“Superman encontrou um lar”

As semi-finais olímpicas que me desculpem, mas hoje é dia de comentar último capítulo de novela. A chatíssima aventura de Dwight Howard pelo mundo das trocas saiu de Orlando, passou por New Jersey, foi para o Brooklyn, deu uma espiada de longe em Atlanta, um alô em Dallas, parou por um tempo em Houston e acabou do outro lado do país em Los Angeles: Howard é do Lakers. “Superman encontrou um lar” nas palavras de Kobe Bryant. O time que transformou Kwame Brown (e um pirralho chamado Marc Gasol) em Pau Gasol, que foi o mesmo a usar apenas uma trade exception para trazer Steve Nash, é o que consegue tirar Dwight Howard do Orlando Magic. Como o Lakers faz essas mágicas? Como faz isso sem perder Pau Gasol? Não sei. Mas toda a ignorância do General Manager Mitch Kupchak ao assinar Josh McRoberts e Steve Blake é perdoada com ele tira essas da cartola.

Primeira reação dos torcedores do Lakers foi de exaltação, claro. “Vamos ganhar o título de novo”. Primeira reação dos revoltados foi “A NBA está perdendo a graça com esses super-times”. Nem um nem outro, galera. O Lakers está juntando um time novo, do nada, e isso sempre é complicado. O Miami Heat demorou para engrenar o seu Big 3 e o Lakers não tem essa juventude toda para se dar ao luxo de esperar. E que história é essa de criticar a liga porque ela tem times muito fortes?! Por que culpar jogadores por querer jogar onde tem mais chance de vencer? Alguém aqui nega emprego em empresa boa pelo desafio de transformar o boteco da esquina em algo grande? E será que está tão mais desigual que nos outros anos?

Como dito por aí, LA Lakers, OKC Thunder e Miami Heat são os favoritos claros desse ano, mas dizer que a NBA virou um “campeonato espanhol” é exagero. Não podemos ignorar que Boston Celtics quase bateu o Heat ano passado e melhorou seu elenco, o San Antonio Spurs tinha time para vencer o Thunder e não está fora da briga. E o Chicago Bulls estaria na conversa se Derrick Rose estivesse inteiro. Ou seja, é uma liga com um atual campeão forte, um vice-campeão ainda com muitas chances, um time grande que se reforçou e 3 fortes candidatos a estragar a festa. Isso é falta de equilíbrio ou só um campeonato normal? Que outra liga de qualquer outro esporte começa com mais de 5 ou 6 times com chances reais de título? E quantas tem esse número ou menos? Acredito que a NBA está na média. E dizer que são sempre os mesmos times na briga é ignorância histórica. Onde estavam Thunder e Heat alguns anos atrás?

Dito isso, vamos analisar a troca gigante time a time. Ao todo ela envolveu 4 equipes, 12 jogadores e algumas escolhas de Draft. Vai demorar um pouco até o fim do post então respire fundo, prepare a caneca de café e vamos lá:

 

Los Angeles Lakers
Adquiriu: Dwight Howard, Chris Duhon e Earl Clark Orlando Magic)
Perdeu: Andrew Bynum (Sixers) Josh McRoberts, Christian Eyenga e Escolha de 1ª rodada de Draft (Orlando Magic)

Para ser muito, mas muito sincero, essa troca poderia até ter sido ruim para o Lakers em outro cenário. Andrew Bynum é um pivô com maior versatilidade ofensiva que Dwight Howard. Bynum alia poder físico e altura com o jogo mais completo de ataque que um pivô tem na NBA: Ganchos, arremessos curtos, enterradas, bom posicionamento e lance-livre decente. Na defesa, por incrível que pareça, Bynum tem algumas vantagens: Cedeu menos pontos na defesa do pick-and-roll e na defesa de jogadores que o atacaram de costas para a cesta. Isso tudo cometendo bem menos faltas. Howard vence apenas em forçar mais desperdícios de bola que o adversário.

Vocês sabem que eu não sou adepto do “quem é melhor?”, mas acho, honestamente, que Andrew Bynum tem mais recursos técnicos que Dwight Howard, maior repertório de movimentos no ataque e que defende melhor (ou no mesmo nível) outros pivôs. Pensando por esse lado o Lakers não ganharia tanto assim com essa troca. Porém a realidade não é essa. O que o Lakers vive hoje é uma época onde seu armador para os próximos anos é Steve Nash e onde seus principais adversários na NBA não usam pivôs fortes no ataque. E outra coisa, com mais ou menos recursos o que interessa é fazer pontos, e Howard consegue fazê-los. Um bom rebote de ataque seguido de enterrada valem os mesmos dois pontos de um sofisticado gancho de esquerda. Os dois são ótimos, mas com estilos bem diferentes.

Tanto Andrew Bynum como Dwight Howard não foram muito usados como jogadores de pick-and-roll na última temporada. O Orlando Magic usava seus bloqueios para criar outras jogadas, o Lakers costumava fazer o movimento com Pau Gasol. Mas essa é a jogada que consagrou Steve Nash e a que o Lakers deve usar a exaustão agora que pretende implementar o sistema ofensivo de Princeton (que irei explicar num post especial em breve), vão ser mais usados assim. E aí, como vão se sair? Enquanto Bynum era só razoável em pontos por posse de bola ao ser acionado no pick-and-roll, Howard foi o líder da NBA em aproveitamento dessa jogada. Ou seja, apesar de só em 9% de suas posses de bola ele ser o responsável por um pick-and-roll, chutava muitos traseiros quando o fazia. Some isso com o melhor passador da NBA e Dwight Howard pode virar um monstro ofensivo como jamais foi na carreira.

Portanto Howard pode se adaptar melhor ao ataque do Lakers que Bynum, mas e na defesa? Enquanto o pivô do Lakers era um dos melhores da NBA ao defender outros pivôs no mano a mano, Howard é espetacular na ajuda. Ele sabe como poucos (talvez só Tyson Chandler esteja em nível parecido) aparecer na cobertura de uma jogada e salvar o time de sofrer uma bandeja ou enterrada. Ele gosta de exagerar nos tocos e mandar a bola pra longe, mas mesmo quando é mais discreto é efetivo. Isso por causa de sua velocidade e mobilidade, que também seria útil ao enfrentar times velozes como o Denver Nuggets e o OKC Thunder que tanto deram dor de cabeça para o Lakers ano passado.

A eficiência defensiva (pontos cedidos a cada 100 posses de bola quando tal jogador está em quadra) de Dwight Howard é a melhor da NBA há anos. Apesar de não ser um Ben Wallace, que no auge era perfeito em todas as situações de defesa, ele oferece o que o Lakers precisa: Proteção do aro, já que vai ter muito armador rápido passando por Steve Nash e Kobe Bryant, rebotes de defesa e velocidade para acompanhar times velozes. E a parte de marcar pivôs no mano a mano é menor hoje em dia. A maioria dos times prefere usar times mais baixos e pivôs que gostam de jogar de frente para a cesta. Melhor, atualmente, ter a defesa um pouquinho menos eficiente (embora ainda ótima) de Howard na marcação de pivôs, mas que vêm junto de agilidade e velocidade, do que ter um Bynum paradão e lento lá embaixo.

