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04-08-2014
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[Tradução] Kyle Korver: o próprio ataque

Defenestrado por Denis

Nosso parceiro Thiago Waldhelm nos ajudou com mais uma empreitada de tradução. Dessa vez pedimos para ele traduzir o excelente texto que Zach Lowe, do Grantland, fez com Kyle Korver, ala do Hawks. 

Há anos que Lowe é o cara que melhor cobre a NBA nos EUA e esse texto mostra bem a razão: ele sabe ler o jogo, comentar, sabe contar histórias, consegue boas fontes e escolhe os melhores assuntos. Agradeçam ao coleguinha Thiago por mais uma tradução!

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KK2

Conforme a segunda rodada do Draft 2003 prosseguia preguiçosamente, o Nets observava os times à sua frente colhendo todos os jogadores nos quais a equipe de New Jersey tinha interesse. O time, ainda saboreando o recente título da Divisão Atlântica e uma aparição nas Finais da NBA, estava com tão pouco dinheiro que considerou vender sua escolha para financiar o esquadrão da Liga de Verão.

Sem nenhuma de suas escolhas preferidas à mesa, o alto escalão do Nets selecionou o ala Kyle Korver, da Universidade de Creighton, com a 51ª escolha – e imediatamente vendeu seus direitos de Draft para o Sixers por 125.000 dólares. Este valor cobriu a Liga de Verão. Com o dinheiro que sobrou, o Nets comprou uma nova fotocopiadora.

Assim, a equipe de New Jersey se tornou a primeira em uma longa fila de times que subestimaram Korver e vivem com o arrependimento, enquanto ele continua a melhorar seu jogo, mesmo tendo entrado nos trita-e-poucos anos. A evolução de Korver em um jogador beirando o status de estrela surpreendeu a todos, inclusive o ala de 33 anos, e a jornada alcançará seu mais recente ápice nesta semana, quando ele competirá por uma das 12 preciosas vagas na escalação da seleção dos EUA que irá para a Copa do Mundo FIBA.

“Nós trocamos um bom jogador pela Liga de Verão”, diz Rod Thorn, que era o GM do Nets na época. “Foi simplesmente uma coisa que tivemos que fazer. Pelo menos, foi assim que eu racionalizei.”

Korver é uma peça antiga, mas adequada para sobreviver na linha de frente da evolução da liga. Ele é um espécime de uma raça em extinção, que corre em volta de bloqueios longe da bola, bem no estilo Reggie Miller, e depois solta arremessos catch-and-shoot, pontuando o suficiente deles para fazer a matemática avançada valer a pena. “Ninguém mais joga assim”, afirma Steve Clifford, técnico do Hornets. “Pra ele, planejamento de jogo é um prato cheio.”

Mas os arremessos e a habilidade de leitura da quadra que Korver possuem fazem dele um personagem ideal dentro de uma liga que valoriza mais as bolas de 3 e requer mais movimento nos dois lados da quadra – mudanças que a liga ajudou a gerar através de alterações nas regras. “Durante os últimos quatro ou cinco anos, o jogo se tornou muito mais propício para a maneira que ele joga”, constata Jerry Sloan, que treinou Korver em Utah.

Ele se tornou um passador de bola inteligente, e se movimenta muito no ataque, por vezes fora das jogadas desenhadas, o que às vezes irrita a comissão técnica de Atlanta. Ele é um ótimo defensor longe da bola, sua cabeça sempre girando, observando todos os jogadores na quadra sem perder de vista seu jogador. Em Atlanta, Korver encontrou o técnico e o sistema perfeitos para alavancar seus arremessos sem precedentes em novas e aventurosas maneiras.

“Ele foi uma prioridade enorme pra nós”, diz Danny Ferry, que atraiu bastante crítica por, na última offseason, renovar com Korver em um contrato de 4 anos e 24 milhões de dólares. “Não importava a direção que tomaríamos no último verão, ele era parte do que estávamos construindo aqui.”

Muitos GMs atuais dizem que ter deixado Korver passar no draft foi um dos piores erros de suas respectivas carreiras. Maurice Cheeks, último técnico de Korver no time da Philadelphia, ainda se lembra de estar parando o carro no estacionamento da arena em Sacramento no fim de 2007, quando Ed Stefanski, então GM do Sixers, o telefonou para avisá-lo que a franquia estava negociando o californiano (que estudara em Iowa). Cheeks alega que só conseguiu dizer uma coisa: “Por quê? Por quê? Por quê?”

O Sixers precisava abrir tanto espaço salarial quanto minutos para Thaddeus Young, de acordo com Stefanski. Mesmo assim, negociar Korver não foi fácil. Ele já estava entre os melhores arremessadores da liga, e era uma figura amada pela comunidade da Philadelphia, onde Kyle criara uma fundação para ajudar crianças da cidade. “Nossa gerente de relações comunitárias estava literalmente aos prantos quando contamos pra ela”, diz Stefanski. “E todas as garotinhas da cidade queriam me matar. Pais e mães vinham me dizer que eu tinha trocado o jogador favorito da filha deles.”

O Jazz terminou o restante da temporada em com a marca de 38 vitórias e 12 derrotas depois de receber Korver em troca de Gordan Giricek e uma escolha de primeira rodada, mas o deixaram ir para Chicago como Free Agent após terem escolhido Gordon Hayward no Draft 2010. “Nós o adorávamos”, afirma Sloan, “mas quando selecionamos Hayward, seu valor aqui diminuiu.”

Korver se tornou uma peça na engrenagem dos reservas em Chicago, mas o Bulls o mandou para Atlanta por nada mais que uma trade exception em julho de 2012. Cheeks topou com Tom Thibodeau em Las Vegas durante a Liga de Verão, e logo os dois se viram conversando sobre o valor de Korver – e, segundo Cheeks, sobre o arrependimento de o terem perdido, que ainda os assombra.

Korver obteve a maior marca da carreira em média de minutos jogados na última temporada, e acertou absurdos 47,2% de seus chutes de 3. Chegou a receber alguma consideração para o All-Star Game, mas não tanto quanto deveria ter recebido, já que ele não domina a bola. Ele ganha bastante bem – somou 45 milhões na carreira, até o momento –, apesar de ainda doar grande parte disso para a igreja de seu pai e para outras caridades; e ele está na lista final de 19 nomes para o selecionado americano que saiu esta semana. Korver é peixe grande, agora, e nem ele mesmo acredita.

