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28-07-2014
#Classic

Análise do Draft 2014 – Parte 4 (e final!)

Defenestrado por Denis

Na Parte 1 da análise falamos do draft de Cavaliers, Bucks, Sixers, Magic e Jazz

Na Parte 2 analisamos as escolhas de Celtics, Lakers, Kings, Suns, Wolves, Bulls e Hornets

Na Parte 3 comentamos as decisões de Hawks, Nuggets, Raptors, Thunder, Grizzlies, Heat, Rockets e Clippers

Cleanthony-Early-Knicks

 

Nesse ano, mantendo a tradição, fizemos selos de qualidade baseado em um assunto do momento: futebol. Viva as Copas!

Klose 7 a 1: Você vai lá, se prepara, monta um timaço e atropela o maior vencedor de todos os tempos, na casa dele, por um placar humilhante. Simplesmente não dá pra ser melhor do que isso. Selo para os times que tomaram a decisão perfeita no dia do Draft 2014.

RVP 5 a 1: Revanche de goleada? Sobre o atual campeão mundial que te derrotou na última final? Só um 7 a 1 supera. Faltou repetir a grande atuação mais pra frente, mas já é um placar se orgulhar. Selo para os times que acertaram, mas não entraram para a história.

Messi 1 a 0: Não conquista o público, não vira trauma nacional de ninguém, mas é o bastante pra vencer. Pode ser feio ou bonito, golaço ou de canela, impedido. É o necessário para sair com os 3 pontos ou a classificação. Selo para os times que fizeram o que dava na hora.

James 1 a 2: Placar honesto, justo, jogo disputado. Mas uma derrota é sempre uma derrota e não dá pra ficar satisfeito depois de ser chutado pra fora do campeonato. Selo para os times que até tentaram fazer tudo certo, mas podem acabar quebrando a cara daqui um tempo.

Marcelo

1 a 7: Afinal, o que poderia ser mais traumático do que perder uma final? Ah é, isso! Selos para times que tomam bola nas costas do Marcelo sem parar.

 

…..

KloseSan Antonio Spurs

Kyle Anderson, SF/PF (30)
Nemanja Dangubic, SG (54)

Como o resto da NBA pode ter sido tão ingênua?! Já está na hora dos outros 29 times se unirem para impedir o Spurs de conseguir certas coisas. Como que me deixam o Kyle Anderson, o cara que todo mundo chama de Novo Boris Diaw, de cair no colo do time de Gregg Popovich?!

A comparação com Boris Diaw é compreensível. Anderson não consegue se destacar na parte física, parece jogar em câmera lenta (seu apelido é Slo-Mo) e isso não o impede de estar em todas as partes da quadra participando ativamente da criação das jogadas. Para ser justo, pelos braços grandes, ele também já foi comparado com outro ótimo point forward, Lamar Odom. Se Anderson virar qualquer coisa entre Odom e Diaw, será parte importante da rotação do San Antonio Spurs nos próximos anos. A habilidade do Spurs em desenvolver seus jogadores não deve ser esquecida também, não se surpreendam se em pouco tempo ele estiver com uns 50% de acerto em bolas de 3 pontos.

Na Summer League, Anderson começou bem, mostrando seu jogo completo, mas logo depois caiu de produção. Mas não me preocuparia se fosse torcedor do Spurs, o seu estilo não é um que se mostra bem em ligas de verão, onde um combinado que quase nunca treinou junto tem que mostrar serviço, com um monte de nego desesperado em ganhar um contrato. Como facilitador, ele precisa de entrosamento, companheiros talentosos e movimentação de bola. É no time principal que veremos qual é a dele.

Na segunda rodada, o Spurs fez algo comum entre todos os times, mas que eles já fazem há mais tempo que todos: escolheram um gringo que vão deixar jogando na Europa até parecer pronto. O escolhido foi o ala/armador sérvio Nemanja Dangubic, de 21 anos, que joga no Mega Vizura, da Sérvia. Dangubic ganhou os olheiros internacionais de vez quando foi eleito o MVP do Eurocamp da Adidas nesse ano. Só tem uma coisa que ele faz e que o Spurs pode não gostar: ele enterra!!!!

Imagem de Amostra do You Tube

 

MessiBrooklyn Nets

Markel Brown, SG (44)
Xavier Thames, PG/SG (59)
Cory Jefferson, PF (60)

O Brooklyn Nets começou o Draft sem escolhas. Um dos times mais velhos da liga, sem muita perspectiva para o futuro próximo, não tinha como conseguir novos jogadores porque tinha usado todas suas escolhas em negociações passadas que só trouxeram caras em fim de carreira. A solução foi usar o que eles tem de melhor: dinheiro. Compraram as posições 44, 59 e 60 (a última) e apostaram em 3 seniors, jogadores que disputaram 4 anos completos de basquete universitário.

O primeiro escolhido é o que tem mais chance de conseguir uma vaga no time principal. Markel Brown tem velocidade, muita impulsão, constantemente aparecia por aí com alguma enterrada fenomenal e, aos poucos, dizem, parece que se tornou um arremessador razoável. Acabou chamando a atenção quando Marcus Smart, seu companheiro de Oklahoma State, foi suspenso e Brown foi um dos responsáveis pela armação do time, não fazendo feio. Acabou a última Summer League com boas médias de 10 pontos, 4 rebotes, 3 assistências e 52% de acerto de seus arremessos. Nada mal para quem foi secundário em um time que tinha muita gente com experiência na NBA, como Donte Greene, Mason Plumlee, DaJuan Summers e Marquis Teague.

Xavier Thames, outro armador combo, decepcionou. Chegou como esperança de ser um bom reserva que acerta suas bolas de 3 pontos e erra pouco, mas só fez 16% das bolas de longe e cometeu 1.4 turnovers por jogo em apenas 20 minutos médios de ação. Poderia ser muito pior, mas é pouco para quem chega sem muita moral em um time que já tem muitas opções para sua função, veteranos como Deron Williams, Jarret Jack e o jovem Marquis Teague.

Por fim, o último escolhido da noite, Cory Jefferson, conseguiu um pouco de destaque na Summer League. Com minutos limitados, conseguiu 11 pontos e 7 rebotes de média, maior reboteiro do time no torneio. Apesar do Nets preferir sempre jogadores mais experientes, Jefferson pode conseguir uma vaga num garrafão que perdeu Jason Collins, que tem Kevin Garnett jogando cada vez menos tempo e que ainda não renovou com Andray Blatche.

 

JamesDallas Mavericks

Trocou as escolhas 34 e 51 no negócio por Raymond Felton e Tyson Chandler

O Mavs também teve que abrir mão de Samuel Dalembert, José Calderón, Wayne Ellington e o sophomore Shane Larkin, que vão para o New York Knicks de Carmelo Anthony e Phil Jackson. Acredito que a troca do Dallas Mavericks possa render bons fruntos, mesmo que o preço realmente tenha sido alto.

Embora Tyson Chandler já tenha 32 anos e convivido com algumas lesões nos últimos anos, ainda é um grande jogador de defesa e que viveu seu melhor momento na carreira ao lado de Dirk Nowtizki e Rick Carlisle no Mavs. Eles nunca mais conseguiram encontrar um jogador que se encaixasse tão bem no esquema e uma melhora na defesa é justamente o que precisavam, já que o ataque andou muito bem das pernas desde a chegada de Monta Ellis na última temporada.

O problema com tudo isso foram as peças necessárias para alcançar Chandler. Calderón foi um dos melhores arremessadores do time no último ano, embora nem fará muita falta como armador principal, função que pouco executou. Shane Larkin teve bons momentos e parecia um jogador promissor, e as duas escolhas na segunda rodada, em especial a 34, poderiam ser transformadaa em uma melhora no banco de reservas. Se Chandler não se lesionar, acho que não vão se arrepender, mas o Knicks agradece a chance de renovação.

 

MessiDetroit Pistons

Spencer Dinwiddie, PG/SG (38)

Com gigantesca Força Nominal, Dinwiddie poderia ter sido melhor selecionado no Draft se não fosse uma grave lesão que teve no joelho na última temporada. Os mais otimistas viam ele como uma segura escolha de primeira rodada se não fosse a lesão.

