[Resumo da Rodada – 30/04] A surra; a interferência parte 2

O Denis e eu encaramos a furada de falar sobre Bucks e Bulls ontem em nosso podcast (já ouviu?) no arriscadíssimo período antes do Jogo 6 começar sabendo que o arquivo só estaria no ar após o fim do jogo. Imaginamos algumas possibilidades, criticamos o cagaço do Bulls e a impossibilidade do Bucks de fazer pontos no ataque, mas não cogitamos essa bizarra e histórica junção de elementos: um Bulls calmo, com ~senso de urgência~ e excelente execução, e um Bucks sem os pequenos momentos de brilhantismo de seus arremessadores e sem Antetokounmpo, expulso por motivos de IDADE MENTAL: 12 ANOS. Isso, somado ao alinhamento de Saturno com Júpiter, formou o jogo que será doravante conhecido como “A surra”.

Show de Westbrook, vingança do Heat

O Los Angeles Lakers chegou a dar show no 1º tempo do jogo de ontem contra o Oklahoma City Thunder, mas mesmo chegando a abrir 19 pontos de vantagem, não deu conta da forte defesa do adversário no 2º tempo e da potência ofensiva de Russell Westbrook, que levou o Thunder a vitória de 102 a 93 em LA. Derek Fisher já saiu, voltou ontem como adversário e o Lakers continua sem ter ideia de como parar armadores velozes e agressivos. Westrbook marcou 17 de seus 36 pontos no 3º quarto, o Laker inteiro só marcou 2 pontos a mais que no mesmo período.

Para quem não viu o jogo, eu poderia ficar aqui descrevendo como se passaram muitas das jogadas, mas acho que a partida de ontem pode ser explicada com desenhos. Não, nada dos infográficos feitos em Paint, isso é coisa do Danilo. Eu sou chato, nerd e gosto de estatísticazzzzz… foi mal, um dia eu paro.

O que vemos abaixo são os locais de onde Lakers arremessou e seu aproveitamento.

O primeiro desenho é o 1º quarto do Lakers, quando o time conseguiu chegar 16 vezes com oportunidade de arremessar embaixo da cesta e acertou 10 vezes. Isso são 20 pontos fáceis logo de cara, usando e abusando da dupla Andrew Bynum (25 pontos, 13 rebotes) e Pau Gasol (13 pontos). Fora dessa área, 4/9 acertos de meia distância e 0/1 de 3 pontos. Nada fora de série, mas uma boa média para complementar a aula que foi dada dentro do garrafão. No segundo desenho, porém, vemos como foi o 3º quarto do Lakers, quando tudo se perdeu. O time conseguiu apenas 5 arremessos lá perto da cesta, acertando só 2. Foi obrigado a arremessar de meia e longa distância, onde errou

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muito. Isso sem contar que chutou 10 bolas a menos, resultado do maior número de turnovers e da defesa do Thunder, que não deixou Ramon Sessions aumentar o ritmo do time, como tem feito desde que chegou.

Foi o que eu disse outro dia no post sobre Kobe Bryant (23 pontos, 7/25 arremessos), não é que ele e os outros jogadores não querem forçar o jogo em Gasol e Bynum, é que os outros times às vezes tem sucesso em impedir que a bola chegue até a dupla. Bolas de 3 pontos, mais jogadores com capacidade de infiltração e melhores passes de entrada no garrafão são uma arma contra isso. Mas talvez mais importante seja defender bem. Com boa marcação é mais fácil pegar o outro time desprotegido, é fácil observar que em ataques rápidos o Bynum já se enfia embaixo da cesta adversária e pede pela bola, quando vão contestá-lo ele já se estabeleceu onde é mais perigoso.

Entra então o desenho, esse à esquerda. É do 3º quarto do Thunder. Os 6/9 arremessos de meia distância mataram o Lakers! Eles foram bem atacando a cesta também, é verdade, mas quando se joga contra Kevin Durant, James Harden e Russell Westbrook é difícil evitar que se cheguem lá perto. O Lakers até que segurou eles durante um bom pedaço do jogo, mas foi preciso esticar a marcação quando as bolas longas de 2 (a de menor aproveitamento entre todos os times da NBA) começam a cair como se fossem lances-livres. O Mavs forçou o Thunder a esse jogo de meia distância nos playoffs do ano passado e foi o segredo para a vitória, mas contra o Lakers não rolou, fizeram a festa.

O Lakers ainda tentou voltar para o jogo no último quarto e estranhamente conseguiu após bolas de 3 consecutivas da Paz Mundial, mas Westbrook tratou de matar a partida com, claro, um arremesso forçado e contestado de 2 pontos. Vitória expressiva do Thunder, em dia pouco inspirado de Durant e Harden venceram um dos times mais difíceis da NBA, resultados assim assustam o resto da liga. Para o Lakers faltou arsenal ofensivo para quando a bola não conseguiu mais entrar no garrafão. E um número impressionante: A combinação de Steve Blake, Matt Barnes, Metta World Peace, Josh McRoberts e Pau Gasol atuou junta por longos 7 minutos. A eficiência ofensiva desse time (pontos a cada 100 posses de bola) foi de 36 pontos, a eficiência defensiva (pontos SOFRIDOS a cada 100 posses de bola) foi de 145. Por sorte não se jogam 100 posses de bola por 7 minutos.

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No outro jogo importante da rodada, o Miami Heat recebeu o Dallas Mavericks para uma reedição da final do ano passado. Foi triste ver o Mavs em ação porque parecia bem óbvio que eles sabiam o que fazer, simplesmente não conseguiram. Talvez porque Brandan Wright não faça a mesma cobertura defensiva de Tyson Chandler, porque nem Vince Carter ou Roddy Beaubois conseguiram costurar a defesa do Heat como Barea fazia e porque Kidd (2/8 arremessos, 6 pontos) e Jason Terry (1/10 arremessos, 3 pontos) não estavam acertando seus arremessos de longa distância. Mas só talvez, quem sou eu pra saber tudo, né?