“Ele nunca foi um daqueles caras”, brinca Marcus Elliott, fundador e diretor do Projeto Pico de Performance P3 em Santa Barbara, e o homem a quem Korver credita a ajuda para salvar sua carreira. “Ele estava me contando, outro dia, ‘Mas agora eu sou um daqueles caras. Estou recebendo ligações para fazer isso e aquilo. A Seleção Americana me convocou.’ E isso o surpreendeu pra caramba.”

Korver USA

Budenholzer, técnico do Hawks, e Korver amam o balé de constante movimento do basquete, e Budenholzer visiona uma escalação apenas com atiradores de 3 bombardeando a cesta. Ele quer que seus jogadores sugiram ajustes, e isso entrosa muito bem com a natureza inventiva de Korver. “Todo técnico diz que tem uma política de portas abertas”, afirma Korver. “Bud diz isso de verdade.”

É um contraste gritante com a primeira temporada de Korver na Philadelphia, quando Randy Ayers, o técnico do time, empurrou Korver pra longe da linha de três pontos. Ayers queria que seu novato desenvolvesse um jogo de meia distância e atacasse a cesta antes de chutar de três.

Isso mudou quando o Sixers demitiu Ayers e contratou Jim O’Brien, que havia acabado de sair do Celtics, antes da segunda temporada de Korver em 2004-05. Logo no primeiro treino do time, Allen Iverson correu num contra ataque dois contra um com Korver cobrindo a lateral. Iverson passou pra Korver, que estava atrás da linha dos 3 pontos. Korver driblou a bola duas vezes, acertou um chute a 5 metros da cesta, e esperou o aplauso.

O’Brien estava lívido. Gritou pra Korver olhar para a linha de três. Disse que se Korver passasse a oportunidade de chutar uma bola de três, livre, mais uma vez sequer, ele o removeria do jogo. Korver se lembra de um pensamento voando em sua mente durante a bronca de O’Brien: Que maravilha!

Korver liderou a liga em bolas de 3 convertidas naquela temporada, se estabelecendo como talvez o arremessador mais perigoso da liga. Mas ele não seria classificado como um jogador plantado no canto da quadra esperando tranquilamente. Ele gostava demais de se movimentar pra isso. Korver cresceu em Lakewood, uma cidadezinha incorporada na Grande Los Angeles, e ele se apaixonou pelo Showtime Lakers dos anos 80. “Todo mundo naquele time corria, infiltrava, passava a bola”, diz Korver. “Pra mim, aquilo ainda é o basquete perfeito.”

Ele se tornou um mestre na movimentação de pés características de Reggie Miller e Ray Allen, na qual correm ao redor de bloqueios, recebem a bola em velocidade máxima, plantam os pés no chão e se elevam para chutar. Ele transformou o ataque do Bulls dessa maneira. Mas queria se levar ainda mais longe, e encontrou a comissão técnica perfeita para isso em Atlanta.

O Hawks sob a liderança de Budenholzer não vai encurralar a bola em jogadas isoladas e pick-and-rolls parados no meio da quadra. O técnico quer construir um tipo de Spurs do Leste, com a bola dançando de um lado para o outro num indefensável borrão de passes, entregas de bola mão-a-mão e bloqueios.

Budenholzer também entende que os melhores arremessadores não se valorizam, necessariamente, só por estarem parados lá. Bons arremessadores têm certa atração gravitacional, e podem mudar o alcance desta força na quadra conforme se movem. Uma defesa pode ir pelos ares se essa força colide com outro objeto – um jogador do mesmo time bloqueando para Korver, ou um jogador da defesa se dando conta que Korver o manobrou a um bloqueio sagaz pelas costas.

Nenhum técnico na liga liberou tanto a amplitude do jogo de Korver quanto Budenholzer. Korver não é um jogador de pick-and-roll tradicional; ele não tem agilidade para sair driblando a bola a 6 metros da cesta, ziguezagueando entre adversários ao longo do caminho. Mas Budenholzer adaptou um tipo de espécie híbrida de pick-and-roll para sua estrela secreta – uma curva em alta velocidade na qual Korver recebe um passe curto ou mão-a-mão, sonda a defesa com um drible ou dois, e então faz um passe extra:

Korver ainda adicionou um floater a seu repertório só pra esse tipo de jogada:

Não parece um pick-and-roll, mas funciona como um. É até mais mortal quando os jogadores que fazem o bloqueio arremessam bem de 3, como Paul Millsap e Pero Antic. Não há nenhuma escolha certa para a defesa, apenas escolhas dolorosas que são menos piores que outras.

Korver consegue punir qualquer escolha com suas habilidades de drible e passe relativamente novas. “Ele evoluiu demais”, diz Millsap, que também jogou com Korver em Utah. “Ele era o cara-parado-no-canto. Agora ele coloca a bola no chão, e acerta pull-ups. Além de ser um passador muito subestimado. Todo o seu estilo de jogo está num outro nível.”

Aprender coisas novas numa fase tão avançada da carreira na NBA requer diligência. Korver devora filmes, e, junto com Quin Snyder, um assistente do Hawks na última temporada, treinou durante horas para diminuir minimamente a velocidade quando sai dos bloqueios como um foguete – uma desaceleração ínfima que permite a Korver mapear suas opções de passe. O ala não precisava fazer isso quando apenas recebia e chutava.

“Kyle é único no sentido de que jogadores da idade dele que tiveram sucesso geralmente não estão abertos a tentar coisas novas”, comenta Snyder, agora técnico do Jazz. “Isso os deixa desconfortáveis.”

Sloan concorda. “A maioria dos caras simplesmente continuam do mesmo jeito depois de jogarem por 10 anos.”

Korver não está satisfeito com seu progresso nessas jogadas, mas sabe que será melhor nelas do que seria se quisesse fazer pick-and-rolls no mesmo estilo dos armadores dominantes da NBA. “Não vou me matar para ser medíocre naquilo”, ele diz. “Quero encontrar coisas nas quais sou realmente bom, dentro do sistema que usamos. O conceito de Bud de o que pick-and-roll pode ser é um pouco diferente – tipo, comigo pegando a bola enquanto corro. E isso pode ser muito bom pra mim.”

