Resumo da Rodada 8/6 – Um novo mesmo campeão

Para a surpresa de mais ninguém, o Golden State Warriors venceu o Cleveland Cavaliers por inquestionáveis 108 a 85 nesta sexta-feira para varrer a série final e se tornar CAMPEÃO da temporada 2017-18. É o segundo título seguido do time, o TERCEIRO em quatro anos. Tudo isso enquanto ajudavam a revolucionar a maneira como se joga basquete, como se veem as bolas de 3 pontos no basquete, juntando uma quantidade absurda de talento, mantendo um dos climas mais festivos e leves da NBA e batendo um sem número de recordes. Vencer LeBron James em todas essas finais só deixa o feito ainda mais impressionante.

A informação mais importante sobre esse Jogo 4 apareceu só depois do seu fim, na entrevista coletiva de LeBron James. O ala disse que, em “uma lesão auto-induzida”, se machucou após o Jogo 1 da série e disputou o resto da série com a mão quebrada. Revoltado após aquela derrota marcada por decisões polêmicas da arbitragem, pelo erro de lance-livre de George Hill e o apagão mental de JR Smith, LeBron deu um SOCO numa lousa e se machucou. Foi o bastante para ele não marcar mais de 50 pontos de novo e para parecer um tiquinho menos indefensável.

Como comentamos no último podcast, foi realmente raro e surpreendente ver LeBron demonstrar tanta frustração e desespero em quadra naquele Jogo 1. Ele sempre tenta não se expôr e vazar qualquer sinal de fraqueza, mas naquele momento, naquela foto que já virou icônica na história da liga, tudo foi bem claro. Nas próprias palavras do Rei:

“O que aconteceu? Foi auto-induzido, após o Jogo 1. Estava muito emotivo, por diferentes motivos. Entendia o quanto era importante o Jogo 1 fora de casa para nosso time, o que poderia ter feito para a gente. A maneira que jogamos, as decisões dos juízes ao longo do jogo, senti que o jogo foi tirado da gente. Sentia que você não consegue muitas chances como essa fora de casa, contra o Golden State, de ganhar um Jogo 1. Deixei as emoções tomarem conta de mim. Joguei basicamente o resto da série com uma mão quebrada”

A sensação de LeBron James foi a mesma de muita gente. Uma vitória naquele Jogo 1 poderia dar confiança para um time cheio de altos e baixos, colocar uma pulga atrás da orelha do Warriors e mudar os rumos da série. Seria o bastante para o título? Pouco provável, vimos nos outros jogos que há um abismo coletivo e de elenco entre as equipes, mas LeBron era capaz de cobrir boa parte dessa distância e uma vitória naquele momento era a chance de ter chances, se é que a frase faz sentido.

Mesmo sem a gente saber da lesão, a sensação desta sexta-feira era a de que de tudo estava decidido. Nem aquele clima e frio na barriga a gente sentiu, parecia uma partida (boa) comum, não a FINAL DA NBA. Como ninguém jamais virou um 0-3 na história da liga e como o Warriors jogava com muita tranquilidade, a sensação era que cedo ou tarde tudo iria acabar. Logo no começo do jogo vimos dois sinais que indicavam isso: erros de comunicação da defesa do Cavs e Steph Curry acertando bolas impossíveis de 3 pontos. Sem novidades:

Sem qualquer dificuldade, o Warriors abriu mais de 10 pontos de vantagem logo no primeiro período, usando as bolas de longa distância de Curry e grandes movimentações de bola para forçar a defesa do Cavs a se mexer, tomar decisões, ERRAR e então ver JaValle McGee marcar pontos como se fosse a coisa mais fácil do mundo. Na jogada abaixo vemos dois jogadores do Cavs ficarem na marcação de Curry NO MEIO DA QUADRA enquanto McGee desliza livre em direção à cesta. A chegada atrasada da marcação até obrigou McGee a um FINGER ROLL, mas quando a fase é boa…

E não há justificativa para um erro desse neste momento da temporada. Especialmente por acontecer mais de uma vez:

No segundo período o Cavs até chegou a assumir a liderança do jogo por alguns segundos, mas nunca convenceu. JR Smith e Kevin Love acertaram bolas de 3 pontos e aproveitaram bons passes de LeBron James, mas não tiveram regularidade o bastante para manter o time no jogo por muito tempo. E LeBron, talvez influenciado pela mão quebrada, estava menos agressivo do que de costume. Ele ainda buscava o mismatch contra Steph Curry, mas demorava um pouco para atacar, logo chegava a marcação dupla e ele fazia o passe. Méritos para a boa defesa de Curry, que fez LeBron suar, forçou erros, cavou falta de ataque e roubou bolas, tudo com aquele corpo que parece desnutrido quando ao lado do REI, mas ele também foi salvo pelas dobras muito bem feitas e que limitaram o poder ofensivo de LeBron.

