Resumo da Rodada – Finais da NBA: Jogo 1

Resumo da Rodada – Finais da NBA: Jogo 1

De um lado, marcação dupla em Stephen Curry; do outro lado, marcação dupla em Kawhi Leonard. Foi assim que começaram as Finais da NBA entre Toronto Raptors e Golden State Warriors. Nenhuma das equipes esteve disposta a encarar as estrelas rivais com uma marcação individual tradicional, apostando desde o primeiro minuto numa marcação agressiva focada em arrancar a bola das mãos dos dois principais jogadores da série. O resultado disso foi, em um dos jogos mais importantes de toda a temporada, um domínio absoluto dos jogadores de apoio, com ambos os times tentando adequar-se à dura realidade de enfrentar defesas especializadas em lhes negar suas principais armas.

Podcast Bola Presa #213 – Raptors sai na frente na Final da NBA

Podcast Bola Presa #213 – Raptors sai na frente na Final da NBA

Bem amigos do Bola Presa, mais um podcast no ar!

Nesta edição analisamos o Jogo 1 da Final da NBA entre Toronto Raptors e Golden State Warriors. Discutimos a pontuação impressionante de Pascal Siakam, as defesas especiais sobre Kawhi Leonard e Steph Curry, as mudanças que podem acontecer para o Jogo 2, o retorno de DeMarcus Cousins e falamos sobre a COMOÇÃO NACIONAL provocada pela chegada do Raptors à Final no Canadá.

No Both Teams Played Hard respondemos perguntas canadenses sobre torcida apaixonada, dívidas em terras estrangeiras, Copa do Mundo de Basquete, causos de Uberlândia e muito mais.

Você pode ouvir este episódio no player abaixo, no Spotify, no seu agregador de podcasts favorito ou BAIXAR O ARQUIVO AQUI!

Neste Episódio:
Carinha do Jabá – 1:55
Basquete – 03:57
Both Teams Played Hard – 57:19


NA TELINHA

Existe uma outra maneira de não só ouvir o podcast, mas de VER COMO ELE É FEITO. Estamos transmitindo ao vivo no YouTube a nossa gravação. O conteúdo é o mesmo, mas os mais apressados e curiosos em ver nossa cara podem acompanhar o nascimento do podcast enquanto ele acontece.

Fazemos a transmissão ao vivo toda quinta-feira à noite no nosso canal no YouTube. Também daremos os links pelo Twitter, e para quem nos segue no app Fanclic.


COMENTÁRIOS AO VIVO

Comentamos AO VIVO o Jogo 1 da Final da NBA enquanto a partida acontecia. Faremos isso todo jogo da Final! É só entrar no nosso canal no YouTube no horário das partidas e ir seguindo nossos comentários enquanto você assiste na Band, ESPN ou League Pass.

🔒A defesa por zona do Toronto Raptors

🔒A defesa por zona do Toronto Raptors

Nos últimos 3 anos de NBA, apenas 10 times utilizaram uma defesa por zona por mais de 100 posses de bola. Apesar de ser um modelo defensivo permitido pela Liga desde 2001, muitos times optam por não utilizá-lo, e os que o fazem escolhem marcar em zona apenas em algumas posses de bola, não durante um jogo inteiro. A equipe que mais utiliza esse tipo de marcação, o Brooklyn Nets, só usou esse recurso em cerca de 10% das posses de bola defendidas nessa temporada, por exemplo. Na maior parte do tempo, um fã da NBA assiste a marcações estritamente individuais com algumas pequenas variações: jogadores que trocam de oponentes após um corta-luz ou marcações duplas em momentos de desespero, principalmente. Ainda assim, a prática está se popularizando aos poucos: se na temporada passada tivemos apenas 700 posses de bola defendidas por zona, na temporada atual o número ultrapassou com folga as 2000 posses. Isso porque os times estão descobrindo estatisticamente que as defesas por zona costumam ter muito mais sucesso contra os ataques modernos da NBA do que as defesas individuais, e uma das maiores vitrines para isso acaba de alcançar as Finais da NBA: o Toronto Raptors.