A contratação de Spencer Dinwiddie também foi um prelúdio da saída de Rodney Stuckey da equipe. Os dois são combo guards que gostam de pontuar, atacar a cesta, cavar faltas e botar fogo no jogo: sextos homens por excelência. Stuckey já deu o que tinha que dar no Pistons e abre espaço no banco para o novato.

Pela lesão, o rookie não disputou nenhuma Summer League, não deverá estar de volta para o período de treinamentos e deve estrear só com a temporada rolando, algo terrível para um cara que ainda estará pegando o jeito da NBA. De qualquer jeito, ele pelo menos ganhou a confiança do Pistons, que lhe deu um contrato de 3 anos. Provavelmente (embora não tenha achado os dados), só a primeira temporada deva ser garantida, querendo dizer que ele pode ser dispensado daqui um ano se o time quiser. Pareceu uma boa escolha, mas não sabemos o quanto a lesão o incomodará no futuro.

 

RVPNew Orleans Pelicans

Russ Smith, PG/SG (47)
Omer Asik (via troca)

O New Orleans Pelicans pagou caro por Jrue Holiday. Além de Nerlens Noel, sexta escolha do Draft do ano passado, eles haviam colocado no pacote também uma escolha deste ano. Ela tinha proteção de Top 5, o que quer dizer que o Pelicans manteria a escolha se esta fosse sorteada entre as 5 primeiras; mas como ela ficou na distante 10ª posição, foi para o Sixers. No fim, o Sixers acabou mandando a escolha pra o Orlando Magic, que selecionou o armador Elfryd Payton.

Sem escolhas neste ano, o Pelicans acabou mandando Pierre Jackson para o mesmo Sixers em troca de uma escolha de segunda rodada. A história inteira é curiosa: Pierre Jackson foi escolhido pelo próprio Sixers há um ano, aí foi mandado para o Pelicans, onde, sem espaço no elenco principal, foi mandado à D-League. Na Liga de Desenvolvimento, dominou os oponentes, marcou ponto de todos os jeitos e chamou a atenção de outros times, que tentaram tirar Jackson de New Orleans. O time, para desespero do jogador, não o trocou e nem o chamou para o time principal na NBA. No Draft, finalmente, o libertaram, mandando-o de volta para o Sixers em troca da escolha que virou Russ Smith. Infelizmente, porém, o azar domina o mundo e Pierre Jackson sofreu uma lesão grave no tendão de aquiles e deve desfalcar o time da Philadelphia por toda a temporada.

O escolhido dos pelicanos, Russ Smith, por outro lado, fez ótima Summer League com média de 16 pontos, 5 rebotes e 6 assistências em 27 minutos por jogo. Por ter apenas 1,80m, causa aquele medo à la Isaiah Thomas de que pode não se garantir entre os profissionais, mas sabemos que altura não é tudo. Smith é rápido, agressivo e pode seguir o caminho de outros nanicos ultra-velozes que superar as críticas, como Nate Robinson e Ty Lawson. Não será fácil, porém, arranjar minutos numa posição que já tem Jrue Holiday, Brian Roberts e que pode ainda ser ocupada (embora espero que não seja) pelo recém-chegado Jimmer Fredette.

Fechando a noite de Draft, o Pelicans trocou sua escolha do ano que vem por Omer Asik, que deverá ser o pivô titular enquanto Anthony Davis desfila seus talentos na posição 4. Uma ótima troca, mas que pede uma boa campanha no difícil Oeste para que esta nova escolha trocada não volte para os assombrar como aconteceu com aquela negociada por Jrue Holiday há um ano.

 

RVPNew York Knicks

Cleanthony Early, SF/PF (34)
Thanasis Antetokounmpo, SF (51)
Louis Labeyrie, PF (57)

O Knicks seguiu o exemplo do irmão de cidade e também usou todas as escolhas de Draft que tinha em negociações anteriores que, como sabemos, nem sempre renderam grandes coisas. Mas eles compensaram: na troca de Tyson Chandler com o Dallas Mavericks, eles levaram duas escolhas de segunda rodada e parece que escolheram bem. Cleanthony Early, uma Força Nominal curiosa, é um tremendo atleta, veloz e um faz-tudo que qualquer time precisa. Desde que o time perdeu Landry Fields que eles precisam de alguém que faça o trabalho sujo, e bom que seja alguém com o quíntuplo do poder atlético de Fields. Early fez boa Summer League, mesmo sem brilhar, e deve entrar na rotação do time.

Com a outra escolha ganha na troca, o Knicks apostou em Thanasis Antetokounmpo, irmão de Giannis, do Bucks. Como seu parente mais famoso, Thanasis tem braços maiores que carros populares e muita velocidade. Falta o mesmo talento com a bola nas mãos, mas ele compensa com boa defesa. Não foi bem na Summer League, mas tem no currículo uma temporada de D-League com média de 12 pontos, 1.1 roubo e 1.3 toco. Pode valer uma aposta barata e ver se ele se desenvolve em um defensor de primeiro nível.

Com a última escolha, comprada do Indiana Pacers, o NY Knicks apostou no francês Louis Labeyrie, que não veio para a Summer League e deverá ficar na Europa um bom tempo (ou o resto da vida). O ala de força apareceu com tudo aos 19 anos, impressionando no Hyére-Toulon e então foi contratado pelo Paris-Levallois, time maior da liga francesa. Mas lá não deslanchou como o esperado e afundou no banco do time nos últimos 3 anos. Uma melhora no seu arremesso de longe, porém, parece ter despontado um interesse maior no rapaz. Após uma boa atuação no último Eurocamp da Adidas, voltou a ganhar um pouco de atenção dos olheiros. Phil Jackson, agora no comando estratégico do Knicks, entende que vale a pena investir em qualquer pequena coisa que possa render algo no futuro. Se Labeyrie virar um jogador mediano, já é interessante para o grupo ou como moeda de troca. Se não der nada, não saiu caro também.

 

Golden State Warriors, Indiana Pacers, Portland Trail Blazers e Washington Wizards

NADA

Além dos dois personagens de RPG da NBA, Warriors e Wizards, o Pacers e o Blazers também não escolheram ninguém no último Draft.

MessiO Warriors usou suas escolhas na troca que trouxe Andre Iguodala no último ano, elas foram para o Utah Jazz que, junto das escolhas, assumiu alguns contratos caros que possibilitaram a chegada do ala. Com elenco completo e cheio de talento, o Draft não faz tanta falta para o Warriors, embora algumas escolhas futuras, também já negociadas, pudessem ajudar eles a conseguir Kevin Love. Com a escolha deste ano, o Jazz selecionou Rodney Hood.

MarceloO Indiana Pacers enviou sua escolha de primeira rodada para o Suns em troca de Luís Scola na última offseason. Mandaram junto, aliás, Gerald Green e Miles Plumlee, lembram? Que surra de troca! Com a escolha, o Suns selecionou o gringo Bojan Bogdanovic, que não deve ser visto na NBA tão cedo. Na segunda rodada, o Pacers escolheu o francês Louis Labaeyrie, mas o mandaram de imediato ao New York Knicks em troca de uma grana. Não dava pra deixar o cara jogando lá na França e dar uma chance pra ele daqui uns anos?

MarceloLembram quando o Blazers trocou por Gerald Wallace anos e anos atrás? O ala começou bem, foi elogiado, mas logo o time despencou de qualidade e Wallace deu o fora na temporada seguinte. Foi estranho e infrutífero. Pois é, o que eles mandaram para o Bobcats/Hornets foi justamente a escolha deste ano! Foi na posição herdada que o time de Charlotte selecionou o bad boy pontuador PJ Hairston.

RVPO Washington Wizards, por fim, também havia trocado sua escolha de primeira rodada. E como o Pacers, foi em um negócio com o Phoenix Suns. Naquela troca do último ano, quando receberam Marcin Gortat, enviaram uma escolha de primeira rodada que acabou virando, neste Draft, o armador canadense Tyler Ennis. Gortat se deu muito bem no Wizards, ajudou o time a passar da primeira fase dos Playoffs e ganhou uma renovação de contrato. Bom negócio para todos!

