[Preview] Semi-finais da Conferência Oeste

San Antonio Spurs (2) x OKC Thunder (3)

Acho que podemos dizer que quando times que mantém seu núcleo se enfrentam pela terceira vez nos Playoffs já é rivalidade, né? Spurs e Thunder, sem mudarem seus jogadores mais importantes, se pegaram nas finais do Oeste de 2012 e 2014. No primeiro confronto o Spurs vinha de umas 180 vitórias seguidas (ou eram 20?) e abriram 2-0 na série, mas de repente perderam 4 seguidas e o melhor time da temporada deu adeus.

https://twitter.com/KOCOCarson/status/725716098344095745

Dois anos depois o Thunder ameaçou fazer o mesmo e igualou uma série que perdia por 0-2, mas aí o Spurs colocou Boris Diaw no time titular, reagiu, venceu, foi para a final contra o Miami Heat e se sagrou campeão.

Somando esse histórico a tudo o que aconteceu na temporada regular dos últimos anos, podemos afirmar que o OKC Thunder é um raríssimo time que sabe incomodar o San Antonio Spurs há tempos. Mas será que é o bastante para parar a versão 2016 do time de Gregg Popovich?

Só pode haver um

Quando o Cavs perdeu para o Warriors pela vexatória diferença de 34 pontos, comentamos em nosso podcast que “se fosse futebol brasileiro, esse era o tipo de derrota que derrubava técnicos”. Parte mentalidade de futebol brasileiro, parte pressão de LeBron James e agregados, parte Maldição Bola Presa™, eis que David Blatt realmente caiu, mesmo comandando o time líder da Conferência Leste. O abismo entre as duas equipes ficou tão gritante, tão evidente, que era necessário fazer algo drástico – calhou de ser a demissão do técnico, o elo mais fraco.

Na madrugada de ontem chegou a vez do Warriors enfrentar o Spurs – um time sem elos fracos – no que era o jogo mais esperado da temporada até agora. Também flertando com aquele simbólico recorde de vitórias numa temporada que o Warriors está perseguindo, o Spurs parecia ter todas as peças para fazer frente ao time líder da NBA e colocar um pouco de emoção no campeonato. Talvez perdesse; talvez não tivesse ainda a procurada solução mágica para parar o Warriors; talvez faltasse executar com perfeição o plano proposto pelo técnico Gregg Popovich; mas ninguém estava preparado para uma SURRA colossal.

Quem é que manda?

Quando eu trabalhei no Club Atlhetico Paulistano e convivi mais de perto com a galera que vive o basquete nacional, me impressionei com a aversão que todos por aqui tinham com a ideia de um time ter uma “estrela”. No Paulistano isso foi um pouco fácil de evitar durante um tempo porque o time era realmente feito de atletas com menos fama e nome no mercado, mas aí apareceram os americanos Kenny Dawkins e especialmente Desmond Holloway, uma máquina de fazer pontos. De uma hora para a outra surgiu a preocupação de que a ideia de ter os americanos como rostos do clube pudesse prejudicar o grupo. Na parte que me cabia do trabalho, era importante lidar com a imprensa para que quando falassem do Paulistano (e não era sempre, como vocês devem imaginar), dessem atenção e moral também para os outros jogadores e não só para os cestinhas.

No fim das contas deu tudo certo. Outros jogadores davam entrevistas esporádicas, os americanos eram meio avessos a aparecer demais , não queriam falar em português na TV e o grupo, que chegou a uma final de NBB, seguiu sem grandes problemas de relacionamento. Foi o bastante, porém, para me deixar bem impressionado. Era óbvio que os dois americanos eram MUITO superiores tecnicamente a qualquer outro jogadores, mas todos, sempre, ficavam reforçando a ideia de que todos tinham sua função, que todos eram importantes e que ninguém iria ganhar sozinho. Quanto mais espetacular a atuação individual de um, mais repetiam a questão de jogar em equipe. A minha questão é: uma coisa elimina a outra? Claro que ninguém ganha sozinho, mas também é claro que todo time depende mais de uns jogadores que de outros.

San Antonio Spurs na contramão e no caminho certo

Depois de aniquilar o Atlanta Hawks com uma vitória por 25 pontos de diferença, o San Antonio Spurs recebeu o Utah Jazz e ganhou outra, dessa vez marcando 37 pontos a mais que o adversário. Com essas duas vitórias, o Spurs ultrapassou o Golden State Warriors com o melhor saldo de pontos da NBA, agora vencendo seus adversários por diferença média de 13.2 contra 13.1 do atual campeão.

Como disse em um de nossos posts especiais para assinantes, apenas 8 times na história da liga conseguiram terminar uma temporada com média superior a 10 pontos de superioridade. Desses, 7 foram campeões, a exceção aconteceu porque dois deles se pegaram numa mesma final, o Lakers e o Bucks de 1972.

(Sim, esse é o Lakers que venceu 33 jogos seguidos e esse é o Bucks que quebrou a sequência recorde da história da liga)

A disputa pelo melhor saldo pode ser uma de muitas travadas entre esses dois times ao longo da temporada. Tem ainda a disputa pelo primeiro lugar do Oeste, que hoje é do Warriors com 24 vitórias e 1 derrota contra as também impressionantes 21 vitórias e 5 derrotas do time de Tim Duncan e Tony Parker. Os dois estão invictos em casa. O Warriors tem o melhor ataque em pontos por posse de bola, o Spurs está em segundo; o time do Texas tem a melhor defesa, a do time californiano caiu nas últimas semanas e está apenas em 10º. O Warriors tem o melhor aproveitamento de 3 pontos, o Spurs está em . Eles são Top 2 em rebotes defensivos, assistências e aproveitamento geral de arremessos.

Resumo da Rodada – 24/4

O Mavericks mostrou até agora na série contra o Rockets que não faz a menor ideia de como tornar esse confronto competitivo. Em geral vemos no Oeste ajustes táticos sendo feitos partida após partida que arrumam um problema na quadra apenas para que o adversário descubra outro, num eterno cobertor curto acontecendo nas pranchetas. Mas o Mavericks foi destruído no primeiro jogo por não criar espaço para o Nowitzki, não encontrar infiltrações, não conseguir marcar o Harden e não dominar o garrafão; e no segundo jogo, NENHUM desses problemas deu qualquer sinal de ser solucionado. Terceiro jogo em Dallas o Mavericks precisava de soluções desesperadas, mas é difícil acreditar que algo efetivo surgiria do nada quando o elenco não mostrou progresso até agora.

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