A teoria eles ainda dominam, mas na prática o elenco não é o mesmo e os que ficaram não estão na mesma fase estupenda que tiveram na pós-temporada passada. O Heat, em compensação, pareceu uma equipe mais paciente. Quando a defesa do Mavs os frustravam, não se desesperaram tentando roubos de bola a qualquer custo, souberam manter a marcação que estava dando certo e aos poucos o ataque foi fluindo. Eles tiveram muito sucesso no pick-and-roll (foi o diferencial no último quarto) e uma surpresa no ataque: 6 jogadores (LeBron, Wade, Bosh, Chalmers, Haslem e Cole) com 10 pontos ou mais.

No resto da rodada, apenas dois jogos. Ambos estrategicamente pensados para não roubar a audiência dos grandes jogos da noite: No Leste o Indiana Pacers pegou o Washington Wizards no duelo brazuca entre Nenê (16 pontos, 13 rebotes) e Leandrinho (4 pontos, 5 rebotes). Jogo muito parecido com o que os dois times protagonizaram na semana passada: Feio, cheio de erros, decidido no final e com vitória do Pacers. O Wizards, como já havia feito antes, acionou Nenê seguidas vezes com o jogo para ser decidido. No geral o brasileiro foi muito bem, embora seus companheiros sejam um desastre se mexendo sem a bola. Mas na defesa Sr.Hilário foi uma piada tentando parar o enorme Roy Hibbert. Soma-se isso a alguns erros de John Wall, bolas forçadas (surpresa!) de Jordan Crawford e o Pacers conseguiu mais uma vitória feia para seu cartel.

Fechando a noite, um jogo legal em Portland. Confesso que me diverti com Hornets e Blazers antes de começar o jogo do Lakers. O Hornets só tinha 8 jogadores disponíveis e pelo Blazers tive a chance de ver pela primeira vez em milênios tanto JJ Hickson (12 pontos, 6 rebotes) quanto Luke Babbitt (16 pontos, 4 bolas de 3 pontos) receberem mais do que 10 segundos de tempo de quadra. Pelo Hornets Marco Belinelli acertou 7 bolas de 3 (nível Jordan Crawford/JR Smith de consciência) e fez 27 pontos, mas no final eles ficaram perdidos e não souberam resolver o jogo quando ele poderia ser ganho. Amo o Greivis Vásquez (14 pontos, 6 assistências), mas o time ainda sente falta do Jarrett Jack. E sentir falta do Jack explica a última colocação deles no Oeste.

Top 10 da Rodada

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Fotos da Rodada

Lembra quando a Christina Aguilera era bonita e fazia comercial da NBA? Bons tempos…

 

-Manhê… não cabe nimim.

 

Tiiiira Célio Silva!

 

Frank Vogel como Dilbert

 

Nowitzki: Desde 1998 deixando os arremessos mais difíceis do que precisavam ser

 

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Por algum motivo Kevin Martin cobra muitos lances livres

Chegamos à parte final desse especial sobre diferentes tipos de arremesso na última temporada da NBA. Até agora vimos os mais eficientes, os menos eficientes e os que mais tentam arremessos como bandejas e enterradas (na Parte 1) e arremessos de média e longa distância (na Parte 2). Hoje é dia de lances livres e de um ranking geral. Afinal, quem são os pontuadores mais eficientes da NBA?

Lembro mais uma vez que todo o crédito para essa série de textos é de um blogueiro gringo chamado Evanz, do Golden State of Mind, um blog especializado no Golden State Warriors. O cara teve o saco e a capacidade de analisar toneladas de dados e criar fórmulas complexas (e inteligentes) de analisar as estatísticas. Legal que ele percebeu muitos leitores vindos por links daqui e chegou a nos mandar uma mensagem pelo Twitter agradecendo a divulgação do trabalho dele. Pra quem torce para o Warriors e quiser acompanhar, o twitter dele é o @thecity2

A conta para dar o valor aos melhores e mais valiosos arremessadores de lances livres leva em conta os seguintes critérios: (1) média de lances livres tentados e aproveitamento da posição do jogador a cada 100 posses de bola, (2) arremessos tentados e convertidos pelo jogador a cada 100 posses de bola e (3) quantidade e aproveitamento do jogador em lances livres em situações de falta-e-cesta.

Vamos para a lista. Lembrando que PSAMS é o número resultante da conta que leva em conta os termos que a gente explicou acima.

O Kevin Martin leva essa com muita, mas muita facilidade. O número dele é tão impressionante que vocês verão mais tarde que ele entra na lista de pontuadores mais eficientes da NBA basicamente só pelo que ele conquista nesse quesito. Para se ter uma ideia, K-Mart chuta 12.2 lances livres a cada 100 posses de bola, a média de jogadores da sua posição, a de shooting-guard (2), é de 4.4! E o aproveitamento médio da posição é de 80%, o dele é de 89%. Sem contar que consegue uma jogada de falta-e-cesta 0.85 vezes a cada 100 posses de bola, número não muito distante de caras como o Dwyane Wade com seu ótimo 1.1.

A lista em geral não tem grandes surpresas porque sabemos quem são os jogadores que mais batem lances livres e qual seu aproveitamento, mesmo colocando novos elementos na conta os resultados não mudam tanto assim. Mas surgem umas surpresas escondidas no meio: Danilo Gallinari até uma temporada atrás era criticado por ser só um arremessador de três, hoje ele está aí empatado com o Manu Ginobili justamente porque passou a atacar mais a cesta e sofrer faltas no processo. Claro que o argentino tem mais situações de falta-e-cesta, sua marca registrada, mas o ala italiano do Nuggets consegue hoje em dia ir com regularidade para a linha do lance  livre.

Entre os 20 primeiros apenas quatro jogadores tem aproveitamento menor que 80% nos lances livres: Amar’e Stoudemire, Brook Lopez, Dwyane Wade e LeBron James. Eles compensam com quantidade de tentativas e jogadas em que convertem a cesta e sofrem a falta, mas dá pra imaginar como seriam eficientes se acertassem mais as muitas chances que tem? E em uma lista dominada por jogadores de perímetro é legal ver o Brook Lopez como primeiro pivô na 11ª posição. Esse especial serviu para entender melhor porque o Lopez é esse jogador que ninguém sabe direito o que achar ou esperar, em algumas coisas ele é ótimo, um dos melhores, em outras beira o ridículo.

