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Da série “acho que fiz caca”

Alguns times têm que decidir o que fazer com o Kwame Brown, outros o que fazer com o Eddy Curry. Portanto, decidir o que fazer com o Jermaine O’Neal é um luxo para poucos, mesmo que ele seja um problema em muitos aspectos e, às vezes, mais atrapalhe do que ajude.

Das 43 partidas do Raptors na temporada até agora, Jermaine jogou apenas 29, isso contando os jogos em que passou meia dúzia de minutos em quadra antes de sair mancando. É impossível contar com ele, montar um esquema consistente, depender de sua presença. Suas lesões têm destruído sua promissora carreira desde os tempos no Pacers, que eventualmente foi obrigado a decidir o que fazer com o rapaz. O pessoal de Indiana tinha em mãos um All-Star, um jogador técnico e dominante capaz de liderar um time para granfes feitos, mas como lidar com seu salário de mais de 20 milhões de dólares quando ele mal entrava em quadra? Sua ausência, aliada a terríveis decisões do pessoal engravatado, levaram o Pacers a feder – e muito. Jermaine pediu para ser mandado para um lugar onde pudesse ser aproveitado, onde pudesse fazer a diferença. Sua saúde dava sinais de melhoras no final da temporada e a produção em quadra parecia razão para esperança. Rapidamente, foi parar em Toronto numa troca que aparentava envolver duas estrelas potenciais em Jermaine e TJ Ford. Agora, olhando com mais calma, parece que as duas equipes simplesmente queriam se livrar o mais depressa possível da bomba que tinham em mãos, estrelas cujas contusões tornaram-nos um fardo grande demais para suas equipes.

É aquela velha história da galinha do vizinho ser sempre melhor do que a nossa, principalmente se a galinha do nosso vizinho é uma de raça, tipo a Mari Alexandre. O TJ Ford parece um excelente armador, jovem, veloz, reboteiro, joga demais, mas quem conhece de perto sabe todos os podres. O TJ é frágil, teve lesões graves na coluna, ameaçou se aposentar do esporte depois que médicos alertaram que ele quase ficara aleijado após uma queda feia. Além disso, é agressivo demais no ataque, o que compromete tanto sua condição física quanto a capacidade de controlar o ritmo da equipe, sabendo quando atacar a cesta e quando passar a bola. Os times de TJ Ford são muitas vezes obrigados a ficar parados, assistindo o nanico correr de um lado para o outro da quadra sozinho.

O Pacers queria se livrar do contrato exagerado do Jermaine O’Neal e de sua presença que não permitia que o time fosse bem – já que ele estava sempre machucado – nem que fosse absolutamente mal, porque acabava sempre dando uma força. Para se renovar e colocar o controle em novas mãos, mais jovens, é necessário ter a coragem de feder um pouco, por uns tempos, e às vezes se livrar dos jogadores que impedem esse processo natural e obrigatório. Dois times querendo se livrar de dois estorvos que pareciam ser bastante apetitosos aos olhos alheios: um casamento perfeito que só poderia ter como resultado final dois times insatisfeitos. Afinal, casamento em que as duas partes estão satisfeitas, só naqueles casamentos arranjados em que uma russa quer nacionalidade americana, e um americano rico quer comer uma russa. Fora isso, a gente sabe que vai dar merda.

O TJ Ford jogou 34 dos 41 jogos do Pacers até agora. Ou seja, sofreu novamente com contusões. O time está fedendo como nunca e está lá no fundo da tabela do Leste. E, pra ser bem sincero, às vezes parece que o Pacers joga até melhor sem ele, com a bola mais nas mãos do Danny Granger e mais oportunidades para Marquis Daniels (por quem tenho um estranho Complexo de Drew Barrymore desde os tempos dele no Mavs) e para Jarret Jack.

Com o Jermaine, a história é mais complicada. Quando está em quadra, não há dúvidas de que torne o Raptors um time melhor. O problema é que talvez ele não melhore o time o suficiente. A situação acaba lembrando mais ou menos a do próprio Pacers, quando decidiu trocar sua estrela para dar espaço para o “Granny Danger”: o Raptors não fede nem cheira, não está dando certo, muito provavelmente ficará fora dos playoffs, mas não estará entre os piores times. Não há chances mínimas de título e nem planos de tacar tudo no lixo e começar de novo, o que acaba deixando o time inteiro no limbo, sem saber para onde correr. Jermaine não resolve todos os problemas do Raptors, mas resolve alguns. Ele tem seus dias de estrela, mas em geral está no banco vestindo um terninho – que aliás não combina em nada com sua eterna cara de bebê.

Creio que o Raptors não está em condições de aceitar soluções pela metade. A crença de que o time estava apenas a uma peça de alcançar grandes feitos no Leste ainda permanece, embora eu ache ela tão pertinente quanto achar que a Terra está flutuando em cima de uma tartaruiga espacial. Então, se o Jermaine não é a peça que faltava, existem duas opções: trocá-lo imediatamente pela peça que falta, pois a data limite para trocas termina em 19 de fevereiro, ou então mantê-lo e esperar seu contrato terminar para liberar espaço na folha salarial para a lendária temporada de 2010 (LeBron, Wade, Bosh, dizem que talvez até Jesus Cristo e Buda).

Como antigo fã de Jermaine O’Neal que se achou velho quando ele parecia não ser mais capaz de ficar em pé, confesso que fiquei surpreso com seu rendimento em Toronto. Sua defesa continua impecável, embora os arremessos não tenham conseguido voltar ao velho ritmo e seu corpo não aguente mais o jogo físico de trombada que ele, com muito custo, havia desenvolvido em Indiana. Agora, é um jogador que pode ao menos contribuir sempre que consegue levantar da cama, e acho que ainda há espaço para ele na NBA se a natureza deixar. Ainda assim, concordo que o melhor a fazer é deixar Jermaine ir embora, por troca ou fim de contrato. Não que outra peça venha suprir aquilo que ele não conseguiu, é apenas que o Raptors também tem um Danny Granger que precisa de espaço para se desenvolver. Trata-se de uma versão com nome de garota e hábitos alimentares de uma Tartaruga Ninja: Andrea Bargnani.