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26-07-2014
#Classic

Análise do Draft 2014 – Parte 3

Defenestrado por Denis

Na Parte 1 da análise falamos do draft de Cavaliers, Bucks, Sixers, Magic e Jazz

Na Parte 2 analisamos as escolhas de Celtics, Lakers, Kings, Suns, Wolves, Bulls e Hornets

Nuggets

A tradição dos posts do Draft é assim: Analisamos time por time, na ordem das escolhas, e damos a cada equipe um selo de qualidade que resume o que achamos das escolhas no geral. O tema dos selos muda todo ano, já foi baseado em mulheres, números, Michael Jackson, memes da internets e até seleções brasileiras em Copas do Mundo. No ano retrasada usamos usando Redes Sociais como parâmetro e em 2013 apelamos para as manifestações de rua.

Nesse ano, mantendo a tradição, fizemos selos de qualidade baseado em um assunto do momento: futebol. Viva as Copas!

Klose 7 a 1: Você vai lá, se prepara, monta um timaço e atropela o maior vencedor de todos os tempos, na casa dele, por um placar humilhante. Simplesmente não dá pra ser melhor do que isso. Selo para os times que tomaram a decisão perfeita no dia do Draft 2014.

RVP 5 a 1: Revanche de goleada? Sobre o atual campeão mundial que te derrotou na última final? Só um 7 a 1 supera. Faltou repetir a grande atuação mais pra frente, mas já é um placar se orgulhar. Selo para os times que acertaram, mas não entraram para a história.

Messi 1 a 0: Não conquista o público, não vira trauma nacional de ninguém, mas é o bastante pra vencer. Pode ser feio ou bonito, golaço ou de canela, impedido. É o necessário para sair com os 3 pontos ou a classificação. Selo para os times que fizeram o que dava na hora.

James 1 a 2: Placar honesto, justo, jogo disputado. Mas uma derrota é sempre uma derrota e não dá pra ficar satisfeito depois de ser chutado pra fora do campeonato. Selo para os times que até tentaram fazer tudo certo, mas podem acabar quebrando a cara daqui um tempo.

Marcelo

1 a 7: Afinal, o que poderia ser mais traumático do que perder uma final? Ah é, isso! Selos para times que tomam bola nas costas do Marcelo sem parar.

 

…..

RVPAtlanta Hawks

Adreian Payne, PF (15)
Walter Tavares, C (43)
Lamar Patterson, SG/SF (48)

Na temporada passada o Atlanta Hawks e seu novo técnico, o ex-Spurs Mike Budenholzer, decidiram que era hora de arremessar um pouco mais de 3 pontos. Eles passaram de 23.2 arremessos longos tentados por jogo para 26, mas mais importante foi a mudança de quem faziam esses arremessos. Em 2012-13, dos 10 jogadores que arremessaram, em média, ao menos 2 bolas de 3 por partida, só 1 era considerado um ala-de-força, um jogador de garrafão, Josh Smith, famoso por tentar (e errar) arremessos de longa distância. Foram só 30% de acerto dele naquela temporada.

Mas com Budenholzer e sem Josh Smith, dos 10 jogadores que tentaram ao menos 2 bolas de 3 por jogo na temporada, 3 deles jogavam nas posições 4 ou 5, tradicionalmente de garrafão: Mike Scott, Paul Millsap e Pero Antic. E depois que Al Horford se machucou, era este trio que rotacionava nos quintetos do Hawks, causando o terror dos adversários que tinham que marcar pivôs que nem pisavam na área pintada. Pergunte para o Roy Hibbert se aquela série de Playoff foi divertida pra ele.

Claro que eles querem Horford de volta, mas o sucesso do time aberto, poderoso nas bolas de 3 com seus grandões, agradou. Então nada mais natural do que reforçar a posição com Adreian Payne, que tem essa mesma característica. O ala de Michigan já tem 23 anos e espera-se que pela ampla experiência universitária ele tenha menos dificuldade em pegar o ritmo de jogo da NBA. Na Summer League, porém, ele não brilhou, sofrendo com má pontaria nos arremessos em uns dias, excesso de faltas em outros. Terá tempo para se ajustar até se tornar o que o Hawks espera dele, um bom e confiável reserva para Millsap e Horford.

Na segunda rodada o Hawks pegou o pivô Walter Tavares, nascido em Cabo Verde e descoberto na sua terra natal por um turista alemão em 2009, que se impressionou com a altura do nativo e o indicou para um conhecido que tinha na Espanha. Tutorado pelo mesmo técnico que lapidou Fran Vásquez e Marc Gasol no passado, Pedro Martínez, ele cresceu no basquete e ganhou o Hawks após um bom workout antes do Draft. Apesar de chegar com fama de grandão sem jogo ofensivo, Tavares mostrou, mesmo sendo pouco acionado, alguns bons momentos na Summer League de Las Vegas, especialmente recebendo passes em velocidade no pick-and-roll, algo tradicionalmente difícil para alguém de 2,21m! Não brilhou, porém, e ainda se aposta que ele passe pelo menos mais um ano jogando na Espanha antes de ser incorporado pelo Hawks.

Com sua outra escolha de segunda rodada, o Hawks escolheu Lamar Patterson, ala de Pittsbourgh que chegou com fama de faz-tudo. Mas Patterson jogou muito mal na Summer League, perdeu a titularidade ao longo do torneio, acertou só 34% de seus arremessos e marcou exatos 7 pontos na soma de seus últimos 3 jogos. Difícil imaginar ele conseguindo uma vaga no time nesta temporada.

 

RVPDenver Nuggets

Jusuf Nurkic, C (16)
Gary Harris, SG (19)
Nikola Jokic, PF/C (41)
Arron Afflalo (via troca)

Lembra da análise do Bulls, quando dissemos que eles arriscaram bastante ao trocar as duas escolhas que tinham para ter Doug McDermott? Então, o mesmo vale para o Nuggets, que foi quem fez a troca para receber as seleções 16 e 19. Se Jusuf Nukric e Gary Harris não derem em nada, eles que vão receber as críticas futuras e fáceis por terem desperdiçado a chance de ter o ótimo arremessador de Creighton.

Embora só o imprevisível futuro possa dizer se o Nuggets se deu bem nesta tentativa, a princípio parece que eles conseguiram transformar a troca em algo bom pra eles também.  Nukric, de apenas 19 anos, não disputou a Summer League porque estava jogando a Série B do Campeonato Europeu Sub-20, onde ele liderou a sua Bósina-Herzegovina ao título e foi o MVP da competição com médias de 21 pontos, 12 rebotes, 3 assistências, 1.8 roubos e 2.6 tocos por partida. Tá bom que ele não jogou contra as melhores seleções do continente, mas ele fez o que um (agora) jogador da NBA deve fazer: dominou o torneio de ponta a ponta. Naquelas tristes comparações típicas de Draft, o chamaram de DeMarcus Cousins: enorme, habilidoso e difícil de lidar. A que tudo indica, o Nuggets já pensava em pegar ele mesmo na 11ª posição e não irá esperar para vê-lo em quadra, já deve tê-lo no elenco nesta temporada lutando por minutos com Timofey Mozgov e JaValle McGee.

E se eles perderam a chance de contar com McDermott, conseguiram um outro tão bom arremessador, Gary Harris, lá na distante 19ª colocação. Harris teve 41% de acerto em bolas de 3 pontos em seu primeiro ano em Michigan, mas caiu para 35% no segundo ano quando, dizem os que acompanharam de perto, tentou ser um pouco menos secundário e passou a criar mais chances de arremesso para si. E foi isso que o Nuggets tentou fazer com ele, também, na Summer League de Las Vegas. Mesmo sabendo que ele tem melhor aproveitamento como um spot-up shooter que fica lá parado no canto esperando sua chance, desenharam inúmeras jogadas para ele em bloqueios, hand-offs (quando o pivô solta a bola na mão do arremessador para o chute) e diversos outros lances. Após estrear com 33 pontos e uma mão quente, seu aproveitamento caiu um bocado, mas ele se manteve com 18 pontos por jogo graças, também, a muitos lances-livres cavados. A transição não vai ser fácil e há concorrência no Nuggets, mas há um talento aí a ser explorado.

