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02-07-2014
#Especiais

Free Agents 2014 – A Planilha

Defenestrado por Denis

Como em todo santo ano, cá está a Planilha de Free Agents para que vocês acompanhem as principais negociações da offseason da NBA. Como sempre, estou aberto para que vocês usem os comentários para me lembrar de quem esqueci ou de avisar alguma nova contratação que vocês leiam por aí.

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21-07-2014
#Classic

Análise do Draft 2014 – Parte 1

Defenestrado por Denis

Pressa pra que, gente? Quase um mês depois do Draft, vamos começar a nossa análise. Achei que seria melhor, dessa vez, assistir todos os novatos jogarem nas Summer Leagues de Las Vegas e Orlando antes de colocar meus palpites. Nos anos anteriores eu estudava bastante o que os scouts e especialistas gringos falavam dos jogadores, nesse ano resolvi juntar essas análises com o que eu vi nos jogos de verão.

Bom lembrar que é impossível prever o quanto um garoto vai ser bom no futuro. Alguns tem a carreira perfeita, parecem bons de cabeça e motivados, mas na hora simplesmente tudo dá errado ou um joelho estoura. A análise do desempenho do time também não é garantia de sucesso ou fracasso, um time pode fazer um mau negócio e acabar dando sorte. Falamos de tudo aqui com a perspectiva que os times tinham no momento que escolheram os jogadores.

Andrew-Wiggins-NBA-Draft-2014

A tradição dos posts do Draft é assim: Analisamos time por time, na ordem das escolhas, e damos a cada equipe um selo de qualidade que resume o que achamos das escolhas no geral. O tema dos selos muda todo ano, já foi baseado em mulheres, números, Michael Jackson, memes da internets e até seleções brasileiras em Copas do Mundo. No ano retrasada usamos usando Redes Sociais como parâmetro e em 2013 apelamos para as manifestações de rua.

Nesse ano, mantendo a tradição, fizemos selos de qualidade baseado em um assunto do momento: futebol. Viva as Copas!

Klose 7 a 1: Você vai lá, se prepara, monta um timaço e atropela o maior vencedor de todos os tempos, na casa dele, por um placar humilhante. Simplesmente não dá pra ser melhor do que isso. Selo para os times que tomaram a decisão perfeita no dia do Draft 2014.

RVP 5 a 1: Revanche de goleada? Sobre o atual campeão mundial que te derrotou na última final? Só um 7 a 1 supera. Faltou repetir a grande atuação mais pra frente, mas já é um placar se orgulhar. Selo para os times que acertaram, mas não entraram para a história.

Messi 1 a 0: Não conquista o público, não vira trauma nacional de ninguém, mas é o bastante pra vencer. Pode ser feio ou bonito, golaço ou de canela, impedido. É o necessário para sair com os 3 pontos ou a classificação. Selo para os times que fizeram o que dava na hora.

James 1 a 2: Placar honesto, justo, jogo disputado. Mas uma derrota é sempre uma derrota e não dá pra ficar satisfeito depois de ser chutado pra fora do campeonato. Selo para os times que até tentaram fazer tudo certo, mas podem acabar quebrando a cara daqui um tempo.

Marcelo

1 a 7: Afinal, o que poderia ser mais traumático do que perder uma final? Ah é, isso! Selos para times que tomam bola nas costas do Marcelo sem parar.

 

…..

Klose Cleveland Cavaliers

Andrew Wiggins, SF (1)
Joe Harris, SG (33)
                 Dwight Powell, PG (45)
                 Brendan Haywood, C (via troca)

Se eu fosse dar uma dica para o Cavs antes desse Draft, seria só essa: não inventa moda. Sei lá que diabos de olheiros e estatísticas estranhas eles usam para avaliar jogadores, mas nos últimos anos eles foram especialistas em surpreender todos no Draft, quase nunca de maneira positiva. Escolher Kyrie Irving, que não foi surpresa e nem deu errado, foi considerado arriscado na época porque o armador quase não jogou por Duke, depois de passar o ano machucado.

Depois disso eles pegaram Dion Waiters e Tristan Thompson muito antes do que acreditavam que eles mereciam e, no ano passado, bom, todos lembram do choque que foi quando eles selecionaram Anthony Bennett. Nem acho que qualquer um dos 3 seja ruim, mas no lugar deles daria para ter Damian Lillard, Jonas Valanciunas e Victor Oladipo. E nem estou dando uma de sabichão, essas eram escolhas plausíveis no momento em que o Cavs tomou suas decisões. Não é como, por exemplo, sugerir Giannis Antetokounmpo, que ninguém sabia quem era.

