Resumo da Rodada 28/4 – Al Horford para Giannis; Rockets continua no quase

O domingão da NBA foi bom e esperto: dois JOGAÇOS para começar séries importantes no Leste e no Oeste, os dois candidatos a MVP em quadra e tudo rolando no começo da tarde para não bater de frente com a Batalha de Winterfell. E como no episódio escuro de Game of Thrones, os protagonistas não conseguiram ser tão protagonistas assim.

Começamos com o Jogo 1 entre Bucks e Celtics, onde os visitantes chegaram em Milwaukee e simplesmente ANULARAM Giannis Antetokounmpo desde o começo da partida e partiram daí para uma vitória bem tranquila por 112 a 90, superando o melhor time da temporada regular e a equipe de melhor campanha em casa de forma categórica. Como diabos o FEITICEIRO do Brad Stevens conseguiu marcar o homem mais imparável da temporada regular? Foram três passos muito bem executados:

O primeiro é a boa e velha defesa individual. Não há plano coletivo que sustente uma marcação que não consiga segurar o atacante, por isso foi essencial que Al Horford e eventualmente Aron Baynes pudessem conter as infiltrações do ala-armador-pivô grego. Giannis acertou só 2 de 10 arremessos quando marcado por um dos dois grandões do Celtics e ainda tomou diversos tocos, sendo os mais simbólicos e impressionantes esses dois abaixo, em sequência:

Mas mais do que tocos cinematográficos, impressionou como Al Horford não deixou que Giannis o contornasse com suas passadas gigantes, algo que o grego faz contra praticamente todos os defensores do planeta. Vejam nos lances abaixo como Horford obriga que Giannis se afaste da cesta e perca o ângulo da bandeja:

A segunda parte do plano foi impedir que Giannis os punisse nos contra-ataques. Eventualmente o Boston Celtics iria errar arremessos ou perder bolas e era imperativo que os erros não virassem enterradas constantes do Milwaukee Bucks. Para conter isso o Celtics usou a estratégia do PAREDÃO, exatamente igual à que adotam desde a temporada passada quando enfrentam Ben Simmons. Ela consiste em ter sempre mais de um jogador, não só o defensor principal de Simmons/Giannis, parando a entrada do garrafão e assim obrigando ele a passar a bola.

Muitas vezes são até três caras formando um bloqueio que obriga o atacante a parar de correr, passar a bola ou tentar a sorte no meio de tantos braços. Juntei vídeos que mostram as duas defesas abaixo:

Para terminar, o Celtics teve ainda uma última grande sacada para defender Giannis: as dobras de marcação. Ao longo da temporada, mandar um segundo marcador para cima do grego era o mesmo que implorar para tomar uma cesta de 3 pontos de Khris Middleton, Eric Bledsoe, Brook Lopez ou qualquer um da artilharia pesada do time, mas ontem não. Tirando umas bolas que Middleton e Nikola Mirotic tiraram do bolso, os arremessos de 3 pontos do Bucks foram forçados, contestados e só sem pontaria mesmo.

O segredo é que a dobra do Celtics era só pra ASSUSTAR. Elas apareciam só quando Giannis iria tentar um drible ou um giro, e assim que o grego segurava a bola na mão de novo a dobra já tinha sumido, com o defensor voltando ao seu atacante original para que ele não fique muito tempo sozinho. No primeiro lance do vídeo abaixo vemos Jaylen Brown sair por um mísero instante da marcação de Sterling Brown só para atrapalhar, logo ele volta. Depois vemos Al Horford dobrar sobre Giannis para incomodar seu drible e imediatamente ele volta para defender Brook Lopez.  Imediatamente depois ele só ameaça a dobra e com isso Giannis, vendo o pouco tempo no relógio, decide por um arremesso de meia distância:

Foi uma soma impressionante de um plano bem pensado e bem executado de maneira individual e também coletiva. Já abordamos isso nos nossos podcasts algumas vezes e esse é um bom exemplo: basquete de temporada regular é diferente de basquete de Playoff porque agora os times têm tempo para pensar, planejar e executar estratégias muito específicas para parar os pontos fortes de um time ou jogador. É o que vimos ontem.

