San Antonio Spurs na contramão e no caminho certo

Depois de aniquilar o Atlanta Hawks com uma vitória por 25 pontos de diferença, o San Antonio Spurs recebeu o Utah Jazz e ganhou outra, dessa vez marcando 37 pontos a mais que o adversário. Com essas duas vitórias, o Spurs ultrapassou o Golden State Warriors com o melhor saldo de pontos da NBA, agora vencendo seus adversários por diferença média de 13.2 contra 13.1 do atual campeão.

Como disse em um de nossos posts especiais para assinantes, apenas 8 times na história da liga conseguiram terminar uma temporada com média superior a 10 pontos de superioridade. Desses, 7 foram campeões, a exceção aconteceu porque dois deles se pegaram numa mesma final, o Lakers e o Bucks de 1972.

(Sim, esse é o Lakers que venceu 33 jogos seguidos e esse é o Bucks que quebrou a sequência recorde da história da liga)

A disputa pelo melhor saldo pode ser uma de muitas travadas entre esses dois times ao longo da temporada. Tem ainda a disputa pelo primeiro lugar do Oeste, que hoje é do Warriors com 24 vitórias e 1 derrota contra as também impressionantes 21 vitórias e 5 derrotas do time de Tim Duncan e Tony Parker. Os dois estão invictos em casa. O Warriors tem o melhor ataque em pontos por posse de bola, o Spurs está em segundo; o time do Texas tem a melhor defesa, a do time californiano caiu nas últimas semanas e está apenas em 10º. O Warriors tem o melhor aproveitamento de 3 pontos, o Spurs está em . Eles são Top 2 em rebotes defensivos, assistências e aproveitamento geral de arremessos.

Pra que tudo isso? Para que a gente não fique iludido pela sequência de vitórias do Golden State Warriors, eles são os melhores hoje, mas tem, sim, um adversário a altura. Enquanto o resto da liga parece muitos passos atrás, esses dois times estão jogando como se já fosse março.

[image style=”” name=”on” link=”” target=”off” caption=”-Você que corre agora, amigo. Eu já tenho meus anéis”]http://bolapresa.com.br/wp-content/uploads/2015/12/LM2.jpg[/image]

Mas talvez mais interessante do que ter dois times historicamente bons (ao menos após um mês e meio de temporada) é ter dois times que estão fazendo isso de maneiras tão diferentes.

Há alguns dias, Gregg Popovich, técnico do San Antonio Spurs, disse que segue não gostando das bolas de três pontos no basquete. Ele afirmou que tudo aquilo de arremesso de longe parece “coisa de circo” e que pra ele isso não era basquete. Para ser justo, ele admitiu que os arremessos de longe foram parte importante de todos os títulos do seu Spurs, mas que não era por isso que ele gostava. Para Pop, é apenas um mal necessário.

Eu entendo a abordagem old school de Gregg Popovich, especialmente hoje em dia. Durante tantos e tantos anos o basquete foi sobre passes, cortes, movimentação, bloqueios e abrir espaços. Hoje ainda se vê tudo isso, mas cada vez mais aparecem jogadores que simplesmente ignoram o adversário e apenas arremessam a bola por cima da defesa. O caso mais extremo é Steph Curry, que realmente faz parecer que estamos vendo mais uma apresentação surreal do Cirque du Soleil, mas ainda existem os Korvers, Klays e tantos outros que ano após ano aumentam o total e o aproveitamento da liga nesses arremessos. Está aí o Houston Rockets (e não podemos esquecer do Knicks de Mike Woodson) que nem se incomoda em movimentar muito a bola antes de lançar o arremesso de longe. O pior? Vale a pena! Três pontos em um só arremesso é muita coisa, quem criou esse arremesso não imaginava que um dia os jogadores iam transformar esse chute em algo tão casual.

A conversa conceitual é interessante. Deveríamos tentar fazer as bolas de 3 pontos ficarem mais difíceis? Os times irão naturalmente buscar mais variação ou a tendência é vermos mais times que só chutam de longe? E mais: alguém se incomoda além de Popovich? Pelo o que ouvimos nas quadras, bolas de 3 pontos só não são mais ovacionadas do que enterradas.

Isso é papo de blogueiro desocupado, porém, Popovich deixou bem claro que não está aí para discutir basquete teórico. Ele quer vencer e fará o que for preciso para isso. E é aí que o Spurs se torna tão interessante: logo depois do Golden State Warriors ser campeão da NBA, logo depois do próprio Spurs dominar e ENCANTAR a liga com um basquete leve e veloz, bem quando até times como o Indiana Pacers estão buscando uma identidade mais baixa, veloz e baseada em chutes de longe, é aí que Popovich volta 10 anos no tempo e tenta remontar um Spurs que mais se parece com os times campeões de 2003 e 2005.

