Resumo da Rodada 12/5 – O maior arremesso da história do Canadá

Após a vitória do Golden State Warriors sobre o Houston Rockets na sexta-feira, o domingo teve APENAS dois Jogos 7. Um domingão com três decisões teria sido fora de série, mas fico feliz que foram só duas, não sei se meu coração ou sequer minha sanidade mental dariam conta de mais uma partida como as que vimos ontem. Vocês já devem ter visto a essa altura, mas é bom reforçar para ter noção do absurdo: dois Jogos 7 de semifinal de Conferência chegaram nos últimos SEGUNDOS completamente abertos. Que dia!

Comecemos pelo Leste, onde o Toronto Raptors venceu o Philadelphia 76ers por 92 a 90 com direito ao PRIMEIRO arremesso de último segundo a decidir uma partida na HISTÓRIA dos Jogos 7 da NBA! Já tivemos chutes decisivos para desempate ou virada nos instantes finais, mas com o cronômetro estourando com a bola no ar foi a primeira vez. O lance ainda teve requintes de crueldade ao bater no aro, na tabela e mais QUATRO vezes no aro antes de morrer dentro da cesta:

Se fosse em filme de Sessão da Tarde, as trocentas batidas no aro para encerrar um Jogo 7 no último segundo iria parecer algo forçado e exagerado. Já não basta de emoção todo o contexto? Precisa desse toque dramático a mais? Os DEUSES DO BASQUETE acharam que sim.

O simbolismo dessa bola é algo de outro mundo. O Toronto Raptors é uma franquia que ao longo dos seus 20 e poucos anos de vida nunca teve grandes momentos nos Playoffs e ficou mais conhecida pelos quases, pelas decepções e pelos grandes jogadores que imploraram para sair do que qualquer outra coisa. A troca de DeMar DeRozan por Kawhi Leonard foi chocante porque o time estava enviando o primeiro All-Star da história do time que realmente pediu para FICAR, não para sair. Depois de Tracy McGrady, Vince Carter e Chris Bosh abandonarem o barco depois de pouco tempo, DeRozan se comprometeu a ficar a longo prazo.

Embora chocante, a troca fazia sentido. Quando saudável, Kawhi Leonard era um dos melhores jogadores do planeta, alguém de um nível que nem as estrelas citadas acima chegaram a ter nos seus anos Canadá. Sem saber se o ala irá decidir ir embora após essa temporada, a última de seu contrato, o Raptors topou a empreitada para ao menos uma vez saber que tem o melhor jogador do seu lado e quem sabe assim criar memórias melhores nos Playoffs. Foi exatamente o que aconteceu neste domingo.

Em 2001, os mesmos Sixers e Raptors se enfrentaram também em uma segunda rodada de Playoffs. Assim como Kawhi e Joel Embiid trocaram atuações mágicas, Vince Carter e Allen Iverson duelaram partida a partida até chegarem a um Jogo 7. O Raptors, como ontem, também teve um arremesso do canto da quadra para vencer a partida no último segundo, mas a bola de  Carter bateu no aro e foi para fora. Aquele era para ter sido o melhor momento da história do Raptors nas mãos do jogador mais icônico e talentoso que já havia vestido aquele uniforme, mas não foi:

Nunca duvidamos da qualidade dos times do Toronto Raptors ao longo desta década, da maneira que constroem seus times ou da qualidade dos técnicos que passaram por lá. A impressão é só de que nunca era o bastante: mudanças eram feitas, do estilo de jogo ao elenco, e eles continuavam caindo de rendimento nos grandes momentos e perdendo inexplicáveis Jogos 1 em casa. Ver, portanto, Kawhi jogando tão bem e ainda tendo um GOLPE DE SORTE tão majestoso no arremesso final é como se o Raptors tivesse, finalmente, alcançado outro nível. Talvez só por este ano, mas a memória desse arremesso vai durar para sempre.

Como é comum em séries tão longas, não vimos surpresas táticas em nenhum dos lados. Todos já sabiam o que experimentar e era hora de colocar em prática: Joel Embiid marcou Pascal Siakam para tirá-lo do jogo e para ficar mais à vontade ao deixá-lo livre na linha dos 3 pontos, coisa que ele não pode fazer com Marc Gasol. Ben Simmons marcou Kawhi Leonard e o ataque foi muito baseado em Jimmy Butler e seus pick-and-rolls ao invés da intensa movimentação de bola tradicional ao time de Brett Brown.

