Danilo

Torcedor do Rockets e apreciador de basquete videogamístico.

O que aconteceu com o Houston Rockets?

O que aconteceu com o Houston Rockets?

Chegar ao Jogo 7 da Conferência Oeste e ficar muito, muito perto de derrotar o Golden State Warriors rumo às Finais da NBA confirmou para o mundo que o Houston Rockets era uma das grandes potências do basquete na temporada passada. Sua mistura inusitada de bolas de três pontos constantes, jogadas de mano-a-mano e uma defesa em que todos os jogadores marcam todas as posições mostrou resultados inegáveis e colocou o time sob os holofotes da torcida, da imprensa e, claro, dos demais times da NBA. No caso de jogadores que querem ser valorizados, celebrados e reconhecidos pelo seu talento e esforço, toda exposição é sempre positiva. Mas no esporte, em que todos estão assistindo para conseguir descobrir e posteriormente explorar os seus defeitos, existem malefícios nessa SUPER-EXPOSIÇÃO de ter um time indo tão longe na pós-temporada.

🔒Filtro Bola Presa #69

🔒Filtro Bola Presa #69

Já passamos oficialmente do “começo da temporada”, já dá pra ter uma boa ideia dos defeitos e qualidades de cada time, e mesmo assim continua TUDO EMBOLADO, com quase todas as equipes sonhando em chegar longe. No meio dessa bagunça na tabela, em que todo jogo faz toda a diferença, é fácil deixar passar um monte de histórias, números, anedotas e chororôs – mas não tema, é para isso que o Filtro Bola Presa vem semanalmente ajudar nossos assinantes!

Quem tem medo de Luka Doncic

Quem tem medo de Luka Doncic

Em 2003, Dirk Nowitzki já era uma das grandes estrelas da NBA, um pontuador de elite que fazia o mundo inteiro questionar o papel que os jogadores altos deveriam cumprir em quadra. Não é a toa portanto que no draft daquele ano, em meio a uma chamada “onda europeia” na NBA, dois jogadores europeus eram cotados para as 5 primeiras escolhas do draft: Darko Milicic, da Sérvia, e Maciej Lampe, da Polônia. Ambos com mais de 2,11m de altura, deveriam, assim como Nowitzki, aprofundar uma revolução de jogadores de garrafão capazes de correr e arremessar de média e longa distância.

As quatro primeiras escolhas do draft de 2003 aconteceram como todo mundo esperava: LeBron James logo na escolha número um, Darko Milicic na escolha dois, Carmelo Anthony na escolha três e Chris Bosh na escolha quatro. A partir daí, o mais provável era que o Miami Heat, com a quinta escolha, agarrasse a chance de conseguir Maciej Lampe para seu time que carecia tanto de um homem de garrafão – e, curiosamente, também de um armador principal. Mas contra todas as previsões, o que o Miami Heat fez foi escolher Dwyane Wade, nem armador e nem pivô, frustrando sem querer os planos do Chicago Bulls, que tinha esperanças de agarrar Wade com a sétima escolha. Frente a torcedores atônitos, jornalistas começaram a indicar que havia uma dúvida sobre o contrato de Lampe na Europa que poderia estar assustando os times. Como descobrimos futuramente, não passava de um pequeno blefe do Real Madrid, então equipe de Lampe, e seu desligamento para jogar na NBA custou nada mais do que uns trocados. Mas ainda assim seu nome foi sendo ignorado por time após time ao longo do draft. Um dos vinte convidados para estar na Greem Room, a sala presencial em que os jogadores mais “baladados” ficam para apertar a mão do comissário da NBA em frente às câmeras quando são escolhidos, Lampe foi o único que sobrava na sala quando a primeira rodada do draft terminou. Acabou draftado pelo New York Knicks com a primeira escolha da SEGUNDA RODADA, perdendo o contrato garantido e os holofotes que lhe haviam prometido.

🔒Uma visita a 1990

🔒Uma visita a 1990

Os placares altos da temporada 2018-19 não param de surpreender. Para alguns, seriam responsabilidade do auge do basquete ofensivo; para outros, são responsabilidade do excesso de faltas marcadas pela arbitragem; para os mais saudosistas, no entanto, os placares são responsabilidade pura e simples do fato de que as defesas nunca foram PIORES, e que marcar muitos pontos é mais fácil hoje do que jamais foi. Aqui no Bola Presa já refutamos alguns argumentos de que a NBA está piorando (você pode ler aqui a parte 1, a parte 2 e a parte 3 de uma série em que mostramos que os arremessadores nunca foram tão bons, que a disparidade entre os times não aumentou apesar da percepção de que hoje em dia temos “panelas”, e que a safra de jogadores atuais é espetacular). No entanto, a PERCEPÇÃO é algo muito forte: para além dos números, dos argumentos e dos fatos, muitas vezes percebemos ou sentimos algo diferente porque há algo que confunde, nubla ou atrapalha nossa recepção do mundo. Frente à percepção que volta e meia vejo por aí de que jogadores como Stephen Curry teriam pouca chance contra as “defesas de ouro” dos anos 80 ou 90, resolvi então fazer uma viagem no tempo e analisar um jogo da temporada 1989-90 para ver o que é possível perceber do basquete – e das defesas – desse período.

🔒Erros a 150 quilômetros por hora

🔒Erros a 150 quilômetros por hora

Jogar em velocidade, acelerando rumo aos contra-ataques e aumentando o número de posses de bola por jogo tem se tornado cada vez mais comum na NBA. Muitos times escolhem essa abordagem porque, com o maior número de arremessos conseguidos quando se aumenta o ritmo do ataque, mais gente pode dar arremessos, mais gente sente que está participando ativamente do jogo e, portanto, mais gente fica engajada e interessada no jogo durante toda sua duração. Não é à toa, portanto, que dois dos times mais MACAMBÚZIOS e DESESPERANÇOSOS da temporada passada, Atlanta Hawks e Sacramento Kings, tenham adotado oficialmente o “basquete-correria”.

O Hawks é, atualmente, o time que mais joga em velocidade na NBA, seguido de perto pelo Kings. Os dois times seguem, entretanto, caminhos opostos em questão de número de vitórias: enquanto a equipe de Atlanta é o PIOR TIME da temporada, amargando uma emblemática última colocação geral, o time de Sacramento é uma das gratas surpresas até aqui, brigando cabeça-a-cabeça por uma vaga nos Playoffs do Oeste e contribuindo para o clima de qualquer equipe tem chances de pós-temporada na Conferência. Por que será que a estratégia da velocidade está tendo resultados tão diferentes para as duas equipes?

1 2 3 4 81