Entenda os termos do basquete da NBA

Bem amigos do Bola Presa, mais um texto do nosso especial SEMANA DOS NOVATOS no ar. Não sabe do que estamos falando? Estamos fazendo uma série de posts para introduzir conceitos básicos do basquete da NBA para quem está interessado em entrar nesse mundo. Ontem lançamos nosso Guia para Iniciantes!

Sendo uma liga de basquete que envolve Estados Unidos e Canadá, é natural que nossa experiência com a NBA esteja atrelada a uma série de termos retirados diretamente do inglês. Alguns desses termos possuem equivalentes em português, ainda que o costume com as transmissões e as publicações internacionais acabe popularizando as expressões em inglês. Outros termos, entretanto, não são traduzíveis e só nos resta compreendê-los e se acostumar com eles.

Abaixo, listamos aqueles que consideramos os termos mais importantes e os mais comuns dentro da NBA, sejam eles em inglês ou em português, e explicamos o que significam para facilitar a compreensão de qualquer cobertura da NBA, nacional ou internacional. Certamente esquecemos de expressões aqui, então fique à vontade para invadir os comentários para deixar sua dúvida!


Posições dos jogadores

Steph Curry Chris Paul

Point Guard (PG) – O “armador principal”, também chamado de “posição 1” em português ou apenas de “armador”. Tradicionalmente trata-se do jogador responsável por criar jogadas para os outros, passando a bola, encontrando espaços e ditando o ritmo do jogo, geralmente sendo o de estatura mais baixa da equipe. No basquete atual, isso mudou um pouco: o “point guard” tem agora a função de fazer o esquema tático da equipe funcionar, seja pontuando, atacando a cesta, arremessando, passando a bola ou defendendo, dependendo do esquema tático de sua equipe.

Ele é o elo principal entre o técnico da equipe e a quadra, de modo que precisa receber a confiança de que fará o esquema tático funcionar, chamando as jogadas e organizando os companheiros. Muitos armadores agora são bastante altos, o que permite que empurrem defensores menores e tenham uma melhor visão da quadra, e a enorme maioria deles são grandes pontuadores. Armadores que ainda têm como função apenas passar a bola para os companheiros são chamados de “point guards clássicos” ou “point guards puros”. O termo “point”, sozinho, ainda é usado para se referir à armação do jogo, à construção de jogadas. Quando se diz que em determinado momento do jogo LeBron James está “running the point” isso significa que é ele quem está criando as jogadas de sua equipe.Exemplos de jogadores: os atuais Chris Paul, Stephen Curry, Kyrie Irving, Russell Westbrook e John Wall; e os aposentados Magic Johnson e John Stockton

JHarden

Shooting Guard (SG) – O “armador arremessador”, em tradução direta, ou “segundo armador”, “ala-armador” e “posição 2” em português. Originalmente essa era a posição dedicada apenas a pontuar, o que explica o termo “arremessador”. Hoje, muitos jogadores dessa posição ainda são focados no ataque, com diversos especialistas nos arremessos de longa distância, mas é cada vez mais comum encontrar shooting guards especialistas na defesa, como Avery Bradley ou Tony Allen. Tendem a ser mais altos do que os armadores principais mas ainda capazes de correr a quadra com velocidade, jogar no contra-ataque e passar a bola quando necessário.

Exemplos de jogadores: os atuais Dwyane Wade, DeMar DeRozan, Klay Thompson e James Harden, e os aposentados Kobe Bryant e Michael Jordan.

Oklahoma City Thunder v Miami Heat – Game Five

Small Forward (SF) – O “ala pequeno”, “ala menor”, “ala”, “escolta”, “lateral” ou “posição 3” em português. Apesar do termo “small” (“pequeno”, em inglês) os jogadores dessa posição não são necessariamente baixos: muitos tem altura suficiente para jogar dentro do garrafão, mas jogam na posição 3 por serem mais versáteis ou mais velozes do que o normal. É comum encontrar nessa posição jogadores que não possuem características marcantes de nenhuma das outras posições em quadra, e com tamanho e velocidade suficientes para defender múltiplos adversários diferentes.

Alguns jogadores que gostam de jogar próximo à cesta mas não possuem força ou altura suficientes para se estabelecer no garrafão acabam jogando nessa posição. Atualmente, é comum ver shooting guards um pouco maiores e versáteis jogando também como small forwards, uma posição cada vez mais centrada em defesa pesada e arremessos de três pontos, mas que por sua marca de versatilidade acaba tendo todo tipo de jogador em suas fileiras.