O Hawks recompensou Korver desenhando jogadas inovadoras para ele, incluindo esta peculiar, onde ele faz um bloqueio para um pivô do Hawks antes de girar e receber a bola de um ala que está de costas para a cesta:

Imagem de Amostra do You Tube

O time de Atlanta conseguiu enganar quase toda a liga com esta jogada, e uma vez que ela entrou nos relatórios de observação, o Hawks desenhou contragolpes – alguns para Korver, e alguns nos quais ele era uma isca:

Imagem de Amostra do You Tube

Ninguém tem muita certeza da origem da jogada, apesar de Budenholzer e Korver pensarem que a idealizaram durante um jantar com vinho. “Nós temos que descobrir qual garrafa estávamos bebendo”, brinca o técnico.

Korver adora jogadas combinadas como esta porque elas o permitem se movimentar. Às vezes ele surpreende Budenholzer ao quebrar jogadas com cortes e bloqueios improvisados. Ele não consegue ficar parado, mesmo quando certo desenho de jogada precisa que ele fique. “Bud sempre fica bravo comigo quando me mexo demais”, Korver diz. “Acho que ele estava só me fazendo um favor com aquela jogada.”

“Às vezes dá certo” quando Korver se movimenta de maneiras inesperadas, analisa Budenholzer, “e às vezes é como ‘Que diabos você está fazendo?’ Você acaba com três caras parados um do lado do outro.”

Korver realmente adora se movimentar. Ele cobriu no mínimo dois metros no segundo anterior a 61% de seus chutescatch-and-shoot” de 3 pontos, a quinta maior margem de arremessos “em movimento” dentre os 30 melhores jogadores que tentaram bolas de 3, segundo dados das câmeras de rastreamento SportVU cedidos exclusivamente ao Grantland. Ele acertou 44,6% destes chutes de 3 “em movimento”, marca que também é a quinta melhor dentre os mesmos 30 jogadores.

Agora vem o número matador: Korver acertou 58% de “chutes parados de 3”, que são classificados como qualquer tentativa de bola de 3 nas quais ele se moveu menos de dois metros no segundo anterior ao arremesso. Isso detonou o resto dos 30 jogadores; Kyle Lowry vem na segunda posição, com 53%. Um chute de três “parado” de Korver vale por volta de 1,75 pontos, o que o torna apenas ligeiramente menos valioso que uma bandeja.

Isso é loucura. É por isso que defesas reagem a qualquer movimento de Korver com puro terror, e Budenholzer usa este terror contra os oponentes nos momentos decisivos. Shelvin Mack acertou um floater fácil nesta saída de bola numa prorrogação contra o Cavaliers após todos os cinco defensores, incluindo o de Mack, se ligarem no show de Korver:

O medo é real. Os gurus da Stats LLC, a empresa por trás das câmeras SportVU, desenvolveram duas métricas inéditas projetadas para medir a quantidade de atenção que um jogador no ataque recebe dos defensores quando não está com a bola na mão.

A primeira, nomeada “nota gravitacional”, mede a freqüência com que defensores estão realmente defendendo um determinado jogador longe da bola. Korver teve a quarta maior nota, atrás apenas de Kevin Durant, Carmelo Anthony e Paul George. A segunda – “nota de distração” – é uma tentativa relacionada a medir a freqüência com que o defensor de um jogador se distancia dele para patrulhar a ação próxima da bola. Nesta categoria, Korver teve a nova mais baixa da liga (A metodologia é complexa, incorporando dados de localização específica de todas as posses gravadas pela NBA e levando em consideração tendências de jogadores que ficam próximos ao fundo da quadra).

“Eu subestimei quanta atenção ele recebe da defesa”, diz Budenholzer. Korver é quase o próprio ataque. “Você não aprecia isso até que vê todo dia”. Korver também não teria predito isso cinco anos atrás.

Korver

Korver chegou ao P3 em Santa Barbara há meia década com um joelho esquerdo arruinado, alguma dor nos cotovelos, e um estilo de jogo que lhe estava escapulindo (Muitos jogadores da NBA usam o P3, inclusive todo o time de Utah em vários momentos por volta dos últimos cinco anos. Mais times estão consultando Elliot sobre a saúde e o prognóstico de certos jogadores). Elliot fez Korver passar por três horas de testes nos quais o jogador pulou em placas de força, se moveu de um lado para o outro, e executou outros movimentos específicos do basquete. Elliot mediu a força que Korver colocava em seus membros inferiores em cortes e pulos, e os números foram perturbadores.

Korver quase não tinha “energia muscular”, e a pouca que tinha estava isolada em sua perna direita. O ala havia sido submetido a cirurgia para retirar um esporo ósseo de trás de sua rótula esquerda, e apesar de o ferimento ter curado, ele ainda não era capaz de gerar qualquer cinética ao jogar o peso no pé esquerdo.

“Ele era assimétrico”, afirma Elliot. “Pelos padrões da NBA, ele tinha uma deficiência.”

Se continuasse forçando sua perna direita, Korver poderia ter sofrido alguma lesão ali ou em alguma região relacionada.

“Eu não tinha certeza do destino da carreira”, lembra o jogador.

Elliot gradualmente re-treinou o corpo do atleta com exercícios projetados para fortalecer sua perna e melhorar sua mecânica de salto e de finta. Korver nunca pularia alto ou correria rápido, mas se conseguisse começar a se mover antes de seu oponente e alcançasse a velocidade máxima mais rápido, talvez suprisse a minúscula abertura que ele precisa para arremessar.

“Seria ótimo se ele pulasse um metro de altura, mas ele não consegue”, diz Elliot (os dois têm uma piada interna sobre como Korver tenta conseguir pelo menos uma enterrada por temporada. Na última, Korver não conseguiu, e Elliot está enchendo o saco do amigo). “Mas a questão não é quão alto ele sobe. É quão rápido ele consegue chegar lá. Se dois caras pulam 90 centímetros, mas um deles chega lá mais rápido, este tem uma vantagem.”

Agora, Korver está entre os melhores 20% dos clientes de Elliot que jogam basquete em termos de quão rápido ele consegue gerar força – tanto vertical quando horizontal.

Elliot diz que nunca teve um cliente mais compromissado. Korver se mudou com sua família para Santa Barbara para que pudesse morar perto do P3, e Elliot tem que usar medidas drásticas para que Korver tire pelo menos um tempo de folga após a temporada da NBA. Permanecer saudável é mais trabalhoso conforme um jogador envelhece. Uma falha gritante na mecânica corporal vai se manifestar em uma lesão para a maioria dos jogadores mais rodados da liga, segundo Elliot. “A temporada de 82 jogos da NBA é bem próxima do limiar do que o corpo humano aguenta.”