E para quem comentou que o Nenê está bem na fita nessas listas, ele está em 25º na dos lances livres. Realmente o brasileiro é um pontuador bem eficiente, o que nos faz questionar porque ele é às vezes tão apagado nos jogos. No Nuggets do fim da temporada não era estranho ver ele ser apenas o quinto jogador com mais arremessos no time. Muita coisa disso é carma de pivô, que sempre é esquecido pelos outros jogadores, mas também pela postura às vezes passiva e de role-player assumido que o brasileiro toma.

Abaixo o show de horror, quem são os 10 piores titulares na lista de lances livres?

Surpresa seria o Rajon Rondo não estar no topo da lista. Mas que tal ele estar quase com o dobro de pontos negativos do segundo colocado? Uau! Não é à toa, ele tenta apenas 2.7 lances livres a cada 100 posses de bola e quando vai arremessar esses raros lances acerta só 55% deles. Ele é uma síntese asquerosa de todo o resto do Top 10 que tem jogadores que não atacam a acesta (Battier, Kidd, Bibby, Bogans, Thomas) e jogadores com aproveitamento pífio de lances livres (Martin, Bogut, Biendris, Wallace).

Abaixo o Top 10 com os melhores reservas:

O Corey Maggette só está na NBA há tantos anos porque sabe cavar faltas e tem um bom aproveitamento de lances livres. E eu não exagero quando uso esse “só” na frase. O resto do seu jogo é ultrapassado, comum ou simplesmente ruim, mas ele consegue muitos pontos fáceis no lance livre e complica o outro time em faltas, aí algumas equipes acabam dando contrato pra ele. Com esse PSAMS de 3.21 ele seria o 3º colocado na lista geral dos titulares, atrás apenas dos Kevins, Martin e Durant.

Falando em Durant, o terceiro da lista é seu companheiro de time James Harden. Comentamos muitas vezes aqui no ano passado que um dos motivos do Oklahoma City Thunder ser tão bom no ataque era o número e o aproveitamento de lances livres, as boas colocações de Durant, Harden e Russell Westbrook comprovam a tese. A lista dos reservas é praticamente inteira formada de jogadores que entram com a recomendação de “ataquem a cesta como se não houvesse amanhã”, em geral caras que tem esse talento de infiltração mas pecam em outras áreas do jogo.

Para ver os números com mais detalhes e as listas divididas por posição é só conferir esse link do Golden State of Mind.

Depois de tantas contas complexas e números bizarros, finalmente uma conta para o nosso nível de matemática de primário. Para eleger os pontuadores mais eficientes da NBA como um todo apenas se somou o PSAMs (resultado das contas esquisitas) de cada quesito.

Na lista estão presentes as cestas próxima a cesta (INS), chutes de meia distância (MID), três pontos (3PT) e lances livres (FT).

E deu o campeão Nowitzki. Mas ninguém é perfeito mesmo, são pouquíssimos os jogadores dessa lista que não tem pelo menos uma nota negativa em alguma coisa. Na verdade são apenas cinco: Paul Pierce, Al Horford, Stephen Curry, Steve Nash e, surpresa, Brook Lopez.

O Nowitzki conseguiu o seu diferencial na lista ao virar o único mestre supremo do universo em arremessos de meia distância, ao mesmo tempo ainda é levemente eficiente nos 3 pontos e continua cobrando lances livres. LeBron James é o segundo com o seu arsenal completo que já conhecemos, incluindo aí o melhor arremesso de meia distância entre os small forwards. Peca mesmo apenas nas bolas de três pontos. Engraçado é o Kevin Martin em 3º com quase todos os seus pontos vindo dos lances livres, um absurdo, sem dúvida o pontuador mais chato de se assistir na NBA.

A lista consagra alguns nomes que todo mundo já sabia que poderia pontuar de tudo quanto é jeito, como Pierce e Durant, mas tem também caras como Nenê e Stephen Curry no Top 10 e Al Horford logo depois em 11º. São jogadores que jogam bem, são reconhecidos, mas não são as primeiras opções ofensivas de suas equipes.

A impressão que dá é que o Nuggets deveria ter usado mais o seu pivô, posição que hoje em dia tem poucos pontuadores eficientes, e Warriors e Hawks deveriam segurar mais o ímpeto de Monta Ellis e Joe Johnson em prol de seus jovens e eficientes jogadores. Mas a coisa não é tão simples assim, não é só tocar a bola para outro jogador. Hawks e Warriors sofrem de más decisões ofensivas e Ellis e JJ são apenas escapes que usam seus talentos individuais para compensar um sistema pouco eficiente; o que os técnicos desses times precisam entender é que eles não podem ter um ataque típico de times sem talento quando tem dentro do elenco caras tão bons quanto Steph Curry e Al Horford. Na pior da pior das hipóteses esses dois devem compartilhar os arremessos ruins. Outro destaque é a presença de Tyson Chandler fechando o Top 20, mostra que para ser um dos mais eficientes não precisa ser um grande cestinha. Mas claro que ele foi beneficiado porque as médias de tentativas e de aproveitamento dos outros pivôs da NBA não são grande coisa hoje em dia.

O legal dessa lista não é o ranking em si, isso é secundário, questionável, o legal mesmo é ver como ela mostra perfeitamente como cada jogador marca os seus pontos. O Chauncey Billups está muito bem em 10º lugar, mas com números bem ruins em pontos próximos à cesta e de meia distância, o armador do Knicks consegue seus pontos em bolas de três pontos e lances livres. Ele é um caso raro de jogador que mesmo sem ser uma grande ameaça nas infiltrações consegue cavar faltas com regularidade, resultado do seu bom jogo de costas pra cesta contra outros armadores e uma das melhores fintas em arremessos.

Outro caso interessante de analisar é o de Kobe Bryant, 13º da lista. A cada ano que passa ele tem menos pontos próximos à cesta (praticamente não fez um ponto em bandejas ou enterradas na série contra o Mavs) e cada vez mais tenta bolas de 3 pontos. Isso se chama frustração. Ele não tem mais o físico para costurar defesas fortes e precisa compensar com arremessos de longe. Kobe ainda é muito bom nos de meia distância e em seus dias mais inspirados pode decidir jogos com as bolas de longe, mas em geral, ao longo de toda a temporada, os seus chutes de longe são resultado de frustração por não conseguir arremessar dos lugares onde ele quer e de onde ele conseguia quando era um pouco mais jovem.

