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18-05-2013
#Podcast

Podcast Bola Presa – Edição 18

Defenestrado por Denis

Achamos um dia sem jogo para gravar desta vez! O Podcast 18 foi feito na noite da última sexta-feira, o que quer dizer que desta vez não ficamos atrasados e nem tivemos que fazer comentários adivinhando resultados de partidas futuras.

Com isso pudemos analisar o que Memphis Grizzlies e San Antonio Spurs fizeram para finalizar suas séries de semi-final do Oeste e assim fazer um rápido perfil do encontro. Também aproveitamos para falar um pouco dos eliminados, discorrendo sobre o fim da temporada de Golden State Warriors e Oklahoma City Thunder.

No Leste falamos sobre a fácil (ou nem tanto) vitória do Miami Heat sobre o Chicago Bulls e comentamos sobre a partida que irá acontecer na noite deste sábado entre Indiana Pacers e New York Knicks. 

No Both Teams Played Hard, perguntas sobre Tony Allen, Kendrick Perkins e o legado do Boston Celtics ao redor da NBA, também questões sobre financiamento estudantil (o retorno), a relação de games com cinema, homens com pelos e um caso estranho de TOC sexual.

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17-05-2013
#Classic

Thunder na balança

Defenestrado por Denis

A temporada do OKC Thunder acabou de maneira bastante melancólica. Com Russell Westbrook assistindo das arquibancadas, a equipe perdeu em casa para o Memphis Grizzlies após Kevin Durant errar um arremesso simples de meia distância que poderia ter levado o jogo para a prorrogação. O erro de KD fechou com chave de merda uma noite para se esquecer: 5/21 arremessos e 7 turnovers no pior jogo do ala nesta pós-temporada.

Ser eliminado em casa, numa série onde se entrou como mandante, é sempre decepcionante, mas para o Thunder vai além disso. Há pouco menos de 1 ano o mesmo time estava na Final da NBA, liderando o Miami Heat por 1 a 0. Mesmo tendo perdido o título, ficou aquela sensação de que era questão de tempo até o Thunder ser campeão. Era difícil imaginar, na verdade, qualquer time aparecer para evitar uma sequência de muitas finais entre Thunder e Heat.

Kevin Durant

Mas enquanto o Miami Heat conseguiu se reforçar, com a contratação de Ray Allen e até com a chegada surpreendente de Chris Andersen, que todos davam como carta fora da NBA, o Thunder perdeu um de seus principais jogadores. Antes da temporada começar, o General Manager Sam Presti decidiu trocar James Harden por Kevin Martin e o novato Jeremy Lamb. Para quem não lembra da situação, explico: Harden entrava em seu último ano de contrato e queria, para renovar, cifras zilionárias. Ele merece, claro, mas o Thunder já tinha oferecido os tais “contratos máximos” para suas outras estrelas, Durant e Westbrook, além de um salário gordo para Serge Ibaka. Sem acordo financeiro, Presti decidiu trocar Harden enquanto ainda poderia receber algo em troca ao invés de perdê-lo por nada. Conseguiu em Martin um pontuador eficiente, que exige pouco a bola e que estava desesperado por jogar pelo menos uma vez em um time vencedor.

Muitos criticaram Harden na época, dizendo que ele abriu mão da chance de ser campeão pelo dinheiro. Não é bem assim. Harden já abria mão de ser titular, abria mão de inúmeros arremessos, aceitava ser a terceira opção ofensiva e nunca reclamou de não ter a bola na sua mão nos momentos decisivos. Para um cara do talento dele, além de abrir mão de tudo isso, aceitar ganhar menos também era demais. Ficou nas mãos de Sam Presti decidir se assumiriam as pesadas multas e estagnação do elenco causadas por gastar tanto dinheiro só com 4 jogadores, ou se liberariam Harden.

