Talentos esquecidos

A revolução estatística da NBA, ainda em curso, está servindo para muita coisa: às vezes nos mostra com números o que só achávamos no olhômetro, outras vezes quebra mitos e, no caminho disso, serve para dar o devido valor a jogadores que às vezes não eram apreciados como deveriam. Tenho certeza, por exemplo, que a divulgação de alguns números sobre que jogadores mais conseguiam cavar faltas de ataque foi essencial para que a imprensa americana passasse a dar mais valor a Anderson Varejão ainda na temporada retrasada.

Os plus/minus, número que mostra o saldo de pontos no time com determinado jogador ou grupo de jogadores em quadra, serviu para que caras que fazem as pequenas coisas, como Shane Battier e Kendrick Perkins passassem a receber reconhecimentos dos não tão entendidos de basquete, fãs casuais mais vidrados em ver quem marca mais pontos do que qualquer outra coisa.

Porém nem todo mundo foi salvo nessa. Ainda existem muitos jogadores com talentos pouco reconhecidos pelo público da NBA e por quem cobre o assunto na mídia. Listo aqui três talentos importantes que sinto que são esquecidos quando lemos análises basqueteiras por aí:

 

Movimentação sem a bola

Durante o auge de Reggie Miller e depois, nas suas últimas temporadas, durante seus duelos nos Playoffs contra Richard Hamilton, o assunto de jogadores que se movem sem a bola até que ganhava algum destaque. Os dois, afinal, foram dos melhores da história da liga nesse quesito. Marcar Reggie Miller era infernal não só pelas provocações, mas porque Miller era liso, rápido e não precisava de muitos décimos de segundo para passar no meio de um corta luz, receber a redonda e meter o arremesso.

Mas depois disso o assunto meio que morreu. Alguém aí ouve falar sobre como o Kevin Durant consegue passar pelos bloqueios com velocidade apesar de ser gigante? Geralmente dão mais ênfase a seu arremesso perfeito. Duro quando se tem tanto para elogiar! Mas são outros que fazem isso muito bem e ignoramos: Ben Gordon, Kyle Korver, o MVP Matt Barnes, Kevin Martin e o meu favorito, Shawn Marion.

O Matrix é o que eu mais gosto porque ele é o menos óbvio. Os outros citados são grandes arremessadores, logo seus times têm jogadas desenhadas onde todo mundo faz bloqueios até que eles fiquem livres. Isso não tira méritos dele, claro, mas é algo comum, visto com frequência. Com Marion, e também com Barnes quando ele não se posiciona para os chutes de longe, não funciona assim. Pelo contrário, eles se destacam por conseguirem criar para si situações de cesta mesmo com o resto do time nem pensando nisso. O Dallas Mavericks funciona buscando Dirk Nowitzki na cabeça do garrafão ou nas diagonais da cesta, ou com Darren Collison comandando os pick-and-rolls ou, por último, com OJ Mayo comandando o ataque. Nada é desenhado para Marion. Mas mesmo assim ele se mexe incansavelmente sem a bola, lendo a defesa adversária e sempre acaba sozinho. Aí é só esperar quem está com a bola reconhecer isso e dar o passe.

O mesmo vale para Matt Barnes, mas com o bônus de que ele joga ao lado de Chris Paul. Ele se mexe, corta para a cesta no exato momento que a defesa abre um buraco e CP3 está lá para ler tudo isso e premiar Barnes. Grandes armadores muitas vezes saem com todo o crédito por uma bela assistência, mas em boa parte dos casos a assistência não seria possível se o resto do time ficasse passivo, parado, esperando algo mágico acontecer. Os passes para pontes aéreas de Paul para Blake Griffin são difíceis e espetaculares, mas exigem que Griffin se posicione na frente de seu marcador e esteja atento. Aliás, a boa mão para a recepção de assistências difíceis é outro talento esquecido.

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O box out

Sabe aquele bloqueio que um jogador faz no outro para impedir que ele pegue o

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rebote? É um dos grandes sacrifícios que um jogador de garrafão deve fazer e que até hoje só o modo MyPlayer do NBA 2k é que soube premiar quem é bom nisso! Nós, como todo mundo que critica basquete, adora pegar no pé de pivô que pega poucos rebotes por jogo. Já enchemos o saco de Nenê, Brook Lopez e outros por aqui por causa disso. Mas a verdade é que vários deles (não todos, é verdade) sacrificam seus números ao fazer o box out, impedindo que o pivô adversário suba para o rebote de ataque.

Um exemplo clássico disso é o New Jersey Nets que foi bi-campeão do Leste em 2002 e 2003. No ano da segunda final, Jason Kidd, o armador principal do time, tinha 6.3 rebotes de média por jogo, mesmo número do pivô Dikembe Mutombo e do ala Richard Jefferson, apenas 2 a menos que o líder do time, Kenyon Martin. O motivo não é só o ótimo tempo de bola de Jason Kidd para rebotes, mas que o time abria para que o armador pegasse a bola.