E Korver? Há quatro temporadas ele não perde tempo significativo de quadra, e os dados mostram que ele é um jogador simétrico, agora – capaz de atacar com a mesma força tanto do lado esquerdo quanto do direito da quadra.

Resistência física e mental na academia não são o suficiente. A vida pessoal de Korver – que é casado, tem um filho, e raramente vai a festas – nunca interferiu em seu trabalho. “Ele possui uma prática de vida ótima”, confirma Elliot. “Com alguns caras, você nunca sabe se eles vão chegar no horário. Talvez eles peguem um vôo de última hora para as Bahamas com alguma garota que encontraram na noite anterior. Kyle não tem nenhuma baboseira dessas.”

O jogador também está disposto a se testar de maneiras não convencionais. Elliot o apresentou ao misogi, o ritual japonês anual de purificação que alguns atletas adaptaram em um desafio anual de resistência. Korver e Elliot fizeram stand-up paddle no percurso de 40 quilômetros entre as Ilhas do Canal e Santa Barbara, ano passado. Korver talvez tenha se superado com o misogi que fez neste verão.

Surfistas de ondas gigantes desenvolvem capacidade pulmonar segurando uma pedra grande, afundando até o fundo do oceano, e correndo distâncias curtas no assoalho oceânico. Korver e quatro amigos decidiram voltar às Ilhas do Canal, encontrar uma pedra de 40 quilos, e correr um percurso de 5km submersos segurando a coisa (eles se dividiram em dois times, cada um usando uma pedra diferente e correndo percursos de 5km diferentes). Cada participante mergulhava, encontrava a pedra, corria o máximo que podia com ela, e a largava para o próximo amigo encontrar. Os que esperavam sua vez usavam cintos de peso e acompanhavam na água de um metro e meio a 3 metros de profundidade.

Demorou cinco horas. “Estávamos realmente preocupados com a possibilidade de alguém desmaiar”, conta Korver. Eles também estavam preocupados com tubarões. (Korver é o único cliente de Elliot que o acompanhou em um misogi. Aaron Gordon, um novato do Magic, demonstrou interesse, segundo Elliot.)

“Ele quer procurar e tentar toda e qualquer possibilidade que possa torná-lo melhor – tanto como jogador quanto como pessoa”, diz Elliot.

Korver shoots

Korver está esperançoso de entrar para a seleção dos EUA, mas se não conseguir, ele ficará feliz em passar tempo com sua família e continuar o que ele vê como um projeto de longo prazo digno em Atlanta. O Hawks não conseguiu grandes coisas no mercado de Free Agents nesta offseason, apesar de ter um espaço salarial gigantesco e um núcleo intrigante, e Korver diz que outros jogadores da liga não vêem Atlanta como um lugar desejável de se jogar.

“Há uma percepção ruim cercando a franquia, no momento”, completa, “mas vamos mudar isso.”

Korver tentará ficar parado quando Budenholzer quiser e se familiarizar mais com os princípios defensivos do time. O jogador é um defensor sólido, apesar da reputação de deficiência no setor. Os times nos quais jogou defendem mais ou menos no mesmo nível estando ele em quadra ou não, de maneira geral. E a ênfase da liga na movimentação da bola e nos arremessos é vantajosa para suas habilidades na defesa também.

Na NBA atual, os alas precisam cobrir muito chão na quadra conforme o ataque adversário move a bola, e Korver está sempre se movendo na direção certa. Ele é hiper alerta, olhando para todos os lados da quadra e computando o que os outros oito jogadores estão fazendo a cada segundo, sem perder seu jogador de vista.

Ele sabe quando ajudar do lado oposto, quando ficar mais próximo a um arremessador no canto da quadra do lado da bola, quando fingir ajuda, e quando uma crise está a caminho. Sua movimentação em quadra aqui é típica:

“Ele é um ótimo defensor coletivo”, diz Budenholzer.

Ele vê colapsos enquanto eles acontecem, e desliza alguns passos extras dentro do garrafão:

“Os alas precisam se movimentar mais no jogo de hoje”, afirma Clifford, técnico do Hornets. “E se você assistir os vídeos, ele está sempre atento.”

O pior defeito de Korver é provavelmente que ele ajuda demais, indo parar no garrafão para abafar uma ameaça que não é tão séria. “É a mesma coisa que acontece no ataque, quando ele não consegue ficar parado”, explica Budenholzer. “Ele só quer estar envolvido e ajudar seus companheiros, e às vezes ele ajuda mais do que devia.”

Ele nunca será o tipo de atleta explosivo e de braços longos que pode atuar fechando completamente a ala; há uma razão pela qual Jarrett Jack consegue acertar o arremesso no clipe acima. Mas ele trabalhou bastante para melhorar sua defesa individual, com um jogo de pés rápido e preciso que consegue conter jogadas um-contra-um de jogadores individuais superiores.

O’Brien, seu antigo técnico no Sixers, diz que Korver teve dificuldades na defesa no início de sua carreira, mas que admira sua melhora, de longe. “Se ele precisa estar em algum lugar na defesa, ele estará lá; e ele estará lá 100% do tempo.”

O Hawks ainda envia ajuda quando Korver enfrenta uma jogada de post-up, mas fizeram isso bem menos no final da temporada que no começo. Korver se mostrou à altura do desafio, e mesmo quando o matchup se mostrava um problema para ele, ele ficava bravo se o Hawks enviasse marcação dupla, de acordo com Budenholzer.

Korver está animado com o que tem diante de si em Atlanta. Certamente está feliz de ter entrado logo no começo da tutela de Budenholzer. “Nos dê mais um ano ou dois”, diz. “Será bom pra valer.”

(Texto de Zach Lowe)

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03-08-2014
#Curtas e Rápidas

Entre Love e Wiggins

Defenestrado por Denis

Tanta gente já falou e escreveu sobre a possível troca do Kevin Love que eu nem sei se posso acrescentar muito mais coisas, mas vou tentar, vou tentar.