A princípio a troca não foi trágica. Kevin Martin não demorou a se adaptar no elenco e o saldo de pontos do trio Martin, Durant e Westbrook foi fenomenal ao longo da temporada, entrosamento imediato. O problema de não ter mais um cara pra criar jogadas e dar força ao banco de reservas foi, ao longo da temporada, compensado com nova disposição de minutos entre Durant e Westbrook e com o crescimento veloz de Reggie Jackson. Kevin Durant mostrou que pode jogar armando o jogo eventualmente e o Thunder sobrou, acabando o Oeste em primeiro lugar.

Mas foi nos Playoffs que a coisa começou a desandar. Primeiro foi a inédita lesão de Russell Westbrook, sem o armador ficou muito claro como o Thunder precisava de um segundo jogador, além de Durant, atacando a cesta. O ataque ao garrafão é a base de todo o ataque da equipe, abrindo espaços para arremessos, cavando infinitos lances-livres, causando situações de rebote ofensivo, complicando o outro times em faltas coletivas, etc, etc. De repente fazia tanto sentido ter James Harden assumindo o lugar de Westbrook que não deu como não bater aquele remorso. Para piorar, Kevin Martin teve uma pós-temporada muito irregular. Seus 14 pontos por jogo pareceram bons na temporada regular, mas repeti-los nos Playoffs, quando o time precisava compensar Westbrook, foi pouco, sem contar que tinha dia que eram 25 pontos e em outros ele nem parecia estar em quadra. Embora ele deva reassinar ano que vem por uma quantia pequena, já se questionam o quanto ele pode ser confiável vindo do banco com principal reserva.

Além de Westbrook se mostrar humano e Martin não parecer tão bom assim, os Playoffs acabaram com outro mito do OKC Thunder. Kevin Durant, no fim das contas, pode ser tão ineficiente quanto outras estrelas como Carmelo Anthony e Kobe Bryant. Durant sempre foi conhecido por fazer muitos pontos mesmo arremessando pouco, ele pode parecer até discreto em alguns jogos e mesmo assim fazer seus 30 pontos. Mas nos Playoffs, precisando carregar o time nas costas, cometeu muitos erros, forçou arremessos impossíveis, não conseguiu ditar um ritmo para o jogo e pareceu uma daquelas estrelas perdidas em times fracos. O time não era fraco, mas estava sem caminho e obrigou Durant a exagerar.

Thunder Big 3

Isso não tira mérito, moral ou qualidade de Durant. Vendo seu time falhando e nervoso, ele tentou colocar a equipe nas costas, é o que qualquer líder faria, mas foi até estranho vê-lo tentar arremessos difíceis em situações onde normalmente passa a bola e recomeça o ataque. Também foi estranho vê-lo nervoso e principalmente frustrado com os companheiros. Mesmo nas finais do ano passado, quando as coisas não terminaram do jeito que eles queriam, o time parecia confiante, com aquele ar de “ano que vem é a gente”. Não foi. Aliás gosto de lembrar de um momento que o Bill Simmons da ESPN retomou no dia da troca de James Harden: fim do Jogo 5 da Final, Heat destruindo, Scott Brooks tira suas estrelas e lá, no banco, Harden, Durant e Westbrook assistem ao final do jogo abraçados. Eles estavam focados em ganhar aquilo juntos, era um grupo fechado, unido que foi separado por questões financeiras. Não tem como não ser pelo menos um pouco traumático.

O que está feito está feito, não tem porque ficar remoendo a troca pra sempre, mas dá pra gente questionar algumas coisas. Apesar da primeira temporada pós-troca ter dado errado no resultado final, eles ainda tinham muitas chances de serem campeões caso Westbrook continuasse inteiro. O elenco ficou mais magro, com menos opções, mas ainda era bom o bastante para brigar pelo título. E não podemos esquecer que Sam Presti foi criado dentro do San Antonio Spurs, franquia que sempre prezou por não gastar quantias estratosféricas com salários de jogadores e que manteve o seu próprio trio de estrelas sempre se baseando em convencê-los a não receber contratos máximos. Certamente ele pensou nos times que se enchem de contratos enormes e depois tem problemas para fazer as contratações mais simples, sem contar as multas que machucam os chamados “mercados pequenos” como San Antonio e Oklahoma City. Dar um contrato para o Harden seria falar “foda-se, vamos com tudo pra ganhar essa merda”, trocá-lo foi a decisão sustentável.

