Resumo da Rodada 21/4 – Visitantes vencedores

Os jogos do fim de semana tiveram um tema em comum: os times da casa perderam. Todas as OITO PARTIDAS disputadas no sábado e no domingo foram vencida pelos visitantes. Claro que muito disso tem a ver com o fato dos times estarem disputando os Jogos 3 e 4 das séries, que são sempre na casa do time pior colocado na temporada regular, mas mesmo assim o fato impressiona. Vamos tentar entender como os visitantes vencedores chegaram lá?

O domingão de Páscoa começou com uma varrida. O Boston Celtics fechou a série contra o Indiana Pacers por 4 a 0 mesmo depois do time da casa lutar muito para ao menos não ser eliminado em casa e sem uma vitória sequer. Disciplina e garra nunca foram um problema de um dos elencos que mais se superou na temporada, faltou talento mesmo.

Ao contrário do que aconteceu nas outras três partidas da série, o Pacers não teve nenhum apagão drástico num período inteiro, mas a dificuldade de colocar a bola na cesta no fim do jogo custou caro. O time da casa chegou a ter a vantagem de 82 a 81 no placar com 6:45 restantes no último quarto, quando Cory Joseph fez uma falta flagrante em Jayson Tatum. O ala empatou e virou o jogo nos lances-livres e a partir daí o Celtics não olhou mais para trás: em TRÊS MINUTOS a vantagem pulou 11 pontos, 98 a 87. Aí foi só cozinhar o placar.

Olhando só os números do jogo é difícil explicar como o Celtics ganhou a partida mesmo com Kyrie Irving e Al Horford somando apenas 8 acertos em 32 arremessos, mas é que esse time às vezes joga em pequenas erupções. Está tudo morno, amarrado, sonolento e esquisito até que de repente eles parecem o Portland Trail Blazers de 1977, o San Antonio Spurs de 2014 e o Boston Celtics de 2008 ao mesmo tempo por cinco minutos. Vai entender!

No fim do jogo, na hora que a água bateu na bunda, o Celtics executou seus pick-and-pop com Horford à perfeição. Com o pivô acertando arremessos importantes ou achando alguém livre toda vez que a desesperada defesa do Pacers, que sempre parecia ter um homem a menos, estava correndo de um lado para o outro. Mérito do ótimo espaçamento de quadra do Celtics e da pontaria precisa de todo o resto do elenco: Gordon Hayward, Marcus Morris e Jayson Tatum foram mortais nas bolas decisivas dessa sequência.

Esse nível de execução coletiva no ataque, combinado com uma defesa forte, é que fez todo mundo colocar o Celtics desde a temporada passada como um dos favoritos ao título. Resta saber se contra o Milwaukee Bucks na próxima rodada vai bastar jogar assim só por alguns minutos. Talento é o que não falta.

Pelo lado do Indiana Pacers, aplausos pela luta, mas é isso. O time precisa de mais talento no ataque e isso não pode vir só do machucado Victor Oladipo, mas também de contratações (vão renovar com Darren Collison ou vem aí um novo jogador?) e da evolução individual de seus atletas. Foi broxante ver que só ontem, no Jogo 4, que Myles Turner finalmente deslanchou ofensivamente nessa série. Ele precisa virar uma ameaça real às defesas, assim como ele é com seus tocos do outro lado da quadra, se esse time quer dar o próximo passo. Minha dica ao pivô: faça isso mais vezes, é legal…


No outro jogo do Leste o Toronto Raptors não tomou conhecimento do Orlando Magic, liderou a partida toda com alguma tranquilidade e venceu com sobras nas costas dos 34 pontos de Kawhi Leonard. Cada vez mais parece que aquela derrota em casa no Jogo 1 foi ou maldição ou só o próprio time brincando de fazer referência ao passado recente, coisa de millenial.

