A última etapa de Nenê

A última etapa de Nenê

“Pra você ver, San Antonio está em décimo, o tempo passa.” Nenê afirma com conhecimento de causa: está na NBA há 16 temporadas e, em suas próprias palavras, “jogando há pelo menos 20 profissionalmente, em alto nível”. Já viu franquias inteiras terem altos e baixos, já passou por uma série de lesões e defendeu três diferentes equipes desde que foi draftado em 2002, indo de jovem promessa no Nuggets a líder de vestiário no Wizards. Acompanhou o domínio do San Antonio Spurs por uma década e agora vislumbra a possibilidade de ver a equipe fora dos Playoffs pela primeira vez em 21 anos.

Uma chance para Ty Lawson

Uma chance para Ty Lawson

A posição de armador principal na NBA atual não é responsável por pontuar, por passar a bola, por defender ou por criar espaços – sua função é, principalmente, garantir que o esquema tático ofensivo funcione. Isso pode significar uma enormidade de coisas variadas nos diferentes esquemas táticos de cada equipe. O Mavs precisa de armadores dispostos a jogar sem a bola, acertar arremessos de longe e encaixar uma infiltração eventual. O Knicks precisa de um armador que jogue dentro do triângulo, confortável sem a bola e com arremesso da zona morta. O Clippers precisa de um armador que domine o pick-and-roll e arremesse de fora. O Warriors precisa de um armador com distância no arremesso que saiba fazer corta-luz para os outros e correr sem a bola. Ou seja, cada um desses times depende de um conjunto específico de características do armador para funcionar como um todo. Nesse momento, a NBA não tem nem meia dúzia de armadores completos o suficiente para funcionar em qualquer esquema tático – e mesmo esses vão ser mais ou menos eficientes dependendo do esquema que forem colocados para reger. Chris Paul se vira em qualquer situação em que for enfiado, mas algumas delas não usarão suas capacidades ao máximo.

Hora de apostar

Hora de apostar

Quando os jogos de pôquer começaram a aparecer na TV, muitos e muitos anos atrás, gostei da brincadeira e aprendi as regras. Serviu para descobrir que sou muito ruim, que não tenho paciência para jogos longos, não sei ler os meus adversários e nem disfarçar quando estou frustrado com as minhas cartas. Mas essa minha vida de derrotas na mesa me serviu para uma coisa que eu uso com regularidade, conhecer o conceito de all in.

O all in é quando um dos jogadores coloca todas suas fichas na mesa no mesmo lance, uma aposta decisiva que pode tirá-lo do jogo imediatamente em caso de derrota. Seja porque sua mão é ótima ou porque ele quer que seu adversário pense que esse é o caso, ele arrisca todo o seu jogo e dinheiro de uma vez. Passei muito tempo sem sacar direito qual era a dessa jogada, parecia às vezes excesso de confiança, às vezes saco cheio com o jogo ou, claro, total falta de noção. Acontece porém, que além do simples blefe, existem situações onde o all in é racionalmente a melhor decisão.

Foguetes sem rumo

Foguetes sem rumo

Quando Kevin McHale chegou para ser técnico do Houston Rockets em 2011, disse que estava aguardando ansiosamente pelo retorno de Yao Ming, pivô que perdera quase a temporada anterior inteira com múltiplas lesões. McHale disse que o corpo do chinês seria o fator fundamental para determinar seus minutos e seu papel na quadra, mas que de qualquer maneira seria fantástico poder treiná-lo. Um mês depois, Yao Ming se aposentou da NBA. Parabéns aos envolvidos.

O Houston Rockets se acostumou, desde o draft de Yao Ming em 2002, com uma cultura focada no garrafão – uma reedição dos bons e velhos tempos quando Hakeem Olajuwon, um dos maiores pivôs de todos os tempos, levou o Rockets ao título em anos seguidos. Nesse contexto, Kevin McHale era o homem ideal para a equipe. Um dos raros casos de técnico de basquete que jogou no garrafão durante sua carreira como jogador na NBA, McHale montou times altos, focados no jogo de costas para a cesta e sempre soube desenhar jogadas para tirar o melhor proveito possível dos pivôs. Infelizmente, ele chegou a Houston justamente quando essa cultura estava sendo desmantelada e seu primeiro pivô após a aposentadoria de Yao Ming foi o incrivelmente cocô Samuel Dalembert. Claro que não deu pra fazer muita coisa. Na temporada seguinte seu pivô foi Omer Asik, limitado ofensivamente mas muito sólido na defesa, e os resultados começaram a melhorar um pouco. Logo depois recebeu Dwight Howard, e começou então seu pesadelo de tentar torná-lo uma ferramenta impactante no ataque da equipe.

Para se manter na briga

Para se manter na briga

Algumas pessoas perguntaram da análise do Draft 2015 e podemos garantir que, sim, vamos fazê-la. Basicamente nosso blog começou com uma análise de Draft e somos anualmente zoados por erros do passado, não há razão para acabar com a tradição. O problema é só tempo, esse mês de trabalho tem sido especialmente pesado, por isso pedimos paciência. A temporada só começa em Outubro, até lá teremos textos sobre o Draft, sobre todas as trocas e contratações. Juro por Zach Randolph!

Claro que vocês preferem ler sobre tudo isso quando elas acontecem, por isso que vou pegar o pouco tempo que tenho livre hoje para falar de algo novo. O Houston Rockets acertou uma troca com o Denver Nuggets para ter Ty Lawson! Em troca, mandaram Nick Johnson, Kostas Papanikolaou, Pablo Prigioni, Joey Dorsey e uma escolha de 1ª rodada de Draft.

A troca de Ty Lawson era esperada há algum tempo, faltava saber para onde ele iria e o que viria em troca. Desde que Lawson foi um dos melhores armadores da NBA naquela temporada em que o Nuggets conseguiu 57 vitórias e a 3ª melhor campanha do Oeste, tudo foi abaixo para o time e para ele. O armador brigou com o técnico Brian Shaw, foi um dos principais nomes do boicote ao treinador, foi detido ao menos três vezes (dizem que pode ter sido quatro) por dirigir bêbado e agora acabou de entrar num programa de reabilitação devido aos problemas com bebidas. Sua fama à la Allen Iverson de não ter o menor interesse por treinos não ajuda, e a gota d’água foi quando ele brincou publicamente que iria para o Sacramento Kings quando o Nuggets anunciou a escolha de Emmanuel Mudiay no Draft 2015.

1 2 3 4 9