A primeira vez

Desde que Russell Westbrook chegou ao Thunder, 394 jogos atrás, a equipe nunca teve que entrar em quadra sem ele. A sequência de jogos sem contusão, descanso ou suspensão não apenas mostram que o Westbrook é puro aço, mas também nos impede de imaginar o Thunder sem ele. Alvo de muitas críticas por seu estilo ultra-agressivo, por sua falta de leitura de jogo e por às vezes deixar o Durant chupando o dedo, nunca faltaram fãs e especialistas que queriam ver como o time se comportaria sem ele. Pois a noite de ontem foi a primeira chance de ver tal cenário: Westbrook lesionou o joelho numa jogada banal, foi parar na mesa de cirurgia e não estava disponível para a terceira partida do

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Thunder contra o meu Houston Rockets nos playoffs.

 

Durant x Rockets

Essa experiência bizarra de jogar sem o armador titular pela primeira vez em anos teve resultados positivos – vitória contra o Houston, classificação praticamente garantida para a próxima fase nos playoffs, e 41 pontos para Kevin Durant – mas teve também muitas dificuldades que muita gente irá ignorar por não aparecerem nos números. Analisar a fundo essa partida, então, não é apenas entender como essa série de primeira rodada se desenrolou, mas também entender como o Thunder (até semana passada o grande favorito para levar o Oeste) vai se virar daqui pra frente.

O primeiro ponto importante a analisar é que após a primeira derrota para o Thunder na série, o Houston resolveu entrar com uma formação de anõezinhos: Patrick Beverley entrou como titular na armação, ao lado de Lin e James Harden, além de Parsons de ala e Omer Asik como o poste solitário embaixo da cesta. O motivo é bem simples: não dá pra atacar o garrafão ou jogar de costas para a cesta quando Perkins é uma parede humana, Ibaka é um monstro na cobertura e todo o elenco do Thunder consegue correr na velocidade da luz para congestionar o garrafão. A formação menor do Houston tenta explorar os pontos fáceis de contra-ataque e ter arremessadores de três pontos preparados quando o Ibaka surgir voando pelos céus e o pobre jogador que estiver infiltrando tiver que passar a bola para longe.

Isso nos dá algo a considerar sobre a última partida de Kevin Durant: ele só foi marcado por jogadores menores do que ele. O marcador principal era pra ser James Harden, justamente por ser o jogador mais forte disponível e poder contestar o posicionamento de Durant, mas como ele cometeu faltas muito rápido, acabaram sendo vários outros: Chandler Parsons, Carlos Delfino e por fim Francisco Garcia, o único que teve algum sucesso na empreitada. Durant não teve que enfrentar um marcador à sua altura e passou boa parte do jogo olhando a quadra de cima, por vezes como o cara mais alto em jogo.

Na partida 2 da série, Westbrook simplesmente ignorou esse fato. Para o bem ou para o mal, o armador joga sempre do mesmo jeito. Se estiverem perdendo por 80 pontos, ele vai atacar com o mesmo ímpeto, manter o plano e colocar seu corpo em risco rumo à cesta. Mas quando Durant está sendo marcado por um anão de biquíni, Westbrook também não percebe e continua fazendo o que sempre fez durante sua carreira. Sem o armador, Durant supostamente teria mais chances de se aproveitar dos marcadores menores, mas não foi exatamente isso que aconteceu.

Na falta de um armador para substituir o Westbrook na criação de jogadas (que geralmente são criadas graças à sua agressividade), a bola ficou nas mãos de Kevin Durant. Com sua velocidade, altura e força física, a ideia é que ele mantivesse a pressão e com isso criasse espaço para os outros jogadores. Durant é talentoso, mas acima disso ele é muito, muito bonzinho. Toda vez que havia espaço ele soltava a bola, deixando seus companheiros se aproveitarem disso, e a bola às vezes não voltava mais. O Thunder não é um time acostumado a colocar a bola nas mãos do Durant e isolá-lo, e o mais legal foi ver o Durant ficando visivelmente frustrado com isso às vezes. Em alguns momentos o time ia simplesmente usando os espaços, gerando arremessos de gente menos capacitada, enquanto Kevin Durant era solenemente ignorado em quadra. Quando outra pessoa armava o jogo ou trazia a bola para o ataque, o Houston resolveu defender Durant pela frente, não por trás, impedindo que ele recebesse a bola ou então obrigando que o passe seja por cima do marcador e portanto mais longo, permitindo que os defensores do Houston pudessem cobrir ou interceptar a bola.

Quando Durant trazia a bola da quadra de defesa (cansado de não conseguir receber a bola no ataque) e resolvia simplesmente atacar o garrafão sozinho, por vezes foi capaz de explodir o Sétimo Sentido, correr na velocidade da luz e enterrar na cabeça de todo mundo. É um troço absurdo, lindo de se ver e um testemunho de quão fora de série Durant é fisicamente, ele é por vezes imparável. Mas em alguns momentos Durant cortou seu marcador para bater rumo à cesta simplesmente para ter a bola roubada por algum outro jogador que surgiu de repente na ajuda, ou então acabou trombando num monte de gente entre ele e a cesta. Durant é mais alto e menos explosivo do que Westbrook, a bola pinga por mais tempo, e há mais oportunidades de tirar a bola das suas mãos depois que ele faz o primeiro corte. Tenho que deixar claro: nenhum marcador foi capaz de parar na frente do Durant, mas a partir de um ponto na partida o Houston passou a se aproveitar disso. Francisco Garcia grudava no cangote e ao ser batido lá estava algum armador para interceptar a bola à altura do chão. A melhor defesa do Houston, que colocou o time no jogo depois de estar perdendo por 26 pontos ainda no segundo quarto, foi marcando individualmente com alguém colado no Durant o tempo inteiro (até na quadra de defesa) e dois defensores deixando a zona morta livre para poder congestionar o garrafão quando Durant infiltrasse. Isso gerou arremessos fáceis para o Thunder na zona morta, mas muitos deles não caíram. É melhor deixar esse espaço do que deixar a bola nas mãos de quem sabe o que faz.