É curioso que o site da CBS Sports havia classificado Gary Harris como, num caso de sucesso, se tornando um jogador parecido com Arron Afflalo. Acabou que ele foi selecionado pelo Nuggets, onde Afflalo já havia jogado e para onde retornou após troca com o Orlando Magic. É a hora de Brian Shaw achar seu Football Manager interior e pedir para Afflalo ser um tutor para o jovem Harris.

 

KloseMarceloToronto Raptors

Bruno Caboclo, SF (20)
DeAndre Daniels, SF (37)

Nosso principal alvo, o canadense Tyler Ennis, já foi escolhido, quem poderemos selecionar aqui na 20ª posição de um Draft amplamente divulgado como um dos mais ricos em talento dos últimos anos? Ah, que tal aquele brasileiro que NINGUÉM nos EUA jamais ouviu falar? É isso! Bruno Caboclo neles.

Foi esse simples e singelo cenário que rendeu a escolha mais corajosa e surpreendente do Draft 2014. O choque já era enorme para todos, e pegou de jeito os comentaristas da ESPN que estavam em parte surpresos e em parte envergonhados, porque tinham que comentar a escolha e não sabiam quem era o menino. E foi nessa confusão que surgiram as frases que irão ainda acompanhar o Caboclo por um tempo: “É o Kevin Durant brasileiro” e “ele está a dois anos de estar a dois anos de estar pronto para a NBA”. Doeu até aqui em mim.

Antes de comentar sobre o Caboclo, precisamos enfatizar de novo como essa escolha foi corajosa. Algumas vezes tentamos entrar na cabeça dos General Managers e entender o que eles pensaram antes de cada contratação, troca ou dispensa. Costumamos ir para a parte técnica e estatística, mas tem uma outra coisa que não podemos esquecer, esses caras não querem perder o emprego!

Sim, talvez um dia ele tenha pago um salário alto demais para um cara mediano, mas só ele sabe a pressão que tinha nas costas para contratar alguém, ao preço que fosse, para mostrar que o time está melhorando. Ou como teve que manter um jogador que ele não gosta tanto, mas é ídolo da torcida. Managers, assim como a CBF, gostam de contratar escudos que digam “fiz a coisa certa, uma pena que eles perderam depois”. E foi exatamente isso que Masai Ujiri, GM do Raptors, não fez no Draft 2014. Ele poderia ir com o admirado, embora limitado, Rodney Hood, poderia garantir o campeão Shabazz Napier já que ainda não sabia se iria renovar com Greivis Vásquez e Kyle Lowry. Com qualquer um desses o time poderia não dar um salto de qualidade, mas seria uma aposta segura para enriquecer um time já bem montado. Mais importante, ninguém iria criticá-lo.

Mas não, Ujiri se tornou o centro das atenções (e das críticas) ao chamar um jogador completamente fora do radar da crítica norte-americana. Aliás, fora do radar de todo mundo. O próprio Ujiri disse que poucos times, talvez eles e mais uns 3, já tinham dado uma olhada em Caboclo. A melhor reação da imprensa americana foi a do SB Nation, que assim avaliou o Draft do Raptors:

Quem? Eu não sei, assim como quase ninguém assistindo ao draft. Seus melhores momentos parecem ter sido filmados com um celular Nokia N8. Ujiri é um troll ou um gênio. Ou os dois.

E Bruno Caboclo nem estava no Draft na hora! Tinha chegado a pouco nos EUA e estava num táxi, ficou sabendo que tinha sido escolhido por um tweet do Bala na Cesta lido no celular. A história é pirada. Após a decisão, Ujiri deu uma coletiva explicando que observou Caboclo muitas vezes, incluindo aqui na LDB Sub-22 organizada pela Liga Nacional de Basquete, e que se impressionou pelo garoto. Gostou do seu físico, da parte técnica, de como ele aprendeu tudo muito rápido no seu workout, mesmo ainda sem falar inglês, e que não queria perder a chance de ter ele no time. Quando ficou sabendo que Ennis já tinha saído e que o Phoenix Suns cogitava ter o brasileiro antes de chegar a escolha de 2ª rodada do Raptors, decidiram se antecipar e levar o brasileiro. Foi um all-in do tipo que poderia custar o emprego de alguém. Ujiri usou sua moral de ter reconstruído um time em tão pouco tempo.

Na Summer League de Las Vegas a função de Caboclo era mostrar para o mundo que ele não estava tão distante de poder contribuir na NBA, e foi o que ele fez. Com bons jogos, nenhum fora de série e nenhum ruim, ele se estabeleceu como um bom jogador que pertencia completamente ao ambiente. Ainda com uma mecânica estranha, acertou até arremessos de longe, não pareceu nervoso (embora tenha ficado muito frustrado após tomar uma enterrada na fuça); quando usou sua envergadura kilometral (essa palavra existe?!), impressionou na defesa também, embora, claro, ainda precise aprender muito. Todos os textos gringos que pipocaram durante os jogos falavam a mesma coisa: ele não é tão cru assim e, meu deus, fisicamente ele é perfeito. Típico comentário quase sexual que nós, basqueteiros, fazemos ao falar de jovens jogadores.

O brasileiro ganhou uma garantia de que está nos planos do Raptors para já, que não vai se desenvolver no exterior. Talvez ganhe algumas passagens na D-League para ganhar tempo de quadra, já que o Toronto, com ambições de ir longe nos Playoffs, deve procurar uma rotação bastante eficiente. Mas não se surpreenda de ver o brasileiro conquistando seu espaço aos poucos. Como já comentei aqui no blog, Masai Ujiri tem uma história curiosa: depois de se aposentar das quadras, virou técnico na Nigéria, sua terra natal e depois virou scout internacional. Ao levar jogadores estrangeiros para a NBA, acabou se aproximandodo Orlando Magic e passou a trabalhar com eles. Depois de um tempo, foi para o Denver Nuggets, onde passou a participar das decisões da diretoria. Ele, que fez carreira em enxergar talento nos outros, agora tem a chance de ajudar um a se desenvolver em seu próprio time.

Todos nós que vimos o Caboclo aqui na LDB, poucos minutos de NBB, Mundial interclubes e até no Campeonato Paulista Sub-19 enxergamos um potencial absurdo no menino, Ujiri foi o que arriscou tudo e viu que dava pra dar uma de Giannins Antetokounmpo e pular algumas etapas. Espero que dê certo!

Na segunda rodada, o Raptors selecionou DeAndre Daniels, jogador de um estilo que o San Antonio Spurs consagrou no passado e que agora já tem nome: 3-and-D. É o cara que defende bem de um lado da quadra e ajuda com bolas de 3, não mais que isso, do outro. Todo time precisa de alguém assim! Tirando um jogo para esquecer contra o Houston Rockets, Daniels fez boa Summer League e pode sonhar com um espaço na rotação do time na próxima temporada caso Nando De Colo e/ou Lucas Bebê não consigam contratos.

 

MessiOklahoma City Thunder

Mitch McGary, PF/C (21)
Josh Huestis, SF (29)

O Thunder já descobriu o seu estilo favorito de jogador de garrafão: ágil, focado na defesa e se conseguir ser rápido o bastante para acompanhar o time na transição e pegar uns rebotes de ataque, melhor. É assim com Nick Collison, foi o que os encantou em Steven Adams e exatamente o que buscaram em Mitch McGary. Eu vi uma discussão sobre se ele poderia ser pivô ou não na NBA, mas acho esse tema cada vez mais irrelevante. O time precisa de rebotes e proteção de aro no garrafão defensivo, se ele e, digamos, Ibaka, providenciam isso como dupla, não importa muito qual é teoricamente a sua posição. Na Summer League, McGary foi muito bem no ataque, se envolvendo bem nos pick-and-rolls e deu quase 2 tocos por jogo também.

Creio que a escolha por um jogador de garrafão com essas características é mais um de muitos indícios de que a “Era Kendrick Perkins” está perto do fim. Sim, ele é um líder, importante para o time e sabe marcar, especificamente, alguns bons pivôs na liga. Mas é isso, o time melhora com Collison, brilhou com Adams em muitos momentos e parece ser importante para eles ter mais opções para manter o estilo por mais tempo.

