Motherfuckin’ Hornets vence Chris Paul

Eu vou começar falando do jogo entre o New Orleans Hornets e Los Angeles Clippers, o primeiro de Chris Paul na cidade do seu ex-time. Mas antes de enfiar um monte de considerações sobre a partida, acho que devemos apresentar as equipes antes. Me dá uma ajuda aí, Samuel?

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Vocês tem noção do que o Samuel L. Jackson fez? Ele pegou aquela passagem da Bíblia (que na verdade só tem uma frase realmente tirada da Bíblia) que ele fala três vezes no Pulp Fiction e fez uma adaptação para o New Orleans Hornets. É simplesmente a coisa mais legal que aconteceu nessa temporada. Falar de vingança assim bem na volta do Chris Paul? Fantástico em dobro. Para quem não sabe inglês para aproveitar a cena, o texto do filme, traduzido pela Wikipedia, é assim:

“O caminho do homem justo é rodeado por todos os lados pelas injustiças dos egoístas e pela tirania dos homens maus. Abençoado é aquele que, em nome da caridade e da boa-vontade pastoreia os fracos pelo vale da escuridão, pois ele é verdadeiramente o protetor de seu irmão e aquele que encontra as crianças perdidas. E Eu atacarei, com grande vingança e raiva furiosa aqueles que tentam envenenar e destruir meus irmãos. E você saberá: chamo-me o Senhor quando minha vingança cair sobre você”.

Basicamente o Samuel L. Jackson apenas mudou o final, tirou “meus irmãos” para falar “New Orleans” e substituiu “chamo-me o Senhor” para “eles são os Hornets”.  Se eu fosse jogador do Hornets, jogaria a partida da minha vida depois disso. E acho que não sou só eu que penso assim, porque eles fizeram um dos seus melhores jogos na temporada, acertando até impressionantes 57% de seus arremessos.

O jogo começou favorável ao Hornets na vontade, mas para o Clippers no placar. Com mais talento e bem menos desperdícios de bola, o time do aplaudido/vaiado Chris Paul (16 pontos, 9 assistências) tomou a dianteira e se manteve na frente do placar até o último período. Mas lá o Hornets conseguiu manter o alto aproveitamento de arremessos com menos turnovers, usou muito bem seus homens de garrafão Jason Smith (17 pontos, 8 rebotes) e Chris Kaman (20 pontos, 10 rebotes) e explorou a terrível defesa interna do Clippers. Na defesa tentaram minimizar ao máximo as infiltrações, já que o Clippers estava horripilante (5/27) em bolas de 3 pontos. Deu certo.

Mas no final o Hornets ainda quase jogou a liderança de 6 pontos fora, o Clippers que não soube aproveitar. Primeiro Jason Smith fez uma falta flagrante em Blake Griffin e foi expulso. A falta foi grosseira, imbecil, deu dois lances-livres mais posse de bola para o adversário,  a vantagem era de penas 6 pontos e ainda tirou o bom ala, que fazia grande defesa em Griffin, do jogo. A torcida, tonta que é, ainda aplaudiu Smith quando ele ia para vestiário. Pra que aplaudir um cara que quase entrega o jogo? Por “raça”? Pff… Depois disso o Hornets ainda cometeu um erro nos últimos 20 segundos de jogo, quando a vantagem estava em 3, mas Randy Foye amarelou e não foi para o contra-ataque rápido, hesitou e acabou forçando um arremesso errado de 3 pontos. A última chance foi logo após essa bola, quando o Hornets teve dificuldades para atravessar o meio da quadra nos 8 segundos permitidos. Foi por muito pouco.

É uma temporada horrível para o Hornets: Eric Gordon quase não jogou e nem assinou extensão de contrato. Chris Kaman não foi trocado por algo de valor. A escolha de Draft do Wolves que eles conseguiram nem é tão valiosa assim hoje em dia. Pelo menos, para salvar, conseguiram vencer o jogo mais emotivo do ano para sua torcida, derrotaram Chris Paul. O armador, por sua vez, assistiu a seu Clippers perder o 3º jogo seguido e cair para a 6ª colocação do Oeste. Abaixo tudo sobre o jogo: O passe genial de Greivis Vásquez para Jason Smith, Chris Kaman dando toco em enterrada de Blake Griffin, Nick Young dando o troco, ponte aérea para DeAndre Jordan e a bola de 3 decisiva de Xavier Henry no último quarto.

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Jogo impressionante aconteceu em Washington. Após a grande apresentação da noite anterior contra o Nets, o Wizards de Nenê encarou o Indiana Pacers de Leandrinho. No primeiro tempo eles arrasaram, abriram 22 pontos de vantagem com Jordan Crawford acertando arremessos impossíveis e com a defesa prevalecendo sobre o sempre instável ataque do Pacers. Mas sabendo que era só o Wizards, o time de Frank Vogel voltou para a segunda etapa mais agressivo na defesa (é o que eles sabem fazer, afinal) e com mais calma no ataque, usando mais o garrafão com Roy Hibbert. O pivô engoliu o Nenê no último quarto, marcando 7 pontos na fuça do brazuca.

Faltando exatamente 1 minuto para o fim do jogo, Paul George errou uma bola de 3 de pontos, mas com o rebote ofensivo ele tentou de novo (John Wall abriu pra ele arremessar) e virou o jogo. Primeira liderança do Pacers na partida. Depois disso, show de horror: Nenê cometeu um turnover no ataque e David West conseguiu 2 rebotes ofensivos nas posses de bola seguintes. Faltando poucos segundos, quando o Wizards ainda podia empatar o jogo, Wall não conseguiu sair da marcação de George e só conseguiu arremessar quando o relógio já tinha estourado. Em outras palavras, o Wizards não conseguiu sequer dar um arremesso nos últimos 1:20 de jogo, sofrendo nesse período 4 pontos e 3 rebotes ofensivos. E eu nem comecei a comentar os arremessos que Jordan Crawford tentou no quarto período… um balde de água fria sobre a boa estreia de Nenê na noite anterior. Ontem ele só conseguiu 6 pontos e 5 rebotes, já Leandrinho também foi discreto com 2 pontos e 1 assistência.

