Resumo da Rodada 1/5 – Blazers vence o duelo dos erros

Quem assistiu o Jogo 1 entre Denver Nuggets e Portland Trail Blazers deve ter estranhado muito o Jogo 2: é a mesma série? São os mesmos times? Cadê aquela enxurrada ofensiva que vimos especialmente no primeiro tempo da partida passada? Dessa vez nada disso, as defesas assumiram protagonismos, grandes secas ditaram o ritmo do jogo e alguns ajustes defensivos tiraram dessa segunda partida aquele ritmo alucinante de poucos dias atrás.

Foi uma boa notícia para o Blazers, que lidou melhor com os ataques estagnados e conseguiu roubar uma partida fora de casa. Vitória pelo placar digno da década passada de 97 a 90 e série empatada no Oeste.

O principal objetivo do Blazers na defesa era acabar com o passeio que foi o pick-and-roll entre Jamal Murray e Nikola Jokic no jogo anterior. Para isso eles resolveram chamar sempre um terceiro jogador para cortar o caminho livre que o pivô tinha para receber a bola e finalizar. Vejam no lance abaixo como Seth Curry deixa seu jogador livre na zona morta (um risco) para impedir que Jokic ficasse sozinho e que Zach Collins, responsável pela defesa do pivô adversário, tivesse tempo de se recuperar:

Curiosamente foi exatamente a mesma coisa que Nuggets fez para impedir que Enes Kanter continuasse recebendo passes fáceis nas costas de Jokic toda vez que ele executasse um pick-and-roll com Damian Lillard. Se deixar Lillard livre não é uma opção e Jokic é lento, que venha a ajuda de um terceiro jogador, mesmo que isso signifique alguém livre na zona morta:

É importante falar dessa decisão defensiva dos dois times para deixar claro que os arremessos de três pontos estavam lá para serem aproveitados pelos dois times. O Nuggets começou até bem, acertando 4 dos 10 primeiros arremessos de longe tentados no primeiro quarto, mas daí até o fim do jogo só fizeram mais DOIS chutes em 19 tentativas. Lembra muito a série de Playoff passada contra o Spurs, onde em alguns jogos o Nuggets simplesmente não conseguia colocar a bola na cesta. O problema é que o Blazers também não foi tão melhor assim, acertando 9 bolas de longa distância em 29 arremessos. Pouca diferença, mas essencial num jogo de placar baixo e decidido por pouco.

shotchart

Mais vermelho que esse gráfico dos arremessos do Nuggets só o uniforme do Blazers mesmo. Outro ajuste interessante do Blazers para esse segundo jogo foi tentar usar mais o tamanho dos seus jogadores para conseguir cestas de maneiras bem pouco tradicionais para eles. Eu não lembro da última vez que o Moe Harkless se enfiou no garrafão, jogou de costas para a cesta e virou para uma enterrada, mas foi o que ele fez quando se viu marcado pelo Jamal Murray. Já o Al-Farouq Aminu conseguiu dessa vez não ser engolido pelo Paul Millsap na defesa e ainda deu o troco com seus próprios lances de costas para a cesta no ataque.

O Blazers investiu no jogo de pivô até quando não havia a vantagem de tamanho: várias vezes jogaram a bola para Enes Kanter para ele atacar Nikola Jokic no mano-a-mano. Uma maneira de explorar a lentidão do pivô rival, de o desgastar fisicamente (seu cansaço está ficando evidente todo jogo!) e de arrancar algumas faltas. Deu meio certo: Kanter só fez uma cesta em confronto direto, mas Jokic acabou a partida com 5 faltas, pareceu cansado e teve que sentar em alguns momentos para não correr o risco de se complicar ainda mais.

Foi um plano de jogo inteligente e que resultou em vitória, mas que isso não esconda que Damian Lillard e CJ McCollum estavam longe dos seus melhores dias. Eles chamaram a responsabilidade, deram bons passes e fizeram seus pontinhos, mas somaram só 34 pontos (20 de McCollum, 14 de Lillard) em 13/37 arremessos. Nada brilhante e longe do padrão de excelência que eles mesmo estabeleceram ao longo da série contra o OKC Thunder.

