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>Resumo da Rodada O Hawks fede, o Lakers só perde em Portland

>Com Dwyane Wade ainda descansando com uma lesão no pé e o LeBron tendo torcido o tornozelo ao pisar em cima do Paul George na rodada anterior, Hawks e Heat perdeu completamente a graça. Se a equipe de Atlanta ganhasse o jogo, todo mundo diria que era só porque Wade e LeBron não estavam em quadra, que assim não vale, mas se perdessem o jogo ganhariam o troféu de pior time do planeta. No nosso twitter, sugeri que o Hawks também entrasse com os reservas em quadra para se poupar desse tipo de coisa. No Leste, acho que até vale a pena jogar uma vitória no lixo para preservar a moral de um time que já não tem lá muita cabeça. Eles acabaram de perder para o Bulls, duas rodadas atrás, porque faltou perna no final do jogo, estavam exaustos, faltou cabeça para segurar a partida e erraram lances livres a torto e a direito no minuto final.

Pois bem: o Hawks conseguiu perder o jogo para o Heat, ganhar a fama de pior time do mundo, errar trocentos lances livres nos momentos decisivos, e ainda cuspir os pulmões pra fora no primeiro jogo de um back-to-back-to-back. Como explicamos em nossa análise do calendário, agora existem aberrações como três jogos em três noites, e o já cansado Hawks ainda perde para o Heat em três prorrogações apenas para enfrentar outros dois adversários nos próximos dois dias. Sabe toda aquela alegria de ter ao menos resistido três prorrogações contra o atual campeão do Leste? Não existe se o adversário estava sem duas de suas estrelas e você não tem fôlego nem para ir ao banheiro depois do jogo. Esse calendário exige admnistração: tem que saber quando não se matar se você tem dois adversários nos próximos dois dias.

O Hawks errou doze lances só no segundo tempo e não conseguiu marcar um pontinho sequer na terceira prorrogação. Aliás, Josh Smith teve um jogo fantástico em que mostrou controle e enorme habilidade, não precisamos nem colocar em prática aquela campanha de matar uma foca para cada arremesso de três dele pra ver se ele aprende e para com essa bobagem. Mas é claro que na terceira prorrogação, quando as pernas morrem e a cabeça do Hawks vai privada abaixo, Josh Smith tentou sua primeira bola idiota de três pontos – que, claro, não caiu.

A defesa pressionada do Hawks, que é o ponto forte da equipe, funcionou pouco porque faltou energia, pernas descansadas, e também porque o Heat não teve Wade e LeBron para serem pressionados no perímetro. Quem passou mais tempo com a bola em mãos foi o Chris Bosh, que finalmente aceitando seu papel como pivô da equipe acabou sendo marcado por outro pivô improvisado, Al Horford. Foram 35 pontos, 14 rebotes, 5 assistências, 2 roubos e 2 tocos para o Bosh, lembrando seus tempos de Raptors não apenas pela sua produção mas também pela falta de qualidade do resto do elenco. O jogador mais criticado do trio mais criticado da NBA conseguiu impor sua presença no garrafão, encaixar os arremessos de média distância e até converter a bola de 3 pontos que levou o jogo para a primeira prorrogação.

Mas não dá pra esquecer do Senhor Bagos, o superintendente Mario Chalmers, cuja fama é justamente de decidir jogos apertados no final. Dos 29 pontos que marcou, 22 foram após o terceiro período e foi o jogador que ficou com a bola em mãos nos momentos difíceis. Provavelmente ele é o pior jogador da NBA a ter tanta moral e responsabilidade, mas o pior de tudo é que ele merece. Terrel Harris, novato do Heat que sequer foi draftado, também mereceu ter passado quase o jogo inteiro em quadra: mostrou que sabe defender, é agressivo e pula como se sua vida dependesse disso. Apesar de seus 1,96m de altura, pegou 14 rebotes, sendo 7 ofensivos, e salvou o maior problema desse Heat até agora na temporada, que é segurar rebotes. O Hawks se aproveitou disso para ficar vivo no jogo, mas no dia em que a defesa do Hawks não estiver com tanque cheio, eles não conseguem segurar as infiltrações no garrafão e aí não tem rebote defensivo pra pegar. Também dependem muito do Joe Johnson quando o resto do time cansa, e o JJ sofreu a partida inteira tanto com uma marcação por zona, quanto com o Shane Battier no cangote. Mesmo completamente fora de forma, Battier foi essencial para não deixar o ataque do Hawks desafogar e ainda deu o toco no Joe Johnson que impediu a vitória no Hawks na segunda prorrogação.