Jogo importante em Milwaukee, onde o Bucks, atualmente em 9º no Leste, enfrentou o Celtics, 7º. Os times brigam com o New York Knicks pelas duas últimas vagas da Conferência nos Playoffs.  O Bucks, que vinha de 6 vitórias seguidas, manteve seu jogo veloz e agressivo contra a forte defesa do Celtics. Até conseguiram ir bem no ataque, especialmente no primeiro tempo, quando marcaram quase 60 pontos, mas facilitaram demais na defesa. A parte ofensiva dos verdinhos é o ponto fraco do time, mas se não marcarem com o mínimo de afinco é lógico que Kevin Garnett (16 pontos, 10 rebotes, 6 assistências), Paul Pierce (25 pontos, 10/15 arremessos) e Rajon Rondo (10 pontos, 14 assistências) vão deitar e rolar. Pierce, em especial, tomou a bola de Rondo e comandou o ataque do time no último quarto, como fazia no time de 2008 e arrasou. Com a defesa segurando um pouco o ímpeto do Bucks, a vantagem logo chegou em 10 pontos e eles saíram com a vitória. Agora o Celtics se distanciou do Bucks na classificação e ainda possui a vantagem em caso de empate.

Tempos estranhos em Sacramento. Tyreke Evans, de volta de contusão, foi o cestinha do time com 25 pontos, mas quando o jogo contra o Utah Jazz chegou no finalzinho, a bola foi só para as mãos de Marcus Thronton. Mas nada de errado nisso, ele foi perfeito nos loucos últimos segundos de partida. Faltando 22 segundos para o fim do jogo, Thornton deu liderança de 1 pontos para seu Kings após linda bola de 3 pontos. Logo depois o novato Alec Burks respondeu com uma bandeja e deixou o Jazz novamente na frente. Aí, com 5 segundos no relógio, Thronton acertou outra bola complicada, dessa vez de 2, para deixar o time da casa na liderança. Mas não deu, logo depois Devin Harris errou uma bandeja que virou ponte aérea para Al Jefferson a 0.9 do fim. Isso depois de um jogo em que acertar um arremesso estava complicado! O Jazz é o melhor time do Oeste inteiro nas últimas 10 partidas com 7 vitórias e só 3 derrotas.  Todo o maluco final da partida está no vídeo abaixo:

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No resto da rodada, vitória tranquila do empolgante Houston Rockets sobre o Golden State Warriors. Abriram cedo, não olharam mais para trás. Double-double maiúsculo para o melhor novato do Oeste desde a contusão de Ricky Rubio: 20 pontos e 11 rebotes para Chandler Parsons. Já no último jogo da rodada, o Blazers finalmente voltou a vencer, dessa vez o Memphis Grizzlies, que contou com o estreante Gilbert Arenas. O armador jogou só 12 minutos e saiu de quadra com 2 pontos e 3 assistências. Pelo Blazers fizeram a diferença Nicolas Batum e Wesley Matthews, a dupla junta fez 42 pontos com 8 bolas de 3 pontos, é pouca zoeira? E importante ressaltar o bom último período de Raymond Felton (13 pontos, 9 assistências). Ele andava jogando mal e ontem se salvou por pelo menos um punhado de minutos. De todas as novas aquisições do Blazers, JJ Hickson, Hasheem Thabeet e Jonny Flynn, apenas o último entrou em quadra alguns minutinhos e deu 2 assistências.

 

Fotos da Rodada

-I double dare you, mothafucka!

 

Não tem pontos extras de estilo, Batum

 

A pose do CP3 é engraçada, mas não consigo parar de olhar para a cara de ogro do Chris Kaman

 

Deixou o goleiro no chão

 

Por que jogadores europeus gostam tanto de caras e bocas? Melhor resposta ganha um pôster do Pau Gasol

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Nowitzki deveria ser o único jogador do mundo a poder arremessar dessa posição

Essa é a segunda parte de um especial de estatísticas sobre diferentes tipos de arremesso e quem são os jogadores mais eficientes em cada um deles. Na parte 1 analisamos os arremessos próximos ao aro e os dividimos em enterradas, bandejas, tapinhas e ganchos. E agora na parte 2 vamos falar de arremessos de média distância e chutes de 3 pontos.

Como informado na primeira parte, todos os dados foram computados pelo pessoal do Golden State of Mind, blog gringo sobre o Golden State Warriors. Ele usou dados do HoopData e dos play-by-play das partidas da última temporada para elaborar a lista.

Comecemos com as bolas de 3 pontos. A conta usada pelo pessoal para elaborar a lista é confusa, mas com um bom propósito. Leva-se em conta quatro coisas: (1) o número de arremessos de 3 pontos tentados pelo jogador,  (2) o número de arremessos tentados por jogadores da mesma posição, (3) a comparação de aproveitamento do jogador em relação a outros da mesma posição, e (4) a média do jogador em comparação ao resto da liga em aproveitamento geral de arremessos, o eFG%.

Finalizando a parte chata de entender, o eFG% é o “Effective Field Goal Porcentage”, um número que tenta nivelar o nível de aproveitamento de arremessos entre os jogadores que arremessam mais de 3 pontos e os que chutam mais de 2. Explico: Um jogador finaliza um jogo com 4/10 arremessos sendo dois deles de 3 pontos, outro jogador acaba com 5/10 só em dois pontos, ambos fizeram 10 pontos em 10 arremessos e assim acabam com um eFG% de 50%. O importante é tentar entender que é uma lista que se esforçou para igualar as situações diferentes e as posições distintas que cada jogador atua e ver quem, no fim das contas, consegue ser mais eficiente nos arremessos de longe.

A primeira lista é a dos titulares, logo em seguida a dos melhores reservas. E não esqueçam, “PSAMS” é o número que define a lista, é o resultado da conta comentada acima.

Interessante ver que o Mike Bibby contando apenas os seus números no Atlanta Hawks acabou em 1º lugar, mas sabia que se contasse os números no tempo de Heat (não teve jogos o bastante para entrar na lista) ele também seria o líder? Isso faz a gente duvidar um pouco da conta, porque vimos que o Bibby jogou mal, mas na frieza dos números ele teve o melhor aproveitamento de três pontos na carreira na última temporada! 44% no geral, 45% só no tempo de Heat. Pode ter jogado mal em todas as outras áreas, errado os arremessos mais importantes, mas no geral fez o que foi pedido: acertou bolas de longa distância melhor do que ninguém.

