[Revista Bola Presa] Apresentação, técnicos, recordes e morcegos

Bloco de notas

O QUE VOCÊ ESTÁ LENDO?
A Revista Bola Presa é nossa nova tentativa de variar os conteúdos exclusivos para você que nos apoia. Estamos há algumas semanas sem nada de novo no ar e tudo isso é culpa de uma CRISE repetida que sofro por aqui: me empolgo com um formato e o replico até ficar ele ficar muito grande, complexo e trabalhoso. Por fim ele me engole e travo. Foi assim com nossos textos, com o Filtro e agora com a Prancheta. Durante as férias da Amora eu me frustrei tanto tentando fazer novas Pranchetas que acabei largando duas vezes no meio por pura frustração. Elas demoravam muito para ficar prontas, às vezes não conseguia a jogada certinha que eu queria ou algo na edição demorava uma eternidade.  Percebi logo o padrão com o que rolou com os textos e o Filtro.

A solução que pensei foi recuperar um pouquinho de tudo que deixamos de lado nos últimos tempos, mas num formato mais controlado. E se a gente tivesse uma coluna semanal com um texto (mas não tão grande assim), com curiosidades e histórias divertidas (mas sem o tamanho colossal do Filtro) e comentários táticos (mas sem separar dez variações de cinco tendências diferentes como na Prancheta)? É como uma revista semanal, que tem um pouco de tudo em tamanho adequado.

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Com a criação do AD&D Studio, dividimos também nosso tempo criando o Escuta Essa, o Pouco Pixel e criando projetos novos que ainda não estão no ar. A parceria com a NBA também nos toma alguns dias com a preparação para os comentários ao vivo no YouTube, no League Pass e às vezes no Panela. Precisávamos repensar o conteúdo para assinantes de uma forma que a gente conseguisse fazer. Acredito que a Revista Bola Presa seja isso. Quem sabe a gente não possa não ter mais vergonha de nos chamar de blog de novo?

Mas e os podcasts especiais?! Não vão parar, mas vamos repensar o formato. Os temas frios são legais, mas parece que toda ideia que temos é algo que já falamos antes. Deve ser porque já passamos do episódio SETENTA, né? Como vocês deram ótimo feedback no Museu de Relevância Temporário e na Série ReDraft, achamos que seria legal criar mais minisséries temáticas assim. Fica mais fácil de produzir na correria das semanas. Talvez alguma série com biografias? Uma sobre fundamentos? Sei lá, estamos pensando e aceitando sugestões! Ah, e o Podcast BTPH segue normal, claro. O que pode mudar é o GRUPO DOS ASSINANTES. Todos usamos cada vez menos o Facebook e uma mudança é urgente, embora todas nossas conversas com vocês não tenham resultado em qualquer coisa próxima de um consenso.

Por fim, sei que estamos devendo também alguns encontros aqui em São Paulo. A ansiedade de juntar multidões pós-pandemia, assim como os sábados cheios por causa das transmissões do League Pass jogaram contra, mas entendemos que está na hora de voltar. Em breve anunciaremos alguma coisa. Juro que dessa vez vamos cumprir!


Revista Bola Presa(1)

A ETERNA QUESTÃO
A demissão de Adrian Griffin pelo Milwaukee Bucks e a contratação de Doc Rivers para seu lugar reacendeu a eterna questão sobre como avaliar o desempenho de um técnico da NBA. Os resultados de Griffin foram ótimos, 30 vitórias em 43 jogos. Se desconsiderarmos a freguesia bem específica para o Indiana Pacers, 30 vitórias em 39 jogos. Mas podemos ignorar a freguesia? É uma questão de estilo de jogo que não bate ou um sinal de um técnico que não soube se adaptar e perdeu repetidas vezes para um mesmo adversário? Nos Playoffs isso custa caro.

O Bucks tem uma das piores defesas de transição da NBA, não à toa foi tão punido por um dos times mais velozes e mortais nos contra-ataques. Mas o quanto desse problema era culpa do técnico? Voltar para a defesa rápido e apontar quem pega quem não deveria também ser o mínimo para um time de veteranos? Mas e as declarações de Giannis Antetokounmpo sobre sobre o time não ter plano? Não tinha mesmo ou era um mero problema de comunicação entre comandante e comandados? Imagino Griffin tentando experimentar coisas novas (não contrataram ele pra isso?) e os jogadores interpretando as mudanças como falta de consistência. Assistentes podem dar conta do trabalho sujo da prancheta, um técnico precisa mesmo gastar energia para estabelecer relações, confiança e comunicação com seu grupo. Nisso Griffin falhou desde a briga com Terry Stotts ainda na pré-temporada.