Quando o Jermaine está desmontado como se fosse feito de Lego, o Bargnani é titular e tem médias excelentes de 17 pontos, 6 rebotes, 1.3 tocos e acerta 45% dos seus arremessos de três pontos. Jogar com o Bosh permite a “tática Rashard Lewis” de obrigar o defensor adversário a sair do garrafão e acertar arremessos de fora se ele não o fizer. Quando Jermaine joga, Bargnani joga em outras funções, passa menos minutos em quadra, e com isso faz apenas 8 pontos, pega 3 rebotes e acerta somente 34% dos arremessos de fora. A diferença é grande demais e é hora do conterrâneo do Super Mario ganhar confiança. Pra mim, todo time que não parece ir a lugar nenhum deveria começar a pensar em suas futuras estrelas, e o Raptors deveria estar distribuindo minutos para o Bargnani, para o Ukic (o armador que volta e meia tanto me impressiona) e para qualquer urso ou guarda florestal que parecer promissor lá no Canadá. Até porque eu duvido muito que o Chris Bosh continue por lá quando seu contrato se encerrar.

Pelo que parece, o pivô perdeu a paciência com a equipe. Na última partida contra o Hawks, surtou por completo com os erros de seu coleguinha Jamario Moon (que merecia respeito ao menos pela sua força nominal). Com o Raptors na frente e 90 segundos para o final, Moon deixou Joe Johnson livre para uma bandeja em que sofreu falta, diminuindo a diferença para um ponto. Com 55 segundos para o final, caiu na “tática Billups” de “eu vou fingir que arremesso pra ver se você é imbecil e vai pular no meu cangote” usada pelo Mike Bibby e cometeu uma falta, que resultou em dois lances livres e o Hawks liderando por um ponto. Em seguida, com 36 segundos para o final, deu um arremesso idiota de três pontos precipitado e bem, bem errado, que terminou de vez com o jogo. O Bosh arrancou os cabelos e, assim que a partida terminou, criticou o Moon abertamente, tanto pelas falhas defensivas quanto pelo arremesso desnecessário. Acrescentou que a mentalidade do time está errada, que no final dos jogos eles fazem tudo equivocado, e que não dá pra vencer assim.

Desconfio que, com essa equipe, o Bosh não queira ficar em Toronto. Como o contrato do Jermaine acaba potencialmente junto com o do Bosh, talvez acabe sendo tarde demais para usar a grana para contratar alguém de peso e convencer o pivô com pescoço de dinossauro a ficar. A lógica, portanto, se os engravatados estiverem dispostos a manter sua maior estrela, seria trocar Jermaine imediatamente – por alguém que, preferencialmente, não comprometa os minutos do Bargnani.

Os Nelsons Rubens do mundo da NBA falam constantemente de uma troca de Jermaine por Shawn Marion. Esse é um dos meus boatos preferidos, só perdendo para aquele que diz que a Maísa é na verdade uma anã e tem mais de 40 anos. Para o Raptors, essa troca traria uma defesa mais do que necessária, uma ajuda nas bolas de três pontos, daria uma força nos rebotes e permitiria que o Bargnani fosse titular ao lado do Marion. Além disso, o Jamario Moon iria para o banco de reservas, lugar a que ele pertence, já que contribui e muito para uma equipe mas jogar os minutos decisivos já é demais. Para o Heat, a troca traria tamanho – simples assim. Assistir Houston e Miami foi hilário, porque o Yao Ming podia fazer o que quisesse, incluindo pegar rebotes ofensivos no meio de 4 defensores enquanto dançava a macarena, e acabou o jogo com 12 arremessos convertidos em 12 tentados. Com Jermaine O’Neal, o Heat não teria que usar como titular o pivô Joel “Quem diabos?” Anthony, e o novato Beasley receberia muito mais minutos – coisa que ele está precisando urgentemente para pegar o jeito da brincadeira.

Por que essa troca não seria feita? Bem, provavelmente porque o Heat não é otário de pegar um jogador que tenha que entrar em quadra de cadeira de rodas. Antes de mais nada, é preciso que o Jermaine prove que pode jogar, que está saudável, e isso é como pedir para que o Clippers não tenha ninguém contundido no elenco. No entanto, há sempre uma possibilidade. Como acho que a temporada do Raptors já era, a prioridade deve ser mostrar que o Jermaine ainda dá pro gasto e forçar uma troca. Se não for pelo Marion, será por qualquer outra coisa que convença o Bosh a ter um pouco de fé, nem que seja uma troca por uma cinta pra dar na bunda do Jamario Moon. Mas nesse mundo de casamentos que são perfeitos porque dão errado, fico torcendo para ver o Marion no Raptors. Seria uma combinação ideal, ainda que – pode apostar – o time de Toronto não vá chegar a lugar algum do mesmo jeito.