Abaixo a lista com os pontuadores menos eficientes entre todos os titulares da NBA:

Poxa, pessoal, não é só porque vocês são a nata defensiva da NBA que precisam ignorar o fato de que existe ataque no basquete! Mas tudo bem, em alguns casos não é nem culpa dos jogadores. Caras como Thabo Sefolosha, Luc Mbah a Moute e Keith Bogans são conscientemente excluídos do ataque de suas equipes e ficam com poucos pontos no ranking por tentar poucos arremessos ao longo dos jogos. Já Andrew Bogut paga o preço de tentar resolver sozinho e com jogadas individuais um dos ataques mais toscos da NBA, o do Bucks. O pivô australiano é bom, mas não é um gênio para carregar times ruins nas costas. Assim como ele precisou de um técnico especialista em defesa para virar um dos melhores bloqueadores da liga, precisa de alguém que desenhe boas jogadas para ele ser mais eficiente.

É triste ver Jason Kidd nessa lista, mas existe um bom motivo. Um dos princípios dessa lista era comparar o número de arremessos tentados em média por jogadores de cada posição, quem chutasse menos, na maioria dos casos, era punido por isso. Jason Kidd não só nunca foi muito de arremessar, prefere o passe, como também vive hoje uma era de armadores pontuadores. Não basta fazer poucos pontos, o armador do Mavs é comparado a Derrick Rose, Deron Williams, Russell Westbrook, Brandon Jennings, Tony Parker e outros que fazem 20 pontos em um jogo sem precisar suar muito a camisa. A lista tenta medir o quanto cada jogador é bom em fazer pontos, e nisso o Jason Kidd é realmente ruim, mas não quer dizer que ele não saiba compensar com muitas outras coisas.

A lista dos 10 melhores reservas tem Marcin Gortat (devo meu título do Fantasy do Bola Presa a esses números!), Corey Maggette (que tem números negativos em tudo, menos lances livres), Gary Neal, George Hill, Louis Williams, Hakim Warrick, Kyle Korver, Jason Terry, Thaddeus Young (o líder da liga em pontos próximos à cesta) e, para minha surpresa, Reggie Williams, discreto ala do Warriors.

Os piores reservas são liderados por um conhecido de quem acompanhou de perto a temporada do Lakers, Steve Blake. E tem além dele Earl Watson, Al-Farouq Aminu, Corey Brewer, Donte Greene, Vlad Radmanovic, Al Harrington, Rudy Fernandez, Joel Anthony e Brandan Haywood. Alguns nomes a gente desculpa, mas o que Vlad Radmanovic e Al Harrington tem a contribuir com um time de basquete se não sabem pontuar com eficiência?

Para as listas completas e divididas por posição, acesse a página do Golden State of Mind.
Agradeço a paciência de todos que não são tão fãs de números como eu. Os insatisfeitos podem continuar nos ajudando ao recomendar temas para posts nos comentários!

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Nowitzki deveria ser o único jogador do mundo a poder arremessar dessa posição

Essa é a segunda parte de um especial de estatísticas sobre diferentes tipos de arremesso e quem são os jogadores mais eficientes em cada um deles. Na parte 1 analisamos os arremessos próximos ao aro e os dividimos em enterradas, bandejas, tapinhas e ganchos. E agora na parte 2 vamos falar de arremessos de média distância e chutes de 3 pontos.

Como informado na primeira parte, todos os dados foram computados pelo pessoal do Golden State of Mind, blog gringo sobre o Golden State Warriors. Ele usou dados do HoopData e dos play-by-play das partidas da última temporada para elaborar a lista.

Comecemos com as bolas de 3 pontos. A conta usada pelo pessoal para elaborar a lista é confusa, mas com um bom propósito. Leva-se em conta quatro coisas: (1) o número de arremessos de 3 pontos tentados pelo jogador,  (2) o número de arremessos tentados por jogadores da mesma posição, (3) a comparação de aproveitamento do jogador em relação a outros da mesma posição, e (4) a média do jogador em comparação ao resto da liga em aproveitamento geral de arremessos, o eFG%.

Finalizando a parte chata de entender, o eFG% é o “Effective Field Goal Porcentage”, um número que tenta nivelar o nível de aproveitamento de arremessos entre os jogadores que arremessam mais de 3 pontos e os que chutam mais de 2. Explico: Um jogador finaliza um jogo com 4/10 arremessos sendo dois deles de 3 pontos, outro jogador acaba com 5/10 só em dois pontos, ambos fizeram 10 pontos em 10 arremessos e assim acabam com um eFG% de 50%. O importante é tentar entender que é uma lista que se esforçou para igualar as situações diferentes e as posições distintas que cada jogador atua e ver quem, no fim das contas, consegue ser mais eficiente nos arremessos de longe.

A primeira lista é a dos titulares, logo em seguida a dos melhores reservas. E não esqueçam, “PSAMS” é o número que define a lista, é o resultado da conta comentada acima.

Interessante ver que o Mike Bibby contando apenas os seus números no Atlanta Hawks acabou em 1º lugar, mas sabia que se contasse os números no tempo de Heat (não teve jogos o bastante para entrar na lista) ele também seria o líder? Isso faz a gente duvidar um pouco da conta, porque vimos que o Bibby jogou mal, mas na frieza dos números ele teve o melhor aproveitamento de três pontos na carreira na última temporada! 44% no geral, 45% só no tempo de Heat. Pode ter jogado mal em todas as outras áreas, errado os arremessos mais importantes, mas no geral fez o que foi pedido: acertou bolas de longa distância melhor do que ninguém.

O resto da lista surpreende pouco, Ray Allen e Chauncey Billups estão entre os melhores arremessadores da NBA faz tempo, não importa que conta tentem fazer para medir. Outros jogadores são reflexos e ao mesmo tempo responsáveis por equipes que na última temporada fizeram a festa da linha dos 3 pontos, como Spurs (com Richard Jefferson, Matt Bonner e Gary Neal) e Warriors (com Reggie Williams, Vlad Radmanovic e Steph Curry). Surpresa mesmo foi o Charlie Villanueva estar aí! Vai ver que de 3 ele acerta, erra quando tenta arremessos longos de 2 pontos com marcação dupla e ainda 20 segundos de posse de bola, sua marca registrada.