No segundo jogo bacanudo da rodada, o Lakers se meteu numa furada: enfrentar o Blazers fora de casa. Se não bastasse o Blazers ser talvez o melhor time da temporada até agora (uma espécie de versão bizarra do Denver Nuggets mas com jogadores bons de verdade), o Lakers ainda sofre de uma maldição terrível em Portland. Desde que Kobe foi draftado, o Lakers perdeu 23 vezes para o Blazers fora de casa e ganhou apenas 6 vezes. Quer dizer, pode aumentar o número de derrotas para 24. O Bynum estava dominando o jogo no garrafão, mas o Lakers não consegue tornar isso um hábito e quando o garrafão da equipe parou de ver a cor da bola, o Blazers marcou 24 pontos e tomou apenas 8 no terceiro quarto para garantir a vitória. Verdade seja dita, o Lakers voltou a usar o Bynum depois e conseguiu encostar, mas nesse ponto o Blazers já estava jogando num ritmo que o Lakers simplesmente não conseguiu acompanhar.

É natural que equipes com um garrafão forte tenham dificuldade de envolver seu pivô no ataque porque a tendência da equipe adversária é ir se amontoando embaixo da cesta. Cansei de ver o Yao Ming dominar um período de jogo e de repente passar 10 minutos sem tocar na bola, com o time preocupado em arremessar e usar o espaço no perímetro. Com o Lakers, é a mesma coisa. Quanto mais o técnico Mike Brown tenta colocar o Lakers para jogar rápido, impor um ritmo de jogo veloz, mais o Bynum vai sendo ignorado e mais o Blazers foi se sentindo à vontade no jogo. Essa equipe de Portland pode jogar em qualquer estilo, mas se você entrar na correria será atropelado pelo Gerald Wallace e até pelo Jamal Crawford, que não é muito afeito a parar e pensar na vida. Kobe teve uma grande partida, mas o Gerald Wallace torrou o saco dele defendendo bem pra burro e se aproveitando dos contra-ataques. O Lakers vai demorar para encontrar um meio-termo entre o jogo veloz e o uso constante do Bynum no garrafão (quer dizer, enquanto o Bynum estiver com as duas pernas, claro, porque ele é “made in Taiwan”). Quando acontecer, esse será finalmente o Lakers de Mike Brown, mas até lá qualquer time que forçar o ritmo como o Blazers fez vai se sair melhor. Se for um time tão completo quanto o Blazers, então, melhor ainda.

A rodada ainda teve dois jogos menores. No primeiro, o Dallas tomou uma surra tão grande, mas tão grande do Spurs que no primeiro quarto já sugeri que assim que o Mavs estivesse perdendo por mais de 20 pontos o jogo acabasse e os dois times fossem pra casa. O calendário é corrido, os times estão cansados, temos que aprender a não levar qualquer joguinho desses até o final! Já analisamo os problemas defensivos que o Mavs enfrenta com a saída do Tyson Chandler, mas o Spurs evidenciou cada detalhe desses problemas com a precisão de um cirurgião sádico de filme de terror. Se o Mavs tem dificuldade em atacar quando não pega rebotes nem força erros do adversário, imagina então contra uma defesa impecável do Spurs? Resultado: o Mavs tentou 19 bolas de três pontos e converteu apenas uma. É assim que se soletra f-r-a-c-a-s-s-o.

No outro jogo menor, o Kings teve sua primeira partida após a demissão do técnico Paul Westphaul e enfrentou o Bucks, o time de técnico mais chato e disciplinador da NBA. O problema do Bucks é que mesmo quando a defesa está em seus melhores dias, ainda assim a equipe não consegue estabelecer um ritmo no ataque. Recentemente o técnico Scott Skiles cobrou mais agressividade do armador Brandon Jennings, e ele simplesmente chutou traseiros na noite de ontem e dominou o ataque do Bucks do começo ao fim do jogo, metendo 6 bolas de três pontos no processo. Mas não adiantou nada: DeMarcus Cousins de novo controlou o garrafão como uma força da natureza (e de novo saiu com 6 faltas com menos de 30 minutos de jogo), Marcus Thornton continuou arremessando até a sua mãe na cesta, e o Tyreke Evans provou que não é preguiçoso com sua partida mais guaraná-com-açaí da temporada,  defendendo bem Brandon Jennings na posse de bola final e acertando seus lances livres pra selar o jogo. Nada como um time se sentindo livre do técnico mala para todo mundo jogar com vontade. Ou seja: campanha “libertem o Bucks já!”