O resto da lista surpreende pouco, Ray Allen e Chauncey Billups estão entre os melhores arremessadores da NBA faz tempo, não importa que conta tentem fazer para medir. Outros jogadores são reflexos e ao mesmo tempo responsáveis por equipes que na última temporada fizeram a festa da linha dos 3 pontos, como Spurs (com Richard Jefferson, Matt Bonner e Gary Neal) e Warriors (com Reggie Williams, Vlad Radmanovic e Steph Curry). Surpresa mesmo foi o Charlie Villanueva estar aí! Vai ver que de 3 ele acerta, erra quando tenta arremessos longos de 2 pontos com marcação dupla e ainda 20 segundos de posse de bola, sua marca registrada.

Quer saber quem são os piores de 3 pontos entre os titulares? Aí vai a surpresa:

Não surpreende ver vários caras que acertam menos bolas de 3 pontos do que você acerta papelzinho no lixo do escritório, caras como Gerald Henderson, Eric Bledsoe, Sonny Weems e o Tony Allen nem deveriam tentar esses arremessos. Mas que tal o arremessador menos eficiente ser o Joe Johnson? Por essa eu não esperava mesmo sabendo que ele vinha da pior porcentagem de acerto da sua carreira (27%), o que pegou pra ele foi acertar bem menos que o normal e continuar tentando como nos bons tempos em que acertava quase 40%. Aliás, ele teve um ano no Phoenix Suns em que fez 47% de suas tentativas!

Assim como JJ, outros nomes na lista estão aí porque esbanjam de prestígio em seus times. Os técnicos dão toda a liberdade do mundo para que Kobe Bryant, Dwyane Wade, Baron Davis e Tyreke Evans arremessem quando dá na telha. Não deveria ser assim, é verdade, mas também temos que lembrar que esses são os jogadores responsáveis por carregar o time nas costas nos jogos e momentos mais difíceis, algumas dessas bolas de 3 são no desespero, quando mais ninguém no time consegue chutar.

Os dois que não se encaixam nessa desculpa esfarrapada das estrelas é Travis Outlaw e Trevor Ariza, eles são coadjuvantes. O negócio é que o Ariza defende bem, sabe infiltrar, rouba bolas, puxa contra-ataque, pode ser eficiente mesmo (ou principalmente) sem as bolas de longe. Agora o que o Outlaw vai fazer da vida se decidir arremessar menos? Malabares na rua? De todos da lista de menos eficientes é o que menos pode ajudar em outras áreas. Veremos agora aos piores entre os reservas:

Existem nessa lista alguns bons arremessadores que pecam pelo exagero. É só ver a quantidade de arremessos a cada 100 posses de bola de Rudy Fernandez, CJ Miles e Leandrinho. A cada 10 posses de bola disputadas pelo espanhol ele chuta uma de três pontos! Se o Ray Allen não faz isso deveria ser proibido para outro jogador chegar a esse número.

Um dado curioso na divisão por posições. Entre os pivôs apenas Andrea Bargnani e Spencer Hawes tentam mais de 1 arremesso de 3 pontos a cada 100 posses de bola. O italiano lidera a lista de aproveitamento e o americano é o último. Para ver mais detalhes por posição e as listas completas dos 3 pontos é só clicar nesse link.

Passemos agora para os arremessos de meia distância, um arremesso que não deveria existir no seu time a não ser que você tenha Dirk Nowitzki no elenco. Ok, posso estar forçando a barra, mas veja que números impressionantes: A média de eFG% (expliquei acima!) da NBA é de 49,8%, é portanto a média de arremessos certos em geral (todos, desde bandejas até chutes com uma mão no meio da quadra) da liga como um todo. Mas de todos os 150 jogadores analisados pela pesquisa (atletas com mais de 40 jogos na temporada e mais de 25 minutos por jogo), apenas Dirk tem média superior a esses 50% nos arremessos de meia distância! O arremesso de meia distância é, no fim das contas, o pior tipo de arremesso da NBA.

Esse número assustador criou um impasse na hora de fazer a conta que define o ranking. Os jogadores que arremessam menos que a média de sua posição deveriam, portanto, serem beneficiados por isso? Afinal estão privando o time de um arremesso ruim. A solução encontrada pelo pessoal do Golden State of Mind foi fazer duas contas. Uma penaliza jogadores que tentam arremesso de meia distância, já que tirou a chance de um companheiro de time dar um chute melhor, a outra ignora esse fato e apenas compara o número do atleta com a média geral de acerto de arremessos de meia distância, 39%.

As listas abaixo são resultados de uma média entre os dois resultados. A primeira é com os melhores arremessadores de meia distância da NBA:

O Dirk Nowitzki não é só muito bom, ele está anos-luz à frente do segundo colocado, Al Horford. O alemão começou na NBA como um arremessador de três pontos, mas foi no arremesso de meia distância que ele achou o seu nicho. É praticamente o único especialista de verdade nesse tipo de arremesso e vimos nos últimos playoffs como é difícil defender o cara. O Elton Brand aparece em 3º e acredito que se fizessem essa lista uns 10 anos atrás ele poderia muito bem estar em primeiro, no seu auge ele tinha um arremesso quase germânico dessa distância.

Não surpreende ver na lista alas de força especialistas no pick-and-pop: David West, Kevin Garnett, Luis Scola e Brandon Bass, por exemplo. É uma jogada muito eficiente e que os times desses jogadores costumam usar em momentos decisivos das partidas, o aproveitamento deles mostra a razão. Temos também alguns especialistas em três pontos entre os melhores, como Steve Nash, Steph Curry, Ray Allen e Sasha Vujacic. Cada um tem seu motivo, mas o mais interessante parece ser o Ray Allen, que por causa da sua idade parece querer correr menos e fazer jogadas parecidas com a que sempre faz, usando os bloqueios dos companheiros, mas agora em um espaço reduzido. Corre menos, se desgasta menos e continua com alto aproveitamento.

Abaixo os piores em arremessos de meia distância:

Eu nunca vou ficar surpreso em uma lista que tem o Andray Blatche como o pior, seja ela qual for. O cara conseguiu uns números de destaque no ano passado, mas não passa em nenhuma prova de um número “avançado”. Faz pontos porque força demais a barra, mas não sabe usar sua habilidade direito: não tem inteligência, físico e muito menos arremesso de meia distância. Investir nesse cara é o pior negócio que o Wizards pode fazer. Melhor é continuar insistindo no John Wall que, infelizmente, também está entre os piores. Quando a fase é ruim…

Outro que aparece na lista é o DeMarcus Cousins, que no ano passado chamamos a atenção aqui no blog por estar arremessando demais de meia distância depois de se destacar no basquete universitário como jogador puro de garrafão, que conquistava os seus pontos na força, embaixo da cesta. Precisa não ter medo dos pivôs da NBA e buscar seus pontos lá dentro. Mesma coisa vale para jogadores bons de infiltração como Tyreke Evans e Trevor Ariza, eles não são pivôs mas conseguem seus pontos em infiltrações, têm arremessos muito pouco confiáveis de qualquer canto da quadra.