De onde saíram os 41 pontos do Durant, então? Bom, o principal é que ele chuta traseiros e soube ser eficiente mesmo sem receber a bola e tendo dificuldades com a defesa. Quão bom é esse sujeito? Foram QUARENTA E UM PONTOS mesmo com essa tonelada de dificuldades. Mas ajudou bastante o fato de que assim que Harden cometeu sua segunda falta ainda no começo do primeiro quarto, ele continuou em quadra e o Houston passou a ter que marcar por zona para poupar a defesa. Nessa hora Durant brilhou e o Thunder construiu sua vantagem de 26 pontos. Na zona, basta o Durant cortar seu marcador para ter muito espaço para arremessar de meia distância. E é ali que Durant é realmente, realmente eficiente, não infiltrando e tendo que passar a bola para os seus companheiros.

Kevin Durant

Vendo que o Durant precisava parar de tentar infiltrar e ganhar espaço na meia distância, Scott Brooks colocou o ala jogando dentro do garrafão no último período ao lado de Nick Collison, mas para isso tirou Ibaka. Essa é a maior cagada que se pode fazer: o Houston passou a atacar a cesta com mais confiança e também a girar a bola até o lado contrário do Collison (que sabe tão bem cavar faltas de ataque) para ter, finalmente, algum jogo de garrafão. Não compensa para o Thunder. Vale lembrar que Omer Asik não recebeu NENHUMA bola no ataque durante todo o jogo 3, simplesmente porque ele não tem chances contra a ajuda defensiva do Ibaka. O mundo nunca percebeu, mas Perkins, Collison e Ibaka garantem que o Thunder não precise marcar o pick-and-roll, o elenco pode manter a marcação no perímetro (dobrando no Harden quando quiserem, por exemplo), e os três acabam sendo os jogadores mais importantes em quadra um bom punhado de vezes. Com o Durant jogando no garrafão, isso não acontece.

O Houston Rockets perdeu 3 jogos e não tem mais chance (nenhum time jamais foi capaz de ganhar uma série depois de perder por 3 a 0), chegou a perder por 26 pontos no jogo 3, mas a verdade é que só não ganhou as últimas duas partidas porque errou bolas muito, muito fáceis, e os arremessos finais em cada jogo. No jogo 3, o Harden errou lances-livres cruciais para virar o placar que poderiam ter transformado a história da série. E isso porque o Houston, apesar de manter seus planos de jogo mesmo quando tudo dá errado (o que é impressionante para a equipe mais jovem de toda a NBA), não tem os defensores necessários para segurar Durant e nem jogadores capazes de acertar com constância os arremessos de perímetro que acaba ganhando ao movimentar a bola. É uma demonstração clara de que o Thunder é consideravelmente frágil, e que Durant está completamente fora da sua zona de conforto quando é obrigado a jogar armando. Mesmo sendo ignorado por Westbrook às vezes, ao menos ele pode se concentrar sempre naquilo que faz de melhor.

Estranhamente os temperamentos de Durant e Kevin Martin, ambos tão humildes e incapazes de exigir a bola em mãos, fizeram o Thunder chegar até onde está sem que o time os procure com a frequência devida no ataque. Tive meus dias de crítica ao Westbrook e ainda acho que ele lê o jogo mal demais para um armador, mas essa equipe sentirá sua falta muito mais do que a maioria dos que acompanham NBA poderia imaginar.

As falhas do Thunder estão mais expostas e as lições estão aqui, deixadas pelo Houston para os próximos adversários. Primeiro: nunca, nunca, em hipótese alguma, marque o Thunder por zona. Segundo: abra espaços descaradamente em quadra desde que você impeça o Durant de receber a bola, para tirar o ritmo ofensivo da equipe e forçar os jogadores piores a ter que arremessar (coisa que não poderia ocorrer com Westbrook em quadra). Terceiro: se o Durant bater para dentro no mano-a-mano, deixe que passe pelo primeiro marcador e tenha certeza de que outros jogadores mais rápidos estarão lá para interceptar a bola (que não fica tão junta ao corpo quanto ficaria com Westbrook ou um armador menor). Quarto: reze para que o aro seja menos amigo do Durant, a intimidade deles chega a ser constrangedora. Quinto: espere Ibaka sentar e coloque suas maiores armas de garrafão em quadra, atacando a cesta o tempo todo. E aí está, suas maiores chances de vitória contra a melhor equipe do Oeste. Algo que Warriors, Nuggets e Spurs podem fazer tranquilamente…

Antes do jogo de ontem entre Clippers e Mavericks em Dallas, o pivô DeAndre Jordan disse que iria tirar muito sarro de seu companheiro de time Caron Butler se ele chorasse durante a entrega do seu anel de campeão. Butler se segurou, pareceu emocionado mas foi poupado do companheiro de time. A emoção dele só teria sido maior se duas horas depois Butler tivesse acertado o arremesso de 3 pontos que poderia ter dado a vitória de virada para seu Clippers. Mas deu aro e o Mavs venceu mais uma em sua impressionante ascensão.

A história desse arremesso foi boa. Depois de um jogo que ficou amarrado durante quase todos os 48 minutos, o Mavs acertou alguns bons arremessos nos últimos minutos para abrir boa vantagem. Curioso que várias das jogadas foram assistências para jogadores embaixo da cesta, pouco comum para um time que gosta de isolações para Dirk Nowitzki e Jason Terry nos momentos finais dos jogos. Mas deu certo e eles venciam por 5 faltando 21 segundos para o fim do jogo. Mas lembram que nesse post sobre a ausência do Chauncey Billups eu disse que o Chris Paul era um dos caras mais decisivos da NBA desde que entrou para a liga em 2005? Então, ele acertou um impossível arremesso de três, dando um passo e saltando para trás com a marcação na cara. Na jogada seguinte roubou a saída de bola do Mavs, num passe arriscado do Jason Kidd e achou Caron Butler equilibrado e bem posicionado para virar o jogo. Por questão de centímetros CP3 não faz história.

Detalhe que na última partida entre os dois times o Clippers havia vencido com uma bola de Chauncey Billups de 3 pontos no último segundo. Seria maldade demais com o pobre Mavs, que tem melhorado muito defensivamente nas últimas rodadas. No vídeo abaixo os melhores momentos do jogo, lá tem a bola fantástica de Chris Paul, o roubo dele e até uma enterrada fantástica do Vince Carter. Não exatamente como nos velhos tempos, mas nada mal para um cara de 35 anos.