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Joe Johnson é mala


E não é que o Atlanta Hawks é um time de verdade?
Estava esperando o jogo chave contra o Celtics para ter uma opinião mais bem formada sobre o Atlanta Hawks e apesar da derrota eles definitivamente ganharam muitos pontos comigo e com qualquer um que os viu jogar nessa temporada. Estão parecendo um time de verdade que vamos ver dando dor de cabeça pra muita gente nos playoffs.
Fazer julgamentos assim no começo da temporada é sempre perigoso, mas quem disse que a vida de blogueiro palpiteiro é fácil? Tem que se arriscar. Por exemplo, no ano passado vimos o Portland Trail Blazers ter um começo de temporada ótimo, 13 vitórias seguidas no meio do campeonato e depois vimos eles caírem na realidade de que eles não eram um time pronto para os playoffs.
Com o Hawks pode acontecer a mesma coisa, mas pelo jeito que eles estão jogando eu não acredito nisso. Meu embasamento vem de uma teoria que eu tenho de que ataques não são confiáveis mas que defesas são. Explico: todo mundo tem sua boa fase no ataque, volta e meia algum jogador bizarro tem uma sequência de 5 ou 6 jogos com pontuações fora do comum ou jogadores medianos tem uma temporada de boas marcas em pontos, isso acontece. No ano passado vimos um bom exemplo disso quando o Damien Wilkins começou a temporada fazendo quase 20 pontos por jogo e depois voltou ao normal, alguns anos atrás tivemos o Mike James com uns 19, 20 por partida e hoje ele se mata pra fazer meia dúzia no Hornets.
Como time temos o caso do Bulls. Em um ano eles eram uma máquina de arremessos certos, Hinrich, Deng e Gordon fizeram 4 a 0 no então campeão Miami Heat e eram o time do futuro. Aí todo mundo se deu conta de que não precisavam marcar o garrafão deles e era só contestar os arremessos e atacar as linhas de passe e já era o Bulls, nem para os playoffs foram.
Em resumo: jogadores medianos conseguem boas marcas ofensivas de vez em quando e times limitados conseguem, muitas vezes pelo elemento surpresa, marcar muitos pontos. Mas quando estes ficam conhecidos, perdem seu poder.
Enquanto isso, quem sabe defender sabe defender e pronto. Arremessadores costumam ter seus dias bons e ruins, defensores não têm esses problemas, quem defende bem, defende bem sempre e quem defende mal tá sempre tomando vareio (e aí Nash, beleza?). Por isso, times que defendem bem estão sempre com boas atuações defensivas, que muitas vezes salvam o time em dias ruins do ataque.
E o Hawks nesses primeiros jogos foi um ótimo time defensivo. Eles obviamente sentem falta do melhor jogador defensivo do time, o Josh Smith, mas eles aprenderam a não viver só dos tocos do Josh, eles defendem como um time, contestam arremessos e pressionam bastante os armadores adversários. O problema principal da equipe está apenas nos rebotes, já que é o time que mais sofre com rebotes ofensivos dos adversários (13,6 por jogo!) mas o número deve baixar com o passar dos jogos e com a volta do Josh.
O técnico do time, Mike Woodson, atribui essa melhora defensiva do time à série de playoff do ano passado contra o Boston, quando o Hawks levou o Celtics a 7 partidas.
Eles sabiam, depois daqueles dois primeiros jogos em Boston, que era daquele jeito que o jogo deveria ser jogado. E então viemos para casa e jogamos do jeito que eles jogaram contra a gente. Foi uma ótima bagagem que trouxemos para esse ano porque eles sabem que foi a defesa que deu ao Boston a vitória e a única chance que nós temos é se defendermos e pegarmos os rebotes também.
As palavras dele dizem quase tudo, o Joe Johnson completou com algo também importante:
Nós acreditamos na gente. Acho que aquela série contra o Boston realmente nos deu confiança. Nós olhamos todos os jogos com olhos diferentes agora. Estamos mais focados, mais intensos, mais em sintonia com o que está acontecendo à nossa volta.
A fórmula é simples: confiança no jogo + vontade de defender + aprender a defender é = a um time competitivo. Para completar a mistureba, faltava um ataque mais confiável. Afinal, no ano passado as opções de pontuação já eram poucas e nesse ano eles perderam Salim Stoudemire e Josh Childress.
A solução dos problemas começou com os próprios jogadores. O Bibby está parecendo mais o jogador que era nos tempos de Kings e está jogando muito bem no setor ofensivo, seja como organizador ou como pontuador, o Joe Johnson é hoje um dos melhores jogadores da NBA na posição 2, talvez atrás apenas de Kobe e Wade. E o Horford tem tido seus dias bons ofensivamente, ele ainda pode fazer 25 ou 5 pontos em um jogo, mas só por ter um topo de 25 já é uma melhora em relação ao ano passado.
Mas a grande mudança veio do banco de reservas. No ano passado o único impacto que o Hawks tinha do banco era o Josh Childress, que é um puta jogador, mas que nunca foi grande pela sua pontuação. Hoje, em compensação, eles têm o Mo Evans e o Flip Murray.
O Flip Murray não sabe jogar basquete, sabe fazer pontos. Simples assim. Nasceu para vir do banco, pegar a bola, meter uns 14, 15 pontos e voltar pro banco pra tomar Gatorade, o sexto homem perfeito.
Já o Mo Evans faz um trabalho defensivo ainda melhor que o Childress e se não tem a habilidade de criação de jogadas que o cabeludão, tem um arremesso de 3 muito melhor, o que nos leva a outro ponto muito interessante do Hawks.
Lembram um tempo atrás quando o Salim Stoudamire entrava no jogo só para chutar de 3? Eu lembro claramente (preciso achar os boxscores!) de jogos em que o Atlanta nem bola de 3 acertava. Mas hoje eles tem o melhor aproveitamento de bolas de 3 na NBA inteira! Nada de Suns, Nuggets, Warriors ou Orlando, a melhor marca é do Hawks.
São 42,4% de acerto nos arremessos com uma média de 9 bolas certas por jogo. Créditos para o Mo Evans, Flip Murray, Joe Johnson, Mike Bibby e Marvin Williams. Marvin Williams?
Até o ano passado o rapaz tinha um epíteto no nome. Tinha Alexandre, o Grande, Pepino, o Breve e Marvin Williams, o que foi draftado antes do Chris Paul. Mas hoje já consegue ser destaque no Atlanta e peça muito importante no ataque do Hawks. Nos 6 primeiros jogos da temporada ele chutou 11 bolas de 3 e acertou 8! Ontem contra o Celtics ele acertou todas as 4 que tentou, espetacular!
No jogo de ontem contra o Celtics deu pra ver tudo isso o que eu disse. Boa defesa, ataque forte, dividido entre bons jogadores, as bolas de 3, o Joe Johnson fora de série e tudo mais. Mas deu pra ver também que o Celtics faz tudo isso e faz um pouco melhor ainda. E que se Joe Johnson é um dos melhores jogadores da posição 2, o Paul Pierce é na posição 3. Vejam só o que ele fez no último segundo do jogo:
Oficialmente o Bola Presa deixa de transformar o Hawks em piada. Na hora de nos referirmos a um time medíocre, vamos usar o Thunder.
Exemplo: O Sasha Vujacic é muito ruim, mas seria titular no Thunder.
ou
Até meu time do colegial onde o Danilo era pivô ganhava do Thunder.
ou ainda
O Dwight Howard jogando ao lado de 4 anões pernetas venceria o Thunder.
Essa última afirmativa é até bem realista. Ontem o Superman Dwight meteu um triple-double contra o Thunder com alguns números dignos de um time inteiro: 30 pontos, 19 rebotes e 10 tocos. Para se ter uma idéia, os quatro titulares não chamados Duncan do Spurs somaram: 14 pontos, 1 toco e 13 rebotes.
A NBA deveria suspender o Johan Petro já que ele não teve a dignidade de se aposentar ontem à noite depois da partida.
Ontem ainda tivemos muitas outras grandes atuações. Brandon Roy e Rudy Fernandez jogaram muito contra o Wade, que fez isso. O Chris Paul fez um Dwight Howard dos pequeninos ao marcar 30 pontos e dar 13 assistências e o Kobe fez uma cesta fora do comum para selar a vitória do Lakers contra o Hornets. A bola, um arremesso dificílimo na cara do Posey, foi comentado depois pelo próprio Kobe:
“Eu só queria acertar um arremesso bem na cara dele.”
O espírito olímpico ainda está presente em Kobe Bryant.
Mas entre tantas estrelas e atuações geniais e uma boa briga, vocês preferem o quê? Imaginando a resposta eu deixo o melhor para o final e aqui está o vídeo da treta entre o Rafer Alston e o Matt Barnes. Quem diria que o Artest não estaria presente na primeira briga do Rockets na temporada….