Pelo lado do Raptors, o banco foi reduzido a Serge Ibaka, 15 minutinhos de Fred Van Vleet e SÓ. A defesa dobrou a marcação sobre Embiid sem qualquer receio até quando o pivô nem estava tão perto da cesta e o ataque foi basicamente apenas Kawhi Leonard, que arremessou TRINTA E NOVE vezes ao longo da partida! Em toda a história dos Playoffs apenas 27 vezes um jogador arremessou tantas vezes e neste século só havia acontecido SEIS vezes, duas com Allen Iverson, três com Russell Westbrook e uma com CJ McCollum no jogo de QUATRO PRORROGAÇÕES da semana passada.

Como a maioria dos Jogos 7, os  times começaram muito nervosos e os arremessos estavam desastrosos, como o placar de 18 a 13 do primeiro período dedura. Mas ao longo do jogo parece que os dois times pegaram o jeito da coisa e foi legal ver nos minutos finais uma sequência em que Kawhi Leonard, Jimmy Butler, Kyle Lowry e Joel Embiid acertaram arremessos decisivos um após o outro. Jogo emocionante bom é o com acertos para os dois lados, não bobagens.

O final não foi a prova de erros, porém. Butler errou um lance-livre importantíssimo a 59 segundos do fim quando o Sixers perdia por três pontos. Só foi compensado porque alguns segundos depois foi a vez de Kawhi errar um lance-livre e dar a chance do próprio Butler puxar um contra-ataque e fazer a bandeja sobre Serge Ibaka que empatou o jogo a quatro segundos do fim.

Depois do jogo Marc Gasol teve uma das cenas mais bonitas da temporada ao interromper a comemoração de um dos arremessos mais espetaculares da história da NBA para abraçar e consolar o rival Embiid, que estava chorando copiosamente em quadra:

Para alguns pode ser bobo chorar por causa de um jogo, mas a questão é mais profunda. Não só esses caras dedicam a vida deles a isso, como é essencial que eles se importem assim. Nada é mais frustrante para um torcedor ver que os atletas em quadra não dão ao jogo a mesma importância que nós aqui de fora damos. Embiid mostrou que se importa, que quer vencer, e assim ele valida os nossos sentimentos aqui fora de angústia e alegria enquanto aquela bola batia no aro mil vezes.

A frustração do pivô deve vir também do fato de que ele jogou bem demais e mesmo assim não foi o bastante. Veja os números  ASSUSTADORES de saldo de pontos de Embiid nessa série:

Nos últimos quatro jogos Embiid passou 44 minutos no banco e nesse tempo o Sixers sofreu OITENTA E QUATRO pontos a mais do que marcou. No jogo de ontem o Sixers venceu por 10 pontos nos 45 minutos que ele passou em quadra e perdeu por DOZE nos TRÊS MINUTOS em que ele parou para respirar.

Outro fator importante para a vitória do Raptors foram os rebotes de ataque. Embiid saiu muito mais do que gostaria do garrafão ontem para poder dobrar a marcação sobre Kawhi, como fez até na última posse de bola, e com isso ficou mal posicionado para os rebotes. O Raptors pegou nada menos que DEZESSEIS rebotes de ataque. No fim das contas o Raptors tentou 89 arremessos na partida contra apenas 65 do Sixers. Eles compensaram um pouco diferença batendo 11 lances-livres a mais, mas mesmo assim o Raptors venceu essa pela quantidade: dois pontos a mais no jogo mesmo acertando 5 pontos percentuais a menos nos arremessos gerais e 10 pontos a menos nas bolas de 3 pontos.

Nem vou dizer que foi tudo por detalhes porque isso já está óbvio: uma série de sete jogos decidida no último segundo da última partida já mostra que qualquer equipe poderia ter vencido. Jimmy Butler, Tobias Harris e Kawhi Leonard são Free Agents e podem trocar de time ao fim da temporada, mas eu não ligaria de uma revanche no ano que vem.


No Oeste, o Jogo 7 teve um ar de reprise: como na primeira rodada, quando o Denver Nuggets venceu o San Antonio Spurs em um decisivo Jogo 7 em casa, aqui estávamos de novo vendo um duelo feio, brigado e com os dois times errando muito mais do que acertando. Como o time de Gregg Popovich na primeira fase, o Portland Trail Blazers também RALOU para marcar qualquer cestinha na primeira etapa da partida. Ao invés de marcar patéticos 13 pontos, o Blazers marcou 17. Ufa!