A troca é fantástica para o Lakers não porque Dwight Howard é tão melhor que Andrew Bynum, mas porque Howard é melhor nas coisas certas. É o tipo de jogador que esse time com Steve Nash, Kobe Bryant e Pau Gasol precisava para cobrir os seus defeitos. E se assustem com esse dado: O Lakers possui os líderes em pontos (Kobe), assistências (Nash), porcentagem de acerto de lances-livres (Nash), rebotes (Howard) e tocos (Howard) das últimas 7 temporadas da NBA somadas.

Um ponto negativo sobre essa troca para o Lakers é a possibilidade de perder Dwight Howard como Free Agent no próximo ano, mas eu não apostaria nisso. Primeiro porque apenas o Lakers poderá oferecer 5 anos de contrato para ele, não apenas 4. Para um jogador que recebe um contrato máximo isso quer dizer diferença de uns 20 milhões de dólares garantidos. E o Lakers é o Lakers. Lá Dwight Howard pode receber toda a atenção das pessoas e da mídia como ele sempre adorou e sonhou, além do time ter aquela tal imaginária “cultura de vencedor” que faz os olhos dos jogadores brilharem. E isso tudo com a moral de Kobe Bryant por trás, que disse que “O Lakers agora tem alguém para carregar o time quando eu me aposentar daqui alguns anos”. Será que Howard deixa passar a chance de ser a cara do Lakers na próxima década?

Por fim, as aquisições de Chris Duhon e Earl Clark foram meramente financeiras, mas podem ajudar. Duhon está longe de ser relevante, mas é experiente e na temporada regular pode ser útil para o controle dos minutos do outro veterano Steve Nash. Já Earl Clark é um versátil ala que já teve um punhado de jogos bons pelo Magic. É fraco e instável, mas o sistema novo do Lakers pode favorecê-lo. Nada de mais, mas não é nada mal para um time que usava regularmente o Josh McRoberts como reserva até pouco tempo atrás.

 

Orlando Magic
Adquiriu: Arron Afflalo, Al Harrington, Escolha de Draft de 1ª rodada de 2014, Escolha de Draft de 2ª rodada de 2013 (Nuggets). Moe Harkless, Nikola Vucevic e Escolha de 1ª rodada de Draft (Sixers). Christian Eyenga, Josh McRoberts, Escolha de Draft de 1ª rodada de 2017 e Escolha de Draft de 2ª rodada de 2015 (Lakers).
Perdeu: Dwight Howard, Chris Duhon e Earl Clark (Lakers) Jason Richardson (Sixers)

Com a troca realizada nessa sexta-feira o Magic consegue 3 escolhas de 1ª rodada de Draft, 2 de 2ª rodada, alguns bons jogadores jovens e se livraram do contrato de Jason Richardson. Ainda ficam com o de Hedo Turkoglu, mas seu buyout não é caro e podem se livrar do cara a qualquer momento. Não soa tão ruim, mas quando a gente lembra que em troca eles estão mandando um dos melhores jogadores do mundo é que a gente se pergunta: Não dava pra ter conseguido mais que esse monte de migalha?

Adorei o ano de novato do Nikola Vucevic na última temporada pelo Sixers, mas se ele fosse tão espetacular assim não tinha perdido minutos de quadra para o limitado Lavoy Allen, ainda precisa melhorar muito a defesa. Moe Harkless tinha alguns fãs por aí durante o Draft 2012, mas não inspira confiança de que pode ser algo revolucionário. Já Arron Afflalo é um dos meus role players favoritos em toda a NBA, mas é, afinal, um role player. Certamente um líder no vestiário, um modelo de jogador, mas um role player. Se a ideia era pegar coadjuvantes bons apenas para tê-los por perto para quando a coisa boa chegar, ótimo, mas quando ela chega? Poucas chances de ser com esse monte de escolha de Draft (a maioria protegida) que vai boiar entre as posições 15 e 30 dos próximos Drafts.

Mas antes de meter o pau nessa troca desigual, precisamos entender a situação do Magic: Seu melhor jogador forçou a demissão do técnico, insistiu para ser trocado e ainda complicou todas as negociações de troca ao afirmar que não iria assinar extensões de contrato com ninguém que não se chamasse Nets. Ou seja, quem se interessava pela troca a princípio, fugiu com medo de no máximo pegar um desinteressado Howard por empréstimo de um ano. Já os times que despertavam interesse em Howard (como Hawks e Mavs) podiam apenas esperar um ano e pegá-lo como Free Agent sem perder nada. O Magic ficou sem ter com quem trocá-lo! Ou melhor, apareceram só 3 times dispostos a negociar.

Primeiro veio o Brooklyn Nets, time dos sonhos de Dwight Howard. Mas aceitar a proposta do Nets com Brook Lopez e Kris Humprhies seria deixar o time ao menos mediano, perdendo chances de conseguir uma Escolha Top 3 nos próximos anos de Draft. Sem contar a vontade nula do Magic em assinar um compromisso de longo prazo com Lopez. Nem as muitas escolhas de Draft fizeram o time mudar sua decisão.

Depois apareceu no horizonte o Houston Rockets. Apesar de um primeiro sinal contrário, o que repórteres americanos confirmaram hoje é que o time do Texas não topou receber junto de Howard qualquer outro contrato do Magic como Jason Richardson ou Hedo Turkoglu. Outros dizem que o Rockets não estava tão empolgado com a possibilidade de ter Howard só por um ano e que cobravam a extensão de contrato. Ou seja, aquele papo de semanas atrás que o Houston Rockets tinha oferecido quase o time todo pelo Howard e Turkoglu era exagerado, o negócio não era tão bom assim.

E então apareceu o Lakers, com Nuggets e Sixers de assistentes, com essa proposta que mandaria Dwight Howard para outra conferência, que renderia muitas escolhas médias de Draft (ótimas iscas de troca, no mínimo) e alguns jogadores baratos de apoio. Dava pra desenvolver os garotos e perder muitos jogos no caminho de uma longa reconstrução. Concordo com todo mundo que diz que o Magic recebeu pouco em troca de Dwight Howard, concordo que são os grandes perdedores dessa troca, mas pelo que dizem por aí as suas outras propostas não eram muito melhores. Ou eles aceitavam isso e finalmente viravam a página, podendo começar uma temporada do zero, ou teriam que iniciar o período de treinamento com o fantasma de Dwight Howard enchendo o saco. Era perder ou perder.

 

Philadelphia 76ers
Adquiriu: Andrew Bynum (Lakers) e Jason Richardson (Magic)
Perdeu: Andre Iguodala (Nuggets), Escolha de 1ª rodada de Draft, Moe Harkless e Nikola Vucevic (Magic)

Fazer trocas de jogadores importantes nunca é fácil, mas acho que ninguém sofreu como o Sixers. Andre Iguodala era a cara da franquia desde a complicada saída de Allen Iverson, o símbolo da potência defensiva que o time se tornou sob o comando do técnico Doug Collins, um cara chato, exigente e que não cansava de elogiar o ala. Trocá-lo deve ter

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sido aquela boa decisão que você odeia tomar.