Detalhes legais do vídeo:

– O Barnes provocou e merecia uns tapas mesmo.
– O Nash ou é o pior separador de brigas da história ou foi lá causar mais confusão. Quem diria que ele é um brigão?
– O Shaq venceu a luta ao empurrar, em sequência, T-Mac, Yao e um grupo de umas 9 pessoas.
– No final o Yao afaga a cabeça do Alston como quem diz “bom menino”. Tocante.

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Orlando é um time gostoso de ver

Como todo site de basquete que se preza, faremos um preview da temporada da NBA. “Preview” para quem não sabe é uma mistura de recapitulação do que aconteceu nos últimos meses com o que nossas poderosas mentes projetam para o futuro. Ou seja, a soma de coisas que vocês já sabem com coisas que nós aqui achamos que tentamos adivinhar, uma ciência exata.
Foi no preview do ano passado, quando o Bola Presa ainda era algo como um projeto de participante do BBB, que tinha sua beleza mas ainda não os quinze minutos de fama, em que eu disse que o Bulls seria o campeão do Leste. Como o Derrick Rose está aí pra provar, eu errei, mas fui motivo de piada durante toda temporada. Então curta nossos previews como uma piada do futuro, será mais divertido assim.
O formato que escolhemos é o de dar motivos para assistir ou não assistir aos jogos desse time na temporada. Afinal existem mutretas internéticas para acompanhar qualquer jogo que você quiser pela internet, mas assistir quem? O Clippers ou o Pacers? O Lakers ou o Bulls? O Spurs ou… brincadeira, claro que você não vai assistir ao Spurs.
Os previews estão divididos por divisão e colocamos os times na ordem em que acreditamos que será a classificação depois dos 82 jogos.
Orlando Magic

Motivos para assistir:
Se você gosta de bolas de três e de enterradas, esse é o time certo para se assistir. No ano passado, o Orlando Magic foi o segundo time que mais arremessou bolas de 3 em toda a NBA, mais do que o Suns e atrás só do Warriors. Foram 25,3 bolas de 3 tentadas por jogo! Imagina se o Antoine Walker jogasse lá! Também é legal para ver enterradas porque o Dwight Howard foi o líder, disparado, em enterradas na temporada passada. Foram 267 enterradas, mais de 3 por jogo e 59 enterradas a mais do que o segundo colocado, Amaré Stoudemire. Assistir ao Magic é ver um jogo de NBA Live com pessoas de carne e osso.
Como curiosidade, será legal também ver como o Magic lida com o JJ Redick. Ele vive enchendo o saco porque quer dar o fora de lá e ir para um lugar em que tenha minutos de jogo. Não é irônico que o chamado “melhor arremessador do mundo” por muita gente (não o Damon Jones) não tem espaço no time que mais arremessa de 3? De qualquer forma, o Magic não atendeu seu pedido de troca e disse que nesse ano ele terá sua chance de finalmente brilhar na NBA.
Motivos para não assistir: O motivo para não assistir ao Magic é o mesmo motivo de assistir. Eles são aquela mesma coisa sempre! Depois do terceiro jogo assistindo a um festival de bolas de 3, a coisa fica meio cansativa.
Mas a verdade é que tudo depende também do nível de inspiração do Jameer Nelson. Se começar o jogo e ele estiver jogando bem, pode esperar uma atuação divertida do time do Mickey, com ele inspirado o time joga em velocidade e o jogo flui mais fácil. Mas quando o Jameer Nelson joga mal, aí sai de baixo, aí a coisa é menos criativa do que Feira de Ciências de 5° série e as bolas de 3 são quase um estupro de tão forçadas.
Outro lado ruim de ver o Magic é que para impedir o Dwight Howard de enterrar a bola, os times costumam bater nele, ou seja, o jogo fica lento e você perde minutos preciosos da sua vida assistindo a um cara de 2,15m ficar amassando o aro.
Miami Heat

Motivos para assistir:
O Miami vai acabar na frente do Wizards sim, e se der tudo certo é capaz até de ameaçar o Orlando no título do Sudeste. O motivo desse meu otimismo é o principal motivo para se ver o Miami Heat: Dwyane Wade.
Na minha vida de futurólogo da NBA eu aprendi algumas coisas. Uma das mais importantes é: nunca aposte contra LeBron James, Dwyane Wade, Kobe Bryant e Tim Duncan. O LeBron levou aquele Cavs para as finais da NBA, o Kobe fez 81 pontos em um jogo e o Duncan acerta até bola de 3 quando interessa. O Wade, por sua vez, despedaçou o Pistons e depois virou praticamente sozinho uma final contra o Mavs em 2006. Eles não são imbatíveis, mas é melhor não apostar contra.
O Wade saudável como estava nas Olimpíadas já é motivo pra ver todos os jogos do Heat, mas além disso tem mais gente por lá que é boa. O Shawn Marion é o faz-tudo que se encaixa em qualquer time e está em ano de contrato, ou seja, ele vai jogar mesmo pra poder continuar ganhando uma fortuna. E ainda tem o Beasley, que é o cara que mais faz parecer fácil o difícil ato de marcar pontos. Ele dá uns arremessos aqui, outros ali, faz umas infiltrações, ganchos, enterradas, ele faz tudo e faz parecer fácil. Mesmo que não seja um jogador completo, já pode beirar os 20 pontos por jogo em sua primeira temporada.
Motivos para não assistir:
O Heat tem um elenco estranho, são três jogadores fora de série (se o Beasley realmente der certo), o Haslem que é um ótimo jogador de apoio e o resto é de talento duvidável. Seja duvidável porque o cara tem cara de uma criança de 10 anos (Chris Quinn) ou porque tem o joelho tão forte quanto o de uma criança de 5 (Shaun Livingston).
Isso pode significar que as jogadas espetaculares do Wade podem ser exceções em um time sem qualquer entrosamento. Vale lembrar que a idéia inicial é usar o Marcus Banks como armador principal, o que pode dar bem errado. O técnico Eric Spoelstra disse que planeja usar um esquema ofensivo parecido com o usado pela seleção americana nas Olimpíadas de Pequim. Pode ser bom, porque era um esquema que usava bastante velocidade e contra-ataques, mas dava certo com o Kobe, Kidd, LeBron e cia. Será que dá certo com o Mark Blount?
Saiba dos riscos quando você for assistir ao Heat. Pode vir show dos Beatles ou show da Rita Lee tocando Beatles, são coisas bem diferentes.
Washington Wizards