Exemplos de jogadores: os atuais LeBron James, Kevin Durant, Paul George, Kawhi Leonard, Carmelo Anthony, e os aposentados Larry Bird e Scottie Pippen

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Power Forward (PF) – O “ala de força”, “ala-pivô” ou “posição 4”, o que sempre rende a maravilhosa piada de que os “power forwards” são os caras que jogam de quatro. Nessa posição os jogadores tendem a ser bem altos, muitas vezes mais altos do que os pivôs, mas jogam um pouco mais afastados da cesta para aproveitar seus arremessos de meia distância, seu domínio de bola e sua velocidade para atacar a cesta. Recentemente, é cada vez mais comum que os power forwards joguem bem longe da cesta, inclusive arremessando da linha de três pontos, para forçar seus defensores a também se afastarem da cesta e abrir mais espaço na quadra para os outros jogadores que queiram invadir o garrafão. Com isso em mente, muitos times modernos usam alas de força mais baixos e rápidos, alguns até especialistas em bolas de três pontos ou em passar a bola, desde que sejam capazes de defender o garrafão quando necessário.

Exemplos de jogadores: os atuais Dirk Nowitzki, Blake Griffin, LaMarcus Aldridge, Anthony Davis, Draymond Green, e os aposentados Tim Duncan e Kevin Garnett.

Marc Gasol

Center (C) – O “pivô” ou “posição 5”, a posição clássica dos gigantes do planeta. Tradicionalmente o pivô não se distancia do garrafão, joga quase sempre de costas para a cesta, força a defesa a abandonar a linha de três pontos, garante os rebotes e protege o aro contra quem se arrisca a tentar uma bandeja. Em toda a história da NBA, ter um pivô dominante era essencial para a busca de um título. Ultimamente, no entanto, os pivôs tornaram-se menos comuns: com as bolas de três pontos mais frequentes e um aumento no jogo de contra-ataque, que é o ato de correr em velocidade pegando a defesa adversária desprevenida, os pivôs ficaram menos úteis para o plano tático. Muitos times abriram mão dos pivôs em nome de dois alas de força capazes de, em geral, arremessar de três pontos e também garantir uma boa defesa e luta pelos rebotes. Alguns pivôs mantiveram-se relevantes mudando seu estilo de jogo, arremessando cada vez mais de longe da cesta ou especializando-se na defesa. Alguns pivôs de jogo “clássico” ainda sobrevivem, mas são bem incomuns.

É interessante observar que em português podemos dizer que qualquer jogador está “no pivô”, ou seja, que um jogador se colocou numa situação em que está de costas para a cesta nas proximidades do garrafão. Nos termos em inglês nunca se usa o termo “center” para designar alguém que está jogando, momentaneamente, naquela posição. O “center” é o jogador que sempre joga de pivô, enquanto o ato de ficar de costas para a cesta brevemente é estar no “post”, seja o “high post“, que é o topo do garrafão próximo à linha de lance livre, ou o “low post“, a área do garrafão mais próxima à cesta.

Exemplos de jogadores: os atuais DeMarcus Cousins, Brook Lopez, Rudy Gobert, Dwight Howard, DeAndre Jordan, Andre Drummond, e os aposentados Wilt Chamberlain, Bill Russell e Shaquille O’Neal.


Mais posições

Além das cinco posições tradicionais acima, existem alguns termos mais incomuns que se referem a posições híbridas ou específicas de alguns poucos jogadores.

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Combo Guard – O Combo Guard é um jogador que pode jogar nas duas posições de armador, tanto como point guard (1) quanto como shooting guard (2), seja alternando entre elas, seja atuando nas duas posições simultaneamente. Em geral são jogadores mais altos e pontuadores, que poderiam jogar como shooting guards, mas são essenciais para o esquema tático ou muito eficientes em criar espaços para os seus companheiros de quadra. Alguns exemplos de jogadores assim incluem CJ McCollum, Victor Oladipo e Eric Bledsoe.