Quer saber quem são os piores de 3 pontos entre os titulares? Aí vai a surpresa:

Não surpreende ver vários caras que acertam menos bolas de 3 pontos do que você acerta papelzinho no lixo do escritório, caras como Gerald Henderson, Eric Bledsoe, Sonny Weems e o Tony Allen nem deveriam tentar esses arremessos. Mas que tal o arremessador menos eficiente ser o Joe Johnson? Por essa eu não esperava mesmo sabendo que ele vinha da pior porcentagem de acerto da sua carreira (27%), o que pegou pra ele foi acertar bem menos que o normal e continuar tentando como nos bons tempos em que acertava quase 40%. Aliás, ele teve um ano no Phoenix Suns em que fez 47% de suas tentativas!

Assim como JJ, outros nomes na lista estão aí porque esbanjam de prestígio em seus times. Os técnicos dão toda a liberdade do mundo para que Kobe Bryant, Dwyane Wade, Baron Davis e Tyreke Evans arremessem quando dá na telha. Não deveria ser assim, é verdade, mas também temos que lembrar que esses são os jogadores responsáveis por carregar o time nas costas nos jogos e momentos mais difíceis, algumas dessas bolas de 3 são no desespero, quando mais ninguém no time consegue chutar.

Os dois que não se encaixam nessa desculpa esfarrapada das estrelas é Travis Outlaw e Trevor Ariza, eles são coadjuvantes. O negócio é que o Ariza defende bem, sabe infiltrar, rouba bolas, puxa contra-ataque, pode ser eficiente mesmo (ou principalmente) sem as bolas de longe. Agora o que o Outlaw vai fazer da vida se decidir arremessar menos? Malabares na rua? De todos da lista de menos eficientes é o que menos pode ajudar em outras áreas. Veremos agora aos piores entre os reservas:

Existem nessa lista alguns bons arremessadores que pecam pelo exagero. É só ver a quantidade de arremessos a cada 100 posses de bola de Rudy Fernandez, CJ Miles e Leandrinho. A cada 10 posses de bola disputadas pelo espanhol ele chuta uma de três pontos! Se o Ray Allen não faz isso deveria ser proibido para outro jogador chegar a esse número.

Um dado curioso na divisão por posições. Entre os pivôs apenas Andrea Bargnani e Spencer Hawes tentam mais de 1 arremesso de 3 pontos a cada 100 posses de bola. O italiano lidera a lista de aproveitamento e o americano é o último. Para ver mais detalhes por posição e as listas completas dos 3 pontos é só clicar nesse link.

Passemos agora para os arremessos de meia distância, um arremesso que não deveria existir no seu time a não ser que você tenha Dirk Nowitzki no elenco. Ok, posso estar forçando a barra, mas veja que números impressionantes: A média de eFG% (expliquei acima!) da NBA é de 49,8%, é portanto a média de arremessos certos em geral (todos, desde bandejas até chutes com uma mão no meio da quadra) da liga como um todo. Mas de todos os 150 jogadores analisados pela pesquisa (atletas com mais de 40 jogos na temporada e mais de 25 minutos por jogo), apenas Dirk tem média superior a esses 50% nos arremessos de meia distância! O arremesso de meia distância é, no fim das contas, o pior tipo de arremesso da NBA.

Esse número assustador criou um impasse na hora de fazer a conta que define o ranking. Os jogadores que arremessam menos que a média de sua posição deveriam, portanto, serem beneficiados por isso? Afinal estão privando o time de um arremesso ruim. A solução encontrada pelo pessoal do Golden State of Mind foi fazer duas contas. Uma penaliza jogadores que tentam arremesso de meia distância, já que tirou a chance de um companheiro de time dar um chute melhor, a outra ignora esse fato e apenas compara o número do atleta com a média geral de acerto de arremessos de meia distância, 39%.

As listas abaixo são resultados de uma média entre os dois resultados. A primeira é com os melhores arremessadores de meia distância da NBA:

O Dirk Nowitzki não é só muito bom, ele está anos-luz à frente do segundo colocado, Al Horford. O alemão começou na NBA como um arremessador de três pontos, mas foi no arremesso de meia distância que ele achou o seu nicho. É praticamente o único especialista de verdade nesse tipo de arremesso e vimos nos últimos playoffs como é difícil defender o cara. O Elton Brand aparece em 3º e acredito que se fizessem essa lista uns 10 anos atrás ele poderia muito bem estar em primeiro, no seu auge ele tinha um arremesso quase germânico dessa distância.

Não surpreende ver na lista alas de força especialistas no pick-and-pop: David West, Kevin Garnett, Luis Scola e Brandon Bass, por exemplo. É uma jogada muito eficiente e que os times desses jogadores costumam usar em momentos decisivos das partidas, o aproveitamento deles mostra a razão. Temos também alguns especialistas em três pontos entre os melhores, como Steve Nash, Steph Curry, Ray Allen e Sasha Vujacic. Cada um tem seu motivo, mas o mais interessante parece ser o Ray Allen, que por causa da sua idade parece querer correr menos e fazer jogadas parecidas com a que sempre faz, usando os bloqueios dos companheiros, mas agora em um espaço reduzido. Corre menos, se desgasta menos e continua com alto aproveitamento.

Abaixo os piores em arremessos de meia distância:

Eu nunca vou ficar surpreso em uma lista que tem o Andray Blatche como o pior, seja ela qual for. O cara conseguiu uns números de destaque no ano passado, mas não passa em nenhuma prova de um número “avançado”. Faz pontos porque força demais a barra, mas não sabe usar sua habilidade direito: não tem inteligência, físico e muito menos arremesso de meia distância. Investir nesse cara é o pior negócio que o Wizards pode fazer. Melhor é continuar insistindo no John Wall que, infelizmente, também está entre os piores. Quando a fase é ruim…

Outro que aparece na lista é o DeMarcus Cousins, que no ano passado chamamos a atenção aqui no blog por estar arremessando demais de meia distância depois de se destacar no basquete universitário como jogador puro de garrafão, que conquistava os seus pontos na força, embaixo da cesta. Precisa não ter medo dos pivôs da NBA e buscar seus pontos lá dentro. Mesma coisa vale para jogadores bons de infiltração como Tyreke Evans e Trevor Ariza, eles não são pivôs mas conseguem seus pontos em infiltrações, têm arremessos muito pouco confiáveis de qualquer canto da quadra.