KLove

O Minnesota Timberwolves é uma das franquias mais fracassadas da história da NBA, sem dúvida. Algumas outras que fracassaram nos últimos 10 ou 15 anos sequer sonham em ter jogadores do nível de Kevin Garnett e Kevin Love nas mãos nesse período! O Wolves teve os dois por muito tempo e o máximo que conseguiram foi passar da primeira rodada dos Playoffs por uma única vez. Ainda tiveram, no intervalo, um período com Al Jefferson, que chegou na troca de Garnett. Juntar talento nunca foi problema pra eles, mas vencer jogos…

Trocar Kevin Love se tornou praticamente inevitável porque ele será Free Agent no próximo ano e não há dúvida de que irá dar o fora. Ele já tem 25 anos, 6 temporadas nas costas, e ainda não sentiu o gostinho da pós-temporada. Junte-se a isso o fato do time não ter ido bem no ano passado, do técnico Rick Adelman ter se aposentado e do próprio General Manager, Flip Saunders, se auto-intitular técnico e dá pra ver porque Love sente que o sucesso não mora em Minneapolis. Trocar o jogador não parece a situação ideal porque não parece haver um negócio possível onde eles recebam talento equivalente em troca, mas por outro lado, é a maior chance deles de continuar acumulando talento, como nos anos anteriores, tentando dessa vez fazer tudo funcionar.

Dito isso, que é o óbvio, que tal fugir do óbvio? Sim, eles podem perder Kevin Love daqui um ano, mas e se tudo der certo nessa temporada? Gosto de lembrar da última offseason, quando LaMarcus Aldridge deu a entender que estava insatisfeito em Portland e que queria um time melhor ou que fosse trocado; existia também a ameaça de Aldridge sair de lá quando se tornasse um Free Agent. Chegaram até a cogitar, vejam só, uma troca de Aldridge para o Cleveland Cavaliers pela primeira escolha do Draft do ano passado, que acabou sendo Anthony Bennett. Como todos sabemos, nada aconteceu, o Blazers melhorou bastante e se classificou para a segunda rodada dos Playoffs, já se tornando um dos fortes concorrentes do Oeste para o título da próxima temporada. Às vezes as coisas mudam bem rápido na NBA.

Será que isso não poderia acontecer também com o Wolves? Eu não apostaria cegamente nisso porque acho que eles deveriam buscar um novo técnico ao invés de ressuscitar Flip Saunders, mas é possível. Na temporada passada o Wolves sofreu demais ao perder jogos decididos por poucos pontos, uma aberração estatística, o mais provável é que esse número dê uma equilibrada melhor no próximo ano. Também podemos pensar que ainda existe espaço para Ricky Rubio melhorar, que Zach LaVine chegue para dar velocidade e capacidade atlética que faltaram no último ano e que Gorgui Dieng, que jogou muito bem no fim da temporada, passada, traga mais experiência em quadra. Por fim, Chase Budinger poderá, finalmente, ter um ano completo, sem lesões, com pré-temporada e tudo o que tem direito. É um bom elenco, mas que na temporada passada não tinha mobilidade e velocidade para o sistema de jogo que Rick Adelman gosta de usar, com jogadores trocando de posição e passes rápidos.

Wiggins

Existe o risco de tudo dar errado, o time não ir bem e, no ano que vem, Kevin Love ir embora para o Cleveland Cavaliers, Los Angeles Lakers (kkkkk) ou qualquer time que abra espaço salarial, mas isso não é certeza. Não dá pra esquecer também que apenas o Wolves poderia, neste caso, oferecer um contrato de 5 anos para Love, muito mais lucrativo que seus concorrentes. Será que não vale a pena arriscar tudo, pelo menos uma vez?

E é aí que entra a tentação do demônio que o Cleveland Cavaliers jogou pra cima deles. Resistir à oferta do Golden State Warriors é mais fácil: David Lee não vai transformar a equipe, embora ajudasse bastante no pick-and-roll com Rubio; e os agentes de Klay Thompson já disseram que seu cliente vai pedir um contrato máximo no próximo ano. E isso se o Warriors topasse finalmente mandar Thompson, claro. Resistir à oferta do Bulls também não é das coisas mais difíceis, por mais que Jimmy Butler ou Taj Gibson sejam bons, por mais arremessos que Doug McDermott traga, ninguém vai revolucionar a franquia. Nikola Mirotic ainda é uma incógnita na NBA e não acho que o vejam, hoje em dia, como um franchise player.

E é aí que aparece Andrew Wiggins e a proposta do Cavs: a que tudo indica, o novo time de LeBron James deve enviar Wiggins e Anthony Bennett, talvez junto de outras peças, pelo ala do Wolves. Embora Bennett ainda tenha muito tempo para mostrar a que veio, ninguém acredita que ele será uma mega estrela da liga, mas mesmo assim é um promissor jovem jogador. Wiggins, por outro lado, é um dos mais celebrados novatos dos últimos tempos! Potencial infinito no ataque, na defesa, na capacidade atlética, em tudo. Novato é novato, tudo pode acontecer, mas a tentação de ter um cara com essa perspectiva de carreira deve ser enorme.

Segurar Love, que já se consolidou como um dos melhores jogadores da atualidade, parece uma boa ideia. Mas se der errado e ele for embora daqui um ano, eles vão passar o resto da vida pensando que poderiam ter Wiggins. Qualquer um que tem time de fantasy sabe como é difícil tomar essas grandes decisões.

Andrew Wiggins

Há alguns anos, o antigo General Manager do Wolves, o folclórico David Kahn, dizia ter uma interessante ideia para a franquia: transformar o time em um lugar legal para se jogar. Apenas contratar técnicos que tem boa fama entre os jogadores, jogar no estilo veloz que todos os atletas gostam e até ceder a algumas pressões de jogadores que não querem mais jogar lá. A ideia era fazer com que futuros Free Agents cogitem atuar no pequeno time. Por algum tempo eles até jogaram bonito, mas sem resultados, Kahn foi mandado embora e nunca mais se tocou no assunto.

Mas caso a troca aconteça, o Wolves tem tudo para ser um dos times mais divertidos do próximo ano. Vocês não sonham com um contra-ataque puxado por Ricky Rubio, acompanhado pelos voadores Zach LaVine e Andrew Wiggins nas alas? Meu deus, é muita ponte aérea pra pouco jogo! Se Anthony Bennett acertar seus arremessos de meia distância como fez na Summer League, também será útil para abrir espaços para infiltrações dos alas e para o poderoso jogo de pivô de Nikola Pekovic. Além da própria capacidade atlética de Bennett que, agora que perdeu um pouco de peso, poderá ser mais explorada. E se um time jovem e veloz não atrair mais gente no futuro, nada atrai.

