O legado de um ano

O legado de um ano

Outro dia comentaram no Twitter que Allen Iverson não foi só um jogador, mas um movimento cultural dentro da NBA. A frase não se explica sozinha, afinal o que é um “movimento cultural” dentro de uma liga de basquete? Mas ela, sim, resume bem porque tanta gente está comentando e conversando sobre o jogador tanto tempo depois do seu auge, e porque tanta gente ficou emocionada com o anúncio de sua aposentadoria que, no fim das contas, todo mundo já sabia que estava concretizada faz tempo.

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Ao contrário do que costumamos dizer e lembrar sobre Allen Iverson, não foi ele que levou a cultura negra das ruas e o hip hop para dentro da NBA. Mas fica na história não quem inventou, não o primeiro, mas quem fez todo mundo olhar para o que antes ficava embaixo do tapete. Iverson era puro gueto, era o ‘thug‘ por excelência, falava o que queria, quando queria e, ao contrário da maioria dos que vieram antes dele, era bom o bastante para todo mundo parar e ouvi-lo. Ou melhor, ele era tão bom que era ouvido mesmo quando ninguém queria. Ele forçava a barra, ele exagerava nas roupas largas, nas joias, nas correntes, nos palavrões e quando a NBA queria ignora-lo, exagerava nos pontos, no show, nos dribles. Allen Iverson era problema e solução. Era carismático e talentoso o bastante para carregar nas costas dele uma liga inteira que precisava de novos rostos para sobreviver e lucrar após a aposentadoria de Michael Jordan, mas ao mesmo tempo era justamente a cara que a NBA não queria para ela. Por que o público não poderia simplesmente ser tão apaixonado por Tim Duncan?

Embora não exista uma fórmula para se criar ídolos, é possível entender alguns depois que eles estão prontos. Iverson representava o que muita gente era e, ainda mais, o que muita gente queria ser. Quando ele se mostrava um cara qualquer de uma periferia americana, falando como eles, do jeito deles, ele era o que muitos moleques tarados por basquete eram nos Estados Unidos e muitos outros cantos do mundo. Quando ele driblava Michael Jordan, era o que todos aqueles queriam ser. Quando ele aparecia para os jogos com bermudão largo, camisa GGG e seus clássicos cornrows na cabeça, era igual qualquer moleque pobre, jogador de streetball. Mas logo depois disso entrava em quadra com duzentas lesões e se entregava por completo ao jogo, com uma paixão que não nos entregamos nem quando fazemos coisas que precisamos, devemos e amamos. Iverson era hipnotizante porque era um baixinho de 1,80m como qualquer um de nós, meros fãs, mas ao mesmo não era. Era um de nós mostrando que dava pra ser mais do que só um de nós.

O máximo de comparação que eu consigo fazer para o nosso atual momento é com o Neymar. Quando formos contar para nossos filhos da época do cai-cai no Santos, falaremos do tri-campeonato Paulista e da Libertadores, mas quem viveu o dia a dia como nós saberá que foi mais do que isso. O imaginário do país inteiro, sedento por um ídolo, passava por ele, mesmo que fosse para vaiar, criticar e cobrar. Seu rosto em todas as propagandas, as crianças imitando o cabelo, qualquer ação sua virar notícia, a mídia parando para divulgar suas possíveis mudanças de clube: ele foi a cara do esporte no Brasil por um período. Allen Iverson fez o mesmo para o basquete, mas seu cabelo não era só feio ou diferente para a maioria, era ofensivo, representava uma parcela da população que sempre se sentiu não representada. Imaginem Neymar sendo grosseiro nas entrevistas, sem media training, vestindo o que aqui chamamos, com todo o preconceito e racismo embutido, de “roupa de mano”. Imaginem se Neymar fosse tudo o que a Globo não quisesse mostrar com piadinhas ao lado do Tiago Leifert, mas que ao mesmo tempo não conseguisse evitar mostrar todo dia.

A carreira de Allen Iverson é ainda mais fascinante porque ela passou longe de dar certo, pelo menos coletivamente. Foram 14 anos de NBA, uma única aparição em Final, três derrotas na segunda rodada dos Playoffs, algumas derrotas na primeira rodada e em outros anos nem viu pós-temporada. De maneira individual ele brilhou um pouco mais, claro, com média de 26,7 pontos por jogo na carreira, um dos melhores de todos os tempos no quesito. Mas é um título que vêm acompanhado de comentários sobre os 22 arremessos tentados por jogo, sobre ser fominha, individualista, matador de grupos, infartador de técnicos e tantas coisas mais.

Talvez até mais do que Kobe Bryant, Iverson foi o centro das discussões sobre o estrelismo dentro de um time de basquete. Afinal Kobe também sempre ouviu as mesmas críticas, mas foi capaz de jogar ao lado de Shaquille O’Neal, de vencer títulos. A cena mais simbólica da dupla é um passe de Kobe para Shaq no Jogo 7 da final do Oeste de 2000. Um passe. Kobe Bryant na história por um passe, é possível. Já Iverson nunca teve um companheiro a altura. Ou melhor, teve, mas eles nunca duraram. O Philadelphia 76ers tinha Jerry Stackhouse quando Iverson chegou à NBA, ambos tiveram mais de 20 pontos por jogo no primeiro ano de AI na liga, mas no ano seguinte a média de arremessos de Stackhouse caiu, a de pontos também e ele parecia cada vez mais deixado de lado no ataque. Acabou sendo trocado para o Detroit Pistons. Depois o Sixers arriscou Larry Hughes, mas o entrosamento dos dois foi um desastre, com Hughes sem saber o que fazer sem a bola no ataque e arremessando mal quando tinha ela na mão (mais ou menos o que aconteceu com o mesmo Hughes quando ele foi o escudeiro de LeBron James no Cavs). Foi trocado para o Warriors. Por fim eles tentaram até o já veterano Toni Kukoc, que viu suas médias de pontos despencarem para até 8 pontos por jogo no começo da temporada 2000-01, só para depois voltar para 19 quando ele foi, finalmente, trocado para o Atlanta Hawks. Por um lado parecia claro que Iverson só seria capaz de ter resultados coletivos com ajuda, por outro ninguém parecia ser capaz de render ao lado dele. Estava fadado a ser um jogador bom em time ruim?

AI x Sonics

É aí que entra a temporada 2000-01 da NBA, esta mesma que começou mas não terminou com Kukoc no elenco do Philadelphia 76ers. O livro The Undisputed Guide to Basketball History do finado Free Darko é uma obra prima sobre a história do basquete nos EUA. São alguns ótimos textos soltos contando, por pedaços, o caminho do basquete e da NBA desde sua criação até os tempos atuais. Um dos capítulos do livro não é sobre Allen Iverson, mas sobre essa temporada 2000-01 em especial, que eles chamam de “o real legado de Iverson” ao basquete. O termo não poderia ser mais correto. O jogador foi mais do que aquele ano, mais do que os jogos de 50 pontos naqueles Playoffs, mas esse resto não é o que ficou. Às vezes é difícil explicar para quem não acompanhava a NBA na época o que era a presença de Iverson na quadra ou mesmo na liga. Só se falava nele, tudo era ele, todo mundo queria imitá-lo nas peladas, usar seus Reeboks; camisas do Sixers pipocavam em qualquer canto de qualquer lugar. E mesmo se os cornrows e as correntes já fossem usados por muita gente, era como se continuassem a usar por causa de Iverson.

A história é cruel. Mesmo (ou principalmente) nos esportes, ela e contada pelos e para os vencedores. O impacto cultural de Iverson para o basquete estava fadado ao esquecimento ou ao rebaixamento. Alguma coisa tinha que ser feita dentro da quadra para sustentar o que acontecia fora dela. Faltava o legado.