Mas é que a chance era difícil de recusar. Alas versáteis como Iguodala são raros, mas existem vários caras parecidos por aí em todos os tamanhos e níveis, de LeBron James a Gerald Wallace, passando por Jeff Green e Michael Kidd-Gilchrist. Agora, quantos caras parecidos com Andrew Bynum você consegue listar? Não só hoje, mas nos últimos 10 anos. Alguém? Se sim, pouquíssimos. A última década não foi nada prolífica com pivôs e muito menos com caras do tamanho e talento ofensivo de Bynum. E destaque para a palavra ofensivo aqui. O Sixers foi uma das melhores defesas da última temporada, mas fazer cesta era difícil como fazer gol no Paraguai de 98. Não havia ninguém capaz de criar do nada lá na frente, especialmente no lento ataque de meia-quadra, era um time especialista em contra-ataques e só.

Tem coisa melhor para corrigir isso do que um pivô com muitos recursos técnicos? Quando o Sixers não conseguir correr como gosta poderá simplesmente jogar a bola em Bynum e começar seu ataque, algo revolucionário (e simples) para um time que penou ofensivamente nos últimos anos. E a aquisição de Jason Richardson só completa o pacote, o especialista em 3 pontos ficará lá para aproveitar da defesa forte e possíveis marcações duplas que Bynum irá sofrer. Aliás, esse é o único medo: Bynum comete 1 turnover a cada 4 posses de bola em que sofre marcação dupla. E dessa vez não terá Pau Gasol ou Kobe Bryant para distrair a defesa pra ele.

Nesse caso acho que o Sixers também tem muitas chances de renovar com Bynum no ano que vem. Além da questão do contrato maior, de 5 anos, que podem oferecer, Bynum é criado em uma cidade próxima da Philadelphia e isso pode ajudar a mudança. Também não são novas as notícias que o pivô sonhava em ser o centro das atenções de um time e especialmente de um ataque, provavelmente irá gostar da oportunidade de tentar ser o melhor pivô do Leste nos próximos anos.

Para substituir Iguodala alguns jogadores precisarão se superar, porém: Evan Turner precisa manter a boa fase dos Playoffs como criador de jogadas. Thaddeus Young precisará marcar mais jogadores de perímetro e usar seus longos braços para melhorar defensivamente. Jason Richardson, de maneira diferente, claro, precisará compensar os pontos que Iggy trazia toda noite. A liderança, carisma e carinho com a torcida serão difíceis de repor, mas foi um mal necessário. O Sixers precisava trocar seu melhor jogador para tentar dar um passo a mais no Leste.

 

Denver Nuggets
Adquiriu: Andre Iguodala
Perdeu: Arron Afflalo, Al Harrington, Escolha de Draft de 1ª rodada de 2014, Escolha de Draft de 2ª rodada de 2013 (Magic)

Acho que o Nuggets fez um ótimo negócio, mas algumas coisas parecem confusas. Dizem que uma das principais motivações do time foi financeira, queriam se livrar do longo contrato de Arron Afflalo e do caro salário de Al Harrington para manter a folha salarial baixa apesar das extensões de Ty Lawson e JaVale McGee. Mas essa também não foi a razão da troca do Nenê? E não foi o próprio Nuggets que deu os contratos grandes para Afflalo e para o brazuca? Parem de dar extensões para esses caras se for para achar caro 5 minutos depois, mano!

De qualquer forma, Andre Iguodala será ótimo para o Nuggets melhorar em alguns pontos onde o time ainda é falho e mesmo assim não perder sua identidade. Assim como o ex-time de Iggy, o Nuggets também adora correr e correr no contra-ataque, que é onde Iguodala é mais perigoso ofensivamente, seja finalizando enterradas ou comandando a distribuição de bola. Mas mais do que isso, Iguodala é famoso por sua ótima defesa de perímetro. Ele é versátil, alto e pode marcar jogadores de qualquer posição, algo imprescindível em um time que adora ficar trocando de marcação a cada bloqueio. Não importa com quem Iggy cair, será bem defendido.

Uma coisa que o time perde com a saída de Afflalo e Harrington é a bola de longa distância, coisa que Iguodala está longe de ser especialista. Para compensar isso é importante que Danilo Gallinari e Wilson Chandler arremessem mais e melhor de média e longa distância. Um dos dois, provavelmente Gallinari, também assumirá o papel de ser o ala de força do time quando eles jogarem small ball, escalação de time baixo com apenas um pivô. Antes era Harrington e o técnico George Karl adorava colocar o time baixo em quadra com vários armadores e alas ao lado de Kenneth Faried. Gallo tem condição para isso e já fez de vez em quando, mas precisará se adaptar. Aí é torcer para que JaVale McGee esteja aprendendo muito nas aulas de verão com Hakeem Olaujwon e aí o Nuggets será um time para dar trabalho no Oeste. De novo.

……

Uma nota triste dessa troca é que Dwight Howard se deu bem. Não que eu torça para o mal das pessoas, mas é bem broxante que um cara que fez tanta merda tenha saído por cima! Fez mimimi para ser trocado, acabou com as chances de um bom (embora limitado) elenco, brigou com o técnico e destruiu com as possibilidades do Magic de conseguir algo bom de retorno por sua troca. E isso sem contar a palhaçada da última temporada quando poderia ter virado Free Agent, decidiu optar por um ano a mais de contrato só para logo depois retomar a novela do “quero ir embora pro Nets”. O The Decision de LeBron James foi cruel, mas curto, Dwight Howard torturou o Magic.

Acho que os jogadores podem reclamar se seu time está sendo mal gerido, assim como podem falar com seus General Managers para deixar claro que querem deixar a equipe (ou que irão fazer isso quando Free Agents), mas ficar brincando de iô-iô com o time que foi sua casa por tantos anos é de foder. Um pouco mais de bom senso e Dwight Howard poderia sair de Orlando sem ser o vilão número 1 dos torcedores. Mas nada que um título em Los Angeles não sirva para limpar sua biografia na NBA.

Magic e Suns vencem na nano-rodada

Rodada de apenas dois joguinhos na noite de quinta-feira. Fico muito perdido na hora de escrever os resumos de noites assim, cadê aqueles 12 jogos com um monte de partida que ninguém quer nem saber o resultado? Mas por sorte foram dois jogos bem interessantes.

No primeiro, times que vieram de resultados bem diferentes na rodada anterior. O Chicago Bulls havia vencido o Milwaukee Bucks na noite anterior com aquela cesta espetacular do Derrick Rose no último segundo, já o Orlando Magic jogou uma boa liderança no lixo e perdeu para o pior time da NBA, o Charlotte Bobcats, na última terça-feira. Tinham a obrigação moral de fazer um jogo decente e o fizeram.

O Orlando Magic começou o jogo pegando fogo, com Dwight Howard não só fechando bem o garrafão na defesa como conseguindo pontos em cima de Joakim Noah e Omer Asik, dois dos melhores defensores de garrafão da NBA. Quando a gente pega no pé do Howard é porque sabemos que com o talento dele e o físico fora do comum, deveria estar dominando a NBA mais do que já faz hoje em dia. Mas enquanto ele não é esse monstro ofensivo, o melhor é que o time jogue em velocidade e as bolas o encontrem naturalmente. Foi assim no primeiro tempo e ele, com ajuda de Jason Richardson nas bolas de 3 e de Jameer Nelson, conseguiram abrir 18 pontos de vantagem sobre o Bulls.