Eu, no lugar de Flip Saunders, não saberia ao certo o que fazer. Não me sentiria à vontade de trocar um dos melhores jogadores da atualidade; mas perdê-lo sem ganhar nada em troca significaria o fim de sua carreira como manager na NBA.

Love2

Do outro lado, o Cavs até tem uma decisão complicada a fazer, mas é difícil imaginar um cenário onde as coisas deem errado. Se não fazem nada, tem nas mãos um time jovem, talentoso e que deverá ficar ainda melhor por jogar ao lado de LeBron James. Aliás, Wiggins poderia ser importante para deixar a carreira de James mais longa, marcando o melhor jogador adversário enquanto o astro do time se poupa para comandar o ataque. E se tudo for como o planejado, os dois podem se tornar a melhor dupla de defesa do perímetro da liga daqui uns anos. Se a troca acontecer, porém, o Cavs vira o novo Heat: 3 dos melhores jogadores da NBA juntos no mesmo time, comandados pelo melhor da galáxia. Kyrie Irving não está em seu auge de técnica e experiência, como estavam Chris Bosh ou Dwyane Wade, mas isso pode ser superado. Repetindo, não tem como dar muito errado.

A proposta que Bill Simmons, do Grantland e da ESPN gringa, faz tem muito sentido. Por que não simplesmente esperar? Faz sentido para os dois times. O Wolves teria, por exemplo, uns 40 jogos para ver se o time ainda pode vingar do jeito que está. O Cavs teria os mesmos 40 jogos para saber como Andrew Wiggins rende jogando entre os profissionais e como ele se adapta atuando ao lado de LeBron. No meio da temporada, se ainda estiverem de acordo, executam a troca sem pressa. Até porque duvido que outro time se meta no meio do negócio: ninguém além do Cavs tem condição de oferecer tanto por Kevin Love, assim como nenhum time está disposto a mandar um cara tão bom para Cleveland em troca de Wiggins.

Mas depois de todo esse papo de especulação, é bom avisar que o mais provável é que a troca realmente aconteça. O Cleveland Cavaliers já assinou o contrato de Andrew Wiggins e, por regras da liga, deve esperar um pouco até trocá-lo. O noticiário americano, apoiado até pelo site do Cavs, que não vende mais a camiseta do ala canadense, garante que os dois times só estão esperando esse prazo passar (deve ser no dia 24 de agosto) para anunciar o negócio. Será quando a gente irá aprender os detalhes da troca (envolve mesmo Bennett? E Dion Waiters? O Sixers vai entrar como terceiro time envolvido?) e poderemos fazer uma outra análise, mais profunda. Esta de hoje foi só pra dizer que, até que provem o contrário, é difícil fazer mau negócio envolvendo Kevin Love e Andrew Wiggins.

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28-07-2014
#Classic

Análise do Draft 2014 – Parte 4 (e final!)

Defenestrado por Denis

Na Parte 1 da análise falamos do draft de Cavaliers, Bucks, Sixers, Magic e Jazz

Na Parte 2 analisamos as escolhas de Celtics, Lakers, Kings, Suns, Wolves, Bulls e Hornets

Na Parte 3 comentamos as decisões de Hawks, Nuggets, Raptors, Thunder, Grizzlies, Heat, Rockets e Clippers

Cleanthony-Early-Knicks

 

Nesse ano, mantendo a tradição, fizemos selos de qualidade baseado em um assunto do momento: futebol. Viva as Copas!

Klose 7 a 1: Você vai lá, se prepara, monta um timaço e atropela o maior vencedor de todos os tempos, na casa dele, por um placar humilhante. Simplesmente não dá pra ser melhor do que isso. Selo para os times que tomaram a decisão perfeita no dia do Draft 2014.

RVP 5 a 1: Revanche de goleada? Sobre o atual campeão mundial que te derrotou na última final? Só um 7 a 1 supera. Faltou repetir a grande atuação mais pra frente, mas já é um placar se orgulhar. Selo para os times que acertaram, mas não entraram para a história.

Messi 1 a 0: Não conquista o público, não vira trauma nacional de ninguém, mas é o bastante pra vencer. Pode ser feio ou bonito, golaço ou de canela, impedido. É o necessário para sair com os 3 pontos ou a classificação. Selo para os times que fizeram o que dava na hora.

James 1 a 2: Placar honesto, justo, jogo disputado. Mas uma derrota é sempre uma derrota e não dá pra ficar satisfeito depois de ser chutado pra fora do campeonato. Selo para os times que até tentaram fazer tudo certo, mas podem acabar quebrando a cara daqui um tempo.

Marcelo

1 a 7: Afinal, o que poderia ser mais traumático do que perder uma final? Ah é, isso! Selos para times que tomam bola nas costas do Marcelo sem parar.

 

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KloseSan Antonio Spurs

Kyle Anderson, SF/PF (30)
Nemanja Dangubic, SG (54)

Como o resto da NBA pode ter sido tão ingênua?! Já está na hora dos outros 29 times se unirem para impedir o Spurs de conseguir certas coisas. Como que me deixam o Kyle Anderson, o cara que todo mundo chama de Novo Boris Diaw, de cair no colo do time de Gregg Popovich?!

A comparação com Boris Diaw é compreensível. Anderson não consegue se destacar na parte física, parece jogar em câmera lenta (seu apelido é Slo-Mo) e isso não o impede de estar em todas as partes da quadra participando ativamente da criação das jogadas. Para ser justo, pelos braços grandes, ele também já foi comparado com outro ótimo point forward, Lamar Odom. Se Anderson virar qualquer coisa entre Odom e Diaw, será parte importante da rotação do San Antonio Spurs nos próximos anos. A habilidade do Spurs em desenvolver seus jogadores não deve ser esquecida também, não se surpreendam se em pouco tempo ele estiver com uns 50% de acerto em bolas de 3 pontos.

Na Summer League, Anderson começou bem, mostrando seu jogo completo, mas logo depois caiu de produção. Mas não me preocuparia se fosse torcedor do Spurs, o seu estilo não é um que se mostra bem em ligas de verão, onde um combinado que quase nunca treinou junto tem que mostrar serviço, com um monte de nego desesperado em ganhar um contrato. Como facilitador, ele precisa de entrosamento, companheiros talentosos e movimentação de bola. É no time principal que veremos qual é a dele.

