Dia de Kobe, Paul e Ivan, o terrível

>A rodada de ontem foi mais uma daquelas com 22 times e muitos jogos ruins acontecendo. Sabe como é, calendário apertado, começo de temporada, muitos times cambaleando, outros só cansados. Não é à toa que muita gente passou a madrugada só falando de NFL e UFC. Mas não é por isso que a gente tirou os olhos da bola laranja. Especialmente para ver o último jogo da rodada, o primeiro Derby de Los Angeles da temporada.

E, como já havia acontecido nos amistosos de pré-temporada, o Clippers ganhou. O Lakers defendeu bem, segurou o Clippers a apenas 41% de aproveitamento nos arremessos, mas sempre ficou atrás no placar. Quando tentava encostar via o Chris Paul fazer o que bem entendesse. Mesmo. Foram bandejas de um lado, do outro, arremessos de perto, de longe e até um quase do meio da quadra! Ele até distribuiu o jogo, mas ontem estava em modo de ataque, fazendo carinha de nervoso e batendo pra dentro da defesa do Lakers sem medo. Após o jogo, Kobe Bryant disse que na NBA inteira só Paul e Derrick Rose tem o mesmo espírito competitivo dele.

Pelo Lakers, Kobe conseguiu passar dos 40 pontos pela quarta vez consecutiva na temporada. É o mais velho a conseguir tal sequência. E eu sou do tempo em que ele era o cara que conseguia todos os recordes de “o mais novo a…”. Como tem sido de praxe, Kobe arremessou todos os tipos de bola e, provavelmente devido a macumba e posicionamento dos astros, as bolas não paravam de cair. Era um arremesso mais difícil que o outro, com marcação dupla ou tripla em cima dele e mesmo assim acabou com 50% de aproveitamento e apenas 2 turnovers. Qualquer outro bom jogador da NBA que tentasse os mesmos arremessos teria aproveitamento de uns 20%, um ser humano normal de -15%. Aí aparece uma variação do dilema Tostines: O ataque do Lakers é ruim porque o Kobe arremessa demais ou o Kobe arremessa demais porque o ataque é ruim? A resposta certa é a mais broxante: Um pouquinho dos dois.

Só porque elogiei Matt Barnes, ontem ele jogou mal e perdeu completamente a cabeça, o doidinho dos velhos tempos. O mesmo vale para o jogador outrora conhecido como Ron Artest, que deixou uns cotovelos soltos e rendeu a frase “World Peace is throwing elbows”. Vivemos para ver isso. Já Pau Gasol não foi mal, mas ainda está jogando muito longe da cesta. Possivelmente para evitar o que acontece com Andrew Bynum, que não consegue participar tanto do jogo como há algumas semanas. Muito a se arrumar ainda. Curioso que vale o mesmo para o Clippers, tem muito o que ajustar também. Billups fora de sintonia com Paul, Blake Griffin às vezes perdido no ataque e muitas jogadas de 1-contra-1 mesmo com Paul no elenco. O que vale é que mesmo assim eles ganharam de Heat e Lakers na mesma semana. Muito time sonha em jogar mal assim.

Jogo bom também em Atlanta com o esquizofrênico Hawks contra o Wolves. Até o terceiro período assistimos o Hawks do lado negro da força, que não sabe o que fazer no ataque e joga em velocidade Yao Ming embaixo d’água. Esse time estava tomando pontos do Kevin Love de todas as maneiras possíveis e imagináveis e perdia por 19 pontos. A partir dos últimos minutos do quarto, porém, apareceu o Hawks do bem, com elenco profundo e agressivo. Fecharam o quarto com uma sequência de 8-0 e começaram o último período embalados para buscar o empate. Isso liderados pelas bolas de 3 de Willie Green e a ultra agressividade de Jeff Teague (!). E na hora que o jogo esquentou sabe quem decidiu? Ivan, o terrível. Ivan Johnson, novato desconhecido de 27 anos de idade, um jogador rodado que conseguiu, sem ninguém perceber, uma vaga na NBA.

Foi Ivan quem deu um toco em Kevin Love com o jogo empatado a 1:30 do fim. Depois, no minuto final, Josh Smith não conseguiu tocar a bola para Joe Johnson e a bola sobrou para quem? Ivan, que abriu vantagem para o Hawks. Com o jogo empatado o Josh Smith tentou um arremesso de 3 pontos (levantemos para bater palmas), que obviamente errou e o rebote ofensivo caiu na mão de Ivan Johnson, que sofreu falta e fez os dois lances-livres que ganharam o jogo a 4 segundos do final. Ivan Johnson tem uma história curiosa. Foi banido da liga coreana onde jogava por mal comportamento e por ofender árbitros, depois disso fez boa temporada no Erie Bayhawks da D-League com médias de 22 pontos e 8 rebotes e ganhou uma chance no Hawks. Ganhou ainda mais espaço com a contusão do Al Horford.