Mas o Bulls já voltou para o jogo no final do primeiro tempo e começo do segundo. Mesmo nos melhores anos do Magic de Stan Van Gundy eles perdiam lideranças enormes quando as bolas de 3 pontos paravam de cair, por que seria diferente agora? Eles apanharam especialmente dos alas de força do Bulls, dois caras que não conseguiram ser parados por Glen Davis ou Ryan Anderson e que sabem jogar longe da cesta para não serem incomodados por Dwight Howard. Carlos Boozer foi espetacular acertando 12/20 arremessos para 26 pontos e Taj Gibson acertou 6/7 arremessos para 14 pontos. O lado ruim deles jogarem longe da cesta é que ambos bateram só 2 lances-livres cada.

No final a coisa ficou feia. Na pesquisa que fiz para o post sobre os momentos finais de uma partida, descobri que a porcentagem de acerto de arremessos da NBA inteira cai nos momentos decisivos dos jogos, mas ontem foi exagero. Nos últimos 3 minutos de jogo o Bulls só fez 5

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pontos. Um arremesso de Boozer, um lance-livre de Rose (errou o segundo) e uma enterrada de Boozer já no último segundo com o jogo perdido. O Magic no mesmo período não foi muito melhor, mas conseguiu pontos na marra. Além da linda ponte aérea de Nelson para Howard, os outros pontos conseguidos foram meio no desespero. Um arremesso de 3 de Ryan Anderson, que recebeu o passe de Nelson quando esse havia quase perdido a bola e caído no chão, e mais dois lances-livres do mesmo Anderson quando ele conseguiu pegar um rebote ofensivo. Jogadas feias por jogadas feias, as do Magic valeram pontos.

Mesmo com a vergonhosa derrota para o Bobcats, o Magic está em boa fase. Venceu 6 dos últimos 9 jogos e assim ultrapassou o Sixers e o Pacers na tabela, voltando ao lugar onde todo mundo esperava que eles estariam: 3º lugar do Leste atrás apenas de Bulls e Heat, duas equipes que já perderam jogos para o time de Stan Van Gundy nessa temporada. Nada mal para uma equipe que só é assunto pela possível saída do Dwight Howard e que já passou por uma semana no inferno, quando perderam aqueles dois jogos vergonhosos para o Boston Celtics.

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No outro jogo da rodada o Phoenix Suns e o Dallas Mavericks foram destaques da noite para a gente se sentir como se fosse 2006 de novo. Ou melhor, 2001, já que Vince Carter começou o jogo inspiradíssimo, acertando bolas de longa distância e até com uma bela enterrada. Liderados por Carter e Lamar Odom, o Mavs foi para o intervalo com boa liderança. Ela só não durou muito porque aí o Suns é que resolveu fazer um revival próprio, dessa vez do seu time de 2010 que tinha um banco de reservas espetacular. Com Shannon Brown e Hakim Warrick em quadra eles defenderam muito bem o Mavs, botaram todo mundo pra correr e venceram o 3º período por 34 a 23. Quase todo jogo, nem que seja só por uns 5 minutos, o Suns resolve jogar o basquete mais

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bonito da NBA.

O Suns manteve uma liderança de até 10 pontos até os minutos finais de jogo, quando resolveu dar emoção ao jogo quase ganho. Nos últimos 3 minutos o Mavs encostou: 4 pontos de Dirk Nowitzki e uma bola de 3 de Jason Kidd os colocaram de volta no jogo, mas o Suns defendeu bem as posses de bola finais, forçando Rodrigue Beubois aos dois últimos arremessos do time texano. Ele errou ambos, fez cara de bunda envergonhada e o Suns levou a vitória por 96 a 94.

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Fotos da Rodada

Apresentações na NBA são um show. De breguice.

 

-Olhem como não vou defender, nem quero chegar perto!

 

Jogo do Bulls tem foto do Noah!

 

Mais de uma. E Dwight até vira o rosto pra não vomitar

 

Cliquem na foto, ampliem e vejam o irmão de Dirk Nowitzki

>Pelo caminho errado

>

Kobe mantém a calma e concentração para não passar desespero para seus companheiros de time

Eu sei, eu sei, eu estava ausente na primeira semana dos playoffs. Mas viajei, tive dificuldade para ver os jogos, fiquei dias sem internet, passei horas em aeroportos, me estressei com problemas pessoais e foi uma semana cansativa que pareceu durar um mês. Para me recuperar, overdose de playoffs correndo atrás do tempo perdido! Assisti a algumas reprises no fim de semana mas ainda não tudo o que eu queria, o que eu mais consegui ver foi, claro, o meu time, o LA Lakers, pegando o New Orleans Hornets. Por ser a série que mais acompanhei, e por ser uma que está bem aberta, é dela que eu falo.

Antes da série começar eu estava bem animado com esse matchup para o meu Lakers, antes estava com medo da gente perder aquele jogo para o Kings na última rodada (o Lakers venceu no sufoco, na prorrogação) e acabar enfrentando o Blazers. Contra o time do Brandon Roy, o zumbi dos playoffs, o Lakers sempre tem dificuldades e normalmente perde fora de casa, contra o Hornets em compensação foram só passeios na temporada regular desse e dos últimos anos. As exceções foram apenas em momentos quando o Chris Paul e algum coadjuvante ficaram muito inspirados. Lembro do David West e até do Peja Stojakovic tendo dias mágicos contra o Lakers pelo Hornets. Mas, sinceramente, não convencia. Eram dias muito inspirados, claramente aberrações que não teriam como sobreviver a uma série de playoff. Quantas atuações alienígenas o Chris Paul, que explorava a deficiência do Lakers em marcar jogadores velozes, poderia ter? E o David West, que poderia limitar o poder da dupla de Pau Gasol e Andrew Bynum, nem está jogando, machucado. Parecia mamata.
Na temporada regular foi 4 a 0 para LA. O Chris Paul perdeu de vez o título de melhor armador da geração, suas contusões fizeram a balança pesar para o Deron Williams segundo a maioria dos críticos e o Derrick Rose é uma apelação de video game usando código e controle turbo, o papo de Chris Paul MVP de uns anos atrás parece tão atual quanto polaina e Smurfs. Meio esquecido e com números bem mais modestos ele caiu para um segundo plano, até tendo algumas partidas em que parecia mais lento e previsível. Não custa lembrar que o Chris Paul até passou jogos inteiros sem marcar pontos nessa temporada, ao invés de viver o seu auge ele parece um Jason Kidd com quase 40 anos, o que é bom, mas não como ele já foi. 
E também como esperar que o Hornets pudesse segurar o garrafão do Lakers? Se com o David West já era difícil, com o Carl Landry soa impossível. Sim, ele é raçudo e marca os pontos mais improváveis da NBA, só quando você percebe que ele tem a mesma sorte em todos os jogos é que se toca que não é pra chamar de sorte. Mas a sua deficiência defensiva já era destaque no Rockets, foi no Kings e nem com todo o esforço do mundo daria pra imaginar ele incomodando o Pau Gasol. Até dava pra imaginar o Trevor Ariza marcando bem o Kobe Bryant no perímetro, mas lá dentro parecia que seria uma surra.