Draymond Green

 

Stretch Four– É alguém da posição 4 que está “esticado” para fora do garrafão. Às vezes são jogadores que podem jogar tanto como small forwards (3) quanto como power forwards (4), mas o mais comum é ver power forwards com foco nos arremessos de longa distância e uma atuação mais longe da cesta. A ideia é ter menos jogadores próximos à cesta para abrir espaço para infiltrações, além, claro, de ter mais armas nos arremessos de três pontos. Exemplos incluem Dirk Nowitzki, Ryan Anderson, Draymond Green, Kevin Love e Kristaps Porzingis.

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Point Forward – o Point Forward é um ala que tem a responsabilidade de armar o jogo, executar o plano tático da equipe, trazer a bola até o ataque e chamar as jogadas, um mix das posições 3 (ou 4)e a 1. Tradicionalmente incomum, os point forwards estão se tornando cada vez mais comuns e agora incluem não apenas small forwards, mas também alguns power forwards que alguns anos atrás jamais teriam permissão para bater bola para trás da linha de três pontos. Exemplos famosos incluem LeBron James, Draymond Green e o grego Giannis Antetokounmpo.

Ginobili

Sexto homem – O “sexto homem” é o primeiro jogador a sair do banco de reservas e muitas vezes possui um papel fundamental de mudar o ritmo do jogo, manter o plano tático ou dominar os reservas adversários. O melhor exemplo dos últimos tempos é Manu Ginóbili, que fez história como sexto homem no San Antonio Spurs, mesmo que seja muito melhor e mais importante que titulares da equipe. É muito comum que alguns jogadores com essa alcunha tenham até mesmo mais minutos do que alguns jogadores titulares, vindo do banco não porque são tecnicamente inferiores, mas sim por uma questão de tática e do melhor momento para que estejam em ação, otimizando seus minutos. Vários jogadores se especializam nessa função e fazem carreira como reservas, num papel muito valorizado pela NBA e que rende até mesmo o prêmio de “Melhor Sexto Homem do Ano” ao fim de toda temporada. Exemplos famosos incluem Jamal Crawford, Andre Iguodala e JJ Barea.

Danny-Green

3-and-D – São os jogadores especializados em bolas de três pontos (“3”) e em defender (“D”) e que cumprem quase exclusivamente essas funções em suas equipes. Na defesa, tendem a defender o melhor jogador de perímetro adversário ou, algumas vezes, o melhor jogador do garrafão; no ataque, limitam-se a esperar uma oportunidade para arremessar de três pontos, muitas vezes servindo apenas como iscas para atrair a defesa adversária na linha de três e abrir espaço para que outros jogadores pontuem. Quase sempre, jogadores que se encaixam nesse perfil são small forwards. Exemplos incluem DeMarre Carroll, Wesley Matthews e Danny Green.


Gírias IRADAS

Trey – A gíria, em inglês, para as bolas de três pontos. As que são lançadas de muito longe podem ser chamadas de “from downtown“, “vindas do centro da cidade”, numa referência à distância do arremessador.

Dime – É um termo usado para se referir à assistência. O termo “dime“, originalmente, é como os americanos chamam a moeda de 10 centavos. Boatos dizem que a moeda virou sinônimo de assistência por conta de pessoas que entregavam outras para a polícia, já que os telefones públicos costumavam custar 10 centavos, um dime, e elas telefonavam para a polícia para ajudá-la a capturar os gatunos.

Board – A palavra pode significar várias coisas, como tabuleiro, tábua, prancha, quadro e tabela, mas no basquete significa rebote.

Jam/Slam/Flush/Dunk – Tudo isso para descrever a boa e velha enterrada. A primeira e mais comum palavra para se referir à enterrada foi “dunk”, que significa embeber, ensopar. É um termo usado para quando alguém, por exemplo, afunda um biscoito em um copo de leite e é o verbo que batizou os famosos “Dunkin’ Donuts”.

Windmill – Literalmente “moinho de vento”, é a enterrada em que o jogador faz com os braços que seguram a bola um círculo no ar antes de finalizar a jogada. Essa firula foi imortalizada por Vince Carter em algumas das mais bonitas enterradas de todos os tempos.

Rookie/Sophomore – Um Rookie é um novato, algum jogador que acabou de entrar na NBA e está em seu primeiro ano como profissional. Quem está no segundo ano é um Sophomore. No basquete universitário os jogadores tem um termo para dizer em que ano estão: freshman (1º ano), sophomore (2º ano), junior (3º ano) e senior (4º ano).