[image style=”” name=”on” link=”” target=”off” caption=”Chegou agora no time e não sabe que é proibido sorrir durante os jogos”]http://bolapresa.com.br/wp-content/uploads/2015/12/LM1.jpg[/image]

Como já comentamos em alguns Podcasts, o Spurs dos últimos 4 anos não existe mais da mesma maneira. Naqueles times ninguém segurava a bola por mais do que três segundos, era passe atrás de passe, sempre buscando qualquer o jogador que estivesse o mais livre possível para o arremesso de longe ou uma bandeja fácil. Nesse ano, não. Agora são muitas as posses de bola onde os passes são apenas distrações para encontrar LaMarcus Aldridge ou Kawhi Leonard em posição de atacar o adversário e pontuar.

Para fazer isso com sua nova dupla de estrelas, em especial Aldridge, o Spurs diminuiu o ritmo de seu ataque. Foi feio nas primeiras semanas, mas já embalaram e o ala ex-Blazers já está jogando no altíssimo nível que nos acostumamos a assistir. Antes da temporada tinham medo que o estilo dele não bateria tanto com o do Spurs, pelo gosto de segurar a bola e ir com calma para o mano-a-mano no garrafão, e calhou que foi isso mesmo que aconteceu. Mais uma vez o San Antonio Spurs não teve medo de simplesmente se adaptar a sua nova realidade. Assim como quando começaram a jogar com mais passes quando nem Duncan e nem Parker davam conta de carregar um ataque inteiro nas costas.

Na temporada passada Popovich disse, logo após a eliminação para o LA Clippers nos Playoffs, que acreditava que Kawhi Leonard poderia liderar a franquia. Ele disse que o ala tinha o talento para isso, mas faltava agir como esse líder: jogar no máximo todos os jogos, chamar o jogo quando as coisas estavam difíceis, não tirar nenhum dia de “folga” em termos de dedicação, pontuação ou precisão. Tem os caras que jogam mal de vez em quando, os que só jogam bem em casa, os que só brilham contra times ruins. A estrela do time tem que jogar demais contra todo mundo, se virar nos dias ruins, cobrir os defeitos dos outros que não são tão bons. Pop disse que precisaria esperar para ver, mas não teve medo de entregar o bastão na mão de Leonard. Confesso que foi estranho ver, especialmente no começo do ano, Kawhi Leonard deixando Parker, Duncan e Ginóbili olhando enquanto tentava arremessos difíceis, sendo até exageradamente fominha em algumas posses de bola. Não parecia o Spurs, mas era o que Popovich tinha pedido.

O time não abandonou por completo o jogo de passes rápidos dos últimos anos, voltam a jogar assim especialmente quando Boris Diaw entra em quadra e deixa o time mais leve do que a dupla Duncan-Aldridge, mas é claro que esse time aborda o jogo de uma maneira diferente. Mais focado na defesa, preocupado em usar a força e altura de seus principais jogadores e usando justamente esses atributos para conseguir as bolas de 3 pontos. Quem assistiu deve lembrar bem como todos os arremessos de 3 de Stephen Jackson ou Bruce Bowen na década passada nasciam de alguma marcação dupla desesperada que os times mandavam para tentar parar o imparável jovem Tim Duncan.

Será que o Spurs mudou o seu estilo pensando em bater o Golden State Warriors? Nós já dissemos aqui e repetimos: os times que mais deram trabalho para o campeão na última temporada foram os que não entraram no jogo de Steph Curry e cia. O Memphis Grizzlies e o Cleveland Cavaliers nos Playoffs, o Chicago Bulls na temporada regular, foram os times que atuaram com muitos pivôs, que tentaram fazer o Warriors pagar por jogar baixo, foram os que mais machucaram. Venceram? Não, é verdade, mas parece que tem algo aí a ser explorado.

O que o Spurs parece tentar fazer é juntar o melhor dos dois mundos. O time é alto o bastante para incomodar as formações mais baixas do Warriors com rebotes ofensivos e jogadas de pivô, mas ao contrário do Grizzlies (Tony Allen), ou do Cavs (Tristan Thompson, Dellavedova), o Spurs tem bons jogadores de ataque em todas as posições, bons passadores e podem se virar da defesa mordedora do Warriors sem cometer um milhão de turnovers, sem sofrer com contra-ataques o tempo todo. Além de ser um time que tem bons arremessadores para não precisar passar o jogo inteiro sempre fazendo cestas que valem menos.

Talvez o San Antonio Spurs apenas tenha se aproveitado da situação. LaMarcus Aldridge era o único Free Agent de alto nível disponível para esse ano e eles se adaptaram para subir o nível do time; talvez Popovich tenha pensado em tudo desde sempre e queria ser um time alto e lento para ter uma carta na manga na era do pace-and-space. Não sei dos bastidores, mas o resultado tem sido impressionante.

Primeiro encontro entre San Antonio Spurs e Golden State Warriors? 25 de Janeiro em Oakland. Não perco por nada.

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

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