Mas a série está 2 a 2, o Hornets convenceu nas suas duas vitórias e as previsões claramente foram para o beleléu. Sobra pra gente explicar o que aconteceu de inesperado para chegarmos aqui. A primeira e mais óbvia é que o Chris Paul renasceu das cinzas. O Ryan Schwan, que escreve para o blog Hornets247, comentou durante essa temporada sobre a mutação do CP3. No começo da carreira ele era um jogador muito veloz, driblador, agressivo e que tinha um estilo que lembrava demais o do Isiah Thomas nos tempos de bi-campeão pelo Detroit Pistons no fim dos anos 80. Mas com as contusões limitando a sua velocidade e força nas infiltrações ele, de repente, começou a virar, na opinião do blogueiro, um novo John Stockton. Comparações inúteis à parte, o que ele quis dizer é que diante das limitações físicas o Chris Paul estava mudando o seu estilo de jogo e ainda sendo eficiente em quadra. Dificilmente veríamos mais jogos de 30 pontos dele mas ainda veríamos um jogador inteligente, com precisão nos passes e ótima visão de jogo.

Eu acreditei nessa teoria até o início dos playoffs, mas inspirado pela importância dos jogos o Chris Paul resolveu esquecer as contusões e jogar como era há uns dois anos atrás. Claro que ajuda a incompetência do Lakers em marcar armadores rápidos e não podemos esquecer que nas duas derrotas o CP3 não foi tão bom assim, mas nas duas vitórias, uau, faltam adjetivos para descrever aquelas atuações. Então se queremos uma primeira explicação para entender porque a série está empatada, essa é a primeira, Chris Paul está voando. Obviamente não é a única, se bastassem inspirações esporádicas de um jogador para estar pau a pau com o Lakers nos playoffs o Warriors do Monta Ellis seria um timaço, mas precisa de muito mais.

A MySynergySports, empresa que faz estatísticas avançadas da NBA, enrolou a temporada inteira, mas finalmente fez parceria com a liga e tem alguns de seus muitos números divulgados no site oficial da NBA. O mais interessante deles mostra em que tipos de jogada de ataque cada time faz a maior parte dos seus pontos, e sabe que o Hornets não faz só a maioria dos seus pontos em jogadas de isolação e pick-and-roll, mais do que isso, o Hornets é o time que mais faz pontos nessas jogadas entre todos os 16 que disputam os playoffs! O Lakers teve uma das melhores defesas da NBA durante a temporada, mas sofreu bastante com duas coisas: a marcação homem a homem contra armadores velozes (lembrem dos jogos contra o Thunder, com o Westbrook matando a pau) e com pick-and-roll (lembrem do jogo de Natal contra o Heat). Os dois maiores defeitos da defesa do Lakers são os pontos positivos do ataque do Hornets, ou melhor, são quando o Chris Paul joga como Isiah Thomas. Quando é Stockton, como foi na temporada regular, só deu jogo fácil para o Lakers.

Ainda segundo o SynergySports, o Hornets consegue 0,98 pontos por posse de bola sempre que tenta o pick-and-roll e assustadores 1,1 ponto por posse de bola quando fazem uma jogada de isolação. O Lakers só tem números parecidos em três categorias:  Cortes para a cesta (quando alguém escapa do marcador e recebe um passe na corrida, indo para a cesta), em contra-ataques e quando os seus pivôs jogam de costas para a cesta.  Os dois primeiros acontecem muito pouco e a dos pivôs é a mina de ouro mal utilizada do Lakers nessa série. Eles usam essa jogada em mais de 15% das posses de bola, a terceira mais usada pelo time, mas ainda atrás da isolação e do arremesso parado. A isolação é quando um jogador cria a jogada dele sozinho, no drible, e o arremesso parado é o famosos spot-up shot, que é quando o cara fica paradinho, espera o passe e assim que recebe chuta, sem driblar nem nada. Ou seja, mesmo tendo um garrafão melhor, mais alto, mais forte e mais eficiente, o que o Lakers mais tem feito na série é tentar jogar sozinho e, quando não dá mais, tocar pra alguém e esperar este arremessar de longe. Se isso fosse uma boa estratégia de jogo, o Warriors…

Se a primeira explicação para esse empate é o Chris Paul, a segunda é tão simples que soa patética: O Hornets executa as jogadas que tem melhor aproveitamento e o Lakers não. O sistema dos triângulos, baseado em passes e movimentações sem a bola é ótimo para as movimentações cortando para a cesta, por isso o aproveitamento bom, mas elas acontecerem tão pouco mostra como o time às vezes é estagnado em quadra. O aproveitamento alto dos pivôs mostra como o caminho para as vitórias está lá, mas a marcação ativa e física do Hornets está inibindo o Lakers, que prefere arriscar menos os passes e fica muito concentrado na linha dos três pontos, com o tempo de posse de bola passando só resta arriscar uma jogada individual ou passar para alguém arremessar de longe. Esses arremessos de longe são também os que dão rebotes mais longos e imprevisíveis, que diminuem a importância de Gasol e Bynum no rebote ofensivo.

Outra coisa merece atenção nessa série. Vocês lembram desse post que eu fiz sobre o machismo na NBA, sobre ser “Soft” e tudo mais? Nele eu citava uma palestra do Henry Abott em que ele usava dois times como exemplos opostos de como decidir jogos. O Lakers era o time do macho alfa, de Kobe Bryant, que acredita que é sua obrigação arremessar as bolas decisivas de todos os jogos, já que é a estrela da equipe – ele não tem medo, não hesita, não treme. Do outro lado está Chris Paul, autor de uma frase que muitos consideram símbolo de falta de liderança: “No fim do jogo eu arremesso se estiver livre, senão eu passo a bola”.

Pois com o jogo 4 para ser decidido, o Kobe tentou um arremesso doido de três para empatar o jogo e errou. O Chris Paul, bom, ele passou a bola para o cara mais frio do seu time, Jarrett Jack, zero arremessos feitos até então, e venceu.

Não tem certo e errado, cada um encara o jogo de um jeito diferente. Mas nesse jogo a vitória foi para o altruísta Chris Paul. Se o Kobe quer ter mais chances de tentar arremessos grandiosos assim e calar a boca de quem acredita na outra teoria, deve conseguir chegar ao fim dos jogos em condições de ganhar. Para isso precisa confiar mais nos seus pivôs e achar maneiras de envolvê-los mais nos jogos. Mesmo com Pau Gasol não jogando tudo o que sabe, Andrew Bynum, Lamar Odom e até Ron Artest podem executar a mesma jogada com sucesso. E para defender o Chris Paul? Bom, colocar o Kobe nele ao invés do Derek Fisher é melhor, mas não a resposta definitiva, eu diria que uma espingarda carregada daria conta do recado. 

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Mike Dunleavy sempre foi conhecido pelas belas fotos

Quando comentei aqui sobre a idéia do LeBron James de diminuir o número de times na NBA (ele depois negou ter dito isso), dei o exemplo de como seria a liga sem seis times, um deles o Indiana Pacers. Nos comentários isso provocou a revolta de pelo menos um torcedor que disse que Indianápolis e todo o estado de Indiana eram muito importantes para o basquete e que isso não deveria nem ser cogitado.