Curiosamente, um dos trabalhos mais impressionantes dessa temporada é do técnico Will Hardy no Utah Jazz. Depois de um começo tenebroso, com o treinador detonando a entrega e disposição de seus jogadores em entrevistas coletivas, o time deslanchou e já está na zona de Play-In no Oeste, à frente de Houston Rockets e Golden State Warriors.

Mesmo sem tantos problemas de lesão, Hardy já usou doze titulares diferentes no Jazz. Do time que começou a temporada em quadra, apenas Lauri Markkanen e John Collins seguem começando jogos. Talen Horton-Tucker nem entra mais em quadra. É o oposto de Kris Dunn, que comeu pelas beiradas e hoje é titular. Já o novato Keyonte George começou jogando pouco, virou titular e já voltou para o banco de novo. O treinador experimentou Collins ao lado de Walker Kessler até perceber que os dois batiam cabeça e que era melhor ter Kessler, nada menos que o terceiro melhor novato de toda a NBA na temporada passada e mais promissor jovem do time, vindo do banco enquanto o veterano Simone Fontecchio pulou de jogar dois minutos por jogo para começar como ala titular. Ninguém estava a salvo, todos tinham chances.

Ou seja, o Utah Jazz, como o Bucks, também não teve consistência durante boa parte da temporada. E embora Will Hardy tenha tentado impor padrões, nem sempre eles pareceram estar lá nos piores dias. Foi na base de uma longa fase de tentativa e erro que o time finalmente se encontrou: uma dupla de armação física e agressiva com Dunn e Collin Sexton, talvez apenas menos assustadora que Jrue Holiday e Derrick White em termos de potencial defensivo nas posições 1 e 2 em toda a liga. Depois Collins como pivô que é uma ameaça constante de ponte aérea e Markkanen e Fontecchio como alas que nunca grudam a bola na mão. Se movimentam muito, arremessam bem e passam a bola rápido. Quando entram os reservas, entram todos de uma vez e vira outro time, mais focado no jogo individual de George e Jordan Clarkson enquanto Kessler fecha o garrafão e Kelly Olynyk e Ochai Agbaji tentam espaçar a quadra e fazer a bola girar quando os comandantes decidem passar a laranja.

Mas tudo isso só foi possível porque o processo de descoberta foi razoavelmente leve. Aconteceram as críticas duras do próprio Hardy que eu citei, mas nada como as entrevistas de Giannis ou a pressão de Bobby Portis no vestiário após eliminação da Copinha questionando a qualidade do treinador pra todo mundo ouvir. Ninguém no Jazz brigou, fez escarcéu ou pediu pra ser trocado. Mesmo com resultados, Griffin não ganhou a confiança do grupo. Mesmo com derrotas, Hardy teve o Jazz na mão.

Quando Griffin acatou o pedido do time de não mexer no papel defensivo de Brook Lopez, dizendo até que “às vezes os jogadores sabem mais que o técnico”, ele pode ter tentado ganhar o vestiário, mas o efeito foi o contrário. Como em uma boa paquera, às vezes ensaiamos umas frases de efeito sem saber o que a pessoa do outro lado vai achar. Ela é romântica, gosta de uma piadinha ou tem pavor de intimidade? Você tenta e vê no que dá. Griffin tentou e errou. E aí entra Doc Rivers, técnico muito rodado e mestre em saber ganhar um grupo.

Mas Rivers é outro que com sua história mostra que resultados não são tudo na hora de avaliar um técnico. Várias de suas derrotas e viradas sofridas nos Playoffs não são necessariamente desastrosas se você só olha de longe. Seu LA Clippers de 2015 era ótimo, mas o Houston Rockets também, qualquer um poderia vencer, certo? Certo. Mas abrir 3 a 1, tomar uma virada dos reservas de um adversário que já tinha entregado os pontos e depois desmoronar no Jogo 7? Irgh, aquilo foi um pesadelo! O mesmo vale para o Philadelphia 76ers do último ano. Ser eliminado na segunda rodada para o Boston Celtics era normal, até esperado por alguns. Mas abrir 3 a 2, ver seu time DERRETER em uma virada num Jogo 6 em casa e praticamente nem aparecer para o Jogo 7 é outra história. Os trabalhos foram bons até um evento traumático. Traumas abalam confiança e não tem trabalho bom de técnico sem a confiança do grupo.

