O novo dinheiro da NBA

Você é assinante do League Pass, a ferramenta que possibilita assistir todos os jogos da NBA? Comprou alguma camiseta de times da liga nos últimos anos? Teve a sorte de conseguir ir a alguns jogos em uma viagem aos EUA? Então parabéns, você está ajudando a bancar os 80 milhões de dólares que Reggie Jackson irá receber do Detroit Pistons nos próximos anos. Ou, para ser mais justo, você está ajudando o Pistons a sequer ter a opção de pagar tanto dinheiro pelo seu jovem armador.

Durante os últimos meses, mais especificamente nos primeiros 10 loucos dias de julho, times da NBA chocaram os fãs da liga oferecendo alguns dos contratos mais generosos dos últimos anos. Caras como Al Farouq Aminu, Cory Joseph (30 milhões por 4 anos; Blazers, Raptors), Danny Green (44 milhões por 4 anos, Spurs) e DeMarre Carroll (60 milhões por 4 anos, Raptos) receberam grana que há pouquíssimo tempo era reservada só para caras já consagrados e no auge de suas carreiras. Não demorou, claro, para muita gente descer o pau nas franquias e General Managers, dizendo que o mercado ficou louco e que vai ter muita gente arrependida daqui pouco tempo.

Times arrependidos vão ter, não tenho dúvida. É uma regra! Caras parecem bons, não se encaixam no time e novo e bum!, seu jogador mais caro está esquentando o banco, brigando com o técnico e você não consegue trocá-lo porque nenhum outro time quer pagar tão caro no rapaz. Mas o arrependimento vai ser por ter escolhido o jogador errado, nem tanto pelo dinheiro envolvido. O fato é que vivemos uma época de vacas gordas da grana da NBA e os próximos dois anos devem mudar a cara da liga de uma maneira jamais vista antes.

Para nossa sorte, o que acontece é muito mais simples de entender do que a nossa economia e existem muito menos especialistas nos jornais nos dizendo coisas contraditórias: antes entrava pouco dinheiro para os cofres da NBA, agora vai começar a entrar MUITO. Claro que esse “pouco dinheiro” só parece pouco agora, na prática eram muitos milhões que qualquer outra liga profissional do mundo sonharia em ter, mas, acredite, agora parece mixaria.

Embora seu League Pass e sua camiseta do Derrick Rose ajudem, na prática quem determina a atual mudança econômica na NBA é a televisão. O atual contrato assinado pela liga com as principais emissoras dos EUA davam à liga 930 milhões de dólares por temporada, o contrato que começa a valer a partir da temporada 2016/17 irá pagar, preparem-se, 2,7 BILHÕES de dólares por ano, em média. Méritos do comissário Adam Silver e sua equipe por ter conseguido negociar esse valor, mas do outro lado a ESPN/ABC e a TNT/CBS também não são bobas, se toparam pagar esse montante é porque estão vendo retorno. É simples, depois de quase uma década de baixa no pós-Jordan, as coisas começaram a ficar interessantes com LA Lakers x Boston Celtics na final, a ascensão de LeBron James, os times mais velozes, os novos ídolos, as equipes de superestrelas e as bolas de 3 pontos. Enfim, a NBA ficou mais popular.

[image style=”” name=”on” link=”” target=”off” caption=”Contribuição de Kevin Durant para a gloriosa página GenteApontando”]http://bolapresa.com.br/wp-content/uploads/2015/10/KD.jpg[/image]

A pergunta óbvia a ser feita ao se ver esses valores é: quem fica com todo esse dinheiro? É aí que temos que lembrar do traumático locaute de 2011, quando jogadores e donos de equipes não conseguiram entrar em acordo sobre a distribuição de dinheiro da liga e a temporada só foi começar em 25 de dezembro. Boa parte da briga se deu devido a divisão do BRI, o Basketball Related Income, que nada mais é do que o PIB da NBA: tudo o que a liga ganha de dinheiro em uma temporada. Antigamente os jogadores levavam 57% de tudo, no locaute os donos se fizeram de coitados, endureceram as negociações e conseguiram deixar a disputa em 50/50.

Então metade de todo o dinheiro ganho pela liga hoje em dia vai para os jogadores em forma de salário e possíveis bônus. Para se definir o teto salarial da NBA, portanto, é primeiro preciso saber o quanto a liga faturou. Sempre ao final de uma temporada, no último dia de Junho, os representantes da liga e da associação dos atletas se reúnem e, durante 10 dias, reveem todas as contas para descobrir o BRI e assim definir o teto salarial do próximo ano. Já deu pra entender, né? Essa conta que define o teto salarial terá um bônus de quase 2 bilhões de dólares de uma hora para a outra! A previsão atual é que o teto salarial irá pular dos 70 milhões de dólares desta temporada 2015/16 para incríveis 89 milhões no próximo ano. Seria o maior aumento de teto salarial desde que o limite pulou de 15 para 23 milhões entre as temporadas 93/94 e 94/95.