No TEMIDO terceiro período foi que o Warriors acabou com o jogo. Foram muitos, mas MUITOS erros defensivos do Cavs contra um dos melhores ataques da história, que estava jogando sem pressão e babando para ganhar o título que estava a poucos minutos de distância. Quanto mais o jogou andou, mais vimos o ataque do Warriors criar arremessos lindos e a defesa se matando para pisar no que restou da autoconfiança do rival. Aqui aquela clássica jogada em que Curry toca a bola e SAI CORRENDO enquanto seu defensor, geralmente um pivô, esquece que o lance continua…

Com Steph Curry (37 pontos) fazendo chover de 3 pontos e Kevin Durant (20 pontos, 12 rebotes, 10 assistências), de novo, matando tudo o que podia de meia distância e ainda distribuindo passes a torto e a direito e mais uma defesa sufocante de Draymond Green, o quarto período foi só uma formalidade para gastar tempo enquanto a NBA preparava o pódio, o Warriors organizava o champanhe no vestiário e os jornalistas decidiam seu voto para o prêmio de MVP das Finais, também conhecido como “dos 100 jogos da temporada, quem jogou melhor os últimos 4?”.

Poderia tranquilamente ter sido Steph Curry, que foi indefensável por três partidas e lidou bem demais com o fato de ser um alvo na defesa. Mas poderia também ser Kevin Durant, que foi o cestinha da série, teve um aproveitamento INSANO nos arremessos e ainda distribuiu bons passes ao longo da série, algo que a gente questionava nele na série contra o Houston Rockets. No fim das contas deu Durant e foi até melhor assim: o ala parece se importar mais com esses prêmios, especialmente como algo que faz a sua decisão de ir para o Warriors não parecer como ir “se esconder” num time já pronto. E Curry, bom, ele não tá nem aí. E é por isso que esse time funciona.

Foi curioso ver que todos, de Steve Kerr a Shaun Livingston, passando por Draymond Green e qualquer outra estrela, fizeram questão de falar que esse foi o título mais difícil dos três. O técnico falou que emocionalmente é difícil se manter focado durante tantos anos e que nesta temporada foi a primeira vez em que ele sentiu que não conseguia influenciar e motivar seus atletas. O time também passou por uma lesão de Curry no fim da temporada regular, por várias derrotas constrangedoras devido a PÉSSIMA defesa antes dos Playoffs começarem e ficaram muito perto de serem eliminados pelo Rockets na final do Oeste. Estavam perdendo a série por 3 a 2, ficaram mais de 10 pontos atrás no placar nos Jogos 6 e 7 e precisaram contar com um apagão histórico do Rockets, que jogava em casa a partida final, para sair com a vitória.

A dificuldade que a gente não conhecia era na relação pessoal entre os jogadores. O time sempre teve e ainda tem um clima leve, mas isso não significa que não há conflitos. David West disse que “muita coisa aconteceu nos bastidores e as pessoas vão ficar chocadas quando descobrirem”, já Livingston chegou a agradecer Kerr por “lidar com toda a merda” deles durante o ano.

Nos minutos seguintes, com o champanhe da vitória na cabeça, Kerr confirmou que teve que lidar com problemas internos e o General Manager Bob Myers disse que “a temporada passada foi a lua de mel, esta foi o casamento”, confirmando o que foi dito pelos outros.

Mas até nas brigas a gente vê a força do Warriors. Esse é um dos times que a imprensa cobre mais de perto, de maneira quase obsessiva (por razões óbvias) e mesmo assim nada disso vazou ao longo do ano. Seria um sonho para o Cavs se ninguém descobrisse que JR Smith TACOU UM PRATO DE SOPA num assistente técnico, mas em Cleveland a informação voa. E apesar de não ser perfeito (não teria como ser), o próprio West disse, semanas atrás, que ele faz questão de ir aos jovens jogadores do time e falar “pergunte por aí como é o ambiente em outros times. Vocês devem ser agradecidos, isso aqui não é normal”.