O técnico do Philadelphia 76ers antes da temporada 2000-01 era Larry Brown, especialista em defesa que tinha deixado o time como um dos 5 que menos tomava pontos por posse de bola nos dois anos anteriores. Mas isso não evitava as derrotas na segunda rodada dos Playoffs. A decisão tomada pela direção do time foi, portanto, a mais radical possível: trocar Allen Iverson. Ninguém consegue jogar ao lado dele e o time funcionava perfeitamente sem o armador na defesa, que tal pegar jogadores menos problemáticos, que não se recusassem a treinar, para formar um time vencedor? Foi o que fizeram, acertando uma troca gigantesca, de 4 times,

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que envolvia Iverson indo para o Detroit Pistons ao lado de Matt Geiger, e com Los Angeles Lakers e Charlotte Hornets entrando no negócio com outros tantos atletas, entre eles Glen Rice. Como vocês sabem bem, a troca não aconteceu e o engraçado é o motivo. Matt Geiger, um pivô careca bem mais ou menos, tinha direito a um trade kicker caso fosse negociado. É uma espécie de bônus pago para um jogador quando ele é trocado, baseado em uma porcentagem de seu contrato. Esse dinheiro pode ser pago pelo time que o troca ou pelo o que recebe, é negociável e raramente causa problemas. Mas nesse caso nenhum time quis pagar a quantia para Geiger, que então poderia abrir mão do dinheiro e deixar a troca rolar ou barrá-la. E barrou.

Não sei se Iverson falou abertamente sobre essa troca, não me lembro, mas sua atuação no ano seguinte deu a entender que aquilo o incomodou. Talvez fosse o momento de maneirar, na medida do possível, com as reclamações e atitudes extra quadra e mostrar serviço dentro dela. O “na medida do possível” na frase anterior foi adicionado de propósito, porque Iverson não era o tipo de cara que fazia as coisas para ser do contra, de birra, ele agia do jeito que agia porque era assim. Pouco antes da temporada começar ele se arriscou no mundo do rap, lançando, sob o nome de Jewelz, uma música chamada40 barscom referências a crime, tiros, assassinato e homofobia. David Stern e o Sixers, agradecendo a era pré-banda larga, conseguiram fazer com que a música não fosse lançada ou que pelo menos não tivesse toda a divulgação necessária. Iverson aceitou, como finalmente aceitou o técnico Larry Brown como um líder na equipe. Do mesmo jeito Brown aceitou Iverson como um jogador especial, que precisava de um time especial, diferente do padrão da NBA e do basquete em geral.

Ao lado de Iverson, apesar da contratação de Toni Kukoc, nenhuma estrela, ninguém para dividir o ataque. O ataque era ele. Jogadas de mano a mano, contra-ataques, bloqueios e posicionamento focados em aproveitar o máximo o talento da estrela. Sem precisar se desgastar no ataque, o time ralava nos rebotes, na defesa e tinha entrosamento impecável. O resultado foi a 5ª melhor defesa daquela temporada e Top 5 também em outras categorias como rebote, rebote ofensivo, roubos e lances-livres (tentados e certos). Do outro lado, Iverson fazia 40% dos pontos do time, quando a média de um cestinha de um time naquela temporada foi de 30%. O segundo cestinha do time, Aaron McKie, marcava 15% dos pontos, quando a média da NBA naquele ano era de 21% para um segundo pontuador.

Certamente não foi fácil para Larry Brown convencer um grupo de adultos, de atletas profissionais, que eles deveriam sacrificar tudo, desde a quantidade de seus arremessos até sua relevância ofensiva, em nome de um companheiro de time que era famoso por faltar em treinos e não passar a bola. Mas deu certo, não sei como, e todos os méritos do mundo para o treinador para isso. E méritos para Iverson, que se entregava tanto em quadra, apanhando, correndo, que ganhou a confiança dos companheiros. A desgastante relação entre os dois mexeu tanto com ambos que, anos atrás, quando fui numa palestra de Larry Brown aqui no Brasil, ele só queria falar (e se empolgava loucamente) do seu jogador mais problemático. Falei dessa palestra em um post antigo e repito aqui: apesar de ter tido mais sucesso depois no Detroit Pistons, o quase militar Larry Brown parece se orgulhar mais do seu vice-campeonato com o Sixers, principalmente pelo jeito que lidou com, como ele diz, o jogador mais talentoso com quem já trabalhou.

Os carregadores de piano para Iverson naquele time eram Eric Snow, Aaron McKie (eleito o melhor reserva da temporada), George Lynch, Toni Kukoc e Theo Ratliff. Os dois últimos, porém, foram trocados no meio da temporada por Dikembe Mutombo. Mesmo com Kukoc mal fazendo pontos, o Sixers tinha a melhor campanha do Leste e sabia das chances de chegar na final e enfrentar Shaquille O’Neal e o Lakers. Também sabiam que pivô defensivo por pivô defensivo, Mutombo era mais que Ratliff, apesar da grande forma deste naquela época. E se tem um tipo de jogador que pode fazer a diferença em um jogo sem nem precisar tocar na bola no ataque é um pivô como Mutombo, que só com tocos, defesa e rebotes faz a sua parte num jogo.

Aquele ano teve Allen Iverson como cestinha, com 31.1 pontos por jogo, o Philadelphia 76ers com melhor campanha do Leste e dois troféus para AI: MVP da temporada e MVP do All-Star Game. Era o ano dele, faltavam os Playoffs. Foi então que o legado, quase pronto, se concretizou. O Sixers bateu primeiro o Indiana Pacers, então campeão da conferência, depois derrotou o Toronto Raptors em épicos (sem a banalização da palavra) em 7 dificílimos jogos, depois venceu o ótimo Milwuakee Bucks e, por fim, enfrentou o Los Angeles Lakers na final. Ao todo, nessa pós-temporada, Iverson teve 6 jogos com 40 ou mais pontos, em dois deles passou dos 50. No Jogo 7 contra o Raptors, quando foi absurdamente bem marcado, distribuiu 16 assistências. E tudo isso jogando com tantas, mas tantas lesões que era inacreditável que ele estava sequer vivo e respirando, quanto mais jogando uma média de 46 minutos por partida! A imagem abaixo está numa resolução péssima, mas é uma que me marcou demais. Estava assistindo um jogo naquela época quando apareceu essa foto com a lista de todas as lesões sofridas por AI pouco antes ou durante os Playoffs de 2001.

Iverson injuries

Para chamar de conto de fadas faltava derrotar o todo poderoso Los Angeles Lakers na Final da NBA. Isso não deu. Aquela equipe tinha Shaquille O’Neal na melhor forma da sua vida, Kobe Bryant num nível absurdo e um grupo de coadjuvantes que sabia perfeitamente o que estava fazendo. Era uma equipe que tinha acabado de passar pelo Oeste sem NENHUMA derrota! Varrida atrás de varrida. A expectativa era que o Sixers iria ser atropelados também. Como Mutombo, mesmo sendo o grande Mutombo, pararia Shaq? Quem poderia ser capaz de defender Kobe Bryant? Quem, além de Iverson, marcaria sequer meia dúzia de pontos? Os times pareciam de outras categorias. E isso mais por mérito do Lakers do que por demérito do Sixers, que fique claro.

