?Uma questão de interpretação

?Uma questão de interpretação

“Se eu pisar no seu pé, vai te machucar. E se você pisar no meu pé, quem se machuca sou eu.” Essa frase, aparentemente óbvia, fez parte de uma série de afirmações de Shaquille O’Neal para alertar sobre como seu jogo estava sendo prejudicado pela arbitragem nos seus últimos anos de carreira. Shaq alegava que enquanto qualquer contato simples da sua parte contra armadores infiltrando no garrafão era considerado falta graças à diferença de tamanho envolvido, jogadores menores podiam ser fisicamente muito agressivos contra ele sem que isso resultasse numa falta. Os golpes que recebia de jogadores menores machucavam, atrapalhavam e limitavam seu jogo, mas não PARECIAM faltosos porque Shaq era um muro de tijolos que passava a impressão de não estar sentindo absolutamente nada.

?Quem gosta de Dwight Howard?

?Quem gosta de Dwight Howard?

Após cinco anos seguidos de títulos divididos entre Shaquille O’Neal e Tim Duncan, de 1999 a 2003 apenas uma super dupla de garrafão, Ben Wallace e Rasheed Wallace, parou a dupla. Se as pessoas tinham alguma certeza no começo desse século era que somente com um jogador de garrafão muito fora de série era possível desafiar os melhores times da NBA.

No miolo disso tudo, em 2004, surgiu um pivô adolescente com um porte físico digno de bater de frente com qualquer um desses: Dwight Howard era aquele tipo de jogador que surge uma vez a cada década e que muda o centro de gravidade da NBA. Se ele se desenvolvesse no grande jogador que prometia ser, iria obrigar times a contratar e se armar pensando em como encarar o gigante e como defendê-lo. Algo como Shaquille O’Neal, que mesmo no fim de sua carreia, nem de perto produzindo como antes, ainda obrigava adversários a montar esquemas específicos que não o deixassem receber a bola no mano-a-mano muito perto da cesta. O Orlando Magic havia ganhado na loteria.

?Filtro Bola Presa #7

O bom e velho Dirk Nowitzki é isso mesmo: bom e velho. E como todo senhor de idade, ele está todo chato com o que deve comer, não aceita essas bobagens que a molecada come hoje em dia e prefere resolver tudo ele mesmo. Por isso Dirk leva, todo santo jogo, um pratinho com comida de casa, embrulhado no papel alumínio, para comer depois das partidas. Fofo.

[Resumo da Rodada] Sem Harden, sem chance

O grande momento do Houston Rockets nessa temporada aconteceu sem James Harden. Pode-se dizer, aliás, que ele pareceu ainda mais espetacular justamente porque ocorreu sem o barbudo, foi aquela virada espetacular contra o LA Clippers, fora de casa, no Jogo 6 das semi-finais do Oeste. Mas não vamos nos enganar, sem James Harden o Rockets não existe. E para a tristeza do nosso amigo Danilo, ele não jogou nada bem na noite desta quarta-feira e o Golden State Warriors aproveitou para abocanhar a vitória e vencer o Oeste.

Me sinto até mal de criticar Harden porque o fato do Houston Rockets ter ido tão longe tem muito mérito dele, mas não deu pra defender ontem. Foram 13 turnovers, o máximo de qualquer jogador na história dos Playoffs. E como bem sabemos, o Rockets não tem armador, não tem outro cara que saiba/goste de conduzir e armar o jogo, então se o seu faz-tudo ofensivo está errando sem parar, as chances de vitória, ainda mais fora de casa, são mínimas.

[Resumo da Rodada] O médico e o monstro

Nunca, na história da NBA, um time conseguiu virar uma série de playoff após estar perdendo de 3 a 0. O Rockets virou uma série 3 a 1 num duelo épico com o Los Angeles Clippers há poucas semanas, uma conquista fantástica que marcará na história a passagem dessa equipe pela pós-temporada. Mas 3 a 0, ainda mais sem mando de casa, é um caso perdido. Uma derrota definitiva, inegociável, antes mesmo de se entrar em quadra. Não adianta mais se debater, não há mais porque lutar.

E foi nessas circunstâncias que o Rockets entrou em quadra para o Jogo 4 e no primeiro quarto marcou 45 pontos, acertando 17 de 22 arremessos (77%) e 8 de 9 bolas de três pontos (89%). O mais estranho é que, tirando os minutos iniciais em que um Warriors completamente atônito tomou 12 pontos seguidos sem conseguir sequer inaugurar o placar, o Warriors até que jogou bem o primeiro período. Marcou 22 pontos, deu 5 assistências nos 8 arremessos que converteu e acertou 4 bolas de três pontos. Assim que acordaram, foi uma performance digna. Mas perto do Rockets em sua forma ROLO COMPRESSOR, pareceu uma piada. Para se ter uma ideia do alto nível que a equipe de Houston apresentou nos primeiros 12 minutos de jogo basta fazer a matemática básica e descobrir que caso mantivesse a performance por um jogo inteiro, acumularia CENTO E OITENTA pontos ao fim do jogo. Os 45 pontos foram a maior marca de um time num único quarto na história dos playoffs. Chupa, mundo.

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