Entre os arremessos e a liderança descontraída de Steph Curry, o talento infinito de Kevin Durant, as bolas de 3 de Klay Thompson, a “babá” –nas palavras de Steve Kerr– Andre Iguodala e a defesa impecável de Draymond Green, realmente esse time não tem nada de normal. Um terceiro título em quatro anos é a forma de consolidar em números, anéis e troféus o tamanho do que foi feito nessa franquia. São anos e anos onde tudo o que eles fazem dá certo. Do draft de Curry a pegar Draymond na segunda rodada, de abrir o espaço salarial para Durant a convencê-lo de que lá seria o lugar certo para ficar. De ter a coragem de mandar Mark Jackson embora depois de uma boa temporada para contratar Steve Kerr a confiar que poderiam reviver a carreira de JaValle McGee.

Ao dizer que é difícil parece que eles estão fazendo tipo, mas vencer na NBA nunca é fácil. Tem talento por toda a parte, a temporada é longa, a sorte sempre faz questão de participar e as relações humanas fazem a diferença. Sem contar as questões dos contratos, gestão salarial, a incerteza do Draft e etc. Uma conta sobre o Golden State Warriors no Twitter, respondendo a questionamentos sobre a tal APELAÇÃO do time, trouxe uma série de perguntas que faço questão de traduzir aqui. Para ler a sequência original é só clicar no tweet abaixo:

“Algumas perguntas aos críticos do Warriors:

  • Por que o Durant não assinou com o seu time?

  • Por que outras estrelas não querem jogar com a estrela do seu time?

  • Por que seu time não tem uma estrela?

  • Quem negociou os contratos ruins que impediram seu time de entrar na briga por Durant?

  • Por que seu GM não teve a criatividade para abrir espaço salarial para tentar Durant?

  • Por que o dono da sua franquia não deixou seu GM usar todo o espaço salarial?

  • Seu time teve uma das escolhas de 1 a 6 no Draft de 2009? Por que não selecionaram Curry?

  • Seu time teve uma das escolhas de 1 a 10 no Draft de 2011? Por que não selecionaram Klay?

  • Seu time teve uma das escolhas de 1 a 34 no Draft de 2012? Por que não selecionaram Draymond?

  • Por que seu time não comprou escolhas de 2ª rodada de Draft para selecionar bons jogadores?

  • Por que seu time não transformou jogadores que rodavam pela liga em bons contribuidores?

  • Por que Andre Iguodala não aceitou um desconto para jogar no seu time?

  • Se o contrato de Curry em 2012 era abaixo do valor de mercado, por que seu time não ofereceu mais?

  • Por que seu GM não se planejou para o salto no limite do teto salarial de 2016?

  • Por que seu time não contratou Steve Kerr?

Quando um time faz algo difícil parecer fácil é importante lembrar do processo até lá. E quando alguns falam que foi tudo de mão beijada, é bom lembrar a sequência de boas decisões que o colocaram nessa situação. Pode até ser legal ver um time novo ganhando, vai ser divertido ver quem consegue tirar o Warriors do trono, mas também é fantástico podermos ver uma equipe acertar tanto e jogar tão bonito.


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Eu e o Danilo agradecemos imensamente por vocês que acompanharam o Bola Presa por toda a temporada 2017-18. Essa foi a DÉCIMA PRIMEIRA TEMPORADA da NBA que cobrimos por aqui e a terceira desde que muitos de vocês passaram de leitores para ASSINANTES. É por causa desses assinantes que o blog e o podcast existem e nunca vamos cansar de agradecer por essa ajuda! Valeu =)

Contamos com vocês não só para a próxima temporada, mas também para estes próximos meses de “férias”. Atenção nas aspas, porque não existe relaxamento de verdade na offseason da NBA. Nas próximas semanas teremos o Draft da NBA, Summer League e todo o drama da Free Agency, com a liga inteira se mexendo para bater o Warriors e as NOVELAS sobre para onde vão LeBron James, Chris Paul, Paul George, DeMarcus Cousins e muito mais gente.

Também usaremos a offseason para fazer textos sobre a história da NBA, sobre bobagens engraçadas, análises sobre tendências táticas da liga, para dar Prêmios Alternativos e para experimentar com o YouTube. Estreamos nosso canal nesta temporada, mas ainda estamos apanhando dessa mídia nova e usaremos os próximos meses para descobrir os melhores formatos e o que conseguimos fazer. Nossos assinantes, claro, tem o PODER DO PALPITE para tudo isso.

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