Volta e meia você pode também ouvir um jogador jovem chamar um colega experiente de OG. É uma sigla para Old Guy, um jeito simpático de chamar a velharia.

ROY/MVP/DPOY – São siglas para alguns dos prêmios dados pela NBA ao fim de cada temporada. ROY (Rookie of the Year) premia o melhor novato, DPOY (Defensive Player of the Year) vai para o melhor defensor e MVP (Most Valuable Player), para o melhor jogador do ano.


Adjetivos

Boston Celtics v Atlanta Hawks - Game Two

Clutch – Um termo extremamente comum para julgar jogadores, “clutch” é o cara que sempre joga bem nos momentos decisivos de um jogo. Um arremesso dado num momento importante do jogo é o “clutch shot“, enquanto esses momentos decisivos do relógio (em geral os últimos dois minutos de cada jogo) são chamados de “crunch time“. Um jogador pode ser clutch em um jogo ou ganhar fama de ser clutch durante sua carreira, como é o caso de Paul Pierce, especialmente perseguido em quadra nos minutos finais de uma partida independentemente de como está sendo sua atuação ao longo de um jogo específico.

Overrated/Underrated – A palavra “rate” significa classificar, avaliar. “Over” significa superior, acima, e “under” significa inferior, abaixo. Assim, um jogador “overrated” é um jogador que é classificado como sendo melhor do que deveria ser, enquanto um jogador “underrated” não recebe a atenção que merece. Esses termos tornaram-se muito comuns na cultura de massa para julgar a atenção que determinados eventos, produtos ou entretenimento recebem nas redes sociais. Mas vamos ser honestos: esses termos são muito “overrated”, sendo de pouquíssima utilidade numa Liga em que todos os jogadores estão em evidência o tempo inteiro. Só quem não sabe disso (e se acha “underrated” a vida inteira) é o armador do Portland Trail Blazers, Damian Lillard.

Overpaid/Underpaid – O princípio é o mesmo do item anterior, mas ao invés de se avaliar a qualidade do jogador ou a atenção que ele recebe, o termo se refere exclusivamente ao salário que é pago (“paid“) ao jogador. Esse tipo de julgamento costuma vir após uma comparação entre os salários recebidos por jogadores de qualidade similar, mas dificilmente leva em consideração o desespero dos times, as negociações com os agentes e as variações do mercado, de modo que resulta em geral em apontamentos bastante subjetivos.

Highflyer – “high” pode ser chapado e “fly” pode ser mosca, mas obviamente isso não tem nada a ver com basquete. “High” também pode ser alto e “fly“, voar. Um jogador highflyer é aquele que pula muito alto e costuma sair enterrando por aí. Durante boa parte da sua carreira todo mundo se referia a Vince Carter como um grande highflyer. Hoje, o termo costuma estar grudado em Blake Griffin, Aaron Gordon ou Zach LaVine.

Slasher – Além de ser um guitarrista, o termo pode significar cortar, como todo mundo que jogou Pokémon sabe muito bem. No basquete, slash é cortar a defesa, ou seja, forçar ou encontrar um espaço para infiltrar no garrafão. “Slasher“, portanto, é um jogador que tem como base de seu jogo infiltrar contra defesas fechadas. Dwyane Wade fez carreira assim, mas hoje em dia James Harden é o principal slasher da NBA.


Conquistas individuais

Double-Double – Também conhecido em português como “duplo-duplo”. É quando um jogador consegue pelo menos 10 em dois quesitos diferentes das estatísticas. O mais comum entre jogadores de garrafão é conseguir ao menos 10 pontos e 10 rebotes; entre os armadores, 10 pontos e 10 assistências. Raramente ocorrem double-doubles com tocos e roubos de bola, que são mais escassos num jogo de basquete.Triple-Double – Ao invés de dois quesitos acima ou iguais a 10, o triple-double é o caso incomum de três quesitos alcançarem esse valor. O mais comum são pelo menos 10 pontos, 10 rebotes e 10 assistências, mas volta e meia um pivô consegue um bizarro triplo-duplo com tocos.

Double-Trible-Double – Esse aqui sim é uma raridade: trata-se de conseguir pelo menos 20 em três quesitos diferentes. Na história da NBA aconteceu apenas um vez, quando o recordista-de-tudo Wilt Chamberlain fez 22 pontos, 25 rebotes e 21 assistências em um jogo contra o Pistons em 1961.