Às vezes aqui fora não temos muito além do resultado para julgar. Palpitamos nas rotações, nas decisões de quando parar o jogo e na insistência ou desistência de certos planos táticos, mas nem sempre podemos comparar com o que gostaríamos de ter visto para ter certeza que estávamos certos. O melhor jeito de julgar um técnico é ver o seu dia-a-dia, sua relação com todos ao seu redor e como o que se discute fora da quadra se traduz lá dentro, essa comparação é fundamental e difícil de fazer pela TV. Por sorte nesse caso os jogadores do Bucks foram bem vocais em mostrar que a confiança havia ido por água abaixo. Que as entrevistas de Giannis contem agora a história de Doc Rivers por lá.


Revista Bola Presa(4)
A semana passada foi a semana das atuações wiltchamberlianas na NBA: na segunda-feira vimos 70 pontos para Joel Embiid e 62 para Karl-Anthony Towns. Na sexta-feira foi a vez de termos 73 pontos para Luka Doncic e 62 para Devin Booker. Como discutimos nos podcasts das duas últimas semanas, os ataques da NBA estão em modo recorde! Mais uma vez estamos vendo a maior eficiência ofensiva de todos os tempos, como já havia acontecido ano passado.

A lista abaixo pode parecer estar em ordem cronológica, mas na verdade é uma lista filtrada pela média de Rating Ofensivo (pontos por 100 posses de bola) de todas as temporadas da NBA. Sim, praticamente desde 2017 estamos quebrando recorde atrás de recorde e vendo o melhor ano ofensivo da história toda hora. Nesse período os únicos números que mudam mesmo são os de tentativas de bolas de 3 pontos e aproveitamento de arremessos em geral. A revolução dos 3 pontos já é assunto batido, mas continua acontecendo. Como defender times com tantos bons arremessadores em todas as posições? Esse é o problema. Maior até que as regras que favorecem os atacantes.

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RECORDES
Até essa semana só SEIS jogadores já haviam conseguido ao menos 60 pontos duas vezes na carreira: Wilt Chamberlain (32), Kobe Bryant (6), Michael Jordan (5), Damian Lillard (5), Elgin Baylor (4) e James Harden (4). Só nessa semana ganhamos mais TRÊS membros no clube: Karl-Anthony Towns (2), Joel Embiid (2) e Devin Booker (2). Outros 27 jogadores na história da NBA conseguiram a marca ao menos uma vez.

A rodada de segunda-feira foi apenas a quarta vez que uma mesma noite da NBA viu dois jogadores marcarem ao menos 60 pontos. Na sexta-feira aconteceu de novo! Antes disso os feitos eram de George Gervin e David Thompson (1978), Wilt Chamberlain e Jerry West (1962) e Wilt Chamberlain e Elgin Baylor (1961).

PONTES AÉREAS
Sabe qual é o dupla que mais conecta pontes aéreas na temporada? Luke Doncic e o novato Derrick Lively II. Que bênção para esse menino que foi cair no Dallas Mavericks! Chama a atenção no Top 10 também ver uma conexão entre pivôs, Karl-Anthony Towns e Rudy Gobert, e uma entre reservas, com Reggie Jackson e DeAndre Jordan fechando a lista.


Revista Bola Presa(2)
Nos últimos anos tenho ficado cada vez mais fascinado por defesas. Talvez justamente por ver os ataques florescerem e parecerem impossíveis de marcar, acho magnífico quando um plano tático ou a atuação de um jogador conseguem quebrar essa força colossal que são os ataques modernos da NBA. De todas as mudanças defensivas, a minha favorita tem sido ver o gradual aumento da importância do armador-defensor. Com a revolução ofensiva, qualquer armador que não soubesse arremessar caiu para segundo plano, não importa o quanto ele fosse bom defendendo ou mesmo criando, vide Ricky Rubio na segunda metade da sua carreira.