Então nesse ano o negócio era ir com segurança. Arriscar Joel Embiid e seus problemas de saúde poderia valer a pena a longo prazo, mas era um enorme risco. Jabari Parker é um excelente jogador, mas, dizem as más línguas, fez corpo mole no treino que fez em Cleveland porque não queria jogar no Cavs. Boato ou não, melhor não arriscar. Depois de tanto inventar, era só pegar a escolha mais óbvia e correr para o abraço. Andrew Wiggins tem um físico impressionante, ótima mobilidade e já parece ser um bom defensor de mano a mano. Se tudo der errado para ele no ataque (não melhorar arremesso e drible, especialmente), pelo menos o cara se garante como um excelente defensor de perímetro, algo que o Cavs precisa desde sempre.

A Summer League de Las Vegas mostrou, porém, que Wiggins pode ser bem mais do que isso. Apesar de alguns momentos de pânico quando ele tentava driblar demais, mostrou talento para atacar a cesta, cavar faltas (fez a festa no lance-livre) e pareceu um dos melhores jogadores do campeonato quando seus arremessos estavam indo no alvo. É possível imaginar Wiggins jogando ao lado de LeBron James e fazendo uma das melhores duplas defensivas de perímetro de toda a NBA, também é possível imaginar o Cavs usando o seu talentoso ala como isca para trocar por Kevin Love. Trocá-lo ou não é uma outra discussão, para outro momento, mas de qualquer forma, não tem muito como o Cavs errar.

Na segunda rodada, o Cavs escolheu Joe Harris, que pode jogar nas posições 2 e 3 e fez fama como arremessador de longa distância. Em Las Vegas, teve média de 8 pontos por jogo e ótimos 40% de acerto de longa distância. Difícil imaginar ele conseguindo tempo em quadra, especialmente depois da chegada de Mike Miller, que o Cavs nem imaginava na época do Draft. Provavelmente Harris vai ralar um pouco mais na D-League para ampliar seu jogo.

Por fim, o Cavs mandou, no dia do Draft, o ala Alonzo Gee para o New Orleans Pelicans em troca do veterano Brandan Haywood e de Dwight Powell, a 45ª escolha. Powell é limitado, mas é um ala alto e especialista em arremessos de longa distância. LeBron James jogou sempre com jogadores abertos em Miami e pode precisar de jogadores como ele, mas como ele mal atuou na Summer League, difícil apostar que consiga um contrato. No fim das contas, a troca foi mais para limpar um pouco de espaço salarial. Gee ganharia quase 4 milhões de dólares na temporada, 2 a mais que  o sempre machucado Haywood.

 

Klose Milwuakee Bucks

 Jabari Parker, SF (2)
  Damien Inglis, SF (31)
                  Johnny O’Bryant, PF (37)

Esse é daqueles que nem precisa ver as escolhas de segunda rodada para saber que acertaram em cheio. Ou melhor, que deram sorte demais! Pensa bem, Jabari Parker não é só uma das maiores jovens promessas dos últimos anos no basquete, ele é também um raríssimo jogador que disse, com todas as letras, que quer jogar no Milwaukee Bucks! Isso sim é raro e único.

Jabari Parker parecia ser um jogador completo e mostrou isso de novo na Summer League de Las Vegas: muitos pontos em arremessos de meia distância, infiltrações, enterradas e uma ótima média de 8.2 rebotes por partida. Pecou demais nos arremessos de longa distância, algo que o Bucks precisa demais. Também precisa melhorar seu controle de bola, já que ele e seu novo parceiro, Giannis Antetokounmpo, são alas por natureza mas terão que dividir o trabalho de conduzir a bola e criar jogadas. Nada preocupante, já que o plano do Bucks é a longo prazo.

Considerando a melhora de Brandon Knight no ano passado, especialmente quando não precisou se concentrar demais em armar o jogo, dá até para imaginar o Bucks jogando com um time bastante aberto, sem pivôs. Assim como o novo técnico Jason Kidd fez em Brooklyn, dá pra imaginar um quinteto com Kendall Marshall, Brandon Knight, Giannis, Jabari Parker e Larry Sanders. É empolgante no papel, dá pra imaginar eles correndo como loucos. Parker, versátil, dá essa tentadora opção a seu novo treinador, mas o time terá que conviver com sua adaptação a esse novo estilo de jogo, bem diferente do que ele fazia em Duke.