Por outro lado, o Milwaukee Bucks parece ter entrado nessa partida com um jeitão de temporada regular. Fez o que sempre fez e ao enfrentar uma defesa tão especial o time ficou perdido, especialmente quando as bolas de 3 pontos que deveriam nascer da marcação especial sobre Giannis não caíram como esperado. Talvez o time volte mais preparado e cheio de respostas para o Jogo 2, mas é preocupante que isso aconteça justamente com o técnico Mike Budenholzer. Quando ele treinava o Altanta Hawks sofreu com as mesmas críticas: o time entrou nos Playoffs sem ajustes específicos, apenas contando que o que deu certo na temporada regular daria certo de novo. Não aconteceu.

A crítica vale não só para a parte tática, mas até de rotação. Enquanto o Celtics usou seus titulares por bastante tempo até ter o placar totalmente sob controle, o Bucks manteve a sua rotação tradicional de nove jogadores, com Pat Connaughton e Ersan Ilyasova atuando por minutos importantes enquanto enfrentavam os titulares rivais do outro lado.

Outro sinal de confiança no plano da temporada regular: o esquema defensivo padrão do Bucks envolve proteger ferozmente o garrafão, com Brook Lopez ou Giannis sempre plantados lá dentro para impedir ou contestar qualquer tentativa de bandeja do adversário. Com isso eles cedem muitos arremessos, em especial de meia distância e de três pontos (desde que não sejam da zona morta). O Celtics viu isso, enfiou um quinteto cheio de arremessadores em quadra e disse: POR MIM TUDO BEM =)

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Tem exemplo concreto do gráfico acima:

Talvez o aproveitamento do Celtics não continue tão alto, mas é um risco que o Bucks está assumindo e que agora, com 0-1 no placar, parece ainda mais perigoso para a próxima partida. Nunca é uma boa ideia mudar a identidade de um time de uma hora para a outra só por causa de uma derrota, mas pequenos ajustes podem salvar ou arruinar uma série de Playoffs. É essa sintonia fina que o Bucks precisa achar para colocar Giannis e seus arremessadores de volta no jogo.


No Jogo 1 da FINAL ANTECIPADA do Oeste entre Houston Rockets e Golden State Warriors, o técnico Steve Kerr deu um grande sinal de respeito ao adversário ao começar o jogo com Andre Iguodala no time titular, formando o famoso “quinteto da morte” ao lado de Steph Curry, Klay Thompson, Kevin Durant e Draymond Green. O grupo geralmente fecha partidas, vê-los começarem um jogo juntos é algo que só aconteceu quando do outro lado da quadra estava LeBron James. Deu certo, e o Warriors conseguiu, no sufoco, vencer por 104 a 100.

Sem um pivô pesado, o Warriors começou marcando muito bem o Rockets, mas a verdade é que mesmo quando James Harden e companhia conseguiam bons arremessos, eles não caiam. Em um traumático repeteco do Jogo 7 da final do Oeste da temporada passada, o Rockets acertou apenas UM de CATORZE arremessos de longa distância que tentou no primeiro quarto. Na defesa o time de Mike D’Antoni também não começou muito inspirado: preocupado demais em não deixar Klay Thompson, Kevin Durant e Steph Curry livres na linha dos 3 pontos, os defensores bateram cabeça e deixaram inúmeras vezes Draymond Green e Kevon Looney, que entrou no lugar de Iguodala quando este cometeu duas faltas, livres no garrafão…

O Golden State Warriors só não abriu de vez o placar e foi embora porque também teve sua dose de batidas de cabeça. Foram nada menos que TREZE desperdícios de bola apenas só no primeiro tempo! Alguns forçados pela defesa do Rockets, que parou de ceder bandejas livres eventualmente, mas vários só pela vontade de tentar passes difíceis ou apressados demais. No segundo quarto as estrelas do Rockets resolveram que iriam aproveitar o presente do rival e tirar proveito da situação: Eric Gordon, Chris Paul e James Harden tiraram a ZICA e somaram OITO bolas de 3 pontos em cerca de oito minutos e levaram o jogo empatado para o intervalo.