Motivos para assistir:
Eu não acredito no Wizards nessa temporada, até pensei duas vezes em colocar eles na frente do Hawks! A que ponto chegamos! Mas vou confiar que quando o Arenas voltar, em dezembro ou janeiro, ele volte de uma vez por todas e o Wizards seja um time decente o bastante para ficar na frente do Atlanta.
Mas mesmo se eles não se recuperarem, é um time até legal de se ver jogar. Além do Caron Butler, que é espetacular, tem o DeShawn Stevenson fazendo suas palhaçadas, o Nick Young tentando ser o Kobe, o Pecherov que parece o Stewie do Família da Pesada e ainda pode ficar tentando descobrir como funciona a porcaria da Princeton Offense. Pura diversão!
Ou você fica vendo seus DVDs da Vivi Fernandes até o Arenas voltar. É mais fácil.
Motivos para não assistir:
Enquanto o Arenas não voltar você nem precisa justificar se não quer ver um jogo do Wizards, a gente entende e deixa quieto. Mas mesmo quando o Arenas voltar a coisa pode ser meio feia.
Nos playoffs do ano passado, quando o Agente Zero voltou, ele estava claramente fora de forma e completamente sem entrosamento com os companheiros. Imagina ele de novo sem passar por uma pré-temporada, sem treinar e junto com o Etan Thomas, que também não joga há mais de uma temporada e irá lutar com um novato pela vaga de titular deixada pelo contundido Brendan Haywood.
Dá pra imaginar o nível de entrosamento que esse time vai ter com os dois em quadra? O negócio pode até dar certo, mas até lá vai ser feio. Recomendo cautela para os menores de 16 anos.
Atlanta Hawks

Motivos para assistir:
Te dou dois motivos para assistir ao Hawks: Josh Smith e Joe Johnson.

Há umas duas temporadas o técnico do Hawks, Mike Woodson, disse que o Joe Johnson era tão bom quanto o Kobe, só não tinha o reconhecimento da imprensa. Acho que ele exagerou um pouco, mas ele vale o ingresso sim, o cara é pura finesse, uma maravilha de ver jogar, um dos jogadores mais completos da NBA.
Já o Josh Smith não é nada de finesse, é muita força. E você tem que concordar que o Josh Smith é especialista nas duas coisas que mais fazem os torcedores pularem da cadeira no meio de um jogo, as enterradas e os tocos. O cara é uma máquina de dar tocos quando alguém acha que vai para uma bandeja sozinha no contra-ataque.
Se você realmente se importa com o Hawks, o que eu duvido, você ainda pode acompanhar a evolução do fenômeno reboteiro Al Horford, do segundo-anista Acie Law e até ver como o Mike Bibby se comporta agora que ele está no último ano do seu contrato. Mas só faça isso se não tiver namorada, um video-game ou uma peteca, senão é perda de tempo.
Motivos para não assistir:
Ué, é o Hawks. Mas tudo bem, dou três motivos para você não ver jogos do Hawks então:
-Você gosta de basquete
-Você tem bom senso
-Você não assiste nada que envolva o Zaza Pachulia
Brincadeiras à parte, quem acompanhou a série contra o Boston nos playoffs do ano passado sabe como o Hawks pode ser em um jogo um time empolgante e no jogo seguinte parecer um time juvenil que te dá desgosto de viver.
Charlotte Bobcats

Motivos para assistir:
Pegue tudo o que eu disse acima do Josh Smith e troque o nome por “Gerald Wallace“, é a mesma coisa mas com mais chances de contusão.
Além dele tem o Okafor, que nunca foi tão bom quanto deveria ser mas sempre toma uma enterrada bonita na cabeça. A versão 3.0 do Mbenga é legal de assistir pelo motivo errado, mas é legal.
Além disso, tem a volta do Adam Morrison, que obviamente nunca vai dar certo na NBA mas que tem o bigode mais firmeza da história da liga. Sim, bigodes são motivos pra ver um jogo, assim como eu só vejo o Celtics jogar pra ver que penteado o Scott Pollard está usando.
Motivos para não assistir:
Vai dar errado. Eu não estou torcendo para eles se ferrarem, mas essa experiência com o Larry Brown parece aqueles casamentos de artista que você já começa a contar os dias para o divórcio assim que vê os dois recém-casados na Caras. Outro dia ele já deu uma entrevista dizendo que os armadores DJ Augustin e Ray Felton estão se esforçando muito para respeitar o sistema ofensivo, mas que eles estão se esforçando tanto que não tá dando certo, eles têm que se soltar mais.
Aí quando eles se soltarem mais o cara vai dar um piti e vai brigar com todo mundo. Aí o Gerald Wallace vai ter dor nas costas, o Okafor vai torcer o pé, o Adam Morrison já voltou a sentir dor no joelho, o Sean May está gordo, o Matt Carroll é coleguinha de classe do Chris Quinn e o ginásio vai ser atacado por terroristas que vão acusar o Nazr Mohammed de ter traído o movimento.
Então o Larry Brown vai repetir uma frase que ele já disse antes mesmo da temporada começar: “Eu deveria ter me aposentado”, que foi o que ele disse, em tom de brincadeira (ainda), depois daquele jogo em que o Bobcats perdeu o primeiro período por 40 a 9.

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Quando a briga para os playoffs é entre Sixers e Hawks, o melhor é ir ver o filme do Pelé

Comecei esse post inúmeras vezes, mas sempre era interrompido. Seja pra trabalhar, pra sair, pra resolver alguma coisa e até porque a internet foi pro espaço. Mas não desisti, estou aqui numa lan house só para dizer o quanto o Leste é ruim!