Quadruple-Double – Mesmo princípio dos anteriores, mas aqui são pelo menos 10 em QUATRO quesitos diferentes. Não são muitos os que conseguiram o feito…

Five-by-Five/High-5 – Os dois termos são tão raros quanto o feito em si. Ele consiste em conseguir ao menos 5 nos 5 quesitos principais do basquete: 5 pontos, 5 rebotes, 5 assistências, 5 roubos e 5 tocos. Hakeem Olajuwon, pivô do Houston Rockets nos anos 90, é o líder da História da NBA ao ter conseguido o feito seis vezes. O mais recente veio das mãos de Draymond Green, do Warriors.


Termos de jogo, Jogadas

Rebote: Acontece quando um jogador consegue segurar uma bola que tenha chegado nele através de uma tentativa de arremesso. Ou seja, alguém tentou acertar um arremesso, a bola não chegou ao seu destino (por ter batido no aro, na tabela, por não ter sequer chegado ao aro, ou por ter sido interceptada no meio através de um toco), e a primeira pessoa que toma posse dessa bola “perdida” tem um rebote contabilizado para si. O novato Taurean Prince, do Atlanta Hawks, explicou bem o que é um rebote para um jornalista após uma derrota no torneio universitário:

Assistência: Todo passe que leva a uma cesta é considerado uma “assistência”. Para ser contabilizado como tal, a cesta deve acontecer logo após o passe, com um pouco de maleabilidade para inflar os números: o jogador que recebe a bola pode dar alguns passos em direção à cesta ou até mesmo bater bola para o lado para fugir de um defensor e só então arremessar e o passe que recebeu ainda assim será considerado uma assistência.

Roubo: Quando um jogador tem a posse de bola e um defensor adversário toma a bola para si sem que exista uma tentativa de arremesso, o defensor tem um roubo contabilizado. O “roubo” não necessariamente envolve intenção: se o atacante simplesmente solta a bola no chão e vai embora tomar um chá, o primeiro adversário que pegar a bola terá um roubo. Outra coisa: se um jogador está tentando um arremesso, mas ainda está no ato de subida e alguém vem e tira a bola das mãos dele, isso é um roubo, não um toco.

Toco: Quando o jogador já acabou de subir na tentativa de arremesso, quer a bola ainda esteja nas mãos dele ou já esteja no ar, um adversário pode interceptar essa bola e terá um toco contabilizado. Se a bola já foi liberada pelo atacante e está no ar, o defensor precisa dar um toco antes dela começar a cair – se tocar na bola quando ela está caindo próximo à cesta, não será um toco e sim um “goaltending“, uma interferência ofensiva, e aí valem os pontos do arremesso mesmo se a bola não tivesse chance nenhuma de entrar.

Turnover – Um turnover é um erro, um desperdício de bola, é a perda da posse que não tenha acontecido numa tentativa de arremesso. Um time que cometeu 20 turnovers em um  jogo é aquele que por 20 vezes cometeu algum tipo de erro e ficou sem a bola, seja por ter jogado a bola pra fora, ter estourado o limite de 24 segundos de posse de bola, ter tido a bola roubada, ter cometido uma falta de ataque ou qualquer outra besteira desse tipo.


Outras Frases e Expressões

Basketball IQ – É o “Q.I. de basquete”, um termo muito comum nas análises americanas. Às vezes um cara não sabe ler, escrever e nem amarrar os próprios cadarços, mas dentro de uma quadra de basquete ele entende tudo, percebe o posicionamento de todo mundo e toma sempre a decisão certa no momento ideal, o que indica um alto Q.I. de basquete. Por outro lado, alguns jogadores que sabem arremessar, são atléticos, pulam e driblam bem, às vezes não sabem o que fazer com a bola e estão sempre atrapalhando a movimentação do seu time, gerando desperdícios de bola ou lendo errado o momento certo de fazer uma falta, impedir um contra-ataque ou pedir um tempo técnico. Jogadores como Chris Paul raramente tomam uma decisão errada em quadra e entendem perfeitamente quando correr e quando parar; jogadores como JaVale McGee não sabem sequer quando é que estão no ataque ou quando é que estão na defesa.