O Bucks tinha 3 confrontos com Miami Heat em toda a temporada. Venceu os dois primeiros, chamou o Heat de freguês e foi com tudo para varrer a série ontem. Estava conseguindo até o fim do 2º quarto, mas  um trator chamado LeBron James passou por cima de tudo, cuspiu em cima e dançou na cara deles. O King James passou 33 minutos em quadra, fez 35 pontos e deu algumas daquelas enterradas que a gente até pisca quando vê de tão violentas. Soma-se isso a uma defesa pressionada que finalmente limitou o ataque do Bucks abaixo dos 100 pontos e temos uma vitória. Destaque do time da casa foi Carlos Delfino com 24 pontos. É estranho como o ala argentino sempre tem uns jogos mais ou menos e de repente explode numa partida qualquer. Ontem estava metendo bola de 3 na cara de Wade e LeBron como se fossem dois manés.

O Minnesota Timberwolves estava se baseando em duas coisas para fazer o time dar certo. Uma era velocidade: é o time que joga no segundo ritmo mais rápido da NBA, o segundo que tem mais posses de bola por jogo, atrás apenas do Denver Nuggets. Outra coisa era a defesa, 12ª mais eficiente da liga. Pois nos últimos jogos, incluindo a derrota de ontem para o Orlando Magic, nada disso funcionou. Poucas jogadas de transição, jogo amarrado e complicado de meia quadra e uma defesa bem mais ou menos. Como disse Ricky Rubio (11 pontos, 8 assistências, 5 turnovers), o time está esperando demais ao invés de começar o jogo agredindo como fazia antes. E times jovens definitivamente não sabem jogar atrás no placar. Pelo Orlando Magic, o que dizer do 1/10 arremessos do Glen Davis até em dia que dá tudo certo para o resto do time? O Troféu Gary Payton de jogador que mais involuiu na temporada está quase nas mãos dele já.

Um novato de 26 anos já não é normal. Um novato mexicano de 26 anos menos ainda. Mas essa raridade existe na NBA e atende pela boa força nominal de Gustavo Ayón. O ala do New Orleans Hornets foi contratado meio às pressas antes do início da temporada por causa do elenco magro do time. Acabou ficando e ontem fez contra o Jazz o seu 4º jogo como titular. Jogou muito bem, fez 13 pontos, 9 rebotes e 3 tocos. Vamos ficar de olho nele. Melhor que o chicano só seu companheiro de garrafão, Chris Kaman se esforça para ser uma peça de troca mais valiosa e ontem meteu 27 pontos e 13 rebotes contra um dos melhores garrafões da NBA. Com o Jazz perdendo e jogando mal, o técnico Tyrone Corbin deu uma de Greg Popovich: Tirou 4 titulares da quadra (Millsap, Jefferson Harris e Bell) e jogou o último período todo com os reservas. Derrick Favors (14 pontos) e Enes Kanter (6 pontos, 12 rebotes) se destacaram, mas não conseguiram virar o jogo.

Para fechar a rodada, mais dois bons confrontos. Em Charlotte o Bobcats fez jogo duro para o meu querido e delicioso Philadelphia 76ers, embalando uma reação graças à boa defesa do novato Bismack Biyombo e de bolas de 3 do outro novato Kemba Walker. Mas o Sixers foi frio e soube decidir com seu próprio rookie. O pivô Nikola Vucevic (8 pontos, 10 rebotes) fez ótima partida tanto no ataque como na defesa e foi premiado com a chance de estar em quadra nos minutos finais. Retribuiu o técnico Doug Collins com uma bonita cesta e uma assistência no último minuto para tirar qualquer chance de virada do Bobcats. Destaque também para Thaddeus Young, o cara que chamou a responsa nos momentos mais críticos do jogo. Estão lembrados que ele é o pontuador mais eficiente da NBA?

O último jogo foi entre Suns e Warriors, o antigo maior clássico da correria gratuita quase teve nenhum dos dois times passando dos 100 pontos, uma tristeza. Quem passou, por pouco, foi o Warriors, com 102 pontos e a vitória. Foi o terceiro resultado positivo do time de Mark Jackson, não por coincidência também o terceiro double-double seguido de David Lee (28 pontos, 12 rebotes). Faz diferença ter alguém no garrafão para complementar os sempre perigosos Ellis e Curry. A jogada mais estranha do jogo foi no finalzinho: Warriors vencendo por apenas 3, 35 segundos restantes na partida. Monta Ellis passa (uau!) para Epke Udoh e logo já pede de volta em posição de chute. Mas Udoh, sei lá com o que na cabeça, decide ir sozinho, gira e faz uma cesta tão difícil quanto improvável.



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Fotos da Rodada

38 anos. Nenhuma falta cometida na carreira.
Como o juiz apita essas lutas sem usar luvinha? Absurdo!
Não é hora e lugar de fazer a dança do robô, Dirk
Mais feio que o uniforme do Hornets só o uniforme no Chris Kaman
Bela composição formando um triângulo no lado superior da  imagem.  Arte.
Facepalm of the night: Paul Silas, técnico do Bobcats
LeBron James tem problemas em achar a bola
LeBron é perseguido pela bola
LeBron desiste

>Uma ausência improvável

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“Quem faz essa defesa funcionar levanta a mão!”

Que o Celtics ia se lascar com a troca do Perkins, meio que todo mundo sabia. Era até bastante óbvio. Mesmo os mais esperançosos e fãs mais fanáticos sabiam que o time iria passar por maus bocados até se acostumar com a mudança do elenco e até ter todos os jogadores saudáveis. O que ninguém esperava, no entanto, é que a troca fizesse o Celtics se embananar todo na parte ofensiva, não na parte defensiva. Nada na NBA acontece como a gente espera, mesmo quando acertamos que uma equipe vai feder acabamos errando o modo como isso acontece. Ué, o Perkins não era o pilar defensivo da equipe e um zero à esquerda no ataque?

