é um time mais focado na defesa, mais esforçado, que batalha mais em quadra e que joga mais do que assiste. Voltando aos números, com Carmelo o Nuggets tinha 54% de suas cestas vindas de assistências, agora esse número subiu para 63%. É mais gente passando a bola e menos gente resolvendo por conta própria.

Também não podemos esquecer da profundidade que esse elenco tem agora. Se pensarmos no que já vimos de todos no elenco do Nuggets nos últimos anos, é bem fácil admitir que Lawson, Afflalo, Gallinari, Kenyon Martin, Nenê, Felton, JR Smith, Al Harrington e Wilson Chandler podem ter, facilmente, pelo menos uns 12 pontos por jogo. Isso dá 108 pontos por partida sem ninguém precisar acordar muito inspirado. Claro que não dá pra dividir assim tão racionalmente, mas o que eu quero dizer é que com esse elenco eles sempre vão ter opções de ataque e podem se adaptar a qualquer estilo de defesa ou sobreviver a alguém em um dia ruim. Eles perderam um cara que resolvia bem no fim dos jogos, mas ganharam muita gente que resolve em muitas outras situações. A teoria de que não dá pra ser campeão sem uma estrela pode ir contra o que eu vou dizer, mas o Nuggets é um time melhor hoje e os jogadores que recebeu foram tão bons que era uma troca que faria sentido mesmo se o risco de perder o Carmelo ao fim da temporada não existisse.

O George Karl já deu muitas entrevistas nos últimos anos e até nas últimas semanas dando a entender que não gostava do desinteresse que o Carmelo mostrava em algumas partidas, principalmente na defesa, e nem de como ele muitas vezes jogava as táticas no lixo para resolver sozinho. Isso influenciava o time de uma maneira negativa. Agora Karl vê ele mesmo como o líder da equipe e as suas atitudes cobrando defesa e coletividade têm dado resultado em quadra.

No fim das contas dá pra dizer que a troca só teve vencedores, quer dizer, pelo menos todo mundo conseguiu o que queria: O Carmelo ir para Nova York, o Knicks uma estrela de nome e o Nuggets um time de basquete melhor.

>O prêmio de consolação que deu certo

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A gente tem o poder de elogiar um time e vê-lo perder na rodada seguinte. Ou falar mal de um jogador e ele meter 30 pontos no mesmo dia. Não costumamos estar tão errados assim, às vezes é só naquele dia mesmo, pra tirar uma com a nossa cara. Foi o que aconteceu com o Mavs que perdeu do Bucks bem quando o Danilo fez um post explicando a espetacular sequência de 12 vitórias seguidas do time de Dallas. Mas não se preocupem torcedores do Mavs, nossa zica dura pouco e perder do Bucks não é tão ruim quanto parece. Os veadinhos tem a quinta melhor defesa da NBA! Seu recorde negativo de 10 vitórias e 13 derrotas só existe porque são o segundo pior ataque. Quando conseguem colocar a bola dentro daquele anel laranja que fica pendurado num quadrado de vidro, eles são um ótimo time. Dá pra reclamar que jogaram uma vantagem de 18 pontos no lixo (em casa!), que sofreram com o Hack-a-Haywood e que fizeram uma cesta contra, mas nem tudo é perfeito, né?

Tem time muito mais satisfeito e com números piores na tabela, como o NY Knicks, e é deles que vamos falar e zicar hoje. A satisfação da torcida do Knicks, eufórica ultimamente mesmo sendo uma das mais pentelhas dos Estados Unidos, é explicado pelo enorme fracasso da franquia nos últimos 10 anos. Em 1999 eles se classificaram em sétimo para os playoffs mas mesmo assim venceram o Leste e foram até a final, em que tomaram de 4 a 1 para o Spurs. Nos anos seguintes, de 2000 até hoje, possuem o pior aproveitamento da NBA (perderam 62% dos seus jogos) ao mesmo tempo em que foram o time que mais gastou dinheiro com salários e técnicos. É como pagar mais que todo mundo por um videogame e levar pra casa um 3DO.