Talvez surpreenda na lista a presença do Russell Westbrook, que conquistou um bom arremesso de meia distância depois do seu tempo de seleção americana. Mas ele tenta tanto esse chute, em situações tão imbecis, que não surpreende que essa estatística o tenha punido. Ao contrário do resto da lista, Westbrook tem bom chute, só precisa forçar menos e arremessar em melhores situações.

Para mais detalhes das listas e o ranking por posições, acesse esse link. Que tal o LeBron James ter o melhor número entre os jogadores da posição 3? Se até em arremesso de meia distância ele consegue ficar na frente de Kevin Durant, Paul Pierce, Luol Deng, Carmelo Anthony e Rudy Gay, como o pessoal ainda vai ter coragem de dizer que ele nem é tão bom assim? Vamos torcer contra, mas admitindo que ele é fora de série. Há alguns anos esse era o defeito dele, hoje ele não só melhorou como está entre os principais da liga.

Na parte final da série, mais curta, analisaremos os melhores nos lances livres e comentaremos a lista que soma todos os tipos de arremessos para saber quem, no geral, foram os pontuadores mais eficientes e completos da NBA na última temporada.

>Dois esquecidos

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Fotos que fazem sentido não são mais tendência

Ontem eu estava muito interessado em assistir à partida entre o Philadelphia 76ers e o Memphis Grizzlies, para mim o grande jogo da noite. Tá bom que depois tive que me contentar em assistir ao excelente  Pacers x Heat na reprise, já sabendo do resultado e tudo o que aconteceu (tipo o D-Wade pegando fogo até começar a ser marcado pelo pirralho Paul George), mas não me arrependo tanto da minha decisão. Foi um belo jogo de duas das melhores equipes dos últimos meses na NBA. E, acredite, não é mais uma ironia nossa.

Se contarmos os jogos da NBA desde o Natal (25 de dezembro que eu me lembre) até hoje, o Grizzlies tem a terceira melhor campanha do Oeste, atrás apenas de Lakers e Spurs. E pense, já estamos no dia 16 de fevereiro, são quase dois meses, um terço da temporada, sendo um dos melhores times de uma conferência difícil e competitiva. Já o Sixers atravessa mais uma mudança de sistema tático, mas parece que está se achando. Também desde o Natal eles tem 15 vitórias e 11 derrotas, nada fora de série mas que se destaca na feia disputa pelas últimas colocações do Leste e que impressiona pela excelente defesa que o time adquiriu sob o comando de Doug Collins.

Começo pelo Sixers, um time bem estranho pelo número de jogadores que podem jogar em mais de uma posição e pela quantidade de mudanças táticas que tem feito ao longo da temporada. Depois de vê-los jogando algumas vezes nesse ano eu ainda não sei definir se o Louis Williams é um armador ou um segundo armador, ou se o Andre Iguodala é mesmo um point-forward ou se é exagero da imprensa americana. O Thaddeus Young é ala de força ou é só no papel? O Elton Brand joga de pivô mesmo sem ser pivô? Minha aposta é que o Sixers confunde os adversários por serem um time muito esquisito.

A formação inicial deles tem Jrue Holiday, Jodie Meeks, Andre Iguodala, Elton Brand e Spencer Hawes. No começo da temporada Jason Kapono, Andres Nocioni e Evan Turner estiveram na posição de Meeks, mas no fim das contas perceberam que era o calouro mais improvável que dava as bolas de três que o time precisava sem comprometer na defesa. As bolas de três eram essenciais para o time ter um jogo de meia uadra com mais opções, já que eles viviam de forçar turnovers e correr nos contra-ataques. Por um tempo a estratégia deu certo, mas não muito, o Iguodala era uma máquina de turnovers e o jogo se concentrava muito na mão dele. Decidiram então dar mais trabalho para o promissor novato Jrue Holiday e o time melhorou junto com a queda dos números do Iguodala, que passou a se focar mais na defesa e participar menos do ataque. Só era acionado mesmo nos contra-ataques, que apesar de não serem mais o foco ainda são ponto forte do time, terceiro da NBA na categoria. Foi nessa época que o Elton Brand, com alguns anos de atraso, começou a dar o resultado que o Sixers imaginava quando o tinha contratado: bons arremessos de meia distância, rebotes ofensivos e força embaixo da cesta. Na prática mesmo ele é o pivô do time enquanto o Spencer Hawes se movimenta mais em volta do garrafão mesmo sendo mais alto.

Mas de uns 10 jogos pra cá o time mudou de novo, com o Iguodala mais participativo e dando quase 8 assistências por jogo nesse período. Voltaram a dizer que ele é o tal point-forward, o ala que joga armando o time, o que resultou na queda dos números do Holiday. Mas eu não acho que é bem assim. Se eu fosse explicar rapidamente como joga o Sixers hoje, diria que eles jogam sem nenhum armador. Eles se baseiam em muita movimentação sem a bola e passes. É comum ver alguém segurando a bola na cabeça do garrafão e esperando alguém passar por alguns corta-luzes para receber a bola, quando ele recebe procura Elton Brand no garrafão ou espera alguém sair de outro corta para um passe. Não fosse os acessos de individualismo do Louis Williams quando vem do banco, eu diria que é o time que menos dribla na NBA.

Muitas vezes é o Andre Iguodala o cara que fica na cabeça do garrafão distribuindo os passes, o que resulta em muitas assistências (meu time de fantasy agradece), mas chamar isso de armar o jogo acho um pouco demais. Acho que é resquício da fama do técnico Doug Collins de usar alas para armar o jogo (fazia isso com Grant Hill no Pistons, por exemplo). Mas outras vezes é o Jrue Holiday, volta e meia até o Hawes recebe na cabeça do garrafão e por aí vai, é um jogo de passes em geral, sem alguém tomando conta do ataque. O curioso é que se você olhar os números individuais parece que tanto Holiday como Iguodala estão piores, mas os resultados do time estão cada vez melhores, é puro trabalho em equipe. O time que só fazia pontos na velocidade agora tem jogadas de meia quadra desenhadas, arremessadores de três (além de Meeks, até Holiday quando não está segurando a bola) e jogo dentro do garrafão com Brand novamente em boa fase.