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Fotos da rodada

Tyreke Evans brinca de espelho com o Greene
 Shane Battier tem um braço que se move sozinho
 Pau Gasol tenta a famosa “defesa passarinho”
 Nowitzki nega um beijinho
 – Vem, me dá o braço e vamos passear no bosque
 Jogo dos 7 erros: uma cara-de-Duncan dessa rodada…
… e uma cara-de-Duncan da rodada passada.
Parker chora ao ter a careca grudada em um sovaco

>Resumo da Rodada LeBron chuta traseiros, o Knicks gosta de perder

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Na rodada de ontem tivemos o Heat enfrentando o surpreendente Pacers, mas sem Dwyane Wade, fora com uma lesão no pé. Não é nada grave, mas deve perder ao menos uns dois jogos. LeBron assumiu o ataque então, venceu o jogo fácil e simplesmente chutou todos os traseiros do planeta: foram 33 pontos, 8 rebotes e 13 assistências. Mas é claro que ele andou em todas as suas enterradas e matou mico-leões dourados no vestiário como bom vilão de filme ruim. Meio sem ninguém perceber, LeBron acertou ao menos 55% dos arremessos que tentou em todos os jogos dessa temporada, e está com o melhor começo em pontos marcados de toda a sua carreira. Esse ataque novo do Heat, em que todo mundo faz o que bem entender, está sendo ótimo para ele e para Wade.

O foco na defesa continua, entretanto. Ontem o Heat venceu o jogo no segundo período, quando tomou apenas um arremesso no quarto inteiro, tomou só 12 pontos, e forçou 10 desperdícios de bola do Pacers. O coitado do Danny Granger não conseguiu fazer bulhufas, e o Paul George (que é o melhor marcador do Derrick Rose desde os playoffs passados) teve seu melhor momento defendendo o LeBron numa hora em que estava simplesmente existindo em quadra, o LeBron caiu em cima dele e acabou torcendo o pé. Ou seja, o confronto entre Hawks e Heat que o Denis tanto esperava foi para o saco porque nem Wade nem LeBron devem estar em quadra para a próxima partida.

Enquanto isso no Leste, o Knicks continua seu projeto de perder para os times mais vagabundos da liga. Na partida anterior conseguiram perder para o Raptors, agora foi a vez de perder para o Bobcats. A defesa do Knicks continua tão ruim que Boris Diaw e Gerald Henderson pareciam deuses do basquete: juntos acertaram 22 arremessos de quadra e erraram apenas 6, coisa de treino. O Byron Mullens, pivô do Bobcats que treinou numa prisão durante o locaute (ele não foi preso, apenas conhecia gente de lá e conseguiu entrar para treinar duro com os trutas), continua em boa fase e também pareceu gênio quando marcado pelo Amar’e Stoudemire. O Knicks parece que não dá a mínima, só o novato Iman Shumpert (que acabou de voltar de contusão) joga com vontade e se atira em todas bolas. Vergonha.

Na partida “vamos babar ovo” da rodada, o Wolves conseguiu perder por 2 pontos para o Grizzlies após tomar um 13-0 no quarto período, coisa de time jovem que não sabe como terminar uma partida. Vale lembrar que o Grizzlies está sem Zach Randolph, que deve passar ao menos 2 meses fora com uma lesão no joelho. Você não achou mesmo que o Universo ia deixar o Randolph magro ficar fazendo ponte-aérea na NBA, né? A lesão vem em boa hora para equilibrar o espaço-tempo. A cota de fissura no espaço-temporal veio nas mãos do Tony Allen, que fez 20 pontos acertando todos os seus arremessos, todinhos. Quando o Tony Allen faz isso além de defender fantasticamente, o Grizzlies é um time fantástico, pena que só acontece uma vez por eclipse solar. Normal mesmo é só o Kevin Love fazendo mais de vinte pontos e pegando mais de dez rebotes: dessa vez foram 27 pontos e 14 rebotes. Em notícia tão chocante quanto, informamos que a água é molhada.