O contra-ataque era a grande arma daquele Nets e para que ele saísse o mais rápido possível era necessário que Kidd recebesse a bola o quanto antes. Nada melhor do que ele mesmo pegar a bola e já sair correndo, não é? Era comum Martin ou Mutombo segurarem no corpo os adversários enquanto Kidd corria para seus rebotes e triple-doubles. Eficiente e impossível sem um bom box out de seus companheiros. Outro exemplo? Yao Ming no Houston Rockets. Queriam uns 15 rebotes dele por jogo por causa de seu tamanho, mas ele era lento demais para pegar rebotes que pipocavam em todo garrafão, então ele passou a ser mais útil simplesmente tirando o pivô adversário do lance com um box out. Os Chuck Hayes e Juwan Howards de cada época faziam o trabalho sujo.

Hoje grandes bloqueadores de rebote ofensivo são Kendrick Perkins, Joakim Noah, David West, David Lee, Tim Duncan e também Kevin Love, que é ótimo em tirar os rebotes ofensivos do adversário e também em pegar os dele logo em seguida, uma aberração. Existe algo relacionados a rebotes que Love não saiba fazer? Abaixo Blake Griffin ensina a fazer algo que ele mesmo não fazia tão bem até essa temporada.

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Adendo: o quanto é estranho que uma das fotos mais famosas da história da NBA é um simples box out?

 

Bola de 3 da Zona Morta

Não é difícil ouvir dos estudiosos do basquete que o chute de 3 da zona morta é a bola mais valiosa do jogo. Primeiro porque é a bola de 3 com melhor aproveitamento na NBA: 37% contra 34% das bolas de 3 de outras regiões da quadra. Depois porque toda bola de 3 é valiosíssima simplesmente por valer 50% a mais que qualquer bola de 2 pontos.

Mas não é só isso. Ter um bom arremessador de 3 da zona morta é, há muitos anos, parte essencial de qualquer ataque eficiente da NBA. Desde o Phoenix Suns veloz de Steve Nash até o San Antonio Spurs racional de Popovich e passando pelos triângulos de Phil Jackson, todos sabiam usar com perfeição as bolas da zona morta. Os benefícios são claros. O jogador que fica estacionado lá é um alvo fácil para passes de jogadores que atacam a cesta, o cara também é uma isca de marcação: se o defensor sai de perto dele para ajudar na marcação de quem ataca a cesta ou do pivô, deixa o arremessador livre; se gruda nele para evitar o chute, fica completamente longe de tudo que está acontecendo na quadra, sendo incapaz de ajudar na defesa de qualquer jogada.

O objetivo das bolas de 3 pontos da zona morta é esse, abrir a quadra, abrir espaços e punir os times que tentem evitar isso. Um exemplo: no caso do Phoenix Suns, o espaço no meio da quadra era importante para o pick-and-roll entre Nash e Amar’e Stoudemire, mas para o espaço existir era importante que os defensores estivessem preocupados com Joe Johnson, Raja Bell ou Jared Dudley no canto da quadra.

O San Antonio Spurs deve ser o time que melhor usa as bolas de 3 da zona morta atualmente e esse post do NBA.com tem muitos vídeos explicando como. O vídeo abaixo, do NBA Playbook também dá uma boa visão de como o Spurs tortura seus adversários com a combinação Duncan-infiltração-movimentação de bola:

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=R86ou4NLecU[/youtube]

 

No Court Vision Analytics tem esse post explicando a importância das bolas de 3 da zona morta e listando que jogadores foram os mais eficientes nesse tipo específico de arremesso na última temporada. O melhor foi, claro, Ray Allen, com 50% de acerto em bolas de 3 da zona morta, atrás dele vieram Courtney Lee (49% e substituto de Allen no Celtics nesse ano), Steve Novak (48%), Nick Young (48%), Chase Budinger (47%), Jamal Crawford (46%), Ryan Anderson (45%), Danny Green (44%), Jason Terry (44%) e Brandon Rush (44%).

Entre os times, interessante ver como os melhores times em bolas de 3 da zona morta na temporada passada são os considerados bons times ofensivos: Warriors, Celtics, Rockets, Magic, Thunder e Spurs. Talvez a exceção seja o Celtics, meio empacado no ataque, mas isso é o que dá ter Ray Allen na equipe. Entre os piores em arremessos de 3 da zona morta, tragédias como Raptors, Bobcats, Nets e Sixers, que na temporada passada simplesmente não tinha arremessadores de longa distância e que fez muito bem em contratar Jason Richardson e Nick Young.

Talvez os times possam ser mais cuidadosos na hora de contratar jogadores. Se eles precisam de arremessadores de 3 pontos, podem procurar mais especialistas em zona morta ao invés de jogadores que gostam de driblar antes de chutar ou os que precisam de muitos bloqueios e jogadas desenhadas para funcionar.

E embora tenha dado o exemplo da zona morta, isso vale para outros arremessos. Alguns jogadores podem não ter números gerais ótimos, mas são especialistas em determinado tipo de arremesso. Sabendo disso os times podem contratar jogadores em baixa e usá-los de maneira mais inteligente. Abaixo dados feitos pelo mesmo Court Vision Analytics sobre os melhores arremessadores da temporada 2011-12 em cada posição da quadra. Alguns resultados surpreendem… Rondo?!

 

Vocês conseguem lembrar de outro talento específico que costuma passar despercebido na análise de jogadores? Palpite aí!

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

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