Antes da troca, o Celtics tinha uma campanha absurdamente impecável: eram 41 vitórias e apenas 14 derrotas. Depois da troca, os números são bem menos bacanudos: 11 vitórias e 9 derrotas. Mas é preciso lembrar que a campanha fantástica antes da troca tem pouquíssimo a ver com o Perkins, que jogou apenas 12 partidas pelo Celtics nessa temporada graças a uma séria lesão – e venceu oito delas. Isso quer dizer que sem o Perkins, o Celtics venceu antes da troca 29 jogos e perdeu 10, aproveitamento muito maior do que está tendo agora. Já é o bastante para compreender que a atual fase capenga da equipe de Boston não pode ser explicada simplesmente com a saída do Perkins, o buraco é bem mais embaixo – e passa principalmente pela parte ofensiva.

No famoso post sobre novas estatísticas que o Denis publicou uns tempos atrás (famoso pra mim, que cito ele o tempo inteiro), podemos ver que o impacto do Kendrick Perkins em quadra se concentra em algo muito específico: ele é um dos melhores na NBA em impedir pontos bem próximos ao aro, forçando um péssimo aproveitamento aos adversários e comete poucas faltas enquanto isso. Há também aquilo que os números não mostram: o Perkins sabe quando pegar pesado, não permite cestas fáceis, e não tem receio de descer o braço e mandar alguém para a linha de lances livres quando necessário. Ele é uma parede de tijolos,  tem os sentimentos de um matador de aluguel, é muito obediente taticamente e nunca, nunca, nunca erra uma rotação defensiva. Como o Denis indicou em seu post sobre o novo Thunder, essas qualidades do Perkins que não aparecem nos números são capazes de transformar uma equipe e estão tornando os jogadores ao seu redor, como o Serge Ibaka, muito mais eficientes defensivamente.

Mas o Celtics não depende de um jogador só. É, sem dúvida, uma das melhores defesas coletivas da NBA. Trata-se de um andróide fantástico: a cabeça é do Tom Thibodeau, o gênio que acabou de transformar o Bulls na melhor defesa da liga, e o coração é do Kevin Garnett, que bebe o sangue de criancinhas vietnamitas e palita os dentes com os ossos dos adversários. Com a base dos dois, todo o resto do elenco se aplica, obedece e mantém o esquema funcionando, mesmo quando alguns jogadores frágeis defensivamente estão em quadra (Glen Davis, estou olhando pra você). Essa coletividade na defesa e poder do esquema tático são os responsáveis por manter os números defensivos do Celtics idênticos antes e depois da troca do Perkins. Nos números, nada mudou. O Perkins levou suas qualidades e aquilo que aprendeu com o Garnett para o Thunder, mas no Celtics os outros jogadores podem manter o esquema funcionando sem ele. Mas o ponto é: a que custo?

Sem Jermaine O’Neal e Shaquille O’Neal (que não, não são irmãos), o tamanho do Celtics cai muito. Quando Glen Davis ou Nenad Kristic estão em quadra, o time perde em tamanho e em poder defensivo, porque o forte dos dois é o ataque. Então a defesa se mantém na base do comprometimento e do esforço. Kevin Garnett sempre insistiu que o Celtics não precisa perder um segundo sequer se preocupando com movimentações ofensivas, que eles são bons o bastante para improvisar qualquer merda e que os pontos surgem com facilidade quando a defesa faz sua parte (aliás, esse discurso pode ser considerado o fundador indireto do novo Miami Heat, mas isso é outro história). Então, para o ataque funcionar, o Celtics precisa manter a defesa funcionando de modo impecável mesmo com jogadores menores, mais leves, mais lentos, mais mongolóides, o que for. Kevin Garnett precisa aumentar os esforços no garrafão e na cobertura, Paul Pierce precisa apertar as coisas no perímetro. Se os números defensivos estão idênticos, é porque o esforço está dando certo e a defesa se mantém nos moldes de antes. Mas como resultado, Garnett e Pierce em especial se desgastam muito mais durante os jogos, os adversários atacam mais a cesta, é preciso colapsar a defesa para o garrafão e depois correr pra cobrir o perímetro, e todo mundo se cansa pra burro com esse tipo de coisa. Antes, o Perkins intimidava muita gente como apenas tijolos conseguiriam, agora não tem mais isso. No ataque, por isso, o Celtics anda jogando bem mais devagar – e até os contra-ataques ficam prejudicados pela falta de pulmão e pela mudança na defesa, que é quem inicia o contra-ataque. Em matéria de eficiência a defesa é a mesma, mas em matéria de posicionamento, confiança, esforço, rebotes e contra-ataques, o Celtics é uma equipe bastante diferente.

Todos os números ofensivos da equipe caíram, e alguns outros fatores ajudam nessa queda. O Celtics é um asilo de velhinhos, então é normal que mais esforço na defesa signifique que a bateria da equipe acaba mais rápido, mas também tem o fato do Rajon Rondo estar jogando lesionado (com questões no tornozelo e uma lesão mais preocupante na sola do pé), e da falta de pivôs significar menos rebotes de ataque e defesa adversária mais focada nos arremessadores. Garnett, Pierce, Ray Allen e Rajon Rondo estão estatisticamente bem piores no ataque, e o banco de reservas é ainda pior. Jeff Green veio para a equipe para defender alas de força mais baixos, mas anda sendo pouco usado graças ao problema de altura que assola a equipe e à sua dificuldade atual no ataque. Carlos Arroyo sabe chamar as jogadas, é bom moço, mas quem viu ele jogando no Heat sabe que ele não acerta arremessos nem quando está completamente sozinho em casa, com bolinhas de papel. Delonte West está voltando agora sem ritmo e nunca foi grande pontuador, Troy Murphy está lesionado e fora de forma. Glen Davis, que sempre foi uma força ofensiva vindo do banco, volta e meia tem que estar entre os titulares – e mesmo com os reservas anda sofrendo com a falta de altura da equipe e jogando cada vez mais longe do garrafão, pouco acionado, forçando arremessos idiotas.

Quer saber de uma coisa? A troca do Perkins foi uma cagada, mexeu com a defesa do Celtics, mas não é nada que Garnett não consiga arrumar no grito. O cansaço da equipe, que está morrendo com a língua pra fora, vai melhorar muito quando Jermaine O’Neal ganhar ritmo e o Shaquille O’Neal voltar às quadras já na semana que vem. Mesmo numa fase tão ruim, perdendo até pro Hawks que nem é um time de verdade ontem, a equipe consegue ainda assim ganhar do Spurs um dia antes. Então não é nada tão sério assim. Mas há uma cagada ainda pior, mais destrutiva e que ao meu ver não tem como arrumar a tempo: a troca do Nate Robinson.