Mas por uma noite foi um conto de fadas. O Jogo 1, em Los Angeles, foi a única derrota do Lakers em toda a pós-temporada, já que iriam fechar a série por 4 a 1 contra o Sixers. Naquela partida, decidida na prorrogação, Mutombo tomou 44 pontos de Shaq na cabeça, mas o defendeu do melhor jeito que poderia; um pirralho chamado Raja Bell fez o primeiro de tantos bons confrontos contra Kobe e Iverson, bom, Iverson marcou 48 pontos. E isso porque ele passou um período grande da partida, no segundo tempo, sem acertar um arremesso sequer devido a furiosa marcação do desconhecido Tyronn Lue, um armador baixinho, que pouco jogava pelo Lakers, mas que havia interpretado o Iverson durante os treinos de Phil Jackson em Los Angeles, até sendo obrigado a adotar o cabelo do astro do Sixers.

O arremesso mais famoso de Iverson naquela série foi, claro, sobre Tyronn Lue.

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É uma bola que resume Iverson. O arremesso cheio de arco de meia distância, o corte seco, indefensável, o passo sobre Lue, caído no chão, com raiva e marra. A olhada mortal para o banco do Lakers que gritava em sua orelha. O apelido “The Answer” se explica nesse chute. Como não entrar em êxtase ao ver o baixinho marrento, sozinho, bater o melhor time da temporada com um arremesso desse? Sobre um cara que era uma imitação barata sua, que havia entrado no jogo para desestabilizá-lo? E, pior, que estava tendo sucesso nisso! Ao mesmo tempo, é um arremesso que explica porque Iverson sumiu, de repente, da NBA. Individualidade excessiva, arremesso longo de dois pontos, caindo para trás, apenas para provar um ponto. Iverson vai contra qualquer nova ideia de um basquete eficiente. Mas por uma temporada, por um jogo de Final, o seu estilo prevaleceu na NBA. O resto é resto.

Não vale a pena lembrar aqui as passagens dele por Denver Nuggets (embora tenha sido relativamente boa), Pistons, Grizzlies e seu retorno, curto mais simbólico, para o Sixers, onde fez seus últimos jogos na NBA. Falar disso seria tocar no assunto de como ele e jogadores do seu estilo ficaram irrelevantes na liga. Também teríamos que nos aprofundar em sua personalidade, como ele nunca aceitou o fato de envelhecer, de ficar mais lento, de mudar seu estilo de jogo, de não ser o centro do mundo. Estes são seus problemas, sua individualidade, sua personalidade. Não são, felizmente, o seu legado para o basquete.

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Para os interessados, existe um documentário da série 30 for 30 sobre o Iverson. Se chama “No Crossover: the trial of Allen Iverson” e trata do julgamento e condenação do jogador, quando ainda era um colegial, em uma briga generalizada dentro de um boliche na cidade de Hampton, na Virginia. Foi um conflito de motivações raciais que resultou na condenação de Iverson, que passou 4 meses preso até receber o perdão do governador local após muita pressão de toda comunidade negra da região.

O diretor do documentário é Steve James, o mesmo do antológico Hoop Dreams, o melhor filme sobre basquete já feito. E o cara é bom mesmo, fez uma obra complexa e que não tenta dar respostas prontas sobre como o Iverson virou o Iverson, mas é legal para ver e tirar suas próprias conclusões. Ele é um dos caras mais complexos, interessantes e inexplicáveis da história da NBA e o filme só deixa isso mais claro. Para os interessados nos complexos problemas raciais dos EUA é uma boa pedida também.

Quem é melhor? (de novo)

Hoje a ESPN Brasil divulgou em seu site um ranking com os 30 maiores jogadores de todos os tempos na NBA. Ao contrário da maioria das publicações sobre o tema, não reuniram um grupo de palpiteiros para usar memória afetiva e números arbitrários para definir os melhores, ao invés disso criaram um sistema de pontos que contabiliza média de pontos, rebotes, assistências, número de títulos, MVPs (temporada e finais) e eficiência para ranquear os atletas.

O resultado deve ter agradado a maioria, já que Michael Jordan dominou a contagem de pontos e terminou em primeiríssimo lugar. Atrás dele pivôs com coleções de recordes: Bill Russell, Kareen Abdul-Jabbar e Wilt Chamberlain. Depois aparecem LeBron James, Magic Johnson, Shaquille O’Neal, seu rival Kobe Bryant, Larry Bird e, fechando o Top 10, Tim Duncan. Tirando a ordem, onde cada um tem suas preferências, imagino que boa parte das listas ao redor do mundo trariam basicamente os mesmos nomes, mas isso quer dizer que a lista foi um sucesso? Hora de fazer o que a ESPN não fez, discutir o assunto.

Ranking ESPN

Gosto da ideia de tentar transformar algo subjetivo em objetivo, por mais difícil que isso seja e por mais insatisfatório que o resultado possa ser. Tenho pensado muito nesse assunto ultimamente ao ler e pesquisar sobre estatísticas aplicadas ao futebol, a modalidade que parece ser a fronteira final na entrada dos números e da análise avançada no mundo esportivo. Muitos acreditam que um jeito de transformar o jogo de futebol em algo mais “contável” passe por separar a partida em mais categorias, mas isso sempre esbarra em alguns conceitos como o clássico “chances de gol”, que incomodam por serem muito subjetivos. Na ausência de algo melhor até o momento, vale. Assim, gosto da abordagem de pegar a famosa discussão de quem é melhor e transformá-la em algo mensurável, a decisão final é decidida por números e não porque o Jordan é mais macho que o LeBron.

Porém tenho muitas dúvidas sobre a metodologia e a própria necessidade de se gastar tempo discutindo o assunto. Antes sobre a metodologia. Não gosto dos pontos extras dados aos títulos, é algo completamente coletivo e que envolve a sorte de ter bons companheiros de time e exige a competência destes e de uma comissão técnica para que dê certo. É claro que quanto melhor o jogador é individualmente, mais chances ele tem de título, mas mesmo assim vejo isso atrapalhando o julgamento individual dos atletas. Se Chris Bosh tivesse ficado em Toronto ao invés de se juntar a LeBron James e Dwyane Wade no Heat ele seria um jogador pior individualmente?

A questão do MVP poderia até ser uma boa ideia, mas não é um prêmio tão individual assim. Como sabemos muito bem, só recebem o troféu jogadores que estão entre as equipes com as melhores campanhas da temporada. E isso acontece justamente porque os votos são feitos por pessoas, cada uma com sua subjetividade, e a maioria acha que não é uma boa ideia dar o prêmio para um jogador que não leva seu time ao topo. Novamente, portanto, a contagem de pontos favorecem grandes times ao invés de grandes jogadores. E a contagem, que visava ser objetiva, fica mais subjetiva ao levar em conta um troféu entregue baseado em votos pessoais.

Depois aparecem as estatísticas de cada jogador, pontos, rebotes e assistências. Não gostei que os pontos ganham valor dobrado. Por mais que sejam os pontos que definam um jogo, essa vantagem já existiria na contagem porque cada cesta vale 2 ou 3 pontos contra as assistências e rebotes, que vão de 1 em 1. Em outras palavras, ter 13 pontos de média vale mais do que 10 assistências ou 10 rebotes, o que é absurdo. Por fim eles ainda acrescentam a eficiência que, se for como a NBA.com computa, envolve, novamente, pontos, rebotes e assistências. Por mais que seja um cálculo mais complexo e também envolva turnovers e outras variáveis, não é prejudicial contar duas vezes o mesmo número?