Mas não vamos esquecer do nosso queridinho-lindinho-da-titia: Rubio terminou o jogo com 12 pontos e 10 assistências, uma delas fantástica para mostrar o controle de bola e a leitura de jogo do moleque. Quando em contra-ataques outro armador só teria tacado a bola pra frente, o Rubio sabe pingar a bola e esperar o caminho abrir. Não é uma gracinha?

Essa assistência do Rubio não foi a mais legal da rodada, entretanto. Olha só esse passe do Rudy Fernandez para o Kenneth Faried:

A assistência resume o jogo: o Nuggets passeou num basquete completamente coletivo, 9 jogadores chutaram pelo menos 6 bolas, ninguém chutou mais de 10, e todo mundo no elenco (todo mundo!) fez ao menos 6 pontos. Se o elenco todo abraçar essa ideia de “não temos estrela, vamos jogar todos juntos”, dá pra fazer bastante estrago no Oeste e ainda ser um dos times mais legais de acompanhar. O Kings não teve chance, até porque o DeMarcus Cousins voltou a jogar depois da polêmica do “pediu ou não pediu para ser trocado”, chutou traseiros, dominou o garrafão do Nuggets por completo, foi um gênio, mas saiu com 6 faltas em pouco mais de 20 minutos de jogo. Cabeça? Não trabalhamos.

No restante da rodada, o Clippers fez 41 pontos só no primeiro quarto contra o meu Houston, com o Chris Paul fazendo o que bem entendeu e o Blake Griffin comendo o garrafão com um pouco de arroz (depois não entendem porque eu digo que o Luis Scola é uma mãe na defesa, ele não só deixa o Griffin entrar como lhe serve uns biscoitinhos no processo). O Mavs passeou contra o Suns, mesmo com o Nash jogando bem como sempre e o Gortat se firmando como um bom cosplayer do Amar’e. Monta Ellis meteu 38 pontos no Spurs, o Warriors pareceu jogar melhor que o adversário, Kwame Brown teve boa partida, mas aí é claro que o Kwame errou 6 lances livres e o Spurs sem Ginóbili deu um jeito de ganhar por exatamente 6 pontos. Jru Holiday liderou a vitória do Sixers contra o Hornets, com o Spencer Hawes mantendo sua posição como melhor pivô da temporada, dessa vez sendo um monstro na defesa. No Cavs e Raptors, Antawn Jamison ganhou o prêmio de pior defensor vivo, tomou cesta de todo mundo, e deixou o Bargnani fazer 31 pontos como se fosse o Nowitzki mais gatinho. Com Deron Williams machucado, o Celtics não precisou nem entrar em quadra para sair com a vitória. Rip Hamilton jogou bem contra o Pistons, seu ex-time, e o Bulls simplesmente passeou e deu risada do Ben Gordon, que ontem fedeu. E, por último, o Dwight Howard teve 28 pontos e 20 rebotes contra o garrafão juvenil do Wizards. Como comentamos na análise de ontem do que fazer com o Dwight, o pivô pode vencer esse tipo de garrafão sozinho, mas como fazer contra os times fortes nos playoffs?

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Fotos da rodada

Eric Gordon ganha chifrinhos na hora da foto

Derrick Rose faz cara-de-Duncan (todos os direitos reservados)

Cara-de-Duncan (todos os direitos reservados)

Marcus Thornton imita um porquinho enquanto Affalo olha para o teto

Táticas para passar do seu marcador: Carmelo dá um caratê na barriga do Maggette
…Jameer Nelson taca pimenta nos olhos do John Wall

…e OJ Mayo usa uma casca de banana contra Ridnour

– Vem, vagabunda, eu sei que você também quer

>Resumo da Rodada Kobe desencanta, Rose MVP

>No avião, voltando de Denver para Los Angeles, nada de sono ou iPod para Kobe Bryant e o técnico Mike Brown. Os dois passaram a viagem inteira sentados lado a lado com o vídeo da partida contra o Denver Nuggets entre eles: discutiram todos os lances, comentaram jogada a jogada e analisaram a atuação de Kobe e do time. Brown disse que não teve problema com os mais de 20 arremessos errados de sua estrela, que apenas alguns poucos foram forçados, já Kobe disse: “Se a pergunta é se eu vou arremessar menos, a resposta é não”. 