A única esperança do Orlando Magic nessa série seria que sua defesa incomodasse o Toronto Raptors a ponto do jogo ficar amarrado e decidido por poucas posses de bola no final. Deu certo quando DJ Augustin ganhou a primeira partida nos segundos finais da primeira partida, mas foi isso. Nas outras partidas o Raptors respondeu à boa defesa do Magic com sua própria marcação sufocante: Marc Gasol simplesmente ANULOU Nikola Vucevic durante toda a série e Evan Fournier não consegue um segundo de respiro no perímetro. Some isso com Kawhi em modo DEUS e pronto, é só servir:

Nesse jogo ainda tivemos um raro momento de inspiração ofensiva de Aaron Gordon, que marcou 16 dos seus 25 pontos no terceiro quarto. Ele tem sido fantástico na defesa, mas no ataque foi só esse pequeno período de brilhantismo antes de voltar a bater cabeça. A vantagem até caiu, mas a vitória do Raptors em nenhum momento foi ameaçada.

Só não dá pra dizer que foi um jogo “esquecível” de Playoff porque ele nos ofereceu um dos melhores memes de TODA A TEMPORADA! Valeu, Nick Nurse:


Outro vencedor visitante foi o Golden State Warriors, que detém o recorde da HISTÓRIA DA NBA com ao menos uma vitória fora de casa em cada uma das suas últimas VINTE séries de Playoff. É pouca apelação ou quer mais?

A partida deste domingo foi parecida com as anteriores no plano de jogo das duas equipes, mas diferente na qualidade da execução. Sofrendo com Patrick Beverley e especialmente com Garrett Temple, Steph Curry simplesmente não conseguiu esquentar ao longo da partida. Ele acertou umas duas bandejas bonitas e deu 10 assistências importantes, mas saiu de quadra com apenas 12 pontos em 3/14 arremessos. Do outro lado, Danilo Gallinari estava congelando com só 5 arremessos feitos em 20 tentativas! Sempre acho que esses jogos que começam no início da tarde ferram com a rotina dos atletas.

Jogadores secundários nas primeiras partidas então correram para o resgate: Klay Thompson (31 pontos) foi a arma mais confiável do Warriors ao longo do jogo enquanto o novato Shai Gilgeous-Alexander (25 pontos) carregou o Clippers, que passou quase o jogo todo atrás no placar, mas sempre se mantendo a uma distância que não deixava o Warriors relaxar demais. O destaque de Klay no ataque do Warriors não é só porque ele é um absurdo de arremessador, mas porque nessa partida o Warriors estava mais sob controle: Klay sempre aparece mais quando o time foge do mano-a-mano e está disposto a passar a bola mais vezes no ataque. Ele sabe ficar livre para finalizar:

Os passes também se refletiram em pontos fáceis no garrafão. Pelo terceiro jogo seguido o Warriors marcou exatos 42 pontos dentro da área pintada, a diferença é que dessa vez os arremessos não foram da cabeça do garrafão ou da linha pontilhada em frente ao lance-livre, mas em bandejas e enterradas. Foram 29 arremessos desse tipo contra 22 no jogo passado e 19 no anterior. O lance abaixo mostra a paciência, a movimentação sem a bola, o passe preciso e os pontos no aro:

Apesar do bom jogo do Warriors, a diferença estava pequena nos minutos finais e o Clippers teve chance de grudar no placar. O problema é que além de Gallinari, Lou Williams, justo ele, estava num dia péssimo. Quinto maior pontuador de quartos períodos da temporada e líder do Clippers em momentos decisivos, Lou Will só acertou DOIS de 10 arremessos ao longo do jogo todo! No último quarto errou todos os CINCO que arriscou. Do outro lado Kevin Durant marcou 7 dos seus 33 pontos na etapa final e matou o jogo.

A temporada do Clippers parece que vai acabar na próxima quarta-feira, mas o papel do time está feito. Não estou falando da boa imagem criada para os Free Agents, da confiança e experiência dada aos jovens jogadores e muito menos da maior virada da história dos Playoffs. Estou falando da foto de Lou Williams comendo Nachos depois da vitória no Jogo 2, claro:


Em uma enquete no nosso grupo de assinantes, a série OKC Thunder/Portland Trail Blazers foi votada como a mais divertida dessa primeira rodada dos Playoffs. Confesso que votei em Sixers/Nets, mas com dor no coração de não poder dividir meu voto no meio com a novela Westbrook versus Lillard.