Vocês lembram deste texto que eu fiz sobre um estudo que sugeria que o basquete deveria ser dividido em 13 posições ao invés das tradicionais 5? Em resumo, o cara usou o software de sua empresa, o turbinou com as estatísticas de todos os jogadores da NBA e gerou um mapa que separava os jogadores baseados em suas semelhanças e diferenças. Neste mapa ele encontrou 13 tipos diferentes de jogadores, as 13 novas posições. Só depois de terminar e publicar o texto que eu consegui conversar com o Muthu Alagappan, o rapaz responsável pelo premiado projeto. Perguntei se ele, que tinha usado estatísticas básicas como pontos, rebotes e assistências para seu mapa de semelhanças, já tinha considerado agrupar os jogadores também usando estatísticas avançadas como porcentagem de rebotes ou eficiência no programa. Ele me disse que já tinha usado, sim, mas que os resultados foram péssimos. O programa juntou atletas que pouco tinham a ver em categorias parecidas porque, segundo ele, as mesmas estatísticas estavam sendo computadas múltiplas vezes. Os mesmos rebotes eram usados dentro da eficiência, dentro da porcentagem de rebotes, por exemplo. O uso múltiplo dos mesmos números tirou a precisão dos dados simples.

Aqui acredito que acontece algo parecido, mesmo que a conta seja bem mais simples que as utilizadas no programa de Muthu Alagappan. Um jogador que se destaca em pontos é beneficiado quando suas cestas valem mais que rebotes e assistências, depois ajudado quando os pontos são multiplicados por 2 e depois quando os pontos são a parte mais influenciável dentro da conta de eficiência. Não à toa que a lista favorece especialistas em pontos (Iverson e Chamberlain, por exemplo) sobre especialistas em assistências (como Nash, que ficou de fora mesmo com 2 títulos de MVP). Entre os armadores, se destacam os que tem títulos e que eram excelentes pontuadores, não os que brilharam “somente” nas assistências.

Allen Iverson

 

Mas não quero ficar só falando do método, até porque eu não faria melhor. Acho que o relevante aqui é a gente se perguntar se essa discussão realmente vale a pena. Vocês sabem bem que aqui no Bola Presa a gente evita e odeia todas essas discussões de quem foi melhor, inclusive já tiramos muito sarro das enfadonhas “Kobe ou LeBron?” que assombram a internet dia após dia. Acreditamos que existem jogadores melhores do que outros, mas quando isso é muito óbvio, não vale a discussão. Por exemplo, Kobe Bryant é melhor que Ronnie Brewer. É uma diferença tão colossal que não vale a pena se aprofundar. E quando a diferença não é grande, mas mínima, como entre Kobe e LeBron, também não vale a discussão porque nenhum dos argumentos que surgem numa conversa vão ser definitivos. É conversa de botequim e, sejamos sinceros, conversa de botequim só é legal pra quem tá bêbado. Que discutam no botequim.

Existe só um momento em que discussões sobre quem é melhor vale a pena. Acontece quando ela é um mero pretexto para discorrer sobre a história, estilo, características e personalidade de certo jogador. Acho que existem maneiras menos apelativas de fazer isso, mas uma discussão Kobe/LeBron pode ser interessante para traçar paralelos na carreira dos dois, deixar mais claro pontos sobre as suas personalidades, como abordam o basquete e principalmente a relação com os companheiros de time. Ou seja, uma desculpa para análises individuais, sem nenhuma necessidade de um veredito final. E é nisso que a ESPN Brasil mais deixa a desejar com a lista de hoje, na discussão. A lista é jogada no site como uma galeria de fotos completamente sem comentários ou análise. E eles não tem só o Eduardo Agra e o Zé Boquinha para falar de NBA por lá. O Gustavo Hoffman manja demais de NBA e sempre participa do podcast sobre basquete deles, além de outras pessoas que trabalham na redação e também podem palpitar com autoridade sobre o assunto. Conheci alguns deles e sei que eles podem fazer uma análise mais trabalhada disso, seja em texto, vídeo, áudio, como bem entenderem porque dominam também a forma além do conteúdo. Mas só jogar a lista ficou apelativo, apenas motivando comentários indignados de ver LeBron James na frente de jogadores que tem mais carisma e fãs do que ele. E não deixa de ser mais broxante que isso venha de um canal que é o especialista em fugir das discussões banais quando o assunto é futebol. Por que com o basquete não podem ir mais a fundo também?

Sabemos que estamos há um tempão sem posts aqui no blog e que isso é chato para vocês, leitores. Mas é férias da NBA e aproveitamos para tirar umas férias desse mundo também. Mas, mais do que isso, queremos escrever sobre coisas relevantes, sobre assuntos que encantem e divirtam. Na falta de uma inspiração para isso, ficamos sem nada. E, sinceramente, é melhor não postar do que só fazer uma lista. Outro dia um leitor nos mandou um tweet empolgado com o texto sobre a análise espacial que fizemos no ano passado. O texto foi baseado em uns estudos de um cara chamado Kirk Goldsberry, que trabalha com a empresa STATS e uma ferramenta chamada SportsVU de análise de vídeo, e que é especialista no estudo do espaço usado nas quadras da NBA. Neste ano o mesmo Goldsberry apresentou um estudo sobre a defesa de garrafão, um trabalho chamadoThe Dwight Effect, que usou as análises via vídeo para descobrir quais eram os melhores jogadores da NBA em defender a área próxima à cesta. Indo além dos tocos, o estudo mostrou que jogador (Dwight Howard) mais evitava que arremessos sequer fossem tentados próximos à cesta. Assim como mostrou os jogadores que mais forçavavam um baixo aproveitamento dos arremessos adversários nos metros próximos da tabela, mesmo que estes não resultassem em toco. Nesse quesito destaque para Roy Hibbert, Larry Sanders e, surpresa, Elton Brand.

Por que lembrei deste estudo justamente agora? Porque ele foi apresentado na última Sloan Sports Conference, uma conferência sobre análise esportiva que acontece todos os anos no MIT em Boston. Basicamente é um fim de semana onde os maiores estudiosos do esporte se juntam para discutir análise de esporte, estatística e apresentar novas teorias (inovação é regra por lá) sobre qualquer atividade esportiva. Todos os anos aparecem dezenas de histórias novas, de gente querendo enxergar o esporte de um jeito diferente. E o que nós, imprensa, blogueiros e torcedores, fazemos com isso? Nada. Ainda vivemos 50 anos atrás fazendo listinha de quem é melhor. Basquete é mais do que isso, não é?

O foco pode não ser na análise espacial e na defesa do garrafão. Isso pode

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ser técnico demais para o grande público, mas que tal começar a introduzir o grande público para estes temas mais profundos de um jogo de basquete? No futebol a ESPN sabe fazer muito bem esse meio campo entre a análise mais avançada, tática, agora até com estatísticas e mapas de calor, e o papo descontraído que o público está acostumado no meio esportivo. Precisamos disso em outros esportes também ao invés destas tontas listas.

A cada ano que passa eu conheço mais gente envolvida no basquete, que escreve sobre o assunto, que tem blog, que trabalha em jornal, revista ou TV cobrindo o assunto. A maioria deles manja demais do esporte (mais do que eu, fácil) e, principal, todos são apaixonados (mil vezes mais do que eu, mais fácil ainda). Se tem uma vantagem que o basquete tem sobre os outros esportes é que quem acompanha vira bitolado, doido e fiel à modalidade. Com tanta gente que tem conhecimento e paixão no assunto, por que produzimos tão pouco e tão superficialmente? Porque essa massa apaixonada não é capaz de criar algo mais relevante? Na crítica incluo nós aqui também, óbvio, escrevemos publicamente sobre basquete. Mas e vocês, basqueteiros-leitores, estão satisfeitos? Ainda engolem esse papo de “quem é melhor?” todo santo ano? Eu estou de saco cheio.