Durante o jogo isso muda um pouco, principalmente com os reservas em quadra. Thaddeus Young e Louis Williams ainda jogam no esquema de velocidade e atacar a cesta a qualquer custo que reinava até o ano passado. É a síndrome de Jamal Crawford, tipo de coisa péssima para ser um plano de jogo mas que é perfeito para alguns minutos vindo do banco.

Mas o segredo do time mesmo tem sido a defesa. Nos últimos 15 jogos eles só deixaram o adversário chutar acima dos 50% de aproveitamento duas vezes e nos últimos 4 jogos seguraram os oponentes a 39% de aproveitamento, com o equivalente a 88 pontos a cada 100 posses de bola, número assustador que se fosse mantido por toda a temporada seria digno de melhor defesa da liga. Em números gerais eles tem a 9ª melhor defesa da NBA, mas considerando aí os dois primeiros meses que não foram grande coisa. Eles estão no Top 10 na maioria dos números defensivos, com destaque para o 6º lugar em bolas de três feitas pelo adversário por jogo. Sem contar a defesa individual, o trabalho de Iguodala sobre Manu Ginóbili foi essencial para a vitória sobre o Spurs, a mais importante do Sixers na temporada até agora. De repente o time parece ter futuro de novo e a ânsia de trocar Iggy ou Brand parece contida.

Porém, no jogo de ontem o Sixers foi vítima da sua própria armadilha. Sofreu 18 pontos de contra-ataques do Grizzlies, o 5º melhor time nessa categoria, duas posições atrás do Sixers, que só conseguiu emplacar 10. A principal razão foram os turnovers, a sufocante defesa de Memphis, que é a que mais força erros por jogo, manteve a sua média causando 16 desperdícios. A maioria veio no primeiro período, quando Mike Conley (mais de 2.7 roubos por jogo nos últimos 10 jogos) e Tony Allen (quase líder da história da NBA em porcentagem de roubos de bola) fizeram da vida do Sixers um inferno. A melhora de Conley e a chegada de Allen podem ser considerados os principais motivo da melhora defensiva da equipe que era só a 19ª melhor da NBA no ano passado e hoje é a 8ª em pontos cedidos a cada 100 posses de bola.

Ofensivamente o Grizzlies é quase o mesmo, os números são parecidos e o sistema também. Talvez agora o Mike Conley (cuja a milionária extensão parece bem menos burra do que todo mundo imaginava) seja mais participativo e o OJ Mayo tenha perdido muito espaço, mas a estrutura é a mesma. Eles basicamente vão empurrando a defesa adversária cada vez mais pra perto do garrafão, todos os passes são para chegar perto da cesta. Com isso Marc Gasol e Zach Randolph fazem uma sincronizada dança em que às vezes se posicionam bem embaixo da tabela para finalizar, outras na cabeça do garrafão para fazer jogo de dupla um com o outro ou simplesmente só abrem espaço para as infiltrações de outros jogadores. Se a infiltração dá errado lá estão os dois para pegar rebotes ofensivos, uma das principais armas do time, que não só rende novos arremessos como impede contra-ataques velozes. Nosso gordinho-mór Zach Randolph, aliás, é o segundo da NBA em rebotes de ataque com 4.7 por jogo (é muita coisa!), atrás por 0.1 de Kevin Love. 

Aliás, eu nunca vou enjoar de dizer como a ida para Memphis mudou a vida dele. É incrível como aquele jogador fominha e preguiçoso dos tempos de Portland e Nova York mudou. Ele luta pelos rebotes de ataque, dobra a marcação na defesa, rouba bolas e até (estou segurando a lágrima) passa a bola quando recebe marcação dupla! Nunca achei que ia viver para ver o dia em que Z-Bo lideraria um jogo (não só o seu time) em assistências como ontem, foram 7 e sem nenhum turnover. Você coloca ele do lado do Marc Gasol que é um grande passador e os dois fazem estragos na defesa adversária no maior estilo Gasol (o mais velho) e Bynum ou Odom no Lakers.

O grande desafio para o Grizzlies agora é manter o mesmo nível desses últimos dois meses. Eles acharam um padrão de jogo e uma rotação em que até em jogos sem Zach Randolph e sem Rudy Gay sobreviveram e venceram adversário difíceis. Como não acredito em maré de sorte tão demorada, apostaria que eles são pra valer. E a dificuldade do ano passado em segurar jogos quando estavam vencendo por muito acabou com a melhora de defesa.

Mas mesmo que o time continue vencendo, vá para os playoffs e faça bonito, não dá pra não pensar no futuro. Esse não é um time ainda completamente pronto e precisa melhorar. Como fazer no ano que vem quando Zach Randolph e Marc Gasol são Free Agents e os problemas financeiros da equipe podem impedir que se renove com os dois? E que pecado seria perder um deles e continuar pagando 5 milhões de dólares pelo OJ Mayo e mais 5 pelo Hasheem Thabeet? Nada contra os dois, o Mayo é um jogador que faz um pouco de tudo e teria espaço em muitos times da NBA, mas nesses 10 jogos em que estava suspenso não fez falta alguma ao time. Eles tem o regular Sam Young, o excelente defensor Tony Allen e ainda o novato Xavier Henry, que não faz feio sendo um segundo ou terceiro reserva. Ou seja, pra quê Mayo? Ele é o tipo de empregado que sai de férias e aí a empresa percebe que não precisa dele.

Já o Thabeet todo mundo sabe, o moleque foi para a NBA muito jovem, muito cru e nem é usado. O time já se dá bem sem ele e não vai fazer falta. Equipes que podem se interessar por esses dois não faltam, o Nets, vendo o fracasso de Travis Outlaw e finalmente percebendo (espero!) que Anthony Morrow não é bom o bastante para ser titular em um time de alto nível, adoraria o Mayo. Enquanto isso o Rockets está varrendo a NBA atrás de um novo pivô, talvez não fosse uma má idéia apostar no pirralho, botar ele pra treinar na offseason e ver no que dá. É melhor arriscar do que continuar com essa defesa horrível que tem hoje. E ainda tem outros times, é só vasculhar e trocar. Talvez trocar os dois por jogadores mais baratos ou contratos expirantes seja a única alternativa para o Grizzlies, que demorou tantos anos para voltar a ser um time relevante, não virar abóbora de novo no ano que vem.