Ele tem razão ao dizer que Indiana é um estado importante no basquete. O Pacers e principalmente o Indiana University Hoosiers têm história e tradição no basquete americano, mas isso não é o bastante. O Seattle Sonics tinha 40 anos de NBA e uma base de torcida enorme antes de acabar de vez. Os torcedores então não deveriam se focar tanto na tradição, a cultura americana não é tão apegada a isso, e se preocupar em melhorar sua situação econômica e basquetebolística. Sem saber dos detalhes econômicos do time, nos limitamos a comentar do elenco. E convenhamos, ter um bom time e atrair mais público, TV e jogos de playoff é um bom começo pra arrecadar bufunfa.

No preview da temporada eu disse que considerava o trio do Indiana Pacers com Darren Collison, Danny Granger e Roy Hibbert mais promissor que outros trios de times medíocres e jovens, no caso Wolves (Jonny Flynn, Kevin Love e Wesley Johnson) e Nets (Devin Harris, Derrick Favors e Brook Lopez). As coisas mudaram um pouco de figura quando, depois disso, o Wolves trocou pelo Michael Beasley e ele começou a jogar muito. Hoje prefiro o trio do Wolves, com Beasley e não Flynn, embora nessa temporada o Pacers seja um time melhor.

Não que esteja tudo como planejado, o Darren Collison, por exemplo, não está jogando no mesmo nível da temporada passada pelo Hornets, quando substituiu Chris Paul e foi um dos melhores novatos do ano. Número por número o jogador tem hoje 13 pontos por jogo e acabou a temporada passada com 12, mas o meu critério de comparação é com quando foi titular no Hornets, não reserva. Isso aconteceu nos últimos três meses de 2009-10 e suas médias foram: 21.6 pontos em fevereiro, 17 pontos em março e 19 pontos em abril. Nas assistências foram 8.3, 9.1 e 7.7. Nessa temporada ele tem apenas 4.3 assistências por jogo.

Mas por que diacho o Collison caiu tanto de produção? O Indiana Pacers é um dos times que joga em ritmo mais veloz na NBA, bem mais do que o Hornets, o que eu achei que fosse fazer o Collison se adaptar rápido, mas acabou sendo o contrário. Pode ser só impressão, mas eu acho que ele não funciona muito bem só chegando no ataque e distribuindo um passe preciso para a finalização, como faz o Steve Nash no Suns, por exemplo. Ele funcionava melhor em um ataque de meia quadra que explorava vários pick-and-rolls como no Hornets. O Pacers é um time mais de arremessadores e que deixa o garrafão só para o Roy Hibbert trabalhar, limitando o Darren Collison a arremessos mais distantes ao invés de ter espaço para infiltrações.

A falta de entendimento tático tem influenciado também a confiança do Collison, que muitas vezes aceita ser só um carregador de bola da defesa para o ataque, onde entrega para Danny Granger e Roy Hibbert jogarem como bem entenderem. A passividade do Collison fez ele perder espaço na rotação e não é incomum ver o TJ Ford e até o AJ Price jogando quartos períodos no lugar dele, o técnico Jim O’Brien disse que muitas vezes o Ford joga os finais de jogo por sua agressividade na defesa e experiência no ataque. Quando você perde vaga por causa da defesa furada do TJ Ford e sua “experiência” que faz com que ele tente os arremessos mais imbecis da história do basquete (JR Smith à parte) é porque a coisa tá feia. Às vezes acho que é uma mensagem do tipo “Seja agressivo como o TJ Ford, mas do jeito certo”.

Mas é difícil culpar só o TJ Ford por tentar arremessos burros porque esse é um dos times que mais força bolas estúpidas na NBA e eu nem esqueci do Warriors! O Danny Granger arremessa bolas longuíssimas de três com muito tempo no relógio, o Roy Hibbert insiste nos arremessos de Ilgauskas ao invés de jogar perto da cesta e o Brandon Rush só tem um pouco do meu perdão porque ele tem aquela liberdade concedida a todos os grandes arremessadores para arremessar sempre que receber a bola. É o tipo de jogador que se não chutar quando tiver a chance sai do time (embora tenha saído melhor do que a encomenda na defesa individual). O novato Paul George é outro que tenta umas coisas inexplicáveis, mas com a desculpa de ser só um novato, ser um time veloz não justifica tantas bobagens.

O Hibbert e o Granger, aliás, são um caso estranho nessa temporada. Nos primeiros 16 jogos da temporada Granger teve média de 22.6 jogos e Hibbert 16.1. Nos 16 jogos seguintes eles caíram para 19.1 e 11.1 respectivamente, em rebotes o Hibbert ainda caiu de 9 para 7 por jogo. Quer um número pior? Hibbert tem acertado apenas 41% dos seus arremessos! Irgh! Para um ala isso já é ruim, para um pivô é péssimo e para quem começou a temporada tão bem é um colapso inexplicável. E embora eu reclame que ele chuta muito de longe, os números dizem que nos últimos jogos, quando seus números caíram, ele está até arremessando um pouquinho mais de perto. Apenas tem errado, simples assim. O blog especializado no Pacers “Eight Points, Nine Seconds” comenta melhor esses dados.

Com Granger e Hibbert atuando bem, o Pacers tem lugar na briga (medíocre) pelas últimas posições no playoff no Leste, mas com eles jogando como estão, já era. Até porque como alertamos no nosso preview, eles tem dois buracos nas posições 2 e 4 que ainda não foram preenchidos. O Brandon Rush foi o escolhido para algumas ocasiões, mas como ele é muito limitado, costuma vir do banco, deixando lugar para o Mike Dunleavy, o que seria uma boa se ele tivesse só dias inspirados, mas é irregular como uma TPM. Na posição 4 já tivemos o mesmo versátil Mike Dunleavy deixando o time baixo e cheio de arremessadores, o agressivo Josh McRoberts, que é empolgante mas pouco eficiente, e finalmente Tyler Hansbrough nos últimos dois jogos. De todos, o Psycho-T é o que eu acho que vai ficar no time titular porque combina as qualidades dos outros: é agressivo nos rebotes como McRoberts, e tem velocidade e um arremesso decente de meia distância para abrir a quadra como Dunleavy.

Um outro jogador que eu sempre comentei que poderia ganhar espaço é o novato Lance Stephenson, ídolo absoluto nos seus tempos de colegial e que acabou só saindo na segunda rodada do Draft desse ano (uma posição depois do Landry Fields). Mas ele não entra em quadra nem a pau, na sua volta para sua terra natal, Nova York, o NY Daily News entrevistou o garoto e parece que vai demorar para ele entrar em quadra mesmo. O time está tendo paciência com ele, mas ele é ainda, pra falar a verdade, um jogador de streetball. Ainda precisa aprender a se portar como armador, a participar coletivamente da defesa e tantas outras coisas. “Ele precisa trabalhar em todo o seu jogo. Em tudo”, disse o técnico Jim O’Brien. Se um dia Stephenson estourar na NBA ele deve muito a essa comissão técnica cheia de paciência.