Footwork – É o termo para se referir ao jogo de pernas de um jogador. Aquele pivô paradão que não consegue se movimentar não tem bom footwork. É essencial para aquilo que chamamos de “velocidade lateral”, que determina a capacidade dos jogadores de continuarem na frente dos adversários que eles estão tentando marcar.

Buzzer-Beater/Game Winner – “Game Winner” é a bola que ganhou o jogo, o arremesso decisivo, o último do jogo. Já o “buzzer beater” é aquele que foi exatamente no estouro do cronômetro. O arremesso do Kobe a 6 segundos do fim contra o Celtics foi um game winner porque o Celtics não conseguiu virar depois, já o seu arremesso contra o Heat, quando o tempo acabou com a bola no ar, foi um buzzer-beater.

Matchup – No basquete, a palavra é usada para se referir a um confronto individual. Quando jogam Cavs e Warriors, por exemplo, há um matchup entre Stephen Curry e Kyrie Irving, dois jogadores da mesma posição que marcarão um ao outro ao longo da partida. Para melhorar suas chances de sucesso, o técnico Steve Kerr, do Warriors, mudou a marcação e passou a colocar Klay Thompson para defender Irving. Para ele, era um matchup mais favorável.

Muitas vezes, acompanhar um único matchup ao longo da partida é suficiente para entender a história do jogo. Eventualmente, acontece de um jogador ter alguma característica, física ou técnica, que não bate com as características de seu defensor: é o chamado mismatch, um confronto desigual. Quando um armador sobra para marcar um pivô no garrafão, ou quando um pivô tem as costas quebradas tentando marcar um armador na linha de três pontos, temos um mismatch.

Back-to-back – É o termo para se referir a coisas que ocorrem em sequência, uma logo depois da outra. Back-to-back games são jogos em dias consecutivos, algo que estatisticamente minimiza muito as chances de vitória no segundo jogo. Back-to-back titles são títulos em sequência, um bi-campeonato. Back-to-back-to-back games são três jogos em dias consecutivos, uma aberração que, como um eclipse, eventualmente acontece na NBA para chocar as percepções humanas.

Sag-off – Essa expressão se refere ao ato de deixar um jogador livre de propósito. Deixar livre um atleta que tem um péssimo aproveitamento em arremessos como Tony Allen, por exemplo, pode ser uma boa ideia não apenas para focar a defesa nos demais jogadores, mas também para incentivar o jogador de péssimo arremesso a participar mais do jogo ofensivamente, estragando os planos originais da equipe e o protagonismo dos jogadores com melhor aproveitamento.


Termos de contrato

Salary cap: Chamado de “teto salarial” em português, é o limite de gastos com salário que uma equipe pode ter ao contratar jogadores para uma temporada. Ultrapassar esse limite gera multas pesadas, o que ajuda a NBA a manter um ambiente em que todos os times tem chances parelhas de vitória. Ainda assim, algumas exceções existem para dar flexibilidade aos times que tenham se complicado financeiramente.

Mid-Level exception – O sistema de teto salarial da NBA não é rígido, então permite algumas exceções para que os times possam ultrapassar esse teto eventualmente. O Mid-Level é uma dessas exceções. Nesse caso, o time pode oferecer um contrato com o salário médio da NBA para um jogador mesmo que o limite já tenha sido atingido pela equipe. O salário médio é definido somando todos os salários pagos nos últimos anos de liga e dividindo por 13,2 – por motivos de SEI LÁ, NÃO ENTENDO MATEMÁTICA. Essa exceção permite que times que já atingiram seu limite de gastos possam ter ao menos alguma contratação modesta para se tornar mais competitivos.

Buyout – É quando um jogador e o seu time fazem um acordo para que uma certa quantia do salário do jogador seja paga de uma vez e esse atleta seja dispensado da equipe sem mais nenhuma obrigação contratual. Na prática, o time está pagando quase a totalidade do salário de seu funcionário para que ele não apareça mais, o que não parece ter muito sentido. Mas esse ato drástico não apenas permite que jogadores frustrados possam ir embora e deixem de atrapalhar o ambiente da equipe como também permite que o salário do jogador saia em parte do teto salarial da equipe, liberando a possibilidade de uma nova contratação.

Teremos ainda uma nova parte dessa Semana dos Novatos explicando apenas termos de contratos, trocas e negociações de atletas. Aguardem =)

Torcedor do Rockets e apreciador de basquete videogamístico.

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