Deu certo. Ontem contra o Rockets, no sempre esperado Clássico Bola Presa, Kobe continuou arremessando, mas dessa vez acertou. Foram 37 pontos em 29 arremessos e ele ainda conseguiu 8 rebotes e 6 assistências, uma partidaça que, somada aos 21 pontos e 22 rebotes de Andrew Bynum, lembrou os bons tempos de Kobe e Shaq no começo da última década. E, como fazia aquele time, ganharam o jogo. Difícil fazer previsões sobre a precisão de Kobe ou a saúde Bynum, mas enquanto os dois jogarem assim há esperança de bons resultados. E nada mal a defesa que Mike Brown está montando…

E pelo Rockets, que tal o quase triple-double de Kyle Lowry (22 pontos, 10 rebotes, 9 assistências)? Nesses primeiros 10 dias de temporada tem algum armador jogando mais do que ele? Nem Rajon Rondo (nem o Rubio!!!)

Mas apesar das grandes atuações individuais do Lakers, o grande jogo da rodada foi Bulls e Hawks. O time de Atlanta viajou de Miami, no sul dos EUA, até o norte para pegar o Bulls e chegou no pique, com uma defesa esmagadora que dobrava a marcação sobre o Derrick Rose a cada corta-luz, algo monstruoso que lembrou muito a defesa do Heat nos playoffs do ano passado. O Bulls marcou míseros 26 pontos no primeiro tempo inteiro! Mas o time cansou e no quarto período, quando mais interessava, o Hawks só bancou uma marcação individual, quando Derrick Rose (30 pontos, 7 assistências) engoliu o Jeff Teague com azeite, sal e uma pitada de pimenta do reino. Foram 3 bolas de 3 pontos só no último quarto e duas bandejas (onde ele quase alcançou o relógio de 24 segundos de tão alto que pulou) no último minuto. Para sacramentar a vitória, uma linda jogada desenhada por Tom Thibodeau que teve Joakim Noah dando um passe para Luol Deng, que jogou muito, enquanto toda a marcação do Hawks olhava para Rose.

Mas olho no Hawks, enquanto tiveram pernas jogaram demais. Quando cansaram voltaram para as isolações idiotas do Joe Johnson, os arremessos longos de Josh Smith e bobagens do tipo, mas mesmo assim se mantiveram no jogo até o final. Aquela jogada desenhada no último minuto que acabou com uma ponte aérea de Marvin Williams para Josh Smith foi digna de aplausos. Quinta-feira tem um jogão deles contra o Heat, será que eles estão vivos até lá? Haja milhagem de avião.

Jogo disputado também em Oklahoma City, onde o Thunder perdeu sua segunda seguida, dessa vez para o Portland Trail Blazers. Assustador o que a defesa de perímetro do Blazers pode fazer, Gerald Wallace, Nicolas Batum e Wes Matthews se revezaram em Russell Westbrook, Kevin Durant e James Harden e acabaram com a paciência deles. Tem hora que faz muita falta para o Thunder ter um bom jogador de costas para a cesta para desafogar o ataque. No ataque o Blazers usou a técnica que eu chamaria de “Westbrook Offense” que consiste em pegar o rebote e partir para a cesta com tudo como se não houvesse amanhã. Assim Ray Felton costurou a defesa adversária e abriu espaço para todo mundo. Nunca tinha visto o Blazers jogar com tanta velocidade, vou assistir mais jogos deles com atenção para ver se é sempre assim. No fim do jogo eles voltaram para o estilo do ano passado, com muito pick-and-roll e pick-and-pop entre qualquer jogador e o LaMarcus Aldridge (30 pontos). O Thunder não teve chances.