Na segunda rodada, o Bucks apostou no ala francês Damien Inglis. Ele não jogou Summer League e o mais provável é que passe pelo menos um ou dois anos no exterior antes de ir para a NBA, os scouts internacionais gostam dele, pode ser uma boa aposta. Com o elenco já cheio de jogadores, não fará falta agora. Aliás, o elenco cheio é o que atrapalha Johnny O’Bryant. Pivôzão bate-cabeça, poderia ser útil, mas difícil imaginar ele entrar numa rotação de garrafão que já tem Larry Sanders, Ersan Ilyasova, John Henson e Zaza Pachulia.

 

RVP Philadelphia 76ers

 Joel Embiid, C (3)
 Dario Saric, SF/PF (12)
                  KJ McDaniels, SF (32)
                  Jerami Grant, SF (39)
                  Vasilije Micic, PG (52)
                 Jordan McRae, SG (58)

Se existe um time com menos pressa que o Bola Presa na hora de fazer as coisas, é o Philadelphia 76ers. Na temporada passada, foram o único time a ter coragem de selecionar Nerlens Noel, que havia caído de certeza da primeira escolha para um gigante sinal de alerta após lesionar o joelho. O Sixers apostou no pivô, o tratou por um ano e agora viu ele jogar muito bem na Summer League de Orlando, protegendo o aro como imaginado. O fato dele ter descansado em boa parte dos jogos de Las Vegas criou novas dúvidas acerca do jogador, mas esperaremos a temporada regular pra avaliar a saúde do garoto.

Neste ano, mais do mesmo. Logo depois de Joel Embiid superar Jabari Parker e Andrew Wiggins na mente e corações dos analistas da mídia americana, surgiu uma preocupante lesão nas costas e, depois, no pé, onde ele precisou de cirurgia e até por isso nem esteve presente no dia do Draft. Mas o Sixers, com seu plano maligno de só dominar a NBA em 2024, não viu problema em tratar o rapaz em casa. Enquanto ele perde, dizem, uns 5 ou 6 meses se recuperando, eles estreiam Noel. É como quem espera as séries aparecerem no Netflix e está sempre atrás de quem baixa as coisas na internet.

Se não sofrer com lesões na carreira, Embiid tem tudo para se dar bem na NBA. Com muito tamanho e ótimo jogo de costas para a cesta, tem como fazer diferença mesmo se não for realmente melhor que Wiggins e Parker como alguns estavam falando. Com muita paciência, o Sixers levou os dois caras que teriam sido escolha 1 nos seus Drafts, parece bom negócio ter paciência em uma liga imediatista.

Mas se você acha que a paciência para por aí, está errado. Dario Saric, versátil ala croata, tem contrato com o Anadolu Efes da Turquia por mais 2 anos e só deve chegar na NBA em 2016! O Sixers ignorou essa parte, só viu um moleque de 19 anos que já foi eleito o melhor jovem jogador da Europa, MVP do último Europeu Sub-16, MVP da Liga Croata em 2013 (com 18 anos!) e MVP da Liga Adriática no mesmo ano. Enquanto a maioria dos General Managers tem medo de já ter perdido o emprego até 2016, o Sixers tem um ótimo plano a longo prazo e daqui uns anos pode ter em mãos um dos mais promissores jovens europeus da atualidade.

Na segunda rodada, algumas apostas do Sixers. O sérvio Vasilije Micic é outro que deve passar uns anos no exterior antes de ter alguma chance, enquanto os outros três americanos entraram na Summer League clamando por uma chance no time principal. KJ McDaniels impressionou por conseguir atacar a cesta, cavar lances-livres e até arremessou melhor do que suas médias na faculdade, também impressionou na defesa; Jordan McRae foi o melhor jogador do time em Las Vegas, onde Noel não jogou. Impressionou pela versatilidade no ataque e sua envergadura fez a diferença na defesa: entrou no segundo time da competição, sendo menos votado apenas que os segundo-anistas Tony Snell e Glen Rice Jr; Jerami Grant foi o que menos chamou a atenção, mas pode ter uma chance em um time que não tem nada a perder e muitos contratos não-garantidos no elenco.