Com um desastre atrás do outro eles resolveram se focar em LeBron James. Passaram as últimas temporadas só acumulando contratos expirantes para chegar em 2010 com chance de levar o jogador mais humilde da NBA para a cidade mais humilde dos EUA. Não deu certo. Perderam para Miami não só LeBron como Wade, mas levaram um prêmio de consolação que muito time venderia a mãe para ter: Amar’e Stoudemire. E no desespero por um armador pagaram mais do que qualquer um pagaria pelo Raymond Felton. Essa offseason era pra ser a virada do Knicks, mas acabou sendo um “Fizemos o nosso melhor e ainda estamos em obras”.

Mas a verdade é que o resultado tem saído maior do que muita gente (eu estou nessa!) esperava. Explico todas as razões.

Em uma matéria da faculdade, ainda no Brasil, fiz um projeto de como seria uma revista Bola Presa de basquete. Ficou bem legal e a matéria principal, que fiz só para o meu professor que não sabe nada de basquete ler, era sobre o Amar’e Stoudemire. Questionava se valeria a pena um time investir nele e colocava em questão os argumentos daqueles que acham que ele é um dos melhores jogadores da NBA e os que acham que ele é mais um produto da Steve Nash Ltda. Eu, desinteressante como sou, me colocava no meio termo. Ninguém tem mais de 25 pontos por jogo em uma temporada (como ele já teve duas vezes) só porque tem um armador bom. E era só ver os jogos dele (a segunda metade da temporada passada tem vários exemplos bons) pra ver como nem tudo o que ele fazia era produto de jogada do Nash. A maioria era, claro, mas quando se joga com o Nash é assim!

Mas eu ficava ainda em cima do muro porque achava que ele não era muito eficiente quando segurava muito a bola ou tentava comandar o jogo sozinho. É o tipo de jogador que tem que fazer cortas e brigar por um bom posicionamento para então receber a bola e fazer o que ele sabe fazer, pontos. Portanto, não era que Amar’e precisava do Nash, mas sim de um bom armador, qualquer um, não necessariamente um gênio.

No começo da temporada os meus medos se mostraram verdade, o Amar’e estava fazendo sua tonelada usual de pontos mas do pior jeito possível. Recebia a bola longe da cesta e demorava um tempão até conseguir infiltrar ou arremessar. Era um ataque sem padrão tático e sem a velocidade que o técnico Mike D’Antoni gosta de ver em seus times. O resultado numérico foi um Knicks que não assustava ninguém e que tinha melhores números quando Amar’e estava fora de quadra. Mesmo quando ele marcava 30 pontos acabava com -5 ou -10 nos “net points” ou “plus/minus”, o número que conta o placar do jogo só quando certo jogador está em quadra. Era um típico caso de buraco-negro que lembrava os tempos de Zach Randolph no Blazers e no mesmo Knicks.

Mas com o tempo a coisa foi mudando, bem aos poucos, jogo a jogo. No começo os números do “plus/minus” ainda não favoreciam muito o Amar’e, mas ele já estava fazendo a diferença no quarto período dos jogos e o Knicks começou a vencer e não parou mais. São hoje oito vitórias seguidas e 13 nos últimos 14 jogos, e nesses oito jogos seguidos o STAT marcou mais de 30 em todos as partidas, um recorde da franquia e o primeiro jogador da NBA a conseguir pelo menos 8 jogos seguidos com mais de 30 desde que Kobe Bryant conseguiu 9 vezes seguidas na temporada 2005-06.

As duas últimas partidas foram simbólicas também para o Amar’e, ele não só fez jogadas decisivas no fim dos jogos como os números começaram a contribuir também. Na difícil vitória contra o Nuggets, o time esteve +16 com Amar’e em quadra e -12 com ele fora, antes, contra o Wizards, +13 com e -7 sem ele. Mas não vamos ficar presos nos números, o time agora consegue procurar ele em quadra mas sem se prender a isso. Eles fazem suas jogadas e não jogam em função do seu pivô. Ao invés de assistir ao Amar’e, jogam o basquete veloz que devem jogar e o acionam quando é a melhor opção. Eu outras palavras, estão entrosados.