No resto da rodada o Memphis Grizzlies, mesmo sem Zach Randolph, esmagou o Sacramento Kings, o time que mais faz jogadas de isolação da NBA. O Bucks teve o Drew Gooden como cestinha e, claro, isso significa que eles perderam, mesmo o Jazz tendo sido o adversário. Em Cleveland o Cavs fez um bom jogo e arrasou o Charlotte Bobcats com mais um jogo de alto aproveitamento da linha dos 3 pontos, o segundo seguido. O novato Tristan Thompson (16 pontos e 9 rebotes) também fez seu melhor jogo nesse começo de temporada.



Fotos da rodada

Precisa de legenda para ser a melhor foto da temporada? Olé!

De alguma forma essa foto é épica, um quadro do século XVII

Juiz não ganha o bastante para isso

Fotos do Bola Presa: Sua dose diária de turnovers do  Russell Westbrook

Sam Young sabe dar estrela, olha mãe!

Marcus Camby parece dar uma joelhada no queixo de James Harden

>Resumo da rodada Não há mais invictos

>Eu até achei que iria durar menos. Bastaram 6 jogos disputados pela maioria dos times para que já não tenhamos nenhum invicto nessa temporada da NBA, ontem Miami Heat e Oklahoma City Thunder perderam seus primeiros jogos na temporada. Muita gente ainda pode apostar nos dois como maiores candidatos aos títulos de cada conferência, mas ontem conhecemos seus defeitos.

O Atlanta Hawks fez um jogo frio e calculista para cima do Heat. Não se desesperou quando tomou contra-ataques e enterradas fulminantes de LeBron James e Chris Bosh, nem com as infiltrações alienígenas de Dwyane Wade e nem quando Shane Battier acertou uma bola de 3 pontos e sofreu falta. Tudo isso faz parte de enfrentar o Heat, deles se ganha na porcentagem. Não dá pra enterrar em toda jogada, então eles fecharam o garrafão com uma defesa por zona e ficaram nela. Trocavam em todo bloqueio e forçaram o Heat aos arremessos de longe, como o Heat agora se recusa a chutar tanto de 3, chutaram bolas longas de 2, e mesmo assim erraram muito. Segundo o SynergySports o Heat é um dos 11 times que já enfrentou defesa por zona durante um período significativo nessa temporada e é o que tem as piores médias contra essa defesa.

Com a defesa funcionando o Hawks precisava marcar pontos na defesa poderosa do Heat, e também não foi fácil. Ao contrário do que eu imaginava eles correram o risco de tomar mais contra ataques e colocaram muitos jogadores brigando pelo rebote ofensivo. Como o Heat é ruim em rebotes defensivos, isso parou um pouco o ritmo deles. Por fim eles rodaram a bola mais do que o normal e deram 19 assistências no jogo, bastante para um time que vive de jogadas individuais. Tirando um ou outro arremesso ridículo do Josh Smith, que é incapaz de perceber que ele não sabe acertar essa porcaria, a escolha de chutes deles foi ótima. Eu acho que o Hawks deveria matar filhotes de foca a cada arremesso do Josh Smith fora do garrafão, pra ver se ele pensa duas vezes, mas poderíamos acabar vendo o fim de uma bela espécie.

Também ajudou o time de Atlanta o fato que Joe Johnson, Jannero Pargo e especialmente a versão 2002 de Tracy McGrady estavam acertando arremessos difíceis em horas decisivas do jogo. T-Mac foi o rei do último período, exatamente como Jamal Crawford era até o ano passado. Bateu orgulho de ter elogiado a contratação, mais ou menos o oposto do sentimento de quando eu gostei do Steve Blake no Lakers.

A queda do outro invicto teve menos inovações. O Mavs é um outro time em relação ao ano passado, é verdade; seu dono, Mark Cuban, até acha que esse elenco é mais talentoso, mas que ainda não sabe jogar junto. Eu concordo. Mas se tem uma coisa que é a mesma é o técnico e sua estratégia para parar o Thunder. Assim como nos playoffs do ano passado e no jogo do começo dessa temporada quando eles ganharam com uma cesta do Durant no último segundo, o Russell Westbrook errou demais, o próprio Durant não esteve em seus melhores dias e eles pareceram bem menos fatais no ataque. Acontece, todo time tem um adversário que sabe enfrentá-lo e o Thunder precisa fugir do Mavs de qualquer jeito nos playoffs. Destaque para Lamar Odom, que fez seu melhor jogo nesse começo de temporada e Ian Mahinmi que tem feito bons jogos como pivô do time (não acredito que vivi para dizer essa frase).