Com a escolha 29, o Thunder inventou uma moda que pode render algumas mudanças de regra no futuro. A decisão merece uma análise mais profunda outra hora, mas conto a versão resumida. Os agentes de Josh Huestis tinham medo de seu cliente nem ser escolhido no Draft, primeira ou segunda rodada; então eles receberam uma proposta curiosa do Thunder: escolhemos Huestis, mas ele não assina com o time agora e, ao invés disso, joga por nosso time na D-League por ao menos um ano. Acordo de cavalheiros. Que tal? Que fique claro, a maioria dos jogadores assina com o time da NBA e depois é mandado para a D-League, neste caso o contrato de Huestis seria diretamente com a D-League.

O Thunder não queria ultrapassar o teto salarial com essa escolha e, portanto, ela mais parecia mais um fardo do que uma chance de melhorar o time. Eles poderiam trocá-la por uma escolha futura, por uma de 2ª rodada e até vender, mas resolveram inovar. O preço da inovação foi usar a posição para selecionar um jogador que não era bem cotado o bastante para aceitar a loucura. Quem em são consciência abriria mão de 1 milhão de dólares e um ano de NBA? Alguém desesperado para chegar lá.

Na escolha 29, ainda na primeira rodada do Draft, os novatos tem contrato garantido por ao menos 2 anos. Segundo a escala salarial dos rookies, ele ganharia 918 mil dólares nesta temporada e 943 mil na próxima, podendo então ser estendido por mais 2 temporadas depois disso. Mas o Thunder o convenceu a não assinar e, ao invés disso, ir lá ganhar os 30 mil dólares que a galera ganha pra jogar na liga de desenvolvimento onde ele pode, bem… se desenvolver. Huestis poderia dar uma de espertão, pegar o contrato e assinar, era seu direito. Mas ele abraçou a proposta do Thunder e causou um bafafa ao redor da liga: isso violaria as regras que proíbem a discussão de compensações de contrato no pré-Draft? Prejudica a liga, e o Draft, que as últimas escolhas de primeira rodada sejam usadas pra pegar jogadores fracos? A escala salarial deve ser revista? É esse o começo de um movimento que um dia irá realmente transformar a D-League numa liga menor, como acontece no beisebol? E, por fim, Josh Huestis vai, um dia, chegar na NBA?

 

MessiMemphis Grizzlies

Jordan Adams, SG (22)
Jarnell Stokes, PF (35)

Como bem definiu o pessoal do NBADraft.net, o Grizzlies é um time que olha mais para a performance e números de um jogador do que para o seu lado físico, atlético. E é isso que define Jordan Adams, que chamou a atenção em UCLA por pontuar bem, defender de maneira inteligente e conseguir muitos roubos de bola, mesmo não sendo nenhum monstro fisicamente. Na Summer League, foi o que Adams fez: 14 pontos por jogo, 2.2 roubos de bola. Forçou um pouco o jogo no ataque e pareceu instável nos arremessos de longe, mas pode virar um bom jogador de rotação no Grizzlies.

Na última temporada era engraçado como Dave Joerger colocava Mike Miller no time para ter bolas de 3, aí depois Tony Allen para a defesa e sempre parecia faltar alguma coisa. Seria bom ter alguém que faz um pouco dos dois, mesmo que não vire alguém fora de série. Talvez a única crítica à escolha seja a de que Rodney Hood tem algumas características parecidas, mas com melhor movimentação sem a bola e mais poder atlético. Hood saiu uma escolha depois, para o Jazz. Veremos quem se sai melhor.

Na segunda rodada, Jarnell Stokes é mais um da máquina de fazer Maxiells: baixo para jogar no garrafão, mas é pesado, forte e vai na marra. Na Summer League conseguiu ótimos números, com 12 rebotes e 9 rebotes de média. Para um time que deu emprego para Hamed Haddadi por tanto tempo, e que perdeu James Johnson e Ed Davis na offseason, é de se esperar que ele arranje um lugar no elenco. Eles tem 14 jogadores assinados (alguns ainda não garantidos) e Stokes é candidato a última vaga, mesmo que acabe não participando muito dos jogos.

 

MessiMiami Heat

Shabazz Napier, PG (24)

LeBron James nunca disfarçou o quanto era fã de Shabazz Napier. Falou disso antes, durante e depois do Draft, especialmente durante a ótima sequência de Napier em UConn, onde levou sua universidade, comandada por Kevin Ollie, outro queridinho de LeBron, ao título.

O armador chamou a atenção pelas grandes performances e grandes jogadas nos momentos mais importantes de sua universidade. Mesmo quando não era o melhor do jogo, fazia as jogadas que todo mundo lembrava depois. Bom sinal ou só disfarçava falhas? Mas LeBron pediu, LeBron recebeu, até com direito uma troca no meio do caminho. Napier foi originalmente escolhido pelo Hornets/Bobcats, mas imediatamente trocado com o Heat, desesperado por agradar seu melhor jogador. Como todos sabemos, porém, não foi o bastante para manter os talentos dele em South Beach. Para Napier, menos pressão, mas menos ajuda também. Jogar ao lado de LeBron James facilita muito a vida dos outros.  Agora ele, junto de Mario Chalmers e Norris Cole, vão comandar o ataque de Erik Spoelstra, que será obrigado a aplicar uma abordagem mais tradicional na criação de jogadas.

Importante lembrar que Shabazz Napier era um senior na última temporada, já tem 23 anos e, por isso, todos terão menos paciência ao avaliá-lo. É esperado que um cara assim jogue melhor em seu último ano universitário e esperado que se adapte mais rápido à NBA. Todos os olhos estarão em seu desempenho.

 

JamesHouston Rockets 

Clint Capela, PF/C (25)
Nick Johnson, SG (42)
Alessandro Gentile, SF (53)

Assim como o OKC Thunder não queria usar sua escolha de primeira rodada para torrar espaço salarial, o Houston Rockets também não parecia interessado em consumir espaço que seria usado para a possível contratação de Chris Bosh. Mas ao invés da bizarra estratégia da D-League, o Rockets foi com um velho clássico: seleciona um gringo, deixa ele no seu contrato na Europa por alguns anos.

O Rockets então selecionou o suíço Clint Capela, de 2,10m, um pivôzão forte e reboteiro, bastante atlético. Ninguém que o viu jogar parece esperar grandes coisas dele e não o vimos de perto na Summer League, onde o Rockets não contou com ele após um leve desentendimento: o time queria que ele ficasse na França por mais uma temporada, Capela queria a NBA. Acabou que, após Chris Bosh escolher o Miami Heat e deixar o Rockets na mão, Capela acabou ganhando o que queria e assinou desde já. Sabemos pouco dele e não sei ao certo o que esperar, mas talvez ele não faça mais do que simular o papel de Dwight Howard no Rio Grande Valley Vipers, afiliado da D-League do Houston Rockets, uma das franquias com menos medo de usar a liga de desenvolvimento.

Na segunda rodada veio um jogador de quem podemos falar mais. Nick Johnson foi um dos jogadores que mais atuou em Summer Leagues neste último mês. O Rockets jogou tanto a liga de Orlando quanto a de Las Vegas e foi longe na segunda, Johnson teve destaque na maioria dos jogos e mostrou toda sua explosão com uma das melhores jogadas do torneio da Flórida:

Imagem de Amostra do You Tube

Nick Johnson também teve o único triple-double da competição, em um jogo contra o Brooklyn Nets fez 15 pontos, 10 rebotes e 10 assistências. Como ele ficou um pouco abaixo dos 30% no aproveitamento de 3 pontos e não é nenhum monstro defensivo, acho que o Rockets ainda não vai usá-lo desde já, mas sua agressividade para atacar a cesta e jogar em velocidade garantiram um contrato para ele na próxima temporada.

Por fim, o Rockets escolheu o italiano Alessandro Gentile, MVP das finais da última liga italiana. O ala ainda tem 22 anos e parece pontuar com facilidade pelos poucos vídeos que vi dele no YouTube. Não dá pra garantir nada, mas conseguir um dos melhores jovens jogadores italianos, que já está ganhando prêmios por aí, com a longínqua 53ª escolha? Nada mal.