Talvez surpreenda na lista a presença do Russell Westbrook, que conquistou um bom arremesso de meia distância depois do seu tempo de seleção americana. Mas ele tenta tanto esse chute, em situações tão imbecis, que não surpreende que essa estatística o tenha punido. Ao contrário do resto da lista, Westbrook tem bom chute, só precisa forçar menos e arremessar em melhores situações.

Para mais detalhes das listas e o ranking por posições, acesse esse link. Que tal o LeBron James ter o melhor número entre os jogadores da posição 3? Se até em arremesso de meia distância ele consegue ficar na frente de Kevin Durant, Paul Pierce, Luol Deng, Carmelo Anthony e Rudy Gay, como o pessoal ainda vai ter coragem de dizer que ele nem é tão bom assim? Vamos torcer contra, mas admitindo que ele é fora de série. Há alguns anos esse era o defeito dele, hoje ele não só melhorou como está entre os principais da liga.

Na parte final da série, mais curta, analisaremos os melhores nos lances livres e comentaremos a lista que soma todos os tipos de arremessos para saber quem, no geral, foram os pontuadores mais eficientes e completos da NBA na última temporada.

>A vitória dos derrotados

>Como o Danilo disse no último post, eu estou viajando pela Via Láctea e por isso sem muito tempo para postar. Mas achei um dia livre (o último nesse mês) e resolvi aparecer para dar um pouco de atenção para o nosso filho semi-abandonado. O difícil era decidir o assunto! Falar do Mavs campeão, do LeBron James ainda com o mesmo número de anéis que o Cavs, da aposentadoria do Shaq, da contratação do Mike Brown (e do Ettore Messina) pelo Lakers ou, claro, o Draft e todas as trocas que aconteceram junto com a seleção da nova classe de pirralhos? Isso sem contar a discussão sobre a negociação do novo acordo financeiro entre jogadores e os donos de equipes, que devem render mesmo em uma greve. Ou seja, assunto demais para tempo de menos!

Decidi então tratar primeiro do resultado da Final, para encerrar de vez o assunto. Esse post é para comentar sobre a última vitória do Mavs, o que esse título representa para eles e para todos os envolvidos na conquista. Os outros temas podem ou precisam esperar. Falar do Shaq ou do Mike Brown é tão relevante agora como no meio de agosto quando não tivermos assunto e o Draft, assunto do momento, requer muito mais tempo do que eu tenho agora, então fica para Julho, quando eu estiver de volta na terra da coxinha, do feijão e do catupiry.

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Brian Cardinal campeão e de óculos escuros: deal with it

O Mavs foi campeão vencendo onde mais venceu em toda a temporada, fora de casa. A habilidade deles em jogar longe do seu ginásio foi essencial para garantir o terceiro lugar no Oeste durante a temporada regular e acabou sendo decisivo nos playoffs. O óbvio é justificar essas boas atuações enaltecendo a experiência do time, mas não é todo time de veteranos que brilha assim fora de casa, só lembrar do veterano Celtics de 2008 que foi campeão vencendo só dois jogos fora de Boston! Eu acho que tem mais a ver com a capacidade do time de se adaptar, de mudar de estratégia, quintetos e sistemas defensivos no meio de uma partida. O normal é um time jogar um jogo mais covarde quando está longe de seus domínios, apelando para jogadas de segurança e sobrecarregando as suas estrelas. Mas ao invés de mandar a bola no Dirk Nowitzki e esperar milagres (que ele era bem capaz de fazer!), eles conseguiam ler o jogo, ir mudando e achar uma solução, sem desespero, antes da partida acabar. Não é à toa que estiveram no lado certo de tantas reviravoltas e viradas nesses playoffs.

Os méritos para essa vitória tem de ser divididos entre muita gente e cada uma delas tem histórias legais para serem contadas, separamos alguns personagens para serem comentados.

Rick Carlisle

A NBA vive hoje o início de uma era onde os técnicos veteranos estão dando adeus: Pat Riley e Phil Jackson dizem que não voltam, Larry Brown quer voltar ao basquete universitário, Gregg Popovich anunciou que se aposenta junto com o Tim Duncan. Para substituí-los existe uma geração que chama a atenção por ser envolvida com o basquete de um jeito diferente, com menos ex-jogadores e mais estudiosos do basquete, caras viciados em táticas e estatísticas. O Carlisle está na liga faz um tempo, mas pode ser considerado do segundo grupo, é sem dúvida um dos que abriu as portas aos nerds brancos bitolados. Ele se destacou no Detroit Pistons no início dos anos 2000, mas saiu (para dar lugar ao calejado Larry Brown) logo antes deles conseguirem Rasheed Wallace e partirem rumo ao título. De lá ele foi para o Indiana Pacers, onde também se destacou (chegou a ter a melhor campanha da temporada regular) mas esbarrou no seu antigo time duas vezes: primeiro nos playoffs de 2004 e depois no “Malice at the Palace“, a antológica briga entre os jogadores de Pacers e Pistons que culminou em multas e suspensões que destruiu aquela ótima geração do time de Indiana.

A imagem que o Carlisle deixou depois disso tudo foi que ele manja muito de basquete, sabe de todas as estratégias, táticas e lê o jogo como poucos, mas que na hora de lidar com as pessoas, com os egos e com a motivação ele não sabia o que fazer. Seria como mandar o PVC treinar a seleção brasileira: ele saberia todos os detalhes do adversário e faria a leitura do jogo em dois minutos, mas o que vale isso se ele não souber como conversar com Neymar ou como motivar o Alexandre Pato? Ser técnico envolve muitos talentos e o Carlisle parecia não ter todos.