Filtro Bola Presa_#1

Filtro Bola Presa_#1

Na temporada passada muita gente me pediu a volta do Filtro Bola Presa. Para quem não acompanhava o blog anos atrás, o Filtro era um post semanal que continha notas sobre coisas menores de dentro da NBA que não eram importantes ou relevantes o bastante para virarem um post, mas que tinham algum valor. Na temporada passada matei o Filtro em nome do Resumo da Rodada, onde achei que estava dando conta de citar essas coisas menos grandiosas.

Mas vejam só, estamos nas férias da NBA, auge do tédio, e não tem rodada para ser resumida! Boa hora de ressuscitar o Filtro, não? E aí quando a temporada chegar a gente decide se a seção sobrevive à temporada regular também.

Os irmãos Maloof ouvem alguma reclamação sobre o Kings

–  A maioria dos times da NBA tem uma loja própria para vender seus produtos. Claro que grande parte dos materiais é vendida pela própria NBA Store do Sr.Stern, mas cada time tem uma página específica, como essa do LA Lakers. Mas não o Sacramento Kings. Quer dizer, eles até tinham, mas a empresa que cuidava dela faliu, o site saiu do ar em Junho e por meses tudo o que você via quando entrava lá era uma tela preta com um número telefone. Mas nada de reclamações, de uma página temporária ou nem mesmo de um redirecionamento para a NBA Store. Não, a tela ficou só preta mesmo e ninguém percebeu. Nenhum torcedor reclamou ou cobrou. Ninguém deu uma declaração oficial explicando onde comprar materiais do time. Foi só quando um jornalista estranhou e foi perguntar que foram lhe dizer que para montar uma loja virtual são necessários 4 meses no mínimo. Bem vindo aos anos 90, rapaziada. Camisetas do Thomas Robinson só na loja do ginásio de nome mais picareta da liga, o PowerBalance Pavilion(via CBS)

– A falta de interesse da direção do Sacramento Kings e a falta de esperança de seus torcedores podem alimentar os boatos de que cedo ou tarde o Kings irá mudar de cidade. Mas quem ainda insiste nisso está ignorando uma notícia importante: Em Março os irmãos Maloof, donos do time, a prefeitura de Sacramento e NBA anunciaram o plano de construir (com muito dinheiro público, 250 milhões de dólares) uma nova arena para a equipe, sacramentando (rá!) a permanência da franquia na cidade. Piada muito pronta alguém chamado Maloof faturando em cima de obra?

–  Mas como o ginásio ainda não foi construído e existem outras cidades babando por um time da NBA, nada é garantido. Uma das cidades sonhadoras é Virgínia Beach, que recebeu a confirmação da gigante Comcast de que um time profissional, possivelmente de basquete, iria para lá nos próximos anos. Só que Mike Gruss do HamptonRoads acha que Virgínia Beach não é um bom lugar para receber um time da NBA. Por que? Bom, porque lá não existem muitas lojas de varejo. Pois é. Gruss acredita que se as principais lojas de varejo do mundo (ele cita Apple Store, Cratel & Barrel, Ikea e Brooks Brothers como alguns exemplos) não apostaram em montar muitas lojas na cidade, é sinal de que ela não é um mercado tão bom assim. Segundo Gruss, média das cidades com times da NBA é de 1.25 Ikeas, 3 Cratel&Barrels, 3.5 Brooks Brothers e pelo menos 5 Apple Stores por cidade. Virgínia Beach tem uma Brook Brothers, uma mísera Apple Store (a classe média chora) e só. Como um time vai sobreviver em um mercado assim?! Se compensa, Vrigínia Beach tem mais Hooters que Oklahoma City, Memphis e New Orleans. 

Hooters, a Apple Store hétero

– Depois de fracassar para conseguir Dwight Howard, Daryl Morey, General Manager do Houston Rockets, precisou se explicar. E agora, pra onde vai o time? Ele respondeu de maneira simples: “Ninguém vence um campeonato sem uma estrela e nós não tínhamos isso. Agora esperamos que nossos jogadores cresçam para que se tornem uma e ao mesmo tempo temos espaço salarial para contratar, trocar ou o que for preciso”.  Ou seja, ele dispensou todos os veteranos que já mostraram do que eram e não eram capazes (Kyle Lowry, Samuel Dalembert, Luis Scola) e ficou com os pirralhos que tem o mínimo de potencial para estourarem: Jeremy Lin, Omer Asik e a tríade de novatos Lamb, White e Jones. Será que alguém vira? Não sei, mas a história está ao lado de Morey. Ninguém (a não ser a aberração cósmica do Pistons de 2004) vence sem uma estrela no time. (via Boston Globe)

–  Falando em Dwight Howard, ele comprou uma página de publicidade no jornal Orlando Sentinel para deixar uma mensagem para seus antigos fãs e torcedores. O texto diz que “foi uma honra e um privilégio jogar para os torcedores do Orlando por 8 anos”, também disse que “embora minha carreira em Orlando tenha acabado, meu amor pela cidade e pelas pessoas de lá nunca vai acabar”. Por mais babaca que o Dwight Howard tenha sido no último ano, acho que ele realmente acredita nisso. A interpretação que eu tenho das suas atitudes no Magic é de que ele queria ficar em Orlando, mas que queria mudanças que não acreditava que iriam acontecer. Deu pra entender? Tipo, você quer continuar namorando com a Pâmela, mas você sabe que ela vai ser ciumenta e possessiva pra sempre. Aí você dá o pé na bunda nela, mas continua gostando da guria. Compreensível, mas um fato é claro: A Pâmela vai te odiar pra sempre. (via ESPN)

– Em 1972 a NBA era comandada por fãs da NBA que se conheceram num fórum da internet. Só isso explica a criação de um campeonato de 1-contra-1 entre os principais nomes da liga. É a versão oficial bancada pela liga do “Quem é melhor?”. Deu o pivô Bob Lanier sobre JoJo White na final. Apelativo demais colocar pivôs? (via Ball Don’t Lie)

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=Zk9WhHFhLus&feature=player_embedded#![/youtube]

– A galera da cidade de Lima em Ohio (não no Peru!) estava animada com a presença de Allen Iverson para uma partida amistosa. Enquanto isso, no seu Twitter, Iverson dizia que seu avião pousava na China. Os organizadores do evento dizem que tem um contrato assinado pela equipe de Iverson confirmando sua presença, o jogador diz que nunca se comprometeu a nada. Sem polêmicas não seria o Iverson, por mais tolas que sejam. Fato é que agora Iverson está muito perto de jogar na CBA, a Chinese Baskebtall Association. O atual campeão da liga, Stephon Marbury do Beijing Ducks já declarou apoio para que o The Answer acabe sua carreira entortando tornozelos chineses. Só que isso será difícil: Em umas série de amistosos realizados por um combinado de americanos contra o Ducks, Iverson fez 7 pontos por jogo e nem seu crossover superou a defesa do conhecidíssimo Chen Shidong. “Pela forma física dele acho que será difícil ele jogar na CBA”, disse Chen. Melancólico é pouco. (via China Daily)

– O que Allen Iverson e Stephon Marbury tem em comum? Além de comerem com palitinho, foram estrelas da NBA numa época muito diferente de agora. Esse excelente texto de Ethar Sherwood Strauss fala sobre o impacto de Allen Iverson na cultura americana, sua idolatria na NBA pós-Jordan e, vejam só, de como ele nem era tão bom quanto a gente gosta de lembrar. “Quanto mais eu olho para trás para analisar Iverson, mais me pergunto se ele não era um jogador comum mas arremessando tanto quanto uma superestrela. O que você deve concluir de um cara que chuta 27.8 vezes por jogo com um aproveitamento de 39%? Que ele é fantástico?”

"Ele não disse isso..."

