Podcast Bola Presa – Edição 36

Podcast Bola Presa – Edição 36

Bem amigos do Bola Presa, mais um podcast no ar!

Nessa edição pós-final da NBA falamos da… FINAL DA NBA! Por essas vocês não esperavam. Ao longo dessa 1h15 de programa discutimos o desfecho da decisão e comentamos sobre os dilemas táticos do Cleveland Cavaliers, sobre as qualidades e defeitos de Timofey Mozgov, sobre a genialidade de LeBron James e, claro, da espetacular temporada do Golden State Warriors, que tiveram o defecho perfeito após um ano impecável.

Aproveitamos também para falar do futuro das duas franquias: rola uma dinastia para o Warriors? Como o Cavs resolve seus problemas no elenco e as questões dos Free Agents? Tudo devidamente comentado.

[Resumo da Rodada] A temporada perfeita

A tentação agora é começar a falar de tudo o que o Golden State Warriors fez de perfeito nessa temporada: recordes, melhor defesa, segundo melhor ataque, MVP, jogadores entre os líderes nas votações de melhor defensor, reserva e tudo mais. Foi a temporada dos sonhos! E falaremos disso tudo, mas antes um pouco sobre o jogo que eles precisaram ganhar para garantir a consagração da temporada perfeita.

No começo parecia que seria um daqueles jogos-lavada que encerram séries, tipo o Chicago Bulls massacrando o Milwaukee Bucks na primeira rodada deste ano ou a final de 2012 entre Miami Heat e OKC Thunder, talvez ainda o Jogo 6 entre Boston Celtics e LA Lakers em 2008. O Warriors começou o jogo confiante, metendo bolas de 3 pontos e se divertindo com as dúzias de turnovers que o Cavs insistia em cometer. Tentando jogar lento como sempre, o Cavs se embananou no ataque, sofreu com as dobras esporádicas de marcação do Warriors e cometeu 3 violações de 24 segundos só no primeiro quarto. Por muito pouco já não sofreram o PLACAR DA MORTE do Warriors, ficaram atrás só por 13 pontos, não 15.

[Resumo da Rodada] Enfim o duelo

O Jogo 4 dessas finais foi o jogo da teimosia: Steve Kerr insistiu com Andre Iguodala no time titular, David Blatt insistiu com Timofey Mozgov tomando conta do aro. Sem que nenhum dos dois abrisse mão de sua estratégia, o Warriors querendo correr e o Cavs querendo dominar o garrafão, o resultado foi um Warriors ligeiramente mais confortável – e a gente sabe o que acontece quando a equipe de Steve Kerr fica confortável, né: vitória.

O Cavs saiu de quadra consciente de que precisava diminuir ainda mais o ritmo, algo que Mozgov não permite porque seu retorno para a defesa causa passes para Iguodola nas suas costas. Além disso, dobrar a marcação no Curry mostrou que o Warriors pode até cometer mais erros com a tática, mas isso acelera o jogo de uma maneira que deixaria o grande colisor de hádrons orgulhoso.

Foi estranho ver então que o Jogo 5 começou EXATAMENTE como o jogo anterior: Iguodala e Mozgov titulares, um jogo medonhamente feio e amarrado, uma tonelada de erros, 3 minutos sem ninguém abrir o placar, e de repente uma sequência de pontos do Warriors surgida em contra-ataques rápidos e transições ofensivas nas costas dos jogadores de garrafão adversários. Se as coisas continuassem naquele ritmo, não precisaríamos chegar ao fim do jogo, bastaria passar uma reprise da partida anterior e pronto. Levou só mais um par de minutos para o David Blatt sentar Mozgov no banco e não vermos mais sinal do gigante russo. Para conseguir resultados diferentes, é preciso fazer coisas diferentes.

[Resumo da Rodada] Uma questão de ritmo

Mesmo com duas vitórias seguidas do Cavs, liderando a série e podendo na noite de ontem abrir um 3 a 1 que NUNCA sofreu virada na história das Finais da NBA, o discurso padrão é que o Warriors é o melhor time – basta que “joguem aquilo que sabem” para que sejam campeões da NBA. Ainda que a afirmação seja verdadeira, ela camufla a questão principal da série: o Cavs não deixa ninguém do planeta jogar aquilo que sabe, e é aí que reside a chave do título dessa temporada. O Warriors pode perder o troféu mesmo sabendo jogar mais basquete e voltar pra casa com o título moral que não enche barriga de ninguém. O mérito do Cavs é justamente tirar qualquer equipe de seu plano de jogo, de seu basquete eficiente.

Por isso foi tão legal ver Steve Kerr afirmar na entrevista coletiva que o Warriors é a melhor equipe, que basta manter o mesmo estilo de jogo do restante da temporada, que os jogadores só precisam insistir no modelo, que o quinteto titular continuaria sempre o mesmo, e aí começar o Jogo 4 com uma série de ajustes que transformaram a partida e, consequentemente, a série inteira. Não basta saber jogar, é preciso fazer os ajustes para que o basquete que você sabe fazer possa ocorrer em quadra – o jeito mais prático é dar spray de pimenta para a torcida impedir o Cavs de entrar em quadra, claro, mas essa abordagem é um pouco mais polêmica.

[Resumo da Rodada] Dellavedova entra na cabeça de todo mundo

O mais legal da Final da NBA não é o basquete pelo seu talento em estado puro, raramente os melhores jogos estão nessa fase, mas pelas emoções a flor da pele. Lembra que no último post eu tinha citado o pessoal tirando conclusões como doidos no Twitter? Ontem foi pior. Pessoas que estão no conforto do seu lar e sem necessariamente ter um time do coração em quadra PERDEM A CABEÇA durante a decisão. É tanta coisa em jogo, tanta jogada que pode mudar tudo, que toda a calma, imparcialidade e análise profunda vai para o ralo. Nem Kobe escapou ontem e vomitou uns clichês online.

Digo tudo isso para partir para o outro lado: se nós aqui estamos enlouquecendo com o peso de uma decisão, só imagina o turbilhão que se passa na cabeça de jogadores, árbitros e técnicos que estão lá de verdade decidindo os jogos! Se não me engano, uma vez foi o Guga que disse que em uma final de Roland Garros os seus pensamentos iam de “vou atropelar, esse título é meu” a “sou muito ruim, não tenho chance” em poucos segundos. Os esportistas vivem para esses momentos e não é de se espantar que o psicológico pese mais em situações assim do que em qualquer outro momento da temporada.

O Jogo 3 dessa final entre Cleveland Cavaliers e Golden State Warriors teve, a meu ver, um enorme fator psicológico decidindo o resultado, ele só demorou alguns quartos para aparecer. Mesmo com uma torcida barulhenta e enfurecida contra, o Warriors fez um bom primeiro quarto e soube controlar o ímpeto de LeBron James, que atacou com tudo nas primeiras posses de bola querendo marcar seu território. A abordagem tática pensada por Steve Kerr apresentou alguns ajustes que melhoraram muito a movimentação de bola da equipe.

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