Raptors aposta e precisa da defesa para bater o Warriors

Raptors aposta e precisa da defesa para bater o Warriors

O texto a seguir foi realizado numa parceria com a UOL e está disponível para leitura também no portal como parte de uma iniciativa para apresentar as principais histórias da NBA para um público mais geral e nem tão bitolado em basquete como vocês, velhos leitores deste blog =)


Um dos clichês mais repetidos da NBA é o de “ataques ganham jogos, defesas ganham campeonatos”.

Na verdade, ganhar um título da NBA é tão difícil que você não consegue sem um ataque bom, defesa boa, uma boa dose de sorte e, claro, um punhado de excelentes jogadores em dias inspirados. Mas a frase cumpre uma função educativa, a de mostrar para quem acompanha ou começa no basquete que não se vai muito longe no esporte se não levar a defesa a sério. É a parte menos glamourosa, a que costuma passar batido para os fãs casuais e que só aparece nos melhores momentos na hora de raros tocos.

Para a Final da NBA que começa nesta quinta-feira (30), o azarão Toronto Raptors conta com dois jogadores que simbolizam a mentalidade de colocar a defesa à frente de tudo para tentar evitar o terceiro título seguido do Golden State Warriors. Ambos vencedores do prêmio de Melhor Defensor do Ano, Kawhi Leonard e Marc Gasol podem ser excelentes armas ofensivas, mas devem liderar o time canadense na retaguarda se querem ter uma chance de chocar o mundo.

KAWHI LEONARD

Selecionado pelo Indiana Pacers no Draft de 2011, Leonard foi imediatamente trocado para o San Antonio Spurs em troca do armador George Hill. A ideia do time do Texas ao adquiri-lo era achar um novo Bruce Bowen, ala que foi uma peste defensiva ao longo da década anterior e que tinha se aposentado alguns anos antes. A função era simples: defender, defender, defender mais um pouco e no ataque acertar eventuais arremessos de 3 pontos do canto da quadra.

Acontece que o Spurs mirou um carro popular e acertou um caça militar. Ano após ano Kawhi Leonard evoluiu drasticamente em todos os aspectos do seu jogo. O arremesso ruim virou bom e depois ótimo, o controle de bola pulou de raro para uma arma perigosa e sua defesa que já era ótima se tornou temida até pelos melhores jogadores do mundo. Na Final da NBA de 2014, aos 22 anos, ele foi o responsável por marcar LeBron James, então no Miami Heat. Em um dos jogos, em uma cena que já se tornou icônica, LeBron percebe Kawhi voltando para quadra e faz uma cara de quem percebe que sua chance de marcar pontos fáceis acaba de ir para o espaço:

O Spurs acabou se vingando da derrota no ano anterior e Kawhi foi eleito o terceiro mais jovem MVP de uma Final da NBA, prêmio dado ao melhor jogador da série decisiva da temporada. Nos dois anos seguintes ele venceu o troféu de Melhor Defensor do Ano da NBA. Dono de mãos gigantes e braços longos, ganhou o apelido de “Klaw”, a garra. Quando ele te pegava, já era.

Nessa mesma época ele passou a receber maior fardo ofensivo no Spurs e, claro, se tornou um dos pontuadores mais eficientes e mortais da NBA. Nesta temporada, após um ano machucado e depois negociado para o time canadense, o Toronto Raptors até passou a fazer com Kawhi Leonard o inverso do que se viu ao longo de sua carreira: eles passam uma função defensiva mais simples para o ala para que ele não se desgaste tanto e possa carregar o time nas costas marcando mais de 30 pontos por jogo no ataque.

O plano foi interrompido na decisão da Conferência Leste quando o Raptors enfrentou o Milwaukee Bucks do fenômeno Giannis Antetokounmpo. Após sair perdendo a série por 2 a 0, o técnico Nick Nurse puxou sua arma secreta do bolso: colocou Kawhi para marcar Giannis e mudou a série. O grego tentou míseros 34 arremessos ao longo de toda a série quando marcado por Kawhi e só acertou doze. Números minúsculos para alguém tão bom, em tantos jogos e ainda com aproveitamento terrível.