– Um dos indicados para entrar no Hall da Fama em 2012 é Don Nelson. O ex-jogador campeão pelo Boston Celtics, ex-técnico dos malucos times do Dallas Mavericks e Golden State Warriors se aposentou há 2 anos como técnico com mais vitórias na história da NBA. E o que ele faz hoje? Produz o 4º melhor café de Mauí (o Nellie’s Coffee), a 2ª maior ilha do Havaí onde mora. Também vende o que eles chamam de “shave ice”, que, segundo Nelson, é “gelo cortado, que você mistura com suco e vende por 4 dólares”. Ou seja, ele vende geladinho (gelinho; sacolé) por 4 dólares. Mas não é só isso, de vez em quando ele recebe os atores Owen Wilson, Woody Harrelson e o cantor Willie Nelson para partidas de pôquer na sua casa na beira da praia. Alguma dúvida sobre porque ele recusou qualquer proposta para voltar a treinar? (via MercuryNews)

– Don Nelson muitas vezes é considerado o pai do Small Ball, já que ele foi o primeiro técnico a usar regularmente quintetos sem nenhum pivô “de ofício”, às vezes com 5 jogadores nanicos em quadra ao mesmo tempo. Mas ele mesmo admitiu que não foi ideia sua. Embora tenha o crédito por ter tido as bolas de usar a estratégia em jogos de verdade, disse que aprendeu tudo quando era treinado por Red Auerbach no Celtics dos anos 60. “Auerbach separava o grupo em dois times, os altos de um lado e os baixos do outro. Os baixos sempre ganhavam. Mesmo com Bill Russell com os grandes, os baixinhos venciam”. Ele emendou com uma explicação sobre a correria de seus times: “Os baixos sempre venciam na quadra inteira, mas quando jogávamos meia quadra não dava pra fazer isso”. (via CSN)

Para fechar, uma aula sobre o sociólogo alemão Max Weber

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=RdVJxz3PDVc[/youtube]

Semana passada o blog ficou fora do ar por algumas horas na quarta-feira. Voltou logo, mas desde então os comentários não estão funcionando. Palpites, opiniões, soluções para esse problema ou qualquer outra mensagem podem ser enviadas para o nosso Twitter, Facebook ou email, o bolapresa@gmail.com

Lakers passa vexame, Derrick Rose herói

Que vergonha de ser torcedor do Lakers hoje. Perder para o Wizards já não é motivo de orgulho, mas depois de estar vencendo por mais de 20 no meio do terceiro quarto? Assim dói. E nem tem desculpa de contusão, arbitragem, fase da lua, nada. Simplesmente jogou um lixo de basquete depois de começar muito bem a partida. A derrota surpreende por ser para o Wizards e pela larga vantagem, mas o desenho do segundo tempo não é novidade. O time se mexe pouco, parece acomodado e sem energia, acaba cometendo muitos desperdícios de bola e tomando cestas fáceis. Kobe Bryant (31 pontos, 9/31 arremessos), frustrado, resolve então tentar tudo sozinho, não confia mais nos outros e nada mais dá certo. É um ciclo vicioso que estranhamente só acontece fora de Los Angeles. O Lakers tem 17 vitórias e só 2 derrotas em casa, marca só atrás do Oklahoma City Thunder em toda a NBA, mas fora de casa só tem 6 vitórias e 14 derrotas, número praticamente idêntico ao do New Orleans Hornets (5-14), o último colocado do Oeste. Na hora de comentar ou criticar o Lakers precisa avisar antes de qual dos times está falando, do ótimo que joga em casa e bate o Miami Heat ou do lixo fora de casa que perde pra Pistons e Wizards em sequência.

Pelo Wizards foi uma vitória que pode ter impacto maior do que o normal. Não só por ser uma grande virada sobre o Lakers, algo que certamente dá moral para um time, mas pelos responsáveis pelo resultado. Além das 4 decisivas bolas de 3 de Roger Mason Jr, foi o garrafão do Wizards que os colocou na liderança. E não estamos falando do preguiçoso e convencido Andray Blatche e nem do maluco do JaValle McGee, mas dos jovens reservas Trevor Booker e Kevin Seraphin. Booker conseguiu 18 pontos e 17 rebotes, ambos máximos na carreira, Seraphin teve 14 pontos e 9 rebotes. Os dois juntos tiveram 12 rebotes ofensivos, mais que todo o time do Lakers. Ultimamente o técnico Randy Wittman tem pegado bastante no pé de seus jogadores para que eles joguem direito, sem os velhos vícios individualistas e irresponsáveis que marcam a equipe. Foram dois representantes dessa nova filosofia, reservas dos jogadores mais criticados, que os levaram ao bom resultado.

Outro destaque do jogo foi Nick Young, cestinha do time com 19 pontos. Mas ele ainda é um dos que fazem mais merda do que coisa boa. Além de acertar só 1 das 9 bolas de 3 pontos que tentou, foi o responsável pela mais nova candidata a Jogada Bola Presa do Ano:

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=DhCQM-ql58g[/youtube]

Pelo menos uma coisa deixou os torcedores do Lakers felizes ontem. O Boston Celtics foi até a Philadelphia e tomou uma sarrafada de 103 a 71 do Sixers. Eles perderam o primeiro tempo por 55 a 33 e quando parecia que o jogo ia ficar morno, apanharam ainda mais no segundo tempo. O destaque do jogo foi Evan Turner, que superou os 15 jogos seguidos marcando menos de 10 pontos fazendo 26, o máximo de sua carreira. Ele é bem instável (outro dia fez só 2 pontos em 12 arremessos, lembram?) mas nos dias bons realmente parece que tem futuro. Vamos ver.

Não é todo time que consegue fazer sua dupla de garrafão marcar 59 pontos contra o Chicago Bulls, mas o Bucks conseguiu: 32 pontos para Ersan Gaga Ilyasova, 27 para Drew Gooden! Os dois jogaram muita bola, mas o Bulls tem Derrick Rose (30 pontos, 11 assistências) para compensar qualquer dia mais inspirado de um adversário. Com 10 pontos e 3 assistências no último período, ele salvou o jogo num momento em que o Bucks era melhor. Nos últimos dois minutos de jogo Beno Udrih virou herói e conseguiu importantes cestas e lance-livres, Ilyasova ajudou com um rebote ofensivo e mais pontos, mas Rose estava lá para fazer o arremesso de último segundo mais bonito da temporada e vencer a partida. 106-104 Bulls:

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=trnZE5FtPJE[/youtube]

Por sorte achei um vídeo com uma narração diferente, a da rádio da ESPN, porque os comentarista do Bucks ficaram com uma voz de cu e dizendo “Esse foi o primeiro arremesso que ele fez hoje?”. Tá bom que é transmissão local, mas dá pra colocar um pouco de emoção num arremesso espetacular como esse? E nem é a primeira vez que esses malas fazem isso. Mas sobre o chute: É tudo o que falamos no nosso post de ontem à noite sobre arremessos de último segundo. Aposta-se na individualidade e na jogada de isolação mesmo ela sendo de aproveitamento baixo. Rose estava bem marcado, fez um arremesso forçado, com a marcação na cara e ele precisou dar um step back de 4 metros para conseguir espaço para chutar. Não era a melhor bola, nem a mais inteligente, mas quando cai é algo tão lindo, mas tão lindo que a gente fica meio assim de criticar. É um “ainda bem que ele tentou essa asneira”! Curioso que Tom Thibodeau, técnico do Bulls, costuma desenhar jogadas específicas para o fim do jogo, ontem deixou Rose improvisar e deu sorte.