>Insistência premiada

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Afflalo melhorou até na arte de sair em fotos estranhas

Pessoal, como disse essa semana, a coisa anda corrida no fim do semestre e os posts vão ser mais escassos nessa semana, mas aos poucos vão saindo. Até o fim de semana tem Filtro e uma promoção de Natal da adidas. E agradecemos a todos que comentaram sobre as camisetas, vamos pensar em alguns modelos e postar aqui no blog para vocês escolherem as que a gente vai colocar pra vender. Quer dizer, se a gente conseguir botar pra vender, é melhor não prometer nada antes de saber os preços. Vai que o Cavs é campeão antes da gente vender camisetas. Nunca brinque com a maldição de Dan Gilbert!

O post de hoje é uma continuação desse aqui. Antes tinha falado dos jogadores que tinham melhorado em relação à temporada passada depois de mudar de time (aliás, perdão por ter esquecido do metamorfoseado Marco Belinelli!), agora vou falar dos que melhoraram ficando no mesmo lugar, venceram pela insistência (a palavra bonita usada para designar a teimosia).

Talvez a história mais impressionante e interessante sobre os que ficaram no mesmo lugar já tenha sido contada aqui, é a do Richard Jefferson. Ele recebeu um ultimato do técnico Gregg Popovich, ou treinava como um desgraçado e melhorava o seu jogo ou já poderia começar a pensar em mudar de time. Resolveu treinar, hoje tem um arremesso de três maravilhoso e está ajudando o Spurs a ser o melhor time desse primeiro quarto de temporada. Para ler a história inteira sobre a mudança do Richard Jefferson, clique aqui.

Mas é interessante notar algo que não falei naquele post, que é como o Spurs está jogando diferente dos últimos anos. Dos últimos muitos anos. Explico, o Spurs é o terceiro melhor ataque da temporada até agora e a oitava melhor defesa. É a primeira vez desde que Tim Duncan chegou ao time, em 1997, que o Spurs é melhor ranqueado no ataque do que na defesa. Pra quem acompanha a NBA há pouco tempo pode parecer normal, mas quem viu o Spurs desses últimos quase 15 anos acha isso uma aberração. O Spurs atacando mais do que defendendo é insano como ver o Barcelona retranqueiro, no mínimo. E tem o ritmo de jogo, eles são hoje o 10º time mais veloz da NBA, nas outras temporadas da “Era Duncan” (adoro chamar períodos esportivos de “Era”, me sinto falando de algo importante. Meu Corinthians só perdeu o Brasileirão por causa da “Era Adílson Batista”) o Spurs ficou duas vezes com o 19º ataque mais veloz e depois disso sempre depois da casa dos 20, algumas vezes beirando as últimas posições.

A mudança de um jogo lento e defensivo para um mais focado na velocidade e no ataque devem ser levados em consideração também na hora de explicar porque o Richard Jefferson melhorou tanto em comparação à temporada anterior.

Outro que tem melhorado também é o Elton Brand. Nos números a mudança é discreta: Passou de 13 para 15 pontos de média, melhorou em dois rebotes e em 3% no aproveitamento dos arremessos. Mas na prática ele tem jogado muito melhor, o novo Sixers do técnico Doug Collins está deixando a bola menos tempo na mão do Andre Iguodala (o que não ajuda meu sofrido time de fantasy) e tentando envolver mais o Elton Brand. Depois de dois anos patéticos (e muito bem pagos) o ala está finalmente parecendo mais confortável em quadra, tem feito ótimas partidas em que participa do jogo e até tem jogadas desenhadas pra ele. É finalmente a opção que o time buscava no jogo de meia quadra, já que passaram os últimos anos vivendo só dos contra-ataques.

O problema é só que isso não é o bastante. Embora a defesa do Sixers seja aceitável, o ataque ainda é um dos piores da NBA. Sim, o Jrue Holiday melhorou, o Elton Brand melhorou e mesmo assim eles são bem ruins, é esse o tamanho do buraco em que está o Sixers. O problema parece ser mesmo as peças que não se encaixam e a solução acaba sendo fazer coisas idiotas como deixar o Thaddeus Young no banco para colocar o Jason Kapono só pela necessidade de ter pelo menos um arremessador em quadra, é perda absurda de talento para cobrir alguns buracos. E pior, Brand está jogando bem, mas não o bastante para que algum outro time se sinta tentado a pegar o seu contrato que ainda tem esse e mais dois anos de duração e quase 18 milhões por temporada. Elton Brand parecia destinado a não funcionar no Sixers, mas melhorou, uma pena que ainda não justifica um décimo do que recebe.

Merece atenção pela evolução também o Nate Robinson. Critiquei a troca do Eddie House por ele no ano passado porque não via o que o Nate poderia acrescentar que o House não fazia. Os dois são jogadores que sempre entram e, no linguajar americano esportivo, em referência ao beisebol, vão para o home run. Eles não tentam rebatidas simples e seguras para fazer o time andar, querem o mais difícil e valioso. Quando dá certo são os heróis do jogo, quando dá errado, é patético. A diferença está no estilo, Eddie House faz isso com bolas de três, Nate Robinson faz engolindo a bola só pra ele.

No entanto, ele mudou nessa temporada. Não é o Jason Kidd que parece dar um sorriso de Mona Lisa toda vez que descobre um jeito de finalizar uma jogada sem precisar arremessar, mas o Nate está passando a bola, entendendo o ataque do Celtics e servindo mesmo como um bom reserva para o Rajon Rondo. Parece ser o típico caso do jogador que chegou no meio da temporada e não entendia nada, mas que agora, depois de um training camp e tempo de estudo, conseguiu sacar o que estava fazendo em quadra. E nunca pensei que ia dizer que o Nate Robinson sabe o que faz em quadra, ele é o cara que arremessou contra a própria cesta só por diversão!

Mas acho que o meu favorito nessa brincadeira de pokémon de quem mais evoluiu é o Arron Afflalo. Ele precisa agradecer ao papai do céu (ou ao Joe Dumars) todos os dias por ter sido mandado do Pistons para o Nuggets em troca de fraldas usadas e um vale CD (também conhecido como uma escolha de 2º round de 2011).