O Nate “the Great” foi para o Thunder na troca do Perkins, e ninguém se preocupou em reclamar da ida do anão – era muito mais importante ficar indignado com a troca do pivô. A maioria das pessoas nem percebeu sua ausência. Mas era o Nate quem mantinha o banco do Celtics ofensivamente no jogo, era ele quem fazia o Glen Davis funcionar com os reservas no pick-and-roll, eram suas bolas de três que mantinham a diferença no placar que os titulares conquistavam. Os números mostram claramente que a defesa do Celtics ainda é a mesma, entre as cinco melhores da NBA, mas o ataque é uma porcaria e o ataque dos reservas é uma atrocidade, um atentado à vida, à moral e aos bons costumes. A ida do Kendrick Perkins deixou os velhinhos magoados e cansados, mas isso se arruma. A ida do Nate Robinson deixou o banco uma merda, o ataque mais estático, e não tem ninguém nesse elenco com suas características para brilhar nos playoffs. Jermaine e Shaq vão voltar às quadras, mas não tenho dúvidas de que o impacto que eles terão no ataque será minúsculo – e nem de longe o necessário para que a equipe tenha sucesso nos playoffs. Ninguém imaginaria isso, mas o Celtics sente mais falta é do jogador mais improvável e que nunca recebeu o devido valor quando atuou pela equipe.

Eu acredito no Garnett para manter a defesa funcionando e sei que o orgulho ferido do Celtics é o bastante para vencer jogos na cabeçada e na sangria, e só por isso não dá pra descartar o Celtics de levar um título esse ano. Mas depois de ver esse ataque sofrendo e o Glen Davis fazendo bobagem sem seu amigo anãozinho no controle, não consigo imaginar o Celtics sendo campeão do Leste – todo pulmão tem um limite, e esse elenco sequer conseguiu jogar tempo o bastante junto para poder ter um ataque que não seja apenas jogadas de isolação para gente velha e cansada. Onde estão as bolas de três, gente nova atacando a cesta, os contra-ataques abudando da correria, essenciais numa equipe sem jogadas de meia-quadra programadas? Desculpa, Perkins, ainda te acho um cara batuta, mas o Celtics sente falta mesmo é de seu amiguinho menor e mais desmiolado. Nate Robinson, o Boston precisa de você.

>Um mês depois – parte 2

>

 Aviso para o Celtics: se você quebra o coração 
do Perkins, ele quebra a sua cara na porrada

O Danilo comentou aqui quando o Thunder fez a troca pelo Kendrick Perkins dizendo que era exatamente o que eles precisavam e que tinha tudo para dar certo. O começo, com Perkins chegando em Oklahoma machucado, não foi dos mais fáceis, mas cerca de um mês depois dá pra dizer com bastante certeza que o experimento é mais que um sucesso.

Primeiro que o risco de ter trocado o Jeff Green por nada acabou logo, depois de recusar propostas de 22 milhões de dólares por 4 anos do Celtics, Perkins rapidamente aceitou uma proposta mais generosa do Thunder, 34 milhões pelo mesmo período de tempo. Não tinha porque negar: mais dinheiro, compatível com os absurdos que pagam hoje em dia para pivôs mais ou menos (alô, Nazr Mohammed, Brendan Haywood), e numa situação perfeita, em um time jovem, talentoso e que não é só promissor para o futuro como é também uma realidade já hoje. Tomar o pé na bunda da namorada Celtics foi doloroso, mas ele foi acolhido por uma bela super modelo russa, loira, rica e ninfomaníaca.

Nos primeiros jogos após a saída de Jeff Green, o Thunder pareceu mais frágil no ataque e não muito melhor na defesa. O lado defensivo era pela ausência da sua principal contratação, Perkins estava machucado, e o ataque simplesmente parecia menos perigoso e mais previsível (ainda mais isolações para Westbrook e Durant) sem Jeff Green para tirar o peso das costas das estrelas. Mas jogo após jogo, com paciência para implantar algumas mudanças importantes, o time começou a engrenar. O boost ofensivo veio de James Harden, ele continua vindo do banco e seus minutos por jogo nem mudaram muito, assim como sua função. Mas ele mesmo disse que viu a troca como um chamado para elevar o nível do seu jogo e está dando certo, começou a pontuar melhor e está jogando com a confiança que sua barba sempre pareceu lhe dar. O Harden não é espetacular em nada, não é o melhor arremessador, driblador ou nada do tipo no seu time, mas sabe fazer pontos e nesse momento é tudo de que precisam.

Mas o que faltava mesmo para o ataque melhorar, por mais bizarro que pareça, foi a volta do Perkins. Isso liberou o Serge Ibaka para ser menos pivô e mais ala de força, e mesmo com aquele tamanho todo e as enterradas, o Ibaka machuca as defesas adversárias quando fica longe da cesta e acerta aqueles improváveis arremessos de meia distância. Não parece que todos vão cair longe da cesta? Não sei se é a mecânica de arremsso, o tamanho dele ou só má fé minha, mas sempre acho que vai amassar o aro e quem erra sou eu. Ibaka não é, ainda, Jeff Green no ataque, mas seus arremessos longos às vezes tem o mesmo efeito de obrigar a defesa a abrir e se distanciar do garrafão. Pode-se fazer uma comparação desse Thunder com a troca do Orlando Magic de Rashard Lewis por Brandon Bass. Eles ganham em tamanho, defesa, e perdem um potencial arremessador de longe, mas nos dois casos os substitutos são bons arremessadores de meia distância, o que de certa forma é um bom tapa buraco para a estratégia não mudar tanto assim. Nos dois casos deu certo.

O que tem dado mais certo para o Thunder que para o Magic é que o Serge Ibaka é muito mais defensor que o Bass. Desde que virou titular Ibaka tem médias de 9.6 pontos, 9.8 rebotes e 3.1 tocos. É um absurdo de tanto toco! E sabe o que é mais insano ainda? Que ele está com média de 4 tocos desde que o Perkins voltou para ser seu parceiro de garrafão. Ao lado do Perk ele tem ainda 10.2 pontos e 9.8 rebotes também. Em outras palavras, com o crescimento de Ibaka e Harden, o Thunder conseguiu dar conta da ausência de Jeff Green e ainda por cima melhoraram muito na defesa.