Tivemos outros jogos decididos nos segundos finais. Um deles foi Cavs e Nuggets, que teve Kyrie

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Irving costurando o Denver, fintando Nenê no ar para fazer uma linda bandeja a 4 segundos do fim. Ele não é explosivo como Rose, Westbrook ou Wall, mas suas infiltrações já estão quase no mesmo nível. Irving acabou o jogo com 18 pontos, 10 deles nos últimos 2:36 da partida! Um bom complemento para os 33 de Antawn Jamison no resto da partida. Outro jogo resolvido no final foi a partida-que-ninguém-assistiu da noite, Sacramento Kings e New Orleans Hornets. O Hornets abriu 3 de diferença com uma cesta de longa distância de Trevor Ariza, mas logo depois deixou Marcus Thornton fazer 2 pontos em um rebote ofensivo e na jogada mais importante do jogo, o passe de lateral de Ariza para Belinelli foi interceptado pelo novato Isaiah Thomas, que passou para John Salmons virar o jogo a 7 segundos do fim. Vitória do Kings por 99 a 98.

Tentem adivinhar quem venceu esse jogo: Los Angeles Clippers (4ºcolocado do Oeste) com Chris Paul (22 pontos, 10 assistências e 3 roubos) e Blake Griffin (28 pontos, 17 rebotes) ou o New Jersey Nets (antepenúltimo do Leste) com Deron Williams (20 pontos, 5 turnovers) e Brook Lopez de novo machucado. Acertou quem disse Nets. Vocês ficam se enganando pelos números e esquecem que não importa o que aconteça, Deron Williams vence o Chris Paul. Não é que ele é melhor ou que o time dele seja mais completo, não importa nada na situação! O Clippers teve melhor porcentagem nos arremessos de 2 e 3 pontos, além de pegar mais rebotes, mas como se isso fosse superar alguma coisa. Pior que preocupados em parar justamente o Deron Williams, Chris Paul e Randy Foye deixaram Jordan Farmar livre, que acertou a cesta de 3 pontos da vitória. Você sabe a força de uma maldição quando ela transforma o Farmar em herói.

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=yUtz6ayx2j8[/youtube]

E no duelo de Blake Griffin e Kris Humprhies, quem ganha? Griffin com a enterrada ou Humprhies com o toco na ponte aérea?

No resto da rodada alguns jogos que ninguém liga. Ou alguém além do Danilo parou pra se preocupar com o Toronto Raptors vencendo o Houston Rockets? Aliás, porra, Houston, chegam a ser 5º no Oeste e depois começam a perder jogos imbecis para times fracos do Leste? O Rockets é capaz de tudo, meio que um Hawks do Oeste. Em Charlotte o Bobcats voltou a apanhar depois daquela vitória improvável sobre o Magic, dessa vez para o Jazz, que teve 31 pontos de Al Jefferson e soube, melhor que Howard, se livrar da defesa do novato Bismack Byiombo, que saiu do jogo com 2 pontos, 9 rebotes e 6 faltas. Em Oklahoma, mais um show de estatísticas do Thunder: Eles perdiam em casa para o Suns por 16 pontos no 3º período, mas viraram antes do fim do quarto e acabaram o jogo na frente por 115 a 104. Tudo graças a 30pontos de Kevin Durant, 31 de Russell Westbrook e 30 de James Harden. Também ajudaram os 18 pontos e 20 rebotes de Serge Ibaka. Se a NBA fosse uma liga de fantasy o Thunder já seria campeão antecipado.

E assim, meio que sem ninguém perceber, as tais derrotas seguidas do Rockets desde que eles alcançaram o 5º lugar, somado com umas derrotas do Utah Jazz e a vitória de ontem do Wolves sobre o Blazers, colocam o time de Kevin Love na 8ª colocação do Oeste. Sim, o tal time do futuro estaria hoje mesmo indo para a pós-temporada mesmo estando na conferência mais disputada da liga. Nada mal. Kevin Love teve 29 pontos e 18 rebotes, 20 de seus pontos foram no primeiro tempo, na segunda etapa ele passou a receber marcação dupla e deixou tudo mais fácil para Wesley Johnson, que acabou com 19 pontos. Outro time que surpreende na tabela do Oeste é o Grizzlies. Ontem eles bateram o Golden State Warriors em Oakland com 26 pontos e 12 rebotes de Rudy Gay e assim assumiram a 3ª colocação da conferência. Alguém apostaria nisso após a contusão do Zach Randolph? Eles tentam agora se aproximar do San Antonio Spurs, que ontem venceu com alguma tranquilidade o New York Knicks, que continua perdendo quando tem Carmelo Anthony. Isso não parece uma síndrome de Allen Iverson? Todo mundo sabe que o cara é um dos mais talentosos do planeta, mas os times com ele simplesmente não ganham. Aconteceu com Iverson mais para o fim de sua carreira e agora é a vez de Melo. E a recém má fase do Knicks nem pode ser culpa dp Jeremy Lin, que tem sido menos espetacular mas ainda está jogando bem. Ontem foram 20 pontos, 4 assistências e só um desperdício de bola. Ainda acho que até o fim da temporada eles se acertam, mas encaixar Melo no time tem sido um desafio épico.

Para fechar o dia, lembram que ontem o Danilo disse que o Hawks ainda não tinha perdido quando Josh Smith marcava mais de 20 pontos? Já era isso. Ontem ele fez 23, mas mesmo assim eles perderam para o Heat. Até que se viraram bem, mesmo fora de casa levaram o jogo apertado até o último minuto. Eles não tinham Joe Johnson, ainda machucado e Tracy McGrady, que havia sido o herói da vitória do Hawks sobre o Heat no começo da temporada. Ah, e em uma das últimas posses de bola Dwyane Wade passou a bola para Udonis Haslem! Amarelão, cagão, mocinha! Mas Haslem pegou a ponte aérea, enterrou e tá tudo certo, tudo perfeito.

 

Fotos da Rodada

Jogo no Hornets, quero me esconder!

 

Quem é o único técnico expulso com seu time vencendo por 20?

 

Não sei se me surpreende mais a altura que chega Nate Robinson ou a cara de nada da torcida

 

O máximo de expressão fácil já vindo de Derrick Rose

 

Bullying
Um terremeto abalou o jogo entre Nets e Clippers

 

Olha mãe, sou um avião! VRUMMMMMMM

 

Westbrook JoakinNoahando

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Brandon Roy entrega seu filho para adoção


Objetivo máximo: Final de conferência
Não seria estranho: Perder na primeira rodada de novo
Desastre: Ficar fora dos playoffs

Forças: Jogadores bons em todas as posições e forte banco de reservas
Fraqueza: Inúmeras contusões. Há anos não jogam com o time completo.

Elenco:


Portland Trail Blazers
Titulares
Reservas
Resto
PG
Andre Miller
Jerry Bayless
Patrick Mills
SG
Brandon Roy
Wes Matthews
Rudy Fernandez
SF
Nicolas Batum
Luke Babbitt*
Dante Cunningham
PF
LaMarcus Aldridge
Jeff Pendegraph
C
Greg Oden
Marcus Camby
Joel Pryzbilla


Técnico: Nate McMillan

Como descobrimos no último post, a maior parte dos nossos leitores tem entre 20 e 24 anos. Foi no mesmo ano que os mais velhos desse grupo nasceram que Nate McMillan foi draftado pelo falecido Seattle Supersonics. Sua carreira não foi espetacular, mas marcou os torcedores locais, que chamavam de Big Mac o trio que ele fazia com Xavier McDaniel e Derrick McKey. Logo depois da sua aposentadoria, 12 anos depois do draft, já virou assistente técnico e, em 2001-02, técnico principal até 2005. Seus 19 anos de serviços ao time renderam o apelido que ainda persiste de Mr. Sonic.