No começo do ano eu me diverti com o Pistons sendo o Pistons de sempre, com o Boston jogando bem demais e com o surgimento do Orlando como força, juntamente com o Raptors. Também conhecemos e gostamos de ver a força do LeBron, digo, do Cavs.
Mas, tirando esses cinco times, o que estamos vendo é um monte de merda, um punhado de times disformes lutando pra ver quem consegue ficar de fora dos playoffs.

Começamos com o Wizards, que é um time bom desde seus tempos de Larry Hughes, mas sem Arenas quase a temporada toda e uns 20 jogos sem Caron Butler, está se arrastando mas mesmo assim é o sexto colocado na briga do Leste, com 30 vitórias e 32 derrotas. Isso mesmo, o sexto colocado tem mais derrotas que vitórias! Não quero meter o pau no Wizards, eles merecem parabéns por chegar tão longe com tantas dificuldades, mas temos que ver também que essa vaga nos playoffs, além de mérito deles, tem muito da falta de mérito de seus concorrentes.

Como por exemplo o sétimo colocado, o time quente do momento, o Philadelphia 76ers. Eles perderam o último jogo para o Boston mas antes disso tinham cinco vitórias seguidas e venceram sete dos últimos dez jogos. No Leste é assim, são cinco vitórias seguidas e você já é um fenômeno e ultrapassa todo mundo na sua frente, basta ver o Bobcats, que estavam praticamente fora da briga por vaga e foi só vencer cinco jogos seguidos (pela primeira vez na história da franquia) e eles já estão há apenas duas vitórias do oitavo colocado.

Oitavo colocado que é o glorioso Atlanta Hawks! Eles tem um bom time, bons jogadores, mas não querem jogar fora a fama de perdedores. Perderam 7 das últimas dez partidas, chegaram a perder jogos e mais jogos em sequência nas últimas semanas, mas a coisa no Leste é difícil, todo mundo quer porque quer ficar de fora. O Nets, nono colocado, está numa sequência de 6 derrotas, incluindo uma para o Memphis Grizzlies (que não ganhava um jogo há 9 jogos) só para ficar de fora dos playoffs. Será vontade de participar do sorteio do draft ou só medo de pegar o Boston?

Mas vamos parar de zoar os times, na verdade não é culpa deles, a culpa é da conferência que é fraca. Todos esses times, aliás, estão muito certos em perceber que suas equipes estão longe de serem as ideais e por isso estão em processo de reconstrução. O Sixers ainda está vendo o que seus pivetes, como Thaddeus Young, Rodney Carney e Jason Smith, podem fazer, ao mesmo tempo em que tentam descobrir o que fazer com Andre Miller e planejam reassinar o Andre Iguodala na próxima temporada. É claramente um time ainda em busca de uma identidade. O Hawks finalmente fez o que todo mundo sabia que eles tinham que fazer, trocaram um de seus mil alas novos (Shelden Williams, no caso) por um cara experiente, Mike Bibby, mas mesmo assim o time ainda se adapta. O Nets claramente mostrou que busca outro rumo ao trocar Jason Kidd pelo jovem Devin Harris, assim como o Charlotte que, de escolha de draft em escolha de draft, ainda está montando seu elenco. A exceção do grupo é o Wizards, que já tem grupo montado, só não consegue ficar longe do hospital.

O que leva esse monte de time em construção para os playoffs é a falta de concorrência. Com apenas cinco times bons na conferência inteira, algumas equipes que não estão em nível de playoff vão acabar indo pra lá de qualquer jeito. O engraçado é ver isso acontecer logo no mesmo ano em que o Oeste é o mais forte em muito tempo, um dos mais disputados de toda a história. O que nos leva a uma discussão que já acontece há alguns anos: o sistema de classificação da NBA é o melhor? É o mais justo?

Muita gente sugere que deveriam acabar as divisões e as conferências e simplesmente classificar os 16 melhores times. Eu até concordo com isso, mas desde que outras coisas mudem também.

Eu ficaria um pouco triste com o fim das conferências, estamos acostumados com elas, elas são legais, têm suas rivalidades históricas e já estão assimiladas pelos torcedores, seria uma perda difícil mas que também poderia ser facilmente superada caso os playoffs ficassem mais emocionantes. Acabando com as conferências acabaríamos também com as divisões, e isso acho que não faria falta mesmo. As divisões servem só para confundir todo mundo na hora em que vêem o Jazz em quarto mesmo com pior recorde que o quinto colocado porque é o campeão da divisão noroeste. Servem também para dirigentes contarem vantagem no fim da temporada: “Meu time ganhou a divisão do Atlântico!”e depois perder na primeira rodada dos playoffs.

Mas uma coisa que se esquece é que as divisões e conferências servem também para definir quantas vezes os times se enfrentam durante a temporada. Então o Lakers pega o Spurs quatro vezes e o Celtics só duas, enquanto o Celitcs pega o Spurs duas vezes e o Bobcats quatro. Também tem os times de mesma conferência que se pegam só três vezes. É confuso, mas em geral um time pega duas vezes um time da conferência oposta e quatro da mesma. Em um sistema geral, em que se classificariam os 16 melhores, os times do atual Leste se dariam melhor, já que cada um deles pegaria as mamatas dos times em reconstrução 4 vezes e os timaços do Oeste somente duas. Com o passar dos anos, a força poderia mudar de conferência e aí seriam outros beneficiados, ou seja, ia ser sempre uma merda.

A solução para isso é usar o exemplo do futebol. Turno e returno, todos jogam contra todos uma vez em casa e uma vez fora. Simples assim. Ao invés dos 82 jogos que temos hoje, teríamos 58. Alguém vê algum problema? Eu acho uma maravilha. Agora, por exemplo, já estou cansado da temporada regular, já conhecemos todos os times e a única coisa que eu quero mesmo é ver o circo pegar fogo, o bicho pegar, quero ver os playoffs! Mas ao invés disso precisamos esperar 82 longos jogos só pra ver caras como o Yao Ming terem uma fratura por stress no pé. A fratura dele não foi por pancada, foi por desgaste, foi por jogar umas três vezes por semana uns 40 minutos. Além dele, a lista de machucados é imensa, afinal são 82 jogos, muitas vezes quatro em uma semana, dois em dias seguidos, 48 minutos de jogo, jogo corrido, jogo físico. E pra quê? Pra ter mando de quadra nos playoffs, só? Pra ganhar a divisão? Não, é claro, é só pra ganhar mais dinheiro com direitos de TV e ingressos.