Na matinê da rodada o Phoenix Suns bateu o Golden State Warriors em um jogo bem sem graça. Os dois times só chutavam de longe, mas sem velocidade e bons passes, foi tudo meio na marra. O Suns acertou mais bolas de longe no final e acabou vencendo, foi a primeira vez na temporada que os titulares do Phoenix marcaram mais pontos que os reservas. Uma dica: Não é porque os reservas são muito bons.

A cena bizarra da noite aconteceu no jogo entre Wizards e Celtics que, acho, se enfrentam pela nonagésima vez em 5 dias. O pivô novato Greg Stiemsma deu um toco em Rashard Lewis que o técnico do Wizards, Flip Saunders, achou falta. Ao invés de só reclamar, pirou, deu piti, enlouqueceu e chegou a entrar em quadra xingando os árbitros. Claro que foi expulso. E tudo isso em menos de 2 minutos de jogo e 2-0 no placar. O autor do toco, o novato loiro e desconhecido Stiemsma, começou o jogo como pivô titular no lugar do machucado Jermaine O’Neal (surpresa!) e foi muito bem: na metade do primeiro período tinha 4 pontos, 3 rebotes, 1 assistência e 2 tocos. Acabou com 13 pontos.

Em Minneapolis o Wolves ganhou mais uma sobre time grande, o Spurs. Ajudou que Manu Ginóbili saiu machucado no meio do jogo (deve perder algumas semanas), mas o time jogou bem de verdade. O Ricky Rubio foi bem mais discreto que o normal e mesmo assim o time continuou voando. Contaram com bom jogo do Luke Ridnour, Michael Beasley e mais uma atuação fora de série de Kevin Love. Muito irracional deixar nossa admiração perante o Wolves se transformar em palpite de que eles brigam pela 8ª vaga no Oeste? Ah, e um jogo discreto do Rubio tem essa jogada aqui:

No resto da rodada enorme de ontem o Pacers finalmente teve uma noite de bom aproveitamento nos arremessos e não precisou ganhar na marra, mas o adversário foi o Nets, então não conta. O Nuggets fechou o seu primeiro 5-in-6 com back-to-back-to-back com mais uma vitória, essa sobre o Bucks. O Al Harrington, sei lá como, continua jogando bem demais e ontem, com Nenê ausente, jogou de pivô no quarto período e anulou Andrew Bogut. Juro pela Alinne Moraes que é verdade.

O Magic vinha jogando mal mas vencendo, ontem só jogou mal e conseguiu perder do Pistons, que teve mais um bom jogo de Jonas Jerebko, dia da personalidade boa do Ben Jordon e alguém pode explicar porque o Austin Daye joga tão pouco? Nunca vou entender. Em Nova York o Knicks tomou pau do Toronto Raptors e causou uma onda de fúria contra o Mike D’Antoni no Twitter. Mas veja bem, ele pediu uma jogada no final do jogo e o Toney Douglas não sabia nem para onde ir. O armador, junto com Carmelo Anthony, chutaram 50 dos 78 arremessos que o Knicks deu na partida, é pouca zoeira? Já em Salt Lake City o Jazz venceu o New Orleans Hornets e ninguém notou.

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Fotos da Rodada

É muito estilo pra pouca foto

– Ser ou não ser…

Uma nova técnica fotográfica que tira fotos do tamanho real do ego do fotografado

Não sei porque escrevo se tem uma foto que resume o Thunder x Mavs

Shelden Williams toma enterrada na cara até na sua enterrada

Brandon Jennings ReggieEvaneia o pivô Kosta Koufos

Mike Bibby desmaia depois de experimentar algo chamado “defesa”

Rubio é demais

>O Dallas Mavericks será o novo Chicago Bulls? O Bulls depois do tri-campeonato em 97-98 foi para uma temporada de locaute, venceu só 13 jogos e teve o pior recorde da história de um atual campeão. Claro que eles tinham perdido o elenco inteiro, o Mavs é o mesmo menos só o Tyson Chandler. Estou exagerando, claro, mas já são duas surras consecutivas. Surras para mulher de malandro achar que o que ela sofre é carinho. Ontem contra o Denver, o time tomou uma sequência de 20-0 no segundo período e o time foi vaiado pela própria torcida. Em determinado momento o Jason Kidd fez uma bandeja tão preguiçosa de treino que o Nenê (O NENÊ!) deu um toco violento no idoso. Tá bom que time campeão passa a ser blasé em jogo que não é playoff, mas não precisa ser humilhado pelo Ty Lawson na frente da torcida.