História do Salary Cap
2015-2016 $70,000,000
2014-2015 $63,065,000
2013-2014 $58,679,000
2012-2013 $58,044,000
2011-2012 $58,044,000
2010-2011 $58,044,000
2009-2010 $57,700,000
2008-2009 $58,680,000
2007-2008 $55,630,000
2006-2007 $53,135,000
2005-2006 $49,500,000
2004-2005 $43,870,000
2003-2004 $43,840,000
2002-2003 $40,271,000
2001-2002 $42,500,000
2000-2001 $35,500,000
1999-2000 $34,000,000
1998-1999 $30,000,000
1997-1998 $26,900,000
1996-1997 $24,363,000
1995-1996 $23,000,000
1994-1995 $15,964,000
1993-1994 $15,175,000
1992-1993 $14,000,000
1991-1992 $12,500,000
1990-1991 $11,871,000
1989-1990 $9,802,000
1988-1989 $7,232,000
1987-1988 $6,164,000
1986-1987 $4,945,000
1986-1987 $4,945,000
1985-1986 $4,233,000
1984-1985 $3,600,000

Para se ter uma ideia, o time que tem mais salário garantido para a próxima temporada é o Cleveland Cavaliers, com cerca de 71 milhões já comprometidos (antes de renovar com o Tristan Thompson, claro). Isso colocaria, provavelmente pela primeira vez na história, todos os times da liga abaixo do teto salarial e, portanto, com condições de contratar Free Agents. Dá facilmente para imaginar uma enorme parte dos times com chances de pagar o que será, no próximo ano, o salário máximo para boa parte dos jogadores, cerca de 22 milhões de dólares.

Alguns times mais inteligentes, ou ao menos com menos ambições a curto prazo, se planejaram para esse aumento e estarão com tudo. O Los Angeles Lakers, por exemplo, pode ter dado sorte com os próprios fracassos. Depois de falhar em conseguir contratar qualquer um dos grandes alvos que tentou nos últimos anos (Dwight Howard, LeBron James, Carmelo Anthony, LaMarcus Aldridge) pode ter a chance de oferecer dois ou até três dos contratos mais altos permitidos pela NBA de uma vez só. Lembrem que até pouco tempo atrás, times se matavam e faziam negócios absurdos para abrir espaço no teto salarial para conseguir oferecer um desses contratos e chamar uma grande estrela. Além do Lakers, também Blazers, Magic, Jazz e até o Knicks devem estar em ótima situação para pagar quem quiser receber. No mesmo ano nada mais nada menos do que Kevin Durant, Dwight Howard, Andre Drummond, Al Horford, Mike Conley, DeMar DeRozan e Bradley Beal estarão disponíveis. Imagina o que passa na cabeça desses jogadores, que geralmente têm 3 ou 4 opções de times para ir e de repente podem escolher entre toda a NBA. Vai ter jogador draftando time, não o contrário.

Como disse no começo, apenas a perspectiva do aumento do teto salarial já está mudando a cara da NBA. Praticamente todos os contratos assinados nos últimos meses foram feitos com esse salto do limite de pagamentos em mente. Os times não tiveram dó de pagar alto para segurar os caras que queriam porque isso não engessava suas contas; os jogadores e seus agentes iam para as negociações sabendo que podiam cobrar o triplo do que pediriam há um ano.

Existem perdedores nessa bonança? Sem dúvida. O primeiro e mais claro é o Oklahoma City Thunder. Primeiro que há pouco tempo eles trocaram James Harden só porque não conseguiriam renovar com ele, Serge Ibaka e ainda manter Durant e Russell Westbrook no elenco sem pagar todas as salgadíssimas multas de ultrapassar o teto salarial. Se soubessem que o teto iria subir tanto assim, poderiam ter segurado Harden por mais tempo e aceitado as multas por uma ou duas temporadas pensando a longo prazo. O Thunder perde de novo ao ver o salto do limite surgir bem quando Durant será Free Agent. Eles tem um ano para mostrar para seu melhor jogador que são a melhor opção para ele, e seus adversários são todos os outros 29 times da NBA. Praticamente não haverá uma equipe sequer que não possa oferecer um contrato monstruoso para Durant. Mesmo os que não tem o número hoje, podem facilmente fazer uma ou duas trocas para abrir esse espaço sem muita dor de cabeça. Esse ano eram uns 5 times brigando por Aldridge e já pareceu muita coisa.

