Deron Williams ainda existe

Se olharmos os últimos 15 anos de NBA, não é surpresa ver o Dallas Mavericks na zona de Playoff do Oeste. Mas alguém esperava isso esse ano? De qualquer forma, lá estão eles de novo no alto da conferência, por enquanto em 5º lugar com 11 vitórias e 8 derrotas apesar do calendário que ofereceu um novembro com mais jogos fora de casa do que em Dallas.

O principal motivo para essa boa campanha é, sem dúvida, Dirk Nowitzki. Apesar dos 37 anos nas costas, o alemão não só está livre de lesões como parece mais em forma do que no ano passado, e está carregando o time nas costas na pontuação. Não tem feito do mesmo jeito que antes, ele passa menos tempo com a bola na mão e chuta menos vezes, mas o arremesso tem sido tão mortal quanto nos seus melhores dias.

Mas se Dirk é o principal motivo, certamente não é o único. Já passou e muito o tempo em que ele tinha fôlego e pernas para carregar um time inteiro nas costas. Se está dando tudo certo é porque o técnico Rick Carlisle, pela milésima vez na sua carreira, está sabendo tirar tudo de seus jogadores. Todas as contratações ou renovações feitas pelo Dallas Mavericks nessa offseason não eram a primeira opção do próprio time, mas se encaixaram perfeitamente.

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A que mais me surpreende é Deron Williams. Desde que saiu do Utah Jazz o armador não consegue jogar o seu melhor basquete, e é sempre bom lembrar quem chegou agora que esse cara, não muito tempo atrás, estava em toda lista de dois ou três melhores armadores da NBA, brigando pau a pau com Chris Paul e cia. Mas em New Jersey/Brooklyn ele começou a ter problemas físicos, ficou mais pesado, perdeu seu mortal crossover e ainda teve o azar de cair num time que trocou várias vezes de técnico e nunca achou uma consistência de estilo de jogo. Se tem uma pessoa na vida que já sentiu saudade de jogar com Carlos Boozer, esse cara é Deron Williams.

Em Dallas a coisa começou mal, com mais uma lesão que o tirou da pré-temporada, mas aos poucos, com minutos limitados, fez um bom primeiro mês de temporada e chegou ao seu topo nesta terça-feira, quando marcou 30 pontos e fez cestas decisivas na prorrogação contra o Portland Trail Blazers. A mágica está mais no time do que em Deron: analisando dados da temporada 2014/15 e do começo da 2015/16 é possível ver que Williams não mudou muito seu estilo de jogo, a posição de seus arremessos e sequer as de suas assistências. Foi o aproveitamento que disparou!

A razão para essa melhora pode ser repartida entre a qualidade do elenco e o técnico Rick Carlisle. Um dos melhores treinadores da NBA, Carlisle é mestre em montar jogadas e movimentações que deixam a quadra muito bem balanceada. É raro ver o Mavs com jogadores embolados de um mesmo lado da quadra, segurando a bola por muito tempo ou exagerando no mano-a-mano, com isso todo mundo acaba tendo mais espaço para jogar e arremessar. Some a isso um time que tem muitos arremessadores (Wes Matthews, Dirk Nowitzki, Chandler Parsons, às vezes até Josh Powell!) e muitos jogadores que fazem ótimos bloqueios (algo que costuma passar despercebido), em especial Zaza Pachulia e o mesmo Dirk Nowiztki. O pivô da Geórgia também é um dos melhores pivôs passadores em toda a NBA.

Entre os tipos de jogada que citei no post especial da última semana, em nenhum o Mavs se destaca. É um time balanceado, que faz um pouco de tudo. Juntar bons passes, arremessadores e um esquema tático bem montado é uma ótima receita para todo mundo jogar melhor do que antes na vida. É bem mais fácil parecer bom por lá do que em um time que força seus jogadores a improvisar, jogar no mano-a-mano, correr muito, correr pouco ou ter que lidar com marcações duplas o tempo todo.