Seria muito melhor para os jogadores se fossem só 58 jogos, seriam menos contusões, os jogos seriam mais valorizados (na quarta vez em que o Lakers pega o Suns já não tem taaanta graça assim) e os jogadores mais descansados poderiam até render melhor. É só ver na página pessoal de cada jogador na NBA.com, lá tem as estatísticas de cada atleta nos jogos em dias seguidos, com um, dois, três, ou mais de três dias de descanso entre os jogos. A enorme maioria tem um desempenho muito superior quando tem tempo para descansar o corpo.

E não me venham dizer que o Yao se machucou por causa dos jogos da seleção chinesa! Isso é ridículo! Ele pode até sentir falta das férias, mas jogar 10 jogos em um mês pela seleção não se compara a jogar aqueles jogos em dias seguidos, viajando pelos EUA e jogando muito mais minutos por partida. Isso é desculpa de quem tem medo de mudar as coisas na NBA.

Mas isso tudo é um sonho só, ninguém planeja mudar nada no calendário da NBA. Eles ganham muito dinheiro assim e os times e a liga seriam capazes de cobrar uma diminuição dos salários dos jogadores causada pela diminuição de renda graças ao número menor de jogos. Aí nem os jogadores mais bichados iam aceitar, acreditem, eles são gananciosos mesmo depois de ter 50 milhões de dólares na conta.

Como curiosidade, os playoffs com 16 times seriam, se acabasse a temporada agora, assim:

Boston Celtics(1) x Washington Wizards (16)
Detroit Pistons (2) x Portland Trail Blazers (15)
San Antonio Spurs (3) x Toronto Raptors (14)
Los Angeles Lakers (4) x Cleveland Cavaliers (13)
Houston Rockets (5) x Denver Nuggets (12)
New Orleans Hornets (6) x Golden State Warriors (11)
Phoenix Suns (7) x Dallas Mavericks (10)
Utah Jazz (8) x Orlando Magic (9)

Eu não reclamaria de um playoff que começa com Kobe enfrentando o LeBron e o Mavs pegando o Suns. E vocês, gostariam de ver os playoffs assim?

Notas:

– Vocês viram o cara que entrou na quadra pra falar com o LeBron no jogo do Cavs contra o Knicks no Madison Square Garden? Ele foi preso, acusaram ele de ter ido atacar o LeBron, mas na verdade o cara era só um fã, ele até estava com a camiseta do LeBron!
No dia seguinte ele disse que não se arrependeu, que faria de novo e que na verdade ele foi lá só pra dizer que era fã dele e que sempre quis ser como seu ídolo. Segundo o fã, o LeBron respondeu “Ok, legal! Valeu por ter vindo!”

Aqui tem o vídeo:

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Ninguém usa o dedo mindinho mesmo…

A data limite para trocas nessa temporada está para se concretizar em poucas horas e vários times já mudaram de cara até agora. Continuo aguardando a troca LeBron para o Houston em troca de Steve Francis e 32 escolhas de draft. Enquanto isso não acontece, como se saíram os times que apresentaram suas caras novas?

Ontem, Shaq estreou pelo Suns enfrentando seu antigo coleguinha e rival, Kobe Bryant (parece coisa saída diretamente da novela mexicana Rebeldes, ou ainda da falecida Amigas e Rivais). Para os que aposentaram o Shaq antes da hora, Diesel mostrou que ainda tem fôlego e que não atrapalhou o jogo correria do Suns como se imaginava. O único detalhe, coisinha pouca, é que Shaq não saiu de quadra com a vitória, o que sempre pode atrapalhar as tentativas de deixar uma boa impressão (Nowitzki que o diga). Kobe Bryant jogou pra burro e aquele tal mindinho machucado que podia vir até a precisar de cirurgia parece a maior balela dos últimos tempos. Quem faz 41 pontos com um dedo machucado? Kobe acertou arremessos de todos os lugares e engoliu vivo o time do Suns, não havia muito a se fazer. Shaq demorou um pouco para pegar o jeito mas se saiu assustadoramente bem, correndo bastante, se tacando no chão atrás de bolas perdidas e, curiosamente, começou a se sair realmente bem no jogo só no quarto período, justamente quando seu fôlego deveria estar acabando. “Estou em melhor forma física do que eu imaginava”, soltou o pivô. Isso me lembra uma afirmação recente no departamento médico do Suns, dizendo que as lesões do Shaq não eram problemas estruturais das pernas e joelhos, e sim tecido “não exercitado”. Ou seja, chamaram na cara dura, ao mesmo tempo, os médicos do Heat de burros, o departamento físico do Heat de incompetente, e o Shaq de gordo preguiçoso! Mas quem se importa, os homens que salvaram o Grant Hill de uma vida de contusões agora fizeram Shaq correr para cima e para baixo na quadra em um quarto período.

O mais importante sobre o Suns é que eles continuam capazes de marcar 124 pontos por jogo, mesmo sem Shawn Marion e com a presença de Shaq em quadra. O problema é ter tomado 130 pontos do Lakers, claro, mas a presença de O’Neil no garrafão deve ajudar na defesa quando todos estiverem entrosados. Além disso, Shaq exige atenção redobrada de seus marcadores, o que libera Amaré para agir. Seus 37 pontos mostram o que ele pode fazer quando não é marcado pelos pivôs adversários.

O início do Shaq em Phoenix foi tão divertido que por uns segundos ele até pareceu aquele dos velhos tempos. Que tal essa bela cravada na cabeça?

O Suns só não saiu vencedor porque o Lakers também resolveu mudar de cara e Pau Gasol parece que joga com Kobe desde os tempos do Rá-tim-bum na TV Cultura. Ele parece dominar o conceito dos triângulos e o maior favorecido é, estranhamente, Lamar Odom. Como terceira opção ofensiva ele parece florescer e agora não creio que ninguém em Los Angeles pense em trocá-lo. Pelo menos não nessa temporada, até porque não dá mais tempo.