Quem torce para o bem vencer o mal deve ter ficado feliz em ver que Damian Lillard calou as provocações de Russell Wesbtrook e Dennis Schröder e venceu o jogo deste domingo, mas foi uma notícia triste para quem só queria ver os dois se pegando até o Jogo 7. Não que uma reviravolta não seja possível, mas será bem difícil de alcançar.

O que a série tem mostrado até agora e o Jogo 4 confirmou é que o Blazers está muito confortável em jogar contra a defesa do Thunder, algo bem incomum de ver ao longo da temporada. Se o time de Billy Donovan chegou onde chegou mesmo sem grandes arremessadores no elenco foi porque a defesa, os rebotes de ataque e os roubos de bola deram conta do recado contra a maior parte dos rivais.

O Thunder liderou a NBA em roubos de bola (9.3 por jogo) e em turnovers forçados (16.3 por jogo) nesta temporada. O time depende deles não só para não sofrer pontos, mas para impulsionar seus contra-ataques rápidos com Westbrook. Só Sacramento Kings e LA Lakers fizeram mais pontos de contra-ataque que o Thunder na temporada. Nessa série, porém, a coisa não tem dado muito certo:

TOs forçados Roubos Resultado
Jogo 1 18 10 Derrota apertada
Jogo 2 12 6 Derrota
Jogo 3 18 6 Vitória
Jogo 4 12 7 Derrota

Desde o primeiro jogo Damian Lillard não só sabe o que vai enfrentar a cada pick-and-roll como tem uma série de contra-ataques para todas as defesas. Ele antecipa arremessos, passa pelo meio das dobras antes delas se formarem, finge que vai usar um corta-luz e corre para o outro lado, passa para quem fica livre na hora certa, é um arsenal grande demais e o Thunder ainda não soube como incomodá-lo de verdade.

No primeiro tempo Lillard até estava frio no ataque, mas soube usar as decisões da defesa a seu favor para alimentar Al-Farouq Aminu (19 pontos), que fez uma PARTIDAÇA, e CJ McCollum (27 pontos), que nunca esteve tão regular na carreira. Na segunda etapa que ele esquentou de vez e praticamente matou o jogo: o Blazers chegou a abrir 18 e só foi para o último quarto com a vantagem menor porque tentaram diminuir tanto o ritmo do jogo que empacaram o próprio ataque. Tiveram que tomar o susto de ver a vantagem cair para 8 pontos graças a Paul George para acordar e voltar a executar tudo normalmente.

Ao fim da partida, Lillard disse que o time combinou que iria encarar essa partida com frieza. Depois do show de provocações na partida anterior, a ideia era não falar com os adversários, não provocar, não responder cutucadas e nem reclamar muito com os juízes:

Pelo jeito isso BUGOU o cérebro de Russell Westbrook, que teve um jogo para esquecer. Ele começou quente, acertando 3 dos primeiros 6 arremessos que tentou, mas depois disso só fez DOIS dos QUINZE últimos que chutou ao longo da partida. Em uma conversa flagrada pelo repórter Royce Young, um assistente técnico até puxou Al-Farouq Aminu antes dele entrar em quadra no último quarto e disse para ele deixar Westbrook continuar arremessando:

No fim das contas o OKC Thunder acertou apenas 37% dos seus arremessos, um péssimo número, e nem conseguiu transformar isso em rebotes ofensivos. Foram só SEIS ao longo do jogo, pouco para o time que liderou a NBA com 12.6 por jogo na temporada regular e que foi o campeão do quesito nas últimas quatro temporadas.

A coisa foi tão feia que o único momento em que a torcida realmente empolgou e pensou “hoje é nosso dia” foi quando o querido Raymond Felton entrou em quadra e acertou três arremessos seguidos. Seria ele o herói improvável do dia? Hoje não. Que pelo menos fique na história o momento em que Felton invadiu os Trending Topics do Twitter e se infiltrou em Game of Thrones:

Só não termino o post com essa porque o técnico Terry Stotts mandou um “both teams played hard” em sua coletiva de imprensa. Deus abençoe Rasheed Wallace:

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

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