O segundo tempo lembrou muito a série do ano passado: poucos erros defensivos, muitas trocas de marcação a cada corta-luz e ataques amarrados cheios de mano-a-mano. Não é à toa que foi quando Kevin Durant EXPLODIU ofensivamente: foram 24 dos seus 35 pontos na segunda etapa. Nos minutos finais ele mirou Chris Paul e James Harden em trocas de marcação para conseguir arremessos simples sobre defensores mais baixos ou para cavar faltas:

Do outro lado, James Harden, Chris Paul e Eric Gordon estavam loucamente buscando atacar Steph Curry, que desde o primeiro tempo sofria com problemas com faltas. Deu certo algumas vezes, mas foi falhar justo no finalzinho, quando Curry defendeu bem duas posses de bola nos minutos finais e forçou erros do Rockets. Uma pena especialmente para Gordon, que fez uma partidaça de 27 pontos.

O arremesso que definiu a partida foi outro mismatch, um duelo individual caçado pelo ataque do Warriors. Com vantagem de apenas DOIS pontos e 24 segundos no relógio, Curry pediu um corta-luz de Andre Iguodala, recebeu a troca de marcação do pivô Nenê e aproveitou sua velocidade infinitamente superior para praticamente matar o jogo:

Por que Nenê estava em quadra se ele seria um alvo óbvio numa situação dessa? O técnico Mike D’Antoni explicou que ele decidiu por isso porque nas duas posses de bola anteriores o Rockets tinha forçado arremessos errados do Warriors, mas Draymond Green assegurou o rebote ofensivo. A ideia era ter o pivô lá para evitar isso. “Claro que sabendo do resultado eu preferia não tê-lo colocado”, confessou o treinador depois do jogo.

A partida só não acabou aí porque Kevin Durant não conseguiu segurar a bola nos segundos finais, quando só deveria esperar por uma falta e matar o jogo nos lances-livres. O Rockets roubou a bola e partiu para o ataque, mas James Harden errou o arremesso de longa distância que iria empatar o duelo:

Achou que foi falta de Draymond Green sobre James Harden? Muita gente achou, e esse foi um tema recorrente ao longo da partida. Só no primeiro tempo aconteceram TRÊS lances quase idênticos com Klay Thompson sendo o defensor de Harden. Ao longo da partida Mike D’Antoni e Chris Paul ficaram PUTOS com os árbitros, com o armador sendo até expulso após o arremesso final:

Li ótimos argumentos dos dois lados: uns dizendo que ao longo da temporada lances como esse foram normalmente marcados como faltas, parte de um esforço recente da liga para proteger os arremessadores e não repetir o caso Pachulia-Kawhi. Alguns, por outro lado, dizem que James Harden está se aproveitando dessa regra para jogar as pernas exageradamente para frente só para causar o tal “contato perigoso”. Não seria uma falta, portanto, por não ser um movimento natural de arremesso dele.

Decisões da arbitragem a parte, o mais desesperador disso tudo é perceber que estamos no ano de 2019 e parece que não sabemos como a regra funciona. Técnicos, jogadores e comentaristas todos aparecem com argumentos distintos sobre algo que todos deveriam saber como é há tempos. Lembra muito a questão da “mão na bola/bola na mão” no futebol, está aí há duzentos anos e causa controvérsia todo santo dia.

Pessoalmente acho que Harden forçou a barra em alguns desses arremessos ao buscar contato, mas vi isso acontecer com vários jogadores ao longo da temporada e quase sempre foi marcado falta. E aí, como faz? Depois da partida o técnico Mike D’Antoni falou sobre o assunto mas parecia que só queria evitar uma multa: ele disse que é preciso jogar, aceitar o que os árbitros decidem e viver com isso. Alguém acredita? Já James Harden pediu consistência nas decisões dos árbitros para saber o que ele pode ou não fazer. Nada é mais broxante que os dois melhores times da NBA jogarem uma partida decidida nos últimos segundos e ficarmos aqui falando de juiz.

Até quem já tá eliminado entrou na brincadeira. Rudy Gobert apareceu PUTAÇO no Twitter para compartilhar fotos das jogadas entre Klay e Harden e dizer que “semana passada meus companheiros não podiam contestar os arremessos dele assim”. Ao que seu parceiro de Utah Jazz Donovan Mitchell, prevendo o dinheiro da multa desperdiçado pelo pivô, respondeu: “Era só você me dar esses 25 mil dólares”…

Captura de Tela 2019-04-29 às 12.49.08 PM

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

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