Se tem uma coisinha que mudou no estilo de jogo de Deron Williams, é que, como nos tempos de Jazz, ele está jogando mais tempo dentro da linha dos três, na meia distância da cesta, onde fica muito mais confortável e perigoso do que na linha dos três pontos. Atuando perto da cesta ele consegue jogar de costas contra armadores mais baixos e, ao contrário dos Westbrooks da vida, prefere infiltrar nesse espaço curto do que dando passos para trás para pegar embalo no meio da quadra. Capaz dele se cansar se começar um ataque de tão longe!

Dois outros fatores contribuem para que o armador volte a parecer um jogador relevante na NBA. A primeira é o fato do Dallas Mavericks adorar jogar com dois armadores ao mesmo tempo. O elenco tem Deron, Raymond Felton, JJ Barea e Devin Harris na posição e todos os quintetos mais comuns usados nessa temporada têm dois desses caras juntos na quadra. Isso tira responsabilidade de Williams, libera ele da canseira de pensar e montar todas as jogadas e, como citado antes, ajuda a criar espaço na quadra, já que mais jogadores capazes de criar jogadas e comandar pick-and-rolls estão em quadra ao mesmo tempo. É comum Deron Williams deixar a bola com o outro armador que joga com ele e simplesmente abrir a quadra do outro lado, na zona morta. E veja lá o seu aproveitamento na zona morta como saltou de qualidade do ano passado para este:

Deron WilliamsDeron Williams (1)

O segundo fato decisivo que fez Deron Williams melhorar é que sua relação com Rick Carlisle não é uma merda! Surpresa, né? Deron Williams teve boas brigas com Jerry Sloan no Utah Jazz e foi após uma delas, aliás, que o técnico decidiu que era hora de pendurar a prancheta. No Nets, discussões frequentes com Avery Johnson e relatos de que o armador “desistiu” do técnico certamente contribuíram na decisão de demitir o comandante. Os relatos de desentendimentos com Lionel Hollins nunca foram devidamente confirmados, não se sabe se são reais ou se o histórico de Deron Williams que pesou, mas não era uma relação de amor.

Do outro lado, Rick Carlisle é super metódico com seu ataque, tem fama de interferir na decisão dos armadores e já teve brigas pesadas por causa disso com Jason Kidd e Rajon Rondo. Com um deles tudo se acertou ao longo do tempo, com o outro vocês lembram bem o desastre que foi. Deron disse que não se incomoda com o técnico ditando ordens na beira da quadra, mas ajuda que Carlisle está mais quieto, pedindo para o time jogar um pouco mais solto, tomando decisões por conta própria.

Quando perguntado de sua relação com técnicos, o armador disse que se arrepende de muita coisa que fez na juventude e que a fama criada de “coach killer” pela mídia ajudou a fazê-lo perder um pouco do tesão em jogar. Às vezes é preciso uma mudança de ares para um jogador amadurecer e parece que esse pode ser o caso. Ninguém vai ficar surpreso se daqui uns meses algo dar errado, mas é um ótimo começo para dois caras com uma fama tão ruim.

Que fique claro que o “jogar bem” de Deron Williams não é colocá-lo de volta naquela discussão de melhores da NBA. Já passamos dessa fase de otimismo! Também não é esperar que repita toda semana essa atuação de 30 pontos contra o Blazers, mas é o melhor basquete dele nos últimos anos. Se as lesões não voltarem, só deve melhorar.

E não é só ele. Zaza Pachulia faz sua melhor temporada da NBA aos 31 anos de idade, seu 13º ano na liga, Raymond Felton tem feito a diferença em alguns momentos e Wes Matthews voltou de uma lesão devastadora em poucos meses. É muita coisa dando certo para um time que realmente não tinha margem para qualquer coisa dar errado. Quem diria que se passou só um mês de temporada e seríamos capazes de escrever um texto inteiro sobre o Dallas Mavericks sem citar DeAndre Jordan? Mark Cuban segue sua regra, o time pode não ser campeão, mas faz tudo o que for necessário para continuar relevante.

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

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