 

JamesOrlando Magic

 Aaron Gordon, PF (4)
 Elfryd Payton, PG (10)
                 Roy Devin Marble, SG (56)
                 Evan Fournier (via troca)

O Orlando Magic não saiu com jogadores ruins, mas foi o time que mais saiu recebendo olhares de “que raios eles estão fazendo?” durante toda a noite do Draft. Depois que o Philadelphia 76ers decidiu apostar no futuro de Joel Embiid, o Orlando Magic se viu com o armador mais adorado do ano em suas mãos: era só selecionar Dante Exum, liberar Victor Oladipo da armação de jogadas e ver uma das mais empolgantes jovens duplas de armação em ação.

Mas… não. O Magic decidiu ignorar o empolgante (embora ainda misterioso e pouco avaliado) Exum e apostou em Aaron Gordon, ala de força que passou só um ano na universidade de Arizona. Gordon ainda parece muito despreparado para assumir uma vaga de titular na NBA, como logo mostrou na Summer League com erros atrás de erros no ataque; e é difícil imaginar ele roubando minutos de Tobias Harris, outra jovem aposta do Magic que, embora mais versátil, pode atuar exatamente na mesma posição. E eles dispensaram Jameer Nelson, por que não pegaram um armador? A única explicação é a defesa. Gordon é impressionante atleticamente e parece bom defensor, pode ser que o Magic o enxergou como o protetor de aro que o time ainda não tem estabelecido.

Depois o Magic conseguiu a 10ª escolha ao trocar a sua, a 12ª, mais uma escolha de 2ª rodada com o Sixers, que logo usou a pick para selecionar Dario Saric. Lá, finalmente, eles pegaram um armador, o bom Elfryd Payton. Sem nenhum arremesso de longa distância, mas ótima visão de jogo e velocidade, pode ser o cara ideal para colocar o time para correr a aproveitar a capacidade atlética de Oladipo, Vucevic e, agora, Gordon. Na Summer League, Payton distribuiu muitas assistências, mas pecou ao cometer muitos turnovers justamente ao forçar o jogo rápido. Nada que ele não possa pegar o jeito, mas pode prejudicar o time neste seu primeiro ano de profissional.

Na visão da maioria de quem cobre NBA, o Magic poderia ter saído do Draft com um armador melhor que Payton (Exum) e um ala que oferecesse algo que Gordon não dá, arremesso de longa distância, outra necessidade do time. Como, por exemplo, Doug McDermott. Um time com Exum, Oladipo, McDermott, Harris e Vucevic empolga no papel, não? O Magic não foi mal, mas eles vão sofrer com as comparações do que podem ter sido, e será um teste de paciência até Aaron Gordon se encontrar na NBA.

Na segunda rodada, uma escolha que também surgiu de uma troca inesperada. Eles mandaram Arron Afflalo, um dos melhores jogadores do time no ano passado, um dos melhores na posição no Leste, para o Denver Nuggets em troca de Evan Fournier e a tal escolha 56. Tá bom que Afflalo, já veterano, não precisava ficar num time em reconstrução, mas só isso em troca? Sempre prefiro dar o benefício da dúvida para o General Manager, mas será que não tinha mesmo uma outra proposta melhor por Afflalo? Difícil imaginar. Gosto de Fournier, porém, pode ser um bom 6º homem na equipe. Já Devyn Marble fez boa, mas discreta Summer League. Com bons números no rebote e atuações regulares, garantiu um contrato para a próxima temporada.

 

MessiUtah Jazz

Dante Exum, PG (5)
Rodney Hood, SG (23)

Por mais que a realidade não confirme o que eram as expectativas sobre Derrick Favors e Enes Kanter, os dois tem feito um trabalho razoável no garrafão do Jazz. O time até tinha suas justificativas para selecionar, digamos, Julius Randle para dar mais poder ofensivo ao garrafão, ou Noah Vonleh para melhorar nos rebotes. Mas considerando o quanto eles melhoraram no ano passado ao usar apenas Favors, isolado, como pivô, talvez fosse melhor investir em outras posições ou, melhor ainda, só pegar quem eles achassem melhor!

E acho que foi isso que eles fizeram. Dante Exum era um mistério por pouco ter jogado no último ano, quase nada contra jogadores que merecessem a comparação. Mas em todos os treinos ele mostrava sua velocidade assustadora, controle de bola, capacidade para infiltração e tudo mais. Se os scouts acertaram, era o melhor armador do ano e ainda com capacidade para jogar sem a bola. Depois do sucesso do experimento Dragic-Bledsoe em Phoenix, por que não tentar?