Eu acho que essa imagem do Carilsle, se não 100% correta, é pelo menos 70% e dá pra passar de ano. É raro vermos ele dando discurso emocional como aqueles do Doc Rivers, gritando até ser obedecido como o Stan Van Gundy ou mesmo fazendo aqueles joguinhos para mexer com o brio dos jogadores que o Phil Jackson se especializou em fazer. Mas aí é que o elenco experiente fez a diferença, o Nowitzki não precisa assistir “Gladiador” antes de começar os jogos pra se motivar, o Jason Kidd já entendeu faz tempo que ele não é a estrela e não fica pedindo atenção ou criando briguinha, o Tyson Chandler não é mais o pivete descontrolado dos tempos de Chicago Bulls. É uma equipe de jogadores controlados, que sabem seu papel e que só precisavam de alguém que entendesse de basquete para dar as ordens. O técnico deu as ordens, treinou, inovou (como a defesa por zona, usada à exaustão na temporada regular) e os jogadores aprenderam rápido, sabiam como se adaptar no meio do jogo e confiaram na nerdice do seu treinador. Combinação perfeita. Repito o que sempre disse nas discussões sobre Deron Williams x Chris Paul: a questão não é quem melhor, mas qual dos dois, com seus estilos distintos, é ideal para cada time, técnico e esquema tático. Então não é que um treinador que motiva é coisa do passado e os bitolados táticos os do futuro, para o Celtics funciona o Doc Rivers, para o Mavs funciona o Rick Carlisle.

Mark Cuban

Muita (MUITA, em Caps Lock mesmo) gente odeia o Mark Cuban, mas eu não sou uma delas. Aliás, muito pelo contrário, eu acho ele o dono de time mais legal da NBA. Poderia gastar um post (ou um livro) só de entrevistas polêmicas, desastradas ou de declarações e provocações idiotas (e dispensáveis, fato) dele, mas não sou inocente a ponto de achar que vivemos em um mundo onde as pessoas não falam asneiras. Eu falo, você fala e o Mark Cuban fala. Aliás, fica uma lição para a vida: Nada é imperdoável, todo mundo fala e faz bobagens trocentas vezes na vida e na grande maioria das vezes é sem perceber. Somos todos imbecis e por isso odiar alguém por ser imbecil é, surpresa, uma imbecilidade.

Atrás de todas as atitudes questionáveis do Mark Cuban está um cara que ficou bilionário no mundo da informática e resolveu investir parte dessa grana para comprar o seu próprio time de basquete. Ao contrário de muitos donos por aí, ele não fez isso porque parecia um bom negócio ou para levar os clientes dele para reuniões na sala VIP do ginásio, mas porque ele é perdidamente apaixonado por basquete. Todas as bobagens que ele fala são completamente perdoáveis quando o vemos vestindo uma camiseta do Nowitzki e pulando atrás do banco, o Mark Cuban é só mais um fã de basquete como nós mas que calhou de ter alguns bilhões de dólares sobrando na carteira, e que fã não sai xingando juízes sem motivo depois de uma derrota? Tá, ele também gosta de aparecer e ser o centro das atenções, mas se formos começar a criticar pessoas com a mesma característica nesse mundo do esporte a gente vai acabar gostando só do John Stockton e mais ninguém.

O Mark Cuban tem tanto dinheiro e gosta tanto do seu time que é um dos poucos donos de time que nunca teve medo de gastar. O Mavs tinha acabado de investir uma grana preta na renovação de contrato do Brendan Haywood antes da temporada começar quando surgiu a oportunidade de conseguir o Tyson Chandler sem precisar mandar ninguém relevante em troca. A folha de salário ficaria inchada e isso significaria que o dinheiro investido no Haywood seria para ele esquentar banco, mas Cuban não ligou, como sempre, em pagar multas e mandou fechar o negócio. O sonho do Cuban era ser campeão e ele gastou demais para isso sempre, nunca aceitando ter um time fraco em mãos. Muito dono de time por aí começaria a cortar gastos depois do primeiro conto do vigário (ver DAMPIER, Erick) contratado a peso de ouro para não fazer nada. Cuban, teimoso/persistente, dá uma nova cartada por temporada e dessa vez deu certo.

Mas o mais legal dessa insistência e paixão do Mark Cuban é que ela foi recompensada bem na temporada onde ele admitiu os seus erros. O Dirk Nowitzki deu uma entrevista dizendo que preferia que o seu chefe não desse nenhuma declaração polêmica (o jeito educado de dizer “estúpida”) durante os playoffs e foi plenamente atendido; Cuban permaneceu toda a pós-temporada calado e ganhou de brinde o título que tanto sonhou. O cara pode ser mala, mas eu gosto de ver o título indo para um cara que realmente se importa e se diverte com o time que tem.

Dirk Nowitzki

Na minha cabeça o Dirk já estava naquela lista de jogadores que eu teria que defender e justificar a carreira sem títulos até o fim da vida. Em 2047 quando fossem fazer uma lista dos melhores jogadores nos 100 anos de história da NBA eu estaria lá, velho gagá, para defender a inclusão do alemão mesmo que ele tenha passado a carreira em branco. Isso, claro, depois de dar um piti contra a existência de mais uma chata lista de quem é melhor.

Mas não é que no fim tudo deu certo e ele venceu? A ficha ainda não caiu pra mim. Eu sempre torço para os meus jogadores favoritos vencerem, mas torço em dobro quando eles tem uma reputação manchada pelos motivos errados. Se alguém não gosta do Ron Artest pelo seu comportamento, beleza, eu não acho que seja motivo para odiar mas realmente ele já fez coisas condenáveis. Agora, o Dirk tinha fama de amarelão! Isso era injustiça demais contra um dos jogadores mais legais (e decisivos!) que eu já vi jogar. E não é que ele foi campeão em um time fora de série que venceu todo mundo por 20 pontos de vantagem, foi em um time que tinha limitações no ataque e que realizou viradas heróicas no quarto período sempre lideradas por ele.

Continuo achando que grandes jogadores continuam sendo grandes jogadores mesmo quando não ganham títulos (é preciso ter sorte de estar no lugar certo e na hora certa no fim das contas), mas é bem legal quando esses caras conseguem o que tanto buscam.