Deve-se arriscar tudo por um título quando a rara chance aparece, ou o ideal é montar uma franquia sustentável e organizada que possa figurar entre as melhores, e com chance de mudanças caso necessário, o máximo de tempo possível? Não acho que exista só uma resposta certa, mas veremos qual a que serve para o Thunder nos próximos anos. Enquanto lembrarmos da troca de Harden é porque ela ainda não deu o resultado imaginado.

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15-05-2013
#Curtas e Rápidas

Defesa na vingança do Grizzlies

Defenestrado por Denis

Vocês devem se lembrar do Jogo 4 da série entre OKC Thunder e Memphis Grizzlies há dois anos, certo? A partida chegou a ser candidata a um prêmio da ESPN como melhor jogo daquele ano em todos os esportes. Foram três prorrogações, com inúmeras atuações épicas e vitória final do Thunder por 133 a 123, que devolveu ao time de OKC o mando de quadra da série, que eles acabaram vencendo em 7 jogos.

Na época foram 40 pontos de Russell Westbrook, 35 pontos e 13 rebotes de Kevin Durant, 19 pontos, 7 rebotes e 7 assistências de James Harden pelo OKC. No Grizzlies, 26 pontos e 21 rebotes de Marc Gasol, 34 pontos e 16 rebotes de Zach Randolph, 18 pontos, 5 rebotes e 5 assistências para OJ Mayo e arremesso decisivo até de Greivis Vásquez!

Foi desse jogo que Zach Randolph falou nesta segunda-feira após o seu time conquistar a vantagem de 3 a 1 na semi-final do Oeste: “Não poderíamos deixar aquilo acontecer de novo“. Ontem foi mais um episódio da vingança dos Grizzlies nos Playoffs 2013. A primeira parte foi contra o Los Angeles Clippers, equipe que os eliminou no ano passado em um sofrido Jogo 7 em Memphis. Nessa temporada, situação semelhante, o Grizzlies com chance de fechar a série em casa, dessa vez no Jogo 6, e eles não perderam a chance. Após o jogo as entrevistas tiveram o mesmo tom desse Jogo 4: era a mesma situação, não poderiam permitir que o resultado fosse o mesmo também.

Mike Conley

Na partida desta segunda-feira o Grizzlies também enfrentou prorrogação contra o Thunder, mas, para o bem do coração dos torcedores, apenas uma prorrogação, sendo que nela o Grizz dominou e venceu por 9 a 3.  A partida foi uma gangorra, onde o Thunder comandou o comecinho da partida e foi perdendo força aos poucos até ceder o empate e, finalmente, no tempo extra, a virada definitiva. No início vimos o Thunder como ele deveria ser: atacaram a cesta, fizeram pontos de contra-ataque e Serge Ibaka e Nick Collison fizeram a festa com os buracos abertos pela agressividade. E por que não continuou dando certo? Bom, é bem mais fácil segurar Reggie Jackson ao invés de Russell Westbrook. Uma defesa mais atenta a Jackson, negando sua infiltração, assim como menos erros para não ceder contra-ataque, fizeram o Thunder voltar a sua estagnação das últimas semanas.

Esse é um luxo que somente bons times defensivos podem ter. Tomar porrada no primeiro quarto, ou mesmo em todo primeiro tempo, e depois conseguir ajustes rápidos para mudar toda cara da partida. A pressão sobre Reggie Jackson forçou Kevin Durant a novamente receber a bola longe da cesta para armar, arremessar, infiltrar, bater escanteio…  e embora ele saiba fazer tudo isso (até o escanteio, se duvidar) o time não funciona da mesma forma quando ele tem que fazer tudo. Ibaka, que fez 14 pontos no primeiro tempo, acabou o jogo 17 e às vezes nem parecia estar em quadra.