Meu novo time queridinho, o Pacers, estreou ontem e meteu bala pra cima do Pistons. O time nem jogou tão bem e estava descalibrado, mas se garantiram nos rebotes. Tyler Hansbrough, Roy Hibbert e David West todos passaram de 12 rebotes na partida, sendo 5, 4 e 7 rebotes de ataque respectivamente. Pelo lado do Pistons o  único ponto positivo foi a boa partida do sueco Jonas Jerebko, com 17 pontos e 5 rebotes. Olho no loirinho, tudo para ser o loiro mais valioso da temporada (novo prêmio alternativo do Bola Presa).

Uma renca de armadores novatos estrearam ontem. Kemba Walker acertou lances livres decisivos e ajudou o Bobcats a se salvar de uma temporada de 66 derrotas, o foco é conseguir vencer mais uma antes de março de 2012. Kyrie Irving tomou arremesso na cara do Jose Calderon e teve um aproveitamento péssimo (2-12)  na derrota do seu time para o Raptors. Já Ricky Rubio continua com seu no-stats-show: Números baixos e a torcida chorando de felicidade ao vê-lo jogar. O cara deu meia dúzia de assistências e fez um punhadinho de pontos, mas são tantos passes precisos, criatividade e nenhum erro que não tem como não impressionar. Lembra muito o Rajon Rondo antes dele começar a apelar também nas estatísticas. O Rubio chegou a virar o jogo para o Wolves contra o Thunder, mas no final o Kevin Durant continuou metendo bolas de video game e o Michael Beasley, apesar dos 24 pontos, se afobou e fez uma asneira atrás da outra para não conseguir empatar.

No dia 25 vimos Derrick Rose matar 4 de 5 bolas de 3 pontos. Ontem acertou uma única em 8 tentativas. A mudança também veio no adversário, o Warriors, que no dia anterior viu Steph Curry e Monta Ellis em dia ruim e ontem ambos chutaram o traseiro da forte defesa do Bulls. Em temporada com 5 jogos em 6 noites vamos ter muitas reviravoltas diárias fazendo o inferno dos críticos de resultado. Quem mostrou regularidade foi o Lakers, perdendo de novo um jogo apertado. Ontem foi contra o Kings, que viu DeMarcus Cousins passar por cima do Pau Gasol no segundo tempo enquanto Marcus Thornton e Tyreke Evans faziam chover de 3 pontos. Sim, o Tyreke ganhou um arremesso de mais longe da cesta: temam, adversários.

Destaque positivo da noite a motivação do recém-trocado Eric Gordon. Enquanto tem gente desanimada até em Dallas, o armador estava com sangue nos olhos e meteu 20 pontos na cara do Suns, em Phoenix,  incluindo o arremesso da vitória a 4 segundos do fim, ignorando a marcação do Jared Dudley. Outro destaque positivo (e bizarro) foi lembrado nos nossos comentários: O Spencer Hawes (não o LeBron James ou o Rajon Rondo) quase fez um triple double com 10 pontos, 14 rebotes e 9 assistências! Agradeça ao universo infinito por tudo ser possível.

Ontem também teve esse singelo lance:

Fotos da rodada

Matt Barnes e DeMarcus Cousins jogam basquete cego

Tim Duncan é marcado por um goleiro de handebol

Bola Presa (marca registrada)

Kobe, recém-separado, assiste jogo de mãos dadas com seu novo affair

Markieff Morris é feio

Joakim Noah é mais feio

Chris Kaman é tão feio que Sebastian Telfair prefere abraçar a bola voadora

Sobre o resumo da rodada:
São pitacos diários sobre a rodada da noite anterior da NBA. É uma seção que não chega para substituir nada, nem nossos textos gigantes e analíticos sobre as equipes. “Não cheguei para tirar a vaga de ninguém, só vim adicionar ao grupo”, disse o Resumo em sua entrevista coletiva de apresentação no Bola Presa.

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