Outro time com jogador novo é o Hawks, que já jogou duas partidas com Mike Bibby como armador principal. Contra o Lakers, Bibby jogou pouco graças a vários problemas com faltas, mas sua atuação no primeiro quarto me deixou empolgado. Ele dá passes simples e eficientes e parece que instaura no time uma calma, uma vontade de dar um passe a mais. É uma coisa quase sobrenatural que muita gente vai dizer que andei bebendo, claro. Enfrentando seu ex-time na noite de ontem, Bibby esteve mais preocupado em arremessar e foi mortal, acertando 6 dos 10 arremessos que tentou, incluindo 4 bolas de três pontos. Acho que era bem o que o Hawks esperava, alguém que acertasse seus arremessos de fora e soubesse tranquilizar o time no ataque. Do outro lado, o Kings não pareceu sentir muito a falta do Bibby, afinal eles passaram tanto tempo com o Bibby contundido que não deviam nem mais lembrar da cara do sujeito, e seu armário devia ser usado para guardar as meias sujas do resto da equipe. O esloveno Beno Udrih, que o Spurs trocou por uma bolacha de água e sal, tomou as rédeas do Kings com 18 pontos e 10 assistências. E o Artest, que por alguma razão não acha o Bibby um sujeito muito camarada, está tão feliz que até deve ter esquecido do fracasso de seu CD de rap. Artest tem, nos últimos 5 jogos, médias de 25 pontos, 7 rebotes, 4 assistências e 3 roubos, além de estar aproveitando mais de 50% de seus arremessos de dois e de três pontos. Será mesmo que o Kings pretende trocar alguém que está jogando nesse nível e que, sem o Bibby, parece estar feliz em Sacramento? Aliás, quais as chances de deixar o Artest feliz?! Melhor aproveitar enquanto dura.

Ontem também foi a estréia do Kidd no Mavs. Dirk estava todo contente e disse que, ao jogar com Nash, aprendeu a importância das assistências precisas que trazem a bola no momento certo, e que isso enfim voltaria com Kidd na equipe. O começo foi promissor, com a ponte-aérea de Kidd para Josh Howard logo no primeiro lance do jogo. Mas o Kidd se atrapalhou um bocado na defesa. Não que Devin Harris seja um grande defensor, mas ser jovem e rápido certamente ajudaria a não ser massacrado sem piedade por Chris Paul: foram 31 pontos, 11 assistências e 9 roubos de bola. Kidd teve mais desperdícios de bola (6) do que assistências (5) e colocar Eddie Jones como titular ao lado de Jason Kidd começa a parecer uma boa idéia para ao menos dar uma apertada na defesa. Mas que tal alguém com menos de 82 anos no Mavs capaz de defender um armador adversário? Acho que Kidd, Eddie Jones e Devean George não se encaixam nessa descrição…

O Nets sem Jason Kidd botou o barco nas mãos do Marcus Williams, que teve 25 pontos, 4 rebotes e 4 assistências. O garoto sempre chutou uns traseiros e muita gente dizia que ele seria titular ainda como novato em qualquer time que não contasse com Kidd ou Nash no quinteto titular. É hora do fedelho passar Hipoglós e provar que só jogou 2 minutos nos últimos anos porque Jason Kidd é um alienígena. Eu aqui, pessoalmente, torço para que Marcus Williams e Devin Harris joguem juntos, sem um ser o reserva do outro. Devin Harris talvez seja o jogador mais veloz de toda a NBA, bate para dentro como um débil mental, mas ao ouvir a frase “passe a bola” seu cérebro compreende “esconda a bola dentro da camiseta e corra para a cesta”. Com os dois armadores juntos, acredito que o Nets ficaria mais balanceado. O problema é que colocar Carter e Jefferson junto com eles em quadra tornaria o time muito baixo. Talvez seja uma idéia para o futuro, quando o Carter estiver vendendo churros na rua, aposentado (diz a lenda que mais da metade dos jogadores da NBA que se aposentam vão à falência).

Com tantas caras novas que mudaram consideravelmente times importantes, o Warriors certamente vai ganhar o prêmio de aquisição mais inútil da temporada. Que diabos de diferença Chris Webber está fazendo para o time de Golden State? Quando ele está em quadra, o time piora significativamente. Quando ele vai para o banco, o time subitamente melhora. Pra mim, isso é um clássico caso clínico conhecido como Complexo de Marbury e Webber deveria ser afundado no banco antes que o pior aconteça. Sorte do Warriors que todo o resto parece funcionar perfeitamente. Baron Davis meteu a cesta da vitória contra o Celtics e Monta Ellis continua a ser um monstro. Ele tem médias de 26 pontos por jogo nesse mês de fevereiro e o mais absurdo: sem acertar uma única bola de 3 pontos. Existe algum armador na Liga capaz de fazer tantos pontos sem nunca sequer arremessar de fora do arco?

Outras trocas aconteceram agora há pouco. O Spurs mandou Brent Barry e Francisco Elson, além de uma escolha de draft, em troca do Kurt Thomas do Sonics. Desde que o Damon Stoudemire chegou, Brent Barry havia se tornado dispensável. Kurt vem para fazer parte do sensacional Clube de Pivôs Veteranos Role-Players do Spurs, um clube cheio de jogadores mais-ou-menos que se saem muito bem e acabam sendo campeões. Kurt Thomas defende, faz o trabalho sujo, pega rebotes e acerta cirurgicamente os arremessos de meia distância depois de fazer o corta-luz. Para o Sonics também é uma boa porque o time é novo e o Thomas é velho, o que não dá muito certo. Se você já teve que dançar com uma velha num baile de terceira idade, sabe do que eu estou falando. Além disso, nessa semana a diretoria do Sonics anunciou que Robert Swift iria ganhar progressivamente mais e mais minutos, rumo à vaga de titular. Loucura ou não, Kurt Thomas estava no caminho do pirralho mais estiloso da NBA.

Para finalizar, meu Houston acabou de se livrar do Mike James! Está ouvindo esses fogos de artifício? Está ouvindo esses gritos de felicidade? Está ouvindo essa rolha voando? Sou eu. Mike James e Bonzi Wells vão para o Hornets em troca de Bobby Jackson, um reserva mais do que decente para a armação do meu Rockets. Mas, como fã, dessa troca eu comento mais depois.

A festa de trocas é sempre divertida e o LeBron não está contente de estar de fora dessa. Depois de alegadamente ter cravado na cara do Dirk como punição por terem levado o Kidd para Dallas, LeBron fez triple-doubles em 100% dos jogos pós-All-Star. Foram dois triples seguidos até agora. Se eu fosse o Cavs, não trocava ninguém não. É melhor um LeBron puto da vida que faça triple-doubles todos os dias do que um reforço meia-boca, tipo o Larry Hughes.