Quem também perde nessa brincadeira são todos os novatos da liga. Quando um jogador entra na liga ele já tem um salário definido baseado na posição em que foi escolhido no Draft, é o chamado Rookie Scale. O problema é que essa escala salarial já foi previamente definida até a temporada 2020-21 e não está relacionada ao teto salarial, então mesmo que ele dispare daqui um ano, os novatos vão ganhar a mesma coisa. Esse ano Karl-Anthony Towns irá receber 4,7 milhões de dólares por ter sido a primeira escolha do Draft, isso equivale a 6,7% do teto salarial dessa temporada. A primeira escolha do ano que vem irá receber 4,9 milhões, apenas cerca de 5,4% do teto salarial previsto. E isso vai piorar nos anos seguintes, quando o dinheiro pago pela TV vai aumentar aos poucos e empurrar o teto salarial ainda mais para cima.

Quem também pode perder um pouco com isso tudo é a gente, que só quer ver um basquetinho maroto no fim da noite. Isso porque ao fim da próxima temporada acaba o atual contrato entre jogadores e donos de equipes, e é muito possível, até provável, que as negociações demorem e possam render mais um locaute que paralise a NBA. Eu apostaria que a paralisação, se acontecer, não será muito longa e não atinja a temporada regular. Isso porque tem muita grana envolvida e nenhum dos lados vai querer perder o embalo. Vai saber se uma briga longa não mancha a imagem da liga ou faça a TV rever seus futuros pagamentos, não é?

Sei que alguma briga vai acontecer porque os jogadores não esquecem as discussões de 2011. Na ocasião os donos foram bem pesados e estavam cravando que não ganhavam dinheiro e que se a divisão do BRI não chegasse a 50/50, não teriam negócio. Os jogadores acabaram cedendo, acreditaram no papo e pouco tempo depois o dinheiro começou a aparecer. Quando o Milwuakee Bucks, a franquia menos valiosa da NBA segundo a Forbes, foi vendido por 550 milhões de dólares todo mundo arregalou os olhos. É isso que a menos valiosa está rendendo? E tudo veio abaixo quando Steve Ballmer pagou 2 BILHÕES de doletas pelo Los Angeles Clippers. O que os jogadores, com razão, perguntavam é por que tinha gente pagando bilhões por um negócio que supostamente não conseguia dar lucros. Então esperem os donos pedindo para ficar tudo como está, e os jogadores querendo voltar a ter mais da metade do dinheiro gerado pela liga.

[image style=”wide” name=”on” link=”” target=”off” caption=”Khris Middleton finalmente tem um salário condizente com seu sobrenome de princesa”]http://bolapresa.com.br/wp-content/uploads/2015/10/Khris.jpg[/image]

Embora a gente esteja aqui fazendo previsões para o futuro, temos que entender que as coisas mudam muito rápido e podem nos pegar de surpresa. Uma aconteceu já nessa offseason, e mostra muito sobre como pensam agentes e especialmente jogadores.

Como todos sabem que o teto salarial irá mudar na próxima temporada, era esperado que uma quantidade enorme de jogadores assinasse contratos de apenas um ano, para poder participar da Grande Gastança de Grana (GGG) de 2016. Acontece que muita gente pensou bem, lembrou que lesões no joelho acontecem, que podem jogar mal e decidiram abrir mão disso e só garantir seu dinheirinho a longo prazo. Foram ao menos 13 contratos de 5 anos assinados, incluindo gente do calibre de Jimmy Butler e Kawhi Leonard, que são jovens e facilmente poderiam ganhar menos esse ano só para fazer a festa depois. Ambos preferiram o caminho mais seguro e possivelmente menos lucrativo. A escolha de outros jogadores é mais compreensível, mas também surpreendente. Goran Dragic está chegando aos 30 anos e esperar um ano para um novo contrato poderia fazer seu valor cair, Khris Middleton e DeMarre Carroll, meros desconhecidos no começo do ano passado, resolveram aproveitar o momento de alta no mercado. Draymond Green, escolha de segunda rodada há alguns anos, resolveu que não queria esperar ainda mais para começar finalmente a ganhar dinheiro-nível-NBA.

O cenário para os próximos anos é esse: jogadores querendo uma fatia maior do dinheiro enquanto categoria, mas com medo de perder sua fatia individual. Times querendo lucrar, e com mais dinheiro do que nunca para montar o time perfeito. E quem montará o time dos sonhos quando todos forem capazes de oferecer o máximo? É o cenário que Los Angeles Lakers e New York Knicks sonham há algum tempo, resta saber se serão competentes para aproveitar.

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

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