Se o Perkins é o monstro defensivo que é hoje, muito deve-se ao Kevin Garnett, um dos melhores defensores da NBA quando o assunto é só basquete e um dos melhores defensores da humanidade quando o assunto é vontade, raça e em meter medo nos outros. Em uma catástrofe nuclear em que tivessemos pouquíssimos alimentos sobrando eu deixaria o Kevin Garnett defendendo o meu pratinho de sopa dos outros esfomeados. Essa mentalidade de que defender a cesta é mais importante que defender a vida das criancinhas (delas, aliás, Garnett bebe o sangue todas as manhãs) o KG passou para o Perkins, que em poucos anos se tornou um dos defensores mais temidos da NBA, certamente o pivô que menos tem medo de usar seu tamanho e força para descer a paulada. E agora ele está passando o seu conhecimento para o Ibaka, seu pupilo em Oklahoma.

O Kevin Durant afirmou que os dois treinam juntos, que o Perk está sempre no pé do Ibaka e que durante os jogos dá pra ouvir o pivô gritando coisas como “Serge, pega esse” e o Ibaka então salta para conseguir mais um de seus zilhares de tocos. Em um jogo contra o Wizards, ao ver o Ibaka deixando uma bandeja acontecer livremente, o Perkins simplesmente correu até lá e fez uma falta dura no coitado do atacante, encarando Ibaka depois. Em outro jogo, contra o Bobcats, Perkins deu um tapinha de “bom garoto” nas costas do seu pupilo depois que o Ibaka mandou um coitado para o chão sem que ele fizesse os pontos fáceis. O Thunder, que no ano passado foi eliminado pelo Lakers porque não conseguiu conter por muito tempo o seu adversário mais alto (foi eliminado com um rebote ofensivo do Gasol no último segundo do jogo 6) e que no começo desse ano sofria para conter os pontos perto da cesta, agora tem um ala de força que dá 4 tocos por jogo e um pivô que intimidaria o Chuck Norris se ele subisse para uma bandeja. Sente o drama de pegar os dois no fim de um jogo apertado:

E sabe o mais legal? O Serge Ibaka é um pirralho que está melhorando a cada mês desde que chegou na NBA, vai saber qual é o limite dele! E o Perkins nem está completamente em forma depois de 9 meses parado pela cirurgia no joelho. Os dois já estão arrasando com tudo e podem estar só no começo. E essa babação de de ovo toda na defesa é só pra não citar que eles tem Kevin Durant e Russell Westbrook metendo 30 pontos na cabeça de todo mundo quase toda noite. Eles também não sofrem com contusões nunca e todo mundo ainda é dente-de-leite! Sério, a única coisa errada nesse time é não estar em Seattle.

Para os que odeiam modinha e sempre torcem para os times que a imprensa não abraça, uma final entre Thunder e Bulls ao invés de Lakers e Heat seria a glória. Pois pelo que estamos vendo nas últimas semanas, além de gloriosa também não seria nada absurda. Mais fácil apostar nessa final para o ano que vem ou para daqui uns dois anos, é verdade, mas é uma possibilidade perturbadoramente real para daqui apenas alguns meses.

>Família separada

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Eu fiz a mesma cara quando soube que o Perkins tinha sido trocado

Ontem postei a lista com todas as trocas que aconteceram na data-limite de transações na NBA e logo depois aproveitei para comentar uma delas, a troca de Baron Davis por Mo Williams. Eis que dos 26 comentários do post, 149 são na verdade sobre o Boston Celtics. Não tem jeito, foi mesmo o assunto do dia e não tem como não comentar! Com mais informações sobre a  troca e tendo um dia de descanso para digerir tudo, é hora de tentar explicar que porra é essa que o Boston Celtics fez.

Rememorando, foram três trocas envolvendo o time:

Boston Celtics envia: Kendrick Perkins e Nate Robinson
Oklahoma City Thunder envia: Nenad Krstic, Jeff Green e uma escolha de 1º round de Draft (a escolha eu só descobri hoje também!)

Boston Celtics envia: Luke Harangody e Semih Erden
Cleveland Cavaliers envia: Uma escolha de 2ª rodada de Draft

Boston Celtics envia:Marquis Daniels
Sacramento Kings envia: Grana (e uma escolha de 2º round, descobri hoje)
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A primeira delas é a que abalou o mundo do basquete. Ninguém esperava que o Kendrick Perkins, tantas vezes chamado de xerife da defesa do Boston, fosse ser trocado, ainda mais no meio da temporada. Todo mundo lá dentro amava ele, o Doc Rivers é fanático por sua defesa, os jogadores são seus amigos e há poucas semanas eles até ofereceram uma extensão de contrato pra ele, que foi recusada. O Perkins deixou claro que gostava do Celtics e que pretendia continuar, mas acho que em um mundo onde o Brendan Haywood recebe contrato de 46 milhões por 6 anos ele poderia recusar um de 22 milhões por 4 anos, fez sentido.

E no fim das contas esse problema financeiro acabou pesando na decisão. O Celtics percebeu que com a folha de pagamentos alta, o limite salarial possivelmente diminuindo no ano que vem e um monte de time atrás de um pivô jovem e bom como ele, seria impossível manter o cara no time. Aí adotaram a tática de que é melhor trocar antes por alguma coisa do que perder por nada ao fim da temporada. Outra justificativa foi dada pelo técnico Doc Rivers na noite de ontem, ele afirmou que o Celtics estava tendo muitas dificuldades contra times que jogavam no small ball (quinteto com jogadores baixos e velozes) ou contra times que tinham pivôs ou alas de força muito velozes, como era o Orlando com Rashard Lewis e é o Heat com Chris Bosh. Ainda segundo Rivers, eles queriam a opção de ter um ala que pudesse jogar na posição quatro e deixar o Garnett de pivô por alguns minutos durante o jogo, a inspiração veio do time que foi campeão em 2008, que muitas vezes (acho que em todos os jogos da Final, por exemplo) fechava o quarto período com o James Posey no lugar do Kendrick Perkins.