Na Summer League, Exum jogou ao lado de Trey Burke e não pareceu ter problema de entrosamento. Claro que sofreu nos arremessos de média e longa distância (16% de 3 pontos, irgh!), mas quando jogou bem pareceu tão melhor que os outros que deu pra entender de onde tiraram seu potencial. O risco dele ser mais um estrangeiro com expectativas exageradas ainda existe, mas eu ainda estou na fase empolgação.

Imagem de Amostra do You Tube

Com sua outra escolha, o Jazz selecionou Rodney Hood, bom ala de Duke que muita gente achou até que sairia mais cedo. Como muitos atletas vindos do time de Coach K, Hood tem a fama de um faz-tudo. Bom arremesso, boa movimentação sem a bola e boa leitura de jogo. Talvez não consiga excelência em nada disso, mas tem tudo para ser reserva imediato de Gordon Haywood e lutar com Alec Burks por minutos na reserva da posição 2. Em Las Vegas não conseguiu embalar bons jogos em sequência, sempre foi um jogo muito bom seguido de outro muito ruim. Na média, foi médio.

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21-07-2014
#Curtas e Rápidas

Contratados e Analisados #2

Defenestrado por Denis

Para se manter atualizado das contratações da offseason, fique de olho na nossa Planilha de Free Agents

Harris

Devin Harris – Dallas Mavericks (9 milhões por 3 anos)

Parece que foi outro dia que Devin Harris era um promissor armador na NBA, mas seu auge já passou e ele já é um balzaquiano. No meio do caminho, perdeu um pouco da velocidade que tanto o marcou no começo de carreira. Depois que chegou a marcar 21 pontos por jogo no New Jersey Nets em 2008-09, seu desempenho foi caindo aos poucos ano a ano.

Ele renasceu, porém, quando voltou a seu time de origem, o Dallas Mavericks. Como reserva na temporada passada, conseguiu fazer bons jogos e se destacou em especial nas primeiras partidas da série contra o San Antonio Spurs. É sempre bom ter um cara que gosta de atacar a cesta no banco de reservas; como um especialista em 3 pontos, é o tipo de jogador necessário para quebrar alguns tipos de defesa e promover um boost ofensivo que pode mudar a cara do jogo.

Mas será que Harris ainda é esse cara? Existiram bons momentos no ano passado, mas nada que empolgue muito. E pior que o novo contrato é de 3 anos, dá pra imaginar Harris explodindo para o meio da defesa no auge dos seus 33 anos? Ele não é nenhum Highlander como Jamal Crawford. Segundo dados do SynergySports, na temporada passada ele só passou dos 40% de aproveitamento em um tipo de situação ofensiva: contra-ataques. Em arremessos parado, vindo do drible, isolações e pick-and-roll, tudo na casa dos 20% ou 30%. Até nas bolas de 3 pontos, onde ele havia melhorado nos dois anos anteriores (36% e 35%), voltou a cair para os 30% de aproveitamento.

O preço foi muito bom e não atrapalha em nada a flexibilidade do Dallas Mavericks, mas existe o risco do time precisar mais de Harris do que se imagina, especialmente se a aposta em Raymond Felton não dê resultado.

 

Lowry

Kyle Lowry – Toronto Raptors (48 milhões por 4 anos)
Greivis Vásquez – Toronto Raptors (13 milhões por 2 anos)

O Toronto Raptors foi uma das grandes histórias da última temporada. Conseguiram trocar os até então inegociáveis contratos de Rudy Gay e Andrea Bargnani e, quando todos achavam que iriam ruir, conseguiram a melhor campanha do ‘resto’ do Leste, atrás apenas do hiper favoritos Miami Heat e Indiana Pacers. Mas o elenco muito jovem sofreu nos Playoffs e perderam dois jogos em casa para o experiente Brooklyn Nets, inclusive o Jogo 7.

Com uma porrada de Free Agents no grupo, surgiram dúvidas: dá pra segurar todo mundo? Vale a pena segurar um monte de gente que nem passou da primeira rodada? Será que era só gente desesperada atrás de um contrato novo?