 

MarceloLos Angeles Clippers

CJ Wilcox, SG (28)

Com apenas uma escolha no Draft e um elenco já bem recheado, o LA Clippers era outro time que poderia se interessar em não usar sua escolha de fim de primeira rodada, daí a ideia de que algumas regras podem mudar. Mas como ainda não mudaram, hora de escolher algum bom jogador, né?

O ala/armador CJ Wilcox foi um dos destaques da Universidade de Washington, com boas médias de 18 pontos por jogo e 40% de acerto em bolas de 3 pontos. Sua função em quadra seria um pouco parecida com outros dois jogadores que o Clippers já tem no elenco, JJ Redick e Reggie Bullock, que até é mais parecido com Wilcox na potência atlética. Aliás, é uma posição que também pode ser ocupada pelo veterano (mas ainda em forma!) Jamal Crawford.

O cara tem chance de ser um bom jogador, então até ele provar o contrário, não é necessariamente uma escolha ruim. Mas o Los Angeles Clippers não estava em busca de um bom reserva de pivô desde o meio da temporada passada? Um terceiro armador para jogar atrás de Chris Paul e Jordan Farmar (na época do Draft ainda poderia ser Darren Collison, que acabou indo para o Kings) também seria bastante útil. Como disse no outro post, sempre vou ser a favor de escolher o melhor jogador disponível ao invés de um cara para uma posição carente, mas em alguns casos isso pode ser reconsiderado. Por exemplo, não vai ser ruim para a carreira de Wilcox (e talvez até de Bullock) ficarem presos sem tempo de jogo? O valor de troca dos dois não cai pelo fato de ninguém vê-los jogar muitos minutos? O Clippers, time ansioso por disputar o título, não deveria, nesse caso, pensar a curto prazo?

No fim das contas tanto Bullock quanto Wilcox, machucados, nem entraram em quadra durante as Summer Leagues.

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24-07-2014
#Classic

Análise do Draft 2014 – Parte 2

Defenestrado por Denis

Na Parte 1 da análise falamos do draft de Cavaliers, Bucks, Sixers, Magic e Jazz

Marcus Smart

A tradição dos posts do Draft é assim: Analisamos time por time, na ordem das escolhas, e damos a cada equipe um selo de qualidade que resume o que achamos das escolhas no geral. O tema dos selos muda todo ano, já foi baseado em mulheres, números, Michael Jackson, memes da internets e até seleções brasileiras em Copas do Mundo. No ano retrasada usamos usando Redes Sociais como parâmetro e em 2013 apelamos para as manifestações de rua.

Nesse ano, mantendo a tradição, fizemos selos de qualidade baseado em um assunto do momento: futebol. Viva as Copas!

Klose 7 a 1: Você vai lá, se prepara, monta um timaço e atropela o maior vencedor de todos os tempos, na casa dele, por um placar humilhante. Simplesmente não dá pra ser melhor do que isso. Selo para os times que tomaram a decisão perfeita no dia do Draft 2014.

RVP 5 a 1: Revanche de goleada? Sobre o atual campeão mundial que te derrotou na última final? Só um 7 a 1 supera. Faltou repetir a grande atuação mais pra frente, mas já é um placar se orgulhar. Selo para os times que acertaram, mas não entraram para a história.

Messi 1 a 0: Não conquista o público, não vira trauma nacional de ninguém, mas é o bastante pra vencer. Pode ser feio ou bonito, golaço ou de canela, impedido. É o necessário para sair com os 3 pontos ou a classificação. Selo para os times que fizeram o que dava na hora.

James 1 a 2: Placar honesto, justo, jogo disputado. Mas uma derrota é sempre uma derrota e não dá pra ficar satisfeito depois de ser chutado pra fora do campeonato. Selo para os times que até tentaram fazer tudo certo, mas podem acabar quebrando a cara daqui um tempo.

Marcelo

1 a 7: Afinal, o que poderia ser mais traumático do que perder uma final? Ah é, isso! Selos para times que tomam bola nas costas do Marcelo sem parar.

 

…..

RVP Boston Celtics

Marcus Smart, PG (6)
James Young, SG/SF (17)

Cheguei a ler antes do Draft que o alvo principal do Boston Celtics era Aaron Gordon, talvez para começar a povoar o garrafão do time que anda meio fraco, seja de jovens ou veteranos, desde a saída de Kevin Garnett. Mas quando Gordon foi para o Magic, tiveram que mudar de rumo; talvez manter a ideia de alguém de garrafão e selecionar o agressivo Julius Randle ou o bom reboteiro Noah Vonleh. Mas também havia a opção por Marcus Smart, bom armador de Oklahoma State. Escolheram o mais baixinho, ignoraram o garrafão e aumentaram ainda mais os rumores que já eram existentes de uma possível troca de Rajon Rondo num futuro próximo. Conhecendo o trabalho do GM do Celtics, Danny Ainge, essa troca até pode acontecer, mas ele não tem nenhuma pressa e vai esperar a melhor oferta possível. Talvez apareça amanhã, talvez em fevereiro.

A história de Marcus Smart no Draft não é muito comum. Ele abriu mão de entrar no recrutamento do ano passado, conhecido por ser fraquíssimo, e quis entrar em 2014, onde a concorrência era enorme. Correu o risco de se lesionar em mais um ano de NCAA ou de só jogar mal e perder espaço. Importante lembrar que os salários dos novatos são baseados na posição onde eles são escolhidos, então se Smart deixasse de ser, digamos, a 3ª escolha em 2013 para ser a 8ª em 2014, perderia não só um ano de basquete pago, como receberia um salário menor quando finalmente passasse a receber pra jogar. Foi um risco enorme, até porque ele realmente não foi tão bem quanto o esperado na última temporada da NCAA, inclusive se envolvendo numa briga com um torcedor (que supostamente fez insultos racistas ao jogador) durante uma partida. Sabemos o quanto times tem medo de briguentos, ainda mais quando não estão jogando tão bem assim. Mas tudo se compensou, porém, quando ele foi bem selecionado pelo Celtics e fez todos esquecerem de uma temporada de altos e baixos.

Como a NBA está cada vez com menos medo de usar dois armadores ao mesmo tempo, e Smart é um bom pontuador, especialmente nas infiltrações, não será estranho se Smart passar um bom tempo atuando ao lado de Rajon Rondo na equipe. Com os dois e mais Avery Bradley, eles tem 3 jogadores versáteis, competitivos, ótimos na defesa e com poder de pressionar a defesa do perímetro durante todo o jogo. Caso Rondo fique no time, pode ser algo para assustar muita gente nos próximos anos. Mas devemos lembrar que a sombra de um possível sucesso de Randle ou Vonleh possa vir a incomodar caso o time continue fraco entre os grandões.

E se Smart fez pipocar rumores sobre Rondo, a escolha de James Young fez o mesmo com Jeff Green. A indagação é natural: tanto Rondo quanto Green estão numa idade onde ainda não são veteraníssimos, mas estão calejados e prontos para ajudar um time a lutar nos Playoffs, não parece interessante para eles ficar em um time que, com paciência, aposta numa renovação a longo prazo, baseada em adquirir e desenvolver escolhas de Draft. E quando o time escolhe caras dessa mesma posição entre os novatos, é normal indagar se há algum plano engatilhado. Como com Rondo, acho que não há nada pronto, mas não fiquem surpresos se Young se destacar no começo da temporada e logo Green ser trocado por mais escolhas de Draft e jovens jogadores.

Até lá, é possível que o Celtics use Green ao lado de Young, com o veterano sendo usado como um ala de força mais baixo, que abre a quadra. Young, finalista da NCAA com Kentucky, foi o segundo cestinha de seu time, atrás apenas de Julius Randle, e fez boa parte de seus pontos em arremessos de longa distância. Infelizmente não pudemos vê-lo em ação na Summer League devido a uma lesão no pescoço que ele sofreu em um acidente de carro há um mês.