Uma outra razão seria a atual realidade da NBA, em que os grandes times não tem ótimos pivôs ofensivos a serem parados pelo Kendrick Perkins. No Leste Amar’e Stoudemire, Chris Bosh, Al Horford e Carlos Boozer são os grandes nomes de garrafão nos rivais, mas são na verdade alas de força que podem ser marcados pelo Garnett. O Joakim Noah não é nenhuma ameaça ofensiva e o Dwight Howard é que poderia virar um problema, já que vê o seu melhor marcador indo para a outra conferência. Como comentaram ontem no Twitter, “Essa troca mostra que o Celtics não acredita que o Magic chega longe”. O General Manager Danny Ainge, que se disse muito triste de ter trocado o Perkins (embora acredite que fez a coisa certa, claro), afirmou que eles venceram todos os grandes times enquanto o Perkins estava machucado, e que isso deu uma confiança maior para eles executarem a troca.

Por fim, o que adocicou o pacote foi a escolha de 1º round de Draft oferecida pelo Thunder que é, na verdade, do Clippers. É a de 2012 (a de 2011 é a que foi para o Cavs), mas é protegida, só vai mesmo para o Celtics quando o Clippers não tiver uma escolha dentro do Top 10, talvez em 2052.

Essas foram as explicações dadas pelo Celtics, todas com bom argumento e razões, eles não estavam bêbados e ligaram para o Thunder de zoeira. Agora, elas terem um embasamento não quer dizer que tenham sido certas, muito pelo contrário. Geralmente essas trocas que revoltam as pessoas logo de cara não são tão burras assim e tem um objetivo por trás, como dissemos há um tempo atrás, até a do Pau Gasol por Kwame Brown acabou fazendo sentido para o Grizzlies. Então nesse caso a crítica ao Celtics não é feita no impulso da revolta, é mesmo depois de compreender os seus motivos.

Na mesma entrevista do Doc Rivers que eu citei antes, ele diz que agora que não tem mais o Perkins, vão ter que confiar mais no Shaquille O’Neal e que ele terá que estar saudável durante os playoffs. O Shaq tem se machucado o tempo todo e já tem quase 40 anos de idade, é nas costas dele mesmo que vocês querem colocar suas chances de título? Imagina se ele se machuca no meio da final do Leste como não vai chover crítica na cabeça do Danny Ainge. Apostar no outro O’Neal, o Jermaine, é bobagem, já que ele talvez só volte, ainda sem ritmo, nos playoffs. E o outro pivô, o novato Semih Erden, foi trocado por (quase) nada. Ou seja, eles vão apostar no Shaq como pivô e nos minutos em que ele não jogar provavelmente vão apelar para um quinteto baixo, com Glen Davis ou Jeff Green como alas de força e Kevin Garnett como pivô.

A força do garrafão do Celtics, que era o que eu mais admirava no time nessa temporada, foi enfraquecida para que o time ficasse mais semelhante aos seus adversários de conferência. Adversários esses que, é essencial ressaltar, o Boston estava enjoando de tanto vencer! Por que fazer referência ao Chris Bosh quando diz que o Celtics estava tendo dificuldades contra alas de força mais baixos se o Heat não chegou nem perto de bater o Boston até agora? E um dos motivos é porque eles não sabem lidar com o tamanho da linha de frente verde, não fazem tantos pontos no garrafão como queriam, não cavavam suas faltas e viviam de bolas de três. Eu considerava o garrafão pesado e cheio de opções do Celtics o seu ponto forte, algo que lhes deixariam quase imbatíveis na pós-temporada, mas a mesma característica foi o que o Danny Ainge e o técnico Doc Rivers viram como uma fraqueza. Uma dica, senhores, quando o seu time está em primeiro no Leste e tem o segundo melhor recorde da NBA e derrota todos os seus principais adversários pelo título, provavelmente não é uma fraqueza.

A questão do contrato também não me convence. Tá bom que eles tinham uma grande possibilidade de perder o Perkins ao fim da temporada, mas isso não era garantido e ele era peça fundamental no time. Mesmo que tenham vencido sem ele na temporada regular, o cara já estava fazendo a diferença quando voltou. E não dá pra ignorar o fato de que o time é um asilo, quanto mais opções para se prevenir contra contusões, melhor. Eles não estavam na situação do Denver Nuggets que poderia perder o Carmelo Anthony por nada e não tinham mais ambições nesse ano, o Celtics está lutando por mais um título de campeão, era hora de fazer sacrifícios pelo campeonato ao invés de ficar com medinho de perder um jogador sem receber outro em troca. Jeff Green é novo e dá uma renovada no elenco, mas e daí? Não é hora de fazer planejamento para o futuro, Ray Allen, Paul Pierce e Kevin Garnett ainda estão aí jogando bem e juntos, era hora de continuar junto e vencendo. Pra mim seria como o Lakers trocar o Lamar Odom por um pirralho “com potencial” ou o Orlando Magic trocar o Jason Richardson por medo de perdê-lo ao fim da temporada.

Vale citar também a presença de Nate Robinson e Nenad Krstic na troca. Eu não considero o pivô sérvio muita profundidade no garrafão porque sua defesa é ridícula, acho que vai ter minutos limitadíssimos. E perder o Nate Robinson tira um pouco da força do banco de reservas dele, mas vamos ver como eles repõe essa peça, já que eles devem contratar mais gente. Explico: O Celtics que pensa tanto no futuro com medinho de perder o Perkins é o mesmo que usou o imediatismo para justificar a saída dos outros jogadores. O bom pivô reserva Semih Erden foi para o Cavs com outro novato, Luke Harangody, em troca de uma escolha de Draft. O mesmo recebido por Marquis Daniels que, machucado (grave lesão no pescoço), provavelmente não jogaria mais nessa temporada. A razão para essas trocas foi abrir espaço no elenco do time para conseguir contratar os jogadores que provavelmente estarão recebendo um buyout (quando um time paga para poder dispensar um jogador) nos próximos dias, caras como Leon Powe (Cavs, que já está bem próximo de voltar ao Celtics), Troy Murphy (Warriors, está em dúvida entre Celtics, Magic e Heat), Joel Pryzbilla (Bobcats, nada confirmado ainda) e Jason Kapono (ia ser engraçado ver ele tentar defender). Mas últimas notícias dizem que podem até aparecer mais nomes, como Jared Jeffries (esse mais perto do Knicks) e Mike Bibby.