Eram riscos, claro, mas era obrigação moral do Raptors dar mais uma chance para um time que foi tão longe. Especialmente porque com o enfraquecimento de Heat (sem LeBron James) e Pacers (sem Lance Stephenson), a conferência está mais aberta do que nunca. Kyle Lowry foi o grande pontuador do time nos quartos períodos, o criador de jogadas e o melhor defensor individual. Saiu caro, é claro, mas quando um cara encaixa tão bem assim, é bom apostar. Lowry tinha fama de ser difícil no vestiário, mas parece ter se encontrado com esse grupo, Toronto pode ser o que Memphis foi para o também difícil Zach Randolph.

Quem também saiu caro foi Vásquez, especialmente porque vai se pagar mais de 6 milhões de dólares para um reserva. Mas, se você pensar bem, faz sentido. O armador venezuelano, além de substituir o titular na armação, teve ótimas atuações ao lado de Lowry. Com boa altura para marcar os shooting guards e bom aproveitamento em arremessos (38% em bolas de 3 pontos), ele será mais do só um backup. A duração de seu contrato, 2 anos, também é boa. Em 2016 vão começar os papos de renovação com Terrence Ross e Jonas Valanciunas e DeMar DeRozan estará entrando no último ano de seu contrato. Também está sendo um ano antecipado como um dos com mais variedade de bons jogadores disponíveis na Free Agency. 

 

Carter

Vince Carter – Memphis Grizzlies (12 milhões por 3 anos)

Se Devin Harris parecia acabado, o que dizer de Vince Carter e seus 37 anos?! Mas por incrível que pareça, o Vinsanity arranjou um jeito de ser eficiente nos últimos anos de sua carreira. Ele desenvolveu bom arremesso de longa distância, com 40% da linha dos 3 pontos (44% na diagonal esquerda do ataque, de longe da onde ele mais tentou arremessos) e, mais importante, criou ótimo entrosamento com o pivô Brendan Wright em Dallas. Os dois faziam um jogo de pick-and-roll mortal, com ponte aéreas, criação de jogadas, infiltrações e tudo mais que envolve a jogada. Carter teve 42% de acerto de arremessos em jogadas terminadas no pick-and-roll, 21ª melhor marca da liga.

Certamente é estranho dar um contrato de 3 anos para um cara de quase 40. Também não dá pra garantir que ele terá o mesmo sucesso sem a parceria com Wright e sem Rick Carlisle no banco. O técnico do Mavs é um dos melhores criadores de jogadas de ataque da NBA; enquanto o Memphis Grizzlies, seja antes com Lionel Hollins ou agora com Dave Joerger, não é conhecido por um ataque fluído e fácil.

 

Meeks

Jodie Meeks – Detroit Pistons (19 milhões por 3 anos)

Todo mundo fica falando mal do Mike D’Antoni, mas tá aí outro grande contrato conseguido por um jogador que só rendeu sob os comandos de antigo treinador do Los Angeles Lakers. Mas sejamos justos também, apesar de beneficiado pelo espaço e velocidade que só D’Antoni sabe criar, Meeks mostrou uma grande evolução individual: está mais confiante no próprio drible, passou a atacar mais a cesta, especialmente em contra-ataques, e até na defesa ele não é mais uma negação, como era alguns anos atrás.

Ele não é gênio, não é grande defensor e nem vai resolver todos os muitos problemas do Detroit Pistons, mas foi uma boa contratação porque responde a pelo menos um deles. Ano passado o Pistons foi o segundo pior time da NBA em aproveitamento de 3 pontos (32%), justamente a especialidade de Meeks. E mais do que isso, o ala/armador teve a 10ª melhor marca de toda a NBA em pontos por arremesso na última temporada. A marca conta quantos pontos um jogador marca a cada posse de bola onde ele finaliza o ataque; Meeks conseguiu uma média de 1,09 pontos a cada posse de bola onde ele arremessou.

 

Mike Miller

Mike Miller – Cleveland Cavaliers (5.5 milhões por 2 anos)
James Jones – Cleveland Cavaliers (1.4 milhão por 1 ano)
Brendan Haywodd – Cleveland Cavaliers (2 milhões por 1 ano)

O primeiro resultado da ida de LeBron James ao Cleveland Cavaliers! Com o melhor jogador da galáxia por lá, o time tem tudo para se tornar um imã de bons veteranos nos próximos anos.  Por enquanto só vieram Mike Miller e os limitadíssimos Brendan Haywood e James Jones. É pouco, claro, mas eu acho que tem a ver com o fato do Cavs não querer passar muito do salary cap nesta e na próxima temporada, lutando pela chance de adicionar mais uma estrela ao time.