No Pistons ele estaria brigando por posição com o Richard Hamilton e o Ben Gordon em um time que está completamente perdido e historicamente investe em jogadores velhos ao invés de apostar na pirralhada. E ao invés disso está em um time que precisava de um jogador com a suas características para o time titular e está no playoff todo ano. Quando ele chegou em Denver só pediram que ele defendesse bem o ala-armador adversário e, eventualmente, acertasse uns arremessos de três quando ficasse livre. No ano passado, seu primeiro ano no Nuggets, ele subiu de 16 para 27 minutos por jogo e dobrou sua média de pontos de 4 para 8. Foi um ótimo defensor e teve um aproveitamento de 43% nas bolas de 3 pontos, número de especialista.

Se ele só continuasse assim já seria muito bom e ele teria meu voto no inexistente prêmio Gilberto Silva de Role Player do ano. Mas não, ele melhorou ainda mais. Aos poucos o Chauncey Billups está piorando com a idade, o Carmelo Anthony, dependendo do seu humor, pode ser só mais um cara na quadra ou a melhor máquina ofensiva da NBA, e entre esses altos e baixos o Afflalo viu uma chance para chamar o jogo e ser mais que um simples arremessador. Ainda acerta suas bolas de longe, são 42% de aproveitamento nesse começo de temporada, mas aumentou o número de arremessos próximos à cesta (de 0,3 para 1,2 por jogo) e no aro (de 1,8 para 2,2), melhorando significativamente o aproveitamento nessas posições. Com isso sua média de pontos subiu de novo, de 8.8 para 12.8 por jogo. Ele também melhorou nos rebotes e dobrou sua média de tocos, de 0,4 para 0,8 por jogo. Parece pouco, mas para alguém de 1,96m e segundo armador, beirar a média de 1 toco por jogo é algo especial. Entre os jogadores da sua posição ele só fica atrás de Dwyane Wade (1,05) e Chicão Garcia (0,9).

Ou seja, o Afflalo invadiu partes do jogo que não eram lugar dele até o ano passado e tem surpreendido todo mundo por estar fazendo isso de maneira tão confiante e eficiente. Outro dia vi ele fazer várias infiltrações e puxando contra-ataques como quem sempre tivesse feito isso. É tão bizarro como ficar vendo o Kevin Love meter uma bola de três atrás da outra. Uma coisa é saber fazer, outra é fazer bocejando. Se o Melo sair mesmo do Denver em um futuro próximo eu espero que o Afflalo ganhe ainda mais espaço e melhore ainda mais seu jogo e estatísticas.

Alguns outros jogadores melhoraram sem mudar de time, mas ao contrário dos citados aqui, eles não estão exatamente na mesma situação de antes. Mesmo ficando na mesma franquia, estão em outras realidades. No Toronto Raptors, por exemplo, a evolução nítida de Sonny Weems, Reggie Evans e Andrea Bargnani se dá em muito porque agora eles tem mais tempo de quadra e mais responsabilidades nas mãos. Mesma coisa com Andray Blatche e JaValle McGee no Wizards, desde o fim da temporada passada eles receberam as duas vagas no garrafão do time e é natural que estejam melhorando. São novos, tem talento e pouco a pouco vão melhorando, embora ainda não o bastante para fazer o Wizards botar medo em alguém.

Mas dentre todos os que melhoram e os que foram citados nesse texto, só um tem uma chance clara e real de mostrar seu basquete melhorado no All-Star Game, o destruidor de brasileiros Luis Scola. E o engraçado é que eu acho que ele não mudou em nada o seu jogo dele em relação aos últimos anos, é o mesmo Scola de sempre. As mesmas qualidades e defeitos estão lá, mas agora o time finalmente se tocou do quão bom esse safado é. E ele também ganhou mais confiança e tem atacado mais o adversário. O resultado são os mesmos minutos de antes, o mesmo aproveitamento, mas os arremessos tentados aumentaram, os lances livres dobraram e sua média de pontos subiu de 16 para 21 por partida! O talento para ser um All-Star na NBA não é novidade pra quem já viu o Scola jogar na Europa e pela seleção argentina, mas só agora virou realidade nos EUA e ainda com um fator importante na América, apoio estatístico: 21 pontos e 9 rebotes por jogo é número de respeito. Entre os alas de força só Dirk Nowitzki e Amar’e Stoudemire pontuam melhor que Scola. Falta só o time ganhar um pouquinho mais dos seus jogos.

O assunto é bem grande e daria pra achar mais jogadores que estão melhorando, mas teremos mais chance para isso ao longo da temporada. Falaremos da evolução do Shannon Brown quando comentarmos do Lakers e da melhora do Joakim Noah (já posso dizer que ele é um dos melhores passadores entre os pivôs sem assustar ninguém?) quando falarmos do novo Bulls com Carlos Boozer.

O próximo post é para comentar o oposto, quem piorou. Mas preciso de mais tempo para meditar e entender porque Tyreke Evans, Darren Collison, Jason Thompson e Robin Lopez me fizeram ir no Google descobrir se a palavra “involuir” existe nos dicionários.

>Preview 2010-11 / Philadelphia 76ers

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-Vêm nimim! 

Objetivo máximo: Ter alguma perspectiva de futuro
Não seria estranho: Continuar se condenando por gastar tanto dinheiro com o Elton Brand
Desastre: Evan Turner não dá em nada e o time despenca na tabela

Forças: Time muito forte nos contra-ataques e roubos de bola
Fraquezas: Todos os quesitos do basquete que não são roubos e pontos de contra-ataque

Elenco:

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Técnico: Doug Collins

De todas as mudanças de técnico dessa offseason essa foi a decisão que me deixou mais frustrado. Não porque eu não goste do Sixers ou do Doug Collins, mas é que ele era, de longe, o meu comentarista favorito na TV americana. O Jeff Van Gundy faz uns comentários hilários, é verdade, mas o Doug Collins entende muito de basquete e cada jogo comentado por ele era uma aula. Muitas coisas que eu comento aqui aprendi ouvindo ele nos últimos anos.

Mas acho que essas pessoas que sempre viveram nas quadras não conseguem passar muito tempo fora delas. Vocês lembram desse post onde, no finalzinho, eu conto a história da final olímpica de 1972 quando a URSS venceu os EUA num jogo muito polêmico? Quem acerta os últimos lances livres a favor dos EUA é o Doug Collins, que um ano depois foi a primeira escolha do Draft de 73 pelo mesmo Sixers que defende hoje.