Ou seja, é um time com bons jogadores, mas todos com muitos defeitos que o fariam reservas na maioria dos bons times por aí. Mas como essa é a realidade do Pacers por muitos anos, alguma coisa tinha que ser feita e o Jim O’Brien, nunca conhecido por sua defesa, fez milagre. Hoje o Pacers é a sétima melhor defesa de toda a NBA! O segredo para essa mudança está na dupla pressão de perímetro e Roy Hibbert . O time rápido pressiona os adversários na linha dos três com defensores atléticos e rápidos (George, Granger e principalmente Posey), evitando penetrações, e o Hibbert, 6º da NBA em tocos, protege bem o garrafão. Os adversários do Pacers acertam em média 43% dos seus arremessos, é a terceira melhor marca da NBA, atrás apenas de Bulls e Heat. Na defesa do garrafão também estão em terceiro, atrás de Celtics e Magic.

A conclusão dessa análise do Pacers é que caímos no mundo bizarro. O Spurs é o time veloz que precisa arrumar sua defesa e tem um dos ataques mais velozes e envolventes da NBA e o Pacers do Jim O’Brien (meu deus!) se mantém na briga pelos playoffs por sua defesa e precisa acertar o ataque para ir longe. Se um dia eu largar o blog é porque estou achando tudo tão estranho que enlouqueci e estou no hospício.

>Um time à venda

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Chris Paul faz greve até ter um elenco melhor

O atual dono do Hornets, George Shinn, tem uma daquelas lindas histórias que nos fazem acreditar no “Sonho Americano”. Ele era o pior aluno da sala, trabalhou em fabriquinhas de pano, lavou carros, foi servente de escola, aí conseguiu ser formar numa faculdade Unigrunge da vida, juntou dinheiro, comprou a faculdade, criou um conglomerado monstruoso de escolas e cursos universitários, vendeu tudo, comprou o Hornets, e aí foi acusado de estupro. Ou seja, tudo aquilo que a gente espera que o capitalismo nos proporcione: a chance de crescer na vida e de ir parar num julgamento em rede nacional.

George Shinn disse que iria apresentar uma mulher que conheceu ao seu advogado, para lidar com questões de custódia, mas a mulher diz que Shinn levou ela para outro lugar e tentou dar uns amassos. Foi acusado de sequestro e estupro num julgamento realmente transmitido ao vivo pela televisão. O júri declarou o milionário inocente, mas sua imagem ficou tão manchada (ele teve que admitir durante o julgamento que havia traído sua esposa diversas vezes) que ele resolveu dar o fora do lugar em que morava – e assim como uma criança leva sua bola quando vai embora, o milionário levou o Hornets com ele no bolso. Foi assim que o Hornets saiu de Charlotte e foi parar em New Orleans, já que seu amigo Gary Chouest, dono de uma parte das ações do time, era do estado de Louisiana.

Mas os negócios em New Orleans nunca deram muito certo para o Hornets. A cidade é grande e gosta de basquete, mas a economia é debilitada e a população local tem dificuldades em lotar o ginásio (até porque prefere gastar o dinheiro com futebol americano). Depois do furacão Katrina, as coisas ficaram ainda piores. Estima-se que 44% da população de New Orleans tenha ido embora após o incidente, ou seja, é como uma cidade ter metade das pessoas de um dia para o outro (nível “invasão-zumbi” de catástrofe!). Enquanto a cidade tentava se reconstruir, o Hornets passou a jogar em Oklahoma City, onde os ginásios sempre lotavam. A excelente recepção por lá fez com que os compradores do Sonics tivessem mais vontade ainda de levar a equipe para Oklahoma City, rebatizando-a de Thunder. Já o Hornets teve que voltar para New Orleans assim que a crise melhorou, mas o ginásio está mais vazio do que nunca.

Depois que o George Shinn descobriu que estava com câncer e passou por um processo de recuperação, resolveu ouvir o CD do Padre Marcelo Rossi, ergueu as mãos pra dar glória a Deus, e resolveu que não quer mais se focar nessa besteira de basquete. Gary Chouest iria comprar suas ações do time e virar dono da brincadeira toda, mas o processo de compra levou meses e meses, e agora Chouest diz que a crise econômica complicou sua conta bancária e que ele talvez tenha que se dedicar integralmente a outras atividades. Ou seja, o troço todo miou. “Vendam para outro mané”, você pensa, “deve ter um bilhão de milionários querendo comprar uma equipe de NBA para dar de presente para o filhinho mais novo”. O problema é que os compradores vão obviamente querer tirar a equipe de New Orleans, o que seria péssimo para a cidade e continuaria a tornar a NBA uma bagunça, com equipes mudando de cidade a torto e a direito – e a NBA não quer ficar parecida com nosso NBB, não é mesmo? Normalmente, arrancar uma equipe de sua cidade não é a coisa mais fácil do mundo, envolve uma boa dose de burocracia e de migué, mas no caso do Hornets basta ler as letras miúdas na parte inferior do contrato: se durante 13 partidas, entre 1o de dezembro e 17 de janeiro, o Hornets não tiver mais de 14.213 torcedores no ginásio, o time tem o direito de deixar a cidade. Como até agora o máximo de torcedores que o time recebeu na temporada foram 14.020 (e isso porque o time está indo bem!), vai ser bem fácil para o próximo comprador arrancar a equipe de lá.

Foi então que o David Stern resolveu intervir. Se a NBA, como entidade, tem uma grana preta sobrando, que tal comprar o Hornets das mãos do George Shinn, e aí vender num futuro próximo apenas para alguém disposto a manter o time em New Orleans? Na prática, não deve mudar nada: o time continua com os mesmos jogadores, mesmo técnico, mesmo General Manager, mas a franquia passa a pertencer – temporariamente – à NBA. Não tem essa de “a NBA vai favorecer a equipe” ou “vão rolar umas trocas absurdas”, só muda quem é dono das ações, não há influência direta. Quer dizer, mais ou menos.

Os donos influenciam suas equipes de uma única maneira: assinando cheques. Quando o Mark Cuban assina um cheque e diz que está disposto a pagar todas as multas do planeta para que o Mavs tenha o melhor elenco possível, ele está agindo diretamente sobre seu elenco. Times em economias piores, com donos que não podem torrar dinheiro desse jeito, são obrigados a não assinar novos jogadores, se livrar de pirralhos para não pagar seus salários e não se comprometer com contratos muito longos – tipo o Jazz, que volta e meia se livra de alguém só pra economizar uns trocados.

Bem, o Hornets está numa situação bastante complicada: o time começou muito bem a temporada e Chris Paul é um dos melhores armadores do planeta, mas seu contrato acabará ao fim da próxima temporada e ele certamente pedirá antes para sair em busca de um time que lhe ofereça mais condições de ganhar um título. Cabe ao Hornets, então, duas escolhas: trocar o Chris Paul e começar tudo de novo, perdendo ainda mais fãs no ginásio e jogando fora as chances de lucrar nos playoffs; ou então manter o Chris Paul nessa temporada e investir pesado no time para que ele tenha chances nesses playoffs a ponto de convencer o armador a ficar na temporada que vem.