Em Miami, LeBron conseguiu atrair Ray Allen, Rashard Lewis e o próprio Mike Miller. Em Cleveland a expectativa é por Kevin Love. O mundo dos boatos diz que Love toparia uma extensão de contrato caso fosse trocado do Wolves para o Cavs, algo que ele certamente não faria se não fosse para jogar com King James.

 

Hayward

Gordon Hayward – Utah Jazz (63 milhões por 4 anos)

Sim,  o Utah Jazz decidiu usar seus poderes e igualou a oferta de 63 milhões por 4 anos que o Charlotte Hornets havia oferecido a Gordon Hayward. Como Hayward era um Free Agent Restrito, o Jazz tinha esse poder. Mas antes que vocês pirem com o valor do contrato, vamos lembrar de algumas coisas: (1) Há um ano, o Jazz perdeu, sem receber nada em troca, Al Jefferson, seu melhor jogador, para o mesmo Hornets (na época, ainda Bobcats); (2) Também no ano passado, eles perderam Paul Millsap para o Altanta Hawks em troca de nada; (3) Quando o Jazz perdeu Carlos Boozer para o Chicago Bulls, em 2010, eles só conseguiram arrancar uma trade exception no negócio.

Ou seja, tirando por Deron Williams, o Jazz tem um histórico recente de perder seus melhores jogadores sem receber nada em troca. Culpa deles que não trocam o cara quando podem? Um pouco. Culpa por não conseguir convencer os caras a ficarem? Também. Mas antes que consigam acertar tudo isso, vão ter que gastar mais do que planejado para não ficar andando pra trás.

Para os próximos anos, o Utah Jazz gastará quase 25 milhões por ano com a dupla Gordon Hayward e Derrick Favors, sendo que nenhum deles conseguiu se estabelecer ainda como um jogador de alto nível. Nenhum deles ronda as conversas de All-Star Game. Os dois são bons e ainda jovens, mas para onde vão carregar a equipe? Tudo se compensa de outro lado, porém. Favors ganha seu montante pelos próximos 4 anos, assim como Hayward. Só depois que os dois negócios acabarem que o Jazz terá que se preocupar em dar uma extensão de contrato para os dois caras que realmente podem levar o time a outro nível: Trey Burke e Dante Exum. No meio do caminho, de problema sério, só uma possível renovação com Enes Kanter. Sabemos como pivôs saem caro e como sempre tem time pagando fortunas, talvez não dê para segurá-lo após pagar esse PIB de país médio para Hayward.

Em defesa do ala do Jazz, é bom lembrar que apesar das 4 temporadas de experiência, ele só tem 23 anos. Dava pra ser novato e ainda tem o que evoluir! E no último ano teve ótimas médias de pontos (16) e, mais importante, assistências: 5.2, número muito expressivo para um ala. Sem contar a defesa, que tem melhorado aos poucos. Com dois armadores agressivos, é bom ter um ala que gosta de passar a bola e facilite o jogo fazendo essa transação entre quem ataca a cesta e quem finaliza as jogadas, sejam pivôs ou arremessadores. Meio como Boris Diaw ou Joakim Noah, Hayward é importante jogando no meio da quadra e fazendo a bola girar. É duro pagar 15 milha pro cara fazer isso, mas tem hora que é a única saída.

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16-07-2014
#Especiais

[Tradução] O que o retorno de LeBron siginfica para Ohio

Defenestrado por Denis

Depois que traduzi a carta de LeBron James, onde ele anunciou sua volta ao Cleveland Cavaliers, recebi uma proposta do nosso leitor Thiago Waldhelm. Ele se propôs a traduzir, NA PARCERIA, alguns textos gringos que a gente achasse interessante. Gostei da ideia, afinal tem coisas que só gringos podem escrever e nem sempre nossos leitores aqui podem apreciar.

O primeiro texto da parceria é, de novo, sobre LeBron James. É do escritor David Giffels, que como nativo do estado de Ohio, escreveu para o Grantland sobre o que a volta de LeBron significa para o quem mora no Estado.

Sendo as notas de um nativo, com detalhes que só quem mora lá pode saber, é o tipo de texto que não poderíamos fazer. O resultado está abaixo.

…..

“É prático ter esperança.”

Estas são palavras de Studs Terkel, um bom cidadão do centro-oeste dos EUA que entende tão bem quanto qualquer outro americano a maneira de pensar de pessoas que vêm de lugares comuns, ordinários. Ter esperança é algo prático, mais ligado ao suor do que à imaginação.