Então metade das trocas foi para se prevenir para o futuro e metade para abrir espaço para novos jogadores que chegam imediatamente. No total, 5 jogadores de um elenco de 15 jogadores, 1/3, trocados no time de segunda melhor campanha da NBA. Algo inédito, sem dúvida. É quase o que o Orlando Magic fez no começo da temporada, mas sem estar jogando mal antes de jogar tudo pro alto, um pequeno detalhe.

Não é que as mudanças não podem dar certo, elas podem. Jeff Green é muito bom, o time realmente era bem bacana quando usava o quinteto com James Posey como ala de força e o Shaq, se saudável, dá conta de qualquer pivô por aí. Mas tudo isso pode acontecer, pode, é uma possibilidade, um risco, nada com certeza. E em uma liga tão competitiva, tão difícil e com times tão bons por aí, para quê arriscar se você já tem algo funcionando perfeitamente na mão? Isso é que eu nunca vou entender ou aceitar. Como disse Paul Pierce ontem, “Química e entrosamento são tudo. Não importa o talento que você tem e leva para o time, as pessoas não dão o valor devido à química entre os jogadores”.  

Peguei essa frase do Paul Pierce em uma matéria da ESPN gringa que tem uma coleção de frases dos jogadores do Celtics que mais parecem tiradas de um funeral. O clima está pesadíssimo por lá, o Perkins era muito querido e a sensação da família ter perdido um membro parece ter afetado todo mundo. Entre elas tem o Garnett dizendo que “é uma noite triste para se jogar basquete” e que “perdemos um membro da nossa família hoje”. Só do Rondo que não tem frase porque ele se recusou a dar entrevistas antes e depois da derrota apática para o Denver Nuggets. Vale lembrar que em 2010 o Rajon Rondo recusou um convite de treino da seleção americana porque se fosse iria perder o casamento do amigo Kendrick Perkins.

Lembro nos playoffs da temporada passada, quando todos estavam surpresos com a melhora do Celtics em relação à temporada regular, e os jogadores responderam dizendo que era assim mesmo, “Que esse quinteto nunca perdeu uma série de playoff”. E era verdade, em 2008, primeiro ano deles, venceram tudo. Em 2009 perderam para o Magic, mas com Kevin Garnett machucado. Em 2010 só perderam para o Lakers, mas foi no jogo 7 e jogaram esse jogo (e mais da metade do jogo 6) sem Perkins, que machucou o joelho. Ou seja, com Rondo, Allen, Pierce, Garnett e Perkins juntos e saudáveis eles nunca foram derrotados na pós-temporada, e nem vão ter a chance disso acontecer de novo.

Na noite de ontem Garnett também ressaltou as características do time como uma unidade, dizendo que são todos amigos, que fazem coisas juntos, que é possível encontrar os 15 jogadores fazendo atividades juntos, todos próximos. Eles compraram a idéia do trabalho em equipe, se entenderam e se chamam de família, só faltou o Felipão pra comandar o time no lugar do Doc Rivers. Mas esse laço emocional, pelas declarações, parece ter sentido um ataque forte dos princípios frios e pragmáticos que regem a direção de um time de basquete. Ver todo o discurso de família em um dia e no outro um dos familiares ser mandado para outro lado do país em troca de peças importantes para um futuro distante não deve ser fácil de engolir.

O Boston Celtics, que para mim estava pau a pau com o Spurs como melhor time da temporada (talvez com um pouco de vantagem por ser uma defesa mais forte), que tinha o melhor garrafão da NBA, a defesa mais infernal e o elenco mais unido de todos foi abalado por uma troca que é um risco que eles não precisavam correr. Esse é o resumo da ópera. O Danny Ainge teve uma boa idéia, visualiza um time que pode dar certo e não mente quando diz que o time foi bom mesmo sem o Perkins. Mas ignorou que são ainda melhores com ele e já sabiam disso. No maior estilo horário político, por que trocar o certo pelo duvidoso?

Já que eu adoro uma analogia, é como um bilionário que resolve vender tudo o que tem e apostar a bolada toda em um cassino. O resultado pode ser fantástico no final, mas se você já é um bilionário (em um mundo de miseráveis, diga-se de passagem), pra que sequer cogitar a aposta? Só Danny Ainge sabe. E o Thunder agradece. Próximo passo da nossa empreitada é explicar o lado do Oklahoma City nessa história, aguardem!

Update: Vale a pena ler essa ótima análise do Bill Simmon na ESPN.com. Por duas razões, primeiro porque ele fala bastante sobre como a saída do Tony Allen e depois a contusão do Marquis Daniels deixou o time muito fraco na ala. Depois de Paul Pierce (que precisa respirar de vez em quando) não tinha ninguém. E aí imagina nos playoffs onde podem enfrentar LeBron, Carmelo, Luol Deng e etc. É o oposto do Perkins que só tem quem marcar em série contra o Magic.

Mas também comenta que podiam ter feito uma troca menor (por Anthony Parker, Mickael Pietrus ou Shane Battier, por exemplo). E por fim ressalta um pouco do que eu disse aqui, por mais que a troca tenha suas boas razões no papel, o jogo é mais do que isso. Depois de discorrer sobre o clima pesadíssimo entre os jogadores do Boston e como os torcedores tinham um carinho especial pelo seu quinteto titular, contou o que seu pai, fã do Celtics desde o período paleolítico, disse:

“Meu pai ficou ainda mais arrasado do que eu. Ele compra os season-tickets do Celtics desde 1973 e ainda vai a pelo menos 25 jogos do Celtics por temporada. Ele disse ontem ‘Eu sentava perto do banco, assisti ele crescer. Não acredito que o esporte é só sobre ganhar e perder. Nós podemos estar melhores agora, mas eu não ligo. Eu gostava do elenco que tinhámos, não parece certo ele não estar no nosso time'”.

……
Se você agora odeia o Danny Ainge, pode usar uma camiseta que diz isso!
Até o próprio já usou! Em 1987, quando ele era jogador do Celtics, ele foi disputar uma partida em Detroit e alguns torcedores da casa tinham uma camiseta com os dizeres “I hate Danny Ainge” (Eu odeio Danny Ainge). Ele, bem humorado, viu os torcedores e pediu uma para ele, e a usou durante o aquecimento daquele jogo.

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