 

RVPLos Angeles Lakers

Julius Randle, PF (7)
Jordan Clarkson, PG (46)

Há várias maneiras de olhar para Julius Randle, muitos altos e baixos em pouco tempo. Ele era um dos cotados para ser a primeira escolha deste Draft quando saiu do colegial para passar um ano em Kentucky, mas uma temporada abaixo do esperado o colocou dúvidas em relação ao jogador. Por outro lado, nem sempre é fácil conseguir bons números naquele time cheio de grandes jovens jogadores. Mas também precisamos ver que uma das apostas em seu jogo era o potencial de ser um bom arremessador de média distância, onde ele acabou acertando apenas 17% de seus arremessos no ano. Voltando a um ponto alto, quando esteve em seus melhores dias, parecia um Zach Randolph mais ágil, engolindo os oponentes com força e presença de garrafão. E caindo de novo para a parte baixa, uma lesão no seu pé preocupou muita gente nos últimos meses.

Afinal, Randle é o potente jogador de garrafão com potencial para ser uma máquina de duplos-duplos? Ou é um jogador de garrafão que vai ter problemas quando enfrentar os jogadores mais altos na NBA? Difícil saber ao certo. Não tenho dúvidas de que o cara é bom, mas ainda estamos naquela neblina densa que não mostra se Randle é bom para ser All-Star no futuro ou bom para ser apenas uma confiável arma ofensiva. De qualquer forma, dizem que foi o cara que melhor jogou nos workouts privados do Lakers e é quem eles mais queriam, até cogitando uma troca para subir algumas posições para pegá-lo. O Lakers precisa de talento no elenco e conseguiu.

Sem escolhas na segunda rodada, o Lakers conseguiu mandar uma graninha para o Washington Wizards e assim levar Jordan Clarkson na 46ª posição. No painel de jogadores do time, Clarkson estava muito mais bem cotado, então não quiseram perder a chance de levá-lo. A situação do novato melhorou desde o Draft até aqui: Jordan Farmar saiu do Lakers para o Clippers, Kendall Marshall foi dispensado e a concorrência caiu um pouco mais; por fim,ele se apresentou bem em Las Vegas, com 15 pontos por jogo, um dos melhores do time na competição. Sem dúvida terá espaço no elenco, mas ficamos com um pé atrás por ele ter sido muito pontuador e pouco armador na Summer League. É um estilo que vai se transmitir bem no jeito de jogar do Lakers? Aliás, qual é o estilo de jogo do Lakers? O time ainda nem tem técnico! Muita coisa a se melhorar por lá ainda, como se pode ver, mas no Draft foram bem.

 

MessiSacramento Kings

Nik Stauskas, SG (8)

A coisa mais legal da escolha do Kings foi que eles liberaram para gravação um ambiente que geralmente é completamente fechado. O Grantland fez um de seus sempre ótimos mini-documentários acompanhando o processo de seleção de Nik Stauskas pelo General Manager Pete D’Alessadro

Imagem de Amostra do You Tube

Tem tanta coisa legal no vídeo que eu não sei por onde começar. Tem o dono do time, um chato, dando palpite só na hora que o bicho come. Tem o veterano Chris Mullin dizendo, basicamente, que o bom é quando os caras das estatísticas comprovam o que eles sabem, e os próprios caras das estatísticas mostrando, nervosos, suas análises sobre cada um dos principais jogadores do Draft. Eles dão a entender, também, que o Kings tentou, sem sucesso, negociar com o Sixers para conseguir Joel Embiid na 3ª posição. A lousa mostrando como eles enxergam os jogadores em seu melhor e pior caso, é bem legal de observar também.

Se a análise dos geeks de Sacramento estiver certa, Stauskas realmente traz uma coisa que o time muito precisa: arremessos de longa distância. E com o bônus de poder fazer isso por conta própria, sem depender apenas de um eficiente armador ou sistema ofensivo. Algo que Jimmer Fredette, escolha do Kings de alguns anos atrás, nunca conseguiu.

O lado negativo é como essa escolha se encaixa no elenco. Embora eu sempre seja adepto da teoria de escolher o melhor jogador ao invés de escolher a posição que o time precisa naquele momento, pelo seu valor a longo prazo, entendo que um conflito de posições possa acabar atrapalhando um pouco. Como Ben McLemore, que não foi muito bem ano passado, vai encarar o fato de, um ano depois, escolherem um cara da mesma posição? E como a atuação de ambos, McLemore e Stauskas, será influenciada pelo fato do time não ter ainda definido um armador? O valor de troca dos dois pode cair por isso. Mesmo na época do Draft, era bem previsível que o Kings não iria investir muito em Isaiah Thomas e que ele sairia se alguém oferecesse um contrato um pouco mais gordo, foi o que acabou acontecendo.

Gosto que Stauskas dá uma ótima opção ofensiva e até imagino que deva ser titular num futuro próximo, por oferecer algo importante demais para o time. Mas sua performance, e a do time, podem sofrer no curto prazo por não terem selecionado Elfryd Payton que, além dos passes, ajudaria muito o Kings em outra área que eles tem problemas, a defesa. Poderiam ter escolhido melhor a curto prazo, mas Stauskas, que acertou incríveis 42% de suas bolas de 3 pontos no título do Kings na Summer League de Las Vegas, onde foi discreto e muito eficiente, tem tempo para provar que mereceu a seleção.

 

KloseCharlotte Hornets

Noah Vonleh, PF (9)
PJ Hairston, SG (26)
Alonzo Gee, SF (via troca)

Não sei ao certo se Noah Vonleh vai ser um grande jogador no futuro, mas pelo o que sabemos dele hoje, o Hornets/Bobcats ganhou na loteria. Muita gente da imprensa especializada nos EUA acha ele melhor do que Aaron Gordon e Julius Randle, os dois de sua posição escolhidos antes dele. Calha também de ser uma posição que o Hornets precisava, já que o titular da última temporada, Josh McRoberts, era Free Agent disputado e que, no fim das contas, acabou saindo para o Miami Heat mesmo.

O ala de Indiana ainda é muito jovem e é um imã de rebotes, o que ajuda muito ele a ser útil na defesa mesmo ainda não sendo uma força física, e no ataque, onde pontua após arremessos errados. Na NCAA, seu jogo ofensivo lembrou um pouco o de Chris Bosh, pelos arremessos média distância, mas na Summer League ele decepcionou com apenas 28% de acerto de seus chutes, sendo sofridos 12% da linha dos 3 pontos. Embora todos estejam ainda empolgados com os tocos e a média de 10 rebotes que ele teve em Las Vegas, eu apostaria que, no começo da temporada, o titular da posição seja a escolha do Hornets do ano passado, Cody Zeller, que fez ótimo final de temporada em 2013-14.

Mas mesmo assim, não há muito o que criticar na decisão. O Bobcats se impôs na última temporada como um time que intimidava pela presença de Al Jefferson no garrafão e pela versatilidade de McRoberts. Com o crescimento de Zeller e a chegada de Vonleh, eles podem manter o jogo pesado que força os outros times a jogar num ritmo mais lento e com jogadores mais altos. Quando o melhor jogador disponível na posição é também um que se encaixa com você, aproveite.

O ala/armador PJ Hairston penou um bocado para chegar na NBA. Depois de uma temporada difícil de freshman em North Carolina, ele ganhou a titularidade no seu segundo ano e foi um dos principais jogadores da tradicional universidade, que fica no mesmo estado do Hornets. Mas pouco tempo depois, foi detido com drogas e armas, junto de alguns amigos, em um carro alugado. Com a difícil legislação esportiva da NCAA, Hairston foi suspenso e acabou por não ser reintegrado pela universidade. Sem opção, ele decidiu ir jogar na D-League na última temporada, onde impressionou com média de quase 22 pontos por jogo. Aí se inscreveu no Draft e acabou no Hornets, que estava desesperado por um grande arremessador como Hairston. Seu histórico de estar fora de forma e de se envolver em problemas judiciais fora da quadra certamente preocupam, mas vale o risco para um dos times que mais penou ofensivamente no último ano.