Naquela ocasião o Nuggets abriu uma boa vantagem e viu ela cair no final, mesma receita deste domingo. A diferença? O Spurs não teve um CJ McCollum (37 pontos) para acertar arremessos toda santa vez que seu time precisou de uma cesta no final, incluindo a 11 segundos do fim, quando ele passou por boa defesa de Torrey Craig para colocar seu time três pontos na frente. No pedido de tempo ele pediu para o time não rodar jogada nenhuma, só colocar a bola na sua mão e abrir caminho. Tá aí o resultado:

Para o Nuggets foi triste ver outra coincidência com aquele dramático Jogo 7 da primeira rodada: o time só acertou DUAS bolas de 3 pontos naquela ocasião e de novo só acertou DUAS ontem. O aproveitamento, porém, melhorou: 2/20 antes, 2/19 agora. Uhu! É ridículo simplificar o basquete a apenas acertar ou errar arremessos, mas o Nuggets teve muito disso nestes Playoffs. O time é tão bom nas movimentações sem a bola e consegue criar situações tão boas por causa dos passes e da ameaça que é Nikola Jokic no garrafão que os arremessos bons parecem sempre estar lá. Basta acertá-los…

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O curioso foi ver que os arremessos não caíram em NENHUM momento da partida. Nem no primeiro quarto de defesa avassaladora, nem quando o jogo parecia sob controle no segundo quarto, quando abriram 17 pontos de vantagem, nem no final, quando o Blazers estava dando arremessos de graça só para não precisar enfrentar Nikola Jokic no garrafão. Eu jurava que bastaria o Nuggets abrir uma boa frente que os arremessos iriam cair só pela tranquilidade, mas não foi o caso.

A partida foi o paraíso dos heróis improváveis e desgraça para boa parte das estrelas. De um lado Jamal Murray acertou só 4 dos 18 arremessos que tentou, mas recebeu grande ajuda de Gary Harris, que DOMINOU o primeiro período do jogo e marcou 15 pontos. Pelo Blazers, Damian Lillard sofreu acertando só TRÊS dos DEZESSETE arremessos que chutou na partida, mas contou com a ajuda muito inesperada de Evan Turner, que marcou 14 pontos depois de só ter marcado apenas SETE, repito, SETE em todos os Playoffs até agora. Dois deles ainda foram os lances-livres finais que mataram o jogo após o arremesso vencedor de McCollum.

Enquanto os times do Leste usaram praticamente só dois reservas, no Oeste vimos os técnicos apostando em todo mundo para ver se alguém parecia inspirado. Com Moe Harkless fazendo cinco faltas em 15 minutos, o técnico Terry Stotts voltou a dar mais chances a Rodney Hood, que sofreu uma lesão no joelho no segundo tempo e os minutos caíram no colo de Turner. Até chegamos a ver Meyers Leonard em quadra numa tentativa desesperada de acabar com a seca no primeiro tempo!

Mas além de Turner, o outro herói do Blazers foi Zach Collins. Com o Nuggets atacando mais a cesta para compensar a falta de pontaria, o time precisava defender bem o garrafão e garantir rebotes. Collins deu nada menos que QUATRO TOCOS e atrapalhou outros tantos com sua presença. Ele entrou tão bem que foi um dos motivos para que Al-Farouq Aminu ter atuado apenas sete minutos no maior jogo da temporada. Apesar de ser importante para o time, Aminu falhou na defesa de Millsap e Jokic ao longo de toda a série, não à toa Millsap começou bem o jogo e esfriou depois que não tinha mais o matchup dos sonhos na sua frente.

Ser um dos poucos times a perder um Jogo 7 em casa nunca é bom, mas o Nuggets deixa essa temporada sabendo de seu potencial e de seus defeitos. O time é muito jovem, disputa seu primeiro Playoff com essa formação e foi engolido pelo emocional durante diversas partidas das duas séries. O time até soube responder bem nos jogos grandes (ganhou em San Antonio e Portland, fora de casa, quando perdia as séries de 2 a 1!), mas nos dois Jogo 7 o time não conseguiu mostrar sua melhor versão.

 

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

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