Sua carreira como jogador sofreu muito com contusões e foi encerrada precocemente por elas, mas no meio do caminho ele foi um bom jogador, sempre beirando os 20 pontos por jogo e foi peça importante do Sixers campeão do Leste em 1979. Por ser novidade na época em que sua carreira já acabava, o armador Doug Collins só deu um arremesso de três em toda carreira. E errou.

Logo depois que se aposentou foi para a vida de técnico, começou em nível universitário e em 1986 se tornou técnico do Chicago Bulls. Lá treinava os pivetes Michael Jordan e Scottie Pippen. O resultado foi bom e o time foi longe, alcançando a final do Leste em 1989, mas a derrota na beira da Final deixou o manager do time achando que talvez fosse a hora de dar uma chance para o assistente técnico de Collins, o estreante Phil Jackson. Analisando mais de vinte anos depois dá pra dizer que foi uma boa decisão.

Ele montou um bom time no seu emprego seguinte, com o Pistons de 1995 a 1998, mas novamente não alcançou a final da NBA, embora o time tivesse até potencial pra isso. Passou três anos como comentarista até ser chamado por Michael Jordan, que o queria como técnico na sua volta ao basquete no Wizards. Lá ele passou bem longe dos playoffs e Collins ainda foi peça importante no desastre que foi o começo da carreira de Kwame Brown, como vocês devem lembrar.

Depois desse fracasso homérico ele ficou quase dez anos longe das quadras, só comentando jogos. O pior é que não é que ele queria assim, tentou vagas no Bucks duas vezes e no Bulls e nunca conseguiu o emprego. Quando você é dispensado duas vezes pelo time do veadinho é porque a coisa tá feia! Mas o Sixers estava desesperado por alguém que fizesse o Elton Brand jogar e o Collins tem uma história grande na franquia. Mas isso quer dizer que vai dar certo? Discutiremos na análise do time, logo depois de ver o Tyrus Thomas quase matar o Doug Collins no ano passado.

…..
O elenco do Sixers não é de todo mal. Tem jogadores bons em todas as posições e fez o que pôde na offseason para corrigir alguns problemas. O Elton Brand e até o meu querido Iguodala talvez recebam grana demais para não serem jogadores que carregam o time nas costas, e ter os dois tira a chance do Sixers contratar qualquer outro grande jogador num futuro próximo por causa do teto salarial. Era ainda pior com o salário monstro do Samuel Dalembert, mas o contrato do haitiano de repente ficou atrativo por estar no seu último ano e eles o mandaram para o Kings em troca de Andres Nocioni e Spencer Hawes.

Essa troca já foi a primeira visando uma necessidade do time, arremessos de três pontos. O mesmo motivo levou o Sixers a buscar o Jason Kapono, branquelo que não sabe o que é basquete mas é um dos melhores arremessadores de três da história da NBA. No ano passado o Sixers teve o nono pior aproveitamento de bolas de três da NBA, 34%. Eles chegam para complementar um time que só tinha jogadores com força física, velocidade e que marcam pontos na correria, atacando a cesta. Caras como Iguodala, Marreese Speights e Thaddeus Young.

Esses caras formaram um time limitado, mas bom, há dois anos, quando tinham a oitava melhor defesa da NBA, o que dava muitas chances de contra-ataque. No ano passado, quando tiveram a sexta pior defesa, as chances diminuíram e as deficiências no jogo de meia quadra ficaram ainda mais evidentes. Elas se resumiam a deixar o Iguodala bater a bola até ver no que ia dar ou em todo mundo ficar parado vendo o Elton Brand errar um arremesso forçado.

O desafio do Doug Collins é pegar esses bons jogadores que eu citei, juntar com o promissor armador Jrue Holiday, que além da força nominal jogou muito no fim da temporada passada e ainda mais nas Summer Leagues, e Evan Turner, segunda escolha no Draft, jogador que parece muito bom, mas que jogou bem mal na mesma liga de verão que seu companheiro de time se destacou. Como juntar tudo isso e criar uma identidade para o time? Que estratégia usar em um elenco escolhido no shuffle?

Se formos buscar na história de Doug Collins vamos encontrar três times bem parecidos. Tanto o Bulls dos anos 80, o Pistons dos 90 e o Wizards dos 2000 eram times lentos e que concentravam a bola na mão de um jogador central, que era o responsável por ou decidir a jogada ou dar a assistência no final. Era tudo na mão de um jovem Jordan, de Grant Hill ou do Jordan-velho. Deu certo com os dois primeiros e errado com o último, já que colocar um time nas mãos de um idoso nunca dá certo antes da categoria Masters.

Se ele tentar isso no Sixers vai ser um desastre. Andre Iguodala já fez isso nos últimos anos e para cada ponto e assistência que ele dá são 7 turnovers. Para um ala ele tem bom controle de bola e bom passe, é o meu LeBron James Jr na Liga de Fantasy, mas precisa errar muito mais para fazer bem menos que o King James. E fazer o coitado do pivete do Jrue Holiday ter essa responsabilidade é demais. Em um time em que sua maior estrela é um role player de luxo essa estratégia tem tudo pra dar muito errado, ainda mais se ele tentar dar um ritmo lento para esses jogadores que só sabem jogar de patins.

Por outro lado o mesmo Doug Collins recebeu no Bulls o apelido de “Play-a-Day Collins” porque ele aparecia todos os dias com novas idéias, táticas e jogadas novas para seus jogadores aprenderem. Ele é um nerd do basquete e estuda muito o jogo. Não quer dizer que seja um bom técnico por isso, mas manja do assunto. Se ele usar todo o seu conhecimento e criatividade para testar, testar e testar diferentes esquemas táticos e jogadas até encaixar nesse time, talvez dê certo. Não acho que vá dar playoffs logo de cara, mas o que eles mais querem hoje é perspectiva de futuro. Não querem continuar se achando um time encalhado em contratos gigantescos, condenados a serem ruins até o contrato do Elton Brand acabar e o Iggy fugir como Free Agent. 

Sucesso para eles seria ver o Elton Brand jogar metade do que jogava no Clippers, o Andre Iguodala atuando ainda em alto nível mas errando menos e a dupla Jrue Holiday e Evan Turner se mostrando capaz de formar uma dupla titular entrosada. Com todos funcionando junto dá pra pensar em alguma coisa para depois.

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