Na segunda rodada, o Spurs fez algo comum entre todos os times, mas que eles já fazem há mais tempo que todos: escolheram um gringo que vão deixar jogando na Europa até parecer pronto. O escolhido foi o ala/armador sérvio Nemanja Dangubic, de 21 anos, que joga no Mega Vizura, da Sérvia. Dangubic ganhou os olheiros internacionais de vez quando foi eleito o MVP do Eurocamp da Adidas nesse ano. Só tem uma coisa que ele faz e que o Spurs pode não gostar: ele enterra!!!!

Imagem de Amostra do You Tube

 

MessiBrooklyn Nets

Markel Brown, SG (44)
Xavier Thames, PG/SG (59)
Cory Jefferson, PF (60)

O Brooklyn Nets começou o Draft sem escolhas. Um dos times mais velhos da liga, sem muita perspectiva para o futuro próximo, não tinha como conseguir novos jogadores porque tinha usado todas suas escolhas em negociações passadas que só trouxeram caras em fim de carreira. A solução foi usar o que eles tem de melhor: dinheiro. Compraram as posições 44, 59 e 60 (a última) e apostaram em 3 seniors, jogadores que disputaram 4 anos completos de basquete universitário.

O primeiro escolhido é o que tem mais chance de conseguir uma vaga no time principal. Markel Brown tem velocidade, muita impulsão, constantemente aparecia por aí com alguma enterrada fenomenal e, aos poucos, dizem, parece que se tornou um arremessador razoável. Acabou chamando a atenção quando Marcus Smart, seu companheiro de Oklahoma State, foi suspenso e Brown foi um dos responsáveis pela armação do time, não fazendo feio. Acabou a última Summer League com boas médias de 10 pontos, 4 rebotes, 3 assistências e 52% de acerto de seus arremessos. Nada mal para quem foi secundário em um time que tinha muita gente com experiência na NBA, como Donte Greene, Mason Plumlee, DaJuan Summers e Marquis Teague.

Xavier Thames, outro armador combo, decepcionou. Chegou como esperança de ser um bom reserva que acerta suas bolas de 3 pontos e erra pouco, mas só fez 16% das bolas de longe e cometeu 1.4 turnovers por jogo em apenas 20 minutos médios de ação. Poderia ser muito pior, mas é pouco para quem chega sem muita moral em um time que já tem muitas opções para sua função, veteranos como Deron Williams, Jarret Jack e o jovem Marquis Teague.

Por fim, o último escolhido da noite, Cory Jefferson, conseguiu um pouco de destaque na Summer League. Com minutos limitados, conseguiu 11 pontos e 7 rebotes de média, maior reboteiro do time no torneio. Apesar do Nets preferir sempre jogadores mais experientes, Jefferson pode conseguir uma vaga num garrafão que perdeu Jason Collins, que tem Kevin Garnett jogando cada vez menos tempo e que ainda não renovou com Andray Blatche.

 

JamesDallas Mavericks

Trocou as escolhas 34 e 51 no negócio por Raymond Felton e Tyson Chandler

O Mavs também teve que abrir mão de Samuel Dalembert, José Calderón, Wayne Ellington e o sophomore Shane Larkin, que vão para o New York Knicks de Carmelo Anthony e Phil Jackson. Acredito que a troca do Dallas Mavericks possa render bons fruntos, mesmo que o preço realmente tenha sido alto.

Embora Tyson Chandler já tenha 32 anos e convivido com algumas lesões nos últimos anos, ainda é um grande jogador de defesa e que viveu seu melhor momento na carreira ao lado de Dirk Nowtizki e Rick Carlisle no Mavs. Eles nunca mais conseguiram encontrar um jogador que se encaixasse tão bem no esquema e uma melhora na defesa é justamente o que precisavam, já que o ataque andou muito bem das pernas desde a chegada de Monta Ellis na última temporada.

O problema com tudo isso foram as peças necessárias para alcançar Chandler. Calderón foi um dos melhores arremessadores do time no último ano, embora nem fará muita falta como armador principal, função que pouco executou. Shane Larkin teve bons momentos e parecia um jogador promissor, e as duas escolhas na segunda rodada, em especial a 34, poderiam ser transformadaa em uma melhora no banco de reservas. Se Chandler não se lesionar, acho que não vão se arrepender, mas o Knicks agradece a chance de renovação.

 

MessiDetroit Pistons

Spencer Dinwiddie, PG/SG (38)

Com gigantesca Força Nominal, Dinwiddie poderia ter sido melhor selecionado no Draft se não fosse uma grave lesão que teve no joelho na última temporada. Os mais otimistas viam ele como uma segura escolha de primeira rodada se não fosse a lesão.

A contratação de Spencer Dinwiddie também foi um prelúdio da saída de Rodney Stuckey da equipe. Os dois são combo guards que gostam de pontuar, atacar a cesta, cavar faltas e botar fogo no jogo: sextos homens por excelência. Stuckey já deu o que tinha que dar no Pistons e abre espaço no banco para o novato.

Pela lesão, o rookie não disputou nenhuma Summer League, não deverá estar de volta para o período de treinamentos e deve estrear só com a temporada rolando, algo terrível para um cara que ainda estará pegando o jeito da NBA. De qualquer jeito, ele pelo menos ganhou a confiança do Pistons, que lhe deu um contrato de 3 anos. Provavelmente (embora não tenha achado os dados), só a primeira temporada deva ser garantida, querendo dizer que ele pode ser dispensado daqui um ano se o time quiser. Pareceu uma boa escolha, mas não sabemos o quanto a lesão o incomodará no futuro.

 

RVPNew Orleans Pelicans

Russ Smith, PG/SG (47)
Omer Asik (via troca)

O New Orleans Pelicans pagou caro por Jrue Holiday. Além de Nerlens Noel, sexta escolha do Draft do ano passado, eles haviam colocado no pacote também uma escolha deste ano. Ela tinha proteção de Top 5, o que quer dizer que o Pelicans manteria a escolha se esta fosse sorteada entre as 5 primeiras; mas como ela ficou na distante 10ª posição, foi para o Sixers. No fim, o Sixers acabou mandando a escolha pra o Orlando Magic, que selecionou o armador Elfryd Payton.

