Resumo da Rodada – 24/4

O Mavericks mostrou até agora na série contra o Rockets que não faz a menor ideia de como tornar esse confronto competitivo. Em geral vemos no Oeste ajustes táticos sendo feitos partida após partida que arrumam um problema na quadra apenas para que o adversário descubra outro, num eterno cobertor curto acontecendo nas pranchetas. Mas o Mavericks foi destruído no primeiro jogo por não criar espaço para o Nowitzki, não encontrar infiltrações, não conseguir marcar o Harden e não dominar o garrafão; e no segundo jogo, NENHUM desses problemas deu qualquer sinal de ser solucionado. Terceiro jogo em Dallas o Mavericks precisava de soluções desesperadas, mas é difícil acreditar que algo efetivo surgiria do nada quando o elenco não mostrou progresso até agora.

Me parece que o Mavs decidiu que o importante era colocar corpos na frente do James Harden, usando o Tyson Chandler não pra tentar bloquear seu arremesso na cobertura, mas pra bloquear sua trajetória rumo à cesta. O problema é que jogadores como o Harden (e como Russel Westbrook, embora ele não receba os créditos devidos) atacam agressivamente a cesta sem nunca desligar das possibilidades de passe ao seu redor. Com Tyson Chandler longe da proteção de aro que lhe é cabida, sobraram assistências fáceis de Harden para Dwight Howard e Terrence Jones. Rapidinho o Houston desmontou a tática de defesa adversária e abriu uma vantagem de dois dígitos.

Foi só quando o Harden foi para o banco e J.J. Barea entrou em quadra que o jogo mudou. Com Rondo BANIDO do Dallas Mavericks até o fim dos tempos por ser uma presença nociva para a equipe, finalmente o Mavs percebe que seu armador ideal não é uma estrela, mas sim QUALQUER UM que tenha um arremesso perigoso para criar espaços, saiba bater para dentro e esteja disposto a passar para trás e para o lado para seus companheiros sempre que houver espaço. Barea não chama todas as jogadas (até porque quem chama as jogadas é, em geral, o técnico Rick Carlisle), não tem que criar o próprio arremesso, é obrigado a passar muito tempo olhando para o nada, mas em três ou quatro bolas gerou arremessos de três pontos para o Nowitzki até que o Houston tivesse que marcar a linha de passe e lhe sobrasse espaço para um par de infiltrações. Quando o Harden voltou, o estrago já estava feito: Dallas vencia por 13 pontos.

O Mavs só precisava tirar da orelha uma solução melhor para parar James Harden, mas insistiram na inicial: toda a galera de garrafão saindo do aro para fechar os espaços de infiltração. O resultado foi desastroso, porque James Harden continuou no perímetro (onde meteu 5 bolas de três pontos em 7 tentativas, e um total de 40 pontos), envolveu os companheiros, e os arremessos forçados do Rockets que não entravam não viam nem sinal de alguém do Dallas embaixo da cesta para pegar o rebote. O Dwight simplesmente comeu o garrafão com azeite e sal mesmo sem receber passes a maior parte do jogo, pegando 11 rebotes ofensivos rumo ao seu recorde nos playoffs de 26 rebotes totais.

Barea, Monta Ellis e Nowitzki tiveram grandes noites, o alemão voltou a converter seus arremessos e teve melhores oportunidades de pontuar do que nas duas partidas anteriores em Houston. Os espaços gerados para o Nowitzki forçaram a defesa adversária a ter que correr atrás do alemão, algo que invariavelmente gera faltas tontas num jogador calejado que sabe explorar um defensor em movimento. Isso foi suficiente para o Mavs encostar no placar no finalzinho do jogo, mas a 15 segundos do final, Houston vencendo por 1 ponto e bola nas mãos do Harden, já dava pra saber que o jogo já era. Vi muitos, muitos times frustrarem o barbudão a ponto de minha espinha gelar quando ele insiste em isolar nos segundos finais. Mas contra essa defesa do Mavs, que não acertou a marcação pra valer em nenhum momento, nem me preocupei. A marcação trocou, Tyson Chandler foi marcar o Harden para evitar infiltrações, e o Barba Terrível simplesmente deu um passe pra trás e meteu o arremesso.

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O Monta Ellis ainda resistiu bravamente convertendo uma bandeja difícil em seguida, vendo Brewer errar um arremesso, e o Mavs teve a última posse de bola para empatar ou virar o jogo. Mas aí está a diferença: o Monta Ellis isolou contra o Josh Smith, que é um defensor espetacular nessas situações. Teve que dar um arremesso com passo pra trás por cima do braço gigantesco do Josh que se aproximava. Deu airball. Adeus, Mavs, adeus, adeus. Não esqueçam de escrever.


