Resumo da Rodada 15/5 – Aquele jogo do Brook Lopez

Começou a decisão da Conferência Leste e, ao contrário do que vemos no Oeste, não há um favorito. No Jogo 1, o Milwaukee Bucks recebeu o Toronto Raptors em casa e escapou com uma vitória de 108 a 100, placar que não reflete a luta que foi a partida. O Raptors liderou por ao menos 40 dos 48 minutos e deixou a vitória escapar nos instantes finais: o jogo estava empatado em 98 a 98 faltando quatro minutos, e a partir daí o Bucks fez um 10 a 2 que definiu a partida.

Há uma eterna discussão na NBA em todo o começo de série que ainda não tem resposta pronta. O Raptors estaria prejudicado pelo cansaço de ter acabado de disputar uma série de SETE jogos contra o Philadelphia 76ers, com os titulares jogando mais de 45 minutos por jogo até o domingo à noite? Ou o Bucks seria o prejudicado pela falta de ritmo de jogo por não pisar numa quadra para um jogo intenso de Playoff há exatos sete dias? Tudo isso influencia, é claro, só é difícil medir o quanto alterou o placar.

É bom deixar isso claro para lembrar que não há consenso nem entre jogadores e técnicos ou sequer nos números para determinar se o ideal é descansar mais ou manter o embalo. O que sabemos é que o jogo desta quarta-feira se encaixou perfeitamente no que o senso comum indicaria: o Toronto Raptors começou o jogo muito melhor (depois de três minutos desatentos, vale registrar) e DOMINOU o primeiro quarto com 34 pontos e 11 de frente. Por outro lado, foi o descansado Bucks  que atropelou no último período, quando o Raptors desmanchou e Kawhi Leonard, talvez a força mais imparável destes Playoffs, marcou apenas dois pontinhos de lance-livre e mais nada. Na entrevista pós-jogo o ala até indicou, do jeito machão da NBA, claro, o que tinha acontecido. Ao ser perguntado sobre o cansaço, disse só que “isso não pode ser uma desculpa”. Claro, claro.

No último período o Raptors só acertou SEIS dos VINTE E UM arremessos tentados. Cinco dos acertos vieram das mãos quentíssimas de Kyle Lowry, o outro foi uma cesta de Siakam. Só. E chances não faltaram…

Uma das nossas curiosidades para essa série era a questão dos matchups na defesa. Quem iria marcar quem? Descobrimos logo e o plano não mudou muito ao longo da partida. Giannis Antetokounmpo e Pascal Siakam marcaram um ao outro, enquanto Khris Middleton e Kawhi Leonard também se duelaram dos dois lados da quadra, com Malcom Brogdon assumindo o desafio em alguns momentos.

Em termos de estratégia defensiva, poucas novidades em relação ao que vimos desses times ao longo da temporada ou mesmo das últimas séries. Ver o Raptors entupir o garrafão de pessoas para evitar as infiltrações de Giannis não foi tão diferente do que vimos eles tentarem contra Ben Simmons e especialmente Joel Embiid. A diferença é que o Bucks tem muito mais arremessadores de longa distância que o Sixers. Foi um preço que o Raptors pareceu disposto a pagar e pelo qual até se safaram: o Bucks acertou só 11 das 44 bolas de 3 que tentaram. Sem contar as vezes em que todos fecham no garrafão tão rápido que Giannis sequer consegue achar o passe. Vejam no lance abaixo como, de repente, o garrafão só tem o grego e CINCO jogadores do Raptors:

O Bucks também cedeu muitos arremessos de longa distância para o Raptors, boa parte deles sem qualquer marcação. Estranhamente isso é parte do plano de um time em 2019. No ano em que mais se chutou de longa distância na história da NBA, o Bucks foi ao mesmo tempo o time que mais deixou os rivais chutarem de longe e também A MELHOR DEFESA da liga. O segredo está em não deixar o adversário fazer bandejas, enterrar e nem bater lances-livres. A parte dos lances-livres nem deu tão certo, com o Raptors cobrando 20 no jogo, apenas dois a menos que a média deles, mas vejam como o Raptors arremessou pouco e MUITO MAL de perto da cesta no jogo de ontem:

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Após o jogo, Giannis reforçou em entrevista que o plano era fazer Kawhi atacar sozinho contra cinco defensores. Se isso significar deixar alguém livre de longe, que seja. E não acontecia só com o cestinha do Raptors, mas com quase todo mundo. No lance abaixo veja como Giannis prefere evitar o ataque de Siakam sobre o baixinho Eric Bledsoe do que marcar Kyle Lowry na linha dos 3 pontos. Em outro momento, dessa vez para evitar um ataque de Serge Ibaka sobre George Hill, Giannis deixa Fred Van Vleet com espaço de sobra. Às vezes dá certo, às vezes dá errado, mas é preciso acreditar no plano:

Nesse dia em especial, porém, ceder as bolas de 3 para Lowry pareceu uma péssima ideia. Ele acertou 7 das 9 bolas que tentou, marcou 30 pontos e fez sua melhor partida nestes Playoffs. Ele defendeu bem, deu bons passes, se jogou para salvar bola que iria para fora, tudo o que tinha direito. É cruel que o Raptors perca um jogo importante justo quando Lowry poderia ser o herói da noite, algo para apagar um pouco seu histórico de pontuação baixa e atuações discretas nos Playoffs. Ele é bom nesse nível, faltava repetir nesse estágio. Ele conseguiu, que fique guardado na nossa memória mesmo que a vitória não tenha vindo junto.

Durante boa parte da partida parecia mesmo que a história do jogo seria essa: vitória do Raptors em um Jogo 1 fora de casa nas costas de Kyle Lowry. Depois de assumir a ponta nos primeiro minutos, o time canadense ficou na frente até o miolo do último quarto. Toda vez que o Bucks cortava a diferença para um ou dois pontos, o Raptors tinha uma resposta. E o fizeram de maneira coletiva, não só montando em Kawhi ou no dia quente de Lowry. Siakam foi ativo e atacou bastante (embora o aproveitamento tenha sido fraco, só 6/20 arremessos), Marc Gasol arremessou quando ficou livre e até Norman Powell e Van Vleet somaram mais que ZERO pontos, uma evolução se lembrarmos dos últimos jogos.

Mas eventualmente os avanços do Bucks deram resultado. E aqui temos um herói realmente improvável: Brook Lopez foi o cestinha do time com 29 pontos, além de 11 rebotes (4 de ataque) e 4 tocos. Ele esteve envolvido em todos os bons momentos do time no jogo. Todas as vezes que cortaram a diferença de 10 ou 12 para 2 pontos e também foi peça chave no avanço final que colocou o time na frente no último quarto.

Como mostra o vídeo acima, é legal ver como Lopez ajudou de todas as maneiras possíveis. Ele infiltrou de maneira desengonçada, recebeu a bola no garrafão, matou bolas de longa distância e transformou quase todos seus quatro rebotes de ataque em pontos imediatos. Não foi só o arremessador que foi ao longo da temporada, deu um jeito de pontuar mesmo quando o seu arremesso o do resto do time não estava caindo de longa distância. Quando eles finalmente entraram no último quarto, aí o Bucks resolveu a partida. Também mérito para seus QUATRO tocos, essenciais naquele número que citamos acima de defesa do garrafão por parte do time do técnico Mike Budenholzer.

Falamos muito de ceder ou não arremessos de longe, mas outros números ajudaram a decidiram o jogo: o Bucks pegou QUINZE rebotes de ataque contra só oito do Raptors, rendendo uma vantagem de 24 a 13 em pontos de segunda chance. Nos contra-ataques a vantagem também foi gritante, 25 a 15. Esse último dado é extremamente valioso porque os dois times pareceram sofrer muito com a defesa rival nessa partida, os melhores arremessos SEMPRE saiam de contra-ataques diretos ou do que chamamos de “semi transição, que é quando a defesa até volta, mas não tem tempo de se estabelecer de verdade. Dou como exemplo o arremesso que praticamente decidiu o jogo, uma infiltração de Giannis que atrai todo o time do Raptors para o garrafão e deixa Brook Lopez livre na linha dos 3 pontos:

Na posse de bola imediatamente anterior a essa, Khris Middleton roubou a bola de Danny Green e deu um passe simples para Lopez enterrar em um contra-ataque de 2-contra-1. Foi um bom desafogo para compensar as duas posses de bola anteriores que tinham sido infiltrações forçadas na marra de Giannis, afogadas pela boa defesa de meia quadra do Raptors. Em uma delas ele até conseguiu lances-livres, mas na outra só errou mesmo.

Depois disso o Bucks ainda cometeu um turnover no ataque com Giannis e se salvou com uma falta de Marc Gasol sobre Eric Bledsoe quando o relógio de 24 segundos parecia que ia acabar. Ou seja, até na sequência de 10 a 2 em que o Bucks venceu a partida o ataque de meia quadra sofreu. O que venceu o jogo mesmo foi o jogo de transição e, claro, a DEFESA. O Raptors não PISOU no garrafão nas últimas posses de bola e todos os arremessos morreram no bico do aro.

Tem sido uma constante ao longo da temporada: Giannis não teve um jogo histórico, praticamente o time inteiro não arremessou bem de longa distância e mesmo assim o Bucks VENCE. Defesa, contra-ataques, rebotes e um banco profundo salvaram o time mais uma vez. Vai ser difícil parar essa equipe.

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

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