Após a partida o técnico Mike Malone, do Nuggets, disse que o time precisava ter respondido de outra forma aos inúmeros arremessos de longe que não caíam mesmo sem marcação: “Se você não está acertando arremessos, ataque a cesta, chegue perto do aro, consiga faltas. Entendo que eles queiram dar arremessos quando estão livres, mas se não é sua noite você precisa atacar a  cesta”. Jamal Murray ainda completou dizendo que o time precisa aprender a mudar mais cedo, a saber quando é dia de insistir nos arremessos e quando é hora de mudar o plano de jogo. Ontem eles só mudaram de atitude só quando o Blazers já tinha 16 pontos de vantagem.

O mais óbvio nessa situação é buscar Jokic perto da cesta para que ele tente pontuar sobre Kanter, mas o Blazers também veio preparado para isso. Toda vez que Jokic demorava um pouco mais no seu ataque, alguém chegava para a dobra na marcação. A preferência era por deixar Torrey Craig, conhecido mais por sua defesa do que pelo arremesso, livre e obrigar o pivô a soltar a bola. O plano deu certo por dois motivos: (1) Como dissemos, ninguém no Nuggets acertou arremessos e (2) Quando o Jokic foi GÊNIO na hora de se livrar da marcação dupla, Millsap mostrou ter passado manteiga na mão antes de jogar:

Neste outro lance o Blazers consegue evitar a troca de marcação, dobrar sobre Jokic e ainda evita que a bola chegue até quem ficou livre. Excelente defesa:

Não sei explicar a razão do Nuggets não ter aproveitado nenhuma das chances que teve, mas posso afirmar que vontade não faltou. No último quarto, com o Blazers vencendo por mais de 10 pontos de frente e todo o elenco mais frio que Winterfell na madrugada, o time resolveu que se não fosse na técnica, iria na VONTADE.

Ao longo da partida o Nuggets pegou nada menos que 23 rebotes de ataque! Um número por si só impressionante, mas que fica mais assustador ao percebermos que QUATORZE deles foram apanhados no último quarto da partida. Para se ter uma ideia, o OKC Thunder liderou a NBA inteira com 12.3 rebotes ofensivos por JOGO. O Nuggets pegou mais que isso em um período e ainda perdeu a partida. A pontaria estava tão fraca que os rebotes ofensivos só significavam mais erros para virar mais rebotes em um looping infinito de muita RAÇA e pouca pontaria.

O Blazers tirou boas lições dessa partida, especialmente em como atacar Jokic com Kanter e nos pick-and-rolls e em como dobrar a marcação sobre ele e evitar que ele deite e role como no Jogo 1. O desafio dos jogos em Portland será saber ajustar isso caso o Nuggets volte a acertar arremessos de 3 pontos. Eles não são consistentes, mas o San Antonio Spurs sabe bem que de vez em quando eles caem e destroem partidas. O Nuggets por sua precisa ir para o Jogo 3 com alguma confiança para voltar a acertar os arremessos e com uma palavra de segurança: algo para gritar e salvar o time de si mesmo quando não conseguem fazer uma cesta por nada nesse mundo.

Outra coisa importante para o próximo jogo são lesões e possíveis desfalques: Torrey Craig tomou uma senhora COTOVELADA de Zach Collins, sangrou loucamente em quadra e quebrou o nariz. Ele voltou para o jogo com uma máscara, mas estava claramente incomodado. Por sorte um raio-x feito ainda com a partida em andamento mostrou que ele não quebrou outros ossos do rosto:

E Moe Harkless torceu o tornozelo e não voltou ao jogo de ontem. Sorte do Blazers que Rodney Hood entrou bem, mas seria uma perda importante para a rotação do time no restante da série.

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

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