O ataque heliocêntrico coloca a bola na mão do melhor jogador, não importa a sua posição, e espera dos outros espaçamento e arremesso, especialmente dos mais baixos que não vão ajudar tanto com cortes e presença de garrafão. Nessa brincadeira um monte de jogador bom foi perdendo espaço por não arremessar bem, mas alguns estão recuperando espaço porque há valor em ser DISRUPTIVO na defesa. E tá aí a mudança: não é só defender bem, se posicionar no lugar certo e contestar arremessos. Se você é baixinho e não é uma força ofensiva que centraliza o jogo, você precisa PRODUZIR CAOS na defesa. Roubar bolas, se enfiar entre corta-luzes, desviar passes, atrasar jogadas, dobrar na hora certa, ser incansável. Separei abaixo lances de quatro desses jogadores que gosto muito dessa nova leva: Miles McBride, Alex Caruso, Dennis Smith Jr e o já citado Kris Dunn.

Reparem como Miles McBride não só marca, mas o tempo todo fica tentando forçar o erro de Cody Martin. Já com Alex Caruso o destaque é sua capacidade de trocar a marcação a cada corta-luz, marcar jogadores mais altos e conseguir fazer diferença mesmo lá no garrafão. O mérito de Dennis Smith Jr está nas dobras, ele força dois turnovers (nenhum roubo foi computado pra ele) só porque faz o ataque na hora certa, quando o adversário está com a bola exposta. E eu poderia ter cortado a ASNEIRA que ele faz no ataque depois? Poderia, mas aqui é basquete REAL. Por fim, reparem como Kris Dunn é imune a corta-luzes e está sempre grudado com quem ele deve marcar, é o tipo de coisa que inibe passes, quebra jogadas e diminui o ritmo dos ataques velozes que são tão difíceis de marcar. Jogadas são quebradas quando armadores marcam assim.

A maioria desses armadores-defensores não são titulares e vários não fecham jogos porque arremessam mal e acabam atrapalhando a organização ofensiva, mas anos atrás alguns deles estariam fora da NBA. Tenho sentido que mais técnicos estão valorizando esse tipo de jogador como uma resposta para limitar os ataques recordistas da atualidade. Vale ficar de olho na tendência.


Revista Bola Presa(3)
DUELO DA SEMANA
Quem foi melhor na pressão contra os longos lances-livres de Giannis Antetokounmpo? Max Strus contando os 10 segundos com os dedos e fazendo cara de “estou de saco cheio dessa merda” ou a equipe de transmissão do Denver Nuggets com o cronômetro?

CONQUISTA DA SEMANA
Marcar 73 pontos num jogo? Não, às vezes a coisa mais difícil para alguém é fazer algo que é fácil para outros. Nesta semana, pela primeira vez em sua carreira, Anthony Edwards conseguiu… ganhar um jogo do Washington Wizards! No ano passado quando falaram pra ele que ele conseguia fazer de tudo nessa vida, ele respondeu: “Eu não consigo vencer o Wizards”. Já pode relaxar agora, Ant!

JOGADA DA SEMANA
Nikola Jokic conseguiu induzir não um, mas dois jogadores do Boston Celtics a invadir o garrafão antes de um lance-livre decisivo de Aaron Gordon. Gênio é gênio.


Revista Bola Presa

MASCOTE DA SEMANA
O único destaque possível é ele, o Coyote, herói da cidade de San Antonio. Pela terceira vez em sua carreira ele conseguiu fazer uma CAPUTRA DE MORCEGO no meio de uma partida do Spurs. Morcegos são comuns na região e volta e meia invadem o AT&T Center. Embora Manu Ginóbili até estivesse na arquibancada neste último sábado, ele não tem mais o hábito de CAPTURAR MORCEGOS COM AS MÃOS, então coube ao Coyote entrar na quadra vestido de Batman e usar uma rede de capturar borboletas para garantir o seguimento do jogo.

E, claro, rolou a foto clássica com a folha de papel. Quem liga para os 73 pontos de Luka, né? Quantos animais selvagens ele encarou no meio do caminho?


CALENDÁRIO AD&D STUDIO
Quarta (31) – Novo episódio do Escuta Essa sobre Carnaval
Quinta (1) – Ao vivo com a gravação do Podcast Bola Presa da Semana às 17h30
Sexta (2)Podcast editado no Spotify ou seu agregador favorito
Sábado (3) – Estaremos nos comentários de Cavs x Spurs às 22h30 no League Pass
Segunda (5) – Estaremos no pré-jogo e Intervalo de Nets x Warriors no YouTube da NBA Brasil

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

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