E já que estão entrosados temos que falar dos outros jogadores que fizeram possível a gente falar bem do Knicks pela primeira vez em tanto tempo. Tudo começa com Raymond Felton, o armador que, nas sábias palavras de um analista do site FanHouse, “parece melhor jogador em 20 jogos pelo Knicks do que em 5 anos pelo Bobcats”. Isso define o que é o Felton nessa temporada. Esqueça tudo o que já comentamos sobre ele nos últimos anos, é um novo jogador, mais agressivo (+4 arremessos tentados em relação ao ano passado), melhor arremessador (melhor marca na carreira em arremessos de quadra e segunda melhor em três pontos) e melhor em pontos, 18 por partida, 4 a mais que no ano passado. Também tem os melhores números em assistências, 8,7, contra 5,6 na temporada anterior, e em roubos, 2 por jogo, 8º melhor em toda a NBA. O aumento no número de assistências e de arremessos tentados mostra como ele tem uma função muito mais importante e que fica mais com a bola na mão no Knicks. No Bobcats ele distribuía a responsabilidade de armar as jogadas com Stephen Jackson e Boris Diaw, que são bons passadores, mas em New York ele tem a chance de comandar o show por conta própria e ainda pode jogar em velocidade. Ele não é nenhum Ty Lawson correndo mas se sente mais confortável no jogo de transição do que no basquete burocrático de meia quadra que o técnico Larry Brown usava em Charlotte.

Outra coisa que o Felton tem no Knicks que não tinha em Charlotte? Sorte:

Algumas pessoas tem criticado o Danilo Gallinari nessa temporada, mas acho que o jogo dele só tem muito problema pra quem tinha a expectativa de que ele seria um jogador completo e espetacular. Ele não é isso e acho que nunca vai ser, mas é um ótimo arremessador e até melhorou levemente o seu aproveitamento em arremessos perto do aro. É um role player que faz bem o seu papel e que não compromete porque quando está em um mal dia pode ser rapidamente substituído pelo Wilson Chandler, que faz a melhor temporada da sua carreira. Chandler é um dos vários bons candidatos ao prêmio de 6º homem da temporada com média de 17,5 pontos, 6 rebotes e 37% de aproveitamento nos três pontos, quase 10% melhor que na temporada passada! Ele dobrou o número de tentativas de três por jogo em relação ao ano passado, deixou de atacar o aro como antes e tem se estabelecido no time como um arremessador, usando o espaço que ter um pivô dominante como o Amar’e Stoudemire abre.

Por fim merece muito destaque o Landry Fields. Ele foi escolhido no segundo round do Draft e até dissemos aqui que ele deveria mofar na D-League. Não é à toa, os dois maiores sites que analisam universitários que vão para a NBA, o NBADraft.net e o DraftExpress, não colocavam o Fields nem entre os 60 draftados. O NBADraft.net dizia que ele era o 93º melhor jogador inscrito! 6 meses depois ele está recebendo o prêmio de novato do mês na frente de Evan Turner e John Wall. Pode-se questionar o prêmio, mas só de estar na discussão é uma surpresa, ele estar na NBA é uma surpresa, oras!

Ele tinha todas as características de jogadores que fracassam na NBA: Com 2,01m ele tem altura para jogar em diversas posições, na universidade jogava nas posições 2, 3 e 4, mas assustou alguns scouts da NBA ao se destacar mais na 4, como ala-pivô. Sem chance dele entrar num garrafão da NBA com esse tamanho. Também tinha o problema dele ter tido três anos discretos antes de brilhar no basquete universitário como Senior e, por fim, era bom em tudo mas não era especialista em nada. No segundo round do Draft os times costumam buscar especialistas (defensor, arremessador, reboteiro) ou algum cara de 19 anos que possa ser preparado para o futuro. Fields não era ruim em nada mas não era espetacular em nada e já tinha 22 anos. Ele tinha tudo pra dar errado.

Porém, observar talentos juvenis não é uma ciência exata e surpreendentemente ele está conseguindo repetir as atuações “all-around” em nível profissional. 10 pontos por jogo, 7,6 rebotes (excelente número para alguém de sua posição) e um roubo por jogo, sem contar os 52% de aproveitamento. Ele não força arremessos, é muito bom nos rebotes, erra pouco, defende muito bem e faz o trabalho sujo que o David Lee fazia até o ano passado como corta-luz, rebotes ofensivos, acompanhar o contra-ataque para aproveitar uma bola que sobre na sua mão, recuperação de bolas perdidas, etc.