Sem escolhas neste ano, o Pelicans acabou mandando Pierre Jackson para o mesmo Sixers em troca de uma escolha de segunda rodada. A história inteira é curiosa: Pierre Jackson foi escolhido pelo próprio Sixers há um ano, aí foi mandado para o Pelicans, onde, sem espaço no elenco principal, foi mandado à D-League. Na Liga de Desenvolvimento, dominou os oponentes, marcou ponto de todos os jeitos e chamou a atenção de outros times, que tentaram tirar Jackson de New Orleans. O time, para desespero do jogador, não o trocou e nem o chamou para o time principal na NBA. No Draft, finalmente, o libertaram, mandando-o de volta para o Sixers em troca da escolha que virou Russ Smith. Infelizmente, porém, o azar domina o mundo e Pierre Jackson sofreu uma lesão grave no tendão de aquiles e deve desfalcar o time da Philadelphia por toda a temporada.

O escolhido dos pelicanos, Russ Smith, por outro lado, fez ótima Summer League com média de 16 pontos, 5 rebotes e 6 assistências em 27 minutos por jogo. Por ter apenas 1,80m, causa aquele medo à la Isaiah Thomas de que pode não se garantir entre os profissionais, mas sabemos que altura não é tudo. Smith é rápido, agressivo e pode seguir o caminho de outros nanicos ultra-velozes que superar as críticas, como Nate Robinson e Ty Lawson. Não será fácil, porém, arranjar minutos numa posição que já tem Jrue Holiday e que pode ainda ser ocupada (embora espero que não seja) pelo recém-chegado Jimmer Fredette.

Fechando a noite de Draft, o Pelicans trocou sua escolha do ano que vem por Omer Asik, que deverá ser o pivô titular enquanto Anthony Davis desfila seus talentos na posição 4. Uma ótima troca, mas que pede uma boa campanha no difícil Oeste para que esta nova escolha trocada não volte para os assombrar como aconteceu com aquela negociada por Jrue Holiday há um ano.

 

RVPNew York Knicks

Cleanthony Early, SF/PF (34)
Thanasis Antetokounmpo, SF (51)
Louis Labeyrie, PF (57)

O Knicks seguiu o exemplo do irmão de cidade e também usou todas as escolhas de Draft que tinha em negociações anteriores que, como sabemos, nem sempre renderam grandes coisas. Mas eles compensaram: na troca de Tyson Chandler com o Dallas Mavericks, eles levaram duas escolhas de segunda rodada e parece que escolheram bem. Cleanthony Early, uma Força Nominal curiosa, é um tremendo atleta, veloz e um faz-tudo que qualquer time precisa. Desde que o time perdeu Landry Fields que eles precisam de alguém que faça o trabalho sujo, e bom que seja alguém com o quíntuplo do poder atlético de Fields. Early fez boa Summer League, mesmo sem brilhar, e deve entrar na rotação do time.

Com a outra escolha ganha na troca, o Knicks apostou em Thanasis Antetokounmpo, irmão de Giannis, do Bucks. Como seu parente mais famoso, Thanasis tem braços maiores que carros populares e muita velocidade. Falta o mesmo talento com a bola nas mãos, mas ele compensa com boa defesa. Não foi bem na Summer League, mas tem no currículo uma temporada de D-League com média de 12 pontos, 1.1 roubo e 1.3 toco. Pode valer uma aposta barata e ver se ele se desenvolve em um defensor de primeiro nível.

Com a última escolha, comprada do Indiana Pacers, o NY Knicks apostou no francês Louis Labeyrie, que não veio para a Summer League e deverá ficar na Europa um bom tempo (ou o resto da vida). O ala de força apareceu com tudo aos 19 anos, impressionando no Hyére-Toulon e então foi contratado pelo Paris-Levallois, time maior da liga francesa. Mas lá não deslanchou como o esperado e afundou no banco do time nos últimos 3 anos. Uma melhora no seu arremesso de longe, porém, parece ter despontado um interesse maior no rapaz. Após uma boa atuação no último Eurocamp da Adidas, voltou a ganhar um pouco de atenção dos olheiros. Phil Jackson, agora no comando estratégico do Knicks, entende que vale a pena investir em qualquer pequena coisa que possa render algo no futuro. Se Labeyrie virar um jogador mediano, já é interessante para o grupo ou como moeda de troca. Se não der nada, não saiu caro também.

 

Golden State Warriors, Indiana Pacers, Portland Trail Blazers e Washington Wizards

NADA

Além dos dois personagens de RPG da NBA, Warriors e Wizards, o Pacers e o Blazers também não escolheram ninguém no último Draft.

MessiO Warriors usou suas escolhas na troca que trouxe Andre Iguodala no último ano, elas foram para o Utah Jazz que, junto das escolhas, assumiu alguns contratos caros que possibilitaram a chegada do ala. Com elenco completo e cheio de talento, o Draft não faz tanta falta para o Warriors, embora algumas escolhas futuras, também já negociadas, pudessem ajudar eles a conseguir Kevin Love. Com a escolha deste ano, o Jazz selecionou Rodney Hood.

MarceloO Indiana Pacers enviou sua escolha de primeira rodada para o Suns em troca de Luís Scola na última offseason. Mandaram junto, aliás, Gerald Green e Miles Plumlee, lembram? Que surra de troca! Com a escolha, o Suns selecionou o gringo Bojan Bogdanovic, que não deve ser visto na NBA tão cedo. Na segunda rodada, o Pacers escolheu o francês Louis Labaeyrie, mas o mandaram de imediato ao New York Knicks em troca de uma grana. Não dava pra deixar o cara jogando lá na França e dar uma chance pra ele daqui uns anos?

MarceloLembram quando o Blazers trocou por Gerald Wallace anos e anos atrás? O ala começou bem, foi elogiado, mas logo o time despencou de qualidade e Wallace deu o fora na temporada seguinte. Foi estranho e infrutífero. Pois é, o que eles mandaram para o Bobcats/Hornets foi justamente a escolha deste ano! Foi na posição herdada que o time de Charlotte selecionou o bad boy pontuador PJ Hairston.

RVPO Washington Wizards, por fim, também havia trocado sua escolha de primeira rodada. E como o Pacers, foi em um negócio com o Phoenix Suns. Naquela troca do último ano, quando receberam Marcin Gortat, enviaram uma escolha de primeira rodada que acabou virando, neste Draft, o armador canadense Tyler Ennis. Gortat se deu muito bem no Wizards, ajudou o time a passar da primeira fase dos Playoffs e ganhou uma renovação de contrato. Bom negócio para todos!

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