Isso vale também para outros grandes jogadores que volta e meia recebiam a patética crítica do “foram bons mas nunca ganharam nada” como Jason Kidd, Shawn Marion e Peja Stojakovic. Mas vamos ser sinceros, se é pra medir qualidade individual por resultado de equipe o que vale mais para medir o talento do Kidd, ser campeão com esse Dallas ou levar um time que tinha Kerry Kittles, Keith Van Horn e Jason Collins de titulares (!!!) à final da NBA? Aquilo já deixava o nome dele na história, mas é bom que ele tenha ganhado um anel para os perturbados que pensam que vão-se os dedos e ficam os anéis. A atuação do Shawn Marion marcando Kobe Bryant, Kevin Durant e LeBron James em sequência também faz jus ao seu talento defensivo sempre esquecido e desvalorizado nos tempos de Phoenix Suns.

A franquia

Perceberam um padrão nessas histórias? O Carlisle era o técnico que nunca ia vencer porque não sabia lidar com os jogadores, o Dirk era amarelão, Kidd, Marion e outros tinham passado do seu auge, Mark Cuban estragava tudo com sua boca maior que o Shawn Bradley. Era um bando de derrotados jogando por uma franquia que parecia destinada a ficar sempre no quase. Quando me perguntaram no começo da temporada se o Dallas tinha chance de ser campeão eu disse o que digo todo ano: Elenco para isso eles tem, mas é assim nos últimos 10 anos e nunca deu em nada. Era chato responder o que faltava para o Mavs ser campeão porque eles tinham tudo, o que faltava era simplesmente ir lá e vencer. Soa idiota mas era justamente isso. Meio como um São Caetano da vida, parecia que a NBA tinha uma (argh!) mística que não permitia que fosse só qualquer time investir, contratar e vencer; tinha que ter camisa, tradição e o Mavs não tinha isso.

Esse título, portanto, coloca o Mavs na lista de times respeitados na liga. Quer dizer, respeitado pelos mesmos que não valorizavam o Dirk Nowitzki até um mês atrás, os que não são obcecados por títulos já percebiam a força da franquia quando eles completaram 10 temporadas seguidas com 50 vitórias ou mais. A maioria dos recordes dos últimos 10 anos é do Lakers, Spurs e Mavs e finalmente agora todos eles tem títulos.

O que é curioso é que esse título não veio no ano em que o time mais empolgou. Eles davam mais esperança quando eram o melhor ataque da liga, quando ainda tinham Steve Nash e Michael Finley, quando foram para a final em 2006 ou quando venceram 67 jogos em 2007. Nesse ano foi bem diferente, tiveram uma temporada boa-mas-não-espetacular e ainda causaram muitas dúvidas quando perderam o Caron Butler no meio da temporada por contusão e não fizeram nada para repor a perda. O Butler era o desafogo do Dirk no ataque do Mavs e eu realmente achei que eles não tinham chances nos playoffs sem alguém para o seu lugar, imaginei que fosse acontecer com eles o que aconteceu com o Bulls. O time de Chicago só tinha o Derrick Rose no ataque e quando ele foi anulado pelo LeBron James o ataque morreu, minha teoria era que em algum momento dos playoffs o Nowitzki fosse ser bem marcado e o Mavs não conseguiria mais pontuar, eu não contava com tanta evolução nas trocas de passes, os arremessos cada vez mais precisos do Kidd e muito menos o Shawn Marion criando o próprio arremesso e o JJ Barea costurando algumas das melhores defesas da NBA. Não houve um problema nessa temporada para o qual o Mavs não soube se mexer e se adaptar.

Legado?

Em um dia otimista daria para dizer que esse time deixaria um legado. Que ensinou, como disse o dono do Cavs Dan Gilbert após o jogo final, que “não existem atalhos para a vitória“, que ela aparece na persistência. Ou poderia ter ensinado o valor do trabalho em equipe em contraste com o jogo individualista e baseado em estrelas do Miami Heat, seu adversário na final. Mas não é bem assim. Primeiro porque essa história do Heat ser vilão e não jogar como equipe é meio balela que não faz mais sentido desde janeiro, depois porque nenhum time deixa legado, a gente tem memória curta quando o assunto é esporte. Em 2004, que nem tá tão longe assim, o Lakers montou não um Big 3, mas um Fab Four, com Kobe Bryant, Shaquille O’Neal, Karl Malone e Gary Payton. E o que aconteceu? Eles não dominaram a temporada regular como previsto, mas brilharam nos playoffs até chegar na final, onde perderam para um time que os venceu em um jogo eficiente e coletivo. Roteiro mais repetido só se o Dirk usasse o afro do Ben Wallace e a história passasse na Sessão da Tarde.

E mesmo com essa história recente ainda teve gente com certeza de que o Heat ia brilhar desde o começo, citando o exemplo do Celtics de 2008 ao invés do Lakers de 2004, e outros pensando que a vitória do Mavs vai fazer os times da NBA focarem mais na criação de boas equipes do que em colecionar estrelas. O negócio é simples, quem tem chance de ter LeBron James, Dwyane Wade e Chris Bosh ou equivalentes no mesmo time não vai perder a oportunidade de juntar todos. E quem não tem não vai admitir derrota e vai buscar uma solução com outros jogadores. Algumas vezes um lado ganha, outras vezes o outro lado ganha. Para surpresa geral de todos não existe só uma fórmula para se ganhar um título, não tem só um jeito de jogar basquete, não tem mais bobo no futebol e o céu é azul.

Esse título do Mavs deu uma confirmação histórica a muita gente que já fazia por merecer, fez muita gente feliz por ver o Miami Heat perdendo, mas não vai mudar os rumos do basquete e não há uma franquia sequer que não sonhe em ter um Big 3 para chamar de seu.

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Pelo o que eu sei o Danilo está com um projeto de post sobre o lado dos perdedores, divagando sobre o Heat e o que essa derrota significa para LeBron James e cia. E quando eu voltar para o Brasil começo a trabalhar em tudo o que comentei no começo do texto, certo? Até lá aproveitem o Bola Presa como se ele tivesse sido feito no Geocities nos anos 90. Coisa das boas.

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