 

Depois de ser dominado no garrafão e perder as duas partidas em casa, o Raptors resolveu começar com Amir Johnson de titular, acelerar o ritmo de jogo e punir o Wizards no perímetro. DeMar DeRozan começou em modo Sétimo Sentido, fez 20 pontos no primeiro quarto e parecia que dessa vez o Raptors tinha chances reais de vitória – dessa vez longe da torcida local, tão apaixonada que parece mexer negativamente com a cabeça desse time assustado e sem confiança nenhuma nos minutos finais de jogos importantes. Mas a esperança durou pouco: Kyle Lowry, que está brutalmente gripado, sofrendo de dores nas costas desde o meio da temporada e com uma lesão na canela conseguiu errar 11 arremessos seguidos, o Wizards fez mais do mesmo (garrafão, pick and roll, John Wall correndo como biruta) e o placar encostou de novo.

Por conta do jogo do Rockets não consegui acompanhar o miolo da partida, mas o final apresentou uma situação super fácil de prever o resultado: minutos finais, placar empatado, de um lado o Raptors e seu pânico de perder de novo, e do outro Paul Pierce, o cara que repete sem parar o “é por isso que eu estou aqui” toda vez que ele mete bolas importantes. É claro que o Raptors desmontou (ainda que, justiça seja feita, o Lowry tenha jogado bem no quarto período, apesar dos pesares), não conseguindo executar quando precisava, e o Pierce converteu duas bolas de três pontos bem complicadas, uma delas no estouro do relógio de 24 segundos pra selar o placar.

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Aí toca ter que aguentar o Paul Pierce de novo contando essa historinha de que é por esses momentos que ele vive, que esse é o motivo pelo qual o Wizards tem ele em quadra, etc, etc. *Bocejo*.

O Raptors ainda tem chance, não está fazendo nada essencialmente errado e não há nenhuma arma do Wizards que eles não consigam lidar de modo algum – resumindo, eles não são o Mavs. Mas falta tanta cabeça, a pressão é tão destruidora nesse elenco, que não dá pra imaginar essa série não acabando num 4 a 0 tão vexaminoso que eu duvido que o elenco se sustente até a temporada que vem.


 

Pra fechar a noite tivemos uma das maiores surras da história dos playoffs. Fiquei esperando o momento em que Blake Griffin e seus amigos pegariam uma pá para cavar buracos e esconder suas cabeças. Ao invés de Gatorade, o Clippers deveria ter distribuído no banco de reservas Ovomaltine e cobertores quentinhos. Ao invés de equipe técnica deveriam ter chamado a mãe de todos os jogadores para um abraço carinhoso. Aquilo foi um desastre, uma calamidade; os bombeiros deveriam ter intervido. Se fosse boxe, o Doc Rivers teria jogado a toalha na quadra. Se fosse MMA, o Clippers inteiro teria dado três tapinhas.

E o engraçado é que não parecia que iria ser esse atropelamento de trem no começo do jogo. Clippers e Spurs estavam mantendo seus planos táticos do restante da série e a briga estava boa. Mas aos poucos foi dando pra perceber que o Spurs estava executando TUDO com perfeição e foi abrindo o placar; por algum motivo, o Clippers achou que a melhor resposta pra isso era acelerar o ritmo de jogo em mil vezes e tentar cansar os velhinhos. Acontece que a velocidade exagerada do Clippers gerou mais erros e desperdícios de bola, enquanto o Spurs segurou o jogo e encontrou, na forte defesa do Clippers na meia quadra, espaço para arremessar nas jogadas individuais do Kawhi Leonard – que marcou 32 pontos, errou só 5 dos seus 18 arremessos, e recebeu antes do jogo seu troféu de Defensor do Ano. Chupa, mundo!

O placar foi abrindo nas mãos do Leonard até que os reservas entraram em quadra e aí o desastre se tornou uma hecatombe: Belinelli não errava um arremesso, Patty Mills meteu duas bolas de três pontos, Boris Diaw trocou tabelinhas entre a defesa, a diferença no placar chegou a 30 e aí o quarto período virou só burocracia. Todo mundo sentou e chorou, e agora o fantasma do Spurs assombrará o Clippers no resto da série: esse fantasma é a sensação de que, caso o Spurs faça tudo direitinho, não há como contra-atacar, não há como se defender, tua série foi privada abaixo. Que tipo de estrago isso faz na cabeça de um time?

Torcedor do Rockets e apreciador de basquete videogamístico.

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