 

RVPChicago Bulls

Doug McDermott, SF (11)
Cameron Bairstow, PF (49)

Uma das perdas que o Chicago Bulls mais sentiu nos últimos anos foi, sem dúvida, a de Kyle Korver. Sabemos que ele não é nenhum gênio, mas evoluiu demais na defesa a ponto de não fazer mais feio em quadra e suas bolas de 3 eram um constante alívio para o empacado sistema ofensivo de Chicago. Muitos bons jogadores chegaram nos últimos anos para ocupar seu espaço vindo do banco, mas nenhum oferecia tanta precisão no arremesso.

A solução que o Bulls encontrou foi, portanto, um clone. Doug McDermott é fisicamente parecido com Korver, embora mais alto, o rosto é um pouco parecido, ambos são brancos, ambos são especialistas em arremesso de 3 pontos (que tem uma mecânica até similar) e ambos vieram da Universidade de Creighton.

O resultado na Summer League de Las Vegas foi o melhor possível: McDermott fez boa dupla com Tony Snell e saiu de lá com médias de 18 pontos, 44% em acerto de 3 pontos e 95% nos lances-livres! Mais Kyle Korver que isso, só se o chamassem de Ashton Kutcher. O lado negativo da troca é que o Bulls abriu mão das escolhas 16 e 19 para alcançar a 11 e chegar em McDermott. Será que não dava pra sair com dois bons jogadores ao invés de apenas um? Talvez Gary Harris e James Young, por exemplo. Colocaram todos os ovos numa cesta e McDermott vai ter que suar pra repetir o que fez em Las Vegas, mas eu aposto que foi uma excelente decisão.

E já que me criticaram nos comentários e no Facebook, uma pequena explicação: McDermott é clone do Korver porque achei os dois fisicamente parecidos, e quando você coloca isso com dois caras com a mesma especialidade e a que vieram da mesma universidade, a piada está pronta! Mas se é pra ser mais exato, McDermott é um Korver 2.0: a base é a mesma, mas veio mais alto, com um pouco mais de recursos e, consequentemente, desempenho diferente em quadra. Mais passes, arremessos à lá Dirk Nowitzki e menos velocidade. Estamos acertados? Ótimo!

Na segunda rodada, Cameron Bairstow chega para ajudar um garrafão que tinha tudo para perder uma de suas forças físicas, Carlos Boozer. Embora na época do Draft ninguém tivesse certeza da chegada de Pau Gasol, era quase certo que Boozer seria trocado ou anistiado, o que acabou acontecendo. O ala fez boas atuações na Summer League (10 pontos, 7 rebotes de média), o bastante para garantir o seu barato contrato para o próximo ano. Não deve ser muito usado, até porque Tom Thibodeau não é muito de abusar do banco de reservas, mas está na liga, como esteve Erik Murphy no ano passado…

 

JamesMinnesota Timberwolves

Zach LaVine, SG (13)
Glenn Robinson III, SF (4)

Como bem disse o pessoal da ESPN gringa, Zach LaVine é o nome mais apropriado para um jogador até que apareça um outro especialista em enterradas chamado Putmeon LaYouTube. Esperem muitos vines, GIFs e tudo mais de inúmeras enterradas de LaVine no próximo ano! Ele não só tem uma impulsão de 1,16m, como vai jogar ao lado de Ricky Rubio. Kevin Love pode achar chato, mas ver o Wolves perder no próximo ano tem tudo para ser uma das coisas mais divertidas do League Pass.

Imagem de Amostra do You Tube

Embora LaVine venha da mesma UCLA de Kevin Love, assim como Shabazz Muhammad e Luc Mbah a Moute, outros contratados recentes, não deve ser o bastante para fazer a estrela do time se sentir em casa. LaVine parecia na universidade e comprovou na Summer League que ainda tem muito o que aprender antes de ser alguém que realmente faça a diferença num time com pretensões de Playoffs. Seus números em Las Vegas foram bons, com 15 pontos por jogo e 4.3 rebotes, mas foram muitos arremessos errados (39% geral, 25% de 3 pontos), até chegar neles. Ainda falta refinamento no arremesso e melhores decisões para transformar toda a capacidade atlética em diferença na quadra. Ajuda muito um time que jogue em velocidade, algo que o Wolves busca embora nem sempre com sucesso, mas ainda falta. Só esperemos que ele demore menos para pegar o jeito do que outro cara que parece com ele, Gerald Green. A análise sobre Green era parecida quando ele chegou, mas demorou quase uma década, com D-League e Rússia no meio do caminho, para o cara finalmente mostrar a que veio.

Posso desabafar algo que me incomoda? Por que eu estou aqui comentando sobre Glenn Robinson III, Glen Rice Jr e Tim Hardaway Jr?!?!? Estou tão velho assim pra ver a segunda geração de caras que eu costumava assistir? O dia que o LeBronzinho entrar na NBA eu me aposento e vou morar num chalé tomando sopa. Mas falando do que interessa, GR3 é mais atlético e bem menos preciso nos arremessos do que seu pai. Mas é ambidestro, rápido e outro que tem grande impulsão, dando a entender que o Wolves realmente planeja um time para correr ao lado de Rubio. Uma boa escolha para uma posição tão distante no Draft, mas pode demorar um pouco para fazer impacto. Será na era pós-Love?

 

MessiPhoenix Suns

#14 TJ Warren, SF (14)
#18 Tyler Ennis, PG (18)
#27 Bogdan Bogdanovic
#50 Alec Brown

O caso de TJ Warren é um dos mais interessantes deste Draft. Ninguém duvida de seu talento para pontuar, mas foi muito comentado antes do Draft que vários times estariam com medo de como seria sua transição para a atual NBA. O ponto é o seguinte: nos últimos anos, virou verdade incontestável que a maneira mais eficiente que um time tem de pontuar é com arremessos de 3 pontos (valem 50% a mais que o de 2!) e atacando a cesta (aproveitamento maior, mais chance de cavar faltas). Isso meio que minou o jogo de meia distância, tão comum no passado, ainda herança da época sem linha de 3 pontos.

E aí chega TJ Warren, com um jogo da máquina do tempo. Muitos arremessos curtos, giros de meia distância, um estilo old school bem divertido de assistir, mas questionado pelas estatísticas. Segundo os gurus numéricos da liga, só vale a pena arremessar de meia distância se você tiver um aproveitamento muito, muito acima da média da liga, como tiveram nos últimos anos Chris Bosh, Dwyane Wade e especialmente Dirk Nowitzki. Será que Warren entra no grupo? Em Las Vegas, o ala conseguiu média de 17 pontos por jogo apesar de ter tido um jogo bem fraco, onde marcou apenas 4. Em geral, sempre passou dos 20 e se manteve acima dos 50% de acerto, sem mudar seu estilo de jogar.

Foi uma boa escolha, mas será um desafio encaixar seu estilo de jogo num time tão adepto dos 3 pontos e dos contra-ataques, como é o Phoenix Suns. Com entrosamento, dá pra enxergamos isso como uma nova arma ofensiva ao invés de uma peça que não se encaixa, mas só o tempo vai dizer o que predomina.

A escolha de Tyler Ennis provocou a reação em cadeia que culminou com Bruno Cabolco indo para o Toronto Raptors, já que o time canadense disse que o armador local era sua primeira opção. Foi uma escolha estranha na hora, já que o Suns já tem Goran Dragic e tudo indicava, na época, que iriam reassinar com Eric Bledsoe. De lá pra cá, as coisas mudaram mas continuam estranhas: o Suns ainda quer Bledsoe, embora haja um impasse de salário, e também contrataram Isaiah Thomas. Há espaço para Ennis em um time com tantos armadores, mesmo num que gosta de usar mais de um ao mesmo tempo? Na Summer League não chamou a atenção e é candidato forte a ser presença constante na D-League.

Não confundir Bogdan Bogdanovic com BOJAN Bogdanovic, draftado em 2011 e que assinou esta semana com o Brooklyn Nets. O sérvio do Suns tem contrato de 4 anos na Turquia e deve demorar para das as caras na NBA. Já Alec Brown, pivô com gosto por arremesso de fora, se encaixa na teoria do Suns, mas não parece ter talento o bastante para entrar num elenco já cheio de jogadores. Sua performance fraca em Las Vegas também não ajudaram a melhorar o cenário, foram só 3 pontos de média em 10 minutos jogados, com 22% de acerto nas bolas de 3 pontos.

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