LeBron James veio de um lugar que pensa dessa maneira, e é por isso que a notícia de seu retorno para jogar pelo time de sua cidade-natal, o Cleveland Cavaliers, transcende a publicidade comum sobre uma celebridade esportiva. Seu próprio entendimento da importância de quem ele é em relação ao lugar de onde veio é ímpar no mundo do esporte profissional nos EUA.

James nasceu na cidade de Akron em 1984, meros dois anos após o termo “Cinturão da Ferrugem”* ter aparecido pela primeira vez no léxico da língua inglesa. Quando entrou no ensino fundamental, três das quatro principais corporações de pneus sediadas em Akron tiveram a posse tomada por donos estrangeiros e foram erradicadas da antiga “Capital Mundial da Borracha”.

Ele nasceu bem no meio da pior seca de campeonatos de qualquer cidade-sede de algum time nos esportes principais – 2014 marca 50 anos (e contando) desde o último campeonato vencido por Cleveland. Ele nasceu em meio a um íngreme declínio de população: Akron perdeu aproximadamente um terço de seus residentes neste mesmo meio-século, caindo de 290.000 em 1960 para 199.000 em 2010.

Mesmo assim, a maior frustração para tantos de nós que vivemos aqui não é a perda em si, mas o fato da perda ter se tornado tão parte da nossa história. Quando eu era um colunista no Akron Beacon Journal nos anos 2000, passei muito tempo lendo, falando e escrevendo sobre “escoamento de mentes”, o inquietante fenômeno em Ohio e estados similares no qual perdemos nossos jovens talentos para lugares que aparentam ser mais promissores. Como um homem de meia-idade nascido e criado na cidade, estou bastante acostumado a ver pessoas indo embora.

Esse é um problema real e incômodo, mas é só uma parte da história. Há milhões de nós que ficamos e nos comprometemos com cidades como Akron, e reconhecemos o valor de ter esperança para elas, e de trabalhar arduamente para ratificar esta esperança. Sabemos dos nossos problemas, e nos esforçamos para corrigi-los, para impedi-los, para revertê-los. Sabemos que são esses os lugares que necessitam de nós, e que ser necessário é tanto conforto quanto responsabilidade.

Eu falo a língua nativa, e ao longo de todos os anos enquanto James foi nosso produto mais famoso (e, por um tempo, exportado), ouvi o tom de sua mensagem quando ele fala sobre sua cidade natal. Ele não se apóia nos clichês da ética de trabalho do centro-oeste ou na importância das raízes. Ao invés disso, ele aprofunda estas noções. De maneira quieta e caridosa, ele doou de si mesmo e de suas finanças para o sustento de Akron, especialmente das crianças. Ele manteve sua casa aqui. Ele tatuou o DDD local – 330 – em seu antebraço, um senso de origem escrito em letras garrafais. Em um centro-oeste pós-industrial que perdeu tanto poder e identidade, a importância de ser entendido vale muito mais que a importância de ser celebrado.

Assim, para alguns de nós aqui, a “esperança” dos últimos quatro anos, enquanto James exercia seus famosos, e muitas vezes notórios, talentos em South Beach, não era tanto a de que ele voltasse para jogar pelos Cavaliers, mas sim a de que ele voltasse para casa. Que ele mostrasse que a tendência para a perda não é tão linear ou simples, para provar que este é tanto um bom lugar para se nascer quanto para se estar. Que esta é a verdadeira jornada americana: saber onde você se sente em casa e batalhar para chegar lá, e que às vezes a jornada te leva exatamente para onde você começou.

Na notavelmente eloquente e madura carta que James publicou sexta-feira no site SI.com anunciando seu retorno para casa, ele escreveu “No nordeste de Ohio, nada é dado. Tudo é conquistado. Você trabalha pelo que você tem.”

Nós sabemos que, aqui, também é perigoso ter esperança. Sabemos que, de muitas maneiras, a esperança pode ser muito mais devastadora que a perda. Mas temos esperança todo dia, nos esforçando ter alguma prova da mesma. E às vezes ela vem.

(Texto de David Giffels)

*Cinturão da Ferrugem (Rust Belt) é uma região no nordeste dos Estados Unidos, também conhecida como Cinturão da Manufatura, cuja economia é baseada principalmente na indústria pesada e de manufatura, sendo a área de industrialização mais antiga e extensa do país.

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