Com a ascensão de todos esses jogadores, o Knicks saiu do nível de mediocridade que lhe era característico na última década e hoje parece um legítimo time de playoff no Leste. Mas depois disso aparecem duas perguntas:
1. Essa sequência de vitórias foi algo real ou um golpe de sorte?
2. O time precisa ainda de uma mudança drástica para realmente ir longe?

1. Eu não acredito que tenha sido um golpe de sorte, eles jogaram realmente um bom basquete, mas também abusaram de um calendário que os ajudou. Durante as 13 vitórias em 14 jogos, enfrentaram times em má fase como Clippers, Kings, Nets, Wolves, Raptors, Wizards e Bobcats. Além de pegar os bons Warriors e Hornets em seus piores momentos na temporada. Vitória impressionante mesmo foi a última sobre o Nuggets! Não é culpa do Knicks pegar esses adversários um atrás do outro e isso não desvaloriza o feito deles, a primeira sequência de 8 vitórias da franquia desde 1995, mas se nos próximos 14 jogos eles ficarem com 7-7 não vejam como uma aberração também.

2. O Donnie Walsh, presidente do Knicks, disse essa semana: “Se você acha que o time é bom o bastante você não faz nenhuma troca bombástica, se achar que não é o bastante você faz. Eu ainda não decidi o que eu acho sobre o nosso time”.

Ele provavelmente vai se decidir até o fim do mês. Hoje o Knicks pega o Celtics e até o fim do mês enfrenta o Miami Heat, Orlando Magic e o Chicago Bulls, todos os times do Leste que estão hoje à frente do Knicks. Se o time tiver sucesso contra todos esses, talvez eles não façam nenhuma loucura atrás de Carmelo Anthony, mas se tomar um sarrafo atrás do outro é possível que alguma coisa mude, eles não parecem estar satisfeitos em voltar a ser um time de playoff, o plano do Knicks é mais ambicioso.

Um plano poderia ser esperar até a temporada terminar e simplesmente assinar com o Carmelo Anthony, que já deixou bem claro pra todo mundo que gostaria de jogar no Knicks. Parece o cenário perfeito porque assim eles não perdem nada fazendo uma troca, só ganham o Melo por nada. Mas a coisa não é tão fácil quanto parece. Primeiro porque o Nets está se equipando para continuar atrás de Melo, hoje já conseguiu mais duas escolhas de 1º round (de Lakers e Rockets, em uma troca que vamos analisar mais pra frente e enviou Joe Smith para o Lakers, Terrence Williams para o Rockets e Sasha Sharapova para o Nets) para mandar para o Denver junto com Derrick Favors em troca do ala. Depois porque o Carmelo quer assinar a sua extensão de contrato antes da temporada acabar, para não correr o risco de ganhar menos do que podia com o novo acordo financeiro entre a liga e os jogadores. O jogador prefere o Knicks sobre o Nets, mas entre ganhar muito mais dinheiro no Nets e menos no Knicks ele pode mudar de idéia.

Tem também uma terceira questão importante: O time pode precisar de mais peças para brigar com os times do topo do Leste, mas esse cara é o Carmelo Anthony? Afinal, o que ele traria para o Knicks são pontos e um poder de decisão no quarto período. Mas o Knicks é o quarto melhor ataque da NBA em pontos a cada 100 posses de bola, o segundo em total de pontos e Felton e Amar’e estão se virando mais do que bem nos quarto períodos fazendo o bom e velho pick and roll. Eles tem vários pontuadores, já falamos aqui de Gallinari e Chandler, não seria melhor buscar outro tipo de jogador?

O Knicks ainda é uma defesa fraca, é apenas o 24º melhor time da liga em pontos sofridos a cada 100 posses de bola e é o terceiro time que mais sofre pontos no garrafão, atrás apenas dos patéticos Raptors e Suns, que nem deveriam contar na lista porque eles não tem idéia do que é defender um garrafão. Entre Melo e um bom ala de força ou pivô para jogar ao lado de Amar’e, o que o Knicks precisa mais? É uma questão pra pensar durante o jogo de hoje contra o Celtics. Sim, eu sei que somar nossa zica de falar de um time e ele perder logo no dia que esse time enfrenta o melhor time do Leste é apelação. Mal aê, Knicks.

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