Nesta decisão Kawhi Leonard pode não ser o cara mais indicado para marcar o pequenino Stephen Curry e seus pés que não param de correr pela quadra, mas certamente ele vai estar por perto se o jogo chegar nos minutos finais com placar apertado. E não há dúvidas de que Kawhi pode decidir a série se conseguir segurar Kevin Durant quando o ala, hoje machucado, voltar ao longo do confronto. Depois de segurar LeBron e Giannis em confrontos decisivos, Durant é o último chefão para consagrar Kawhi como um dos melhores defensores da sua posição na história da NBA.


MARC GASOL

Na NBA das últimas décadas se convencionou, nem sempre de maneira justa, encarar jogadores europeus como “softs“. É um jeito tosco e gringo de dizer que eles não são durões, que evitam contato físico e especialmente que não gostam de sujar as mãos na defesa. Não sei qual é o oposto completo de “soft”, mas pode chamar de Marc Gasol se quiser.

O pivô espanhol chegou na NBA meio lento e fora de forma, mas não demorou muito para conquistar todos dentro do Memphis Grizzlies, time que defendeu a carreira toda até ser negociado no meio desta temporada rumo a Toronto. Ao lado de Zach Randolph, Tony Allen e Mike Conley, Gasol formou o melhor time da história do Grizzlies no começo desta década. O grupo ficou conhecido como o “Grit and Grind“: É difícil traduzir exatamente a expressão, mas o ‘Grit‘ é o que nós costumamos chamar de raça, coragem e determinação. O ‘Grind‘, que ao pé da letra pode ser MOER, é usado para expressar luta, esforço bruto, persistente e, geralmente, sem muita inspiração. É na marra. O Grit and Grind, portanto, é a identidade de um time que não é o mais talentoso, o mais iluminado e muito menos o mais criativo, mas que supera seus adversários na base do suor. Enfrentar o Grizzlies em Memphis era entrar no moedor de carne e torcer para sair inteiro.

Como líder de uma das defesas mais temidas da NBA, Gasol venceu o prêmio de Melhor Defensor do Ano em 2012-13. Hoje, aos 34 anos, ele não consegue mais impactar o jogo como naquela temporada, mas ainda faz a diferença. Ele foi o responsável por fazer a vida de Joel Embiid um inferno na série contra o Philadelphia 76ers há algumas semanas, por exemplo. Gasol é o sonho do todo técnico: ao mesmo tempo em que foge do perfil clichê do europeu na questão da defesa, é 100% padrão velho continente no que diz respeito a jogar em equipe, ter pavor de estrelismo egoísta, possuir bons fundamentos e entender taticamente do jogo.

Gasol tem um enorme leque de funções importantes na defesa nesta série final contra o Warriors: garantir rebotes, segurar a barra quando eventualmente ficar na marcação de jogadores mais baixos, ser a voz que coordena a defesa quando o adversário começar com seu redemoinho de jogadas em velocidade e, ufa, marcar DeMarcus Cousins. O pivô rival pode ser um dos melhores da posição quando está em forma e inspirado e deve voltar de lesão na Final.

Preview Tático das Finais – Golden State Warriors x Toronto Raptors

Preview Tático das Finais – Golden State Warriors x Toronto Raptors

A Final da temporada 2018-19 da NBA chegou, amigos! De um lado o Golden State Warriors tenta vencer o quarto título em cinco anos, do outro o Toronto Raptors faz a primeira final de sua história. O que está em jogo nós já sabemos: Steph Curry e sua turma querem se consagrar como uma dinastia, um troféu a mais para marcá-los de vez como um dos grandes times da história. O time canadense quer uma conquista que valide os anos de bom trabalho e a virada arriscada desta temporada, quando mandaram embora um técnico que tinha acabado de receber o prêmio de melhor do ano e trocaram seu principal jogador pela chance de ter Kawhi Leonard, que acabava de vir de uma temporada inteira perdida por uma misteriosa lesão, em seu último ano de contrato.

O Toronto Raptors tem o mando de quadra, o Golden State Warriors tem o favoritismo e dois All-Stars se recuperando de lesão. Vamos analisar as principais questões táticas que cada time vai enfrentar ao longo da série:

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