Foi como técnico em Seattle que ele conseguiu o maior feito de sua carreira. Em 2005 comandou o elenco mais limitado que já vi chegar em uma semi-final de conferência. Perderam em 6 jogos (e o jogo 6 foi decidido no último segundo) para o futuro campeão San Antonio Spurs. O forte do time estava nas posições 2 e 3 com Ray Allen e Rashard Lewis, máquinas de três pontos, mas tinha como armador principal Luke Ridnour, o homem que não defende, e o garrafão era uma piada: o agarrador de bolas Reggie Evans e o cara que é mais gordo que Eddy Curry e Zach Randolph juntos depois da feijoada, Jerome James. Os dois estavam em ano de contrato e jogaram uma defesa forte e suja que era a marca do time.

Aproveitando o embalo, McMillan surpreendeu a todos e pela primeira vez na carreira serviu a outro time na NBA, justamente o rival local do Sonics, o Blazers. Após disso o Sonics desabou de qualidade e seus jogadores aos poucos foram saindo (Jerome James ganhou na loteria ao ir para o Knicks por uma fortuna, Evans foi para o Nuggets e Rashard Lewis virou o Bill Gates da NBA com seu contrato com o Magic) Alguns torcedores do Sonics se sentiram traídos e a saída foi um pouco polêmica, mas ele foi bem recebido em Portland, onde era visto como o cara que levaria o jovem time a algum lugar depois dos anos do Jail Blazers. Nos últimos anos tem feito um bom trabalho, o time melhorou um pouco a cada ano e só no ano passado caiu de nível, mas mais pelas contusões do que por qualquer outra coisa. O próprio McMillan se machucou quando corria em um treino no começo da temporada passada!

Ele na verdade deve receber créditos por fazer o time funcionar mesmo com Jeff Pendegraph e Juwan Howard no time titular. McMillan é bom em tirar o melhor de seus jogadores: sabia usar bem a dupla Sergio Rodriguez e Rudy Fernandez quando os dois estavam por lá, sempre viu o potencial da defesa de Nicolas Batum e conseguiu achar um jeito de introduzir o fominha Jerryd Bayless na rotação sem estragar o conjunto da equipe. Não é um estrategista ou um gênio da motivação, mas é um dos bons técnicos da NBA. Não custa lembrar que ele também fazia parte da comissão técnica campeã olímpica em 2008 com Mike Kryzewski e Mike D’Antoni.

…..

Há anos que a gente sempre baba ovo nas offseasons do Blazers. Eles sempre pareciam não perder nada de mais e ganhar jogadores espetaculares. Mas em compensação durante a temporada tinham resultados abaixo do esperado. Não é que jogavam mal, longe disso, mas é que a expectativa era sempre a de um time forte que pudesse ir longe nos playoffs, não um time remendado que perde na primeira rodada.

O motivo desse desempenho bom mas abaixo do esperado pra mim é um só: contusões. E não estou pensando só no Greg Oden que perde a temporada inteira, mas das pequenas contusões que tiram LaMarcus Aldridge por uma semana, Brandon Roy por um mês, Rudy Fernandez por 10 dias, etc, etc, etc. Com esses problemas o McMillan está sempre improvisando. Lembram no ano passado dele usando o Juwan Howard de pivô ou o Jerryd Bayless de armador principal titular? Coisas que ele nunca faria numa situação normal. Aposto que o McMillan preferiria usar o Luke Ridnour com uma mão amarrada nas costas como armador ao invés do Bayless. Por isso ao invés de achar que o Blazers jogou abaixo do esperado nas últimas duas temporadas eu prefiro dizer que nunca vimos de verdade o que aquele time poderia ter feito.

Para essa temporada, algumas mudanças importantes. Primeiro no comando do time, o General Manager Kevin Pritchard, o responsável pela criação de todo esse elenco, foi demitido uma hora antes do Draft 2010 começar e fez nesse dia suas últimas movimentações. Pois é, vai entender essa cartolagem da NBA! Há anos ele é considerado o melhor e mais criativo GM da liga e aí chutam o cara no dia em que ele tem mais trabalho no ano.

Depois, no elenco, perderam Martell Webster numa troca com o Wolves e Rudy Fernandez ainda continua dando piti e dizendo que ou é trocado para um time que o use como titular ou volta para a Europa. Frescura e bichisse de moleque mimado. Nunca jogou com regularidade o bastante para ser titular e não é com showzinhos como esse que outros times irão fazer loucuras para tê-lo no time. Várias equipes se mostraram interessadas, como Knicks, Celtics e Bulls, mas ninguém quis correr o risco de dar uma de Spurs com o grego Vassilis Spanoulis. Há alguns anos o Spurs mandou os direitos de Luis Scola para o Houston para ter o insatisfeito Spanoulis, o grego decidiu que voltaria para a Europa mesmo assim e o Spurs ficou de mãos abanando, enfrentando o Scola quatro vezes por temporada enquanto usavam o Antonio McDyess no time titular.

A perda de Webster eu não acho que será tão sentida. O Luke Babbitt tem tudo para ser o melhor ou um dos melhores arremessadores de três dessa classe de novatos e só precisa acertar as bolas de longe para fazer qualquer torcedor achar que Webster é só mais um dicionário.

Já com o espanhol a sua ausência vai ser sentida só por aqueles torcedores que não entendem muito de basquete e querem ver enterradas, dribles e contra-ataque fulminantes, as especialidades de Rudy. Para o seu lugar, na reserva de Brandon Roy, foi contratado a peso de ouro (ou de uns 900kg de ouro) Wesley Matthews. Na temporada passada ele surpreendeu todo mundo ao ser um jogador que passou em branco pelo draft, ganhou um contrato mínimo de um ano e poucos meses depois era titular do Utah Jazz. Um ano depois é o jogador mais bem pago da classe de novatos do ano passado, com seu novo contrato está fazendo mais grana que Tyreke Evans, Blake Griffin ou Brandon Jennings. Matthews é ótimo defensor, tem um arremesso confiável de três pontos (38% na temporada passada) e logo no seu primeiro treino com o novo time recebeu trocentos elogios pela sua inteligência dentro de quadra. E acredite, se você é inteligente, sabe se movimentar e está no mesmo time que Andre Miller, vai se dar muito bem.

Como o time dessa temporada está montado e nenhuma troca é necessária até o próximo ano, não vai ser agora que eles vão sentir falta de Pritchard. Com Matthews e Babbitt também acho bem possível que Rudy e Webster não sejam lembrados. Nicolas Batum como titular também não deve fazer feio, muito pelo contrário, acho mais provável vê-lo recebendo votos de jogador que mais evoluiu na temporada. Portanto, eles simplesmente voltam à posição do ano passado: com um ótimo elenco e bom técnico, será que conseguem ficar inteiros?

Eu já não espero mais que Greg Oden seja o melhor pivô defensivo da NBA e justifique ter sido escolhido antes do Kevin Durant, nem penso mais nisso. Sinceramente só espero que ele vire um jogador de basquete. Quero ver ele jogar mais de 70 jogos em uma temporada e está ótimo. Se jogar mal, paciência, vira reserva do Marcus Camby, mas que jogue, esse time não suporta mais tanta gente com pequenas, médias ou grandes contusões. É ridículo, um ano depois da polêmica contratação, não poder ter uma opinião totalmente formada sobre se a combinação Andre Miller e Brandon Roy funciona bem. Tudo porque Roy perdeu muitos jogos e jogou outros tantos baleado no último ano. Se Oden jogar o tempo inteiro e as pequenas contusões não assombrarem o time de novo, poderemos, finalmente, ser capazes de ver não só as reais chances do Blazers, mas também seus reais problemas.

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