Muita gente elogiou a troca de Peja Stojakovic (que foi para o Raptors em troca de Jarret Jack e mais uns carinhas aí) do ponto de vista econômico, já que o Hornets se livrou do contrato monstruoso de 15 milhões do Peja, mas é justamente o contrário. O Hornets pagará alguns milhões a menos nessa temporada graças à troca, mas pagará mais de 5 milhões a mais pelo contrato do Jack na temporada que vem – temporada em que precisariam do dinheiro para contratar estrelas, enquanto o gasto nessa temporada não faria mais diferença. Foi um investimento para convencer Chris Paul a ficar, não para economizar verdinhas. E, para que o armador realmente continue no Hornets, outros investimentos desse tipo precisam acontecer.

O Hornets é, outra vez, um time ruim que joga muito bem – e isso é perigoso. Dá pra ganhar muitos jogos apenas com o entrosamento, a defesa, a movimentação, não desperdiçando a bola, mas muitos jogos serão perdidos simplesmente porque a equipe não tem talento o bastante. O Hornets, que há pouco tempo atrás era líder da NBA, já caiu para a sexta posição do Oeste. Provavelmente irão para os playoffs, podem causar estrago por lá, e o técnico Monty Williams se dá cada vez melhor com Chris Paul, os dois já são grandes amigos. Mas é impossível que o Chris Paul não perceba que ele está tirando água de pedra. Sempre fico imaginando o Chris Paul entrando no vestiário e vendo o DJ Mbenga tomando uma enterrada na cabeça de um anão, o Aaron Gray não alcançando algo em cima do armário porque não consegue pular, o Pops Mensah-Bonsu não conseguindo amarrar o próprio cadarço e o Belinelli e o Willie Green arremessando as próprias mães numa cesta de lixo. É um vestiário de chorar.

Para salvar a franquia de uma reconstrução total e de ter ainda mais prejuízos, é preciso que o dono da equipe resolva assinar cheques desesperadamente – e a NBA, que agora comprou o time, não fará isso. Manterá as finanças como estão, apenas esperando vender o time sem que ele se desvalorize muito, e para isso não podem sair acumulando dívidas. Supostamente não deveria fazer nenhuma diferença quem é o dono do Hornets, mas nesse momento em especial, em que o futuro do Chris Paul depende única e exclusivamente de resultados imediatos, é preciso um dono disposto a investir – sob risco de perder tudo. A cidade de New Orleans sai ganhando e mantém sua equipe, claro, mas o Hornets e seu elenco saem perdendo. Apenas um milagre – com o Chris Paul tirando muita água de pedra – lhe deixará convencido de que é possível ganhar um título com esse elenco atual, e a NBA não deve melhorar o elenco do modo necessário.

Aproveito a oportunidade, no entanto, para vislumbrar a possibilidade de que um dia os donos não pudessem mais intervir na NBA. Esse lance de poder arcar com multas de acordo com o naipe do dono e a economia local tornam a liga mais desequilibrada do que deveria ser. Foi então que eu lembrei de um artigo simplesmente espetacular do Elrod Enchilada, do site RealGM.com, em que ele propõe um novo sistema financeiro para a NBA – um sistema meio socialista.

Funciona mais ou menos assim: soma-se o teto salarial de todos os times da NBA, cerca de 2 bilhões de dólares que deveriam ser gastos com todos os jogadores da liga, e colocamos toda essa grana num pote. Ao invés de distribuir esse dinheiro igualmente a todos os jogadores (que ganhariam cerca de 4.5 milhões cada), cria-se um sistema de méritos para que nenhuma estrela choramingue por perder seu salário monstruoso. O sistema é o seguinte:

3.5% da grana total, antes de ir pro pote, vai para um banco para “jogadores contundidos”, que permite que esses jogadores possam ganhar o mesmo salário que ganharam no ano anterior caso percam mais de 50 jogos, ou uma porcentagem disso de bônus caso percam menos jogos
70% da grana do pote vai para os jogadores de acordo com a performance, ou seja, de acordo com os minutos jogados. Os 90 jogadores que estiverem em quadra por mais minutos receberiam 6.5 milhões, os 90 jogadores seguintes 5 milhões, até que os jogadores que menos jogassem recebessem 1 milhão (o mínimo atual).
20% do pote de grana iria para jogadores “votados”. Os 25 primeiros colocados na votação para MVP receberiam incentivos que vão de 5 milhões (para os 5 primeiros) até 3 milhões (os 5 últimos). Além disso, seriam eleitos por votação times All-NBA (com os melhores jogadores de cada posição, como acontece hoje em dia), mas seriam 10 times com os melhores do Oeste e 10 com os melhores do Leste, de modo que os que estiverem no primeiro time recebam 4.8 milhões e os que estiverem no décimo time recebam 1.2 milhões. São 100 jogadores premiados desse modo, ou seja, dois terços de todos os jogadores titulares da NBA.
10% do pote de grana vai para todos os jogadores dos 16 melhores times, em ordem de classificação para os playoffs.

Com isso, os jogadores fodões (que jogam bastante, são eleitos entre os melhores e estão em times vencedores) ganhariam entre 16 e 18 milhões, um All-Star que não está num time de elite ganharia de 13 a 15 milhões, outros titulares comuns ganhariam entre 8 e 10 milhões, e os reservas que mais jogam ganhariam entre 5 e 7 milhões. Ou seja, são salários compatíveis com aqueles que existem hoje em dia, mas a NBA mudaria drasticamente. Um jogador que de um dia para o outro começa a jogar muito bem seria imediatamente recompensando, ao invés de passar anos num contrato vagabundo até poder assinar um novo. Jogadores não poderiam parar de treinar depois de assinar contratos grandes (como aconteceu com Jerome James, Eddy Curry…). Não teríamos jogadores se esforçando apenas em “anos de contrato” (é como se todo ano fosse ano de contrato!). Jogadores que ficam muito tempo na quadra porque são bons defensores, por exemplo, ganhariam tão bem quanto os melhores pontuadores, que em geral tendem a receber mais. Todo jogador vai se esforçar para estar em quadra e ajudar o time, e terá benefícios por ajudar seu time a vencer e subir na tabela. E as finanças dos times ficariam sempre iguais, sem intervenção dos donos, e sem que contratos “burros” destruam toda a economia da liga. Os jogadores iriam para os times em que podem jogar mais e que possam vencer ao mesmo tempo, não para os times que paguem mais. Isso evitaria “panelinhas” em que jogadores precisem dividir minutos, ou grandes jogadores que se acomodam em times ruins.

Várias questões surgem com esse sistema, como o tempo que os jogadores permaneceriam nos times, trocas, etc. Elrod Enchilada responde tudo com maestria, sempre dando um jeito de fazer o sistema funcionar (um dia faço um post maior explicando todas as ideias do Elrod). Sua sugestão é para que não seja necessária uma greve dos jogadores por razões salariais e interromper o prejuizo dos times, mas trago a ideia de volta para que não aconteçam novamente coisas como esse Hornets, que precisa de alguém disposto a pagar taxas e não terá – enquanto Mavs e Lakers se esbaldam em elencos caríssimos. É uma pena que caras como o Chris Paul tenham que buscar sempre os “melhores mercados”, e o Hornets tenha que ficar com o “resto”.

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