Quando perguntado sobre o Jogo 4 de 3 prorrogações de 2011, o técnico do Grizzlies, Lionel Hollins, voltou a comentar que a história seria diferente porque os times eram diferentes. Não só Westbrook não estava mais lá, assim como James Harden, mas no lado do Grizzlies, segundo o treinador, Gasol, Randolph e Conley haviam evoluído muito individualmente. É verdade, mas não é só isso. Em 2011 o Grizzlies acabou a temporada com a 11ª melhor defesa da NBA em pontos sofridos por posse de bola, no ano passado ficaram em 7º lugar e nesse ano, mais um salto, acabaram em.

E é essa defesa a principal arma da vingança do Grizzlies. Foi uma defesa de pick-and-roll impecável que conseguiu limitar Chris Paul na primeira rodada, a revanche da série do ano passado, agora é a defesa que novamente tira o Thunder da sua zona de conforto para vingar 2011. E curioso que apesar do time de OKC já estar sofrendo desde a série contra o Houston Rockets, a defesa utilizada pelo Grizzlies é completamente diferente. O Houston gostava de tentar fazer de tudo para Durant nem receber a bola, e ninguém deixava o perímetro de ataque de Durant para cobrir a marcação em jogadores secundários. Mas com o Grizzlies, não. Durant quase não recebe dobra e quando recebe, são em momentos quase aleatórios, para se pego de surpresa mesmo, não é um padrão.

Grit and Grind

A estratégia é semelhante a de outra potência defensiva, o Indiana Pacers. Eles confiam em Paul George para marcar Carmelo Anthony no mano a mano, e a ajuda só aparece naturalmente, quando Melo tenta atacar a cesta ou recebe a bola dentro do garrafão. Nada de inovador aí, quem não lembra de Bruce Bowen dando conta do recado contra tantos atacantes pelo Spurs ou mesmo o trunfo de Ben Wallace marcando Shaquille O’Neal sem pedir marcação dupla na Final de 2004. É compreensível a tentação de fazer uma marcação especial em caras especiais, mas o que o Grizzlies, Pacers e a história nos ensina é que quem se dá bem são os times que defendem bem como equipe, sem precisar que a defesa entre em colapso deixando alguém livre toda vez que uma grande estrela está no ataque. Os grandes times defensivos, e hoje o Grizzlies é um deles, precisam apenas de pequenos ajustes para segurar qualquer tipo de equipe.

E mesmo sem ser jogador para saber a verdade disso, iria mais longe para dizer que a defesa tem influenciado de maneira positiva tanto Pacers como Grizzlies nestes Playoffs. São dois times que passaram a temporada toda sofrendo para marcar pontos, mas que tem achado cestinhas surpreendentes e alguns jogos com boa pontaria de longa distância. O Pacers, que acabou a temporada regular com média de pouco mais de 6 bolas de 3 por jogo, tem feito quase 9 contra o Knicks. O time de NY, por sua vez, liderou a NBA com 11 por jogo e agora só acerta 6 nessa série. Até o Grizzlies, que não tem um único grande especialista em arremessos de longa distância, não deixou o Thunder disparar no placar do Jogo 4 graças a arremessos de 3 pontos de Mike Conley (4/10 de 3pts) e Jerryd Bayless (2/5). Isso sem falar dos jogos de Quincy Pondexter, um reles zé ninguém até outro dia, contra o LA Clippers. Faz sentido achar que a confiança da defesa, que tem parado todo mundo, tem passado essa tranquilidade lá na frente? Porque, sinceramente, não vi o Grizzlies nervoso ou inseguro por um segundo sequer nestes Playoffs.

Vencendo por 3 a 1, é bem provável que o Memphis Grizzlies derrote o OKC Thunder e consiga sua segunda revanche seguida. Mas o curioso é que provavelmente a final do Oeste será uma revanche invertida. O Grizzlies tem tudo para enfrentar o San Antonio Spurs, que tem o time de Zach Randolph engasgado desde a derrota histórica na primeira rodada de 2011. Mas não vamos nos avançar, nenhuma das séries foram fechadas ainda. Temos outras vinganças em curso.

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