O Wolves poderia ter ganho o jogo mesmo depois de jogar fora a liderança, mas Kevin Love cometeu o pecado capital de não confiar no deus Ricky Rubio na última posse de bola e forçou um arremesso de 3 pontos completamente errado. Rubio foi o responsável pelos 5 pontos do Wolves no minuto final de jogo, uma bandeja e uma bola de 3 pontos. A estratégia do Hawks foi de deixar Rubio chutar, sempre fechando a marcação sobre o seu companheiro quando eles tentavam um pick-and-roll. O resultado foi que o armador deu só 2 assistências em jogadas desse tipo e acabou com 18 pontos. Mas claro que Rubio é fantástico e deu assistências em outros tipos de jogadas, acabando com 12 passes decisivos, além de 5 roubos. Boatos também dizem que ele é educado, bonito além de amante gentil e bem dotado.

Tantas linhas e falei apenas de dois jogos! Mas não se preocupem, o resto do dia não foi tão bom. Em Washington o Wizards foi o único time da casa a perder ontem, apanhando do Sixers pelo segundo dia seguido. JaValle McGee até que jogou muito bem, mas não é como se isso fosse o bastante para aquele timeco. O Bobcats chegou a abrir 20 pontos sobre o Warriors e deixou a vantagem escapar, mas venceu no finalzinho com bons jogos do TRIO DE FERRO: Kemba Walker (23 pontos), Gerald Henderson (26) e Byron Mullens (20). Para o Warriors valeu apenas pelas jogadas de efeito de Monta Ellis.

Nada estranho no Bulls segurar o Raptors a apenas 64 pontos e vencer. Estranho mesmo foram os números dos dois times no intervalo: 37 pontos para cada lado, 18-43 arremessos para cada um dos dois times, que também empataram em rebotes (26), assistências (8) e turnovers (3). Nunca havia visto um jogo de espelhos assim. Outro número expressivo, a pontuação do Raptors por quarto. 14-23-15-12. E teve um time que marcou menos pontos que o Raptors, o Sacramento Kings. Fizeram apenas 62 e apanharam feio do Dallas Mavericks. 

O Grizzlies parece ter decidido que se não tem Zach Randolph para comandar o ataque de meia quadra, vão correr. Já tinham feito muitos pontos de contra-ataque contra o Knicks, ontem fizeram mais 23 na vitória sobre o Hornets. Destaque para Rudy Gay que fez todas as cestas importantes no final da partida, outra função de Randolph na equipe. Em Indianapolis o Pacers venceu o Celtics, que continua sem vencer times que tem algum resquício de talento. A vitória foi no estilo Pacers dessa temporada: porcentagem baixa de aproveitamento dos arremessos (37%) mas mesmo assim, de algum jeito, sei lá como, beiram os 100 pontos e vencem. Vai entender! Bom jogo do Beatle Paul George, 17 pontos e uma bela enterrada no final. No Celtics já dá pra enxergar o desgosto e o cansaço nos rostos de Kevin Garnett e Paul Pierce. Vamos torcer para que eles tenham um fim de carreira digno, só isso.

Alguns aplausos, mas as vaias foram mais altas na apresentação do Deron Williams no seu primeiro jogo de vola a Utah. Bizarro que o time titular do Nets tinha ainda mais dois ex-Jazz, Kris Humprhies e Mehmet Okur. Deron acabou com apenas 3-15 arremessos e seu time perdeu mais uma, 107-94. O Jazz aproveita o bom momento de seu calendário para acumular vitórias importantes caso o time queira brigar pelas últimas vagas nos playoffs. Improvável, mas possível. Outra coisa improvável é que o Thunder perca o primeiro lugar do Oeste tão cedo. Ontem bateram no Knicks, que estava ainda sem Carmelo Anthony, sem maiores dificuldades.

Para finalizar, outro dos poucos bons jogos da rodada. O Houston Rockets garantiu a terceira derrota do Portland Trail Blazers desde que falamos que eles estavam imparáveis. Mas foi só na prorrogação. O Blazers perdia por 10 no último período, mas empatou graças a Nicolas Batum, que acertou 6-7 bolas de 3 pontos e ainda conseguiu um tocaço decisivo em Kevin Martin. O Rockets se salvou com uma bola de 3 de Kyle Lowry (mais uma vez fantástico com 33 pontos, 8 rebotes, 9 assistências) no último minuto e depois com Kevin Martin na prorrogação. Em uma jogada decisiva, com o Rockets na frente por 2 pontos e sabendo que o Blazers teria a última posse de bola do jogo, ele fintou um arremesso, cavou falta e acertou os dois lances-livres que confirmaram a 5ª vitória do Houston na temporada.


Fotos da Rodada

– Por que eu fui querer mudar de time? É o Nets, meu deus…

-Te entendemos, cara.
-Totalmente.

Jim Carey brinca de ser técnico do Mavs

Taj Gibson imita Carlos Boozer

E o susto quando um negão desse te pega por trás! 

Kemba Walker mostra que alguma coisa é muito grande.
Vamos usar nossa imaginação agora…

Em público, Gasol? Mãos para fora do cobertor!

Ótimo entrosamento de Barnes e Paul. 

-Não tenha medo, Scooby. É uma máscara! O monstro é na verdade…

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

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